quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Portugal está a perder competitividade e precisa de acelerar reformas

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Segundo notícia no Bigonline

Portugal está a perder competitividade e precisa de acelerar reformas

(20-11-2009 15:30:00)

A economia portuguesa, tal como a espanhola, italiana e grega, está a perder competitividade em favor da Ásia, especialmente da China. A opinião é do economista e guru dos mercados financeiros, Nouriel Roubini, que hoje esteve em Lisboa.

Na conferência dada no âmbito do 11º almoço conferência do Diário Digital, Roubini declarou que a competitividade se perdeu em Portugal e que, uma vez que se trata de um país que faz parte da União Europeia e que, por isso, não tem independência a nível fiscal e cambial, a solução é que proceda às nossas próprias reformas.

“Portugal precisa de acelerar as reformas para aumentar o crescimento da produtividade”, afirmou o economista, salientando aspectos como a despesa pública, impostos ou educação. “É preciso que Portugal torne a sua economia mais flexível”, acrescentou o economista.

Nouriel Roubini, cujos textos de opinião que escreve para o Project Syndicate são publicados pelo Negócios, é professor de economia na Universidade de Nova Iorque e “chairman” da empresa de consultoria RGE Monitor. O economista ficou célebre por prever a actual crise, sendo por isso alcunhado de “profeta da desgraça”.

Portugal, fotografia (4)

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Portugal, andas completamente falho sobre um conceito muito importante para qualquer sociedade. Trata-se da Confiança Pública. Tens tido a infelicidade de teres tido Primeiros Ministros (talvez seja mais correcto dizer má escolha do que infelicidade) que falharam completamente nos sinais a dar ao povo que os elegeu. Desde o ingénuo Cavaco Silva, ao inconsciente António Guterres, a Durão Barroso e a sua agenda pessoal, ao cómico Santana Lopes, e ao actual incompetente e perigosíssimo José Sócrates, todos, sem excepção, não percebem o que Confiança Pública quer dizer. Portugal, tu engoliste e ainda vais engolindo (embora agora estejas menos receptivo) o torpe conceito de confiança que esses sujeitos te impingiram.

E que confiança é que te venderam? Venderam-te a confiança banha da cobra, ou seja, a vulgar auto estima, aquela que os vendedores individualmente possuem. Todos sabemos que individualmente temos défice de auto estima. Sabemos também que precisamos dela em dose adequada para potenciarmos a nossa capacidade individual. Mas essa é uma questão de foro individual, não do foro colectivo. O alcance dos sinais emanados pelos PMs devem-se circunscrever às questões do foro colectivo naquilo que podem influenciar o salutar relacionamento entre as instituições da nossa sociedade. Da boa gestão destes sinais resultará um elevado nível de Confiança Pública, e na sua falta resulta um reduzido nível de Confiança Pública. Portugal, dás agora conta disto ao sentires minado os fundamentos da tua sociedade. Actualmente estás todo subtraído de Confiança Pública.

Todos os teus PMs desde 1987 te iludiram. Todos minaram, ainda que inconscientemente e/ou incompetentemente o terreno onde actualmente te moves. Todos escolheram demasiado mal as pessoas de que se rodearam, ou talvez não pudesse ser de outra forma tal a lógica partidária actual. Os casos BPN, Moderna, Face Oculta, BCP, Casa Pia, BPP arrasam contigo. A incompetência do Governador do Banco de Portugal desespera-te e está-te a sair caríssima. Portugal, personagens como Armando Vara, Isaltino Morais, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, etc, são machadadas fortíssimas nos teus alicerces. Muito mais violentas do que imaginas.

Portugal, a lógica partidária, de cacique, do qual o exemplo visível mais abjecto foi a cena feita pelo PS quando Paulo Pedroso retornou à Assembleia da República, assa-te em lume brando. A lógica partidária, toda feita de interesse e seguidismo reles, só produz gente que em nada te serve. Onde sobra o serviço aos interesses partidários falha a reflexão, a inteligência e o sentimento de serviço ao País. O que todos esses PMs te deram foi Desconfiança Pública.

Portugal, ninguém te deu uma estratégia. Pudera, nenhum conheceu o conceito. Ninguém te deu um rumo. Pudera, nenhum soube o que é comandar um povo. Ninguém te traçou objectivos exequíveis. Pudera, todos obedeceram à sua agenda partidária. Ninguém te mostrou o mundo. Pudera, todos se iludiram com ele. Ninguém te disse o que esperar de ti. Pudera, todos evitaram a introspecção colectiva.

Nos dias de hoje tudo isto faz-te descrer, o que em si é bom porque verdadeiro. Que ninguém pense que pode levar um povo sob a mentira. Só a verdade abre caminhos. Começas a tomar consciência da farsa em que te meteram. A partir de agora tens um trabalho a fazer. Tu sabe-lo qual é e irás fazê-lo, mas ainda andas meio estremunhado, como quem está a acordar e ainda não sabe bem para que lado seguir. Considera isso normal e como fazendo parte do processo de mudança. Portugal, a mudança é lenta mas já se iniciou.

Confiança Pública

A confiança pública não se decreta e tão pouco se possui por pensarmos tê-la. Não está em nós, está antes fora de nós, está na sociedade. O que cada um possui é auto-estima e confiança privada, conceitos que se confunde com confiança pública. A confiança de que Portugal precisa é da confiança pública, a que resulta do suor da nossa sociedade, a que dela é emanado pela forma como esta é construída, dos relacionamentos estabelecidos entre os seus organismos, da matéria de que é feita os seus elementos mais proeminentes e dos que se encontram em posições de destaque. A confiança de que os políticos geralmente falam é a que resulta das relações de cada um com aquilo que lhe é mais próximo. Esta é a confiança privada, conceito do foro individual onde o estado não tem que se meter directamente, e que depende, para além da confiança pública, da auto-estima individual.


Os políticos da nova era, carregados de agendas pessoais e ansiosos por crescerem através das fórmulas que eles próprios criaram, vão jogando o jogo individual da sua casta. O sucesso deste jogo, na forma como ele está concebido, pressupõe a inversão de prioridades, com o indivíduo a sobrepor-se ao grupo e este à sociedade, gradação que Rousseau diz ser contrária àquela que deveria ser adoptada. Deste jogo resulta que para ter sucesso o poder deve ser utilizado em conformidade com a hierarquia das prioridades: 1. Eu, 2. Grupo, 3. Sociedade. Os vencedores deste jogo, satisfeitos com o bem que a si podem reservar pelo facto do poder que detêm, e com confiança (privada), sentem-se agora impelidos a exportar para o Grupo e para a Sociedade a única fórmula que reconhecem ser a de sucesso para alcançar a Confiança, ou seja, a sua, e que, pela natureza das coisas dá a pior das assistências à confiança pública.
Portugal, para teres Confiança Pública precisas de quem pense primeiro na Sociedade, depois no Grupo e depois no Eu.

