DOMINGO, 6 DE JUNHO DE 2010
Segundo http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Cavaco-Silva-apela-a-portugueses-para-fazerem-ferias-ca-dentro.rtp&article=350303&visual=3&layout=10&tm=8
"Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra", disse Cavaco Silva, que se encontra de visita ao Algarve.
Segundo o Presidente da República, "passar férias cá dentro, nesta altura difícil, é uma atitude patriótica".
"Aqueles que podem passar férias, devem fazê-lo cá dentro para ajudar Portugal a vencer as dificuldades atuais, pois passar férias cá, é criar emprego, combater o desemprego e ajudar à melhoria das condições de vida dos portugueses", afirmou Cavaco Silva.
"Ajudar é reduzir o sofrimento daqueles que não conseguem entrar no mercado de trabalho ou que perderam o seu posto de emprego e encontram dificuldade em recuperar um outro", sublinhou o Presidente.
O Chefe de Estado recordou que o turismo é uma das actividades "mais importantes do nosso país, pelo emprego que cria, pela riqueza que permite acumular - mais de 10 por cento da produção nacional - e também pelo seu baixo conteúdo de importações" .
Cavaco Silva diz que todos os Portugueses devem contribuir para vencer a crise.
"Cada um de nós deve pensar no contributo que pode dar para inverter esta situação, e iniciar um movimento sustentável de recuperação económica e parar o agravamento do desemprego", disse.
O Presidente foi muito imprevidente ao explicitar este sentimento. O proteccionismo é o pior inimigo da economia, ainda que no curto prazo pareça trazer benefícios. Politicamente isto está ao nível da "gaffe". É de esperar que todos os presidentes deste mundo não digam o mesmo. Porque se o disserem e as respectivas poulações aderirem em conformidade, então teríamos um problema dos grandes. Cavaco Silva não percebe que os Portugueses aos poucos vão mesmo passar a escolher o seu lugar de férias cá dentro. Não pela sua sensibilização, mas pela penúria económica em curso. O seu apelo em nada pode acrescentar e em tudo pode prejudicar.
Outro pormenor. Os territórios Portugueses da Madeira e os Açores ficam longe e precisam do turismo de Portugal Continental. Espero que não saiam prejudicados pelas palavras do Presidente.
A todos os que me honram com a leitura deste pequeno post vos digo. Passem férias onde bem entenderem.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O Prussiano e o Trio
SÁBADO, 5 DE JUNHO DE 2010
A zona Euro está muito dessincronizada. Na sua primeira crise a zona Euro mostrou-se muito pouco unida. Existem muitas sensibilidades nos países constituintes, nomeadamente entre a Alemanha e Portugal, Espanha e Grécia. O primeiro simboliza o esforço metódico, os bois à frente da carroça, a poupança, a racionalidade, exportação de bens e serviços, excedente e responsabilidade. Os segundos vão mais pelo discurso fácil, a carroça à frente dos bois, a despesa, a emoção, a importação de bens e serviços, défice e irresponsabilidade.
Naturalmente teria que haver um choque na primeira crise. Ei-lo em vigor. Neste momento os três estão a ganhar. O Euro desvaloriza para gáudio do trio e tristeza do Prussiano. O trio precisa de um Euro fraco de modo a competir, o Prussiano quer um Euro forte e estável pois é assim que maximiza o produto do seu esforço. A explicação é simples e já foi explicada neste espaço. Todo o mundo quer consumir produtos cuja manufacturação, seja lá onde a mesma tenha lugar, necessita de componentes Alemãs. Assim, tendo os Alemães uma procura rígida para os seus produtos, a maximização da recompensa advém de uma moeda forte.
O Euro esteve em alta nos últimos 10 anos porque o produto no mundo ia crescendo a taxas muito altas e precisava da engenharia alemã para alimentar as fábricas deste mundo. O trio meridional foi disfarçando os problemas da moeda forte com crescente endividamento, recorrendo ao consumo interno (fosse este público ou privado) para estimular a sua economia.
Pois a coisa estalou. O nível de endividamento do trio atingiu os limites. E só uma acentuada desvalorização do Euro, conjuntamente com um aperto de cinto impensável há uns anos, pode salvar o trio. Doravante veremos o trio "serrar presunto" em Bruxelas e apertar o cinto o menos que puder, que é como quem diz, "a ver se a coisa passa". Nem que para isso tenha que passar pela vergonha de levar uns puxões de orelhas em Paris, Berlim, ou na eterna Bruxelas, de cada vez que lá for chamado.
Quando o Euro atingir a paridade com o dólar, então veremos como é que o Prussiano vai reagir. Uma coisa é certa, este desiderato será resolvido cedo ou tarde.
A zona Euro está muito dessincronizada. Na sua primeira crise a zona Euro mostrou-se muito pouco unida. Existem muitas sensibilidades nos países constituintes, nomeadamente entre a Alemanha e Portugal, Espanha e Grécia. O primeiro simboliza o esforço metódico, os bois à frente da carroça, a poupança, a racionalidade, exportação de bens e serviços, excedente e responsabilidade. Os segundos vão mais pelo discurso fácil, a carroça à frente dos bois, a despesa, a emoção, a importação de bens e serviços, défice e irresponsabilidade.
Naturalmente teria que haver um choque na primeira crise. Ei-lo em vigor. Neste momento os três estão a ganhar. O Euro desvaloriza para gáudio do trio e tristeza do Prussiano. O trio precisa de um Euro fraco de modo a competir, o Prussiano quer um Euro forte e estável pois é assim que maximiza o produto do seu esforço. A explicação é simples e já foi explicada neste espaço. Todo o mundo quer consumir produtos cuja manufacturação, seja lá onde a mesma tenha lugar, necessita de componentes Alemãs. Assim, tendo os Alemães uma procura rígida para os seus produtos, a maximização da recompensa advém de uma moeda forte.
O Euro esteve em alta nos últimos 10 anos porque o produto no mundo ia crescendo a taxas muito altas e precisava da engenharia alemã para alimentar as fábricas deste mundo. O trio meridional foi disfarçando os problemas da moeda forte com crescente endividamento, recorrendo ao consumo interno (fosse este público ou privado) para estimular a sua economia.
Pois a coisa estalou. O nível de endividamento do trio atingiu os limites. E só uma acentuada desvalorização do Euro, conjuntamente com um aperto de cinto impensável há uns anos, pode salvar o trio. Doravante veremos o trio "serrar presunto" em Bruxelas e apertar o cinto o menos que puder, que é como quem diz, "a ver se a coisa passa". Nem que para isso tenha que passar pela vergonha de levar uns puxões de orelhas em Paris, Berlim, ou na eterna Bruxelas, de cada vez que lá for chamado.
Quando o Euro atingir a paridade com o dólar, então veremos como é que o Prussiano vai reagir. Uma coisa é certa, este desiderato será resolvido cedo ou tarde.
Quando os especuladores são "porreiros"
SÁBADO, 5 DE JUNHO DE 2010
Os especuladores, essa imagem obscura que temos de uns impiedosos errantes que só vêem o lucro pela frente, são sempre os maus da fita. Mas só quando nos convém. Alturas há em que eles são uns amigalhaços, mas por esses tempos há que assobiar para o lado ou fingir que não os vemos, tudo em virtude de não beliscarmos uma imagem que por vezes é conveniente invocar.
E é por estas semanas conturbadas, em que necessitamos como pão para a boca de aumentar as nossas exportações, que é muito conveniente não falar dos ditos especuladores. E porquê? Como eles decidiram não gostar do Euro por causa de uns excessos de dívida de uns países meridionais, então acharam que a moeda tinha que desvalorizar (alguns opinion makers dizem mesmoque o Euro atingirá a paridade contra o dólar).
Ora isto é bem bom para as nossas exportações. Embora as mesmas tenham como destino na sua maioria os países da zona euro, um Euro mais desvalorizado potencia as nossas exportações para o resto do mundo e dá-nos mais margem para competir contra outros países que exportam para a zona euro. Mas nestes momentos esquecemo-nos dos especuladores.
É pena que, para manter uma boa dose de equilíbrio nas nossas análises, nos esqueçamos dos especuladores quando eles nos ajudam. Lembrar-mo-nos deles somente quando eles nos trazem ventos desfavoráveis não nos dá muita credibilidade intelectual.
O distanciamento e a frieza por vezes dão muito boa assistência ao julgamento. Há quem lhe chame discernimento.
Os especuladores, essa imagem obscura que temos de uns impiedosos errantes que só vêem o lucro pela frente, são sempre os maus da fita. Mas só quando nos convém. Alturas há em que eles são uns amigalhaços, mas por esses tempos há que assobiar para o lado ou fingir que não os vemos, tudo em virtude de não beliscarmos uma imagem que por vezes é conveniente invocar.
E é por estas semanas conturbadas, em que necessitamos como pão para a boca de aumentar as nossas exportações, que é muito conveniente não falar dos ditos especuladores. E porquê? Como eles decidiram não gostar do Euro por causa de uns excessos de dívida de uns países meridionais, então acharam que a moeda tinha que desvalorizar (alguns opinion makers dizem mesmoque o Euro atingirá a paridade contra o dólar).
Ora isto é bem bom para as nossas exportações. Embora as mesmas tenham como destino na sua maioria os países da zona euro, um Euro mais desvalorizado potencia as nossas exportações para o resto do mundo e dá-nos mais margem para competir contra outros países que exportam para a zona euro. Mas nestes momentos esquecemo-nos dos especuladores.
É pena que, para manter uma boa dose de equilíbrio nas nossas análises, nos esqueçamos dos especuladores quando eles nos ajudam. Lembrar-mo-nos deles somente quando eles nos trazem ventos desfavoráveis não nos dá muita credibilidade intelectual.
O distanciamento e a frieza por vezes dão muito boa assistência ao julgamento. Há quem lhe chame discernimento.
Ajuda do Estado nas actuais circunstâncias económicas
DOMINGO, 02 DE JUNHO DE 2010
Estado pode ajudar as empresas de forma substancial na actual conjuntura económica, nomeadamente no que toca aos aspectos da tesouraria das mesmas. Para isso devera:
1. Pagar a tempo e horas. Qualquer coisa como 15 ou 30 dias após a aceitação das facturas dos fornecedores. Para alem do alivio que isso representaria para a tesouraria de muitas empresas, esta disciplina seria por certo extensível ao sector privado, ainda que parcialmente, marcando assim novos standards nas relações entre os agentes económicos, diminuindo desta forma a necessidade de financiamentos de curto prazo por parte das empresas.
2. Arranjar algum mecanismo autónomo (sob alçada da justiça) para acelerar os litígios respeitantes a cobranças. A resolução de processos que envolvam dívidas não regularizadas tem que ser de resolução rápida. Para além da questao moral, neste momento a questao financeira também se coloca pois a agudização desta questao começa a perturbar fortemente o balanço das empresas e o stress decorrente de parte das suas estruturas.
3. O Estado tem que desistir dos seus dislates de investimentos desnecessários ou que possam ser adiados. O dinheiro disponível para financiar a economia e escasso, e o existente, que e como quem diz, o que os bancos conseguem ir buscar lá fora, deve ser canalizado para financiar a actividade corrente das empresas a um juro resultante de um equilíbrio normal entre a oferta e procura de dinheiro. Se o Estado tem dislates, então sobra pouco dinheiro para financiar as PMEs.
4. Trabalhar em conjunto com os ICEP e bancos para promover exportações e cuidar de todo o mecanismo de financiamento necessário
Se o Estado fizer isto já esta a fazer muito. E deve faze-lo, ate porque mais ninguém esta em posição de substituir o Estado nestas matérias.
Estado pode ajudar as empresas de forma substancial na actual conjuntura económica, nomeadamente no que toca aos aspectos da tesouraria das mesmas. Para isso devera:
1. Pagar a tempo e horas. Qualquer coisa como 15 ou 30 dias após a aceitação das facturas dos fornecedores. Para alem do alivio que isso representaria para a tesouraria de muitas empresas, esta disciplina seria por certo extensível ao sector privado, ainda que parcialmente, marcando assim novos standards nas relações entre os agentes económicos, diminuindo desta forma a necessidade de financiamentos de curto prazo por parte das empresas.
2. Arranjar algum mecanismo autónomo (sob alçada da justiça) para acelerar os litígios respeitantes a cobranças. A resolução de processos que envolvam dívidas não regularizadas tem que ser de resolução rápida. Para além da questao moral, neste momento a questao financeira também se coloca pois a agudização desta questao começa a perturbar fortemente o balanço das empresas e o stress decorrente de parte das suas estruturas.
3. O Estado tem que desistir dos seus dislates de investimentos desnecessários ou que possam ser adiados. O dinheiro disponível para financiar a economia e escasso, e o existente, que e como quem diz, o que os bancos conseguem ir buscar lá fora, deve ser canalizado para financiar a actividade corrente das empresas a um juro resultante de um equilíbrio normal entre a oferta e procura de dinheiro. Se o Estado tem dislates, então sobra pouco dinheiro para financiar as PMEs.
4. Trabalhar em conjunto com os ICEP e bancos para promover exportações e cuidar de todo o mecanismo de financiamento necessário
Se o Estado fizer isto já esta a fazer muito. E deve faze-lo, ate porque mais ninguém esta em posição de substituir o Estado nestas matérias.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Portugal está a mudar silenciosamente
SÁBADO, 29 DE MAIO DE 2010
Esta crise acelerou a velocidade da mudança em Portugal. Qualquer crise tem o condão de remexer com convicções consideradas intocáveis. Na bonança pouca coisa é colocada em causa, mas em épocas de crise a realidade é questionada. Nesta perspectiva a crise internacional só veio acelerar a nossa crise e com isso precipitar a mudança. O problema que tínhamos antes da crise financeira internacional eclodir consistia na eterna esperança de que o antigo modelo de acumulação de dívida era viável.
A crise financeira internacional interrompeu o TGV e o NAL, bem como outros dislates megalómanos. Aos mais receosos direi que não irá haver nada disso, e que o tempo demonstrará que nada disso é necessário. A realidade é de uma força que surpreende mesmo os mais avisados. Como que de repente, é bom ver neste momento os banqueiros mais preocupados em financiar o essencial de uma economia: as PMEs e o crédito à habitação (as grandes empresas sempre podem ter outros meios de financiamento interno, e mesmo podem-se socorrer de financiamento externo). Isto é mudança, embora invisível.
Já vou recolhendo sinais de que há pessoas que consideram aceitar trabalhos que anteriormente recusariam. Já vou detectando que as pessoas aceitam o aumento dos impostos com naturalidade. Pena que o governo não tenha percebido que as pessoas aceitariam um aumento do IVA para 25%, ou preferencialmente, e ao invés, aceitariam reduzir os salários da função pública uns 15%. É a realidade a falar mais forte. Isto é mudança, embora invisível.
As pessoas estão a ficar mais atentas aos deslizes, incompetências, e aldrabices de muitos políticos. Sócrates pagou instantaneamente a sua incompetência e aldrabice. Ele pensa, erradamente, que foi porque teve que dar uma má mensagem aos Portugueses no que respeita ao aumento de impostos. Até neste julgamento fácil ele foi incompetente. Os Portugueses aceitaram bem este aperto mínimo de cinto. O que não aceitaram foram as incongruências de ter dito que Portugal já tinha saído da crise, quando a nossa crise só agora começa a ser evidenciada. O que não aceitaram é que o PM tenha dito que o aumento de impostos estava fora de questão e afinal não estar. O que não aceitaram é ver assinatura precipitada de acordos de grandes obras (TGV e NAL) quando tudo indicava que não iria haver dinheiro disponível (o que está a ser o caso). Uma crise faz-nos estar mais atentos. O actual PM está a prazo.
Quanto aos deslizes tivemos um, e grande, de Cavaco Silva. Incompreensível o argumento que utilizou para não vetar a questão do "casamento" homossexual. O povo revoltou-se muito mais com o argumento do que com o não veto em si, que de si já se impunha. É muito provável que isto venha dificultar a Cavaco Silva a sua reeleição como Presidente da República.
Mas mais do que o rolar de cabeças, tudo isto serve para acordar as pessoas. Já há histórico suficiente desde 1974. E as pessoas estão muito mais atentas, embora não o suficiente, e com isso tratarão de eleger Passos Coelho para PM num destes anos (O CDS vai ter que esperar mais um bocadinho, bocadinho que será um bocadão se se aliar num governo com o PSD).
A emigração está a acelerar de novo e muitos mais imigrantes estão a sair de Portugal. Este efeito combinado, juntamente com a crescente percepção de que não se está a produzir bebés suficientes (perdoem-me a frieza das palavras em matérias que envolvem as funções dos sentimentos), far-nos-á tomar consciência de que estamos a falir demograficamente. Quando percepcionarmos isto em cima das outras percepções, então Portugal mudará mesmo.
Esta crise acelerou a velocidade da mudança em Portugal. Qualquer crise tem o condão de remexer com convicções consideradas intocáveis. Na bonança pouca coisa é colocada em causa, mas em épocas de crise a realidade é questionada. Nesta perspectiva a crise internacional só veio acelerar a nossa crise e com isso precipitar a mudança. O problema que tínhamos antes da crise financeira internacional eclodir consistia na eterna esperança de que o antigo modelo de acumulação de dívida era viável.
A crise financeira internacional interrompeu o TGV e o NAL, bem como outros dislates megalómanos. Aos mais receosos direi que não irá haver nada disso, e que o tempo demonstrará que nada disso é necessário. A realidade é de uma força que surpreende mesmo os mais avisados. Como que de repente, é bom ver neste momento os banqueiros mais preocupados em financiar o essencial de uma economia: as PMEs e o crédito à habitação (as grandes empresas sempre podem ter outros meios de financiamento interno, e mesmo podem-se socorrer de financiamento externo). Isto é mudança, embora invisível.
Já vou recolhendo sinais de que há pessoas que consideram aceitar trabalhos que anteriormente recusariam. Já vou detectando que as pessoas aceitam o aumento dos impostos com naturalidade. Pena que o governo não tenha percebido que as pessoas aceitariam um aumento do IVA para 25%, ou preferencialmente, e ao invés, aceitariam reduzir os salários da função pública uns 15%. É a realidade a falar mais forte. Isto é mudança, embora invisível.
As pessoas estão a ficar mais atentas aos deslizes, incompetências, e aldrabices de muitos políticos. Sócrates pagou instantaneamente a sua incompetência e aldrabice. Ele pensa, erradamente, que foi porque teve que dar uma má mensagem aos Portugueses no que respeita ao aumento de impostos. Até neste julgamento fácil ele foi incompetente. Os Portugueses aceitaram bem este aperto mínimo de cinto. O que não aceitaram foram as incongruências de ter dito que Portugal já tinha saído da crise, quando a nossa crise só agora começa a ser evidenciada. O que não aceitaram é que o PM tenha dito que o aumento de impostos estava fora de questão e afinal não estar. O que não aceitaram é ver assinatura precipitada de acordos de grandes obras (TGV e NAL) quando tudo indicava que não iria haver dinheiro disponível (o que está a ser o caso). Uma crise faz-nos estar mais atentos. O actual PM está a prazo.
Quanto aos deslizes tivemos um, e grande, de Cavaco Silva. Incompreensível o argumento que utilizou para não vetar a questão do "casamento" homossexual. O povo revoltou-se muito mais com o argumento do que com o não veto em si, que de si já se impunha. É muito provável que isto venha dificultar a Cavaco Silva a sua reeleição como Presidente da República.
Mas mais do que o rolar de cabeças, tudo isto serve para acordar as pessoas. Já há histórico suficiente desde 1974. E as pessoas estão muito mais atentas, embora não o suficiente, e com isso tratarão de eleger Passos Coelho para PM num destes anos (O CDS vai ter que esperar mais um bocadinho, bocadinho que será um bocadão se se aliar num governo com o PSD).
A emigração está a acelerar de novo e muitos mais imigrantes estão a sair de Portugal. Este efeito combinado, juntamente com a crescente percepção de que não se está a produzir bebés suficientes (perdoem-me a frieza das palavras em matérias que envolvem as funções dos sentimentos), far-nos-á tomar consciência de que estamos a falir demograficamente. Quando percepcionarmos isto em cima das outras percepções, então Portugal mudará mesmo.
