quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Portugal, fotografia (8)

SÁBADO, 2 DE JANEIRO DE 2010

Portugal, no teu rectângulo é o diabo cobrar dívidas e assumir responsabilidades. Portugal tens uma percentagem demasiado elevada de devedores desavergonhados que não têm um mínimo de pudor em não pagar o que devem. Há uns anos ia-me questionando sobre os motivos pelos quais os bancos queriam sempre segurar-se por todos os meios quando concediam empréstimos. Entendia ser um exagero toda a panóplia de meios de que os bancos se socorriam para se salvaguardar, facto que originava sempre inúmeras experiências e consequentes histórias. E, claro, nessas histórias os maus eram sempre os bancos. Agora, já mais vivido, e com melhor conhecimento da massa de que se fazem alguns lusitanos, dou muito desconto à atitude dos bancos.

Não é fácil compreender este fenómeno. Ele não se verifica necessariamente onde existam pessoas com poucos rendimentos. Claro que quem não tem não pode pagar. No entanto, este argumento tem, muitas vezes, costas largas. Mas quem pode e se recusa a pagar dívidas já talvez pertença ao clube dos doentes (conclusão com base empírica, obviamente). Entre um extremo e outro, caiem talvez a maioria das pessoas. E diria que aqui temos os casos mais graves pois evidenciam defeitos nada abonatórios para quem não cumpre e que talvez caracterizem outros segmentos da população. São eles o desleixo nas contas e respectiva incapacidade de viver dentro de orçamentos, e o viver constantemente acima das possibilidades.

Estes dois defeitos combinados são nefastos ao pagamento de dívidas. Por serem talvez congénitos, por darem boa assistência a quem quer fugir da realidade, por ligarem bem com o sol e o clima temperado, muitos Portugueses de bom coração viverão até em conflito pelo facto de não saberem como lidar com a situação de querer cumprir e não o conseguir por inépcia. E, cereja em cima do bolo, quando a coisa atinge o insuportável sacam de outro conceito da cartola que não vem nada dar boa assistência. Chama-se orgulho, que não sendo propriamente um defeito, pode-o vir a ser se utilizado inoportunamente. E é-o amiúde, pois recusando-se o devedor a ver as causas da situação a que chegou, torna a sua situação insolúvel pelo orgulho de que se cercou. E assim nasce a irresponsabilidade.

Nas empresas ocorre o mesmo fenómeno. É quase de bom tom pagar fora de horas, como se isso fosse consequência de um sentimento de poder de uma parte relativamente à outra, uma demonstração de força de que muitas vezes os nossos gestores sentem vontade de demonstrar. Pagar a horas é coisa para “bimbos” e para “patós”. Como isto deve ser de difícil compreensão a um saxónico ou a um nórdico.

Sabemos hoje que este fenómeno é funesto para a economia. Perturba a gestão financeira das empresas e desvia o esforço de recursos humanos para assuntos sem nenhum valor acrescentado para a actividade "core". O abalo ao normal funcionamento de algumas tesourarias pode ser mesmo motivo de falência. Todo este odor de desconfiança na atmosfera económica pode, no limite, até desincentivar alguns projectos.

Portugal, seria de supor que o teu Estado, espectador de eleição, e também actor da economia, pelos seus bons exemplos viesse corrigir de alguma forma esta chaga. Só que o teu Estado é um dos maiores desleixados nos pagamentos. Isto é, obviamente, inconcebível, não só pelos transtornos causados às empresas / indivíduos credores, como também pelos sinais que emite para todo o tecido social.

Portugal, este tópico começa-te a prejudicar muito, não só enquanto elemento perturbador da vida económica corrente, mas também como factor que prejudica na captação de investimento estrangeiro de que urgentemente precisas. E o pior Portugal, é que para além de seres um mau intérprete nesta cena, ainda por cima não a contornas adequadamente na via judicial. Consta que executar dívidas judicialmente só lá para as calendas.

Portugal, cuida bem deste assunto, que é bem mais importante do que julgas. Se ainda dúvidas, então a crise financeira que te vai chegar ao longo dos próximos 5 anos vai dizer-te porquê.

O meu desejo para 2010

QUINTA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO DE 2009

Desejo que os Portugueses reflictam sobre Portugal

Desejo que comecem a interiorizar a mudança como sendo o status natural em que vivemos

Desejo que abracem desafios

Desejo o maior sucesso aos empreendedores, nomeadamente aos que abracem actividades exportadoras de bens transacionáveis (sei que parece ridículo, mas é mesmo assim)

Desejo que trabalhem todos os dias um bocadinho melhor

Desejo que não tenham receio de emigrar se isso for aconselhável (inclua-se migração dentro de Portugal)

Desejo que sejam mais humildes sobre o aceitar ou não certos trabalhos (a norma neste mundo é: aceita-se o que há e não o que se quer)

Desejo que leiam muito mais e que aprendam. Há tantos livros bons. Já agora aproveito para sugerir o livro de Medina Carreira – Portugal que futuro. Há quem o categorize de pessimista. Eu acho-o bem realista.

Desejo que ouçam quem sabe, e que tenham a humildade de aceitar a verdade

Desejo que coloquem em causa o porquê de certas agendas (NAL, TGVs, os ditos fracturantes, etc.)

Desejo que conduzam melhor

Desejo que se expressem melhor na nossa língua. Há muitos livros do Eça de Queiroz por aí, é só escolher. A Ilustre Casa de Ramirez tem uma belíssima definição sobre Portugal na última página. Só por isso merece ser lido. O Conde de Abranhos na página 99 e seguintes contém a cena mais hilariante que já li (a do prego do Dr. Pimentel, esse moço estimável que segundo expressão moderna, tinha telha).

Desejo que dêem menos importância ao materialismo

E acima de tudo desejo que procriem bem mais do que do que o fizeram em 2009

E já agora, desejo muito um Benfica Campeão Nacional e vencedor da Liga Europa

Que a nossa banca consiga gerir bem esta situação

QUARTA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2009

Segundo o Jornal de negócios

"Crédito à habitação em Portugal é o mais barato da Europa (Económico) Nas vésperas de terminar o ano de 2009, é chegada a altura de as famílias portuguesas com crédito à habitação pegarem na calculadora. E nem tudo é negativo. Por um lado, as descidas sucessivas da taxa de juro directora do Banco Central Europeu (BCE), tal como a rota descendente das Euribor, permitiram-lhes poupar na prestação da casa. Por outro, a verdade é que os bancos confessam que apertaram os critérios de concessão de empréstimos, aumentando os ‘spreads' e encurtando os prazos dos créditos. No entanto, dados do BCE mostram que os juros cobrados pelas instituições bancárias nacionais nos empréstimos à habitação estão muito abaixo da média da Zona Euro. E ainda mais positivo, para as famílias portuguesas, é o facto de em Outubro - últimos dados disponibilizados pela autoridade monetária - as taxas de juro médias praticadas em Portugal serem mesmo as mais baixas da Zona Euro."

Desejo sinceramente que a nossa banca consiga gerir bem esta situação. Financiar-se agora no estrangeiro a spreads de 1,5% (e não duvido que irá crescer o spread a que os bancos se financiam) e ter contratos com clientes de crédito à habitação para 20 e 30 anos ao preço de 0,5% (spread), significa prejuizo. Como já disse não desejo bancos com prejuizos. A todos os bancos desejo que lhes corram bem as operações em Angola, local onde se internacionalizaram. Que os lucros de lá cubram parte dos prejuizos de cá do segmento do crédito à habitação (cerca de 40% do volume de negócios). Quem tem uma empresa e pede dinheiro à banca, então já sabe, pagará cada vez mais de modo a compensar o prejuizo do crédito à habitação. Como muitas vezes tem sido referenciado, quem produz é penalizado e quem consome é beneficiado.

Quem tem spreads para o crédito à habitação de 0,5% a 1% bem pode dizer que fez o negócio da vida.

Não desistamos nunca de O descobrir

SEXTA-FEIRA, 25 DE DEZEMBRO DE 2009

Creio num só Deus! Eis uma expressão bela, admirável. Mas a bem-aventurança sobre a terra consiste propriamente em reconhecer Deus nas coisas e no modo em que se revela.

O verdadeiro é análogo a Deus: não se apresenta no imediato. Somos obrigados a descobri-lo a partir das suas manifestações.

Goethe em "Máximas e Reflexões"

Curta nota sobre lucros da banca portuguesa

QUINTA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO DE 2009

Até há poucos anos habituámo-nos a conviver com uma banca com grandes lucros. Estes lucros cresceram em paralelo com uma excelente oferta de serviços e produtos bancários a preços muito reduzidos.

A banca portuguesa a partir dos fins da década de 80 modernizou-se. Despediu pessoas com menos formação, contratou pessoas com mais formação, investiu em tecnologia, melhorou processos, implementou sistemas de avaliação de qualidade de serviço, profissionalizou-se, inovou constantemente, dispersou capital em bolsa a todos os que queriam investir (a maioria das vezes em melhores circunstâncias para as pessoas de menores rendimentos, de modo a viabilizar elevada dispersão), e repercutiu sempre no preço os ganhos de eficiência que ia conquistando. Fez tudo o que teria sido óptimo que muitos outros sectores tivessem feito.

No geral não há percepção do baixo preço dos serviços bancários. Há pouco, um amigo bancário dizia-me, já um pouco desesperado por não saber como veicular que as margens são reduzidas, nulas, ou mesmo negativas. Dizia-me ele que a Coca-Cola, empresa de muito baixo risco, se financiava à taxa Euribor + 4%, quando muitas pessoas têm para o empréstimo à habitação um preço de Euribor + entre 0,5% até 2%. Ora, quantos de nós não acha spreads de 1,5% ou 3% uma heresia? Em rigor, não é. O nosso problema é que habituámo-nos muito mal a bons serviços a baixos preços. Os nossos ímpetos consumistas nesta incontinência geral gastadora cegaram-nos.

Muito se criticaram os bancos pelos enormes lucros que iam obtendo. Pessoalmente, prefiro bancos com bons lucros do que com prejuízos. Bancos com problemas são minas na sociedade, como aliás a recente experiência internacional agora demonstrou e já o tinha demonstrado em 1929.

Os bancos Portugueses estiveram, no geral, muito bem nesta crise. Demonstraram não estar tão alavancados (pouco capitalizados) e não estar expostos a activos tóxicos (demonstraram uma boa medida de conservadorismo, essencial na banca). Os casos BPP (embriaguez especulativa), BPN (caso de polícia) e BCP (egocentrismo e aldrabice de uma elite) são pontuais e não decorrem tanto da crise internacional (exceptue-se um pouco o BPP).

Fico feliz quando noticiam que os bancos portugueses têm lucros. Ainda os têm, menores, mas temo por 2012 e 2013.

A nossa crise bancária vem aí

TERÇA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO DE 2009

Segundo Nuno Amado, presidente do Santander Portugal

"No que toca ao futuro próximo da banca, Nuno Amado explicou que a questão da subida dos 'spreads' prende-se com três efeitos: maior custo de capital, maior custo de liquidez e maior nível de incumprimento.

"Nós crescemos, em média, moderadamente os 'spreads' nas operações novas ou nas renovações de operações. É óbvio que as margens vão ter que aumentar. Porquê? Porque vai haver mais capital necessário para a mesma actividade. Há um custo de capital que temos que repercutir nos 'spreads'. Há um custo de liquidez. Nós antes financiávamo-nos nos mercados internacionais quase a Euribor, mais muito pouco, e agora, em termos equivalentes, a Euribor mais um por cento, 1,2 por cento, na 'senior debt', sem garantias", sublinhou.

"Se as empresas e os particulares aumentam o incumprimento, há uma base de custo de crédito que tem que ser repercutida nos 'spreads'", acrescentou, dizendo que "vai ser um processo normal e gradual", mas que é inevitável que as margens subam para cima "do que estavam há dois anos".