O que vão os desempregados decidir daqui a 2 anos?

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Segundo o relatório do INE

“A taxa de desemprego estimada para o 3º trimestre de 2009 foi de 9,8%. Este valor é superior ao observado no período homólogo de 2008 em 2,1 pontos percentuais (p.p.) e ao observado no trimestre anterior em 0,7 p.p.. A população desempregada foi estimada em 547,7 mil indivíduos, verificando-se um acréscimo de 26,3%, face ao trimestre homólogo, e de 7,9% em relação ao trimestre anterior.”

Infelizmente as previsões indicam-nos que o número de desempregados pode subir para valores entre 650 a 700 mil pessoas. O conhecimento que temos da economia diz-nos que com esta a crescer após uma recessão o desemprego ainda aumenta durante o início da retoma.

No entanto, e para Portugal, talvez ocorra um fenómeno de excepção, o que a ocorrer é muito preocupante. Se a economia não recuperar tanto quanto se espera a reboque da retoma mundial (o cenário mais provável), o número de desempregados tenderá a manter-se em níveis anormalmente elevados. E desta vez nem muita margem existe para nos socorrermos de medidas expansionistas, nomeadamente aumento do investimento público, devido a limites de endividamento e ao custo da dívida corrente.

Os Portugueses vão sentir que estão de facto entregues a si mesmo, o que, sendo dramático para muitos (vai sê-lo, de facto), pode despoletar e forçar uma mudança de mentalidade quanto à atitude face à procura de trabalho. Isto é válido para os casos de pessoas que se têm recusado a aceitar determinados trabalhos. Vai ocorrer um braço de ferro mental entre aceitar ou não um novo trabalho em detrimento do subsídio de desemprego. Até agora a balança foi sendo favorável à opção pelo subsídio de desemprego. Mas como os cenários futuros vão ser substancialmente mais cinzentos veremos se não pesará mais a vontade de agarrar um trabalho, ainda que este seja inferior às expectativas.

Mas poderemos ainda observar uma opção de fuga à mudança de mentalidade através uma nova vaga de emigração, ou seja, se é para aceitar o que me envergonha, ao menos que seja lá fora onde ninguém me vê e onde ao menos me pagam muito mais.
Veremos o que os desempregados vão decidir daqui a 2 anos.

Portugal, fotografia (3)

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Portugal, uma característica que ganhaste nos últimos 30 anos é que te consideras superior relativamente aos trabalhos disponíveis. Pura e simplesmente já não aceitas determinados trabalhos. Compraste a ideia de que num ápice, sem formação formal de registo, sem engenho digno de nota, sem estratégia, e sem perseverança era possível ter o nível de vida do Alemão ou do Holandês. As contas estão a sair de tal forma furadas, têm implicações tais, que até te custa abordar o assunto.

Portugal, o fenómeno teve o seu pontapé de saída lá por 1995 ou 1997. Em plena incontinência consumidora, com muito “combustível” bem baratinho (juros baixos como nunca se vira), com a economia a crescer via consumo e não via exportações, achaste-te um verdadeiro Lorde. Para animar o sentimento de riqueza aparente, ias acolhendo umas Florikas e Lydias do Leste europeu e umas Vânias e Marcelos do Brasil. Tudo para os serviços indiferenciados que serviam os teus propósitos consumistas (restauração, construção, serviços domésticos, etc.). Todos preenchiam trabalhos que ias considerando já não estarem ao nível do estatuto que deste por eternamente adquirido.

O espanto nessa vaga de imigrantes de Leste é que muitos desses imigrantes eram médicos, engenheiros, etc. Isto fazia-te uma confusão tremenda, pois para ti o 12º já devia dar direitos a um el doradozito. Ligeiramente perplexo e com um formigueirozinho incómodo (alguma coisa devia estar mal, não é verdade?), mas feliz e contente, ias fazendo fé na nova fórmula: crédito abundante e barato e muito pessoal disposto a servir-te a um preço bem catita, e também com pouca apetência para refilar e cheio de atitude.

Segundo dados do SEF (serviços de estrangeiros e fronteiras) em 2008 a população estrangeira residente era de 440.277 pessoas. Em 1998 era de 178.137 pessoas. A população empregada passou de 4.526.400 (dados IEFP) em 1998 para 5.076.200 (dados INE). Dos 550.000 postos de trabalho que a economia criou neste período, cerca de 40% foi ocupada por imigrantes (demos um desconto de que do incremento de 260.000, 40.000 vieram para se reformarem e não para trabalhar; no entanto, e para contrabalançar, também temos a questão dos ilegais). Portugal criou muitos postos de trabalho em 10 anos, só que os imigrantes acharam-nos bem mais interessantes do que os Portugueses.

A maior parte dos imigrantes trabalha. Inclusivamente no interior e nas regiões mais escondidas do nosso País onde há sempre queixas de que não há trabalho. Portugal, onde tu te ias entretanto queixando de que não havia trabalhos, esta gente, bem viva, mexida e industriosa, lá ia encontrando trabalho. Agora no séc. XXI, aos poucos, com a Globalização a apertar-te os calos e a mostrar-te de que matéria se faz a realidade, descobriste, à pala da coesão social, o RSI (rendimento social de inserção), e com isso deste continuidade à fórmula que te alimenta a ilusão de que se pode viver acima do esforço de que se está disposto a despender e das habilitações que estás disposto a adquirir.

Neste momento, aturdido por teres sido ultrapassado pelos acontecimentos, és invadido por múltiplos sentimentos de desânimo, tais como o teres falhado as avaliações do jogo que podias jogar, teres que redimensionar profundamente as expectativas, e teres que agarrar no futuro próximo os trabalhos que fingias não veres (os que no fundo não querias aceitar) e que os outros te provaram que existiam. Neste momento experimentas uma mudança porque a realidade a isso te obriga e porque já não há escapatória. É uma mudança que se vem prolongando no tempo, mudança silenciosa, individual e dura. Esconde alguma raiva pelas expectativas defraudadas, e porque decorre de um erro que sabes não ser bonito ter-se cometido, o julgar ser-se mais do que realmente se é. Paralelamente, e aos poucos, vais procedendo a novas análises, onde vais incluindo mais modéstia, mais realismo, e mais temor pelas consequências de eventuais erros. Melhorarás assim as avaliações e entrarás em sintonia com a realidade. Assim te podes salvar e evitar mais surpresas desagradáveis no futuro.

Como curiosidade (olha que isto pode ser uma bela oportunidade), neste momento o País já nem vale tanto para muitos imigrantes, nomeadamente os de Leste (os brasileiros são os próximos a ir embora pois o Brasil vai carburar muito e bem). Muitas Florikas voltam à base com um pequeno pé de meia e com a noção do dever cumprido. Levam o que ganharam com o esforço que tu não quiseste despender, e levam os seus filhos (sim, isto foi gente que não se contentou com médias de 1,3 de taxa de fecundidade). Mas deixam-te três coisas: a prova de que há trabalho (embora agora seja muito mais complicado, isso é inequívoco), o exemplo de como se deve encarar a vida, e a prova de que com dificuldades económicas é ainda possível procriar em conformidade. Portugal, sê humilde e aproveita a mensagem.