O adiamento de Portugal
SEXTA-FEIRA, 28 DE MAIO DE 2010
O adiamento de Portugal
Segundo o Bigonline
Há 19 anos que PSD não estava tão próximo da maioria absoluta
(28-05-2010 9:27:00)
Pedro Passos Coelho está próximo da maioria absoluta. De acordo com o barómetro da Marktest para o “Diário Económico” e “TSF”, o PSD alcançou 44% as intenções de voto no mês de Maio, contra 28% do PS. Desde 1991 que os social-democratas não conseguiam um resultado tão próximo da maioria absoluta. Já o PS registou o pior resultado desde que José Sócrates assumiu a liderança do partido.
O PSD, com Pedro Passos Coelho na liderança, ganhou quatro pontos percentuais só no último mês. Esses votos foram roubados à esquerda, mais precisamente ao PS que está em queda livre há oito meses, de acordo com o barómetro da Marktest.
Quando Passos Coelho assinou um pacto com Sócrates, tendo como conteúdo as medidas de austeridade, várias vozes se fizeram ouvir dizendo que este acordo iria penalizar ambos os partidos. Porém, tal não parece estar a acontecer. E como defende o professor Cardoso Rosas ao “Económico”, “este estudo prova que a responsabilização do Governo é sempre maior”.
Portugal adia-se. O PSD, o PS, o PCP e o BE são o problema de Portugal. Só um CDS renovado pode mudar o nosso Pais. E ao faze-lo num novo estilo, ou seja, governando sozinho, poderá marcar novos standards para todos os outros partidos. Mas isto não vai acontecer agora. Só lá para 2015. Mas o que estas sondagens revelam e um puro desejo de mudança. O melhor sinal já lá está: disposição para mudar. No entanto ainda se esta agarrado ao passado quando o presente e o futuro são totalmente diferente.
O adiamento de Portugal
Segundo o Bigonline
Há 19 anos que PSD não estava tão próximo da maioria absoluta
(28-05-2010 9:27:00)
Pedro Passos Coelho está próximo da maioria absoluta. De acordo com o barómetro da Marktest para o “Diário Económico” e “TSF”, o PSD alcançou 44% as intenções de voto no mês de Maio, contra 28% do PS. Desde 1991 que os social-democratas não conseguiam um resultado tão próximo da maioria absoluta. Já o PS registou o pior resultado desde que José Sócrates assumiu a liderança do partido.
O PSD, com Pedro Passos Coelho na liderança, ganhou quatro pontos percentuais só no último mês. Esses votos foram roubados à esquerda, mais precisamente ao PS que está em queda livre há oito meses, de acordo com o barómetro da Marktest.
Quando Passos Coelho assinou um pacto com Sócrates, tendo como conteúdo as medidas de austeridade, várias vozes se fizeram ouvir dizendo que este acordo iria penalizar ambos os partidos. Porém, tal não parece estar a acontecer. E como defende o professor Cardoso Rosas ao “Económico”, “este estudo prova que a responsabilização do Governo é sempre maior”.
Portugal adia-se. O PSD, o PS, o PCP e o BE são o problema de Portugal. Só um CDS renovado pode mudar o nosso Pais. E ao faze-lo num novo estilo, ou seja, governando sozinho, poderá marcar novos standards para todos os outros partidos. Mas isto não vai acontecer agora. Só lá para 2015. Mas o que estas sondagens revelam e um puro desejo de mudança. O melhor sinal já lá está: disposição para mudar. No entanto ainda se esta agarrado ao passado quando o presente e o futuro são totalmente diferente.
Ouvir quem sabe
QUARTA-FEIRA, 26 DE MAIO DE 2010
Segundo o Bigonline
Se Portugal saísse do euro "todos os bancos e famílias portuguesas" iam à falência
(26-05-2010 10:30:00)
O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) afasta um cenário de bancarrota, mas admite que os bancos nacionais estão a ter problemas de financiamento. Em entrevista à Rádio Renascença, António de Sousa afasta o cenário de Portugal sair do euro, pois todos os bancos e famílias portuguesas iriam à falência e salienta que "não há financiamento" para mega-projectos.
Em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença, António de Sousa revela que as dificuldades começaram em Fevereiro e não são “de curto prazo”.
“Se o mercado internacional e o mercado interbancário se mantiverem com as condições das últimas semanas, ou até diria dos últimos dois meses, a situação, progressivamente, torna-se mais complexa, nomeadamente para o próximo ano. A gravidade da situação é a sua manutenção durante muito tempo”, adverte o antigo governador do Banco de Portugal, em entrevista à Rádio Renascença.
Neste momento, a questão da liquidez está a ser “resolvida através do acesso ao Banco Central Europeu” (BCE), mas se o problema persistir durante muito tempo, “pode tornar-se complicado”.
Sobre as quedas sucessivas da Bolsa, António de Sousa considera que estamos em “permanente desequilíbrio”, a volatilidade e a especulação “são enormes” e também faltam “medidas estruturais”.
António de Sousa considera que as medidas de austeridade do governo foram “longe no lado do aumento da receita”, mas mostra-se, no entanto, preocupado com a falta de clarificação dos cortes na despesa do Estado, nomeadamente dos mega-projectos como o novo aeroporto, o TGV, a terceira travessia do Tejo ou as auto-estradas.
O não adiamento das grandes obras públicas cria “um problema de financiamento muito complicado”, avisa. “Eu não estou sequer a pronunciar-me se são bons ou são maus… neste momento não há dinheiro para eles, não há financiamento para eles, pelo menos”, frisa.
Questionado sobre a possibilidade de Portugal deixar o euro, mesmo que de forma temporária, António de Sousa não defende essa saída.
“Muito provavelmente, o que aconteceria numa saída do euro seria, imediatamente, seguida pela falência de todos os bancos e das famílias portuguesas”, diz o antigo governador do Banco de Portugal.
Temos que ter cuidado. Ao pe disto subidas do IVA para 25% ou descidas dos vencimentos da funcao publica na ordem dos 15% sao um doce. Leia-se o que dizem os banqueiros nesta altura. No aperto eles sao um excelente barometro. Na bonanca so alimentam ilusoes
Nota: perdao pela falta de acentuacao, mas este teclado nao permite mais
Segundo o Bigonline
Se Portugal saísse do euro "todos os bancos e famílias portuguesas" iam à falência
(26-05-2010 10:30:00)
O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) afasta um cenário de bancarrota, mas admite que os bancos nacionais estão a ter problemas de financiamento. Em entrevista à Rádio Renascença, António de Sousa afasta o cenário de Portugal sair do euro, pois todos os bancos e famílias portuguesas iriam à falência e salienta que "não há financiamento" para mega-projectos.
Em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença, António de Sousa revela que as dificuldades começaram em Fevereiro e não são “de curto prazo”.
“Se o mercado internacional e o mercado interbancário se mantiverem com as condições das últimas semanas, ou até diria dos últimos dois meses, a situação, progressivamente, torna-se mais complexa, nomeadamente para o próximo ano. A gravidade da situação é a sua manutenção durante muito tempo”, adverte o antigo governador do Banco de Portugal, em entrevista à Rádio Renascença.
Neste momento, a questão da liquidez está a ser “resolvida através do acesso ao Banco Central Europeu” (BCE), mas se o problema persistir durante muito tempo, “pode tornar-se complicado”.
Sobre as quedas sucessivas da Bolsa, António de Sousa considera que estamos em “permanente desequilíbrio”, a volatilidade e a especulação “são enormes” e também faltam “medidas estruturais”.
António de Sousa considera que as medidas de austeridade do governo foram “longe no lado do aumento da receita”, mas mostra-se, no entanto, preocupado com a falta de clarificação dos cortes na despesa do Estado, nomeadamente dos mega-projectos como o novo aeroporto, o TGV, a terceira travessia do Tejo ou as auto-estradas.
O não adiamento das grandes obras públicas cria “um problema de financiamento muito complicado”, avisa. “Eu não estou sequer a pronunciar-me se são bons ou são maus… neste momento não há dinheiro para eles, não há financiamento para eles, pelo menos”, frisa.
Questionado sobre a possibilidade de Portugal deixar o euro, mesmo que de forma temporária, António de Sousa não defende essa saída.
“Muito provavelmente, o que aconteceria numa saída do euro seria, imediatamente, seguida pela falência de todos os bancos e das famílias portuguesas”, diz o antigo governador do Banco de Portugal.
Temos que ter cuidado. Ao pe disto subidas do IVA para 25% ou descidas dos vencimentos da funcao publica na ordem dos 15% sao um doce. Leia-se o que dizem os banqueiros nesta altura. No aperto eles sao um excelente barometro. Na bonanca so alimentam ilusoes
Nota: perdao pela falta de acentuacao, mas este teclado nao permite mais
Uma nota sobre as medidas duras que o governo enunciou
SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2010
As medidas que o governo enunciou são insuficientes para resolver o problema. Passar de défices de 8,3% do PIB para 7,1%, ou coisa que o valha, é atirar areia para os olhos. Um défice de 7,1% é uma loucura para um país que não cresce há uma série de anos e cujas perspectivas de crescimento são nulas, e que têm uma dívida pública de 80% do PIB (sem contar com a oculta e com a dívida privada).
As medidas são avulsas e não emitem qualquer sinal. Emitem até alguns sinais contrários. Aumentar o IVA no escalão mais baixo e intermédio não faz sentido. Sabemos que o preço das matérias primas (trigo, milho, etc) estão mais baixos e que os produtores de bens alimentares podem acomodar o IVA com facilidade não aumentado, ou mesmo reduzindo a sua margem. Mas nada nos garante que o preço das matérias primas não suba de novo. Penso mesmo que será o mais provável.
O escalão de IVA que deve ser aumentado respeita ao escalão mais elevado. É onde estão a maioria dos bens não essenciais. E a mensagem a passar é a de que consumimos acima do que produzimos, pelo que há que taxar no escalão que contém menos bens essenciais.
É perverso criar uma taxa específica de IRS. Outra vez, o problema está no consumo interno. O IRS até deveria ser diminuído em alguns escalões. E onde concordo, o aumento da taxa máxima para 45%, é meramente simbólico. Reitero, temos é que taxar o consumo, não o rendimento.
Para finalizar tenho a dizer que me sinto envergonhado de ter pessoas que governam o nosso País sobre pressão externa. E com outras agravantes: mentem com todos os dentes, não percebem o que se está a passar, não acertam com o remédio para a dor do momento, e não têm uma estratégia para Portugal que lhe permita ser um País independente. Tenhamos agora consciência de uma coisa, Portugal neste momento não é um País independente. Repito, Portugal neste momento não é um País independente.
Nota 1: para todos os que seguem este blogue pode parecer que por vezes sou arrogante nas análises. Antes o fosse. Felizmente estou lúcido, vejo bem o que se passa, e sei que caminhamos muito mal, demasiadamente mal. E para mal do meu amado País vou acertando vezes demais.
Nota 2: perdoem-me o desabafo da Nota 1, mas sinto que por vezes estou só, demasiadamente só na minha visão, e quando há concordância do meu interlocutor sinto uma emanação de medo, como quem para evitar a verdade se refugia num olhar longínquo.
Nota 3: se defendo aumento do IVA do escalão máximo para uns 25 ou 26%, é porque não é possível descer a massa salarial do sector público uns 15%, no mínimo. Somente por isso. Sei bem que o problema é de despesa, não de receita.
As medidas que o governo enunciou são insuficientes para resolver o problema. Passar de défices de 8,3% do PIB para 7,1%, ou coisa que o valha, é atirar areia para os olhos. Um défice de 7,1% é uma loucura para um país que não cresce há uma série de anos e cujas perspectivas de crescimento são nulas, e que têm uma dívida pública de 80% do PIB (sem contar com a oculta e com a dívida privada).
As medidas são avulsas e não emitem qualquer sinal. Emitem até alguns sinais contrários. Aumentar o IVA no escalão mais baixo e intermédio não faz sentido. Sabemos que o preço das matérias primas (trigo, milho, etc) estão mais baixos e que os produtores de bens alimentares podem acomodar o IVA com facilidade não aumentado, ou mesmo reduzindo a sua margem. Mas nada nos garante que o preço das matérias primas não suba de novo. Penso mesmo que será o mais provável.
O escalão de IVA que deve ser aumentado respeita ao escalão mais elevado. É onde estão a maioria dos bens não essenciais. E a mensagem a passar é a de que consumimos acima do que produzimos, pelo que há que taxar no escalão que contém menos bens essenciais.
É perverso criar uma taxa específica de IRS. Outra vez, o problema está no consumo interno. O IRS até deveria ser diminuído em alguns escalões. E onde concordo, o aumento da taxa máxima para 45%, é meramente simbólico. Reitero, temos é que taxar o consumo, não o rendimento.
Para finalizar tenho a dizer que me sinto envergonhado de ter pessoas que governam o nosso País sobre pressão externa. E com outras agravantes: mentem com todos os dentes, não percebem o que se está a passar, não acertam com o remédio para a dor do momento, e não têm uma estratégia para Portugal que lhe permita ser um País independente. Tenhamos agora consciência de uma coisa, Portugal neste momento não é um País independente. Repito, Portugal neste momento não é um País independente.
Nota 1: para todos os que seguem este blogue pode parecer que por vezes sou arrogante nas análises. Antes o fosse. Felizmente estou lúcido, vejo bem o que se passa, e sei que caminhamos muito mal, demasiadamente mal. E para mal do meu amado País vou acertando vezes demais.
Nota 2: perdoem-me o desabafo da Nota 1, mas sinto que por vezes estou só, demasiadamente só na minha visão, e quando há concordância do meu interlocutor sinto uma emanação de medo, como quem para evitar a verdade se refugia num olhar longínquo.
Nota 3: se defendo aumento do IVA do escalão máximo para uns 25 ou 26%, é porque não é possível descer a massa salarial do sector público uns 15%, no mínimo. Somente por isso. Sei bem que o problema é de despesa, não de receita.
Ouçamos por momentos
QUARTA-FEIRA, 12 DE MAIO DE 2010
Fico muito feliz com a vinda do Papa Bento XVI ao meu querido Portugal. Mas não é só a sua presença que é muito bem-vinda. A sua mensagem também o será. Não só pelo espírito que por natureza lhe está sempre subjacente. Mas também por se tratar de uma pessoa de intelecto invulgar. Parqueemos por momentos a contínua excitação do último soudbyte do momento e exercitemos a atenção.
Obrigado Bento XVI
Fico muito feliz com a vinda do Papa Bento XVI ao meu querido Portugal. Mas não é só a sua presença que é muito bem-vinda. A sua mensagem também o será. Não só pelo espírito que por natureza lhe está sempre subjacente. Mas também por se tratar de uma pessoa de intelecto invulgar. Parqueemos por momentos a contínua excitação do último soudbyte do momento e exercitemos a atenção.
Obrigado Bento XVI
A música vai mudar em breve… mas não é já
QUARTA-FEIRA, 12 DE MAIO DE 2010
Muito triste verificar que os nossos governantes são reagentes por natureza. Foi preciso os mercados financeiros acordarem para se precipitarem em acordos. Mas se ainda os acordos surtissem efeito ainda se poderia dizer que ao menos pela reacção íamos lá. Mas não é o caso. Por isso sofreremos na pele a incúria de personagens como Passos Coelho e Sócrates. Estes perfis não foram trabalhados para a verdade. O meio que ditou aquilo que eles denominam por sucesso vale-se de critérios que não dão a assistência necessária para as medidas que tem que ser tomadas. Precisamos de verdade, dão-nos ilusão. Precisamos de estratégia, dão-nos oportunidades de ocasião. Precisamos de ideias politicas inovadoras e descomplexadas, dão-nos festivais políticos mediáticos. Precisamos de competentes, dão-nos “boys”. Precisamos de modéstia, dão-nos arrogância. Precisamos de audácia e de insólito, dão-nos a cartilha do costume. E precisamos de um líder, e só escolhemos interesseiros.
A Grécia está a preparar algumas medidas para combater os seus problemas. O IVA parece que vai subir de 21% para 23% (em Marco era 19%), vai cortar por tudo quanto e lado, etc. Não faço ideia de que estas medidas cheguem. Tenho um feeling de que não vão chegar. Mas para nós chegariam (aumento do IVA em 4 pontos percentuais – para 25%), embora muito parcialmente. Reafirmo, muito parcialmente. Só tenho pena que ninguém se atravesse com as mensagens que o povo tem que ouvir. Claramente estamos a viver um filme para menores de idade onde não são permitidas mensagens que a audiência não goste. Os “spin doctors”, essa muleta viciada dos políticos de terceira categoria, decretaram que o povo não pode ouvir mensagens desagradáveis. Não duvidemos, isto vai mudar. Já há sinais de que o povo está a perceber que anda a ser enganado demasiadas vezes por muitas pessoas. E começa a ter alguma vontade de por os pés na terra, o que, a ser feito, não se alcança com os perfis que marcam a actualidade.
Portugueses, a música vai mudar em breve. Mas para isso ainda teremos que sofrer mais umas atrocidades cometidas pelos bárbaros que nos governam. Só depois perceberemos que não e com conversa mole e fácil de uns quantos homo sapiens feitos a pressa que mudamos alguma coisa. E então nesse momento poderemos operar a mudança, e podemos perceber que a democracia afinal é um jogo que pode estar ao serviço dos fortes.
Muito triste verificar que os nossos governantes são reagentes por natureza. Foi preciso os mercados financeiros acordarem para se precipitarem em acordos. Mas se ainda os acordos surtissem efeito ainda se poderia dizer que ao menos pela reacção íamos lá. Mas não é o caso. Por isso sofreremos na pele a incúria de personagens como Passos Coelho e Sócrates. Estes perfis não foram trabalhados para a verdade. O meio que ditou aquilo que eles denominam por sucesso vale-se de critérios que não dão a assistência necessária para as medidas que tem que ser tomadas. Precisamos de verdade, dão-nos ilusão. Precisamos de estratégia, dão-nos oportunidades de ocasião. Precisamos de ideias politicas inovadoras e descomplexadas, dão-nos festivais políticos mediáticos. Precisamos de competentes, dão-nos “boys”. Precisamos de modéstia, dão-nos arrogância. Precisamos de audácia e de insólito, dão-nos a cartilha do costume. E precisamos de um líder, e só escolhemos interesseiros.
A Grécia está a preparar algumas medidas para combater os seus problemas. O IVA parece que vai subir de 21% para 23% (em Marco era 19%), vai cortar por tudo quanto e lado, etc. Não faço ideia de que estas medidas cheguem. Tenho um feeling de que não vão chegar. Mas para nós chegariam (aumento do IVA em 4 pontos percentuais – para 25%), embora muito parcialmente. Reafirmo, muito parcialmente. Só tenho pena que ninguém se atravesse com as mensagens que o povo tem que ouvir. Claramente estamos a viver um filme para menores de idade onde não são permitidas mensagens que a audiência não goste. Os “spin doctors”, essa muleta viciada dos políticos de terceira categoria, decretaram que o povo não pode ouvir mensagens desagradáveis. Não duvidemos, isto vai mudar. Já há sinais de que o povo está a perceber que anda a ser enganado demasiadas vezes por muitas pessoas. E começa a ter alguma vontade de por os pés na terra, o que, a ser feito, não se alcança com os perfis que marcam a actualidade.
Portugueses, a música vai mudar em breve. Mas para isso ainda teremos que sofrer mais umas atrocidades cometidas pelos bárbaros que nos governam. Só depois perceberemos que não e com conversa mole e fácil de uns quantos homo sapiens feitos a pressa que mudamos alguma coisa. E então nesse momento poderemos operar a mudança, e podemos perceber que a democracia afinal é um jogo que pode estar ao serviço dos fortes.
Este texto serve de exemplo sobre a pressão que venho falando
SEGUNDA-FEIRA, 10 DE MAIO DE 2010
In Bigonline
Portugal foi pressionado para tomar medidas suplementares para reduzir o défice
(10-05-2010 17:24:00)
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou hoje de madrugada o reforço das medidas de consolidação orçamental depois de ser fortemente pressionado por "vários" ministros das Finanças da União Europeia, segundo fontes comunitárias em Bruxelas.