Ainda assim, Nuno Amado antecipou que "o grande problema no futuro não vai ser o crescimento dos 'spreads', vai ser também o crescimento da Euribor", sublinhando que se Portugal não estiver ainda num ciclo de crescimento económico com alguma força, vai ser complicado compaginar a situação económica frágil com essa subida das taxas de juro que o BCE exigirá."

Há um tema que tem que se começar a colocar sobre a mesa. A crise que a nossa banca pode viver daqui a 4/5 anos, e cujos sinais vamos começar a receber em 2010 e 2011. O preço a que nos financiamos externamente (cerca de 80% de todas as necessidades de financiamento) vai ser cada vez maior, não só porque as taxas Euribor vão naturalmente subir, mas também porque o nosso rating vai descer. Isso faz subir o preço do dinheiro, nomeadamente quando pedimos emprestado no exterior. Este fenómeno advém muito menos da crise internacional e muito mais do nosso marasmo económico.

Em paralelo, e ainda na óptica da banca, os contratos de crédito à habitação até há 2 anos, com spreads mínimos, demonstraram ser ruinosos, e em muito afectaram os balanços dos bancos. E se incluirmos o crescimento dos incuprimentos dos clientes face às responsabilidades, se incluiromos a contínua descida dos valores do imobiliário (embora seja uma descida suave, embora contínua), então teremos a nossa, a muito nossa crise bancária. Restará aos bancos compensar estas perdas no crédito concedido ao sector produtivo e nas comissões bancárias e com isso penalizar as nossas já débeis empresas. Fará tudo parte do pacote agoniante que vai bater à porta de Portugal. Previa-se esta crise mais tarde, mas simplesmente a crise internacional tratou de precipitar esta situação que já vinha a caminho. Este assunto é muito delicado.

Pensar-se sobre este assunto da banca, pensar-se que muito provavelmente perderemos 3.000.000 de habitantes de população residente até 2050, pensar-se que poderá ser benéfico um novo surto emigratório, pensar-se que as reformas daqui a 20 ou 30 anos poderão ser 40 a 50% inferiores ao que são hoje em dia, e perder tempo a discutir a questão dos homossexuais!!!, é querer desviar atenções do essencial.

Valerá a pena reter estas duas máximas de Goethe:

"Os homens que não atingem o necessário, preocupam-se com o desnecessário"

"A coisa mais terrível que nos pode ser dado ver é uma actividade imparável desprovida de fundamento"

Portugueses, temos que actuar.

Quem não sentiu a crise que se prepare agora

SEGUNDA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2009

Esta crise, ímpar, ainda não chegou a todos os Portugueses. A maioria, aqueles que não perderam trabalho, foram até brindados pelas circunstâncias. De entre outras coisas, viram os preços da gasolina / gasóleo cair, e viram o preço da prestação da casa descer bastante devido à baixa das taxas de juro. E ainda por cima viram a inflação descer abaixo de zero. Cumulativamente, e porque a procura total se reduziu, têm vindo a beneficiar de enormes descontos, desde grandes descontos nas grandes superfícies até a ofertas fantásticas de pacotes de férias e fim de semana. Tudo isto tem sido um autêntico brinde para quem trabalha.

As estatísticas vêm confirmando que a taxa de poupança tem subido bastante. Isto sugere que as pessoas que não perderam o seu trabalho afectam grande parte, ou a totalidade, destes ganhos em produtos de poupança. Decisão genericamente, e a meu ver, correcta. E até macroeconomicamente saudável porque não pressiona as nossas necessidades bancárias de financiamento externas.

No entanto, e a prazo, os juros irão subir. Também irá subir o preço dos combustíveis (este mais cedo). A inflação irá ser positiva e os salários irão manter o nível actual. Ou seja, os orçamentos familiares serão de novo mais reduzidos para quem tem trabalho.

Quem não sentiu a crise irá senti-la agora. Não tanto quanto os que a vão sentido agora, os que desafortunadamente caíram numa situação de desemprego. Sentirão muito menos, mas no entanto são muitos mais. E são estes que comandam o consumo privado interno. Tomara que decidam bem, ou seja, que continuem a poupar tanto quanto possível. Por eles e pela economia.

Gregos e Irlandeses, salvai-nos

SÁBADO, 12 DE DEZEMBRO DE 2009

Ó gregos, salvem-nos. Vós que há milhares de anos nos destes luzes estais em condições de novo de nos alumiar. O motivo agora não é, certamente, recomendável. Fala-se da vossa bancarrota. Sim, de incumprirem com os pagamentos decorrentes da dívida e dos juros da vossa pujante dívida externa, 110% do PIB. E os expressivos 13% de défice terão um belo efeito no incremento nesses 110%. Junte-se-lhe cerca de 18% de desempregados e temos festa na rua garantida.

Incumprir com pagamentos por se fechar a torneira de novos empréstimos que renovem os existentes é coisa que não quero nem pensar no que seja. Mas não andamos muito longe disso.

Portugueses, já que andamos com uma tremenda dificuldade em nos vermos ao espelho, tenhamos pelo menos a sapiência de observar clinicamente o que se passa por terras aristotélicas. E se no decorrer desse exercício clínico nos questionarmos “quem sou eu, que faço aqui?” já sabemos, deveremos estar em pleno esforço de captação e interiorização do que vai ser o nosso futuro daqui a 3 ou 4 anos. É hediondo? Sim, é, mas pelo menos não nos podemos esquivar dizendo que não sabiamos, que isso dos avisos que nos iam fazendo eram tretas, que é coisa para os outros, etc.

Assim, sobreavisados por quem entende estes fenómenos financeiros, que até são muito mais simples do que se imagina, e com a realidade futura a ocorrer visivelmente a uns milhares de quilómetros de distância, temos tudo para mudar de rumo e evitar o desastre. Sim, é duro mudar de direcção, principalmente quando se anda a gastar mais 10% do que se tem e não se dá por isso. Mas a vida é de quem de si toma conta, por isso toca a mexer e a mudar.

Entretanto, e alguns milhares de quilómetros mais a norte, num local bem verdinho e cheio de irlandeses, gente teoricamente mais avisada, mais humilde, e que sabe que tem que contar consigo para resolver os seus problemas, há uma coisa bem interessante em movimento: descida de 10% dos vencimentos dos funcionários públicos.

Pois é, estes sinais incómodos ditados pela força da realidade vêm de muitos quadrantes. Temos a atitude grega e irlandesa para escolher. Está nas nossas mãos.

Leia-se isto muitas vezes

Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Jornal Público de hoje

FMI exige medidas drásticas para evitar dívida pública de 100 por cento do PIB

03.12.2009 - 07h19

Por Sérgio Aníbal

Enric Vives-Rubio (arquivo)

Apenas esperar pela retoma da economia mundial não chega. Ou o Governo reduz a massa salarial da função pública, a despesa com transferências sociais e os benefícios fiscais, aumentando os impostos, ou Portugal chega a 2013 ainda com um défice público situado entre cinco e seis por cento e uma dívida pública próxima de 100 por cento do PIB, defendeu ontem o Fundo Monetário Internacional na análise anual que faz à economia portuguesa.

No relatório ontem publicado, as recomendações feitas às autoridades nacionais fazem lembrar as regras draconianas que foram impostas no início dos anos 80, quando Portugal atravessava uma crise profunda na sua balança de pagamentos.

Como pano de fundo, o FMI começa por traçar um cenário desolador para a economia portuguesa durante os próximos anos. Apesar de dizer que a resposta do Governo à crise "foi rápida e apoiou a economia", o Fundo assinala que "o crescimento potencial da economia, que já era baixo, sairá, como acontece noutros países, ainda mais prejudicado", o que resultará na continuação durante os próximo anos de um "crescimento abaixo da média da zona euro e elevados níveis de desemprego". A taxa de crescimento prevista para 2010 é de cerca de 0,5 por cento, com o "cenário a não ser mais brilhante no longo prazo".

Com a economia quase parada, as projecções para o orçamento ficam ainda mais negras. Depois de um défice de oito por cento este ano, o FMI aposta que, sem novas medidas por parte do Governo, o défice subirá mais em 2010 e não descerá de um valor "entre cinco e seis por cento até 2013, com a dívida pública a aproximar-se de 100 por cento do PIB". Para evitar este cenário, que colocaria Portugal perante "diferenciais de taxas de juro mais altos e problemas de financimento", a entidade com sede em Washington diz que o Governo tem de tomar medidas, logo a partir do próximo ano.

Todo o reportório de medidas de contenção orçamental e reformas estruturais habituais no FMI é recuperado. O Estado tem de "reduzir a despesa corrente primária, especialmente a massa salarial da função pública e as transferências sociais". O Fundo diz mesmo que a actualização salarial da função pública para o próximo ano "vai ser particularmente importante para a credibilidade e para a ajuda à consolidação orçamental".

Para além disso, do lado da receita, é recomendado que "se alargue a base fiscal, reduzindo os benefícios concedidos e simplificando a sua gestão". Para resolver o problema orçamental e colocar o défice abaixo de três por cento até 2013, apenas estas medidas podem não chegar, pelo que o FMI diz, em linha com recentes afirmações do governador do Banco de Portugal, que "aumentar a taxa de IVA, embora geralmente indesejável, deve ser uma opção se as outras medidas não resolverem o problema".

Para estimular o crescimento da economia, o Fundo diz que, no curto prazo, se deve continuar a apostar na simplificação administrativa, implementar o novo código laboral, reaxaminar os benefícios do subsídio de desemprego e reconsiderar os aumentos do salário mínimo planeados".

Portugal, fotografia (7)

Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Portugal, estás a ter muitos membros desempregados. E lamento dizer-te, mas desta vez é à séria, ou seja, já há mesmo pessoas que querem trabalhar e que não encontram trabalho. Isto antes era a excepção, e o desemprego que havia coincidia mais em número com a soma daquelas pessoas com pouca vontade de trabalhar ou com pouca vontade de aceitar os trabalhos disponíveis e de que não gostavam.

Portugal, mas o problema grande virá a seguir. Virá quando não conseguires criar postos de trabalho, coisa onde até foste bom de 1998 a 2008. Só que agora esta crise financeira vai evidenciando o teu problema de empregos. E vai evidenciá-lo ainda mais. Vai evidenciar à exaustão que não vais conseguir competir em salários baixos com chineses e indianos (há mais países e outros se juntaram). Pergunto-te: o que vais fazer com as pessoas sem qualificação, pessoas essas que não já não conseguem competir onde antes ainda iam competindo? Já informaste essas pessoas do facto? Achas que essas pessoas estão preparadas para baixarem ainda mais o seu já baixíssimo nível de vida? Achas que é gente para voltar ao campo? Sim, olha que já ouvi uns zuns-zuns que isso já está a acontecer, embora ainda em reduzidíssimo grau. Portugal, se a taxa de desemprego chegar aos 15% ou 18% e por lá ficar prepara-te para dares uma saída a essas pessoas. Falo-te de saídas à séria e não à socialista, ou seja, despejando dinheiro em cima do problema e empregá-los no sector público. Espero que saibas que isso já não é mais possível.
Portugal, e todos aqueles trabalhadores com elevada formação que produzes para o desemprego? Bom, esses vão-se indo embora porque a globalização lhes dá saídas e é generosa quando comparada com os teus padrões. E se calhar até é bom que assim seja porque tens gente bem formada a fazer boa propaganda do País, a enviar remessas que desesperadamente precisas, e a impedir maiores subidas da taxa de desemprego. E se as coisas por cá melhorarem até é gente que voltará, tal a sua génese de pular de um lugar para o outro. E aos que cá ficarem, já sabem, 700 euros de início a recibo verde e a trabalhar 12 horas por dia.

