QUINTA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO DE 2009
Desejo que os Portugueses reflictam sobre Portugal
Desejo que comecem a interiorizar a mudança como sendo o status natural em que vivemos
Desejo que abracem desafios
Desejo o maior sucesso aos empreendedores, nomeadamente aos que abracem actividades exportadoras de bens transacionáveis (sei que parece ridículo, mas é mesmo assim)
Desejo que trabalhem todos os dias um bocadinho melhor
Desejo que não tenham receio de emigrar se isso for aconselhável (inclua-se migração dentro de Portugal)
Desejo que sejam mais humildes sobre o aceitar ou não certos trabalhos (a norma neste mundo é: aceita-se o que há e não o que se quer)
Desejo que leiam muito mais e que aprendam. Há tantos livros bons. Já agora aproveito para sugerir o livro de Medina Carreira – Portugal que futuro. Há quem o categorize de pessimista. Eu acho-o bem realista.
Desejo que ouçam quem sabe, e que tenham a humildade de aceitar a verdade
Desejo que coloquem em causa o porquê de certas agendas (NAL, TGVs, os ditos fracturantes, etc.)
Desejo que conduzam melhor
Desejo que se expressem melhor na nossa língua. Há muitos livros do Eça de Queiroz por aí, é só escolher. A Ilustre Casa de Ramirez tem uma belíssima definição sobre Portugal na última página. Só por isso merece ser lido. O Conde de Abranhos na página 99 e seguintes contém a cena mais hilariante que já li (a do prego do Dr. Pimentel, esse moço estimável que segundo expressão moderna, tinha telha).
Desejo que dêem menos importância ao materialismo
E acima de tudo desejo que procriem bem mais do que do que o fizeram em 2009
E já agora, desejo muito um Benfica Campeão Nacional e vencedor da Liga Europa
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Que a nossa banca consiga gerir bem esta situação
QUARTA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2009
Segundo o Jornal de negócios
"Crédito à habitação em Portugal é o mais barato da Europa (Económico) Nas vésperas de terminar o ano de 2009, é chegada a altura de as famílias portuguesas com crédito à habitação pegarem na calculadora. E nem tudo é negativo. Por um lado, as descidas sucessivas da taxa de juro directora do Banco Central Europeu (BCE), tal como a rota descendente das Euribor, permitiram-lhes poupar na prestação da casa. Por outro, a verdade é que os bancos confessam que apertaram os critérios de concessão de empréstimos, aumentando os ‘spreads' e encurtando os prazos dos créditos. No entanto, dados do BCE mostram que os juros cobrados pelas instituições bancárias nacionais nos empréstimos à habitação estão muito abaixo da média da Zona Euro. E ainda mais positivo, para as famílias portuguesas, é o facto de em Outubro - últimos dados disponibilizados pela autoridade monetária - as taxas de juro médias praticadas em Portugal serem mesmo as mais baixas da Zona Euro."
Desejo sinceramente que a nossa banca consiga gerir bem esta situação. Financiar-se agora no estrangeiro a spreads de 1,5% (e não duvido que irá crescer o spread a que os bancos se financiam) e ter contratos com clientes de crédito à habitação para 20 e 30 anos ao preço de 0,5% (spread), significa prejuizo. Como já disse não desejo bancos com prejuizos. A todos os bancos desejo que lhes corram bem as operações em Angola, local onde se internacionalizaram. Que os lucros de lá cubram parte dos prejuizos de cá do segmento do crédito à habitação (cerca de 40% do volume de negócios). Quem tem uma empresa e pede dinheiro à banca, então já sabe, pagará cada vez mais de modo a compensar o prejuizo do crédito à habitação. Como muitas vezes tem sido referenciado, quem produz é penalizado e quem consome é beneficiado.
Quem tem spreads para o crédito à habitação de 0,5% a 1% bem pode dizer que fez o negócio da vida.
Segundo o Jornal de negócios
"Crédito à habitação em Portugal é o mais barato da Europa (Económico) Nas vésperas de terminar o ano de 2009, é chegada a altura de as famílias portuguesas com crédito à habitação pegarem na calculadora. E nem tudo é negativo. Por um lado, as descidas sucessivas da taxa de juro directora do Banco Central Europeu (BCE), tal como a rota descendente das Euribor, permitiram-lhes poupar na prestação da casa. Por outro, a verdade é que os bancos confessam que apertaram os critérios de concessão de empréstimos, aumentando os ‘spreads' e encurtando os prazos dos créditos. No entanto, dados do BCE mostram que os juros cobrados pelas instituições bancárias nacionais nos empréstimos à habitação estão muito abaixo da média da Zona Euro. E ainda mais positivo, para as famílias portuguesas, é o facto de em Outubro - últimos dados disponibilizados pela autoridade monetária - as taxas de juro médias praticadas em Portugal serem mesmo as mais baixas da Zona Euro."
Desejo sinceramente que a nossa banca consiga gerir bem esta situação. Financiar-se agora no estrangeiro a spreads de 1,5% (e não duvido que irá crescer o spread a que os bancos se financiam) e ter contratos com clientes de crédito à habitação para 20 e 30 anos ao preço de 0,5% (spread), significa prejuizo. Como já disse não desejo bancos com prejuizos. A todos os bancos desejo que lhes corram bem as operações em Angola, local onde se internacionalizaram. Que os lucros de lá cubram parte dos prejuizos de cá do segmento do crédito à habitação (cerca de 40% do volume de negócios). Quem tem uma empresa e pede dinheiro à banca, então já sabe, pagará cada vez mais de modo a compensar o prejuizo do crédito à habitação. Como muitas vezes tem sido referenciado, quem produz é penalizado e quem consome é beneficiado.
Quem tem spreads para o crédito à habitação de 0,5% a 1% bem pode dizer que fez o negócio da vida.
Não desistamos nunca de O descobrir
SEXTA-FEIRA, 25 DE DEZEMBRO DE 2009
Creio num só Deus! Eis uma expressão bela, admirável. Mas a bem-aventurança sobre a terra consiste propriamente em reconhecer Deus nas coisas e no modo em que se revela.
O verdadeiro é análogo a Deus: não se apresenta no imediato. Somos obrigados a descobri-lo a partir das suas manifestações.
Goethe em "Máximas e Reflexões"
Creio num só Deus! Eis uma expressão bela, admirável. Mas a bem-aventurança sobre a terra consiste propriamente em reconhecer Deus nas coisas e no modo em que se revela.
O verdadeiro é análogo a Deus: não se apresenta no imediato. Somos obrigados a descobri-lo a partir das suas manifestações.
Goethe em "Máximas e Reflexões"
Curta nota sobre lucros da banca portuguesa
QUINTA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO DE 2009
Até há poucos anos habituámo-nos a conviver com uma banca com grandes lucros. Estes lucros cresceram em paralelo com uma excelente oferta de serviços e produtos bancários a preços muito reduzidos.
A banca portuguesa a partir dos fins da década de 80 modernizou-se. Despediu pessoas com menos formação, contratou pessoas com mais formação, investiu em tecnologia, melhorou processos, implementou sistemas de avaliação de qualidade de serviço, profissionalizou-se, inovou constantemente, dispersou capital em bolsa a todos os que queriam investir (a maioria das vezes em melhores circunstâncias para as pessoas de menores rendimentos, de modo a viabilizar elevada dispersão), e repercutiu sempre no preço os ganhos de eficiência que ia conquistando. Fez tudo o que teria sido óptimo que muitos outros sectores tivessem feito.
No geral não há percepção do baixo preço dos serviços bancários. Há pouco, um amigo bancário dizia-me, já um pouco desesperado por não saber como veicular que as margens são reduzidas, nulas, ou mesmo negativas. Dizia-me ele que a Coca-Cola, empresa de muito baixo risco, se financiava à taxa Euribor + 4%, quando muitas pessoas têm para o empréstimo à habitação um preço de Euribor + entre 0,5% até 2%. Ora, quantos de nós não acha spreads de 1,5% ou 3% uma heresia? Em rigor, não é. O nosso problema é que habituámo-nos muito mal a bons serviços a baixos preços. Os nossos ímpetos consumistas nesta incontinência geral gastadora cegaram-nos.