Portugal e Espanha foram os dois únicos países citados nas conclusões da reunião dos responsáveis pelas Finanças da UE, que terminou cerca das 02:00 da manhã com o anúncio da criação de um mecanismo de estabilização de cerca de 750 mil milhões de euros para apoiar os Estados-membros que venham a ter dificuldades financeiras
"Saudamos e apoiamos firmemente o compromisso de Portugal e Espanha em tomar medidas adicionais significativas de consolidação [orçamental] em 2010 e 2011, e a sua apresentação no Conselho ECOFIN [reunião dos ministros das Finanças dos 27] de 18 de maio", de acordo com o texto das conclusões do encontro.
Segundo fontes comunitárias foram "vários" os ministros das Finanças que insistiram que Portugal e Espanha tinham de tomar medidas suplementares para acelerar a trajectória de redução dos seus défices orçamentais.
"Se não tivesse havido medidas anunciadas por Espanha e Portugal, o pacote não teria funcionado da mesma forma", disse a mesma fonte, insistindo que os dois países estiveram debaixo de uma "forte pressão".
Portugal estaria mesmo nos últimos dias "na mesma situação em que a Grécia se encontrava há seis ou sete semanas", antes de ter sido obrigada a pedir ajuda internacional para assegurar o pagamento dos empréstimos contraídos para financiar o seu desequilíbrio orçamental.
O ministro das Finanças português admitiu mesmo a possibilidade de aumentar os impostos para assegurar o aumento da rapidez da trajectória de redução do défice orçamental nos próximos anos para Portugal ganhar a confiança dos mercados financeiros.
Fernando Teixeira dos Santos anunciou um reforço das medidas de consolidação orçamental de forma a reduzir de 1,5 pontos percentuais do défice previsto para 2011, dos 6,6 por cento do PIB previstos para 5,1.
O primeiro-ministro já tinha anunciado sexta-feira também em Bruxelas a redução em 1,0 ponto percentual do défice previsto para 2010, de 8,3 por cento do PIB para 7,3.
Por seu lado, a ministra da Economia espanhola, Elena Salgado, assegurou na madrugada de hoje que as "circunstâncias excepcionais" que a Zona Euro enfrenta aconselhavam a um aumento da consolidação orçamental em Espanha.
O Governo de Madrid já tinha anunciado domingo a redução do défice previsto para 2010 e 2011.
Portugal e Espanha irão apresentar as medidas suplementares de consolidação orçamental daqui a uma semana quando os ministros das Finanças se voltarem a reunir em Bruxelas.
Segundo as mesmas fontes comunitárias, a Comissão Europeia irá fazer em Junho uma primeira avaliação da execução das medidas suplementares que os dois países Ibéricos vão tomar.
In Bigonline
Portugal foi pressionado para tomar medidas suplementares para reduzir o défice
(10-05-2010 17:24:00)
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou hoje de madrugada o reforço das medidas de consolidação orçamental depois de ser fortemente pressionado por "vários" ministros das Finanças da União Europeia, segundo fontes comunitárias em Bruxelas.
Portugal e Espanha foram os dois únicos países citados nas conclusões da reunião dos responsáveis pelas Finanças da UE, que terminou cerca das 02:00 da manhã com o anúncio da criação de um mecanismo de estabilização de cerca de 750 mil milhões de euros para apoiar os Estados-membros que venham a ter dificuldades financeiras
"Saudamos e apoiamos firmemente o compromisso de Portugal e Espanha em tomar medidas adicionais significativas de consolidação [orçamental] em 2010 e 2011, e a sua apresentação no Conselho ECOFIN [reunião dos ministros das Finanças dos 27] de 18 de maio", de acordo com o texto das conclusões do encontro.
Segundo fontes comunitárias foram "vários" os ministros das Finanças que insistiram que Portugal e Espanha tinham de tomar medidas suplementares para acelerar a trajectória de redução dos seus défices orçamentais.
"Se não tivesse havido medidas anunciadas por Espanha e Portugal, o pacote não teria funcionado da mesma forma", disse a mesma fonte, insistindo que os dois países estiveram debaixo de uma "forte pressão".
Portugal estaria mesmo nos últimos dias "na mesma situação em que a Grécia se encontrava há seis ou sete semanas", antes de ter sido obrigada a pedir ajuda internacional para assegurar o pagamento dos empréstimos contraídos para financiar o seu desequilíbrio orçamental.
O ministro das Finanças português admitiu mesmo a possibilidade de aumentar os impostos para assegurar o aumento da rapidez da trajectória de redução do défice orçamental nos próximos anos para Portugal ganhar a confiança dos mercados financeiros.
Fernando Teixeira dos Santos anunciou um reforço das medidas de consolidação orçamental de forma a reduzir de 1,5 pontos percentuais do défice previsto para 2011, dos 6,6 por cento do PIB previstos para 5,1.
O primeiro-ministro já tinha anunciado sexta-feira também em Bruxelas a redução em 1,0 ponto percentual do défice previsto para 2010, de 8,3 por cento do PIB para 7,3.
Por seu lado, a ministra da Economia espanhola, Elena Salgado, assegurou na madrugada de hoje que as "circunstâncias excepcionais" que a Zona Euro enfrenta aconselhavam a um aumento da consolidação orçamental em Espanha.
O Governo de Madrid já tinha anunciado domingo a redução do défice previsto para 2010 e 2011.
Portugal e Espanha irão apresentar as medidas suplementares de consolidação orçamental daqui a uma semana quando os ministros das Finanças se voltarem a reunir em Bruxelas.
Segundo as mesmas fontes comunitárias, a Comissão Europeia irá fazer em Junho uma primeira avaliação da execução das medidas suplementares que os dois países Ibéricos vão tomar.
Sinais
DOMINGO, 9 DE MAIO DE 2010
Já há sinais de que as coisas estão a apertar bastante. Cavaco Silva e Víctor Constâncio vieram a terreiro dizer que há que parar com TGV, auto estradas e NAL. Só não percebe quem quer assobiar para o lado. O próprio ministro das finanças anda meio atarantado. Sócrates não acerta uma. E o ministro das obras públicas é um lunático.
Doravante o discurso europeu será, se nada de substancial e visível for feito, como fazer Portugal, Espanha e Grécia saiam da zona euro. Não se duvide que a questão será posta em cima da mesa, se é que já lá não estará. Constâncio, com todos os defeitos que lhe conhecemos, um dos quais é "não se atravessar" (visão popular do termo), está num atulhado de informação privilegiada, bem secundado, com as costas quentes (Trichet é um excelente presidente do BCE), e por isso com à vontade para emitir doutrina. E já o fez (caramba, foi preciso ir lá para fora para falar o que cá devia ter falado... e feito).
Como disse, o que se passou na semana passada foi o pontapé de saída. A música já está a ser outra. Reitero, é uma tristeza ver que iremos continuamente a reboque da pressão externa. Caramba, pelo menos antecipemos as medidas que fatalmente terão que ser tomadas 1 ou 2 anos. É menos duro do que se as adiarmos (a pressão externa obrigar-nos-á a tomá-las) e tem o mérito de andarmos de cabeça erguida e sem problemas de olhar para o espelho.
Nota: já pagamos juros sobre o contínuo reescalonamento da dívida a 6%. E não ficará por aqui...
Já há sinais de que as coisas estão a apertar bastante. Cavaco Silva e Víctor Constâncio vieram a terreiro dizer que há que parar com TGV, auto estradas e NAL. Só não percebe quem quer assobiar para o lado. O próprio ministro das finanças anda meio atarantado. Sócrates não acerta uma. E o ministro das obras públicas é um lunático.
Doravante o discurso europeu será, se nada de substancial e visível for feito, como fazer Portugal, Espanha e Grécia saiam da zona euro. Não se duvide que a questão será posta em cima da mesa, se é que já lá não estará. Constâncio, com todos os defeitos que lhe conhecemos, um dos quais é "não se atravessar" (visão popular do termo), está num atulhado de informação privilegiada, bem secundado, com as costas quentes (Trichet é um excelente presidente do BCE), e por isso com à vontade para emitir doutrina. E já o fez (caramba, foi preciso ir lá para fora para falar o que cá devia ter falado... e feito).
Como disse, o que se passou na semana passada foi o pontapé de saída. A música já está a ser outra. Reitero, é uma tristeza ver que iremos continuamente a reboque da pressão externa. Caramba, pelo menos antecipemos as medidas que fatalmente terão que ser tomadas 1 ou 2 anos. É menos duro do que se as adiarmos (a pressão externa obrigar-nos-á a tomá-las) e tem o mérito de andarmos de cabeça erguida e sem problemas de olhar para o espelho.
Nota: já pagamos juros sobre o contínuo reescalonamento da dívida a 6%. E não ficará por aqui...
Portugal, solução (12)
SÁBADO, 8 DE MAIO DE 2010
Portugal, tens que eliminar o imposto pago na aquisição de casa no caso de não se tratar da primeira compra. Não faz sentido uma pessoa ser penalizada de cada vez que quer / tem que comprar uma casa. Isso é imoral. Mas existe um outro argumento, para além do moral, muito poderoso: eliminação de barreiras à mobilidade geográfica dentro de ti. A mobilidade é fundamental para permitir a fluidez desejada de mão-de-obra dos locais de excesso para os locais de carência de cada valência. Potencia-se a actividade económica ditada pelas regras do próprio mercado: as decisões dos empreendedores. Estas deixam de ter o entrave da disponibilidade em tempo real das valências necessárias para a implementação de um determinado projecto num determinado local.
Portugal, claro que há especificidades a serem cuidadas. No caso do valor da compra da segunda casa ser superior o valor a taxar corresponderá à diferença do preço entre uma e outra casa. Poder-se-ão admitir também coeficientes de actualização de modo a dotar de maior rigor o apuramento do valor a ser taxado. No fundo será aplicar o que já se aplica noutras circunstâncias (exemplo: actualização de rendas). Mas estes seriam detalhes técnicos e que em nada alterariam os fundamentos básicos da medida.
Portugal, toda a receita que se perderá é marginal. É impensável um país depender do imposto de transacções imobiliárias como fonte importante das suas receitas. O que se ganha em flexibilidade económica seguramente compensaria a perda imediata de receita fiscal. Mas algo irá também mitigar este ponto. O número de casas a adquirir no futuro será cada vez menor, não só pelo decréscimo populacional em curso, como também pela previsível diminuição do número de divórcios. Os tempos de penúria que aí vêm pressionarão maiores reflexões nesta matéria.
Ainda outro ponto. É provável que os preços do imobiliário desçam continuamente nos próximos tempos. Será adequado não existirem tentações em redeterminar a escala de taxas para a aquisição de casa. Provavelmente até será adequada reduzir a actual taxa máxima de 11% para 7%.
Portugal, interioriza bem que a mobilidade é fundamental para uma sociedade dinâmica. Criares barreiras neste ponto é dar tiros no pé. E neste momento já não há mais margem de manobra para isso.
Portugal, tens que eliminar o imposto pago na aquisição de casa no caso de não se tratar da primeira compra. Não faz sentido uma pessoa ser penalizada de cada vez que quer / tem que comprar uma casa. Isso é imoral. Mas existe um outro argumento, para além do moral, muito poderoso: eliminação de barreiras à mobilidade geográfica dentro de ti. A mobilidade é fundamental para permitir a fluidez desejada de mão-de-obra dos locais de excesso para os locais de carência de cada valência. Potencia-se a actividade económica ditada pelas regras do próprio mercado: as decisões dos empreendedores. Estas deixam de ter o entrave da disponibilidade em tempo real das valências necessárias para a implementação de um determinado projecto num determinado local.
Portugal, claro que há especificidades a serem cuidadas. No caso do valor da compra da segunda casa ser superior o valor a taxar corresponderá à diferença do preço entre uma e outra casa. Poder-se-ão admitir também coeficientes de actualização de modo a dotar de maior rigor o apuramento do valor a ser taxado. No fundo será aplicar o que já se aplica noutras circunstâncias (exemplo: actualização de rendas). Mas estes seriam detalhes técnicos e que em nada alterariam os fundamentos básicos da medida.
Portugal, toda a receita que se perderá é marginal. É impensável um país depender do imposto de transacções imobiliárias como fonte importante das suas receitas. O que se ganha em flexibilidade económica seguramente compensaria a perda imediata de receita fiscal. Mas algo irá também mitigar este ponto. O número de casas a adquirir no futuro será cada vez menor, não só pelo decréscimo populacional em curso, como também pela previsível diminuição do número de divórcios. Os tempos de penúria que aí vêm pressionarão maiores reflexões nesta matéria.
Ainda outro ponto. É provável que os preços do imobiliário desçam continuamente nos próximos tempos. Será adequado não existirem tentações em redeterminar a escala de taxas para a aquisição de casa. Provavelmente até será adequada reduzir a actual taxa máxima de 11% para 7%.
Portugal, interioriza bem que a mobilidade é fundamental para uma sociedade dinâmica. Criares barreiras neste ponto é dar tiros no pé. E neste momento já não há mais margem de manobra para isso.
Portugal, solução (11)
SÁBADO, 8 DE MAIO DE 2010
Portugal, tens que reduzir o IVA das actividades turísticas para 15%. O turismo será no futuro próximo uma actividade para ti de importância extrema. Não podes de maneira nenhuma perder quota de mercado nesta área. Tens que ter em conta que os países competem entre si por turistas, o que complementado com o relativo empobrecimento das classes médias a nível europeu vem, em muito, pressionar os preços para baixo.
Portugal, vê o turismo como uma bóia de salvação até encontrares novos nichos onde te possas revelar. Para a actividade turística funcionar com um standard mínimo não precisas de ter pessoas com muita formação, o que é o teu caso. Precisas somente de ter pessoas minimamente atenciosas e com vontade de servir. Este último aspecto em breve será melhorado tal o real aperto que cercará muitos Portugueses menos inclinados para aceitarem determinados trabalhos.
Outra arma competitiva que podes usar é a criação de um regime especial de IVA para as actividades turísticas do interior. Por exemplo, 5%. Isso em muito ajudaria ao estímulo do turismo no interior, o que concorreria para a manutenção / crescimento de actividade económica no interior do ti. Não vaciles neste ponto. O teu interior é uma pérola muito importante na tua atractividade geral. Portugal, e lembra-te bem que Espanha é um mercado importantíssimo para o interior do País (a geografia diz tudo) e que o nível de vida dos espanhóis vai baixar nos anos que se seguem, pelo que, preços baixos, é fundamental.
Nota: no caso de Portugal ser excluído da zona euro, então esta medida teria que ser reavaliada. A resultante desvalorização do escudo, provavelmente cerca de 20%, seria o suficiente para tornar esta actividade turística mais competitiva.
Portugal, tens que reduzir o IVA das actividades turísticas para 15%. O turismo será no futuro próximo uma actividade para ti de importância extrema. Não podes de maneira nenhuma perder quota de mercado nesta área. Tens que ter em conta que os países competem entre si por turistas, o que complementado com o relativo empobrecimento das classes médias a nível europeu vem, em muito, pressionar os preços para baixo.
Portugal, vê o turismo como uma bóia de salvação até encontrares novos nichos onde te possas revelar. Para a actividade turística funcionar com um standard mínimo não precisas de ter pessoas com muita formação, o que é o teu caso. Precisas somente de ter pessoas minimamente atenciosas e com vontade de servir. Este último aspecto em breve será melhorado tal o real aperto que cercará muitos Portugueses menos inclinados para aceitarem determinados trabalhos.
Outra arma competitiva que podes usar é a criação de um regime especial de IVA para as actividades turísticas do interior. Por exemplo, 5%. Isso em muito ajudaria ao estímulo do turismo no interior, o que concorreria para a manutenção / crescimento de actividade económica no interior do ti. Não vaciles neste ponto. O teu interior é uma pérola muito importante na tua atractividade geral. Portugal, e lembra-te bem que Espanha é um mercado importantíssimo para o interior do País (a geografia diz tudo) e que o nível de vida dos espanhóis vai baixar nos anos que se seguem, pelo que, preços baixos, é fundamental.
Nota: no caso de Portugal ser excluído da zona euro, então esta medida teria que ser reavaliada. A resultante desvalorização do escudo, provavelmente cerca de 20%, seria o suficiente para tornar esta actividade turística mais competitiva.
Portugal, solução (10)
SÁBADO, 8 DE MAIO DE 2010
Portugal, tens professores a mais para a quantidade de alunos existentes. Se isso é verdadeiro nos dias de hoje, sê-lo-á cada vez mais verdadeiro nos anos que se seguirão devido à enorme redução da taxa de fecundidade que se vem verificando nos últimos anos. Por outro lado tens um problema de desemprego de pessoas com potencial capacidade de ensino (licenciados). Pelo facto da tua economia não ir gerar nos próximos anos empregos nas áreas de competências de muitos dos teus desempregados e futuros professores excedentários, terás que firmar um acordo internacional que te convenha a ti, a todas essas pessoas que voluntariamente queiram emigrar, e que também seja conveniente aos Países com quem firmares esses acordos.
Os países com quem deverás firmar acordos deverão ser os países africanos de expressão oficial portuguesa. As razões do lado desses países serão basicamente:
1. Necessidade extrema de formação básica e secundária da população local associada à explosão demográfica em curso. Angola e Moçambique deverão quase duplicar a sua população no espaço de 40 a 50 anos.
2. Necessidade de formação de professores nativos desses países
3. Afinidade linguística
As razões que levarão alguns Portugueses a emigrar não serão importantes de enumerar. Cada um sabe de si e as pessoas são livres de decidir por si. Evidentemente será providenciada toda a informação relevante. Mas seguramente não será demais invocar que a falta de perspectivas em Portugal e a situação de desemprego eminente serão mais do que motivos para muitos Portugueses optarem por uma solução desta natureza.
Portugal, com esta solução vês-te livre de um grande encargo que já tens, os actuais desempregados, e de adicionais encargos futuros, os futuros professores desempregados devido à falta de alunos. E proporcionarás esperança a muitos dos que abracem esta aventura.
Portugal, como já te venho dizendo, muitas das tuas soluções serão insólitas. Planear emigração não será uma actividade muito frequente, mas neste momento não tens alternativa. Aproveita o feliz casamento entre as tuas necessidades e as necessidades dos outros países e concretiza algo de proveitoso para todos.
Portugal as negociações a terem curso deverão ser pautadas por equilíbrio entre as partes. Ninguém deverá partir do pressuposto que está a fazer um favor ao outro. O interesse é de todos. Há que aproveitar o facto de não existirem relações de poder na natureza da actividade a exportar (ensino). Se por qualquer razão do lado dos países africanos surgirem vozes contrárias à ideia e se for invocado o fantasma de neo-colonialismo, então será fácil de destruir o argumento. Formar nativos no ensino básico e secundário e formar formadores nativos é um meio seguro de libertar um povo de qualquer tipo de dominância externa. Todos os países têm a ganhar se as novas gerações de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Guiné-Bissau forem substancialmente mais instruídas.
Portugal não será de estranhar que se possa assistir a uma emigração de cerca de 100.000 pessoas neste programa. Claro que não sairiam todos de uma vez, mas o sucesso do programa poderá pressionar muitos Portugueses que andam meio perdidos a seguirem a via de ensino. Quem desespera estará sempre pronto a seguir a rota da esperança.
Portugal, tens professores a mais para a quantidade de alunos existentes. Se isso é verdadeiro nos dias de hoje, sê-lo-á cada vez mais verdadeiro nos anos que se seguirão devido à enorme redução da taxa de fecundidade que se vem verificando nos últimos anos. Por outro lado tens um problema de desemprego de pessoas com potencial capacidade de ensino (licenciados). Pelo facto da tua economia não ir gerar nos próximos anos empregos nas áreas de competências de muitos dos teus desempregados e futuros professores excedentários, terás que firmar um acordo internacional que te convenha a ti, a todas essas pessoas que voluntariamente queiram emigrar, e que também seja conveniente aos Países com quem firmares esses acordos.
Os países com quem deverás firmar acordos deverão ser os países africanos de expressão oficial portuguesa. As razões do lado desses países serão basicamente:
1. Necessidade extrema de formação básica e secundária da população local associada à explosão demográfica em curso. Angola e Moçambique deverão quase duplicar a sua população no espaço de 40 a 50 anos.
2. Necessidade de formação de professores nativos desses países
3. Afinidade linguística
As razões que levarão alguns Portugueses a emigrar não serão importantes de enumerar. Cada um sabe de si e as pessoas são livres de decidir por si. Evidentemente será providenciada toda a informação relevante. Mas seguramente não será demais invocar que a falta de perspectivas em Portugal e a situação de desemprego eminente serão mais do que motivos para muitos Portugueses optarem por uma solução desta natureza.