Portugal, esta fotografia deixou-te muito mal. Isto ficará inscrito na tua história. Isto não conseguirás nunca justificar condignamente, por mais retórica que possuas. Sobra a explicação que mais não é do que “consideraste-te mais do que aquilo que eras”. Portugal, assume bem o erro, aprende bem com ele, acelera e vai em frente.

P.S. Este tipo de análise não pode deixar de ser injusta para muitos Portugueses sérios, industriosos, trabalhadores, cumpridores, modestos e honrados, e que nunca se julgaram mais do que aquilo que são. Eles existem, e sempre existiram, mas recentemente não marcaram o standard nacional. A toda essa gente de boa cepa, um grande bem haja.

Escutemos a natureza

Sábado, 14 de Novembro de 2009


Esta pretensão nauseabunda do casamento entre homossexuais revela a irrealidade em que hoje em dia os políticos se movimentam. O tema só por si não vale um caracol pelo critério dos potenciais casos em questão. No entanto vai animando muitas forças políticas cá do burgo, mais preocupadas com o acessório do que com os reais problemas do país.

A natureza, que nestas matérias deveria servir de referencial (nomeadamente para aqueles mais afastados de referenciais religiosos), também não vai sendo auscultada. E a natureza, na sua sapiência natural, vai dizendo que nisto de uniões a fórmula é mesmo homem e mulher, ou seja, sexos distintos. E com o intuito todo ele de procriação e consequente perpetuação da espécie. Isto é assim desde há muito, muito tempo.

Com o andar do milénios, a espécie, já menos acossada pelos perigos naturais a que constantemente se via ameaçada (devia ser bem terrível e assustador lá para os primórdios), tomou-lhe o gosto de assentar, criando aldeias e com isso adquiriu uma convivência bem mais regular do que até aí vinha experimentando. Nestes novos cenários de convivência comunal, a espécie lá foi solidificando os laços de união entre os seus, nomeadamente os laços que uniam os seus constituintes naquilo que os faziam vingar na sua perpetuação.

Muito contentes com isso, os diferentes povos espalhados por esta Terra fora lá iam todos contentes, e à sua maneira, celebrando estas uniões. E, independentemente, do local da Terra ou das disposições religiosas de cada povo, todos tinham em comum dois aspectos: a união ser feita entre homem e mulher, e a procriação estar associada à união (pelo menos no que toca à vontade).

Agora cá pelo Ocidente, local onde mora a afluência e onde se anda meio sem rumo afogado pela mesma, surgem umas ideias pitorescas sobre as uniões entre humanos. Mergulhados numa sociedade aberta como nunca se vira, alguns humanos vão assumindo relações entre o mesmo sexo, relações que, não sendo novas, o vão sendo na forma como são assumidas.

A sociedade, meio chocada com este novo fenómeno, contra-natura de facto por não viabilizar por si a perpetuação da espécie, esse móbil natural de qualquer espécie, vê-se impingida com um tema que não é o seu, e que denigre e perverte a base de uma instituição por si criada: o casamento.

Ora se o casamento, instituição criada pelo ser humano, teve milenarmente sempre as características de ser formalizado entre homem e mulher e de procurar a procriação entre ambos, porque há-se ser violada nos seus fundamentos? Esta é a questão que os homens gentis e de visão simples, que é como quem diz, os puros e despidos de preconceitos, colocam entre si.

As respostas e argumentos dos defensores deste absurdo revelam toda a fraqueza intelectual por detrás deste movimento. Quando o argumento é seguir a via da modernidade (o “chique a valer” no séc.XIX, no entender de Dâmaso Salcede), dos mesmos direitos para todos, etc., vê-se bem a quem andamos entregues.
Por favor, escutemos ao menos a natureza

Fazer contas, tomar opções e confiança

Sábado, 14 de Novembro de 2009


Esta crise que nos assola obriga-nos, em termos familiares, a comportamentos mais racionais do que aqueles a que nos tínhamos recentemente habituado. Refiro-me a “fazer contas” e “tomar opções”. Nestes últimos anos, uma grande parte da população tinha tomado estes conceitos como pertencentes a um Portugal retrógrado e inferior, e completamente dessincronizados com as atitudes mais vanguardistas e modernas.

Agora acossados pela incerteza, a abarrotar de dívidas, mais conscientes da real riqueza possuída, tementes pela falta de trabalho, os portugueses e outras populações ocidentais, sentindo que devem adoptar comportamentos consentâneos com a realidade, resolveram voltar a fazer muitas contas e consequentemente tomar opções. De braço dado com os tempos que vão correndo, mais repousados pela simbiose alcançada com o meio envolvente, as pessoas vão de novo poder planear que tipo de vida podem acorrer e com isso vão ganhar novos níveis de confiança. É a confiança que deriva do sentimento que os terrenos por onde se movem estarem de acordo com as possibilidades, e que estas são o fruto da análise individual face à nova realidade.

Este processo, a que se pode chamar “ajustamento”, demora por vezes tempo, nomeadamente em complexos ambientes de desalavancagem financeira. Mas é fatal ocorrer. Esta nova confiança que se gera é genuína e decorre do trabalho individual de cada um (não se decreta). Por isso é sólida e duradoura quando surge. Demora anos a ser alcançada. Estamos ainda na fase de “ajustamento”, individualmente ainda não sentimos a “Confiança”, mas isso é normal pois o nível de simbiose alcançado entre os nossos comportamentos individuais e a realidade não é ainda total. O comportamento muda ao aproximar-se da realidade, mas esta é ainda volúvel, pelo que no decorrer desta dinâmica ainda vão surjindo hiatos. Mas o equilíbrio alcançar-se-á, a bem ou a mal. Estamos ainda nesta fase, a da busca da realidade e da procura de que nível de ajustamento individual há que ser feito. É a fase das contas e das opções. Depois, daqui a anos, talvez 2 ou 4, virá a confiança*.

Quando a confiança surgir não será de forma fulgurante, antes será tímida, embora duradoura. E para a história ficará a lição de que deveremos fazer sempre contas, muitas contas, e também tomar opções, pois isso é o normal na natureza económica em que nos movemos. Ou não fossem os recursos escassos por definição.
* Portugal, por ter outra crise, estrutural, muito sua, o processo será mais lento

Saibamos conviver neste novo cenário

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009


Esta enorme crise começa a evidenciar o que muitos economistas e outros observadores já há muito vinham enunciando: a aproximação dos países emergentes relativamente aos países mais desenvolvidos. Agora que a economia se restabelece e começa lentamente (e vai ser muito lento) a sair da crise é já visível que são os países asiáticos e o Brasil os que mais rapidamente vão crescer no futuro próximo.
Esses países têm muito em comum: andam historicamente a produzir mais do que consomem. Os países mais desenvolvidos, bem habituados nos últimos 30 anos a consumir mais do que produzem, ainda aspiram alcançar o quadro antes da crise: viver à conta dos países emergentes graças aos mecanismos de alavancagem financeira que os países desenvolvidos inventaram. Ora isso não irá acontecer pois a economia tem esse mau hábito de se equilibrar e de o mundo não estar muito inclinado em ter mais experiências de alavancagens financeiras.