Portugal, e todas aquelas pessoas semi-qualificadas, nomeadamente as com mais apetência para trabalhar nos serviços, o que fazer com elas? Bom, aqui é mais fácil e até já descobriste. Sim, chama-se Turismo. Mas só porque o descobriste não julgues que isso é suficiente. Há muito trabalho a fazer. E não sendo especialista na matéria até te digo que a primeira coisa a ensinar é que servir os outros não implica ser-se inferior e consequentemente ter que se estabelecer uma relação de servilismo do prestador de serviço para o servido. Isso é uma mentalidade feudal e semi-rural que te está ainda no sangue e que ainda apoquenta muitos dos teus membros. Essa mentalidade é absurda e tem que ser enterrada de vez. Servir os outros implica antes um misto de profissionalismo e simpatia. Nunca te esqueças disto.

Portugal, alguém escreveu em 1991: “A tarefa política primordial de cada nação será o controlo das forças centrífugas da economia global que dilaceram os laços que ligam os cidadãos, conferindo cada vez mais riqueza aos mais qualificados e perspicazes, entregando os menos qualificados a níveis de vida cada vez mais baixos. À medida que as fronteiras se tornam cada vez mais irrelevantes em termos económicos, os cidadãos em melhor posição para poderem prosperar no mercado mundial são tentados a escapar aos laços de fidelidade à nação, desvinculando-se, assim, dos seus companheiros menos favorecidos”

Portugal, apreende bem esse escrito e trata de arranjar uma solução rápida para os não qualificados. Terá que ser uma solução insólita na justa medida, aliás, da situação dessas pessoas (estarem no século XXI na Europa e não terem valor acrescentado em qualquer dos países Europeus). Uma dica insólita: acorda com Angola o envio de 500.000 portugueses para lá trabalharem. O nível dos teus trabalhadores não qualificados ainda chega para a grande massa dos Angolanos. Eles precisam de gente com formação acima da que a grande maioria da sua população tem. A língua e as afinidades existentes até facilitam. Mais, convida os Angolanos a pensarem que Angola não é só Luanda, e que esta cidade não pode albergar uma população prevista de 45 milhões de pessoas em 2050 para toda a Angola (actualmente são 18 milhões). Obrigatoriamente têm que existir mais centros urbanos. Portugal, e de caminho, junto a todos estes não qualificados, manda também uns professores pois aqui há cada vez menos alunos. Paralelamente acorda também com os Moçambicanos qualquer coisa (vão passar de 22 milhões agora para 39 milhões em 2050).

Portugal, isto é insólito, não é? É, mas prepara-te, porque todas as tuas soluções futuras o serão.

Incongruências

Diz Paulo Mendes Pinto no jornal Público sobre o resultado do referendo na Suiça sobre os minaretes

"Como podemos olhar para a Democracia quando a vemos ser usada pela extrema-direita como forma de a subverter? Sim, esta proibição, que corta direitos fundamentais de cidadania, foi aprovada democraticamente! E o Governo apela através da imagem para o exterior..."

Sem querer entrar por este assunto, sobre o qual não tenho opinião formada, quero só lembrar como as retóricas mudam ao vento dos interesses próprios. Se no pequeno texto acima substituissemos "extrema-direita" por "extrema-esquerda", se substituíssemos "esta proibição" por "o aborto", o que diria a esquerda sobre um texto deste tipo assinado por um defensor da Vida? A berraria seria certamente grande.

Note-se o seguinte, a esquerda acha que pode agir e falar com total impunidade, que pode submeter-se a todo o tipo de incongruências ao não cuidar minimamente sobre a forma como se exterioriza, o que aliás mais não é do que o sintoma da arrogância e da crença de que os fins justificam os meios. Sobra a questão: o que leva a que haja este embevecimento por parte dos meios de comunicação e de muita opinião pública.

Nota: não pressuponho que todas as pessoas de esquerda são favoráveis à interrupção voluntária da gravidez e dos minaretes e todas as pessoas de direita são o seu contrário. Tão pouco acredito muito na dicotomia esquerda/direita.

Portugal, fotografia (6)

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Portugal, uma característica que ganhaste (ou talvez acentuaste) é que os teus membros têm uma tremenda dificuldade em olhar para ti sem ser pelo prisma do seu interesse pessoal ou corporações onde se inserem, ou seja, perderam em altruísmo patriótico o que ganharam em egoísmo pessoal e corporativo. Não que esta mudança te seja exclusiva. Parece que este fenómeno bate à porta por onde o consumismo tem mais sucesso.
Portugal, de uma forma mais geral, os teus membros, à semelhança da maioria dos membros de todos os países capitalistas, andam furiosamente atrás do ter e esqueceram-se quase todos do ser. Não pretendendo efectuar juízos de valor, digo-te somente que este status nunca dá a melhor assistência a quem precisa de mudar radicalmente de perspectivas e de vida. Quando fores convidado, perdão, obrigado, a ganhar menos ordenados / salários, a consumir menos, a poupar mais, a pagar mais impostos (não tenhas a mínima dúvida que vão subir, e bem, nos próximos 4 anos), a endividares-te menos, a descontares mais ou o mesmo para a reforma que vai ser mais pequena, a pagares de novo mais pela prestação da casa (ou ainda acreditas que os juros ficam sempre assim?), a veres-te realmente aflito para arranjares trabalho, etc, precisas do ser e não do ter para engolir toda essa avalanche adversa.

Portugal, é a tua crise específica que vais ter que resolver e não tanto aquela que anda e vai andar por aí durante mais uns anos. E é para essa que vais ter que passar do status mental ter para o ser. É assim porque o buraco onde te estás a meter (e que te já descrevi nas anteriores “fotografias” e “acordas”) te vai denunciar abertamente todas as tuas insuficiências estruturais que te impossibilitam de estar no comboio onde queres andar. Nesse momento terás uma crise existencial. Desabafarás, farás até alguns tumultos por aí, embora não muito grandes. Nessa altura, a sociedade, muito quebrada, diferenciada nos seus estilos, descrente de soluções baseadas em engenharias sociais e colectivistas, e surpreendentemente mais aberta a soluções com base em responsabilidade individual, tratará de descobrir e viabilizar saídas. Sempre existiram, e existirão, Portugueses de bem dispostos a te servir. Não duvido que darás então a mão a quem te ama e te quer servir.

Portugal, prepara-te para esses Portugueses. Vão ser diferentes daqueles a que te acostumaste (não poderá ser de outra maneira). Quando chegar o momento não seguirás o eloquente de conversa fácil e com solução cor-de-rosa. Irás seguir quem falar de ti, quem identificar o que tu és, quem queira genuinamente pensar sobre ti, quem perceba o que o mundo é, e quem souber e te disser o que tens que descobrir em ti para nele venceres. O resto é trabalho para todos os teus membros.

Portugal, a vida é assim. Tal e qual um rio, que dependendo daquilo que o envolve, corre umas vezes com suavidade e outras vezes com turbulência. Para nele bem navegares tens somente que estar preparado para as disposições que ele te impuser. Depois precisas só de te lembrar que ninguém navega por ti e de escolher bons comandantes. Boa sorte Portugal.

Descubramos a nossa Alma e sejamos felizes

In "Tratado da Política" de Aristóteles

“Ninguém contestará a divisão habitualmente feita pelos filósofos dos bens em três classes: os da alma, os do corpo e os exteriores. Todos esses bens devem encontrar-se nas pessoas felizes.

Nunca se contará entre as pessoas felizes um homem que não tem nem coragem, nem temperança, nem justiça, nem prudência; receia até o voo das moscas; que se entrega a todos os excessos no comer e no beber; que, pelo mais vil interesse, mataria os seus melhores amigos; que se mostra tão provido de razões como as crianças e os furiosos.

Mas, embora se esteja de acordo nestes princípios, há sempre opiniões divergentes em maior ou menor número de pontos. A maioria, pensando que lhes basta ter um pouco de virtude, desejam imenso ultrapassar os outros em riqueza, em poder, em glória e noutras vantagens semelhantes. A esse respeito é fácil saber em que ponto se deve ficar; basta para isso consultar a experiência. Todos vemos que não é pelos bem exteriores que se adquirem e conservam as virtudes, mas que é, antes, pelos talentos e pelas virtudes que se adquirem e conservam os bens exteriores; e que, quer se faça consistir a felicidade no prazer ou na virtude, ou em ambas as coisas, os que têm melhor inteligência e melhores costumes atingem-na mais cedo com uma fortuna medíocre do que aqueles que têm mais do que o necessário e que não possuem outros bens.

Por pouco que queiramos dar atenção a isto, a razão é suficiente para nos convencer. Os bens exteriores não são mais do que úteis instrumentos, se são proporcionados ao seu fim, mas semelhantes a qualquer outro instrumento cujo excesso prejudica necessariamente ou é, pelo menos, inútil àquele que o emprega. Pelo contrário, os bens da alma, não são somente honestos, são também úteis, e quanto mais ultrapassam a medida comum mais utilidade têm.

… a alma, pela sua natureza e relativamente a nós, é dum valor muito diferente do do corpo e do dos bens, os seus bom hábitos ultrapassarão os das outras substâncias. Tais bens só são desejáveis para ela e todos os homens os desejam para a alma e não a alma para eles. Tenhamos, pois, como pacífico que não há felicidade para qualquer senão na medida em que tem virtude e prudência e em que age em conformidade com elas. Temos disto o exemplo e a prova em Deus, que é feliz, não por qualquer bem exterior, mas por si próprio e pelos seus atributos essenciais. A felicidade é muito diferente da fortuna. É da fortuna que nos vêm os bens exteriores; mas ninguém é justo ou prudente em razão da fortuna nem por seu intermédio.

Dos mesmos princípios depende a felicidade do Estado. É impossível que um Estado seja feliz se dele for banida a honestidade. Sem a virtude e sem a prudência nada de bom se pode esperar dele…”

Portugal, fotografia (5)

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Portugal, impuseste-te a ti próprio um paternalismo infantil. Quando fizeste a tua revolução, viste, e bem, que os teus membros, os Portugueses, tinham um défice de direitos face aos deveres impostos. Não contente com o facto resolveste tratar do assunto. Só que te faltou o sentido das proporções, e assim, algo inebriado pelas circunstâncias e muito influenciado por muita conversa fácil inverteste completamente a distribuição dos pesos na balança. Onde antes fabricavas Portugueses modestos, comedidos, trabalhadores, com fibra, desafiantes, e apreciadores de relações suaves e duradouras; agora fabricas Portugueses arrogantes, impertinentes, ociosos, moles, corporativos, e apreciadores de relações fortes e efémeras

Assim, transformaste completamente os teus membros. E modificaste-os castrando-os naquilo que é natural em qualquer animal: o crescimento. Com a tua nova fórmula os Portugueses de idade adulta são nos dias de hoje ainda crianças. E como qualquer criança desproporcionalmente apaparicada vamos encontrando nos dias de hoje muita tendência para o queixume e para a impertinência. Os Portugueses agora estão sempre à espera de receber e nunca de dar, estão com pouca apetência para tomar o seu destino nas próprias mãos, perfeitamente avessos ao “no pain, no gain”. Nesta nova condição, e pela natureza das coisas, passam a ser constantemente ultrapassados pelos acontecimentos. Por estes estarem sempre em constante mutação, tal a velocidade da mudança actualmente, os Portugueses sentem-se hoje atordoados e perdidos, atulhados de dúvidas sobre o que fazer, sem tino e paralisados. Estão literalmente órfãos dos acontecimentos.