Portugal, com esta solução vês-te livre de um grande encargo que já tens, os actuais desempregados, e de adicionais encargos futuros, os futuros professores desempregados devido à falta de alunos. E proporcionarás esperança a muitos dos que abracem esta aventura.
Portugal, como já te venho dizendo, muitas das tuas soluções serão insólitas. Planear emigração não será uma actividade muito frequente, mas neste momento não tens alternativa. Aproveita o feliz casamento entre as tuas necessidades e as necessidades dos outros países e concretiza algo de proveitoso para todos.
Portugal as negociações a terem curso deverão ser pautadas por equilíbrio entre as partes. Ninguém deverá partir do pressuposto que está a fazer um favor ao outro. O interesse é de todos. Há que aproveitar o facto de não existirem relações de poder na natureza da actividade a exportar (ensino). Se por qualquer razão do lado dos países africanos surgirem vozes contrárias à ideia e se for invocado o fantasma de neo-colonialismo, então será fácil de destruir o argumento. Formar nativos no ensino básico e secundário e formar formadores nativos é um meio seguro de libertar um povo de qualquer tipo de dominância externa. Todos os países têm a ganhar se as novas gerações de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Guiné-Bissau forem substancialmente mais instruídas.
Portugal não será de estranhar que se possa assistir a uma emigração de cerca de 100.000 pessoas neste programa. Claro que não sairiam todos de uma vez, mas o sucesso do programa poderá pressionar muitos Portugueses que andam meio perdidos a seguirem a via de ensino. Quem desespera estará sempre pronto a seguir a rota da esperança.
Começou uma nova caminhada
QUARTA-FEIRA, 28 DE ABRIL DE 2010
Ontem foi dado o pontapé de saída para uma nova fase do nosso Portugal. Lamentavelmente tudo o que se vai seguir vai ser por pressão externa. Nada será feito por nossa iniciativa. Iremos a reboque do que outros nos impuserem. Assim sendo estaremos manietados numa qualquer estratégia para o nosso querido Portugal.
Acabou a era do endividamento e iniciou-se a fase do pagamento das dívidas acumuladas. Vamos cair na realidade e espero que aprendamos alguma coisa com a tragédia grega que está mesmo à porta. Eu por mim quero continuar na zona euro. Sair será um desastre de difícil mensuração. Tudo quanto implique subidas de IVA para 25% ou 26% e descidas de ordenados na ordem dos 15% para a função pública parecerão um verdadeiro oásis quando comparado com uma possível saída do euro. Que se interiorize e perceba isto muito bem.
Espero que todos os Portugueses sintam que estão num momento de viragem histórica e que participem com sucesso na mudança que agora se iniciou. Não se tratam de revoluções ou qualquer coisa do género. Não vão ocorrer manifestações, plenários ou eventos similares. A revolução vai ser muito suave, nublada, mas muito, muito profunda. Acima de tudo será ao nível das expectativas e na sua adequação às possibilidades. Manifestar-se-á nos comportamentos diários e nas atitudes perante as opções. Na nova conjugação de opções de todos os Portugueses sairá um novo Portugal. Será um Portugal melhor que o actual porque mais verdadeiro e com os pés assentes na terra. E não há político, por mais azelha e inqualificado que seja, que se consiga opor com sucesso à nova realidade. Será constantemente cercado pela fortíssima e poderosíssima pressão externa e pelos novos comportamentos internos da população.
Entre outras coisas há uma que me agrada que venha a mudar. Reside na maior aceitação que doravante teremos sobre quem sabe sobre os assuntos. Nas últimas décadas a ignorância tem falado demasiado alto, e isso está agora a dar os seus frutos. No futuro seremos mais implacáveis para com os ignorantes e bem-falantes e ouviremos os sapientes com modéstia. Estejamos descansados, destes há muitos cá em Portugal, embora andem muito arredados de onde deviam estar. É só colocá-los no seu lugar por substituição dos inqualificados e arrogantes.
Portugueses, vai ser duro, vai ser até revoltante, mas vai ser. E quanto mais for por nossa iniciativa mais suave será a travessia. Pessoalmente não creio que haja político capaz de levar a cabo o que tem que ser feito. Mas sei que aceitaremos sempre o que tiver de ser feito. Não tenho qualquer dúvida que os Portugueses saberão escolher o caminho.
Viva Portugal
Ontem foi dado o pontapé de saída para uma nova fase do nosso Portugal. Lamentavelmente tudo o que se vai seguir vai ser por pressão externa. Nada será feito por nossa iniciativa. Iremos a reboque do que outros nos impuserem. Assim sendo estaremos manietados numa qualquer estratégia para o nosso querido Portugal.
Acabou a era do endividamento e iniciou-se a fase do pagamento das dívidas acumuladas. Vamos cair na realidade e espero que aprendamos alguma coisa com a tragédia grega que está mesmo à porta. Eu por mim quero continuar na zona euro. Sair será um desastre de difícil mensuração. Tudo quanto implique subidas de IVA para 25% ou 26% e descidas de ordenados na ordem dos 15% para a função pública parecerão um verdadeiro oásis quando comparado com uma possível saída do euro. Que se interiorize e perceba isto muito bem.
Espero que todos os Portugueses sintam que estão num momento de viragem histórica e que participem com sucesso na mudança que agora se iniciou. Não se tratam de revoluções ou qualquer coisa do género. Não vão ocorrer manifestações, plenários ou eventos similares. A revolução vai ser muito suave, nublada, mas muito, muito profunda. Acima de tudo será ao nível das expectativas e na sua adequação às possibilidades. Manifestar-se-á nos comportamentos diários e nas atitudes perante as opções. Na nova conjugação de opções de todos os Portugueses sairá um novo Portugal. Será um Portugal melhor que o actual porque mais verdadeiro e com os pés assentes na terra. E não há político, por mais azelha e inqualificado que seja, que se consiga opor com sucesso à nova realidade. Será constantemente cercado pela fortíssima e poderosíssima pressão externa e pelos novos comportamentos internos da população.
Entre outras coisas há uma que me agrada que venha a mudar. Reside na maior aceitação que doravante teremos sobre quem sabe sobre os assuntos. Nas últimas décadas a ignorância tem falado demasiado alto, e isso está agora a dar os seus frutos. No futuro seremos mais implacáveis para com os ignorantes e bem-falantes e ouviremos os sapientes com modéstia. Estejamos descansados, destes há muitos cá em Portugal, embora andem muito arredados de onde deviam estar. É só colocá-los no seu lugar por substituição dos inqualificados e arrogantes.
Portugueses, vai ser duro, vai ser até revoltante, mas vai ser. E quanto mais for por nossa iniciativa mais suave será a travessia. Pessoalmente não creio que haja político capaz de levar a cabo o que tem que ser feito. Mas sei que aceitaremos sempre o que tiver de ser feito. Não tenho qualquer dúvida que os Portugueses saberão escolher o caminho.
Viva Portugal
O diálogo europeu do momento (ponto da situação em 27.04.2010)
TERÇA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2010
Grécia: Então, emprestam-nos dinheiro ou não? Nós não conseguimos domar no curto prazo a situação aqui internamente. A gente tenta, mas o povo não quer colaborar muito. Tem que ser aos bocadinhos…
Alemanha: Desculpem mas nós não vamos nessa conversa. Sempre tudo para depois. É só desculpas. Os nossos contribuintes não querem correr riscos e começam a achar que realmente nunca devíamos ter deixado o Marco. Com o Marco a estabilidade cambial estava garantida, com o euro estamos reféns de outros. Há qualquer coisa de errado neste jogo.
França: Temos que ser solidários uns com os outros e manter a unidade europeia.
Portugal: Não podemos deixar a Grécia sozinha
Alemanha: Mas que raio, será que ninguém percebe que se hoje socorremos os gregos então passamos a pior mensagem para os portugueses e espanhóis. Eles até já se andam a perfilar. Bolas, parece que esta gente não sabe viver ao nível das possibilidades.
Grécia: Ó Alemanha, com o euro instável e baixo isso não ajuda o vosso propósito. Nós sabemos que toda a gente quer os vossos produtos, independentemente do valor da moeda. Acho que vos está a sair mais caro não nos ajudar do que o contrário.
Alemanha: Olha, olha. Mas só nos faltava esta. Mas, mas, mas isto é chantagem. Espera aí, mas que esquema é este! Ai, ai que isto está a tomar proporções maiores…
França: Temos que ser solidários uns com os outros e manter a unidade europeia.
Portugal: Ó caraças, agora os mercados apontaram baterias para nós. Ó pessoal, nós não estamos nas mesmas condições que os gregos. Estão a ouvir? Mercados financeiros, estão aí? Estão-me a ouvir?
Alemanha: Não és a Grécia hoje, mas sê-lo-ás em breve. Damos-te mais uns três anos e vais ver. E esse PEC que chutaste para Bruxelas é uma treta. Irra, chega de fintas. Ainda por cima não te enxergas que o teu produto não vai crescer condignamente. Pensas que nos enganas.
EUA (em surdina): Ó Alemanha, epá, o NASDAQ está a crescer há um tempo. Por favor, não estragues a coisa. Vá lá, colabora lá.
Alemanha: Olha-me estes agora. Mas o que é que é isto. Será que está tudo doido. Parece que andar hiper endividado é que está a dar. Desculpem lá, mas isto é com vocês? Não, pois não? Então deixem lá a coisa connosco que isto de disciplinar esta gente no euro não está fácil, pois quem deve ouvir anda a falar alto de mais para quem está em posição de falar. E depois vêm sempre com aquela que nós é que somos os maus. Irra, porra para as guerras do passado, gramamos sempre com isso como último argumento.
Grécia: Ai, ai. Ó pessoal aí, já nos cobram a 10%. Os mercados estão contra nós.
Alemanha: Haaa, a 10%? Bem feita. Toma lá que é para aprenderes. Porta-te mas é bem e faz o que tens a fazer. Deixa-te de braço de ferro connosco. Daqui levas pouco. Julgas que somos os quê?
França: Os especuladores, são os especuladores. Vamos a eles.
Alemanha: Só faltavam mais estes para chutar para canto. Caramba, não perdem nunca a oportunidade para ganhar influência política. Só pensam nisso. Até lhes cega a razão. Interesseiros.
Reino Unido: Porra, Deus queira que os mercados financeiros não apontem baterias para nós. Esta confusão do euro está mesmo a correr bem. São eles e não nós. Mas, mas, mas estamos muita endividados também. Chiça, que tempos.
Grécia: Ai, ai.
Alemanha: Grita, grita. Meu amigo, o senhor tem que responder pelos seus actos e aprender que isto do euro é muito giro para consumir mas também tem a outra face.
Portugal: Ó diabo, os gaijos não vão lá safar a Grécia. Malta, se isso não acontecer, epá, é chato, mas acho que temos mesmo que resolver o problema do défice e da dívida. Meu, estás a imaginar o que seria termos de sair do euro? Epá, isto afinal está a aquecer. Vamos esperar mais um bocadinho para ver o que isto vai dar. Esperar? Bolas, não sei bem… Estou confuso. Não é isto que eu queria. O que é que eu faço? Caraças para a fábula da cigarra e da formiga. Eu quero lá saber disso. Mas o que é que eu faço? Estou lixado. Lixado? Pelo menos não neste fim-de-semana. O Benfica vai ser campeão e umas amêijoas com uma cervejola ajudam a esquecer um bocadinho a coisa… Espectáculo.
Alemanha: Mas estes tipos são doidos ou parvos?
Portugal: Tu não sabes é viver. Caramelos, não sabem o que é bom.
Alemanha: Acho que vou começar a perder a paciência. Parece que vêm de todos os lados. Quem diria, ter mais em comum com chineses, indianos e brasileiros! Mas está bem. Nós temos a nossa missão neste mundo: dar aos outros aquilo que eles precisam de comprar para produzir aquilo que todos querem consumir. Estamos defendidíssimos.
Portugal: Mas nós temos o melhor queijo do mundo
Grécia: E nós ilhas paradisíacas
França: Nós temos ainda a Luz
Reino Unido: Chris, will you give the fourth pint i have ordered, or not? Bloddy Germans. And Icelanders too. This last ones didn’t understand properly, we said Cash.
EUA (em reflexão): Que raio de conversa. Realmente é melhor mantermo-nos afastados.
Grécia: SOS, SOS, SOS. Aqui Grécia, apelamos a toda a comunidade internacional. Ajudem-nos.
Alemanha: Desculpem lá, temos pouco mais a declarar. Apresentem algo de muito credível e depois falamos. Temos eleições internas e o nosso povo merece ser ouvido nos seus justos receios.
Portugal: Ó Zé, o que é que os alemães disseram, ajudam ou não? Ó Manel, a coisa não corre nada bem. Diz isso ao António e à Maria. Epá, e é melhor ir já espalhando que isto se calhar vai ter que correr de outra forma.
Alemanha (a ranger os dentes): Pensam que somos parvos, mas enganam-se. Agora temos direito a uma cerveja das nossas. Depois de trabalhar merecemos qualquer coisa, não é? Fraulein…
Grécia: Então, emprestam-nos dinheiro ou não? Nós não conseguimos domar no curto prazo a situação aqui internamente. A gente tenta, mas o povo não quer colaborar muito. Tem que ser aos bocadinhos…
Alemanha: Desculpem mas nós não vamos nessa conversa. Sempre tudo para depois. É só desculpas. Os nossos contribuintes não querem correr riscos e começam a achar que realmente nunca devíamos ter deixado o Marco. Com o Marco a estabilidade cambial estava garantida, com o euro estamos reféns de outros. Há qualquer coisa de errado neste jogo.
França: Temos que ser solidários uns com os outros e manter a unidade europeia.
Portugal: Não podemos deixar a Grécia sozinha
Alemanha: Mas que raio, será que ninguém percebe que se hoje socorremos os gregos então passamos a pior mensagem para os portugueses e espanhóis. Eles até já se andam a perfilar. Bolas, parece que esta gente não sabe viver ao nível das possibilidades.
Grécia: Ó Alemanha, com o euro instável e baixo isso não ajuda o vosso propósito. Nós sabemos que toda a gente quer os vossos produtos, independentemente do valor da moeda. Acho que vos está a sair mais caro não nos ajudar do que o contrário.
Alemanha: Olha, olha. Mas só nos faltava esta. Mas, mas, mas isto é chantagem. Espera aí, mas que esquema é este! Ai, ai que isto está a tomar proporções maiores…
França: Temos que ser solidários uns com os outros e manter a unidade europeia.
Portugal: Ó caraças, agora os mercados apontaram baterias para nós. Ó pessoal, nós não estamos nas mesmas condições que os gregos. Estão a ouvir? Mercados financeiros, estão aí? Estão-me a ouvir?
Alemanha: Não és a Grécia hoje, mas sê-lo-ás em breve. Damos-te mais uns três anos e vais ver. E esse PEC que chutaste para Bruxelas é uma treta. Irra, chega de fintas. Ainda por cima não te enxergas que o teu produto não vai crescer condignamente. Pensas que nos enganas.
EUA (em surdina): Ó Alemanha, epá, o NASDAQ está a crescer há um tempo. Por favor, não estragues a coisa. Vá lá, colabora lá.
Alemanha: Olha-me estes agora. Mas o que é que é isto. Será que está tudo doido. Parece que andar hiper endividado é que está a dar. Desculpem lá, mas isto é com vocês? Não, pois não? Então deixem lá a coisa connosco que isto de disciplinar esta gente no euro não está fácil, pois quem deve ouvir anda a falar alto de mais para quem está em posição de falar. E depois vêm sempre com aquela que nós é que somos os maus. Irra, porra para as guerras do passado, gramamos sempre com isso como último argumento.
Grécia: Ai, ai. Ó pessoal aí, já nos cobram a 10%. Os mercados estão contra nós.
Alemanha: Haaa, a 10%? Bem feita. Toma lá que é para aprenderes. Porta-te mas é bem e faz o que tens a fazer. Deixa-te de braço de ferro connosco. Daqui levas pouco. Julgas que somos os quê?
França: Os especuladores, são os especuladores. Vamos a eles.
Alemanha: Só faltavam mais estes para chutar para canto. Caramba, não perdem nunca a oportunidade para ganhar influência política. Só pensam nisso. Até lhes cega a razão. Interesseiros.
Reino Unido: Porra, Deus queira que os mercados financeiros não apontem baterias para nós. Esta confusão do euro está mesmo a correr bem. São eles e não nós. Mas, mas, mas estamos muita endividados também. Chiça, que tempos.
Grécia: Ai, ai.
Alemanha: Grita, grita. Meu amigo, o senhor tem que responder pelos seus actos e aprender que isto do euro é muito giro para consumir mas também tem a outra face.
Portugal: Ó diabo, os gaijos não vão lá safar a Grécia. Malta, se isso não acontecer, epá, é chato, mas acho que temos mesmo que resolver o problema do défice e da dívida. Meu, estás a imaginar o que seria termos de sair do euro? Epá, isto afinal está a aquecer. Vamos esperar mais um bocadinho para ver o que isto vai dar. Esperar? Bolas, não sei bem… Estou confuso. Não é isto que eu queria. O que é que eu faço? Caraças para a fábula da cigarra e da formiga. Eu quero lá saber disso. Mas o que é que eu faço? Estou lixado. Lixado? Pelo menos não neste fim-de-semana. O Benfica vai ser campeão e umas amêijoas com uma cervejola ajudam a esquecer um bocadinho a coisa… Espectáculo.
Alemanha: Mas estes tipos são doidos ou parvos?
Portugal: Tu não sabes é viver. Caramelos, não sabem o que é bom.
Alemanha: Acho que vou começar a perder a paciência. Parece que vêm de todos os lados. Quem diria, ter mais em comum com chineses, indianos e brasileiros! Mas está bem. Nós temos a nossa missão neste mundo: dar aos outros aquilo que eles precisam de comprar para produzir aquilo que todos querem consumir. Estamos defendidíssimos.
Portugal: Mas nós temos o melhor queijo do mundo
Grécia: E nós ilhas paradisíacas
França: Nós temos ainda a Luz
Reino Unido: Chris, will you give the fourth pint i have ordered, or not? Bloddy Germans. And Icelanders too. This last ones didn’t understand properly, we said Cash.
EUA (em reflexão): Que raio de conversa. Realmente é melhor mantermo-nos afastados.
Grécia: SOS, SOS, SOS. Aqui Grécia, apelamos a toda a comunidade internacional. Ajudem-nos.
Alemanha: Desculpem lá, temos pouco mais a declarar. Apresentem algo de muito credível e depois falamos. Temos eleições internas e o nosso povo merece ser ouvido nos seus justos receios.
Portugal: Ó Zé, o que é que os alemães disseram, ajudam ou não? Ó Manel, a coisa não corre nada bem. Diz isso ao António e à Maria. Epá, e é melhor ir já espalhando que isto se calhar vai ter que correr de outra forma.
Alemanha (a ranger os dentes): Pensam que somos parvos, mas enganam-se. Agora temos direito a uma cerveja das nossas. Depois de trabalhar merecemos qualquer coisa, não é? Fraulein…
Portugal não é a Grécia, mas por outras razões
TERÇA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2010
Portugal não é a Grécia. Isto é o que os nossos políticos dizem. E com razão… hoje. Estamos atrasados relativamente à Grécia uns 3 ou 4 anos. A dívida pública e o défice da Grécia são de 125% e 14% relativamente ao produto, respectivamente. Nós apresentamos números de 80% e 10%. A diferença está à vista. Mas pessoalmente não tenho regozijo em saber que teremos o aspecto financeiro da Grécia daqui a 3 ou 4 anos. Perspectivas…
Mas penso que Portugal não seja a Grécia por outros motivos. Portugal é global, Portugal é simbiose, Portugal é comunicação, Portugal é curiosidade, Portugal é experimentalismo, Portugal é relação, Portugal é Europa, América, África e Ásia. Portugal tem uma responsabilidade neste mundo global para assumir. Somos a ponta de uma rede mundial de contactos, origem de uma cultura comum espalhada pelo mundo e que se quer afirmar. A globalização é o nosso meio natural. Fomos nós que a criámos. Jogamos em casa, não há que ter receio. A globalização é uma bênção para Portugal. Pergunto, acaso existirá algum peixe que tenha medo da água ou algum camelo que tenha medo da areia?