Muito se criticaram os bancos pelos enormes lucros que iam obtendo. Pessoalmente, prefiro bancos com bons lucros do que com prejuízos. Bancos com problemas são minas na sociedade, como aliás a recente experiência internacional agora demonstrou e já o tinha demonstrado em 1929.
Os bancos Portugueses estiveram, no geral, muito bem nesta crise. Demonstraram não estar tão alavancados (pouco capitalizados) e não estar expostos a activos tóxicos (demonstraram uma boa medida de conservadorismo, essencial na banca). Os casos BPP (embriaguez especulativa), BPN (caso de polícia) e BCP (egocentrismo e aldrabice de uma elite) são pontuais e não decorrem tanto da crise internacional (exceptue-se um pouco o BPP).
Fico feliz quando noticiam que os bancos portugueses têm lucros. Ainda os têm, menores, mas temo por 2012 e 2013.
Até há poucos anos habituámo-nos a conviver com uma banca com grandes lucros. Estes lucros cresceram em paralelo com uma excelente oferta de serviços e produtos bancários a preços muito reduzidos.
A banca portuguesa a partir dos fins da década de 80 modernizou-se. Despediu pessoas com menos formação, contratou pessoas com mais formação, investiu em tecnologia, melhorou processos, implementou sistemas de avaliação de qualidade de serviço, profissionalizou-se, inovou constantemente, dispersou capital em bolsa a todos os que queriam investir (a maioria das vezes em melhores circunstâncias para as pessoas de menores rendimentos, de modo a viabilizar elevada dispersão), e repercutiu sempre no preço os ganhos de eficiência que ia conquistando. Fez tudo o que teria sido óptimo que muitos outros sectores tivessem feito.
No geral não há percepção do baixo preço dos serviços bancários. Há pouco, um amigo bancário dizia-me, já um pouco desesperado por não saber como veicular que as margens são reduzidas, nulas, ou mesmo negativas. Dizia-me ele que a Coca-Cola, empresa de muito baixo risco, se financiava à taxa Euribor + 4%, quando muitas pessoas têm para o empréstimo à habitação um preço de Euribor + entre 0,5% até 2%. Ora, quantos de nós não acha spreads de 1,5% ou 3% uma heresia? Em rigor, não é. O nosso problema é que habituámo-nos muito mal a bons serviços a baixos preços. Os nossos ímpetos consumistas nesta incontinência geral gastadora cegaram-nos.
Muito se criticaram os bancos pelos enormes lucros que iam obtendo. Pessoalmente, prefiro bancos com bons lucros do que com prejuízos. Bancos com problemas são minas na sociedade, como aliás a recente experiência internacional agora demonstrou e já o tinha demonstrado em 1929.
Os bancos Portugueses estiveram, no geral, muito bem nesta crise. Demonstraram não estar tão alavancados (pouco capitalizados) e não estar expostos a activos tóxicos (demonstraram uma boa medida de conservadorismo, essencial na banca). Os casos BPP (embriaguez especulativa), BPN (caso de polícia) e BCP (egocentrismo e aldrabice de uma elite) são pontuais e não decorrem tanto da crise internacional (exceptue-se um pouco o BPP).
Fico feliz quando noticiam que os bancos portugueses têm lucros. Ainda os têm, menores, mas temo por 2012 e 2013.
A nossa crise bancária vem aí
TERÇA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO DE 2009
Segundo Nuno Amado, presidente do Santander Portugal
"No que toca ao futuro próximo da banca, Nuno Amado explicou que a questão da subida dos 'spreads' prende-se com três efeitos: maior custo de capital, maior custo de liquidez e maior nível de incumprimento.
"Nós crescemos, em média, moderadamente os 'spreads' nas operações novas ou nas renovações de operações. É óbvio que as margens vão ter que aumentar. Porquê? Porque vai haver mais capital necessário para a mesma actividade. Há um custo de capital que temos que repercutir nos 'spreads'. Há um custo de liquidez. Nós antes financiávamo-nos nos mercados internacionais quase a Euribor, mais muito pouco, e agora, em termos equivalentes, a Euribor mais um por cento, 1,2 por cento, na 'senior debt', sem garantias", sublinhou.
"Se as empresas e os particulares aumentam o incumprimento, há uma base de custo de crédito que tem que ser repercutida nos 'spreads'", acrescentou, dizendo que "vai ser um processo normal e gradual", mas que é inevitável que as margens subam para cima "do que estavam há dois anos".
Ainda assim, Nuno Amado antecipou que "o grande problema no futuro não vai ser o crescimento dos 'spreads', vai ser também o crescimento da Euribor", sublinhando que se Portugal não estiver ainda num ciclo de crescimento económico com alguma força, vai ser complicado compaginar a situação económica frágil com essa subida das taxas de juro que o BCE exigirá."
Há um tema que tem que se começar a colocar sobre a mesa. A crise que a nossa banca pode viver daqui a 4/5 anos, e cujos sinais vamos começar a receber em 2010 e 2011. O preço a que nos financiamos externamente (cerca de 80% de todas as necessidades de financiamento) vai ser cada vez maior, não só porque as taxas Euribor vão naturalmente subir, mas também porque o nosso rating vai descer. Isso faz subir o preço do dinheiro, nomeadamente quando pedimos emprestado no exterior. Este fenómeno advém muito menos da crise internacional e muito mais do nosso marasmo económico.
Em paralelo, e ainda na óptica da banca, os contratos de crédito à habitação até há 2 anos, com spreads mínimos, demonstraram ser ruinosos, e em muito afectaram os balanços dos bancos. E se incluirmos o crescimento dos incuprimentos dos clientes face às responsabilidades, se incluiromos a contínua descida dos valores do imobiliário (embora seja uma descida suave, embora contínua), então teremos a nossa, a muito nossa crise bancária. Restará aos bancos compensar estas perdas no crédito concedido ao sector produtivo e nas comissões bancárias e com isso penalizar as nossas já débeis empresas. Fará tudo parte do pacote agoniante que vai bater à porta de Portugal. Previa-se esta crise mais tarde, mas simplesmente a crise internacional tratou de precipitar esta situação que já vinha a caminho. Este assunto é muito delicado.
Pensar-se sobre este assunto da banca, pensar-se que muito provavelmente perderemos 3.000.000 de habitantes de população residente até 2050, pensar-se que poderá ser benéfico um novo surto emigratório, pensar-se que as reformas daqui a 20 ou 30 anos poderão ser 40 a 50% inferiores ao que são hoje em dia, e perder tempo a discutir a questão dos homossexuais!!!, é querer desviar atenções do essencial.
Valerá a pena reter estas duas máximas de Goethe:
"Os homens que não atingem o necessário, preocupam-se com o desnecessário"
"A coisa mais terrível que nos pode ser dado ver é uma actividade imparável desprovida de fundamento"
Portugueses, temos que actuar.
Segundo Nuno Amado, presidente do Santander Portugal
"No que toca ao futuro próximo da banca, Nuno Amado explicou que a questão da subida dos 'spreads' prende-se com três efeitos: maior custo de capital, maior custo de liquidez e maior nível de incumprimento.
"Nós crescemos, em média, moderadamente os 'spreads' nas operações novas ou nas renovações de operações. É óbvio que as margens vão ter que aumentar. Porquê? Porque vai haver mais capital necessário para a mesma actividade. Há um custo de capital que temos que repercutir nos 'spreads'. Há um custo de liquidez. Nós antes financiávamo-nos nos mercados internacionais quase a Euribor, mais muito pouco, e agora, em termos equivalentes, a Euribor mais um por cento, 1,2 por cento, na 'senior debt', sem garantias", sublinhou.
"Se as empresas e os particulares aumentam o incumprimento, há uma base de custo de crédito que tem que ser repercutida nos 'spreads'", acrescentou, dizendo que "vai ser um processo normal e gradual", mas que é inevitável que as margens subam para cima "do que estavam há dois anos".