Assim, e a prazo, veremos inexoravelmente os países emergentes ganharem um protagonismo muito acima do que o vulgar cidadão pode esperar. Esse protagonismo advém dos contínuos excedentes comerciais*. E isso vai chocar o cidadão comum do Ocidente, para quem, o mundo até à crise estava muito bem montado: Nós, ocidentais, pedíamos dinheiro emprestado aos emergentes para lhes comprar o que eles produziam. A nós competia-nos dizer o que queríamos, com que design, e organizar e montar toda a engrenagem das transferências financeiras, tudo assuntos bem mais interessantes, palacianos, limpos e estéticos do que o shop-floor de uma linha de montagem.

Qualquer crise, com todo o rasto de insegurança, medo, desemprego, etc, que traz consigo, tem o mérito de corrigir muitos dos excessos que conduziram à própria crise. E o cenário pós-crise é sempre novo e diferente.

Com humildade saibamos conviver neste novo cenário.

* Não esquecer o sentimento veiculado pelo presidente Lula sobre os senhores do FMI que aterravam em Brasília e ditavam unilateralmente as regras nos anos 70. Nesta altura o Brasil só apresentava déficits. No primeiro G20 em que participou o presidente Lula vincou que se apresentava lá com cara de excedente, e que olharia para os ocidentais como devedores

Portugal, fotografia (2)

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009


Portugal, tu não discriminas positivamente o mais produtivo do menos produtivo. Tens um especial horror em ver alguém fugir do pelotão. Vês logo alguém que se destaca como um alvo a abater, não como exemplo a seguir. Fazes literalmente o que se chama ”nivelamento por baixo”. Portugal, isto é ter constantemente o pé no travão.

Portugal, o mais produtivo tem que ter oportunidade de ser recompensado na proporção da sua produtividade. Só assim há verdadeiro estímulo na melhoria constante da nossa perfomance. O sinal a ser passado ao próximo é que pode lá chegar se tiver boa perfomance. E se existe preocupação sobre os estados de alma do menos produtivo ao ver o mais produtivo fugir-lhe no caso de discriminação positiva, então pensa também no estado de alma do mais produtivo ao ver-se eternamente colado ao menos produtivo.

Portugal, até ao nível fiscal és assim. Com facilidade castigas de imediato aquele que estudou e que, por norma, ganha mais. Quem ganhe a partir de 5.000 eur/mês é já considerado rico ao passar a ser taxado a 40%. Mas pior que isso, já taxas a 34% quem aufira mais do que 1.485eur/mês.

Portugal, as pessoas precisam de estímulo para se transcender, precisam de limites largos. Querem que lhes tirem os empecilhos da frente, querem que os aplaudam pelos sucessos e que lhes dediquem prémios. As pessoas devem ganhar mais dinheiro como resultado do seu rendimento no trabalho, e não por bondade, direito adquirido, simpatia ou favor.

Portugal, usa e abusa da discriminação positiva sobre o mais produtivo. Faz com que os piores queiram copiar os melhores, e não que estes se nivelem por aqueles. Geras mais riqueza e dás um pontapé nessa chaga nacional que se chama Inveja.

Portugal, fotografia (1)

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Portugal, o teu drama é a tua falta de produtividade. Que coisa essa Portugal o teres pouca afeição para o mundo do trabalho. Tu até és trabalhador, só que combinas mal o esforço em modelos organizacionais. Parece que o conceito de organização te assusta, que o resultado combinado dos recursos te perde, que a máquina te desorienta, que a hierarquia te transtorna, que a missão da organização choca com os teus objectivos pessoais, que o associativismo não te serve. Cada um quer ter a sua quinta, a sua zona de conforto.

Portugal, tudo isso te faz perder em esforços inglórios e em guerras vãs. Uma autêntica balbúrdia paroquial, jogos que para ti são tudo mas que nada valem, pelo contrário, subtraem.

Portugal, de um modo pragmático e redutor, o mundo do trabalho é uma coisa que existe fora das nossas casas e significa que é onde vamos buscar o máximo possível que satisfaça as necessidades da nossa casa. Como tal temos que nos nortear por critérios objectivos de performance, lembrando-nos sempre que o próximo é uma fonte de oportunidade fantástica e não um inimigo terrível. Assim, as relações a manter deverão ser o que na Teoria dos Jogos se lembraram de chamar “relações de soma positiva”. As relações de “soma nula” e “soma negativa” só nos prejudicam pois fazem-nos levar menos recursos para a nossa casa.

Portugal, quando entenderes, interiorizares, e aplicares bem esta lógica ganhas mais dinheiro. Até lá queixar-te-ás, o que pode consolar mas não resolve.

P.S. Terrível pensar que há pessoas que têm valor económico negativo, ou seja, que a sua simples extracção da organização onde se inserem fará, só por si, que a mesma organização funcione melhor.

Português, acorda

Sábado, 7 de Novembro de 2009


Português, porque deixas o teu destino ao sabor dos acontecimentos? Porque não acreditas que podes influir no que a ti directamente diz respeito? Porque te preocupas em demasia com o que os outros pensam de ti? Porque não ages mais? Porque és demasiadamente defensivo? Quem é o “eles” de quem resmungas? Porque é que estás sempre a dizer “se eu soubesse…”? Porque és provinciano perante o estrangeiro? Porque acreditas pouco em ti? Com que direito te arrogas em indefinidamente consumir mais do que produzes? Porque não distingues o investimento do consumo? Porque não discriminas positivamente o mais produtivo do menos produtivo? Porque bajulas e odeias o rico e poderoso em simultâneo? Porque és benevolente com o irresponsável e desafiante com o responsável? Porque não chamas os insensatos à razão? E acima de tudo, porque é que nunca arranjas pessoas normais para te governarem?

Ó Português, o mundo não está para brincadeiras, já há pouco por onde andar pendurado. Esta história de chineses e indianos estarem sentados à mesa não é nada compatível com a tua maneira de ser. Demais parece que vêm aí brasileiros e outros, e quiçá até alguns povos africanos. É um fenómeno. Sim, chamam-lhe Globalização, e imagina tu que há até quem diga que foste tu que a começaste há 500 e tal anos.