Aos Portugueses tudo agora lhes faz confusão, tudo os apoquenta, tudo o que surge é visto como um potencial perigo. Na ânsia de se protegerem até do voo de uma mosca tratam agora de legislar sobre tudo e sobre nada, tomando sempre o acessório como essencial e o essencial como o acessório. Vão multiplicando a existência de direitos ao mesmo tempo que vão subtraindo a prática de deveres. Tendencialmente vão medindo muito deficientemente as consequências dos seus actos tal a impreparação que os caracteriza. Procuram sempre ocultar os seus resultados se estes forem fracos, e mantêm a esperança na sua socialização se estes forem negativos. Tudo sintomas típicos das crianças e de espíritos mais débeis.

Os Portugueses adultos, digamos os que vão dos 30 aos 65 anos, com muita moleza da vida fácil que julgavam ser possível existir andam agora muito incomodados com a realidade. Ela é mais dura do que se pensava e há poucas almas com maturidade e fibra para tratar de tanto espírito que pouco amadureceu. Isso cria um sentimento de insegurança muito grande, o que misturado com a abundância de perfis pouco recomendáveis de muitas pessoas em lugares de destaque gera algum desnorte. Na política e no sector público faltam agora homens fortes de espírito em lugares de responsabilidade. Isso faz-nos fracos. Se à fraqueza de espírito adicionarmos a falta de integridade isso faz-nos desesperar.

A geração de Abril inicia agora uma suave e doce reforma. Partem para essa nova fase com um claro sentimento de que “safaram-se” e de que deixaram uma herança que não desejariam ter herdado. Aos poucos os seus filhos vão reparando que a fórmula dos seus progenitores já não é exequível, tão pouco recomendável. Mas foram ainda formatados nesse modelo, pelo que, ao viverem já com o triplo das dificuldades previstas mas ainda agarrados a uma esperança que não se vai realizar, talvez tenhamos os ingredientes para um tumulto inter-geracional no futuro próximo (talvez daqui a 5/7 anos). A crise internacional actual poderá precipitar esse conflito.

Portugal, tens que proceder a novas avaliações sobre direitos e deveres. Tens que compreender que não é viável construíres uma sociedade sem uma equilibrada proporção entre estes dois elementos. Tens que compreender que a posse de um é o resultado da prática do outro. Uma vida sã e justa em sociedade é regida por princípios básicos que o homem sapiente tratará de respeitar e praticar. A proporção entre direitos e deveres é um deles. Respeita este princípio e sentirás a harmonia. Viola-o e sentirás a turbulência.

Tudo indica que não vai haver dinheiro para andar de TGV

Vem hoje a público um estudo que diz o seguinte

"A diminuição do valor da reforma pago pelo Estado resulta da introdução, na legislatura passada, do chamado 'factor de sustentabilidade das pensões', que procura garantir a solidez financeira da Segurança Social, confrontada com o aumento da esperança média de vida e com o abrandamento do crescimento da taxa de natalidade."

"Segundo as contas da Optimize, um indivíduo actualmente com 30 anos e a auferir um salário ilíquido de 2.000, após 40 anos de contribuições e quando se reformar aos 65 anos, receberá apenas 41,2 por cento do último salário se tiver um aumento salarial anual 3 por cento acima da inflação."

"De acordo com o estudo realizado, os portugueses vão perder entre 25 e 50% do seu salário com a passagem à reforma. "O valor médio das pensões de reforma pago pela Segurança Social vai continuar a descer durante as próximas décadas, passando de perto de 75 por cento do valor do último salário ilíquido, em média, para apenas cerca de 53 por cento", conclui o estudo."

2009/11/25 - 11:39

Fonte: Jornal de Negócios

Relembro que os reformados a partir de 2030 não vão ter dinheiro para andar de TGV. Por também não terem nessa altura dinheiro para ter automóvel esses reformados irão precisar de transportes públicos em condições.

Invocar necessidade de TGV em Portugal começa a ser demasiado absurdo para ser verdade.

A má supervisão sai caríssima

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
"Desvio no BPN elevou-se a dez vezes o custo da Ponte Vasco da Gama

(25-11-2009 9:39:00)

Oliveira e Costa e os ex-administradores do BPN Luís Caprichoso e Francisco Sanches são acusados pelo Ministério Público de terem criado um buraco de 9,7 mil milhões de euros em operações fora da contabilidade do Banco Insular (BI).

O valor, que representa quase dez vezes o custo inicial da Ponte Vasco da Gama, é avançado pelo “Correio da Manhã” com base no despacho de acusação divulgado entregue ao antigo presidente do BPN, Oliveira e Costa, que está agora em prisão domiciliária.

O Ministério Público abriu, pelo menos, quatro novos inquéritos relacionados com as irregularidades cometidas no Banco Português de Negócios."

Fonte: Bigonline

Num país com 10,6 milhões de pessoas e com meia dúzia de bancos tem que ser fácil detectar fraudes desta dimensão. Mais difícil será em países com muitos mais bancos e com 300 milhões (EUA) ou 1.300 milhões (China e Índia). Aí pode-se afigurar mais difícil supervisionar. Agora nesta “quintarola” onde todos se conhecem, onde tudo está à mão, onde se alguém espirra todos o sabem, é difícil de aceitar que não era possível detectar uma fraude desta dimensão, ou que era difícil, ou que o esquema estava muito bem feitinho, etc.

A supervisão financeira pela sua natureza não se deve regular por critérios de amizade e convivência agradável entre supervisor e supervisado. O custo de uma falha pode ser de tal forma grande que mais vale pecar na supervisão por excesso de zelo e desconfiança do que o seu contrário. Mas como somos um país de “gaijos” porreiros onde ninguém é responsabilizado por nada...

No entretanto aconselha-se a que o supervisor vá tomando mais cuidado com o que diz publicamente sobre impostos. O que se passou nos últimos dias só reforça a sua debilidade.

Uma atenção quando se reduz o nível de consumo privado

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
In “Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens” de Jean-Jacques Rousseau

“Neste novo estado, com uma vida simples e solitária, necessidades muito limitadas e com instrumentos já inventados para prover a essas necessidades, os homens, gozando de muito tempo livre, empregaram-no a descobrir diversas comodidades desconhecidas pelos seus pais; e foi desse modo que, sem o pensarem, se impuseram o primeiro jugo e prepararam a primeira fonte de males para os seus descendentes; porque para além do facto de continuarem assim a amolecer o corpo e o espírito, essas comodidades foram com o hábito, perdendo todo o seu atractivo e ao mesmo tempo foram-se transformando em verdadeiras necessidades, cuja privação se tornou muito mais cruel do que doce tinha sido a sua posse, e ficava-se infeliz por as perder, sem se ter sido feliz por as possuir.”

Nota ao artigo anterior

Domingo, 22 de Novembro de 2009
A aposta em transportes públicos em Lisboa e Porto em muito pode beneficiar o turismo nestas duas cidades pelo facto de retirar a afluência de automóveis. Cidades com menos automóveis são muito mais aprazíveis. E Porto e Lisboa podem ganhar muitos mais turistas se tiverem muito menos automóveis. E tendencialmente turismo fora dos meses de Junho, Julho e Agosto, o que será bastante benéfico pois aumenta a capacidade dos respectivos aeroportos nas alturas de menor movimento, não colocando assim em risco a sua saturação, rentabilizando antes a capacidade já instalada.

Reflexão sobre onde fazer investimento público

Domingo, 22 de Novembro de 2009
É no meio de uma ressaca de uma crise financeira que o investimento público é mais necessário. A redução do consumo privado pelas famílias / indivíduos deverá ser compensada pelo aumento do investimento público. O objectivo é evitar um decréscimo elevado do nível de actividade económica e com isso gerar-se um mecanismo de bola de neve que leve a uma Depressão. Enquanto as famílias / indivíduos procedem ao ajustamento do seu consumo face à nova realidade o investimento público trata de compensar essa redução. Posteriormente, e após efectuado esse ajustamento, há que reduzir o investimento público de modo a evitar uma crise orçamental.

A questão que se levanta é sobre para onde direccionar o investimento público. Em Portugal fala-se no TGV e num novo aeroporto para Lisboa. Já neste espaço referi que estas opções são absurdas pelo facto de não existir nas décadas que se seguem população suficiente que sustente a exploração corrente e o pagamento do investimento para essas actividades. Com a agravante de que as estruturas agora existentes já responderem satisfatoriamente às necessidades presentes e futuras, pelo que novas estruturas significam luxos. Este é o absurdo político de momento com que somos confrontados.

É no entanto óbvio que existem outros investimentos públicos que são necessários e que em muito podem satisfazer a população, nomeadamente aquela franja de menores rendimentos. Penso de imediato em bons transportes públicos urbanos, na expansão da rede de metro e eléctrico em Lisboa e no Porto. Não só se trata de satisfazer as necessidades de transporte diárias de novas populações, as que ainda não estão servidas, mas também trata-se de incrementar o nível de serviço das que já estão servidas, oferecendo-lhes portanto outros destinos.

O investimento em transportes públicos é positivo porque, para além de melhor servir as necessidades de transporte, pode aliviar o orçamento familiar / individual dos cidadãos por estes passarem a utilizar com menor frequência o transporte privado, por definição mais caro. Ou seja, existem efeitos positivos imediatos nas populações ao nível de serviço e de custo, sendo que as populações de mais baixos rendimentos sentirão positivamente e de forma muito mais acentuada esses efeitos.

Outro aspecto positivo é a aposta na cultura de bens públicos que podem ser utilizados por todos. TGVs e novos aeroportos são, no actual e futuro cenário demográfico do país, luxos que irão beneficiar só uma parte da população, e logo a de maiores rendimentos. A extensão das redes de metropolitano e eléctrico, pelo contrário, irão beneficiar muito mais pessoas, e com uma regularidade quase diária. E logo aquelas com menos rendimentos, o que em si é bem mais meritório.

Também, e este ponto é pouco abordado, uma rede de metro muito mais alargada beneficia as necessidades de transporte dos idosos do futuro em Portugal. Porquê? Porque esses, com as suas reduzidas reformas não vão ter dinheiro para ter automóvel e para andar de avião e de TVG (a partir de Lisboa não vão ao Porto e a Madrid porque não vão ter dinheiro para o transporte e porque não vão ter dinheiro para os hotéis). Precisam acima de tudo de bons transportes públicos para se movimentarem na sua área alargada de residência. Os idosos do futuro, em número muito superior ao de hoje, irão precisar de ir aos médicos sozinhos (o filho/a viverá por certo longe e não haverá dinheiro para pagar um acompanhante), frequentar parques e jardins públicos, visitar museus, etc. A maior parte deles residirá nos grandes centros urbanos, e nada como uma boa rede de metropolitano e de eléctrico para satisfazer as suas necessidades de transporte.

Também uma boa rede de transporte público urbano tem o mérito de aliviar o actual elevado nível de tráfego automóvel. Ou seja, é substituto do actual meio de transporte, pelo que tende a satisfazer todos, independentemente do rendimento. E mais, por reduzir tempos de transporte, por servir mais população, é mais amigo da família, e com isso pode ser facilitador do desejado aumento da taxa de fecundidade.

Existem também outros destinos para investimento público. Eu apostaria em jardins e parques. De preferência os de proximidade, ou seja, suficientemente perto do local onde as pessoas vivem. Não têm que ser parques gigantes. Apostaria mais em muitos e mais pequenos, e já agora com poucas elevações pois parece que isto da idade tem que se lhe diga. É que os idosos precisam de passear e um jardim ou parque na proximidade pode vir a calhar.

Pensemos que este grupo etário (mais de 65 anos), grupo um pouco mal amado cá no burgo, vai corresponder a cerca de 2,7 milhões da nossa população em 2050 (cerca 36% da população para o cenário mais pessimista, ou seja, para uma taxa de fecundidade igual a 1,3 e que mais não é do que a taxa actual; em 2008 a população com idade superior a 65 anos corresponde a 1,875 milhões). E como as árvores demoram algum tempo a crescer talvez o trabalho devesse ser iniciado agora. Mas isto de falar em parques para os idosos gozarem em 2050 soa a politicamente errado segundo os valores do momento. Mas se este argumento não serve, caramba, diga-se que é ecológico, argumento um pouco “mais a calhar”, mais “moderno” e com aprovação certa do spin doctor de serviço.