Ainda assim, Nuno Amado antecipou que "o grande problema no futuro não vai ser o crescimento dos 'spreads', vai ser também o crescimento da Euribor", sublinhando que se Portugal não estiver ainda num ciclo de crescimento económico com alguma força, vai ser complicado compaginar a situação económica frágil com essa subida das taxas de juro que o BCE exigirá."
Há um tema que tem que se começar a colocar sobre a mesa. A crise que a nossa banca pode viver daqui a 4/5 anos, e cujos sinais vamos começar a receber em 2010 e 2011. O preço a que nos financiamos externamente (cerca de 80% de todas as necessidades de financiamento) vai ser cada vez maior, não só porque as taxas Euribor vão naturalmente subir, mas também porque o nosso rating vai descer. Isso faz subir o preço do dinheiro, nomeadamente quando pedimos emprestado no exterior. Este fenómeno advém muito menos da crise internacional e muito mais do nosso marasmo económico.
Em paralelo, e ainda na óptica da banca, os contratos de crédito à habitação até há 2 anos, com spreads mínimos, demonstraram ser ruinosos, e em muito afectaram os balanços dos bancos. E se incluirmos o crescimento dos incuprimentos dos clientes face às responsabilidades, se incluiromos a contínua descida dos valores do imobiliário (embora seja uma descida suave, embora contínua), então teremos a nossa, a muito nossa crise bancária. Restará aos bancos compensar estas perdas no crédito concedido ao sector produtivo e nas comissões bancárias e com isso penalizar as nossas já débeis empresas. Fará tudo parte do pacote agoniante que vai bater à porta de Portugal. Previa-se esta crise mais tarde, mas simplesmente a crise internacional tratou de precipitar esta situação que já vinha a caminho. Este assunto é muito delicado.
Pensar-se sobre este assunto da banca, pensar-se que muito provavelmente perderemos 3.000.000 de habitantes de população residente até 2050, pensar-se que poderá ser benéfico um novo surto emigratório, pensar-se que as reformas daqui a 20 ou 30 anos poderão ser 40 a 50% inferiores ao que são hoje em dia, e perder tempo a discutir a questão dos homossexuais!!!, é querer desviar atenções do essencial.
Valerá a pena reter estas duas máximas de Goethe:
"Os homens que não atingem o necessário, preocupam-se com o desnecessário"
"A coisa mais terrível que nos pode ser dado ver é uma actividade imparável desprovida de fundamento"
Portugueses, temos que actuar.
Quem não sentiu a crise que se prepare agora
SEGUNDA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2009
Esta crise, ímpar, ainda não chegou a todos os Portugueses. A maioria, aqueles que não perderam trabalho, foram até brindados pelas circunstâncias. De entre outras coisas, viram os preços da gasolina / gasóleo cair, e viram o preço da prestação da casa descer bastante devido à baixa das taxas de juro. E ainda por cima viram a inflação descer abaixo de zero. Cumulativamente, e porque a procura total se reduziu, têm vindo a beneficiar de enormes descontos, desde grandes descontos nas grandes superfícies até a ofertas fantásticas de pacotes de férias e fim de semana. Tudo isto tem sido um autêntico brinde para quem trabalha.
As estatísticas vêm confirmando que a taxa de poupança tem subido bastante. Isto sugere que as pessoas que não perderam o seu trabalho afectam grande parte, ou a totalidade, destes ganhos em produtos de poupança. Decisão genericamente, e a meu ver, correcta. E até macroeconomicamente saudável porque não pressiona as nossas necessidades bancárias de financiamento externas.
No entanto, e a prazo, os juros irão subir. Também irá subir o preço dos combustíveis (este mais cedo). A inflação irá ser positiva e os salários irão manter o nível actual. Ou seja, os orçamentos familiares serão de novo mais reduzidos para quem tem trabalho.
Quem não sentiu a crise irá senti-la agora. Não tanto quanto os que a vão sentido agora, os que desafortunadamente caíram numa situação de desemprego. Sentirão muito menos, mas no entanto são muitos mais. E são estes que comandam o consumo privado interno. Tomara que decidam bem, ou seja, que continuem a poupar tanto quanto possível. Por eles e pela economia.
Esta crise, ímpar, ainda não chegou a todos os Portugueses. A maioria, aqueles que não perderam trabalho, foram até brindados pelas circunstâncias. De entre outras coisas, viram os preços da gasolina / gasóleo cair, e viram o preço da prestação da casa descer bastante devido à baixa das taxas de juro. E ainda por cima viram a inflação descer abaixo de zero. Cumulativamente, e porque a procura total se reduziu, têm vindo a beneficiar de enormes descontos, desde grandes descontos nas grandes superfícies até a ofertas fantásticas de pacotes de férias e fim de semana. Tudo isto tem sido um autêntico brinde para quem trabalha.
As estatísticas vêm confirmando que a taxa de poupança tem subido bastante. Isto sugere que as pessoas que não perderam o seu trabalho afectam grande parte, ou a totalidade, destes ganhos em produtos de poupança. Decisão genericamente, e a meu ver, correcta. E até macroeconomicamente saudável porque não pressiona as nossas necessidades bancárias de financiamento externas.
No entanto, e a prazo, os juros irão subir. Também irá subir o preço dos combustíveis (este mais cedo). A inflação irá ser positiva e os salários irão manter o nível actual. Ou seja, os orçamentos familiares serão de novo mais reduzidos para quem tem trabalho.
Quem não sentiu a crise irá senti-la agora. Não tanto quanto os que a vão sentido agora, os que desafortunadamente caíram numa situação de desemprego. Sentirão muito menos, mas no entanto são muitos mais. E são estes que comandam o consumo privado interno. Tomara que decidam bem, ou seja, que continuem a poupar tanto quanto possível. Por eles e pela economia.
Gregos e Irlandeses, salvai-nos
SÁBADO, 12 DE DEZEMBRO DE 2009
Ó gregos, salvem-nos. Vós que há milhares de anos nos destes luzes estais em condições de novo de nos alumiar. O motivo agora não é, certamente, recomendável. Fala-se da vossa bancarrota. Sim, de incumprirem com os pagamentos decorrentes da dívida e dos juros da vossa pujante dívida externa, 110% do PIB. E os expressivos 13% de défice terão um belo efeito no incremento nesses 110%. Junte-se-lhe cerca de 18% de desempregados e temos festa na rua garantida.
Incumprir com pagamentos por se fechar a torneira de novos empréstimos que renovem os existentes é coisa que não quero nem pensar no que seja. Mas não andamos muito longe disso.
Portugueses, já que andamos com uma tremenda dificuldade em nos vermos ao espelho, tenhamos pelo menos a sapiência de observar clinicamente o que se passa por terras aristotélicas. E se no decorrer desse exercício clínico nos questionarmos “quem sou eu, que faço aqui?” já sabemos, deveremos estar em pleno esforço de captação e interiorização do que vai ser o nosso futuro daqui a 3 ou 4 anos. É hediondo? Sim, é, mas pelo menos não nos podemos esquivar dizendo que não sabiamos, que isso dos avisos que nos iam fazendo eram tretas, que é coisa para os outros, etc.
Assim, sobreavisados por quem entende estes fenómenos financeiros, que até são muito mais simples do que se imagina, e com a realidade futura a ocorrer visivelmente a uns milhares de quilómetros de distância, temos tudo para mudar de rumo e evitar o desastre. Sim, é duro mudar de direcção, principalmente quando se anda a gastar mais 10% do que se tem e não se dá por isso. Mas a vida é de quem de si toma conta, por isso toca a mexer e a mudar.
Entretanto, e alguns milhares de quilómetros mais a norte, num local bem verdinho e cheio de irlandeses, gente teoricamente mais avisada, mais humilde, e que sabe que tem que contar consigo para resolver os seus problemas, há uma coisa bem interessante em movimento: descida de 10% dos vencimentos dos funcionários públicos.