Ó Português, repara que o sol, a gastronomia, o futebol, o automóvel e o telemóvel te andam a tolher os limites e a consolar a alma. Cuidado agora, olha que nem para estas coisas te vai dando o orçamento. Eu sei o que tu pensas. Tu pensas que já ouves isto há muito tempo e as coisas andam na mesma. Mas digo-te, desta vez é diferente. Vais senti-lo mais de perto aos poucos. Se nada fizeres entra-te a realidade pela casa dentro daqui a uns 15 anos. Falta muito? Talvez, mas à cautela vai tratando de fazer qualquer coisa, e já.

Por isso Português, ou mudas de estilo ou rebentas. Queres um conselho? Pelo sim pelo não toma o destino nas tuas mãos, que nos dias de hoje é como quem diz, vai ter com a Globalização antes que ela venha ter contigo.

Portugal, acorda (6)

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009


Portugal, porque não acertas nos teus governantes? Tiveste um que não servia durante décadas, num regime que também não servia. Pessoa inteligente, mas que, obviamente, nunca seria contratado para governar um país do 1º mundo. Felizmente livraste-te da ditadura. Mas mal provaste a democracia começaste logo por empossar uns pitorescos e até perigosos. Atinaste na arrumação da casa até 1985, mas daí para a frente nunca mais arranjaste um grupo de pessoas que te desse um rumo.

Portugal, escolheste sempre pessoas que emitiram sinais contrários aos que precisavas. De 1985 até 1994 colocaste a confiança à frente de tudo, privatizaste o que antes nacionalizaste, recebeste muitos fundos da CEE, e com tudo isso consolidaste a vivência à sombra do estado. De 1995 a 2002, com mais privatizações e mais fundos, e também agora com juros baixos, dedicaste-te ao diletantismo e dialogaste sobre nada. Por isso te embebedaste e te empaturraste. Com o bandulho ainda farto, de 2002 a 2005 não enfrentaste a realidade dos excessos anteriormente cometidos. E para distracção ainda te meteste em brincadeiras políticas de mau gosto. A partir de 2005 assumiste o martírio e escolheste a via da desistência ao empossar pessoas sem a mínima qualificação para a governação. Agora no rescaldo que já vais fazendo percebes que a Globalização é afinal um jogo muito duro. Mas ainda assim em 2009 mantiveste a postura.

Portugal, isto é sério. Portugal, arranja pessoas de outro calibre, feitas de outra matéria, mais altruístas, mais visionárias, mais sinceras, mais simples, menos influenciáveis pelos lobbies, que tenham uma estratégia clara, que se baseiem em premissas reais, que te apresentem o jogo de frente de modo a saberes o que te compete fazer, que não te iludam com promessas vãs, e que amem Portugal.

Falei-te de sinais? Sim, vai por aqueles que te falem mais em deveres que em direitos, que acreditem no indivíduo e não em salvações colectivas, que amem a vida e o próximo e não a denigram na sua essência, que acreditem que só tomando o destino nas nossas mãos, e não no outro, nos ultrapassamos. Vai pelos que protegem as vítimas em vez dos criminosos. Vai pelos simples e não pelos complicados, pelos que acreditam na economia de mercado e não em engenharias sociais e económicas milagrosas, por quem valoriza o empreendedor em detrimento do calão, o mais produtivo em lugar do menos produtivo. Vai por quem empreende barato e não fica embasbacado por obras faraónicas, por quem não se impressiona com os poderosos e influentes, e que vê na adversidade uma oportunidade para a conquista e não para a lamúria.

Estes Portugueses existem e querem, no íntimo, governar-te. Portugal, faz-te esse favor, vota melhor.

Portugal, acorda (5)

Domingo, 1 de Novembro de 2009


Portugal, o que é essa história do NAL? Explica com um argumento tremendo porque queres um novo aeroporto para Lisboa. A Portela vai esgotar a capacidade? Pois eu digo-te que não, mesmo sem ser um especialista, coisa que, aliás, tu também já deste prova de não ser.

1. A Portela entra em dificuldades de tráfego em Agosto? Sim, parece que sim. Mas para isso há bom remédio. Caso necessário desvie-se algum tráfego nos picos de movimento para outros locais, como por exemplo, Montijo e talvez Tires.

2. Portugal, em 2008 o tráfego da Portela foi de 13,6 milhões e a queda em 2009 até ao momento é de cerca de 5% relativamente a 2008. Portugal, explica porque é que a capacidade da Portela é de cerca de 18 a 22 milhões de passageiros / ano. Explica também como se pode jogar com a solução Portela + 1 face à sazonalidade do tráfego.

3. Portugal, recordo de novo que a população residente vai diminuir e vai ter menos dinheiro disponível para viajar. Quando se constroem aeroportos é coisa para décadas. Os 7,5 milhões de residentes previstos em Portugal para 2050 são por isso um poderosíssimo argumento. Argumento tanto mais relevante porque, segundo dados da ANA, 52% dos passageiros da Portela são portugueses (dados de 2005). Curioso também, e ainda segundo a ANA, é o facto de 68% dos passageiros terem entre 20 e 39 anos, o que sugere que lá para 2025 se comece a perder naturalmente muitos passageiros.

4. Dado ser certo não ser necessário um novo aeroporto nos próximo 20 anos, porquê dar um tiro no pé no turismo de Lisboa? Será que o turismo fez algum mal ao País? Ou não será talvez a nossa bóia para os próximos 40 anos.

5. Portugal, o sonho da TAP em ter um grande aeroporto que lhe sirva de hub para a América do Sul é isso mesmo, um sonho. Quem se deve predispor a fazer esse investimento é a TAP (coisa que seria, aliás, absurda), não o contribuinte. Como já alguém disse, a TAP tem sido historicamente um brinquedo muito caro para País.

Portugal, este assunto deve ser analisado da seguinte forma. Por ser possível lidar com a questão dos picos de movimento na Portela, por estarmos longe do seu esgotamento, por haver uma crise que está para durar e que impede aumentos de tráfego no curto e médio prazo, e por termos no futuro cada vez menos habitantes e com menos rendimento disponível para viagens, digo-te Portugal que esta questão não é para ser discutida agora. Pode bem ser adiada. Aliás, deve sê-lo. Por dois motivos: a) Há outros temas bem mais importantes para serem tratados no momento, e b) Que o escasso crédito (vai-o ser doravante, é só andar atento e ler quem percebe do assunto) corra em direcção às empresas e ao preço mais baixo possível. Se o mesmo é direccionado para TGVs e NALs o pouco crédito que sobra sairá caro às empresas pois teremos um cenário de sete cães a um osso, literalmente.

Portugal, e se ainda tens dúvidas, vê bem quem defende o NAL e quem é contra. Quando a favor do NAL vês o sector da construção civil (quem constrói), da banca (quem financia a risco 0 pois o estado tratará de avalizar), e da consultoria (quem ganha com os estudos e coloca o selo da distinção), e contra o NAL vês a maioria da sociedade civil, então Portugal, tens a análise e tomada de decisão facilitada.

Mais uma vez Portugal. Sê simples e sintético. Isto não é tão complexo quanto andas a pensar.