Proponho que se reflicta seriamente sobre onde queremos efectuar investimento público. Qualquer que ele seja, ele vai ser custeado pelas gerações futuras pois ter-se-á que recorrer a empréstimos (no pressuposto que eles nos são concedidos). Pelo critério da seriedade talvez seja pertinente identificarmos como vai ser a população portuguesa nos próximos 30 a 50 anos e de quais serão as suas necessidades.

Há muito trabalho de reflexão a fazer.

Vai demorar muito e um bem haja às autoridades

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
A saída da actual crise vai demorar muito, muito tempo. Esta é a característica das crises financeiras com origem em alavancagens financeiras (recurso a forte endividamento). O ajustamento é muito demorado pelo que o consumo fica muito reprimido por um periodo de tempo anormalmente longo.

Demos graças às autoridades que andam a actuar muito bem, baixando os juros, aumentando a despesa pública e não se escusando a injectar liquidez à economia. Após o colapso bolsista de 1929, quando existia um elevado nível de alavancagem na economia, as autoridades aumentaram os juros, contiveram a despesa pública e deixaram os bancos ir à falência ao retirar liquidez no sistema bancário. O resultado é conhecido: Uma Grande Depressão.

Individualmente tratemos de cumprir com o nosso ajustamento de modo a acelarar o ajustamento global.

Vai demorar muito, muito tempo

Recuperação do imobiliário nos EUA terá de esperar pelo próximo ano

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Segundo o Jornal de negócios:

Recuperação do imobiliário nos EUA terá de esperar pelo próximo ano

A recuperação do mercado imobiliário nos EUA é esperada para o próximo ano, depois de terem sido divulgados dados pouco animadores relativos ao sector. O número de pedidos de empréstimo à habitação caiu e os incumprimentos de crédito desceram atingiram um nível recorde.

“Acho que a crise do imobiliário ainda não terminou”, disse o economista chefe da Moody’s Economy.com, Mark Zandi à Bloomberg. “Creio que ainda vamos ver mais uma queda no mercado”, acrescentou.

As vendas de novas habitações devem recuperar no início da denominada “época de vendas da Primavera”, segundo disse a maior construtora de habitações de luxo, Toll Brothers, segundo a Bloomberg. Já as vendas de habitações existentes podem demorar mais algum tempo, avança a agência noticiosa.

Os pedidos de financiamento para compra de casa desceram para mínimos de 12 anos, na semana passada, com os níveis de incumprimento de crédito à habitação a subirem para máximos recorde, no terceiro trimestre, segundo a Bloomberg que cita dados da Associação de Banqueiros para o crédito à Habitação.

Um índice de confiança dos construtores de habitações, em Novembro, ficou abaixo das estimativas dos economistas consultados pela Bloomberg. O indicados de confiança dos construtores do Departamento do Comércio caiu 11% em Outubro, o valor mais baixo desde Abril, quando se registou o valor mais baixo do índice, de sempre.

Portugal está a perder competitividade e precisa de acelerar reformas

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Segundo notícia no Bigonline

Portugal está a perder competitividade e precisa de acelerar reformas

(20-11-2009 15:30:00)

A economia portuguesa, tal como a espanhola, italiana e grega, está a perder competitividade em favor da Ásia, especialmente da China. A opinião é do economista e guru dos mercados financeiros, Nouriel Roubini, que hoje esteve em Lisboa.

Na conferência dada no âmbito do 11º almoço conferência do Diário Digital, Roubini declarou que a competitividade se perdeu em Portugal e que, uma vez que se trata de um país que faz parte da União Europeia e que, por isso, não tem independência a nível fiscal e cambial, a solução é que proceda às nossas próprias reformas.

“Portugal precisa de acelerar as reformas para aumentar o crescimento da produtividade”, afirmou o economista, salientando aspectos como a despesa pública, impostos ou educação. “É preciso que Portugal torne a sua economia mais flexível”, acrescentou o economista.

Nouriel Roubini, cujos textos de opinião que escreve para o Project Syndicate são publicados pelo Negócios, é professor de economia na Universidade de Nova Iorque e “chairman” da empresa de consultoria RGE Monitor. O economista ficou célebre por prever a actual crise, sendo por isso alcunhado de “profeta da desgraça”.

Portugal, fotografia (4)

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Portugal, andas completamente falho sobre um conceito muito importante para qualquer sociedade. Trata-se da Confiança Pública. Tens tido a infelicidade de teres tido Primeiros Ministros (talvez seja mais correcto dizer má escolha do que infelicidade) que falharam completamente nos sinais a dar ao povo que os elegeu. Desde o ingénuo Cavaco Silva, ao inconsciente António Guterres, a Durão Barroso e a sua agenda pessoal, ao cómico Santana Lopes, e ao actual incompetente e perigosíssimo José Sócrates, todos, sem excepção, não percebem o que Confiança Pública quer dizer. Portugal, tu engoliste e ainda vais engolindo (embora agora estejas menos receptivo) o torpe conceito de confiança que esses sujeitos te impingiram.

E que confiança é que te venderam? Venderam-te a confiança banha da cobra, ou seja, a vulgar auto estima, aquela que os vendedores individualmente possuem. Todos sabemos que individualmente temos défice de auto estima. Sabemos também que precisamos dela em dose adequada para potenciarmos a nossa capacidade individual. Mas essa é uma questão de foro individual, não do foro colectivo. O alcance dos sinais emanados pelos PMs devem-se circunscrever às questões do foro colectivo naquilo que podem influenciar o salutar relacionamento entre as instituições da nossa sociedade. Da boa gestão destes sinais resultará um elevado nível de Confiança Pública, e na sua falta resulta um reduzido nível de Confiança Pública. Portugal, dás agora conta disto ao sentires minado os fundamentos da tua sociedade. Actualmente estás todo subtraído de Confiança Pública.

Todos os teus PMs desde 1987 te iludiram. Todos minaram, ainda que inconscientemente e/ou incompetentemente o terreno onde actualmente te moves. Todos escolheram demasiado mal as pessoas de que se rodearam, ou talvez não pudesse ser de outra forma tal a lógica partidária actual. Os casos BPN, Moderna, Face Oculta, BCP, Casa Pia, BPP arrasam contigo. A incompetência do Governador do Banco de Portugal desespera-te e está-te a sair caríssima. Portugal, personagens como Armando Vara, Isaltino Morais, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, etc, são machadadas fortíssimas nos teus alicerces. Muito mais violentas do que imaginas.

Portugal, a lógica partidária, de cacique, do qual o exemplo visível mais abjecto foi a cena feita pelo PS quando Paulo Pedroso retornou à Assembleia da República, assa-te em lume brando. A lógica partidária, toda feita de interesse e seguidismo reles, só produz gente que em nada te serve. Onde sobra o serviço aos interesses partidários falha a reflexão, a inteligência e o sentimento de serviço ao País. O que todos esses PMs te deram foi Desconfiança Pública.

Portugal, ninguém te deu uma estratégia. Pudera, nenhum conheceu o conceito. Ninguém te deu um rumo. Pudera, nenhum soube o que é comandar um povo. Ninguém te traçou objectivos exequíveis. Pudera, todos obedeceram à sua agenda partidária. Ninguém te mostrou o mundo. Pudera, todos se iludiram com ele. Ninguém te disse o que esperar de ti. Pudera, todos evitaram a introspecção colectiva.

Nos dias de hoje tudo isto faz-te descrer, o que em si é bom porque verdadeiro. Que ninguém pense que pode levar um povo sob a mentira. Só a verdade abre caminhos. Começas a tomar consciência da farsa em que te meteram. A partir de agora tens um trabalho a fazer. Tu sabe-lo qual é e irás fazê-lo, mas ainda andas meio estremunhado, como quem está a acordar e ainda não sabe bem para que lado seguir. Considera isso normal e como fazendo parte do processo de mudança. Portugal, a mudança é lenta mas já se iniciou.

Confiança Pública

A confiança pública não se decreta e tão pouco se possui por pensarmos tê-la. Não está em nós, está antes fora de nós, está na sociedade. O que cada um possui é auto-estima e confiança privada, conceitos que se confunde com confiança pública. A confiança de que Portugal precisa é da confiança pública, a que resulta do suor da nossa sociedade, a que dela é emanado pela forma como esta é construída, dos relacionamentos estabelecidos entre os seus organismos, da matéria de que é feita os seus elementos mais proeminentes e dos que se encontram em posições de destaque. A confiança de que os políticos geralmente falam é a que resulta das relações de cada um com aquilo que lhe é mais próximo. Esta é a confiança privada, conceito do foro individual onde o estado não tem que se meter directamente, e que depende, para além da confiança pública, da auto-estima individual.


Os políticos da nova era, carregados de agendas pessoais e ansiosos por crescerem através das fórmulas que eles próprios criaram, vão jogando o jogo individual da sua casta. O sucesso deste jogo, na forma como ele está concebido, pressupõe a inversão de prioridades, com o indivíduo a sobrepor-se ao grupo e este à sociedade, gradação que Rousseau diz ser contrária àquela que deveria ser adoptada. Deste jogo resulta que para ter sucesso o poder deve ser utilizado em conformidade com a hierarquia das prioridades: 1. Eu, 2. Grupo, 3. Sociedade. Os vencedores deste jogo, satisfeitos com o bem que a si podem reservar pelo facto do poder que detêm, e com confiança (privada), sentem-se agora impelidos a exportar para o Grupo e para a Sociedade a única fórmula que reconhecem ser a de sucesso para alcançar a Confiança, ou seja, a sua, e que, pela natureza das coisas dá a pior das assistências à confiança pública.
Portugal, para teres Confiança Pública precisas de quem pense primeiro na Sociedade, depois no Grupo e depois no Eu.

O que vão os desempregados decidir daqui a 2 anos?

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Segundo o relatório do INE

“A taxa de desemprego estimada para o 3º trimestre de 2009 foi de 9,8%. Este valor é superior ao observado no período homólogo de 2008 em 2,1 pontos percentuais (p.p.) e ao observado no trimestre anterior em 0,7 p.p.. A população desempregada foi estimada em 547,7 mil indivíduos, verificando-se um acréscimo de 26,3%, face ao trimestre homólogo, e de 7,9% em relação ao trimestre anterior.”

Infelizmente as previsões indicam-nos que o número de desempregados pode subir para valores entre 650 a 700 mil pessoas. O conhecimento que temos da economia diz-nos que com esta a crescer após uma recessão o desemprego ainda aumenta durante o início da retoma.

No entanto, e para Portugal, talvez ocorra um fenómeno de excepção, o que a ocorrer é muito preocupante. Se a economia não recuperar tanto quanto se espera a reboque da retoma mundial (o cenário mais provável), o número de desempregados tenderá a manter-se em níveis anormalmente elevados. E desta vez nem muita margem existe para nos socorrermos de medidas expansionistas, nomeadamente aumento do investimento público, devido a limites de endividamento e ao custo da dívida corrente.

Os Portugueses vão sentir que estão de facto entregues a si mesmo, o que, sendo dramático para muitos (vai sê-lo, de facto), pode despoletar e forçar uma mudança de mentalidade quanto à atitude face à procura de trabalho. Isto é válido para os casos de pessoas que se têm recusado a aceitar determinados trabalhos. Vai ocorrer um braço de ferro mental entre aceitar ou não um novo trabalho em detrimento do subsídio de desemprego. Até agora a balança foi sendo favorável à opção pelo subsídio de desemprego. Mas como os cenários futuros vão ser substancialmente mais cinzentos veremos se não pesará mais a vontade de agarrar um trabalho, ainda que este seja inferior às expectativas.

