quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O suicídio demográfico

DOMINGO, 19 DE JUNHO DE 2011

Segundo o Correio da Manhã

“De acordo com os primeiros dados, provisórios, do Censos 2011, a 25 de Abril estavam recenseados 10,202 milhões, um número abaixo da estimativa de 31 de Dezembro de 2010: 10,637 milhões.”

O tsunami demográfico está cada vez mais a aproximar-se e a fazer sentir os seus efeitos. Não é só a taxa de fertilidade que é miserável em Portugal (cerca de 1,3), longe de nos garantir a renovação da população (2,05). O saldo migratório já é negativo, sendo que se espera a saída de muitos mais Portugueses devido à crise e ao retorno esperado de muitos imigrantes aos seus países de origem. Ou seja, estamos em pleno suicídio demográfico.

Em rigor pouco se sabe o que fazer exactamente para inverter esta tendência suicidária. Os saldos migratórios decorrem de macro tendências ditadas pela envolvente económica e financeira. Os dados estão lançados nesta matéria para os próximos 20 anos e implicam um saldo migratório muito negativo. A taxa de fecundidade, a um nível miserável, não dá sinais de inversão tal a elevada apetência de não ter mais do que 1 ou 2 filhos, e não parece que a causa resida somente em “políticas” de família, ou a falta delas. Ao que se sabe na história do homem nunca houve necessidade de promover políticas de família para estimular o crescimento demográfico. Ele surgia por si.

É mergulhado nesta tendência que Portugal se vai ter que habituar a viver. Duas coisas já se sabem. Uma é que teremos de ter crescimentos de produtividade acentuados se queremos manter o mesmo nível de vida (sem contar com o pagamento da dívida acumulada). A outra é que nos teremos de preparar psicologicamente para o novo quadro de distribuição etária que será mais visível daqui a 15 anos. Não é o fim do mundo, mas é bom que nos preparemos.

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