Portugal, acorda (4)

Domingo, 1 de Novembro de 2009


Portugal, mas que delírio é esse do TGV? Apresentaste tu um argumento arrebatador que nos faça entender o porquê desta veleidade? Portugal, ouve bem, este tema é mais simples de analisar do que a mensagem que nos tens tentado passar. Pensa no seguinte:

1. Não temos actualmente população suficiente para viabilizar economicamente este investimento (mesmo descontando os fundos europeus). De acordo com estudos do INE, a população portuguesa será à volta de 7.500.0000 de habitantes em 2050 (actualmente somos 10.650.000) a manterem-se as actuais taxas de fecundidade. Os parcos orçamentos da população em 2040 e 2050 vão servir para sobreviver e para pagar, quando possível, a assistência de terceiros (lembro que seremos uma população muito mais envelhecida). Não sobrará nada para andar de TGV. A mensagem do TGV “é bom para a economia” é argumento para CEO de grande empresa de construção civil.

2. A rota Lisboa – Porto demora 2h45m. Com investimentos marginais aos já efectuados (e foram muitos) pode ir até 2h ou 1h45m. Os peritos dizem que de TGV a distância deve-se percorrer em 1h15m ou 1h30m. Ora, não é por 45m ou 30m que se justifica uma nova linha dedicada. Isto sem contar que acabaríamos com um TGV a parar em todas as estações, o que daria somente um ganho de 30m ou 15m.

3. A rota Lisboa – Madrid será um suicídio económico. Pura e simplesmente não há tráfego (outra vez, não esquecer que seremos menos), e o que há pode ser bem servido de avião a um preço mais acessível.

4. Europeu que se preze não vai à extremidade da Europa de TGV. Vai, obviamente, de avião. Os nórdicos assim pensam a avaliar por decisões recentes. A lógica de ligação à rede europeia é um mito.

5. Portugal, mas se queres à força um TGV (embora te aconselhe já a familiarizar com a sigla LVE – linha de velocidade elevada), então pensa na seguinte opção e avalia bem o seu fundamento. Liga o Porto a Vigo. Tens a teu cargo 90 km até à fronteira (potencialmente caros porque aquilo não é nada plano), e com isso ligas a zona mais populosa do país, o eixo Grande Porto / Guimarães / Braga, à Galiza. E se inteligentemente brindares o aeroporto Sá Carneiro com uma paragem, então é o pleno. Fazes uma estação no Porto, outra no aeroporto, outra em Guimarães ou Braga, e depois é lá com os espanhóis. O que ganhas estrategicamente? Ganhas que o Porto passa a ser o principal pólo de atracção do Noroeste da Península, e consequentemente ficas com um País mais equilibrado e menos dependente de Lisboa. Ganhas uns milhões de passageiros / ano para o aeroporto Sá Carneiro, e potencias o Porto de Leixões. Portugal, percebes o que é um argumento?

Portugal, acorda (3)

Sábado, 31 de Outubro de 2009

Portugal, sabes-me dizer onde é que anda a tua Justiça? Não? Pois eu também não. Ninguém sabe por onde ela anda, a quantas anda, quando virá, e em que direcção. Mas pelo menos já tem um status. Chama-se “desnorte”.
Portugal, toma bem consciência deste tema. A Justiça, emanada dos valores e da moral, é um bem exclusivo dos racionais. A qualidade da mesma eleva um povo. Igualiza os seus constituintes naquilo que a origem, a sorte, as circunstâncias, e o rumo tratou de diferenciar. Mas se ela não existe, um povo pode ver-se desqualificado na sua racionalidade.

Portugal, o sentimento actual, em sintonia com a realidade, é de que a Justiça não funciona. Talvez seja mesmo o maior problema de momento. Chegámos a um ponto em que se torna bastante visível que a sua fraca qualidade tem influências nefastas, e de grande impacto, na actividade económica. Portugal, se o móbil do altruísmo em possuir uma grande Justiça não te sensibiliza, então usa a frieza e todo o racionalismo económico, e percebe que este é o maior empecilho da nossa coxa e exígua actividade económica.

Portugal, acorda (2)

Portugal, e acerca de segurança? Como te sentes? Mal, claro, embora a tua percepção fique ainda aquém da realidade. É que ainda vais gozando mentalmente a segurança que herdaste. Só que a realidade é já outra. Os gatunos perderam totalmente o pudor de praticar patifarias. O campo onde actuam, povoado de inocentes e ingénuos (onde me incluo), é um docinho para os malfeitores. A segurança é um bem belíssimo. A falta de segurança reduz os níveis de felicidade. É transversal à sociedade, afecta todos por igual. A harmonia entre os cidadão é um bem inestimável. Temos que lutar por ela.


Portugal, cuidado. Olha que andam aí umas almas que dizem que a pobreza é a fonte de criminalidade. Não te deixes cair nessa. Isso é argumento ao serviço de outras agendas. Já vivemos com níveis de pobreza bem superiores e quase sem problemas de criminalidade. E a que existia devia-se mais a questões de disputas sobre terras e sobre problemas mal resolvidos entre vizinhos. Não se tratava de bandos armados e fortemente municiados (qual "IN").

Portugal, não embarques em cantigas que se limitam à compreensão sobre os motivos que levam os criminosos a praticar as suas ilegalidades. Se ocorrer um crime preocupa-te em trazer o criminosos à justiça e em reparar tanto quanto possível a vítima. Portugal, justificação e explicação são coisas distintas. Os dois conceitos são necessários. Que o segundo não anule o primeiro.

Portugal, investe bem em segurança. Sim, mais e melhores polícias. Sim, mais e melhores meios. Mas não te fiques por aqui. Isto combate-se também com inteligência e nunca com conversa mole.

Portugal, este assunto não é de direita. Este assunto é de todos. Vá lá, liberta-te de estigmas e problemas de consciência com o "coitadinho" do criminoso vítima da sociedade. Preocupa-te antes com a vítima e com o rasto de insegurança decorrente. Sê sensato, e vede que uma sociedade com elevados níveis de insegurança, impunidade, irresponsabilidade, e desconfiança não traz a necessária paz e confiança aos seus. E se estes argumentos não chegam, então experimenta este, mais materialista e muito ao jeito da cartilha da moda: elevado nível de insegurança é uma grande desvantagem competitiva.

Andamos a plantar muitas minas. Esta é mais uma. Portugal, acorda.

P.S. ontem ocorreu um duplo homicídio no fim da minha rua

Portugal, acorda (1)

Portugal, olha bem para as famílias de hoje. Vede como elas não se entusiasmam em ter muitos filhos. Ficam-se por um ou dois, não mais (taxa de fecundidade de 1,3). Portugal poderás perder até 3.000.000 de pessoas no ano de 2050 para os cenários mais pessimistas (pelas taxas de fecundidade de hoje, este já é o cenário mais provável). Como lidarás com isso psicologicamente? E economicamente? Portugal, lembra-te que se quiseres inverter esse cenário isso terá que ser feito agora?