Mas poderemos ainda observar uma opção de fuga à mudança de mentalidade através uma nova vaga de emigração, ou seja, se é para aceitar o que me envergonha, ao menos que seja lá fora onde ninguém me vê e onde ao menos me pagam muito mais.
Veremos o que os desempregados vão decidir daqui a 2 anos.

Portugal, fotografia (3)

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Portugal, uma característica que ganhaste nos últimos 30 anos é que te consideras superior relativamente aos trabalhos disponíveis. Pura e simplesmente já não aceitas determinados trabalhos. Compraste a ideia de que num ápice, sem formação formal de registo, sem engenho digno de nota, sem estratégia, e sem perseverança era possível ter o nível de vida do Alemão ou do Holandês. As contas estão a sair de tal forma furadas, têm implicações tais, que até te custa abordar o assunto.

Portugal, o fenómeno teve o seu pontapé de saída lá por 1995 ou 1997. Em plena incontinência consumidora, com muito “combustível” bem baratinho (juros baixos como nunca se vira), com a economia a crescer via consumo e não via exportações, achaste-te um verdadeiro Lorde. Para animar o sentimento de riqueza aparente, ias acolhendo umas Florikas e Lydias do Leste europeu e umas Vânias e Marcelos do Brasil. Tudo para os serviços indiferenciados que serviam os teus propósitos consumistas (restauração, construção, serviços domésticos, etc.). Todos preenchiam trabalhos que ias considerando já não estarem ao nível do estatuto que deste por eternamente adquirido.

O espanto nessa vaga de imigrantes de Leste é que muitos desses imigrantes eram médicos, engenheiros, etc. Isto fazia-te uma confusão tremenda, pois para ti o 12º já devia dar direitos a um el doradozito. Ligeiramente perplexo e com um formigueirozinho incómodo (alguma coisa devia estar mal, não é verdade?), mas feliz e contente, ias fazendo fé na nova fórmula: crédito abundante e barato e muito pessoal disposto a servir-te a um preço bem catita, e também com pouca apetência para refilar e cheio de atitude.

Segundo dados do SEF (serviços de estrangeiros e fronteiras) em 2008 a população estrangeira residente era de 440.277 pessoas. Em 1998 era de 178.137 pessoas. A população empregada passou de 4.526.400 (dados IEFP) em 1998 para 5.076.200 (dados INE). Dos 550.000 postos de trabalho que a economia criou neste período, cerca de 40% foi ocupada por imigrantes (demos um desconto de que do incremento de 260.000, 40.000 vieram para se reformarem e não para trabalhar; no entanto, e para contrabalançar, também temos a questão dos ilegais). Portugal criou muitos postos de trabalho em 10 anos, só que os imigrantes acharam-nos bem mais interessantes do que os Portugueses.

A maior parte dos imigrantes trabalha. Inclusivamente no interior e nas regiões mais escondidas do nosso País onde há sempre queixas de que não há trabalho. Portugal, onde tu te ias entretanto queixando de que não havia trabalhos, esta gente, bem viva, mexida e industriosa, lá ia encontrando trabalho. Agora no séc. XXI, aos poucos, com a Globalização a apertar-te os calos e a mostrar-te de que matéria se faz a realidade, descobriste, à pala da coesão social, o RSI (rendimento social de inserção), e com isso deste continuidade à fórmula que te alimenta a ilusão de que se pode viver acima do esforço de que se está disposto a despender e das habilitações que estás disposto a adquirir.

Neste momento, aturdido por teres sido ultrapassado pelos acontecimentos, és invadido por múltiplos sentimentos de desânimo, tais como o teres falhado as avaliações do jogo que podias jogar, teres que redimensionar profundamente as expectativas, e teres que agarrar no futuro próximo os trabalhos que fingias não veres (os que no fundo não querias aceitar) e que os outros te provaram que existiam. Neste momento experimentas uma mudança porque a realidade a isso te obriga e porque já não há escapatória. É uma mudança que se vem prolongando no tempo, mudança silenciosa, individual e dura. Esconde alguma raiva pelas expectativas defraudadas, e porque decorre de um erro que sabes não ser bonito ter-se cometido, o julgar ser-se mais do que realmente se é. Paralelamente, e aos poucos, vais procedendo a novas análises, onde vais incluindo mais modéstia, mais realismo, e mais temor pelas consequências de eventuais erros. Melhorarás assim as avaliações e entrarás em sintonia com a realidade. Assim te podes salvar e evitar mais surpresas desagradáveis no futuro.

Como curiosidade (olha que isto pode ser uma bela oportunidade), neste momento o País já nem vale tanto para muitos imigrantes, nomeadamente os de Leste (os brasileiros são os próximos a ir embora pois o Brasil vai carburar muito e bem). Muitas Florikas voltam à base com um pequeno pé de meia e com a noção do dever cumprido. Levam o que ganharam com o esforço que tu não quiseste despender, e levam os seus filhos (sim, isto foi gente que não se contentou com médias de 1,3 de taxa de fecundidade). Mas deixam-te três coisas: a prova de que há trabalho (embora agora seja muito mais complicado, isso é inequívoco), o exemplo de como se deve encarar a vida, e a prova de que com dificuldades económicas é ainda possível procriar em conformidade. Portugal, sê humilde e aproveita a mensagem.

Portugal, esta fotografia deixou-te muito mal. Isto ficará inscrito na tua história. Isto não conseguirás nunca justificar condignamente, por mais retórica que possuas. Sobra a explicação que mais não é do que “consideraste-te mais do que aquilo que eras”. Portugal, assume bem o erro, aprende bem com ele, acelera e vai em frente.

P.S. Este tipo de análise não pode deixar de ser injusta para muitos Portugueses sérios, industriosos, trabalhadores, cumpridores, modestos e honrados, e que nunca se julgaram mais do que aquilo que são. Eles existem, e sempre existiram, mas recentemente não marcaram o standard nacional. A toda essa gente de boa cepa, um grande bem haja.

Escutemos a natureza

Sábado, 14 de Novembro de 2009


Esta pretensão nauseabunda do casamento entre homossexuais revela a irrealidade em que hoje em dia os políticos se movimentam. O tema só por si não vale um caracol pelo critério dos potenciais casos em questão. No entanto vai animando muitas forças políticas cá do burgo, mais preocupadas com o acessório do que com os reais problemas do país.

A natureza, que nestas matérias deveria servir de referencial (nomeadamente para aqueles mais afastados de referenciais religiosos), também não vai sendo auscultada. E a natureza, na sua sapiência natural, vai dizendo que nisto de uniões a fórmula é mesmo homem e mulher, ou seja, sexos distintos. E com o intuito todo ele de procriação e consequente perpetuação da espécie. Isto é assim desde há muito, muito tempo.

Com o andar do milénios, a espécie, já menos acossada pelos perigos naturais a que constantemente se via ameaçada (devia ser bem terrível e assustador lá para os primórdios), tomou-lhe o gosto de assentar, criando aldeias e com isso adquiriu uma convivência bem mais regular do que até aí vinha experimentando. Nestes novos cenários de convivência comunal, a espécie lá foi solidificando os laços de união entre os seus, nomeadamente os laços que uniam os seus constituintes naquilo que os faziam vingar na sua perpetuação.

Muito contentes com isso, os diferentes povos espalhados por esta Terra fora lá iam todos contentes, e à sua maneira, celebrando estas uniões. E, independentemente, do local da Terra ou das disposições religiosas de cada povo, todos tinham em comum dois aspectos: a união ser feita entre homem e mulher, e a procriação estar associada à união (pelo menos no que toca à vontade).

Agora cá pelo Ocidente, local onde mora a afluência e onde se anda meio sem rumo afogado pela mesma, surgem umas ideias pitorescas sobre as uniões entre humanos. Mergulhados numa sociedade aberta como nunca se vira, alguns humanos vão assumindo relações entre o mesmo sexo, relações que, não sendo novas, o vão sendo na forma como são assumidas.

A sociedade, meio chocada com este novo fenómeno, contra-natura de facto por não viabilizar por si a perpetuação da espécie, esse móbil natural de qualquer espécie, vê-se impingida com um tema que não é o seu, e que denigre e perverte a base de uma instituição por si criada: o casamento.

Ora se o casamento, instituição criada pelo ser humano, teve milenarmente sempre as características de ser formalizado entre homem e mulher e de procurar a procriação entre ambos, porque há-se ser violada nos seus fundamentos? Esta é a questão que os homens gentis e de visão simples, que é como quem diz, os puros e despidos de preconceitos, colocam entre si.

As respostas e argumentos dos defensores deste absurdo revelam toda a fraqueza intelectual por detrás deste movimento. Quando o argumento é seguir a via da modernidade (o “chique a valer” no séc.XIX, no entender de Dâmaso Salcede), dos mesmos direitos para todos, etc., vê-se bem a quem andamos entregues.
Por favor, escutemos ao menos a natureza

Fazer contas, tomar opções e confiança

Sábado, 14 de Novembro de 2009


Esta crise que nos assola obriga-nos, em termos familiares, a comportamentos mais racionais do que aqueles a que nos tínhamos recentemente habituado. Refiro-me a “fazer contas” e “tomar opções”. Nestes últimos anos, uma grande parte da população tinha tomado estes conceitos como pertencentes a um Portugal retrógrado e inferior, e completamente dessincronizados com as atitudes mais vanguardistas e modernas.

Agora acossados pela incerteza, a abarrotar de dívidas, mais conscientes da real riqueza possuída, tementes pela falta de trabalho, os portugueses e outras populações ocidentais, sentindo que devem adoptar comportamentos consentâneos com a realidade, resolveram voltar a fazer muitas contas e consequentemente tomar opções. De braço dado com os tempos que vão correndo, mais repousados pela simbiose alcançada com o meio envolvente, as pessoas vão de novo poder planear que tipo de vida podem acorrer e com isso vão ganhar novos níveis de confiança. É a confiança que deriva do sentimento que os terrenos por onde se movem estarem de acordo com as possibilidades, e que estas são o fruto da análise individual face à nova realidade.

Este processo, a que se pode chamar “ajustamento”, demora por vezes tempo, nomeadamente em complexos ambientes de desalavancagem financeira. Mas é fatal ocorrer. Esta nova confiança que se gera é genuína e decorre do trabalho individual de cada um (não se decreta). Por isso é sólida e duradoura quando surge. Demora anos a ser alcançada. Estamos ainda na fase de “ajustamento”, individualmente ainda não sentimos a “Confiança”, mas isso é normal pois o nível de simbiose alcançado entre os nossos comportamentos individuais e a realidade não é ainda total. O comportamento muda ao aproximar-se da realidade, mas esta é ainda volúvel, pelo que no decorrer desta dinâmica ainda vão surjindo hiatos. Mas o equilíbrio alcançar-se-á, a bem ou a mal. Estamos ainda nesta fase, a da busca da realidade e da procura de que nível de ajustamento individual há que ser feito. É a fase das contas e das opções. Depois, daqui a anos, talvez 2 ou 4, virá a confiança*.