Pois é, estes sinais incómodos ditados pela força da realidade vêm de muitos quadrantes. Temos a atitude grega e irlandesa para escolher. Está nas nossas mãos.
Ó gregos, salvem-nos. Vós que há milhares de anos nos destes luzes estais em condições de novo de nos alumiar. O motivo agora não é, certamente, recomendável. Fala-se da vossa bancarrota. Sim, de incumprirem com os pagamentos decorrentes da dívida e dos juros da vossa pujante dívida externa, 110% do PIB. E os expressivos 13% de défice terão um belo efeito no incremento nesses 110%. Junte-se-lhe cerca de 18% de desempregados e temos festa na rua garantida.
Incumprir com pagamentos por se fechar a torneira de novos empréstimos que renovem os existentes é coisa que não quero nem pensar no que seja. Mas não andamos muito longe disso.
Portugueses, já que andamos com uma tremenda dificuldade em nos vermos ao espelho, tenhamos pelo menos a sapiência de observar clinicamente o que se passa por terras aristotélicas. E se no decorrer desse exercício clínico nos questionarmos “quem sou eu, que faço aqui?” já sabemos, deveremos estar em pleno esforço de captação e interiorização do que vai ser o nosso futuro daqui a 3 ou 4 anos. É hediondo? Sim, é, mas pelo menos não nos podemos esquivar dizendo que não sabiamos, que isso dos avisos que nos iam fazendo eram tretas, que é coisa para os outros, etc.
Assim, sobreavisados por quem entende estes fenómenos financeiros, que até são muito mais simples do que se imagina, e com a realidade futura a ocorrer visivelmente a uns milhares de quilómetros de distância, temos tudo para mudar de rumo e evitar o desastre. Sim, é duro mudar de direcção, principalmente quando se anda a gastar mais 10% do que se tem e não se dá por isso. Mas a vida é de quem de si toma conta, por isso toca a mexer e a mudar.
Entretanto, e alguns milhares de quilómetros mais a norte, num local bem verdinho e cheio de irlandeses, gente teoricamente mais avisada, mais humilde, e que sabe que tem que contar consigo para resolver os seus problemas, há uma coisa bem interessante em movimento: descida de 10% dos vencimentos dos funcionários públicos.
Pois é, estes sinais incómodos ditados pela força da realidade vêm de muitos quadrantes. Temos a atitude grega e irlandesa para escolher. Está nas nossas mãos.
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Jornal Público de hojeFMI exige medidas drásticas para evitar dívida pública de 100 por cento do PIB
03.12.2009 - 07h19
Por Sérgio Aníbal
Enric Vives-Rubio (arquivo)
Apenas esperar pela retoma da economia mundial não chega. Ou o Governo reduz a massa salarial da função pública, a despesa com transferências sociais e os benefícios fiscais, aumentando os impostos, ou Portugal chega a 2013 ainda com um défice público situado entre cinco e seis por cento e uma dívida pública próxima de 100 por cento do PIB, defendeu ontem o Fundo Monetário Internacional na análise anual que faz à economia portuguesa.
No relatório ontem publicado, as recomendações feitas às autoridades nacionais fazem lembrar as regras draconianas que foram impostas no início dos anos 80, quando Portugal atravessava uma crise profunda na sua balança de pagamentos.
Como pano de fundo, o FMI começa por traçar um cenário desolador para a economia portuguesa durante os próximos anos. Apesar de dizer que a resposta do Governo à crise "foi rápida e apoiou a economia", o Fundo assinala que "o crescimento potencial da economia, que já era baixo, sairá, como acontece noutros países, ainda mais prejudicado", o que resultará na continuação durante os próximo anos de um "crescimento abaixo da média da zona euro e elevados níveis de desemprego". A taxa de crescimento prevista para 2010 é de cerca de 0,5 por cento, com o "cenário a não ser mais brilhante no longo prazo".
Com a economia quase parada, as projecções para o orçamento ficam ainda mais negras. Depois de um défice de oito por cento este ano, o FMI aposta que, sem novas medidas por parte do Governo, o défice subirá mais em 2010 e não descerá de um valor "entre cinco e seis por cento até 2013, com a dívida pública a aproximar-se de 100 por cento do PIB". Para evitar este cenário, que colocaria Portugal perante "diferenciais de taxas de juro mais altos e problemas de financimento", a entidade com sede em Washington diz que o Governo tem de tomar medidas, logo a partir do próximo ano.
Todo o reportório de medidas de contenção orçamental e reformas estruturais habituais no FMI é recuperado. O Estado tem de "reduzir a despesa corrente primária, especialmente a massa salarial da função pública e as transferências sociais". O Fundo diz mesmo que a actualização salarial da função pública para o próximo ano "vai ser particularmente importante para a credibilidade e para a ajuda à consolidação orçamental".
Para além disso, do lado da receita, é recomendado que "se alargue a base fiscal, reduzindo os benefícios concedidos e simplificando a sua gestão". Para resolver o problema orçamental e colocar o défice abaixo de três por cento até 2013, apenas estas medidas podem não chegar, pelo que o FMI diz, em linha com recentes afirmações do governador do Banco de Portugal, que "aumentar a taxa de IVA, embora geralmente indesejável, deve ser uma opção se as outras medidas não resolverem o problema".
Para estimular o crescimento da economia, o Fundo diz que, no curto prazo, se deve continuar a apostar na simplificação administrativa, implementar o novo código laboral, reaxaminar os benefícios do subsídio de desemprego e reconsiderar os aumentos do salário mínimo planeados".
Portugal, fotografia (7)
Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Portugal, estás a ter muitos membros desempregados. E lamento dizer-te, mas desta vez é à séria, ou seja, já há mesmo pessoas que querem trabalhar e que não encontram trabalho. Isto antes era a excepção, e o desemprego que havia coincidia mais em número com a soma daquelas pessoas com pouca vontade de trabalhar ou com pouca vontade de aceitar os trabalhos disponíveis e de que não gostavam.Portugal, mas o problema grande virá a seguir. Virá quando não conseguires criar postos de trabalho, coisa onde até foste bom de 1998 a 2008. Só que agora esta crise financeira vai evidenciando o teu problema de empregos. E vai evidenciá-lo ainda mais. Vai evidenciar à exaustão que não vais conseguir competir em salários baixos com chineses e indianos (há mais países e outros se juntaram). Pergunto-te: o que vais fazer com as pessoas sem qualificação, pessoas essas que não já não conseguem competir onde antes ainda iam competindo? Já informaste essas pessoas do facto? Achas que essas pessoas estão preparadas para baixarem ainda mais o seu já baixíssimo nível de vida? Achas que é gente para voltar ao campo? Sim, olha que já ouvi uns zuns-zuns que isso já está a acontecer, embora ainda em reduzidíssimo grau. Portugal, se a taxa de desemprego chegar aos 15% ou 18% e por lá ficar prepara-te para dares uma saída a essas pessoas. Falo-te de saídas à séria e não à socialista, ou seja, despejando dinheiro em cima do problema e empregá-los no sector público. Espero que saibas que isso já não é mais possível.
Portugal, e todos aqueles trabalhadores com elevada formação que produzes para o desemprego? Bom, esses vão-se indo embora porque a globalização lhes dá saídas e é generosa quando comparada com os teus padrões. E se calhar até é bom que assim seja porque tens gente bem formada a fazer boa propaganda do País, a enviar remessas que desesperadamente precisas, e a impedir maiores subidas da taxa de desemprego. E se as coisas por cá melhorarem até é gente que voltará, tal a sua génese de pular de um lugar para o outro. E aos que cá ficarem, já sabem, 700 euros de início a recibo verde e a trabalhar 12 horas por dia.