Portugal, faz tudo o que te for possível para que a taxa de fecundidade suba. Apoia a família. E não é só com benefícios em sede de IRS (mas também). Olha bem o que a apoquenta e o que está na base neste pequeno 1,3. Trata bem das mulheres no pós parto. Arranja formas de as reintegrar bem no mercado de trabalho. É difícil. Sabemos isso. Porque há muito empregador malvado, há muito chefe obtuso. Vai copiando com alegria, tanto quanto se pode copiar, os países que voltaram a ter taxas crescentes de fecundidade. Já há histórico, e recente. Joga com isso. Atira-te mesmo com fulgor.

Olha Portugal, e já agora, pensaste tu bem na evolução da tua produtividade? Já pensaste no que fazer para manter daqui a uns anos o mesmo nível de produção por habitante? É que terás proporcionalmente muito menos pessoas a produzir? Ui, como isso pode doer. E quem vai tratar de todos esses idosos? Queres uma significativa parte da população activa a trabalhar no cuidado dos idosos? O quê, aqueles que tu andas a ensinar a gastar mais do que produzem? E a que preço? Sabes o que acontece aos preços quando há muito mais procura do que oferta? Qual a percentagem da reforma a afectar ao cuidado prestado por terceiros? O quê, não chega sequer! Ai, ai. Ai, que nem muitos filhos há para cuidarem de mim. E logo o que há vive tão longe.

Cuidado Portugal. Podes ainda deparar-te com outras surpresas. E bem bizarrras e exóticas aos olhos de 2009. Talvez os velhos de 2040 comecem a ir reformar-se para locais recônditos do Brasil ou de Moçambique, e até Uruguai (sim, o português é por lá obrigatório a partir do sexto ano). É lírico, não é? Mas eu aos 44 anos já penso nisso. Nessas terras a pequenina reforma vai dar e sobrar e não vai faltar quem me queira cuidar (é que nascem tantos). Portugal, depois não te queixes se perderes mais 1.000.000 de pessoas em cima dos 3.000.000.

Portugal, por favor, pensa bem. Eu sei que andas numa de “fracturas”. Por isso me lembrei de ti e de te vir com esta. Já viste, é uma “fractura” das grandes. Maior não encontras. Penso até que para a enfrentares com sucesso deverás parquear as outras. Vacilas na opção da “fractura” que queres escolher? Estás na dúvida? Portugal amigo, Portugal do coração, Portugal da razão. Vai por esta. Nem assim? Olha Portugal, escolhe mesmo esta porque é a que te vai ao bolso daqui a uns tempos. Boa Portugal, obrigado pela decisão. Eu sabia que, independentemente do argumento, optarias bem.

Um grande bem haja para ti Portugal

sábado, 26 de dezembro de 2009

www.oinimputavel.blogspot.com

Os meus artigos encontram-se em www.oinimputavel.blogspot.com

domingo, 25 de outubro de 2009

Do mexerico ao longo prazo

Mexericos de peixe graúdo vão marcando o ritmo na nossa economia. Com um mercado de dimensão reduzida e com as grandes empresas maioritariamente voltadas para o mercado interno ou focalizadas na importação, alguns dos nossos destacado actores vêem-se recentemente coagidos na direcção de movimentos de que resultam quase sempre mexericos de bairro.

A parolice (a que neste texto se evidencia assola as gentes do Sul) começou com a OPA da Sonae sobre a PT. Essa ímpia investida com origem no Norte do país colocou em sobressalto o status quo que mora no Sul. Este Sul, fornecido de poder político bem alinhado com a banca e investidores furtivos tratou de derrotar a OPA. Independentemente da justiça ou não do desfecho, ficou evidenciado que este Sul político e económico gosta mais de jogos de poder do que de projectos.

Os joguinhos de poder são, por norma, o resultado da exiguidade do ringue onde decorre a acção. Após a OPA sobre a PT os jogos continuam a decorrer. Agora com a participação mais activa de um dos intervenientes sulistas que comanda uma empresa de nome estrangeirado e que sugere movimento. Consta que a Ongoing tem participação na empresa mãe de um banco que tem grande participação na PT e junto do qual contraiu dívida relevante para marchar também com a PT. Cumulativamente, o fundo de pensões desta empresa lembrou-se de investir uma importante soma nessa empresa em movimento. A Ongoing diz que o seu investimento na PT é estratégico.

Independentemente dos méritos da estratégia da Ongoing, o muito entrelaçado modelo de financiamento dos seus negócios abre espaço a todo o tipo de especulações sobre movimentos de bastidores pouco transparentes. Transparente seria que fosse o dinheiro da liquidação da participação detida na ESFH a andar para a frente nas suas veleidades no sector da comunicação. Da forma como vem sendo feita, soa a que a Ongoing seja um veículo privilegiado do BES, ganhando este um reforço na sua posição na PT e ganhando juros do empréstimo à Ongoing. Esta ganha destaque e visibilidade ao jogar num tabuleiro grande sem lá colocar muito dinheiro.

O país precisa mais de projectos claros, onde o sucesso no jogo dependa mais dos produtos / serviços oferecidos e menos do sucesso dos movimentos de bastidores. Esse não vem sendo o entendimento em alguns dos nossos jogadores. A zona de conforto de muito lusitano (e desengane-se quem pensa que os dirigentes estão "para além disso" e noutro patamar) é a constante busca de influências para alcançar a melhor posição no tabuleiro onde se quer jogar. Mergulhados neste modelo dúbio, pouco transparente, confuso e dependente de muita interacção entre muitos actores, temos um caldo que não nos serve e que passa um modelo pouco adequado às gerações futuras.

O combate ao modelo dos jogos de poder tem que ser feito para que não se passem sinais aos Portugueses de que é no mexerico que está o ganho. No caso, a forma de o fazer passaria por influenciar os investidores em se direccionarem para projectos que envolvam exportações ou substituição de importações de bens e serviços. No tabuleiro mundial joga-se mais o jogo através do mérito daquilo que se tem para oferecer do que das vantagens que se podem granjear em jogar o jogo dos "meandros". Assim, e de uma forma natural, afastar-se-iam os investidores dos mexericos locais, colocando-se assim pessoas capazes a trabalhar de forma mais produtiva e com objectivos que vão de encontro ao interesse do país (que neste momento é, e para quem não se tenha apercebido, passar a exportar mais do que aquilo que importa de modo a não se viver acima das possibilidades e também a pagar o que deve).

Proponho que se passe de um modelo de mexerico e meio parolo para um jogo grande e de longo prazo, e onde a orientação exportadora marque o ritmo. A Holanda fá-lo com sucesso com 16 milhões de pessoas, cerca de 45% da nossa area territorial, e a sair do trabalho às 16h30m.

sábado, 24 de outubro de 2009

Perspectivas para o trabalhador do conhecimento em Portugal

Singularmente os Portugueses com maior formação formal vêm-se envoltos num cenário pouco atraente. Desde os meados dos anos 80 uma boa percentagem de Portugueses tem vindo a adquirir muita formação (leia-se cursos superiores / mestrados / doutoramentos). Existem expectativas legítimas que adquirir formação de nível superior (chamemos a estas pessoas “trabalhadores do conhecimento”) resulta em maior rendimento. Produtividade mais alta e execução de tarefas diferenciadas e de maior responsabilidade suportam estas expectativas. Mas a prática diz que em Portugal as expectativas estão a sair furadas.