A nossa responsabilidade passa, inicialmente, por cumprir a nossa existência na origem, a Europa. Estando sintonizados com o nosso meio de referência imediato, então poderemos ter a veleidade de ser o elo de referência de todos os outros elos que falam o Português. A nossa responsabilidade não acaba em Portugal. A nossa responsabilidade é sermos o expoente daquela que pode ser a mais bem sucedida e mais extensa rede global do futuro, a CPLP. E isso é perfeitamente exequível. Mas faz-se com ingredientes diferentes daqueles que andam em vigor. Faz-se com verdade, com espírito aberto, com humildade, e com trabalho inteligente. Não se faz esperando que nos venham salvar financeiramente, com dívidas resultantes de financiamento ao consumo, com temas “fracturantes” e com políticos de meia tigela em constante busca de bodes expiatórios. Isso é para moles, coisa que pelo menos eu não quero ser. Quem vem?
Portugal não é a Grécia. Isto é o que os nossos políticos dizem. E com razão… hoje. Estamos atrasados relativamente à Grécia uns 3 ou 4 anos. A dívida pública e o défice da Grécia são de 125% e 14% relativamente ao produto, respectivamente. Nós apresentamos números de 80% e 10%. A diferença está à vista. Mas pessoalmente não tenho regozijo em saber que teremos o aspecto financeiro da Grécia daqui a 3 ou 4 anos. Perspectivas…
Mas penso que Portugal não seja a Grécia por outros motivos. Portugal é global, Portugal é simbiose, Portugal é comunicação, Portugal é curiosidade, Portugal é experimentalismo, Portugal é relação, Portugal é Europa, América, África e Ásia. Portugal tem uma responsabilidade neste mundo global para assumir. Somos a ponta de uma rede mundial de contactos, origem de uma cultura comum espalhada pelo mundo e que se quer afirmar. A globalização é o nosso meio natural. Fomos nós que a criámos. Jogamos em casa, não há que ter receio. A globalização é uma bênção para Portugal. Pergunto, acaso existirá algum peixe que tenha medo da água ou algum camelo que tenha medo da areia?
A nossa responsabilidade passa, inicialmente, por cumprir a nossa existência na origem, a Europa. Estando sintonizados com o nosso meio de referência imediato, então poderemos ter a veleidade de ser o elo de referência de todos os outros elos que falam o Português. A nossa responsabilidade não acaba em Portugal. A nossa responsabilidade é sermos o expoente daquela que pode ser a mais bem sucedida e mais extensa rede global do futuro, a CPLP. E isso é perfeitamente exequível. Mas faz-se com ingredientes diferentes daqueles que andam em vigor. Faz-se com verdade, com espírito aberto, com humildade, e com trabalho inteligente. Não se faz esperando que nos venham salvar financeiramente, com dívidas resultantes de financiamento ao consumo, com temas “fracturantes” e com políticos de meia tigela em constante busca de bodes expiatórios. Isso é para moles, coisa que pelo menos eu não quero ser. Quem vem?
O cerco externo começou à séria
TERÇA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2010
Os mercados estão num processo de reavaliação. Portugal está no radar há já um tempo, mas só agora os mercados tomam o pulso da verdadeira capacidade dos nossos políticos. A história não é complicada e basta senso comum e a 4ª classe para perceber o que se passa.
Genericamente andamos a consumir 10% mais do que produzimos por ano. O desejo de reduzir o consumo é nulo. A dívida acumulada pública já vai nos 80% do que se produz por ano (não conto com a dívida privada que é para ter um dia mais sossegado). O nosso produto não aumenta porque não somos suficientemente competitivos. Os políticos não têm a mínima coragem para fazer o que tem de ser feito no curto prazo, ou seja, aumento de impostos (nomeadamente IVA, aí para 25 ou 26%) e redução de 10 a 15% dos vencimentos dos funcionários públicos. Entendamo-nos, a massa de que é feita os nossos políticos não combina com o que é necessário fazer.
Os nossos credores começam a percepcionar risco em Portugal, e como nós temos que renegociar a dívida corrente e o nosso défice, então de cada vez que vamos ao mercado pedir dinheiro os credores pedem-nos mais dinheiro por isso (sim, o juro). Relembro que a crise financeira actual deveu-se, e em muito, ao facto de os mercados não diferenciarem o risco entre as diferentes pessoas / entidades que pediam dinheiro emprestado. Por isso tenhamos cautela quando apontamos o dedo aos especuladores.
Especulador é figura que merece todas as antipatias. Concordo. Mas os Alemães não se queixam deles. Pudera, portam-se bem e são de boas contas. E parece que esses especuladores arrepiaram caminho com a Irlanda. Pudera, deram sinais de que iriam controlar a sua dívida (por enquanto, pois só o tempo o dirá). Especulador serve para duas coisas: 1. Dar liquidez ao sistema, e 2. Servir de bode expiatório.
Apontar o dedo aos especuladores e aos mercados é assobiar para o lado. O mal está em ter uma dívida pública acumulada de 80% do produto (sem contar com a dívida privada), um defice a rondar os 10% do produto, e também assobiar para o lado.
Reitero, ou somos nós que tomamos conta de nós, ou somos corridos do euro a prazo. Até lá vamos ter que começar a interiorizar, através de juros mais altos, que o filme afinal é para maiores de 18 anos. Está nas nossas mãos.
Os mercados estão num processo de reavaliação. Portugal está no radar há já um tempo, mas só agora os mercados tomam o pulso da verdadeira capacidade dos nossos políticos. A história não é complicada e basta senso comum e a 4ª classe para perceber o que se passa.
Genericamente andamos a consumir 10% mais do que produzimos por ano. O desejo de reduzir o consumo é nulo. A dívida acumulada pública já vai nos 80% do que se produz por ano (não conto com a dívida privada que é para ter um dia mais sossegado). O nosso produto não aumenta porque não somos suficientemente competitivos. Os políticos não têm a mínima coragem para fazer o que tem de ser feito no curto prazo, ou seja, aumento de impostos (nomeadamente IVA, aí para 25 ou 26%) e redução de 10 a 15% dos vencimentos dos funcionários públicos. Entendamo-nos, a massa de que é feita os nossos políticos não combina com o que é necessário fazer.
Os nossos credores começam a percepcionar risco em Portugal, e como nós temos que renegociar a dívida corrente e o nosso défice, então de cada vez que vamos ao mercado pedir dinheiro os credores pedem-nos mais dinheiro por isso (sim, o juro). Relembro que a crise financeira actual deveu-se, e em muito, ao facto de os mercados não diferenciarem o risco entre as diferentes pessoas / entidades que pediam dinheiro emprestado. Por isso tenhamos cautela quando apontamos o dedo aos especuladores.
Especulador é figura que merece todas as antipatias. Concordo. Mas os Alemães não se queixam deles. Pudera, portam-se bem e são de boas contas. E parece que esses especuladores arrepiaram caminho com a Irlanda. Pudera, deram sinais de que iriam controlar a sua dívida (por enquanto, pois só o tempo o dirá). Especulador serve para duas coisas: 1. Dar liquidez ao sistema, e 2. Servir de bode expiatório.
Apontar o dedo aos especuladores e aos mercados é assobiar para o lado. O mal está em ter uma dívida pública acumulada de 80% do produto (sem contar com a dívida privada), um defice a rondar os 10% do produto, e também assobiar para o lado.
Reitero, ou somos nós que tomamos conta de nós, ou somos corridos do euro a prazo. Até lá vamos ter que começar a interiorizar, através de juros mais altos, que o filme afinal é para maiores de 18 anos. Está nas nossas mãos.
Não acham?
SEGUNDA-FEIRA, 26 DE ABRIL DE 2010
Adoro andar na rua e sentir o pulsar de uma comunidade. Tenho viajado um pouco pela Europa e experimentado viver em diversas vilas e cidades. Por todas faço questão de andar aleatoriamente pelas ruas e avenidas e ir simplesmente olhando para as pessoas e grupos.
Este exercício não é tão praticado quando estou na minha amada Lusitânia. Como Português eu faço parte da acção que decorre na rua. Já pouco há de novo que me possa surpreender. Mas recentemente tenho observado que há algo de profundamente diferente em Portugal. Não sei se a identificação veio das estatísticas ou se a observação foi ter com as mesmas. Mas o facto é que hoje vejo poucos bebés e crianças na rua. Falo pela experiência de fim-de-semana, que até é quando é expectável ver famílias a passear. Concluo que a taxa de fecundidade de 1,33 que se tem verificado nos últimos anos está de facto a marcar a sociedade. E se hoje a vai marcando visualmente daqui a 20 ou 30 anos vai claramente marcar-nos noutros aspectos. Que não haja a mínima dúvida sobre isso.
Sempre me fez confusão ver imagens de zonas pobres atulhadas de crianças a viverem em plena miséria. Mas também me anda a fazer confusão algumas parcelas da sociedade mais folgadas economicamente não procriarem em conformidade (terem 3, 4 ou mesmo 5 filhos). Um filho parece ser a bitola. Respeito as opções, mas gostaria que a bitola fosse outra.
Quero somente dizer que gosto de ver famílias na rua com muitos filhos e que sinto que isso não se verifique com frequência. É extraordinariamente bonito ver uma família a passear na rua. Não acham?
Adoro andar na rua e sentir o pulsar de uma comunidade. Tenho viajado um pouco pela Europa e experimentado viver em diversas vilas e cidades. Por todas faço questão de andar aleatoriamente pelas ruas e avenidas e ir simplesmente olhando para as pessoas e grupos.
Este exercício não é tão praticado quando estou na minha amada Lusitânia. Como Português eu faço parte da acção que decorre na rua. Já pouco há de novo que me possa surpreender. Mas recentemente tenho observado que há algo de profundamente diferente em Portugal. Não sei se a identificação veio das estatísticas ou se a observação foi ter com as mesmas. Mas o facto é que hoje vejo poucos bebés e crianças na rua. Falo pela experiência de fim-de-semana, que até é quando é expectável ver famílias a passear. Concluo que a taxa de fecundidade de 1,33 que se tem verificado nos últimos anos está de facto a marcar a sociedade. E se hoje a vai marcando visualmente daqui a 20 ou 30 anos vai claramente marcar-nos noutros aspectos. Que não haja a mínima dúvida sobre isso.
Sempre me fez confusão ver imagens de zonas pobres atulhadas de crianças a viverem em plena miséria. Mas também me anda a fazer confusão algumas parcelas da sociedade mais folgadas economicamente não procriarem em conformidade (terem 3, 4 ou mesmo 5 filhos). Um filho parece ser a bitola. Respeito as opções, mas gostaria que a bitola fosse outra.
Quero somente dizer que gosto de ver famílias na rua com muitos filhos e que sinto que isso não se verifique com frequência. É extraordinariamente bonito ver uma família a passear na rua. Não acham?
Temos crianças, inconscientes e incompetentes a governarem-nos. Quem se seguirá?
QUARTA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2010
Todos os nossos Primeiros-Ministros desde 1985 têm demonstrado ser, ou crianças, ou inconscientes, ou incompetentes, ou uma mistura de tudo isso. Portugal está à beira de entrar em colapso em virtude de uma série consecutiva de erros, reitero, uma série consecutiva de erros que têm sido tomados. Todos esses pseudo comandantes não tiveram nenhuma estratégia para o País. Mais não fizeram senão emanar uma série de disparates em tom de máximas de ocasião segundo o contexto da época.
Os Portugueses estão claramente sem rumo porque não há nenhum líder político que tenha a coragem de dizer o que tem que, obrigatoriamente, ser feito ao nível económico e financeiro, bem como que expectativa será razoável ter. Os Portugueses já perceberam que há qualquer coisa de muito profundo que não está bem no País, só que ainda não sabem bem o que é ao certo. A percepção da realidade e sua interiorização, a comunicação da mesma ao País, o delinear de soluções e a sua clara e inequívoca comunicação a todos os Portugueses deverá ser a tarefa do próximo Primeiro-Ministro de Portugal.
A situação actual está à beira da ruptura, muito presa por arames como vulgarmente se diz. A situação de risco financeiro que se vive revela só por si a imensa irresponsabilidade de todos os Primeiros-Ministros de Portugal desde 1985. Estar sobre a mesa a possibilidade de Portugal ser alvo de um ataque de especuladores financeiros, independentemente do seu real fundamento, é sintoma da deficiente e muito continuada gestão financeira do País, o que aliás é espelhado nos nossos números respeitantes à dívida externa (pública e privada) e ao deficit público.
Temo pelo futuro de Portugal, e pelas consequências que isso possa ter sobre a minha pessoa, sobre a minha família, e sobre todos os outros Portugueses. É corrente dizer também que não estamos a honrar os nossos antepassados mais proeminentes, o que será muito verdadeiro. Mas acrescentarei que não nos estamos a honrar a nós próprios, como pessoas individuais e como cidadãos de um colectivo. Neste particular, se não alternarmos muito substancialmente a nossa política global do País, passaremos pela vergonha de nos desonrarmos perante os nossos filhos através de um legado de dívida por habitante de difícil liquidação. Que o povo Português pense bem sobre o que quer para as gerações futuras.
Quem se seguirá?
Todos os nossos Primeiros-Ministros desde 1985 têm demonstrado ser, ou crianças, ou inconscientes, ou incompetentes, ou uma mistura de tudo isso. Portugal está à beira de entrar em colapso em virtude de uma série consecutiva de erros, reitero, uma série consecutiva de erros que têm sido tomados. Todos esses pseudo comandantes não tiveram nenhuma estratégia para o País. Mais não fizeram senão emanar uma série de disparates em tom de máximas de ocasião segundo o contexto da época.
Os Portugueses estão claramente sem rumo porque não há nenhum líder político que tenha a coragem de dizer o que tem que, obrigatoriamente, ser feito ao nível económico e financeiro, bem como que expectativa será razoável ter. Os Portugueses já perceberam que há qualquer coisa de muito profundo que não está bem no País, só que ainda não sabem bem o que é ao certo. A percepção da realidade e sua interiorização, a comunicação da mesma ao País, o delinear de soluções e a sua clara e inequívoca comunicação a todos os Portugueses deverá ser a tarefa do próximo Primeiro-Ministro de Portugal.
A situação actual está à beira da ruptura, muito presa por arames como vulgarmente se diz. A situação de risco financeiro que se vive revela só por si a imensa irresponsabilidade de todos os Primeiros-Ministros de Portugal desde 1985. Estar sobre a mesa a possibilidade de Portugal ser alvo de um ataque de especuladores financeiros, independentemente do seu real fundamento, é sintoma da deficiente e muito continuada gestão financeira do País, o que aliás é espelhado nos nossos números respeitantes à dívida externa (pública e privada) e ao deficit público.
Temo pelo futuro de Portugal, e pelas consequências que isso possa ter sobre a minha pessoa, sobre a minha família, e sobre todos os outros Portugueses. É corrente dizer também que não estamos a honrar os nossos antepassados mais proeminentes, o que será muito verdadeiro. Mas acrescentarei que não nos estamos a honrar a nós próprios, como pessoas individuais e como cidadãos de um colectivo. Neste particular, se não alternarmos muito substancialmente a nossa política global do País, passaremos pela vergonha de nos desonrarmos perante os nossos filhos através de um legado de dívida por habitante de difícil liquidação. Que o povo Português pense bem sobre o que quer para as gerações futuras.
Quem se seguirá?
O que parece nem sempre é
SEGUNDA-FEIRA, 19 DE ABRIL DE 2010
Se andarmos pelas ruas de uma qualquer cidade inglesa ou americana apercebemo-nos que estamos no meio de gente minimamente organizada, estudiosa (pelo menos no sentido prático da vida), disciplinada, ordeira, e com um razoável entendimento sobre como conjugar o bem privado e o bem público. Diremos que se tratarão de sociedades num patamar de desenvolvimento superior e que servirão de referência ao nível comportamental de quem tiver veleidades de progredir na escala da vida em sociedade. Se percorrermos muitas das ruas da China, do Brasil, ou da Índia, poderemos recolher impressões contrárias.
Se perguntarmos agora a um qualquer menos informado cidadão deste mundo quem deve dinheiro a quem, esse cidadão será muito tentado a dizer que são os segundos que devem aos primeiros. A opinião decorreria de certos estereótipos enraizados sobre a aparência entre uns e outros, e o à vontade com que cada um se apresenta na vida pública. Uns mais confiantes e polidos, outros mais inferiorizados e embaciados.
O que parece nem sempre é.
Se andarmos pelas ruas de uma qualquer cidade inglesa ou americana apercebemo-nos que estamos no meio de gente minimamente organizada, estudiosa (pelo menos no sentido prático da vida), disciplinada, ordeira, e com um razoável entendimento sobre como conjugar o bem privado e o bem público. Diremos que se tratarão de sociedades num patamar de desenvolvimento superior e que servirão de referência ao nível comportamental de quem tiver veleidades de progredir na escala da vida em sociedade. Se percorrermos muitas das ruas da China, do Brasil, ou da Índia, poderemos recolher impressões contrárias.
Se perguntarmos agora a um qualquer menos informado cidadão deste mundo quem deve dinheiro a quem, esse cidadão será muito tentado a dizer que são os segundos que devem aos primeiros. A opinião decorreria de certos estereótipos enraizados sobre a aparência entre uns e outros, e o à vontade com que cada um se apresenta na vida pública. Uns mais confiantes e polidos, outros mais inferiorizados e embaciados.
O que parece nem sempre é.
Como colocar a questão e quem escolher
DOMINGO, 18 DE ABRIL DE 2010
A recente crise financeira fez levantar em muitos círculos a questão do capitalismo. Questiona-se se o capitalismo é o melhor sistema, ou se não haverá outro melhor. Ou ainda como reinventar o capitalismo, o que mais não seria do que um bom título para um livro de terceira categoria.
Há que compreender que o capitalismo não se discute. Ele faz parte da natureza como uma combinação natural das relações entre seres humanos e entre estes e a natureza.
De certa forma pode-se comparar o capitalismo com a natureza. Esta não deve ser discutida nos seus fundamentos, antes deve ser compreendida de modo a minimizar os efeitos negativos no ser humano das suas eternas “irritações” (como terramotos, tsunamis, cheias, vulcões, etc). Da mesma forma também o capitalismo deverá ser melhor compreendido. É estéril discutir a sua validade, mas muito útil a sua compreensão. Assim lidamos convenientemente com os seus eternos excessos (crises financeiras, económicas, orçamentais, exploração desmedida dos recursos, etc.).
Há somente que distinguir um ponto entre a natureza e o capitalismo. As “irritações” da natureza são resultante da interacção de elementos providos de forças complexas e nem sempre de imediata compreensão, que se manifestam com maior ou menor intensidade e que não obedecem a qualquer regra moral. O capitalismo resulta da interacção livre entre homens e entre estes e a natureza. Com uma componente dotada de moralidade e imoralidade, virtudes e vícios, e com capacidade de transformar alguns elementos da natureza, o capitalismo só pode ser um sistema que de tempos a tempos tenha alguns colapsos. Nada mais do que isso.
No meio do turbilhão e adversidade económica há pouca margem para a observação e muita margem para o desabafo. Nestas circunstâncias a melhor assistência é fornecida por homens frios e até desnudados de alguma sensibilidade. Esta estirpe de homens consegue observar o que os homens calorosos e mais sensíveis simplesmente vêem (a inconsciência cega). Neste momento nem uns nem outros nos comandam. Antes, temos um rol de interesseiros atulhados em complexas e perversas redes de tráfico de influências, onde umas transferências bancárias obscuras tratam sempre de resolver os naturais atritos da rede. Pobre do País que não se desenvencilha destes parasitas ou que se os chuta para fora segue a via da inconsciência.
A recente crise financeira fez levantar em muitos círculos a questão do capitalismo. Questiona-se se o capitalismo é o melhor sistema, ou se não haverá outro melhor. Ou ainda como reinventar o capitalismo, o que mais não seria do que um bom título para um livro de terceira categoria.
Há que compreender que o capitalismo não se discute. Ele faz parte da natureza como uma combinação natural das relações entre seres humanos e entre estes e a natureza.