Portugal, e todas aquelas pessoas semi-qualificadas, nomeadamente as com mais apetência para trabalhar nos serviços, o que fazer com elas? Bom, aqui é mais fácil e até já descobriste. Sim, chama-se Turismo. Mas só porque o descobriste não julgues que isso é suficiente. Há muito trabalho a fazer. E não sendo especialista na matéria até te digo que a primeira coisa a ensinar é que servir os outros não implica ser-se inferior e consequentemente ter que se estabelecer uma relação de servilismo do prestador de serviço para o servido. Isso é uma mentalidade feudal e semi-rural que te está ainda no sangue e que ainda apoquenta muitos dos teus membros. Essa mentalidade é absurda e tem que ser enterrada de vez. Servir os outros implica antes um misto de profissionalismo e simpatia. Nunca te esqueças disto.
Portugal, alguém escreveu em 1991: “A tarefa política primordial de cada nação será o controlo das forças centrífugas da economia global que dilaceram os laços que ligam os cidadãos, conferindo cada vez mais riqueza aos mais qualificados e perspicazes, entregando os menos qualificados a níveis de vida cada vez mais baixos. À medida que as fronteiras se tornam cada vez mais irrelevantes em termos económicos, os cidadãos em melhor posição para poderem prosperar no mercado mundial são tentados a escapar aos laços de fidelidade à nação, desvinculando-se, assim, dos seus companheiros menos favorecidos”
Portugal, apreende bem esse escrito e trata de arranjar uma solução rápida para os não qualificados. Terá que ser uma solução insólita na justa medida, aliás, da situação dessas pessoas (estarem no século XXI na Europa e não terem valor acrescentado em qualquer dos países Europeus). Uma dica insólita: acorda com Angola o envio de 500.000 portugueses para lá trabalharem. O nível dos teus trabalhadores não qualificados ainda chega para a grande massa dos Angolanos. Eles precisam de gente com formação acima da que a grande maioria da sua população tem. A língua e as afinidades existentes até facilitam. Mais, convida os Angolanos a pensarem que Angola não é só Luanda, e que esta cidade não pode albergar uma população prevista de 45 milhões de pessoas em 2050 para toda a Angola (actualmente são 18 milhões). Obrigatoriamente têm que existir mais centros urbanos. Portugal, e de caminho, junto a todos estes não qualificados, manda também uns professores pois aqui há cada vez menos alunos. Paralelamente acorda também com os Moçambicanos qualquer coisa (vão passar de 22 milhões agora para 39 milhões em 2050).
Portugal, isto é insólito, não é? É, mas prepara-te, porque todas as tuas soluções futuras o serão.
Incongruências
Diz Paulo Mendes Pinto no jornal Público sobre o resultado do referendo na Suiça sobre os minaretes
"Como podemos olhar para a Democracia quando a vemos ser usada pela extrema-direita como forma de a subverter? Sim, esta proibição, que corta direitos fundamentais de cidadania, foi aprovada democraticamente! E o Governo apela através da imagem para o exterior..."
Sem querer entrar por este assunto, sobre o qual não tenho opinião formada, quero só lembrar como as retóricas mudam ao vento dos interesses próprios. Se no pequeno texto acima substituissemos "extrema-direita" por "extrema-esquerda", se substituíssemos "esta proibição" por "o aborto", o que diria a esquerda sobre um texto deste tipo assinado por um defensor da Vida? A berraria seria certamente grande.
Note-se o seguinte, a esquerda acha que pode agir e falar com total impunidade, que pode submeter-se a todo o tipo de incongruências ao não cuidar minimamente sobre a forma como se exterioriza, o que aliás mais não é do que o sintoma da arrogância e da crença de que os fins justificam os meios. Sobra a questão: o que leva a que haja este embevecimento por parte dos meios de comunicação e de muita opinião pública.
Nota: não pressuponho que todas as pessoas de esquerda são favoráveis à interrupção voluntária da gravidez e dos minaretes e todas as pessoas de direita são o seu contrário. Tão pouco acredito muito na dicotomia esquerda/direita.
"Como podemos olhar para a Democracia quando a vemos ser usada pela extrema-direita como forma de a subverter? Sim, esta proibição, que corta direitos fundamentais de cidadania, foi aprovada democraticamente! E o Governo apela através da imagem para o exterior..."
Sem querer entrar por este assunto, sobre o qual não tenho opinião formada, quero só lembrar como as retóricas mudam ao vento dos interesses próprios. Se no pequeno texto acima substituissemos "extrema-direita" por "extrema-esquerda", se substituíssemos "esta proibição" por "o aborto", o que diria a esquerda sobre um texto deste tipo assinado por um defensor da Vida? A berraria seria certamente grande.
Note-se o seguinte, a esquerda acha que pode agir e falar com total impunidade, que pode submeter-se a todo o tipo de incongruências ao não cuidar minimamente sobre a forma como se exterioriza, o que aliás mais não é do que o sintoma da arrogância e da crença de que os fins justificam os meios. Sobra a questão: o que leva a que haja este embevecimento por parte dos meios de comunicação e de muita opinião pública.
Nota: não pressuponho que todas as pessoas de esquerda são favoráveis à interrupção voluntária da gravidez e dos minaretes e todas as pessoas de direita são o seu contrário. Tão pouco acredito muito na dicotomia esquerda/direita.
Portugal, fotografia (6)
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Portugal, uma característica que ganhaste (ou talvez acentuaste) é que os teus membros têm uma tremenda dificuldade em olhar para ti sem ser pelo prisma do seu interesse pessoal ou corporações onde se inserem, ou seja, perderam em altruísmo patriótico o que ganharam em egoísmo pessoal e corporativo. Não que esta mudança te seja exclusiva. Parece que este fenómeno bate à porta por onde o consumismo tem mais sucesso.Portugal, de uma forma mais geral, os teus membros, à semelhança da maioria dos membros de todos os países capitalistas, andam furiosamente atrás do ter e esqueceram-se quase todos do ser. Não pretendendo efectuar juízos de valor, digo-te somente que este status nunca dá a melhor assistência a quem precisa de mudar radicalmente de perspectivas e de vida. Quando fores convidado, perdão, obrigado, a ganhar menos ordenados / salários, a consumir menos, a poupar mais, a pagar mais impostos (não tenhas a mínima dúvida que vão subir, e bem, nos próximos 4 anos), a endividares-te menos, a descontares mais ou o mesmo para a reforma que vai ser mais pequena, a pagares de novo mais pela prestação da casa (ou ainda acreditas que os juros ficam sempre assim?), a veres-te realmente aflito para arranjares trabalho, etc, precisas do ser e não do ter para engolir toda essa avalanche adversa.
Portugal, é a tua crise específica que vais ter que resolver e não tanto aquela que anda e vai andar por aí durante mais uns anos. E é para essa que vais ter que passar do status mental ter para o ser. É assim porque o buraco onde te estás a meter (e que te já descrevi nas anteriores “fotografias” e “acordas”) te vai denunciar abertamente todas as tuas insuficiências estruturais que te impossibilitam de estar no comboio onde queres andar. Nesse momento terás uma crise existencial. Desabafarás, farás até alguns tumultos por aí, embora não muito grandes. Nessa altura, a sociedade, muito quebrada, diferenciada nos seus estilos, descrente de soluções baseadas em engenharias sociais e colectivistas, e surpreendentemente mais aberta a soluções com base em responsabilidade individual, tratará de descobrir e viabilizar saídas. Sempre existiram, e existirão, Portugueses de bem dispostos a te servir. Não duvido que darás então a mão a quem te ama e te quer servir.
Portugal, prepara-te para esses Portugueses. Vão ser diferentes daqueles a que te acostumaste (não poderá ser de outra maneira). Quando chegar o momento não seguirás o eloquente de conversa fácil e com solução cor-de-rosa. Irás seguir quem falar de ti, quem identificar o que tu és, quem queira genuinamente pensar sobre ti, quem perceba o que o mundo é, e quem souber e te disser o que tens que descobrir em ti para nele venceres. O resto é trabalho para todos os teus membros.
Portugal, a vida é assim. Tal e qual um rio, que dependendo daquilo que o envolve, corre umas vezes com suavidade e outras vezes com turbulência. Para nele bem navegares tens somente que estar preparado para as disposições que ele te impuser. Depois precisas só de te lembrar que ninguém navega por ti e de escolher bons comandantes. Boa sorte Portugal.