Quando a confiança surgir não será de forma fulgurante, antes será tímida, embora duradoura. E para a história ficará a lição de que deveremos fazer sempre contas, muitas contas, e também tomar opções, pois isso é o normal na natureza económica em que nos movemos. Ou não fossem os recursos escassos por definição.
* Portugal, por ter outra crise, estrutural, muito sua, o processo será mais lento

Saibamos conviver neste novo cenário

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009


Esta enorme crise começa a evidenciar o que muitos economistas e outros observadores já há muito vinham enunciando: a aproximação dos países emergentes relativamente aos países mais desenvolvidos. Agora que a economia se restabelece e começa lentamente (e vai ser muito lento) a sair da crise é já visível que são os países asiáticos e o Brasil os que mais rapidamente vão crescer no futuro próximo.
Esses países têm muito em comum: andam historicamente a produzir mais do que consomem. Os países mais desenvolvidos, bem habituados nos últimos 30 anos a consumir mais do que produzem, ainda aspiram alcançar o quadro antes da crise: viver à conta dos países emergentes graças aos mecanismos de alavancagem financeira que os países desenvolvidos inventaram. Ora isso não irá acontecer pois a economia tem esse mau hábito de se equilibrar e de o mundo não estar muito inclinado em ter mais experiências de alavancagens financeiras.

Assim, e a prazo, veremos inexoravelmente os países emergentes ganharem um protagonismo muito acima do que o vulgar cidadão pode esperar. Esse protagonismo advém dos contínuos excedentes comerciais*. E isso vai chocar o cidadão comum do Ocidente, para quem, o mundo até à crise estava muito bem montado: Nós, ocidentais, pedíamos dinheiro emprestado aos emergentes para lhes comprar o que eles produziam. A nós competia-nos dizer o que queríamos, com que design, e organizar e montar toda a engrenagem das transferências financeiras, tudo assuntos bem mais interessantes, palacianos, limpos e estéticos do que o shop-floor de uma linha de montagem.

Qualquer crise, com todo o rasto de insegurança, medo, desemprego, etc, que traz consigo, tem o mérito de corrigir muitos dos excessos que conduziram à própria crise. E o cenário pós-crise é sempre novo e diferente.

Com humildade saibamos conviver neste novo cenário.

* Não esquecer o sentimento veiculado pelo presidente Lula sobre os senhores do FMI que aterravam em Brasília e ditavam unilateralmente as regras nos anos 70. Nesta altura o Brasil só apresentava déficits. No primeiro G20 em que participou o presidente Lula vincou que se apresentava lá com cara de excedente, e que olharia para os ocidentais como devedores

Portugal, fotografia (2)

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009


Portugal, tu não discriminas positivamente o mais produtivo do menos produtivo. Tens um especial horror em ver alguém fugir do pelotão. Vês logo alguém que se destaca como um alvo a abater, não como exemplo a seguir. Fazes literalmente o que se chama ”nivelamento por baixo”. Portugal, isto é ter constantemente o pé no travão.

Portugal, o mais produtivo tem que ter oportunidade de ser recompensado na proporção da sua produtividade. Só assim há verdadeiro estímulo na melhoria constante da nossa perfomance. O sinal a ser passado ao próximo é que pode lá chegar se tiver boa perfomance. E se existe preocupação sobre os estados de alma do menos produtivo ao ver o mais produtivo fugir-lhe no caso de discriminação positiva, então pensa também no estado de alma do mais produtivo ao ver-se eternamente colado ao menos produtivo.

Portugal, até ao nível fiscal és assim. Com facilidade castigas de imediato aquele que estudou e que, por norma, ganha mais. Quem ganhe a partir de 5.000 eur/mês é já considerado rico ao passar a ser taxado a 40%. Mas pior que isso, já taxas a 34% quem aufira mais do que 1.485eur/mês.

Portugal, as pessoas precisam de estímulo para se transcender, precisam de limites largos. Querem que lhes tirem os empecilhos da frente, querem que os aplaudam pelos sucessos e que lhes dediquem prémios. As pessoas devem ganhar mais dinheiro como resultado do seu rendimento no trabalho, e não por bondade, direito adquirido, simpatia ou favor.

Portugal, usa e abusa da discriminação positiva sobre o mais produtivo. Faz com que os piores queiram copiar os melhores, e não que estes se nivelem por aqueles. Geras mais riqueza e dás um pontapé nessa chaga nacional que se chama Inveja.

Portugal, fotografia (1)

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Portugal, o teu drama é a tua falta de produtividade. Que coisa essa Portugal o teres pouca afeição para o mundo do trabalho. Tu até és trabalhador, só que combinas mal o esforço em modelos organizacionais. Parece que o conceito de organização te assusta, que o resultado combinado dos recursos te perde, que a máquina te desorienta, que a hierarquia te transtorna, que a missão da organização choca com os teus objectivos pessoais, que o associativismo não te serve. Cada um quer ter a sua quinta, a sua zona de conforto.

Portugal, tudo isso te faz perder em esforços inglórios e em guerras vãs. Uma autêntica balbúrdia paroquial, jogos que para ti são tudo mas que nada valem, pelo contrário, subtraem.

Portugal, de um modo pragmático e redutor, o mundo do trabalho é uma coisa que existe fora das nossas casas e significa que é onde vamos buscar o máximo possível que satisfaça as necessidades da nossa casa. Como tal temos que nos nortear por critérios objectivos de performance, lembrando-nos sempre que o próximo é uma fonte de oportunidade fantástica e não um inimigo terrível. Assim, as relações a manter deverão ser o que na Teoria dos Jogos se lembraram de chamar “relações de soma positiva”. As relações de “soma nula” e “soma negativa” só nos prejudicam pois fazem-nos levar menos recursos para a nossa casa.

Portugal, quando entenderes, interiorizares, e aplicares bem esta lógica ganhas mais dinheiro. Até lá queixar-te-ás, o que pode consolar mas não resolve.

P.S. Terrível pensar que há pessoas que têm valor económico negativo, ou seja, que a sua simples extracção da organização onde se inserem fará, só por si, que a mesma organização funcione melhor.

Português, acorda

Sábado, 7 de Novembro de 2009


Português, porque deixas o teu destino ao sabor dos acontecimentos? Porque não acreditas que podes influir no que a ti directamente diz respeito? Porque te preocupas em demasia com o que os outros pensam de ti? Porque não ages mais? Porque és demasiadamente defensivo? Quem é o “eles” de quem resmungas? Porque é que estás sempre a dizer “se eu soubesse…”? Porque és provinciano perante o estrangeiro? Porque acreditas pouco em ti? Com que direito te arrogas em indefinidamente consumir mais do que produzes? Porque não distingues o investimento do consumo? Porque não discriminas positivamente o mais produtivo do menos produtivo? Porque bajulas e odeias o rico e poderoso em simultâneo? Porque és benevolente com o irresponsável e desafiante com o responsável? Porque não chamas os insensatos à razão? E acima de tudo, porque é que nunca arranjas pessoas normais para te governarem?

Ó Português, o mundo não está para brincadeiras, já há pouco por onde andar pendurado. Esta história de chineses e indianos estarem sentados à mesa não é nada compatível com a tua maneira de ser. Demais parece que vêm aí brasileiros e outros, e quiçá até alguns povos africanos. É um fenómeno. Sim, chamam-lhe Globalização, e imagina tu que há até quem diga que foste tu que a começaste há 500 e tal anos.

Ó Português, repara que o sol, a gastronomia, o futebol, o automóvel e o telemóvel te andam a tolher os limites e a consolar a alma. Cuidado agora, olha que nem para estas coisas te vai dando o orçamento. Eu sei o que tu pensas. Tu pensas que já ouves isto há muito tempo e as coisas andam na mesma. Mas digo-te, desta vez é diferente. Vais senti-lo mais de perto aos poucos. Se nada fizeres entra-te a realidade pela casa dentro daqui a uns 15 anos. Falta muito? Talvez, mas à cautela vai tratando de fazer qualquer coisa, e já.

Por isso Português, ou mudas de estilo ou rebentas. Queres um conselho? Pelo sim pelo não toma o destino nas tuas mãos, que nos dias de hoje é como quem diz, vai ter com a Globalização antes que ela venha ter contigo.

Portugal, acorda (6)

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009


Portugal, porque não acertas nos teus governantes? Tiveste um que não servia durante décadas, num regime que também não servia. Pessoa inteligente, mas que, obviamente, nunca seria contratado para governar um país do 1º mundo. Felizmente livraste-te da ditadura. Mas mal provaste a democracia começaste logo por empossar uns pitorescos e até perigosos. Atinaste na arrumação da casa até 1985, mas daí para a frente nunca mais arranjaste um grupo de pessoas que te desse um rumo.

Portugal, escolheste sempre pessoas que emitiram sinais contrários aos que precisavas. De 1985 até 1994 colocaste a confiança à frente de tudo, privatizaste o que antes nacionalizaste, recebeste muitos fundos da CEE, e com tudo isso consolidaste a vivência à sombra do estado. De 1995 a 2002, com mais privatizações e mais fundos, e também agora com juros baixos, dedicaste-te ao diletantismo e dialogaste sobre nada. Por isso te embebedaste e te empaturraste. Com o bandulho ainda farto, de 2002 a 2005 não enfrentaste a realidade dos excessos anteriormente cometidos. E para distracção ainda te meteste em brincadeiras políticas de mau gosto. A partir de 2005 assumiste o martírio e escolheste a via da desistência ao empossar pessoas sem a mínima qualificação para a governação. Agora no rescaldo que já vais fazendo percebes que a Globalização é afinal um jogo muito duro. Mas ainda assim em 2009 mantiveste a postura.

Portugal, isto é sério. Portugal, arranja pessoas de outro calibre, feitas de outra matéria, mais altruístas, mais visionárias, mais sinceras, mais simples, menos influenciáveis pelos lobbies, que tenham uma estratégia clara, que se baseiem em premissas reais, que te apresentem o jogo de frente de modo a saberes o que te compete fazer, que não te iludam com promessas vãs, e que amem Portugal.

Falei-te de sinais? Sim, vai por aqueles que te falem mais em deveres que em direitos, que acreditem no indivíduo e não em salvações colectivas, que amem a vida e o próximo e não a denigram na sua essência, que acreditem que só tomando o destino nas nossas mãos, e não no outro, nos ultrapassamos. Vai pelos que protegem as vítimas em vez dos criminosos. Vai pelos simples e não pelos complicados, pelos que acreditam na economia de mercado e não em engenharias sociais e económicas milagrosas, por quem valoriza o empreendedor em detrimento do calão, o mais produtivo em lugar do menos produtivo. Vai por quem empreende barato e não fica embasbacado por obras faraónicas, por quem não se impressiona com os poderosos e influentes, e que vê na adversidade uma oportunidade para a conquista e não para a lamúria.

Estes Portugueses existem e querem, no íntimo, governar-te. Portugal, faz-te esse favor, vota melhor.

Portugal, acorda (5)

Domingo, 1 de Novembro de 2009


Portugal, o que é essa história do NAL? Explica com um argumento tremendo porque queres um novo aeroporto para Lisboa. A Portela vai esgotar a capacidade? Pois eu digo-te que não, mesmo sem ser um especialista, coisa que, aliás, tu também já deste prova de não ser.

1. A Portela entra em dificuldades de tráfego em Agosto? Sim, parece que sim. Mas para isso há bom remédio. Caso necessário desvie-se algum tráfego nos picos de movimento para outros locais, como por exemplo, Montijo e talvez Tires.

2. Portugal, em 2008 o tráfego da Portela foi de 13,6 milhões e a queda em 2009 até ao momento é de cerca de 5% relativamente a 2008. Portugal, explica porque é que a capacidade da Portela é de cerca de 18 a 22 milhões de passageiros / ano. Explica também como se pode jogar com a solução Portela + 1 face à sazonalidade do tráfego.

3. Portugal, recordo de novo que a população residente vai diminuir e vai ter menos dinheiro disponível para viajar. Quando se constroem aeroportos é coisa para décadas. Os 7,5 milhões de residentes previstos em Portugal para 2050 são por isso um poderosíssimo argumento. Argumento tanto mais relevante porque, segundo dados da ANA, 52% dos passageiros da Portela são portugueses (dados de 2005). Curioso também, e ainda segundo a ANA, é o facto de 68% dos passageiros terem entre 20 e 39 anos, o que sugere que lá para 2025 se comece a perder naturalmente muitos passageiros.