De certa forma pode-se comparar o capitalismo com a natureza. Esta não deve ser discutida nos seus fundamentos, antes deve ser compreendida de modo a minimizar os efeitos negativos no ser humano das suas eternas “irritações” (como terramotos, tsunamis, cheias, vulcões, etc). Da mesma forma também o capitalismo deverá ser melhor compreendido. É estéril discutir a sua validade, mas muito útil a sua compreensão. Assim lidamos convenientemente com os seus eternos excessos (crises financeiras, económicas, orçamentais, exploração desmedida dos recursos, etc.).
Há somente que distinguir um ponto entre a natureza e o capitalismo. As “irritações” da natureza são resultante da interacção de elementos providos de forças complexas e nem sempre de imediata compreensão, que se manifestam com maior ou menor intensidade e que não obedecem a qualquer regra moral. O capitalismo resulta da interacção livre entre homens e entre estes e a natureza. Com uma componente dotada de moralidade e imoralidade, virtudes e vícios, e com capacidade de transformar alguns elementos da natureza, o capitalismo só pode ser um sistema que de tempos a tempos tenha alguns colapsos. Nada mais do que isso.
No meio do turbilhão e adversidade económica há pouca margem para a observação e muita margem para o desabafo. Nestas circunstâncias a melhor assistência é fornecida por homens frios e até desnudados de alguma sensibilidade. Esta estirpe de homens consegue observar o que os homens calorosos e mais sensíveis simplesmente vêem (a inconsciência cega). Neste momento nem uns nem outros nos comandam. Antes, temos um rol de interesseiros atulhados em complexas e perversas redes de tráfico de influências, onde umas transferências bancárias obscuras tratam sempre de resolver os naturais atritos da rede. Pobre do País que não se desenvencilha destes parasitas ou que se os chuta para fora segue a via da inconsciência.
Carlos Pires (1979-2067)
DOMINGO, 18 DE ABRIL DE 2010
O Carlos nasceu em Loures em 1979. Filho de um engenheiro de origens serranas e de uma professora primária originária de Lisboa, o Carlos teve uma infância crescentemente fácil juntamente com os seus 2 irmãos. O Avô paterno de Carlos estabelecera-se em Loures em 1948 onde trabalhou arduamente numa pequena padaria de que era sócio; a Avó sofria de uma doença e só a espaços ajudava o marido. O Avô materno de Carlos era operário e a Avó materna doméstica.
A vida sorriu aos pais de Carlos. Até 1985 viviam comodamente, embora sem grandes margens para veleidades que não as que bastassem a uma vida pacata e sem sobressaltos económicos. A segunda metade da década de 80 e toda a década de 90 correu ainda melhor aos Pires, o que lhes permitiu dar aos filhos aquilo que eles não tiveram na infância. Assim, o Carlos cresceu abundantemente com telemóveis, play stations, computadores, e toda a gadjeteria galopante que acompanhava a pequena bonança dos Pires. As férias no Algarve, e duas ou três idas ao Brasil faziam também parte do pacote de estilo de vida. O Engº Pires, apreciador de bons carros, permitia-se agora gozar a condução de BMWs, marca que considerava que acompanhava bem os confortos de que não prescindia. Um estilo que os avós de Carlos nunca ousaram sonhar.
O Carlitos, como era conhecido no seu bairro, embora desconhecesse o conceito de privação, carregava a longínqua imagem das histórias e fotografias dos seus avós. Percebendo a evolução geracional, embora nunca desrespeitando as suas origens, sentia-se sempre um pouco embaraçado na relação com as suas origens. A ponte com os Avós era difícil. As vidas marcadas do passado demonstravam ser de combinação difícil com a desenvoltura e facilidades da infância do presente. O Carlitos considerava que à sua pessoa estava garantida a continuidade da bonança, e quiçá até alguma pequena fortuna. E por uma questão de princípio, resolveu até estudar, cursando gestão de empresas por uma ainda recente universidade privada.
Acabado o curso, o Carlitos arranjou trabalho numa pequena consultora que viera a falir em 2005 quando ia no seu terceiro ano de experiência laboral. Ainda a viver em casa dos pais, o Carlitos vê-se depois a trabalhar para um Revisor Oficial de Contas. Um ano depois casa-se com Célia Machado, fulgurante figura formada em Marketing e a trabalhar para uma revista de moda. Vão viver para Telheiras, terra que vê nascer o pequeno Tomás em 2007. A vida não começou a correr mal à nova geração Pires, mas as longas jornadas de trabalho vão criando alguma turbulência. O casamento “não está a dar” ia dizendo o Dr. Carlos. Três anos depois separa-se ao saber que a Célia tem um caso com o director financeiro da revista.
A vida começa então a tornar-se mais complicada para o Carlos. O divórcio implicou custos, muitos custos. Célia, bem aconselhada pela sua nova conquista, um conhecido advogado de Lisboa, consegue extorquir uma bela pensão de alimentos a Carlos. Carlos vê-se obrigado a ir para um apartamento menos ambicioso, um T2 situado nas Olaias. A prestação e as pesadas revisões do BMW tornam-se mais difíceis de suportar, mas o barco ainda se aguenta. O pior mesmo é a retirada de alguns benefícios e prémios até então prática do ROC para quem trabalha. A crise financeira chegava a todas as actividades. Para dificultar, os juros do empréstimo da casa começaram a subir pouco a pouco a partir de 2011. Muitas restrições instalam-se na vida de Carlos, num perfeito contraste com as expectativas iniciais. Mas o Carlos aguenta-se um pouco com uma herança de 40.000 euros da Mãe (entre dinheiro e umas jóias pertença da Avó) que entretanto falecera devido a problemas alcoólicos com origem num divórcio que se revelou muito conturbado.
Carlos casa uma segunda vez com Susana Cardoso, uma professora de sociologia, já divorciada e com dois filhos, e que dá aulas numa escola privada. Vende o T2, e tem que suportar menos valia de 20.000 euros devido à descida dos preços do imobiliário em Portugal. Ainda assim consegue uma boa compra de um T3 em Loures. A vida parecia um pouco mais equilibrada entre 2012 e 2014. No entanto duas questões complicaram a vida a Carlos. O colégio para onde Susana trabalhava fechara no início de 2015 por falta de alunos. Aliás, o fenómeno começara a ocorrer com frequência a partir de 2015 dada a pequena taxa de fecundidade que se ia, reiteradamente, verificando em Portugal a partir de 2000. Susana, que no ano anterior tinha efectuado um aborto, ia agora denunciando desequilíbrios emocionais muito grandes.
Os anos foram passando e a vida não tinha especiais atractivos para Carlos. Em 2030, já com 50 anos, Carlos vê-se a trabalhar ainda no mesmo ROC, numa actividade que não aprecia, a ganhar pouco e com uma mulher infeliz (Susana vai conseguindo alguns trabalhos temporários, não especializados, que outrora eram executados por imigrantes que entretanto foram saindo do País). Somente o filho Tomás lhe vai dando alegrias. Tomás cursara engenharia e fora um aluno brilhante. Lutador, como toda a sua geração, iniciara-se a trabalhar para uma empresa alemã com variadas obras na Líbia e Tunísia, países onde a democracia ia dando os primeiros passos. Os filhos de Susana revelaram-se menos brilhantes e um pouco mais instáveis. Ainda assim demonstravam ser muito trabalhadores, pois desde cedo foram “convidados” a partilhar algumas despesas de casa. O João emigrara para Angola como encarregado de obras, e o Filipe era segurança da central nuclear recentemente inaugurada em Portugal (em 2013 um acordo europeu elaborado em conjunto com o FMI desenhara uma estratégia para acabar de vez com os desequilíbrios externos de Portugal, e a opção nuclear entrava no pacote; imperativos externos foram, à época, necessários para manter Portugal na zona Euro).
Já mais velho, com 60 anos, Carlos e Susana tomam uma importante decisão. Pedem a reforma antecipada assumindo a respectiva penalização, vendem o T3 em Loures, já integralmente pago, mas por metade do preço pelo qual o compraram (Portugal contava agora com 8 milhões de habitantes e o excesso de casas era evidente), e vão viver o resto da vida para Moçambique. As insípidas vidas que muito Portugueses levavam, decorrente das constantes expectativas defraudadas, tinham radicalizado muitas opções de muitas famílias em Portugal.
Em Moçambique Carlos e Susana arranjaram ainda energias e iniciativa para abrir um pequeno café com o dinâmico e empreendedor João, filho de Susana, e que entretanto regressara de Angola. A pequena povoação no norte de Moçambique onde se estabeleceram ganhara importância e o negócio permitiu a Carlos e Susana viverem um resto de vida cómodo. Carlos ia então realizando o quanto os anos passados em Portugal o massacraram. O divórcio com Célia, o despedimento e o aborto de Susana, as constantes e reiteradas defraudadas expectativas fruto de promessas fáceis e em voga na altura, e a falta de objectivos pessoais (perfeita sintonia com a sociedade Portuguesa do virar do século e do início do século XXI). Comparava tudo isso com a alegria e pujança do seu filho e dos filhos de Susana, todos trabalhadores, lutadores, honestos, e com objectivos. E ia achando sempre curioso o facto de que a vida para esta geração não se tinha demonstrado fácil nos primórdios. Até achava Portugal agora mais dinâmico, sinal talvez de que a irrequietude das gerações mais novas em muito contrastava com a atitude da sua geração, que sempre tomara tudo como de acesso garantido.
Carlos jaz agora em terras moçambicanas. Mas a sua história não foi esquecida, pelo contrário. Como muitas outras histórias similares, a história de Carlos faz parte de uma colectânea recente sobre o estudo da evolução de Portugal dos fins do século XX e primeira metade do século XXI, estudo esse efectuado pela Universidade de Maputo em estreita colaboração com a Universidade de São Paulo, e que muito tem servido para a compreensão das novas relações dos povos de língua oficial portuguesa.
O Carlos nasceu em Loures em 1979. Filho de um engenheiro de origens serranas e de uma professora primária originária de Lisboa, o Carlos teve uma infância crescentemente fácil juntamente com os seus 2 irmãos. O Avô paterno de Carlos estabelecera-se em Loures em 1948 onde trabalhou arduamente numa pequena padaria de que era sócio; a Avó sofria de uma doença e só a espaços ajudava o marido. O Avô materno de Carlos era operário e a Avó materna doméstica.
A vida sorriu aos pais de Carlos. Até 1985 viviam comodamente, embora sem grandes margens para veleidades que não as que bastassem a uma vida pacata e sem sobressaltos económicos. A segunda metade da década de 80 e toda a década de 90 correu ainda melhor aos Pires, o que lhes permitiu dar aos filhos aquilo que eles não tiveram na infância. Assim, o Carlos cresceu abundantemente com telemóveis, play stations, computadores, e toda a gadjeteria galopante que acompanhava a pequena bonança dos Pires. As férias no Algarve, e duas ou três idas ao Brasil faziam também parte do pacote de estilo de vida. O Engº Pires, apreciador de bons carros, permitia-se agora gozar a condução de BMWs, marca que considerava que acompanhava bem os confortos de que não prescindia. Um estilo que os avós de Carlos nunca ousaram sonhar.
O Carlitos, como era conhecido no seu bairro, embora desconhecesse o conceito de privação, carregava a longínqua imagem das histórias e fotografias dos seus avós. Percebendo a evolução geracional, embora nunca desrespeitando as suas origens, sentia-se sempre um pouco embaraçado na relação com as suas origens. A ponte com os Avós era difícil. As vidas marcadas do passado demonstravam ser de combinação difícil com a desenvoltura e facilidades da infância do presente. O Carlitos considerava que à sua pessoa estava garantida a continuidade da bonança, e quiçá até alguma pequena fortuna. E por uma questão de princípio, resolveu até estudar, cursando gestão de empresas por uma ainda recente universidade privada.
Acabado o curso, o Carlitos arranjou trabalho numa pequena consultora que viera a falir em 2005 quando ia no seu terceiro ano de experiência laboral. Ainda a viver em casa dos pais, o Carlitos vê-se depois a trabalhar para um Revisor Oficial de Contas. Um ano depois casa-se com Célia Machado, fulgurante figura formada em Marketing e a trabalhar para uma revista de moda. Vão viver para Telheiras, terra que vê nascer o pequeno Tomás em 2007. A vida não começou a correr mal à nova geração Pires, mas as longas jornadas de trabalho vão criando alguma turbulência. O casamento “não está a dar” ia dizendo o Dr. Carlos. Três anos depois separa-se ao saber que a Célia tem um caso com o director financeiro da revista.
A vida começa então a tornar-se mais complicada para o Carlos. O divórcio implicou custos, muitos custos. Célia, bem aconselhada pela sua nova conquista, um conhecido advogado de Lisboa, consegue extorquir uma bela pensão de alimentos a Carlos. Carlos vê-se obrigado a ir para um apartamento menos ambicioso, um T2 situado nas Olaias. A prestação e as pesadas revisões do BMW tornam-se mais difíceis de suportar, mas o barco ainda se aguenta. O pior mesmo é a retirada de alguns benefícios e prémios até então prática do ROC para quem trabalha. A crise financeira chegava a todas as actividades. Para dificultar, os juros do empréstimo da casa começaram a subir pouco a pouco a partir de 2011. Muitas restrições instalam-se na vida de Carlos, num perfeito contraste com as expectativas iniciais. Mas o Carlos aguenta-se um pouco com uma herança de 40.000 euros da Mãe (entre dinheiro e umas jóias pertença da Avó) que entretanto falecera devido a problemas alcoólicos com origem num divórcio que se revelou muito conturbado.
Carlos casa uma segunda vez com Susana Cardoso, uma professora de sociologia, já divorciada e com dois filhos, e que dá aulas numa escola privada. Vende o T2, e tem que suportar menos valia de 20.000 euros devido à descida dos preços do imobiliário em Portugal. Ainda assim consegue uma boa compra de um T3 em Loures. A vida parecia um pouco mais equilibrada entre 2012 e 2014. No entanto duas questões complicaram a vida a Carlos. O colégio para onde Susana trabalhava fechara no início de 2015 por falta de alunos. Aliás, o fenómeno começara a ocorrer com frequência a partir de 2015 dada a pequena taxa de fecundidade que se ia, reiteradamente, verificando em Portugal a partir de 2000. Susana, que no ano anterior tinha efectuado um aborto, ia agora denunciando desequilíbrios emocionais muito grandes.
Os anos foram passando e a vida não tinha especiais atractivos para Carlos. Em 2030, já com 50 anos, Carlos vê-se a trabalhar ainda no mesmo ROC, numa actividade que não aprecia, a ganhar pouco e com uma mulher infeliz (Susana vai conseguindo alguns trabalhos temporários, não especializados, que outrora eram executados por imigrantes que entretanto foram saindo do País). Somente o filho Tomás lhe vai dando alegrias. Tomás cursara engenharia e fora um aluno brilhante. Lutador, como toda a sua geração, iniciara-se a trabalhar para uma empresa alemã com variadas obras na Líbia e Tunísia, países onde a democracia ia dando os primeiros passos. Os filhos de Susana revelaram-se menos brilhantes e um pouco mais instáveis. Ainda assim demonstravam ser muito trabalhadores, pois desde cedo foram “convidados” a partilhar algumas despesas de casa. O João emigrara para Angola como encarregado de obras, e o Filipe era segurança da central nuclear recentemente inaugurada em Portugal (em 2013 um acordo europeu elaborado em conjunto com o FMI desenhara uma estratégia para acabar de vez com os desequilíbrios externos de Portugal, e a opção nuclear entrava no pacote; imperativos externos foram, à época, necessários para manter Portugal na zona Euro).
Já mais velho, com 60 anos, Carlos e Susana tomam uma importante decisão. Pedem a reforma antecipada assumindo a respectiva penalização, vendem o T3 em Loures, já integralmente pago, mas por metade do preço pelo qual o compraram (Portugal contava agora com 8 milhões de habitantes e o excesso de casas era evidente), e vão viver o resto da vida para Moçambique. As insípidas vidas que muito Portugueses levavam, decorrente das constantes expectativas defraudadas, tinham radicalizado muitas opções de muitas famílias em Portugal.
Em Moçambique Carlos e Susana arranjaram ainda energias e iniciativa para abrir um pequeno café com o dinâmico e empreendedor João, filho de Susana, e que entretanto regressara de Angola. A pequena povoação no norte de Moçambique onde se estabeleceram ganhara importância e o negócio permitiu a Carlos e Susana viverem um resto de vida cómodo. Carlos ia então realizando o quanto os anos passados em Portugal o massacraram. O divórcio com Célia, o despedimento e o aborto de Susana, as constantes e reiteradas defraudadas expectativas fruto de promessas fáceis e em voga na altura, e a falta de objectivos pessoais (perfeita sintonia com a sociedade Portuguesa do virar do século e do início do século XXI). Comparava tudo isso com a alegria e pujança do seu filho e dos filhos de Susana, todos trabalhadores, lutadores, honestos, e com objectivos. E ia achando sempre curioso o facto de que a vida para esta geração não se tinha demonstrado fácil nos primórdios. Até achava Portugal agora mais dinâmico, sinal talvez de que a irrequietude das gerações mais novas em muito contrastava com a atitude da sua geração, que sempre tomara tudo como de acesso garantido.
Carlos jaz agora em terras moçambicanas. Mas a sua história não foi esquecida, pelo contrário. Como muitas outras histórias similares, a história de Carlos faz parte de uma colectânea recente sobre o estudo da evolução de Portugal dos fins do século XX e primeira metade do século XXI, estudo esse efectuado pela Universidade de Maputo em estreita colaboração com a Universidade de São Paulo, e que muito tem servido para a compreensão das novas relações dos povos de língua oficial portuguesa.
É incontornável
QUINTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2010
A questão da dívida pública e privada é incontornável. Será bom tomarmos em muito boa conta o que os nossos credores pensam sobre nós. Claro que para quem deve dinheiro tudo serve como desculpa para adiar o modus vivendi resultante de uma vida desregrada. Sim, as agências financeiras são isto e aquilo. Sim, as agências financeiras não previram a crise financeira. Sim, temos imensos direitos. Sim, tenho direito a casa e a um nível mínimo de vida. Sim, saúde grátis para todos. Muitos sins, infinitos sins. Mas há também algo a que temos que dizer sempre sim, quer na palavra, quer na acção: pagamento das facturas. Mas há mais. Há que perceber que a partir de um determinado ponto os credores começam a equacionar se a acção pode dar sequência à palavra. Todos sabemos que pode existir “vontade política” e “impossibilidade técnica”.
Actualmente é neste ponto que se encontra a Grécia. Futuramente é o ponto em que Portugal se vai encontrar se nada for feito (lá para 2014). E que não haja ilusões que tamanha tarefa se faz com Sócrates e Passos Coelhos. O jogo não está para meninos e os protagonistas de hoje foram moldados para a facilidade, não para a adversidade.
Como diz o povo “a coisa vai fiar muito fininho”.
A questão da dívida pública e privada é incontornável. Será bom tomarmos em muito boa conta o que os nossos credores pensam sobre nós. Claro que para quem deve dinheiro tudo serve como desculpa para adiar o modus vivendi resultante de uma vida desregrada. Sim, as agências financeiras são isto e aquilo. Sim, as agências financeiras não previram a crise financeira. Sim, temos imensos direitos. Sim, tenho direito a casa e a um nível mínimo de vida. Sim, saúde grátis para todos. Muitos sins, infinitos sins. Mas há também algo a que temos que dizer sempre sim, quer na palavra, quer na acção: pagamento das facturas. Mas há mais. Há que perceber que a partir de um determinado ponto os credores começam a equacionar se a acção pode dar sequência à palavra. Todos sabemos que pode existir “vontade política” e “impossibilidade técnica”.
Actualmente é neste ponto que se encontra a Grécia. Futuramente é o ponto em que Portugal se vai encontrar se nada for feito (lá para 2014). E que não haja ilusões que tamanha tarefa se faz com Sócrates e Passos Coelhos. O jogo não está para meninos e os protagonistas de hoje foram moldados para a facilidade, não para a adversidade.
Como diz o povo “a coisa vai fiar muito fininho”.
Transportes públicos
TERÇA-FEIRA, 6 DE ABRIL DE 2010
Sou um grande defensor da ideia de que os povos mais evoluídos na organização da vida social devem utilizar abundantemente o transporte público em detrimento do transporte privado. Já desde os tempos de estudante em Lisboa, e vindo de Cascais de comboio, ia aferindo que os Portugueses não eram os melhores adeptos do transporte público.