Descubramos a nossa Alma e sejamos felizes
In "Tratado da Política" de Aristóteles
“Ninguém contestará a divisão habitualmente feita pelos filósofos dos bens em três classes: os da alma, os do corpo e os exteriores. Todos esses bens devem encontrar-se nas pessoas felizes.
Nunca se contará entre as pessoas felizes um homem que não tem nem coragem, nem temperança, nem justiça, nem prudência; receia até o voo das moscas; que se entrega a todos os excessos no comer e no beber; que, pelo mais vil interesse, mataria os seus melhores amigos; que se mostra tão provido de razões como as crianças e os furiosos.
Mas, embora se esteja de acordo nestes princípios, há sempre opiniões divergentes em maior ou menor número de pontos. A maioria, pensando que lhes basta ter um pouco de virtude, desejam imenso ultrapassar os outros em riqueza, em poder, em glória e noutras vantagens semelhantes. A esse respeito é fácil saber em que ponto se deve ficar; basta para isso consultar a experiência. Todos vemos que não é pelos bem exteriores que se adquirem e conservam as virtudes, mas que é, antes, pelos talentos e pelas virtudes que se adquirem e conservam os bens exteriores; e que, quer se faça consistir a felicidade no prazer ou na virtude, ou em ambas as coisas, os que têm melhor inteligência e melhores costumes atingem-na mais cedo com uma fortuna medíocre do que aqueles que têm mais do que o necessário e que não possuem outros bens.
Por pouco que queiramos dar atenção a isto, a razão é suficiente para nos convencer. Os bens exteriores não são mais do que úteis instrumentos, se são proporcionados ao seu fim, mas semelhantes a qualquer outro instrumento cujo excesso prejudica necessariamente ou é, pelo menos, inútil àquele que o emprega. Pelo contrário, os bens da alma, não são somente honestos, são também úteis, e quanto mais ultrapassam a medida comum mais utilidade têm.
… a alma, pela sua natureza e relativamente a nós, é dum valor muito diferente do do corpo e do dos bens, os seus bom hábitos ultrapassarão os das outras substâncias. Tais bens só são desejáveis para ela e todos os homens os desejam para a alma e não a alma para eles. Tenhamos, pois, como pacífico que não há felicidade para qualquer senão na medida em que tem virtude e prudência e em que age em conformidade com elas. Temos disto o exemplo e a prova em Deus, que é feliz, não por qualquer bem exterior, mas por si próprio e pelos seus atributos essenciais. A felicidade é muito diferente da fortuna. É da fortuna que nos vêm os bens exteriores; mas ninguém é justo ou prudente em razão da fortuna nem por seu intermédio.
Dos mesmos princípios depende a felicidade do Estado. É impossível que um Estado seja feliz se dele for banida a honestidade. Sem a virtude e sem a prudência nada de bom se pode esperar dele…”
“Ninguém contestará a divisão habitualmente feita pelos filósofos dos bens em três classes: os da alma, os do corpo e os exteriores. Todos esses bens devem encontrar-se nas pessoas felizes.
Nunca se contará entre as pessoas felizes um homem que não tem nem coragem, nem temperança, nem justiça, nem prudência; receia até o voo das moscas; que se entrega a todos os excessos no comer e no beber; que, pelo mais vil interesse, mataria os seus melhores amigos; que se mostra tão provido de razões como as crianças e os furiosos.
Mas, embora se esteja de acordo nestes princípios, há sempre opiniões divergentes em maior ou menor número de pontos. A maioria, pensando que lhes basta ter um pouco de virtude, desejam imenso ultrapassar os outros em riqueza, em poder, em glória e noutras vantagens semelhantes. A esse respeito é fácil saber em que ponto se deve ficar; basta para isso consultar a experiência. Todos vemos que não é pelos bem exteriores que se adquirem e conservam as virtudes, mas que é, antes, pelos talentos e pelas virtudes que se adquirem e conservam os bens exteriores; e que, quer se faça consistir a felicidade no prazer ou na virtude, ou em ambas as coisas, os que têm melhor inteligência e melhores costumes atingem-na mais cedo com uma fortuna medíocre do que aqueles que têm mais do que o necessário e que não possuem outros bens.
Por pouco que queiramos dar atenção a isto, a razão é suficiente para nos convencer. Os bens exteriores não são mais do que úteis instrumentos, se são proporcionados ao seu fim, mas semelhantes a qualquer outro instrumento cujo excesso prejudica necessariamente ou é, pelo menos, inútil àquele que o emprega. Pelo contrário, os bens da alma, não são somente honestos, são também úteis, e quanto mais ultrapassam a medida comum mais utilidade têm.
… a alma, pela sua natureza e relativamente a nós, é dum valor muito diferente do do corpo e do dos bens, os seus bom hábitos ultrapassarão os das outras substâncias. Tais bens só são desejáveis para ela e todos os homens os desejam para a alma e não a alma para eles. Tenhamos, pois, como pacífico que não há felicidade para qualquer senão na medida em que tem virtude e prudência e em que age em conformidade com elas. Temos disto o exemplo e a prova em Deus, que é feliz, não por qualquer bem exterior, mas por si próprio e pelos seus atributos essenciais. A felicidade é muito diferente da fortuna. É da fortuna que nos vêm os bens exteriores; mas ninguém é justo ou prudente em razão da fortuna nem por seu intermédio.
Dos mesmos princípios depende a felicidade do Estado. É impossível que um Estado seja feliz se dele for banida a honestidade. Sem a virtude e sem a prudência nada de bom se pode esperar dele…”
Portugal, fotografia (5)
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Portugal, impuseste-te a ti próprio um paternalismo infantil. Quando fizeste a tua revolução, viste, e bem, que os teus membros, os Portugueses, tinham um défice de direitos face aos deveres impostos. Não contente com o facto resolveste tratar do assunto. Só que te faltou o sentido das proporções, e assim, algo inebriado pelas circunstâncias e muito influenciado por muita conversa fácil inverteste completamente a distribuição dos pesos na balança. Onde antes fabricavas Portugueses modestos, comedidos, trabalhadores, com fibra, desafiantes, e apreciadores de relações suaves e duradouras; agora fabricas Portugueses arrogantes, impertinentes, ociosos, moles, corporativos, e apreciadores de relações fortes e efémerasAssim, transformaste completamente os teus membros. E modificaste-os castrando-os naquilo que é natural em qualquer animal: o crescimento. Com a tua nova fórmula os Portugueses de idade adulta são nos dias de hoje ainda crianças. E como qualquer criança desproporcionalmente apaparicada vamos encontrando nos dias de hoje muita tendência para o queixume e para a impertinência. Os Portugueses agora estão sempre à espera de receber e nunca de dar, estão com pouca apetência para tomar o seu destino nas próprias mãos, perfeitamente avessos ao “no pain, no gain”. Nesta nova condição, e pela natureza das coisas, passam a ser constantemente ultrapassados pelos acontecimentos. Por estes estarem sempre em constante mutação, tal a velocidade da mudança actualmente, os Portugueses sentem-se hoje atordoados e perdidos, atulhados de dúvidas sobre o que fazer, sem tino e paralisados. Estão literalmente órfãos dos acontecimentos.
Aos Portugueses tudo agora lhes faz confusão, tudo os apoquenta, tudo o que surge é visto como um potencial perigo. Na ânsia de se protegerem até do voo de uma mosca tratam agora de legislar sobre tudo e sobre nada, tomando sempre o acessório como essencial e o essencial como o acessório. Vão multiplicando a existência de direitos ao mesmo tempo que vão subtraindo a prática de deveres. Tendencialmente vão medindo muito deficientemente as consequências dos seus actos tal a impreparação que os caracteriza. Procuram sempre ocultar os seus resultados se estes forem fracos, e mantêm a esperança na sua socialização se estes forem negativos. Tudo sintomas típicos das crianças e de espíritos mais débeis.