Porque é que os trabalhadores do conhecimento ganham mal em Portugal?

1. Culturalmente a classe dirigente não percebe bem o que é um trabalhador do conhecimento. A sua base de relação ainda é muito de patrão / empregado, e o conceito de “partenariado”, que o dirigente conhece, está muito circunscrito ao que ele considera “os seus pares”. O resto é isso mesmo, ou seja, o “resto”. E lá cabe tudo, tenha lá a formação que tiver.

2. A produtividade dos trabalhadores do conhecimento é tendencialmente de difícil mensuração. E a aposta em organizções baseadas no conhecimento é ainda uma questão de atitude e onde os aspectos culturais pesam muito.

3. Os benefícios do trabalho do trabalhador do conhecimento são de médio longo prazo enquanto a retribuição é de curto prazo. E em Portugal ainda se avalia muito o retorno imediato.

4. A nossa cultura considera que o facto de se ganhar um pouco acima da média deve-se trabalhar mais horas. “Dar horas” de trabalho é dever do trabalhador do conhecimento. Trabalhador do conhecimento que trabalhe 8 horas por dia é mal visto, mesmo que tenha uma produtividade que seja o dobro da média corrente (dos seus pares). É então considerado um “calão”.

5. As falhas dos dirigentes e sua falta de produtividade têm que ser colmatadas de quem dele depende. Como já vão existindo uma panóplia de trabalhadores do conhecimento nas empresas, são estes que têm que se chegar à frente, pois são estes que estão em condições de substituir o trabalho do dirigente. As falhas deste são colmatadas pelo esforço daquele. A desresponsabilização do dirigente e o maior brio do trabalhador do conhecimento fazem o resto.

6. O trabalhador do conhecimento não tem espírito sindical. Nem tem que ter. Mas isso anda a prejudicá-lo.

7. Não há um número suficientemente grande de grandes organizações em Portugal para criar um mercado de dimensão mínima para disputar o número crescente de trabalhadores do conhecimento. O ritmo de produção de trabalhadores do conhecimento tem sido mais rápido do que o crescimento em quantidade e dimensão das empresas necessárias para os absorver. Visto à posteriori pode-se especular que as nacionalizações de 1975 deram um murro desfazado no tempo aos trabalhadores do conhecimento que começaram a aparecer após a década de 90. Os trabalhadores de conhecimento precisam de grandes empresas para potenciarem a sua mais-valia.

8. Derivado dos pontos anteriores temos que os rendimentos do trabalhador do conhecimento estão em Portugal muito esmagados. A experiência das últimas fugas de cérebros e algum empirismo dizem que, para um mesmo nível de produtividade, os rendimentos em Portugal são bastante inferiores aos obtidos nos países saxónicos (cerca de 1/3).

O cenário de um trabalhador do conhecimento não é famoso:

1. Para um nível de produtividade semelhante obtém um rendimento 1/3 inferior
2. Tem de trabalhar mais do que 8 horas
3. Não é reconhecido
4. Os empregadores passam a mensagem de que é uma sorte e um acto de caridade empregarem-no.
5. A generosidade intríseca e o brio do trabalhador do conhecimento é explorado (no mau sentido) pelo dirigente português, unindo-se assim o pior da nossa classe dirigente (o abuso cultural derivado da sua posição) e o melhor da classe emergente de trabalhadores do conhecimento (o brio e o desejo de mostrar trabalho de valor acrescentado).
6. Decorrente dos pontos anteriores o tempo dedicado à família é inferior. Segmento da população onde seria desejável que a taxa de natalidade fosse superior, e onde a qualidade de vida fosse genericamente superior como prémio pelo conhecimento adquirido, o resultado é contrário ao expectável. Por estar num patamar acima da média ao nível de custos fixos, e com pouco tempo para dedicar à família, o trabalhador do conhecimento tem pouca margem de manobra para apostar numa vida familiar minimamente estável. Assim, as expectativas de nível de vida são desporpocionadas face aos níveis intelectuais possuídos.

Que saídas possíveis para o trabalhador do conhecimento português no curto prazo?

1. Emigrar no caso de ser mais aventureiro
2. Ser mais rigoroso do que o expectável ao nível dos custos de modo a poder gozar de uma estabilidade financeira que não prejudique a sua perfomance.
3. Diferenciar-se ao máximo dos seus pares e tentar oferecer serviços únicos de modo a ganhar poder negocial.
4. Manter-se sempre no activo, mesmo que para isso tenha que seguir carreira internacional.
5. Aprender uma segunda língua.
6. Votar CDS e convencer o máximo número de pessoas em fazê-lo.

Quem são os melhores amigos do trabalhador do conhecimento português no momento?

1. A globalização pois esta requer os seus serviços sem olhar muito a preconceitos.
2. A língua inglesa, essa benção que reduz a um mesmo denominador a comunicação tão necessária à area do conhecimento.
3. As empresas multinacionais e as grandes empresas estrangeiras com dimensão.
4. Os aeroportos nacionais. Notar que a TAP não dá nenhuma ajuda pois limita destinos europeus ao promover destinos na lógica de “hubs”. E sem contar com os preços que pratica. O melhor que podia acontecer ao trabalhador do conhecimento seria a falência da TAP. Isso aumentaria o número de destinos secundários na Europa e reduziria os preços.
5. O desenrascanço. Por culturalmente ser desenrascado, alia essa herança a que não se consegue fugir à disciplina que colheu nos seus estudos. Junta assim os dois mundos, o que vai sendo muito valorizado nas matérias ligadas ao conhecimento pois é um pacote quase único que pode oferecer. Em conjunto, aliás, com os australianos (e segundo me disseram, também com os sul-africanos).

Não sendo no entanto catastróficas, as perspectivas do trabalhador do conhecimento em Portugal são frustrantes. O que deveria ser uma classe que marcasse o standard, que fosse referência, que servisse de verdadeiro farol aos outros segmentos da população, é uma classe desmotivada, não referente, meio perdida e revoltada. Tudo devido à desproporção entre as expectativas e a realidade.

Não premiar o estudioso é dar sinais errados aos habitantes de um País. Se isto é axiomático, em Portugal surge mais acentuado pois premeia o chico-espertismo, o safanço, o lambe-botas, o corrupto, o "grupinho", o mal dizente, o "cabrão", o curto-prazo. Tudo coisas com boa raiz cá no burgo e que temos de banir o mais rapidamente possível. Se não o fizermos, seguramente marcamos passo.