Mais tarde, e sempre que trabalhava em Lisboa, fazia questão de me deslocar de transportes públicos. Era quase sempre possível fazê-lo pelos meus standards e sempre impossível fazê-lo pelos standards da maioria. Dado o meu ponto de partida e de chegada ia verificando os olhares atónitos das pessoas a quem relatava o meu dia-a-dia no capítulo da mobilidade. Genericamente as pessoas apreciavam a minha opção. Mas não a louvavam, tão pouco a adoptavam em circunstâncias similares. Um rol imenso de desculpas escudavam as sua opções.
Nos últimos anos tenho tido a oportunidade de conhecer um pouco por dentro a realidade de muitas cidades europeias e o seu modus vivendi no capítulo da mobilidade. O que imaginava há 20 anos atrás tem total correspondência prática. O transporte público marca os standards e é prioritário em muitas cidades europeias. Seja metropolitano, autocarro ou eléctrico. Aliás, como curiosidade, pensei sempre que o eléctrico tinha sido banido de grande parte de Lisboa por não responder às necessidades da cidade. Pois nas cidades que vou conhecendo o eléctrico continua em expansão.
Tenho a certeza que a realidade vai “dobrar” muita alma lusitana. O transporte público é a saída para as grandes metrópoles e o automóvel terá que ser subjugado na medida das necessidades. O espaço para demonstrações de novo riquismo é cada vez mais exíguo neste mundo cada vez mais adverso. A consciencialização de que é mais económica a opção do transporte público será a gota de água para a mudança de comportamentos. Venham daí os eléctricos e os autocarros.
Sou um grande defensor da ideia de que os povos mais evoluídos na organização da vida social devem utilizar abundantemente o transporte público em detrimento do transporte privado. Já desde os tempos de estudante em Lisboa, e vindo de Cascais de comboio, ia aferindo que os Portugueses não eram os melhores adeptos do transporte público.
Mais tarde, e sempre que trabalhava em Lisboa, fazia questão de me deslocar de transportes públicos. Era quase sempre possível fazê-lo pelos meus standards e sempre impossível fazê-lo pelos standards da maioria. Dado o meu ponto de partida e de chegada ia verificando os olhares atónitos das pessoas a quem relatava o meu dia-a-dia no capítulo da mobilidade. Genericamente as pessoas apreciavam a minha opção. Mas não a louvavam, tão pouco a adoptavam em circunstâncias similares. Um rol imenso de desculpas escudavam as sua opções.
Nos últimos anos tenho tido a oportunidade de conhecer um pouco por dentro a realidade de muitas cidades europeias e o seu modus vivendi no capítulo da mobilidade. O que imaginava há 20 anos atrás tem total correspondência prática. O transporte público marca os standards e é prioritário em muitas cidades europeias. Seja metropolitano, autocarro ou eléctrico. Aliás, como curiosidade, pensei sempre que o eléctrico tinha sido banido de grande parte de Lisboa por não responder às necessidades da cidade. Pois nas cidades que vou conhecendo o eléctrico continua em expansão.
Tenho a certeza que a realidade vai “dobrar” muita alma lusitana. O transporte público é a saída para as grandes metrópoles e o automóvel terá que ser subjugado na medida das necessidades. O espaço para demonstrações de novo riquismo é cada vez mais exíguo neste mundo cada vez mais adverso. A consciencialização de que é mais económica a opção do transporte público será a gota de água para a mudança de comportamentos. Venham daí os eléctricos e os autocarros.
Portugal, solução (9)
DOMINGO, 28 DE MARÇO DE 2010
Portugal, para contribuíres para a felicidade de muitos dos teus cidadãos tens que resolver totalmente a mobilidade das grandes cidades. É absurdo o tempo que se perde nos transportes casa / trabalho e trabalho / casa. Isso em muito pouco contribui para uma vida saudável da pessoa, quer enquanto indivíduo, quer enquanto um membro responsável numa família.
Por outro lado tens que elevar a qualidade de vida geral nas grandes cidades. E isso passa por uma grande diminuição do número de automóveis em circulação e a entra e sair nas horas de ponta. Peço-te que repares que o automóvel é um elemento muito agressivo numa cidade, percepção de difícil identificação para o grau de agressividade em causa.
A solução passa por uma revolução nos transportes públicos. Lisboa e Porto têm que ser inundados de transportes públicos em condições, e cumulativamente o tráfego automóvel restringido de uma forma dissuasora, quer ao nível da delimitação do número de lugares disponíveis para estacionamento, quer ao nível do preço do estacionamento.
Portugal, adopta uma nova filosofia de transporte nos grandes centros urbanos baseada no transporte público. Tomando Lisboa como exemplo tens que tomar as seguintes medidas:
1. O eléctrico tem que voltar a ser utilizado em grande escala. Olha para muitas cidades de média dimensão na Europa e inspira-te.
2. Alargamento da rede de metropolitano, quer através de novas linhas, quer através da extensão das actuais linhas.
3. Nas horas de ponta, criação de uma faixa dedicada nas auto-estradas para uso exclusivo de transportes públicos, nomeadamente autocarros com origem nos principais subúrbios (Cascais, Oeiras, Sintra, Cacém, Massamá, etc). Claro que táxis e ambulâncias também poderiam circular por esta faixa. A mesma filosofia a ser aplicada na Ponte sobre o Tejo.
4. Incremento na frequência de autocarros dentro de Lisboa em cada rota.
5. Criação de mais rotas para autocarros.
6. As despesas com os passes sociais deverão ser dedutíveis no IRS.
7. No caso de Lisboa, não se excluiria a criação de uma outra linha de comboio paralela à auto-estrada Cascais / Lisboa, e a extensão do metropolitano até Massamá, Cacém e Loures.
8. Locais delimitados para estacionamento de residentes (pintados a azul) com um preço anual (por exemplo, 200 euros – dístico a ser colocado de forma visível no tablier), e estacionamento para não residentes (pintados a branco), estes pagos, evidentemente. Fora dos locais pintados não é permitido estacionar (esta regra pode ser difícil de aplicar em toda a urbe; haverá que ter em consideração este aspecto).
9. Delimitação do número de lugares para estacionamento. Tomando como exemplo a Av. Da Liberdade, diria que nesta Avenida não deveria ter locais para estacionamento ao nível do solo. E as suas faixas laterais deveriam ser dedicadas para uso exclusivo de eléctricos (admitiriam-se excepções, como os decorrentes do serviço de alguns hotéis). Não querendo detalhar em demasiado, serve este ponto simplesmente como exemplo das proporções que esta filosofia deve assumir.
Portugal, esta solução não é muito cara e vai de encontro ao interesse da grande maioria da tua população. Criarias poupança nas famílias pois a utilização acentuada de transportes públicos forçaria muitas famílias a abdicarem de um dos actuais dois carros, e outras ainda de abdicarem totalmente do automóvel. E com o envelhecimento da população associado ao respectivo declínio do nível de vida decorrente da constante redução das reformas, tens que construir a tempo uma rede de transporte público que sirva uma enorme população envelhecida sem recursos para ter automóvel.
Portugal, não fiques petrificado com esta solução que te proponho. Nem é especialmente ambiciosa, tão pouco excêntrica. Os países com quem te queres parecer já adoptaram esta solução há muito tempo. Estranho, embora explicável, como tu de embriagaste nos últimos 30 anos com a paranóia do automóvel. A história dirá que foi um sintoma de novo rico ao qual uma longa letargia económica obrigou a pensar de outra forma.
Portugal, ao removeres automóveis de Lisboa e Porto estas cidades tornar-se-ão locais esplêndidos para se viver. Muitos estrangeiros com poder económico veriam com excelentes olhos viver em Lisboa se ofereceres cidades com poucos automóveis e uma boa rede de transportes públicos.
Portugal, para contribuíres para a felicidade de muitos dos teus cidadãos tens que resolver totalmente a mobilidade das grandes cidades. É absurdo o tempo que se perde nos transportes casa / trabalho e trabalho / casa. Isso em muito pouco contribui para uma vida saudável da pessoa, quer enquanto indivíduo, quer enquanto um membro responsável numa família.
Por outro lado tens que elevar a qualidade de vida geral nas grandes cidades. E isso passa por uma grande diminuição do número de automóveis em circulação e a entra e sair nas horas de ponta. Peço-te que repares que o automóvel é um elemento muito agressivo numa cidade, percepção de difícil identificação para o grau de agressividade em causa.
A solução passa por uma revolução nos transportes públicos. Lisboa e Porto têm que ser inundados de transportes públicos em condições, e cumulativamente o tráfego automóvel restringido de uma forma dissuasora, quer ao nível da delimitação do número de lugares disponíveis para estacionamento, quer ao nível do preço do estacionamento.
Portugal, adopta uma nova filosofia de transporte nos grandes centros urbanos baseada no transporte público. Tomando Lisboa como exemplo tens que tomar as seguintes medidas:
1. O eléctrico tem que voltar a ser utilizado em grande escala. Olha para muitas cidades de média dimensão na Europa e inspira-te.
2. Alargamento da rede de metropolitano, quer através de novas linhas, quer através da extensão das actuais linhas.
3. Nas horas de ponta, criação de uma faixa dedicada nas auto-estradas para uso exclusivo de transportes públicos, nomeadamente autocarros com origem nos principais subúrbios (Cascais, Oeiras, Sintra, Cacém, Massamá, etc). Claro que táxis e ambulâncias também poderiam circular por esta faixa. A mesma filosofia a ser aplicada na Ponte sobre o Tejo.
4. Incremento na frequência de autocarros dentro de Lisboa em cada rota.
5. Criação de mais rotas para autocarros.
6. As despesas com os passes sociais deverão ser dedutíveis no IRS.
7. No caso de Lisboa, não se excluiria a criação de uma outra linha de comboio paralela à auto-estrada Cascais / Lisboa, e a extensão do metropolitano até Massamá, Cacém e Loures.
8. Locais delimitados para estacionamento de residentes (pintados a azul) com um preço anual (por exemplo, 200 euros – dístico a ser colocado de forma visível no tablier), e estacionamento para não residentes (pintados a branco), estes pagos, evidentemente. Fora dos locais pintados não é permitido estacionar (esta regra pode ser difícil de aplicar em toda a urbe; haverá que ter em consideração este aspecto).
9. Delimitação do número de lugares para estacionamento. Tomando como exemplo a Av. Da Liberdade, diria que nesta Avenida não deveria ter locais para estacionamento ao nível do solo. E as suas faixas laterais deveriam ser dedicadas para uso exclusivo de eléctricos (admitiriam-se excepções, como os decorrentes do serviço de alguns hotéis). Não querendo detalhar em demasiado, serve este ponto simplesmente como exemplo das proporções que esta filosofia deve assumir.
Portugal, esta solução não é muito cara e vai de encontro ao interesse da grande maioria da tua população. Criarias poupança nas famílias pois a utilização acentuada de transportes públicos forçaria muitas famílias a abdicarem de um dos actuais dois carros, e outras ainda de abdicarem totalmente do automóvel. E com o envelhecimento da população associado ao respectivo declínio do nível de vida decorrente da constante redução das reformas, tens que construir a tempo uma rede de transporte público que sirva uma enorme população envelhecida sem recursos para ter automóvel.
Portugal, não fiques petrificado com esta solução que te proponho. Nem é especialmente ambiciosa, tão pouco excêntrica. Os países com quem te queres parecer já adoptaram esta solução há muito tempo. Estranho, embora explicável, como tu de embriagaste nos últimos 30 anos com a paranóia do automóvel. A história dirá que foi um sintoma de novo rico ao qual uma longa letargia económica obrigou a pensar de outra forma.
Portugal, ao removeres automóveis de Lisboa e Porto estas cidades tornar-se-ão locais esplêndidos para se viver. Muitos estrangeiros com poder económico veriam com excelentes olhos viver em Lisboa se ofereceres cidades com poucos automóveis e uma boa rede de transportes públicos.
O que pensam os credores
SEXTA-FEIRA, 26 DE MARÇO DE 2010
Segundo o Jornal Público
“A Grécia é um caso, mas é apenas a ponta do iceberg”, declarou Zhu Min, durante uma reunião de investidores em Hong Kong, citado pela agência Dow Jones.
“Não penso que a Grécia assista a uma situação de bancarrota porque é de um tamanho relativamente modesto, mas não vemos qualquer medida decisiva que emita um sinal para o mercado e lhe diga ‘podemos resolver a crise, podemos pôr termo à crise’. Assim, o mercado permanece muito volátil”, considerou.
“Hoje, a principal preocupação são evidentemente a Espanha e a Itália”, acrescentou Zhu.
Ora esta é a visão dos credores, entidades genericamente com os pés mais colados à terra. Credor é muito sensível aos sinais, e estes não são dos mais positivos pois não se está a combater o verdadeiro problema. E esse é, como bem sabemos, o viver constantemente acima das possibilidades.
O acordo agora feito pela Alemanha e França é só um paliativo. Veremos se o paciente quer seguir o receituário ou se prefere assobiar para o lado. O resto do iceberg que se cuide.
P.S. Ao que chegou este mundo, com Chineses e Brasileiros, etc no grande palco. Isto é só o início...
Segundo o Jornal Público
“A Grécia é um caso, mas é apenas a ponta do iceberg”, declarou Zhu Min, durante uma reunião de investidores em Hong Kong, citado pela agência Dow Jones.
“Não penso que a Grécia assista a uma situação de bancarrota porque é de um tamanho relativamente modesto, mas não vemos qualquer medida decisiva que emita um sinal para o mercado e lhe diga ‘podemos resolver a crise, podemos pôr termo à crise’. Assim, o mercado permanece muito volátil”, considerou.
“Hoje, a principal preocupação são evidentemente a Espanha e a Itália”, acrescentou Zhu.
Ora esta é a visão dos credores, entidades genericamente com os pés mais colados à terra. Credor é muito sensível aos sinais, e estes não são dos mais positivos pois não se está a combater o verdadeiro problema. E esse é, como bem sabemos, o viver constantemente acima das possibilidades.
O acordo agora feito pela Alemanha e França é só um paliativo. Veremos se o paciente quer seguir o receituário ou se prefere assobiar para o lado. O resto do iceberg que se cuide.
P.S. Ao que chegou este mundo, com Chineses e Brasileiros, etc no grande palco. Isto é só o início...
Vamos ver quem sai da zona Euro, Grécia ou Alemanha
QUINTA-FEIRA, 25 DE MARÇO DE 2010
Segundo o "Bigonline"
Grécia tem de ser ajudada sob pena de haver um "tsunami" que afecte Portugal e Espanha
(25-03-2010 16:16:00)
A comissária europeia da Justiça, Viviane Reding, defendeu hoje que é preciso que a União Europeia tem de traçar um plano de ajudas à Grécia, porque se não o fizer pode provocar um “tsunami” que afecte países “que não estejam tão bem como Espanha e Portugal, como o Reino Unido, como França”.
“Há que ajudar [a Grécia], porque não o fazer terá uma influência sobre todos os outros que não estão tão bem como Espanha e Portugal, como o Reino Unido, como França”, afirmou a comissária em declarações à cadeia de rádio RTL, citada pelo “Cinco Días”.
Viviane Reding defende que apesar da Grécia ter cometido “bastantes erros” continua a ser um membro da Zona Euro. “Há um país que está em dificuldades e há que ajudá-lo porque se não o fizermos haverá um ‘tsunami’ noutros países. Façamo-lo”, apelou.
Sobre Angela Merkel, que ainda hoje apoiou uma ajuda financeira à Grécia, através do Fundo Monetário Internacional e de ajuda bilateral da Zona Euro (ainda que defenda que este deva ser o último recurso), Vivian Reding afirmou que a chanceler alemã “tem um grave problema político em casa”.
Isto porque “todo o seu povo está contra” uma potencial ajuda à Grécia, depois dos meios de comunicação terem tratado deste assunto “com um populismo extraordinário”, acrescentou a comissária.
Como já todos nos apercebemos esta questão vai estar sobre a mesa como primeira prioridade até a mesma ser resolvida. E claro, já todos sabemos quem são os "maus": Os Alemães. Esse "estranho" povo demasiado certinho nas contas e que constantemente vive abaixo das possibilidades, mesmo quando os vizinhos têm os seus dislates.
Pois eu estou com o povo Alemão no que toca à sua posição. Eu não lhe chamaria populismo, como descrito no texto. Eu chamar-lhe-ia cansaço. O povo Alemão, nomeadamente o Alemão Ocidental, carregou com a Alemanha Oriental nos últimos 20 anos (e mais anos ainda faltam para "regularizar" a parte Oriental). Percebemos que um irmão ajude um outro irmão, mesmo quando o ajudado outrora era arrogante politicamente (muito carregados de "amanhãs que cantam"). Agora depois de ajudar esse irmão dizerem-lhe que têm que ir ajudar Gregos, e muito provavelmente Portugueses, Espanhóis, UK, etc, bom, então talvez seja sensato perceber também um bocadinho o lado Alemão.
O que está em jogo é: Alemães não querem ter o ónus de carregar com as irresponsabilidades dos outros sob a capa dos conceitos de solidariedade, ajuda a um membro de UE, etc. Há muitas formas de demonstrar esses "afectos" e a Alemanha têm-se portado muito bem neste capítulo. Agora há que não abusar. E eles, Alemães, têm bem a noção disso.
Agora a pergunta que fica é quem vai sair do Euro. Se a Grécia se a Alemanha. E já sabemos quem decide sobre as duas opções. É a própria Alemanha.
Nota: claro que esta decisão não é para amanhã, mas que a probabilidade de para lá caminharmos é grande, lá isso é.
Segundo o "Bigonline"
Grécia tem de ser ajudada sob pena de haver um "tsunami" que afecte Portugal e Espanha
(25-03-2010 16:16:00)
A comissária europeia da Justiça, Viviane Reding, defendeu hoje que é preciso que a União Europeia tem de traçar um plano de ajudas à Grécia, porque se não o fizer pode provocar um “tsunami” que afecte países “que não estejam tão bem como Espanha e Portugal, como o Reino Unido, como França”.
“Há que ajudar [a Grécia], porque não o fazer terá uma influência sobre todos os outros que não estão tão bem como Espanha e Portugal, como o Reino Unido, como França”, afirmou a comissária em declarações à cadeia de rádio RTL, citada pelo “Cinco Días”.
Viviane Reding defende que apesar da Grécia ter cometido “bastantes erros” continua a ser um membro da Zona Euro. “Há um país que está em dificuldades e há que ajudá-lo porque se não o fizermos haverá um ‘tsunami’ noutros países. Façamo-lo”, apelou.
Sobre Angela Merkel, que ainda hoje apoiou uma ajuda financeira à Grécia, através do Fundo Monetário Internacional e de ajuda bilateral da Zona Euro (ainda que defenda que este deva ser o último recurso), Vivian Reding afirmou que a chanceler alemã “tem um grave problema político em casa”.
Isto porque “todo o seu povo está contra” uma potencial ajuda à Grécia, depois dos meios de comunicação terem tratado deste assunto “com um populismo extraordinário”, acrescentou a comissária.
Como já todos nos apercebemos esta questão vai estar sobre a mesa como primeira prioridade até a mesma ser resolvida. E claro, já todos sabemos quem são os "maus": Os Alemães. Esse "estranho" povo demasiado certinho nas contas e que constantemente vive abaixo das possibilidades, mesmo quando os vizinhos têm os seus dislates.
Pois eu estou com o povo Alemão no que toca à sua posição. Eu não lhe chamaria populismo, como descrito no texto. Eu chamar-lhe-ia cansaço. O povo Alemão, nomeadamente o Alemão Ocidental, carregou com a Alemanha Oriental nos últimos 20 anos (e mais anos ainda faltam para "regularizar" a parte Oriental). Percebemos que um irmão ajude um outro irmão, mesmo quando o ajudado outrora era arrogante politicamente (muito carregados de "amanhãs que cantam"). Agora depois de ajudar esse irmão dizerem-lhe que têm que ir ajudar Gregos, e muito provavelmente Portugueses, Espanhóis, UK, etc, bom, então talvez seja sensato perceber também um bocadinho o lado Alemão.
O que está em jogo é: Alemães não querem ter o ónus de carregar com as irresponsabilidades dos outros sob a capa dos conceitos de solidariedade, ajuda a um membro de UE, etc. Há muitas formas de demonstrar esses "afectos" e a Alemanha têm-se portado muito bem neste capítulo. Agora há que não abusar. E eles, Alemães, têm bem a noção disso.