Os Portugueses adultos, digamos os que vão dos 30 aos 65 anos, com muita moleza da vida fácil que julgavam ser possível existir andam agora muito incomodados com a realidade. Ela é mais dura do que se pensava e há poucas almas com maturidade e fibra para tratar de tanto espírito que pouco amadureceu. Isso cria um sentimento de insegurança muito grande, o que misturado com a abundância de perfis pouco recomendáveis de muitas pessoas em lugares de destaque gera algum desnorte. Na política e no sector público faltam agora homens fortes de espírito em lugares de responsabilidade. Isso faz-nos fracos. Se à fraqueza de espírito adicionarmos a falta de integridade isso faz-nos desesperar.
A geração de Abril inicia agora uma suave e doce reforma. Partem para essa nova fase com um claro sentimento de que “safaram-se” e de que deixaram uma herança que não desejariam ter herdado. Aos poucos os seus filhos vão reparando que a fórmula dos seus progenitores já não é exequível, tão pouco recomendável. Mas foram ainda formatados nesse modelo, pelo que, ao viverem já com o triplo das dificuldades previstas mas ainda agarrados a uma esperança que não se vai realizar, talvez tenhamos os ingredientes para um tumulto inter-geracional no futuro próximo (talvez daqui a 5/7 anos). A crise internacional actual poderá precipitar esse conflito.
Portugal, tens que proceder a novas avaliações sobre direitos e deveres. Tens que compreender que não é viável construíres uma sociedade sem uma equilibrada proporção entre estes dois elementos. Tens que compreender que a posse de um é o resultado da prática do outro. Uma vida sã e justa em sociedade é regida por princípios básicos que o homem sapiente tratará de respeitar e praticar. A proporção entre direitos e deveres é um deles. Respeita este princípio e sentirás a harmonia. Viola-o e sentirás a turbulência.
Tudo indica que não vai haver dinheiro para andar de TGV
Vem hoje a público um estudo que diz o seguinte
"A diminuição do valor da reforma pago pelo Estado resulta da introdução, na legislatura passada, do chamado 'factor de sustentabilidade das pensões', que procura garantir a solidez financeira da Segurança Social, confrontada com o aumento da esperança média de vida e com o abrandamento do crescimento da taxa de natalidade."
"Segundo as contas da Optimize, um indivíduo actualmente com 30 anos e a auferir um salário ilíquido de 2.000, após 40 anos de contribuições e quando se reformar aos 65 anos, receberá apenas 41,2 por cento do último salário se tiver um aumento salarial anual 3 por cento acima da inflação."
"De acordo com o estudo realizado, os portugueses vão perder entre 25 e 50% do seu salário com a passagem à reforma. "O valor médio das pensões de reforma pago pela Segurança Social vai continuar a descer durante as próximas décadas, passando de perto de 75 por cento do valor do último salário ilíquido, em média, para apenas cerca de 53 por cento", conclui o estudo."
2009/11/25 - 11:39
Fonte: Jornal de Negócios
Relembro que os reformados a partir de 2030 não vão ter dinheiro para andar de TGV. Por também não terem nessa altura dinheiro para ter automóvel esses reformados irão precisar de transportes públicos em condições.
Invocar necessidade de TGV em Portugal começa a ser demasiado absurdo para ser verdade.
"A diminuição do valor da reforma pago pelo Estado resulta da introdução, na legislatura passada, do chamado 'factor de sustentabilidade das pensões', que procura garantir a solidez financeira da Segurança Social, confrontada com o aumento da esperança média de vida e com o abrandamento do crescimento da taxa de natalidade."
"Segundo as contas da Optimize, um indivíduo actualmente com 30 anos e a auferir um salário ilíquido de 2.000, após 40 anos de contribuições e quando se reformar aos 65 anos, receberá apenas 41,2 por cento do último salário se tiver um aumento salarial anual 3 por cento acima da inflação."
"De acordo com o estudo realizado, os portugueses vão perder entre 25 e 50% do seu salário com a passagem à reforma. "O valor médio das pensões de reforma pago pela Segurança Social vai continuar a descer durante as próximas décadas, passando de perto de 75 por cento do valor do último salário ilíquido, em média, para apenas cerca de 53 por cento", conclui o estudo."
2009/11/25 - 11:39
Fonte: Jornal de Negócios
Relembro que os reformados a partir de 2030 não vão ter dinheiro para andar de TGV. Por também não terem nessa altura dinheiro para ter automóvel esses reformados irão precisar de transportes públicos em condições.
Invocar necessidade de TGV em Portugal começa a ser demasiado absurdo para ser verdade.
A má supervisão sai caríssima
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
"Desvio no BPN elevou-se a dez vezes o custo da Ponte Vasco da Gama(25-11-2009 9:39:00)
Oliveira e Costa e os ex-administradores do BPN Luís Caprichoso e Francisco Sanches são acusados pelo Ministério Público de terem criado um buraco de 9,7 mil milhões de euros em operações fora da contabilidade do Banco Insular (BI).
O valor, que representa quase dez vezes o custo inicial da Ponte Vasco da Gama, é avançado pelo “Correio da Manhã” com base no despacho de acusação divulgado entregue ao antigo presidente do BPN, Oliveira e Costa, que está agora em prisão domiciliária.
O Ministério Público abriu, pelo menos, quatro novos inquéritos relacionados com as irregularidades cometidas no Banco Português de Negócios."
Fonte: Bigonline
Num país com 10,6 milhões de pessoas e com meia dúzia de bancos tem que ser fácil detectar fraudes desta dimensão. Mais difícil será em países com muitos mais bancos e com 300 milhões (EUA) ou 1.300 milhões (China e Índia). Aí pode-se afigurar mais difícil supervisionar. Agora nesta “quintarola” onde todos se conhecem, onde tudo está à mão, onde se alguém espirra todos o sabem, é difícil de aceitar que não era possível detectar uma fraude desta dimensão, ou que era difícil, ou que o esquema estava muito bem feitinho, etc.
A supervisão financeira pela sua natureza não se deve regular por critérios de amizade e convivência agradável entre supervisor e supervisado. O custo de uma falha pode ser de tal forma grande que mais vale pecar na supervisão por excesso de zelo e desconfiança do que o seu contrário. Mas como somos um país de “gaijos” porreiros onde ninguém é responsabilizado por nada...
No entretanto aconselha-se a que o supervisor vá tomando mais cuidado com o que diz publicamente sobre impostos. O que se passou nos últimos dias só reforça a sua debilidade.
Uma atenção quando se reduz o nível de consumo privado
Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
In “Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens” de Jean-Jacques Rousseau“Neste novo estado, com uma vida simples e solitária, necessidades muito limitadas e com instrumentos já inventados para prover a essas necessidades, os homens, gozando de muito tempo livre, empregaram-no a descobrir diversas comodidades desconhecidas pelos seus pais; e foi desse modo que, sem o pensarem, se impuseram o primeiro jugo e prepararam a primeira fonte de males para os seus descendentes; porque para além do facto de continuarem assim a amolecer o corpo e o espírito, essas comodidades foram com o hábito, perdendo todo o seu atractivo e ao mesmo tempo foram-se transformando em verdadeiras necessidades, cuja privação se tornou muito mais cruel do que doce tinha sido a sua posse, e ficava-se infeliz por as perder, sem se ter sido feliz por as possuir.”
Nota ao artigo anterior
Domingo, 22 de Novembro de 2009
A aposta em transportes públicos em Lisboa e Porto em muito pode beneficiar o turismo nestas duas cidades pelo facto de retirar a afluência de automóveis. Cidades com menos automóveis são muito mais aprazíveis. E Porto e Lisboa podem ganhar muitos mais turistas se tiverem muito menos automóveis. E tendencialmente turismo fora dos meses de Junho, Julho e Agosto, o que será bastante benéfico pois aumenta a capacidade dos respectivos aeroportos nas alturas de menor movimento, não colocando assim em risco a sua saturação, rentabilizando antes a capacidade já instalada.