4. Dado ser certo não ser necessário um novo aeroporto nos próximo 20 anos, porquê dar um tiro no pé no turismo de Lisboa? Será que o turismo fez algum mal ao País? Ou não será talvez a nossa bóia para os próximos 40 anos.

5. Portugal, o sonho da TAP em ter um grande aeroporto que lhe sirva de hub para a América do Sul é isso mesmo, um sonho. Quem se deve predispor a fazer esse investimento é a TAP (coisa que seria, aliás, absurda), não o contribuinte. Como já alguém disse, a TAP tem sido historicamente um brinquedo muito caro para País.

Portugal, este assunto deve ser analisado da seguinte forma. Por ser possível lidar com a questão dos picos de movimento na Portela, por estarmos longe do seu esgotamento, por haver uma crise que está para durar e que impede aumentos de tráfego no curto e médio prazo, e por termos no futuro cada vez menos habitantes e com menos rendimento disponível para viagens, digo-te Portugal que esta questão não é para ser discutida agora. Pode bem ser adiada. Aliás, deve sê-lo. Por dois motivos: a) Há outros temas bem mais importantes para serem tratados no momento, e b) Que o escasso crédito (vai-o ser doravante, é só andar atento e ler quem percebe do assunto) corra em direcção às empresas e ao preço mais baixo possível. Se o mesmo é direccionado para TGVs e NALs o pouco crédito que sobra sairá caro às empresas pois teremos um cenário de sete cães a um osso, literalmente.

Portugal, e se ainda tens dúvidas, vê bem quem defende o NAL e quem é contra. Quando a favor do NAL vês o sector da construção civil (quem constrói), da banca (quem financia a risco 0 pois o estado tratará de avalizar), e da consultoria (quem ganha com os estudos e coloca o selo da distinção), e contra o NAL vês a maioria da sociedade civil, então Portugal, tens a análise e tomada de decisão facilitada.

Mais uma vez Portugal. Sê simples e sintético. Isto não é tão complexo quanto andas a pensar.

Portugal, acorda (4)

Domingo, 1 de Novembro de 2009


Portugal, mas que delírio é esse do TGV? Apresentaste tu um argumento arrebatador que nos faça entender o porquê desta veleidade? Portugal, ouve bem, este tema é mais simples de analisar do que a mensagem que nos tens tentado passar. Pensa no seguinte:

1. Não temos actualmente população suficiente para viabilizar economicamente este investimento (mesmo descontando os fundos europeus). De acordo com estudos do INE, a população portuguesa será à volta de 7.500.0000 de habitantes em 2050 (actualmente somos 10.650.000) a manterem-se as actuais taxas de fecundidade. Os parcos orçamentos da população em 2040 e 2050 vão servir para sobreviver e para pagar, quando possível, a assistência de terceiros (lembro que seremos uma população muito mais envelhecida). Não sobrará nada para andar de TGV. A mensagem do TGV “é bom para a economia” é argumento para CEO de grande empresa de construção civil.

2. A rota Lisboa – Porto demora 2h45m. Com investimentos marginais aos já efectuados (e foram muitos) pode ir até 2h ou 1h45m. Os peritos dizem que de TGV a distância deve-se percorrer em 1h15m ou 1h30m. Ora, não é por 45m ou 30m que se justifica uma nova linha dedicada. Isto sem contar que acabaríamos com um TGV a parar em todas as estações, o que daria somente um ganho de 30m ou 15m.

3. A rota Lisboa – Madrid será um suicídio económico. Pura e simplesmente não há tráfego (outra vez, não esquecer que seremos menos), e o que há pode ser bem servido de avião a um preço mais acessível.

4. Europeu que se preze não vai à extremidade da Europa de TGV. Vai, obviamente, de avião. Os nórdicos assim pensam a avaliar por decisões recentes. A lógica de ligação à rede europeia é um mito.

5. Portugal, mas se queres à força um TGV (embora te aconselhe já a familiarizar com a sigla LVE – linha de velocidade elevada), então pensa na seguinte opção e avalia bem o seu fundamento. Liga o Porto a Vigo. Tens a teu cargo 90 km até à fronteira (potencialmente caros porque aquilo não é nada plano), e com isso ligas a zona mais populosa do país, o eixo Grande Porto / Guimarães / Braga, à Galiza. E se inteligentemente brindares o aeroporto Sá Carneiro com uma paragem, então é o pleno. Fazes uma estação no Porto, outra no aeroporto, outra em Guimarães ou Braga, e depois é lá com os espanhóis. O que ganhas estrategicamente? Ganhas que o Porto passa a ser o principal pólo de atracção do Noroeste da Península, e consequentemente ficas com um País mais equilibrado e menos dependente de Lisboa. Ganhas uns milhões de passageiros / ano para o aeroporto Sá Carneiro, e potencias o Porto de Leixões. Portugal, percebes o que é um argumento?

Portugal, acorda (3)

Sábado, 31 de Outubro de 2009

Portugal, sabes-me dizer onde é que anda a tua Justiça? Não? Pois eu também não. Ninguém sabe por onde ela anda, a quantas anda, quando virá, e em que direcção. Mas pelo menos já tem um status. Chama-se “desnorte”.
Portugal, toma bem consciência deste tema. A Justiça, emanada dos valores e da moral, é um bem exclusivo dos racionais. A qualidade da mesma eleva um povo. Igualiza os seus constituintes naquilo que a origem, a sorte, as circunstâncias, e o rumo tratou de diferenciar. Mas se ela não existe, um povo pode ver-se desqualificado na sua racionalidade.

Portugal, o sentimento actual, em sintonia com a realidade, é de que a Justiça não funciona. Talvez seja mesmo o maior problema de momento. Chegámos a um ponto em que se torna bastante visível que a sua fraca qualidade tem influências nefastas, e de grande impacto, na actividade económica. Portugal, se o móbil do altruísmo em possuir uma grande Justiça não te sensibiliza, então usa a frieza e todo o racionalismo económico, e percebe que este é o maior empecilho da nossa coxa e exígua actividade económica.

Portugal, acorda (2)

Portugal, e acerca de segurança? Como te sentes? Mal, claro, embora a tua percepção fique ainda aquém da realidade. É que ainda vais gozando mentalmente a segurança que herdaste. Só que a realidade é já outra. Os gatunos perderam totalmente o pudor de praticar patifarias. O campo onde actuam, povoado de inocentes e ingénuos (onde me incluo), é um docinho para os malfeitores. A segurança é um bem belíssimo. A falta de segurança reduz os níveis de felicidade. É transversal à sociedade, afecta todos por igual. A harmonia entre os cidadão é um bem inestimável. Temos que lutar por ela.


Portugal, cuidado. Olha que andam aí umas almas que dizem que a pobreza é a fonte de criminalidade. Não te deixes cair nessa. Isso é argumento ao serviço de outras agendas. Já vivemos com níveis de pobreza bem superiores e quase sem problemas de criminalidade. E a que existia devia-se mais a questões de disputas sobre terras e sobre problemas mal resolvidos entre vizinhos. Não se tratava de bandos armados e fortemente municiados (qual "IN").

Portugal, não embarques em cantigas que se limitam à compreensão sobre os motivos que levam os criminosos a praticar as suas ilegalidades. Se ocorrer um crime preocupa-te em trazer o criminosos à justiça e em reparar tanto quanto possível a vítima. Portugal, justificação e explicação são coisas distintas. Os dois conceitos são necessários. Que o segundo não anule o primeiro.

Portugal, investe bem em segurança. Sim, mais e melhores polícias. Sim, mais e melhores meios. Mas não te fiques por aqui. Isto combate-se também com inteligência e nunca com conversa mole.

Portugal, este assunto não é de direita. Este assunto é de todos. Vá lá, liberta-te de estigmas e problemas de consciência com o "coitadinho" do criminoso vítima da sociedade. Preocupa-te antes com a vítima e com o rasto de insegurança decorrente. Sê sensato, e vede que uma sociedade com elevados níveis de insegurança, impunidade, irresponsabilidade, e desconfiança não traz a necessária paz e confiança aos seus. E se estes argumentos não chegam, então experimenta este, mais materialista e muito ao jeito da cartilha da moda: elevado nível de insegurança é uma grande desvantagem competitiva.

Andamos a plantar muitas minas. Esta é mais uma. Portugal, acorda.

P.S. ontem ocorreu um duplo homicídio no fim da minha rua

Portugal, acorda (1)

Portugal, olha bem para as famílias de hoje. Vede como elas não se entusiasmam em ter muitos filhos. Ficam-se por um ou dois, não mais (taxa de fecundidade de 1,3). Portugal poderás perder até 3.000.000 de pessoas no ano de 2050 para os cenários mais pessimistas (pelas taxas de fecundidade de hoje, este já é o cenário mais provável). Como lidarás com isso psicologicamente? E economicamente? Portugal, lembra-te que se quiseres inverter esse cenário isso terá que ser feito agora?

Portugal, faz tudo o que te for possível para que a taxa de fecundidade suba. Apoia a família. E não é só com benefícios em sede de IRS (mas também). Olha bem o que a apoquenta e o que está na base neste pequeno 1,3. Trata bem das mulheres no pós parto. Arranja formas de as reintegrar bem no mercado de trabalho. É difícil. Sabemos isso. Porque há muito empregador malvado, há muito chefe obtuso. Vai copiando com alegria, tanto quanto se pode copiar, os países que voltaram a ter taxas crescentes de fecundidade. Já há histórico, e recente. Joga com isso. Atira-te mesmo com fulgor.

Olha Portugal, e já agora, pensaste tu bem na evolução da tua produtividade? Já pensaste no que fazer para manter daqui a uns anos o mesmo nível de produção por habitante? É que terás proporcionalmente muito menos pessoas a produzir? Ui, como isso pode doer. E quem vai tratar de todos esses idosos? Queres uma significativa parte da população activa a trabalhar no cuidado dos idosos? O quê, aqueles que tu andas a ensinar a gastar mais do que produzem? E a que preço? Sabes o que acontece aos preços quando há muito mais procura do que oferta? Qual a percentagem da reforma a afectar ao cuidado prestado por terceiros? O quê, não chega sequer! Ai, ai. Ai, que nem muitos filhos há para cuidarem de mim. E logo o que há vive tão longe.

Cuidado Portugal. Podes ainda deparar-te com outras surpresas. E bem bizarrras e exóticas aos olhos de 2009. Talvez os velhos de 2040 comecem a ir reformar-se para locais recônditos do Brasil ou de Moçambique, e até Uruguai (sim, o português é por lá obrigatório a partir do sexto ano). É lírico, não é? Mas eu aos 44 anos já penso nisso. Nessas terras a pequenina reforma vai dar e sobrar e não vai faltar quem me queira cuidar (é que nascem tantos). Portugal, depois não te queixes se perderes mais 1.000.000 de pessoas em cima dos 3.000.000.

Portugal, por favor, pensa bem. Eu sei que andas numa de “fracturas”. Por isso me lembrei de ti e de te vir com esta. Já viste, é uma “fractura” das grandes. Maior não encontras. Penso até que para a enfrentares com sucesso deverás parquear as outras. Vacilas na opção da “fractura” que queres escolher? Estás na dúvida? Portugal amigo, Portugal do coração, Portugal da razão. Vai por esta. Nem assim? Olha Portugal, escolhe mesmo esta porque é a que te vai ao bolso daqui a uns tempos. Boa Portugal, obrigado pela decisão. Eu sabia que, independentemente do argumento, optarias bem.

Um grande bem haja para ti Portugal

sábado, 26 de dezembro de 2009

www.oinimputavel.blogspot.com

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