Reflexão sobre onde fazer investimento público
Domingo, 22 de Novembro de 2009
É no meio de uma ressaca de uma crise financeira que o investimento público é mais necessário. A redução do consumo privado pelas famílias / indivíduos deverá ser compensada pelo aumento do investimento público. O objectivo é evitar um decréscimo elevado do nível de actividade económica e com isso gerar-se um mecanismo de bola de neve que leve a uma Depressão. Enquanto as famílias / indivíduos procedem ao ajustamento do seu consumo face à nova realidade o investimento público trata de compensar essa redução. Posteriormente, e após efectuado esse ajustamento, há que reduzir o investimento público de modo a evitar uma crise orçamental.A questão que se levanta é sobre para onde direccionar o investimento público. Em Portugal fala-se no TGV e num novo aeroporto para Lisboa. Já neste espaço referi que estas opções são absurdas pelo facto de não existir nas décadas que se seguem população suficiente que sustente a exploração corrente e o pagamento do investimento para essas actividades. Com a agravante de que as estruturas agora existentes já responderem satisfatoriamente às necessidades presentes e futuras, pelo que novas estruturas significam luxos. Este é o absurdo político de momento com que somos confrontados.
É no entanto óbvio que existem outros investimentos públicos que são necessários e que em muito podem satisfazer a população, nomeadamente aquela franja de menores rendimentos. Penso de imediato em bons transportes públicos urbanos, na expansão da rede de metro e eléctrico em Lisboa e no Porto. Não só se trata de satisfazer as necessidades de transporte diárias de novas populações, as que ainda não estão servidas, mas também trata-se de incrementar o nível de serviço das que já estão servidas, oferecendo-lhes portanto outros destinos.
O investimento em transportes públicos é positivo porque, para além de melhor servir as necessidades de transporte, pode aliviar o orçamento familiar / individual dos cidadãos por estes passarem a utilizar com menor frequência o transporte privado, por definição mais caro. Ou seja, existem efeitos positivos imediatos nas populações ao nível de serviço e de custo, sendo que as populações de mais baixos rendimentos sentirão positivamente e de forma muito mais acentuada esses efeitos.
Outro aspecto positivo é a aposta na cultura de bens públicos que podem ser utilizados por todos. TGVs e novos aeroportos são, no actual e futuro cenário demográfico do país, luxos que irão beneficiar só uma parte da população, e logo a de maiores rendimentos. A extensão das redes de metropolitano e eléctrico, pelo contrário, irão beneficiar muito mais pessoas, e com uma regularidade quase diária. E logo aquelas com menos rendimentos, o que em si é bem mais meritório.
Também, e este ponto é pouco abordado, uma rede de metro muito mais alargada beneficia as necessidades de transporte dos idosos do futuro em Portugal. Porquê? Porque esses, com as suas reduzidas reformas não vão ter dinheiro para ter automóvel e para andar de avião e de TVG (a partir de Lisboa não vão ao Porto e a Madrid porque não vão ter dinheiro para o transporte e porque não vão ter dinheiro para os hotéis). Precisam acima de tudo de bons transportes públicos para se movimentarem na sua área alargada de residência. Os idosos do futuro, em número muito superior ao de hoje, irão precisar de ir aos médicos sozinhos (o filho/a viverá por certo longe e não haverá dinheiro para pagar um acompanhante), frequentar parques e jardins públicos, visitar museus, etc. A maior parte deles residirá nos grandes centros urbanos, e nada como uma boa rede de metropolitano e de eléctrico para satisfazer as suas necessidades de transporte.
Também uma boa rede de transporte público urbano tem o mérito de aliviar o actual elevado nível de tráfego automóvel. Ou seja, é substituto do actual meio de transporte, pelo que tende a satisfazer todos, independentemente do rendimento. E mais, por reduzir tempos de transporte, por servir mais população, é mais amigo da família, e com isso pode ser facilitador do desejado aumento da taxa de fecundidade.
Existem também outros destinos para investimento público. Eu apostaria em jardins e parques. De preferência os de proximidade, ou seja, suficientemente perto do local onde as pessoas vivem. Não têm que ser parques gigantes. Apostaria mais em muitos e mais pequenos, e já agora com poucas elevações pois parece que isto da idade tem que se lhe diga. É que os idosos precisam de passear e um jardim ou parque na proximidade pode vir a calhar.
Pensemos que este grupo etário (mais de 65 anos), grupo um pouco mal amado cá no burgo, vai corresponder a cerca de 2,7 milhões da nossa população em 2050 (cerca 36% da população para o cenário mais pessimista, ou seja, para uma taxa de fecundidade igual a 1,3 e que mais não é do que a taxa actual; em 2008 a população com idade superior a 65 anos corresponde a 1,875 milhões). E como as árvores demoram algum tempo a crescer talvez o trabalho devesse ser iniciado agora. Mas isto de falar em parques para os idosos gozarem em 2050 soa a politicamente errado segundo os valores do momento. Mas se este argumento não serve, caramba, diga-se que é ecológico, argumento um pouco “mais a calhar”, mais “moderno” e com aprovação certa do spin doctor de serviço.
Proponho que se reflicta seriamente sobre onde queremos efectuar investimento público. Qualquer que ele seja, ele vai ser custeado pelas gerações futuras pois ter-se-á que recorrer a empréstimos (no pressuposto que eles nos são concedidos). Pelo critério da seriedade talvez seja pertinente identificarmos como vai ser a população portuguesa nos próximos 30 a 50 anos e de quais serão as suas necessidades.
Há muito trabalho de reflexão a fazer.
Vai demorar muito e um bem haja às autoridades
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
A saída da actual crise vai demorar muito, muito tempo. Esta é a característica das crises financeiras com origem em alavancagens financeiras (recurso a forte endividamento). O ajustamento é muito demorado pelo que o consumo fica muito reprimido por um periodo de tempo anormalmente longo.Demos graças às autoridades que andam a actuar muito bem, baixando os juros, aumentando a despesa pública e não se escusando a injectar liquidez à economia. Após o colapso bolsista de 1929, quando existia um elevado nível de alavancagem na economia, as autoridades aumentaram os juros, contiveram a despesa pública e deixaram os bancos ir à falência ao retirar liquidez no sistema bancário. O resultado é conhecido: Uma Grande Depressão.
Individualmente tratemos de cumprir com o nosso ajustamento de modo a acelarar o ajustamento global.
Vai demorar muito, muito tempo
Recuperação do imobiliário nos EUA terá de esperar pelo próximo ano
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Segundo o Jornal de negócios:Recuperação do imobiliário nos EUA terá de esperar pelo próximo ano
A recuperação do mercado imobiliário nos EUA é esperada para o próximo ano, depois de terem sido divulgados dados pouco animadores relativos ao sector. O número de pedidos de empréstimo à habitação caiu e os incumprimentos de crédito desceram atingiram um nível recorde.
“Acho que a crise do imobiliário ainda não terminou”, disse o economista chefe da Moody’s Economy.com, Mark Zandi à Bloomberg. “Creio que ainda vamos ver mais uma queda no mercado”, acrescentou.
As vendas de novas habitações devem recuperar no início da denominada “época de vendas da Primavera”, segundo disse a maior construtora de habitações de luxo, Toll Brothers, segundo a Bloomberg. Já as vendas de habitações existentes podem demorar mais algum tempo, avança a agência noticiosa.
Os pedidos de financiamento para compra de casa desceram para mínimos de 12 anos, na semana passada, com os níveis de incumprimento de crédito à habitação a subirem para máximos recorde, no terceiro trimestre, segundo a Bloomberg que cita dados da Associação de Banqueiros para o crédito à Habitação.
Um índice de confiança dos construtores de habitações, em Novembro, ficou abaixo das estimativas dos economistas consultados pela Bloomberg. O indicados de confiança dos construtores do Departamento do Comércio caiu 11% em Outubro, o valor mais baixo desde Abril, quando se registou o valor mais baixo do índice, de sempre.