Agora a pergunta que fica é quem vai sair do Euro. Se a Grécia se a Alemanha. E já sabemos quem decide sobre as duas opções. É a própria Alemanha.
Nota: claro que esta decisão não é para amanhã, mas que a probabilidade de para lá caminharmos é grande, lá isso é.
Portugal, solução (8)
QUINTA-FEIRA, 25 DE MARÇO DE 2010
Portugal, as tuas cidades de Lisboa e Porto deverão ser vistas de modo a que sejam consideradas as melhores cidades para se viver na Europa. Tenho a ideia de que Lisboa e Porto deveriam ter dezenas de milhares de residentes estrangeiros de rendimento médio / alto e alto. Isso seria positivo pelo seguinte:
1. Estrangeiro de rendimento médio / alto e alto é amigo do restauro do património histórico. Como os teus habitantes não são, genericamente, muito amigos da cultura arquitectónica herdada, então os estrangeiros poderão dar uma bela ajuda às tuas muito degradadas principais cidades.
2. Decorrente do ponto anterior muito trabalho seria necessário no capítulo do restauro de imobiliário (não construção), onde por acaso até tens muitas pessoas com as valências necessártias e que neste momento estão desempregadas. Farias um dois em um.
3. Estrangeiro é adepto da frequência de esplanadas e restaurantes. Lisboa e Porto não fervilham de clientes nestes estabelecimentos. Isso daria um colorido especial, o que em si só promoveria estas cidades como destino turístico. E já agora em muito contribui para o negócio local da restauração, coisa que os teus habitantes até nem se dão muito mal. Com o desemprego existente, e com a crescente percepção de que afinal servir à mesa até pode ser uma solução possível, então não será mal pensado ter muitos estrangeiros a viver em Lisboa e Porto.
4. Por norma quando existem num país residentes estrangeiros está garantido um fluxo contínuo de visitantes, sejam amigos ou parentes. Isto garante a entrada de mais turistas, coisa que tu bem precisas. E até serão pessoas que vêm todo o ano e não propriamente na época de Verão. E não te precipites com o NAL e coisas do género. Isto é gente que vem durante todo o ano e os picos do aeroporto da Portela em Agosto podem ser desviados para o Montijo, Tires ou Rio Frio.
5. Maior fluxo de estrangeiros significa maior necessidade na familiaridade com a língua inglesa, assunto muito relevante neste mundo globalizado. A história universal diz que ter um ambiente onde existam muitos estrangeiros nunca fez mal a ninguém. Isso até nem será novidade para Lisboa. Os séculos passados faziam de Lisboa um local de passagem obrigatório.
6. Maior fluxo de estrangeiros significa mais consumo de produtos culturais.
7. Maior fluxo de estrangeiros significa dinâmica. E dinâmica é, nos dias de hoje, e cada vez mais, um activo precioso.
Portugal, o efeito combinado de todos estes argumentos jogam no sentido positivo para o equilíbrio das tuas contas externas. Isto nunca pode ser perdido de vista. Lembra-te bem disto.
Considero um mistério porque esta opção nunca foi colocada de forma aberta. Parece-me tão óbvia, de casamento tão fácil com as tuas necessidades e valências, que só concluo que um orgulho magoado, silencioso, e desprovido de razão justifica o facto.
Portugal, geograficamente Lisboa e Porto são de uma beleza difícil de igualar. Têm mar, têm rio, têm campos de Golf, têm óptimos aeroportos lindamente bem localizados, têm excelentes restaurantes, têm imenso património e história, têm um clima e uma luminosidade fantástica (nomeadamente Lisboa), têm habitantes afáveis ao estrangeiro, têm razoável oferta cultural (que o estrangeiro por certo potenciaria), têm o campo muito próximo, são mais baratas do que a média das cidades europeias, estão bem servidas de estruturas viárias, etc. Falta-lhes basicamente mais e melhores transportes públicos, terem menos automóveis, e fiscalidade própria ao nível da aquisição e rendimento imobiliário, ambos assuntos importantíssimos e de que tratarei em “posts” próprios.
Portugal, as tuas cidades de Lisboa e Porto deverão ser vistas de modo a que sejam consideradas as melhores cidades para se viver na Europa. Tenho a ideia de que Lisboa e Porto deveriam ter dezenas de milhares de residentes estrangeiros de rendimento médio / alto e alto. Isso seria positivo pelo seguinte:
1. Estrangeiro de rendimento médio / alto e alto é amigo do restauro do património histórico. Como os teus habitantes não são, genericamente, muito amigos da cultura arquitectónica herdada, então os estrangeiros poderão dar uma bela ajuda às tuas muito degradadas principais cidades.
2. Decorrente do ponto anterior muito trabalho seria necessário no capítulo do restauro de imobiliário (não construção), onde por acaso até tens muitas pessoas com as valências necessártias e que neste momento estão desempregadas. Farias um dois em um.
3. Estrangeiro é adepto da frequência de esplanadas e restaurantes. Lisboa e Porto não fervilham de clientes nestes estabelecimentos. Isso daria um colorido especial, o que em si só promoveria estas cidades como destino turístico. E já agora em muito contribui para o negócio local da restauração, coisa que os teus habitantes até nem se dão muito mal. Com o desemprego existente, e com a crescente percepção de que afinal servir à mesa até pode ser uma solução possível, então não será mal pensado ter muitos estrangeiros a viver em Lisboa e Porto.
4. Por norma quando existem num país residentes estrangeiros está garantido um fluxo contínuo de visitantes, sejam amigos ou parentes. Isto garante a entrada de mais turistas, coisa que tu bem precisas. E até serão pessoas que vêm todo o ano e não propriamente na época de Verão. E não te precipites com o NAL e coisas do género. Isto é gente que vem durante todo o ano e os picos do aeroporto da Portela em Agosto podem ser desviados para o Montijo, Tires ou Rio Frio.
5. Maior fluxo de estrangeiros significa maior necessidade na familiaridade com a língua inglesa, assunto muito relevante neste mundo globalizado. A história universal diz que ter um ambiente onde existam muitos estrangeiros nunca fez mal a ninguém. Isso até nem será novidade para Lisboa. Os séculos passados faziam de Lisboa um local de passagem obrigatório.
6. Maior fluxo de estrangeiros significa mais consumo de produtos culturais.
7. Maior fluxo de estrangeiros significa dinâmica. E dinâmica é, nos dias de hoje, e cada vez mais, um activo precioso.
Portugal, o efeito combinado de todos estes argumentos jogam no sentido positivo para o equilíbrio das tuas contas externas. Isto nunca pode ser perdido de vista. Lembra-te bem disto.
Considero um mistério porque esta opção nunca foi colocada de forma aberta. Parece-me tão óbvia, de casamento tão fácil com as tuas necessidades e valências, que só concluo que um orgulho magoado, silencioso, e desprovido de razão justifica o facto.
Portugal, geograficamente Lisboa e Porto são de uma beleza difícil de igualar. Têm mar, têm rio, têm campos de Golf, têm óptimos aeroportos lindamente bem localizados, têm excelentes restaurantes, têm imenso património e história, têm um clima e uma luminosidade fantástica (nomeadamente Lisboa), têm habitantes afáveis ao estrangeiro, têm razoável oferta cultural (que o estrangeiro por certo potenciaria), têm o campo muito próximo, são mais baratas do que a média das cidades europeias, estão bem servidas de estruturas viárias, etc. Falta-lhes basicamente mais e melhores transportes públicos, terem menos automóveis, e fiscalidade própria ao nível da aquisição e rendimento imobiliário, ambos assuntos importantíssimos e de que tratarei em “posts” próprios.
Dias contados para uns, mudança para outros
QUARTA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2010
Tenho um pressentimento de que a Grécia irá sair da zona Euro. Não imagino um País ficar na zona Euro com uma dívida de 100% ou 120%, cujo deficit é de 12% do PIB, e sem vontade especial de resolver a sua situação. A Alemanha não vai deixar que isso aconteça, ou seja, que o mau exemplo grego se espalhe a Portugal e Espanha. E como a realidade fala fortíssimo e não é nada condescendente com quem não quer mudar, direi que a Grécia terá os dias contados na zona Euro.
Este formigueiro de pressão sobre a Grécia tem o condão de nos fazer cair na realidade. Não duvido que os Portugueses saberão avaliar muito bem o que uma saída do Euro significaria. Face a essa perspectiva, que é o que acontecerá se tudo ficar como está, os Portugueses, povo mais maduro do que se pensa quando se trata de ter mesmo de encarar a realidade, optarão por aceitar o que tiverem de aceitar. Que não haja dúvidas sobre isso.
Mais complicado será com os Espanhóis. A sua auto-estima anda a sofrer bastante nesta crise. A pancada psicológica está a ser muito grande para quem pensava que ser Alemão estava mesmo quase a chegar. Neste momento estão numa dura fase de “deslevitação”.
O problema de Espanha só nos afecta pelo facto de Espanha ser um mercado importante para Portugal. Teremos que jogar simplesmente com o facto de não esperar mais do que o valor de mercado que já existe (em termos globais, claro).
Nós somos diferentes do Espanhóis. Somos mais flexíveis na mentalidade, menos orgulhosos, e mais abertos à mudança. Temos mais mundo, somos mais globalizados, e temos uma relação mais saudável com os países da mesma expressão linguística. E, já gora, somos mais humildes, característica que uma certa “modernidade” categoriza como defeito, mas que a agora obrigatória postura mais produtora e menos consumidora categoriza como virtude. Só temos que ser mais convincentes no momento da acção e da venda. Mas isso até se obtém com formação, coisa que, aliás, depende só de nós.
Portugueses, força, não vacilem. Aproveitem a mudança de realidade que se verifica neste mundo, operem as mudanças que terão que ser feitas e avancem com objectivos que possam ser alcançados. Como dizem os saxónicos, “don’t lose momentum”.
Tenho um pressentimento de que a Grécia irá sair da zona Euro. Não imagino um País ficar na zona Euro com uma dívida de 100% ou 120%, cujo deficit é de 12% do PIB, e sem vontade especial de resolver a sua situação. A Alemanha não vai deixar que isso aconteça, ou seja, que o mau exemplo grego se espalhe a Portugal e Espanha. E como a realidade fala fortíssimo e não é nada condescendente com quem não quer mudar, direi que a Grécia terá os dias contados na zona Euro.
Este formigueiro de pressão sobre a Grécia tem o condão de nos fazer cair na realidade. Não duvido que os Portugueses saberão avaliar muito bem o que uma saída do Euro significaria. Face a essa perspectiva, que é o que acontecerá se tudo ficar como está, os Portugueses, povo mais maduro do que se pensa quando se trata de ter mesmo de encarar a realidade, optarão por aceitar o que tiverem de aceitar. Que não haja dúvidas sobre isso.
Mais complicado será com os Espanhóis. A sua auto-estima anda a sofrer bastante nesta crise. A pancada psicológica está a ser muito grande para quem pensava que ser Alemão estava mesmo quase a chegar. Neste momento estão numa dura fase de “deslevitação”.
O problema de Espanha só nos afecta pelo facto de Espanha ser um mercado importante para Portugal. Teremos que jogar simplesmente com o facto de não esperar mais do que o valor de mercado que já existe (em termos globais, claro).
Nós somos diferentes do Espanhóis. Somos mais flexíveis na mentalidade, menos orgulhosos, e mais abertos à mudança. Temos mais mundo, somos mais globalizados, e temos uma relação mais saudável com os países da mesma expressão linguística. E, já gora, somos mais humildes, característica que uma certa “modernidade” categoriza como defeito, mas que a agora obrigatória postura mais produtora e menos consumidora categoriza como virtude. Só temos que ser mais convincentes no momento da acção e da venda. Mas isso até se obtém com formação, coisa que, aliás, depende só de nós.
Portugueses, força, não vacilem. Aproveitem a mudança de realidade que se verifica neste mundo, operem as mudanças que terão que ser feitas e avancem com objectivos que possam ser alcançados. Como dizem os saxónicos, “don’t lose momentum”.
Saibamos perceber o filme
QUARTA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2010
Segundo o jornal Público:
Merkel defende expulsão da zona euro de países que não cumpram as condições
A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu hoje que um país europeu seja obrigado, em último recurso, a sair da zona euro se, “repetidamente, não cumprir as condições” necessárias para se manter na moeda única. A chefe do Governo alemão vem assim enfatizar as declarações do seu ministro das Finanças, que, na semana passada, num artigo de opinião no Financial Times, tinha defendido esta ideia.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, tinha defendido na semana passada a saída da zona euro dos países que não consigam consolidar as finanças públicas ou reestruturar a economia, num artigo publicado no Financial Times.
“Se um país membro da zona euro, no limite, não conseguir consolidar o seu orçamento ou restaurar a sua competitividade, este país, deve, como solução de último recurso, sair da zona euro, embora mantendo-se como membro da União Europeia”, escreve o ministro das Finanças, num artigo em que é analisada a situação das finanças públicas gregas.
“Encarar uma realidade desagradável pode ser a melhor opção em determinadas circunstâncias”, afirma o responsável pelas finanças alemães, sugerindo também que “um país cujas finanças estão em convulsão não deve participar em decisões relativas às finanças de outro membro”, e que o não cumprimento dos limites definidos por Bruxelas deve levar à “suspensão dos direitos de voto no Eurogrupo”.
O jogo vai-se tornar cada vez mais exigente. O discurso alemão deve ser levado muito a sério. Aliás, o nosso Governo já se apercebeu disso, e a oposição responsável também, felizmente. A saída de Portugal do Euro traria convulsões muito grandes.
Segundo o jornal Público:
Merkel defende expulsão da zona euro de países que não cumpram as condições
A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu hoje que um país europeu seja obrigado, em último recurso, a sair da zona euro se, “repetidamente, não cumprir as condições” necessárias para se manter na moeda única. A chefe do Governo alemão vem assim enfatizar as declarações do seu ministro das Finanças, que, na semana passada, num artigo de opinião no Financial Times, tinha defendido esta ideia.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, tinha defendido na semana passada a saída da zona euro dos países que não consigam consolidar as finanças públicas ou reestruturar a economia, num artigo publicado no Financial Times.
“Se um país membro da zona euro, no limite, não conseguir consolidar o seu orçamento ou restaurar a sua competitividade, este país, deve, como solução de último recurso, sair da zona euro, embora mantendo-se como membro da União Europeia”, escreve o ministro das Finanças, num artigo em que é analisada a situação das finanças públicas gregas.
“Encarar uma realidade desagradável pode ser a melhor opção em determinadas circunstâncias”, afirma o responsável pelas finanças alemães, sugerindo também que “um país cujas finanças estão em convulsão não deve participar em decisões relativas às finanças de outro membro”, e que o não cumprimento dos limites definidos por Bruxelas deve levar à “suspensão dos direitos de voto no Eurogrupo”.
O jogo vai-se tornar cada vez mais exigente. O discurso alemão deve ser levado muito a sério. Aliás, o nosso Governo já se apercebeu disso, e a oposição responsável também, felizmente. A saída de Portugal do Euro traria convulsões muito grandes.
Até agora consumo e muita despesa. No futuro exportação e menos despesa
TERÇA-FEIRA, 16 DE MARÇO DE 2010
Reparemos nas nossas maiores empresas, a maioria das quais cotadas na bolsa de Lisboa. São quase todas prestadoras de serviços e vendedoras de produtos que visam o consumo interno, e que por inércia implicam muita importação. Poucas são as que visam as exportações.
Alguns exemplos das maiores empresas essencialmente portuguesas que satisfazem essencialmente o consumo interno:
Sonae
Jerónimo Martins
Todos os bancos – entre 40% e 50% do negócio visa o crédito à habitação e crédito ao consumo
PT
ZON
Todas as construtoras
EDP
REN
GALP
Cimpor
SAG
As que visam essencialmente a exportação são
Corticeira Amorim
Portucel
Autoeuropa
A Quimonda, que era a segunda ou terceira maior exportadora, faliu.
No entanto há algo em movimento que é positivo. Na expectativa de que o mercado interno já não dá mais, todas as empresas listadas vêem-se forçadas a procurar outros mercados, o que é óptimo, pois isso acaba sempre por significar exportações e o repatriamento de lucros.
Mas acima de tudo fica para a história que os nossos maiores empresários dos últimos anos trataram de investir em produtos / serviços que visavam o consumo interno. Não os censuro. A economia é guiada por forças que nada têm que ver com juízos cor-de-rosa de “como é que os agentes económicos se devem comportar”. Isso serve os dislates de engenheiros sociais quando têm à sua mercê alguns povos. O Dr. Louçã que não tenha ilusões em Portugal. Mas O Estado pode dar muitos sinais aos empresários. Até agora os sinais que vimos foram todos dados em prol da “beleza” do consumo e de como isso dava brinde para as eleições. Havia, acima de tudo, que não assustar o povo com puerilidades de reduções de despesa. Isso era coisa de “retrógados”. O ideal de “modernidade” não é compatível com o conceito de frugalidade. Não é verdade Professor Cavaco? Não é verdade Eng. Guterres? Não é verdade Dr. Barroso? Não é verdade Sr. Sócrates?
Futuramente os sinais vão ser no sentido da exportação, ou não fossem a maioria dos PINs voltados para o turismo.
Futuramente vamos assistir a redução de despesa. Sim, os congelamentos nos vencimentos na Função Pública vêem aí. Finalmente, embora com o móbil errado: a pressão externa.
Futuramente vamos assistir a reduções / eliminações de deduções no IRS. Finalmente (para algumas), embora com o móbil errado: a pressão externa.
Vai ser giro estudar a história de Portugal de 1986 até 2040. Especialmente no seu ponto de viragem, do viver acima das possibilidades até 2012, e o começo do pagamento das dívidas a partir de 2015. 2010 até 2015 será o período em que finalmente assumimos o que sempre vimos ao espelho.
Reparemos nas nossas maiores empresas, a maioria das quais cotadas na bolsa de Lisboa. São quase todas prestadoras de serviços e vendedoras de produtos que visam o consumo interno, e que por inércia implicam muita importação. Poucas são as que visam as exportações.
Alguns exemplos das maiores empresas essencialmente portuguesas que satisfazem essencialmente o consumo interno:
Sonae
Jerónimo Martins
Todos os bancos – entre 40% e 50% do negócio visa o crédito à habitação e crédito ao consumo
PT
ZON
Todas as construtoras
EDP
REN
GALP
Cimpor
SAG
As que visam essencialmente a exportação são
Corticeira Amorim
Portucel
Autoeuropa
A Quimonda, que era a segunda ou terceira maior exportadora, faliu.
No entanto há algo em movimento que é positivo. Na expectativa de que o mercado interno já não dá mais, todas as empresas listadas vêem-se forçadas a procurar outros mercados, o que é óptimo, pois isso acaba sempre por significar exportações e o repatriamento de lucros.
Mas acima de tudo fica para a história que os nossos maiores empresários dos últimos anos trataram de investir em produtos / serviços que visavam o consumo interno. Não os censuro. A economia é guiada por forças que nada têm que ver com juízos cor-de-rosa de “como é que os agentes económicos se devem comportar”. Isso serve os dislates de engenheiros sociais quando têm à sua mercê alguns povos. O Dr. Louçã que não tenha ilusões em Portugal. Mas O Estado pode dar muitos sinais aos empresários. Até agora os sinais que vimos foram todos dados em prol da “beleza” do consumo e de como isso dava brinde para as eleições. Havia, acima de tudo, que não assustar o povo com puerilidades de reduções de despesa. Isso era coisa de “retrógados”. O ideal de “modernidade” não é compatível com o conceito de frugalidade. Não é verdade Professor Cavaco? Não é verdade Eng. Guterres? Não é verdade Dr. Barroso? Não é verdade Sr. Sócrates?
Futuramente os sinais vão ser no sentido da exportação, ou não fossem a maioria dos PINs voltados para o turismo.
Futuramente vamos assistir a redução de despesa. Sim, os congelamentos nos vencimentos na Função Pública vêem aí. Finalmente, embora com o móbil errado: a pressão externa.
Futuramente vamos assistir a reduções / eliminações de deduções no IRS. Finalmente (para algumas), embora com o móbil errado: a pressão externa.
Vai ser giro estudar a história de Portugal de 1986 até 2040. Especialmente no seu ponto de viragem, do viver acima das possibilidades até 2012, e o começo do pagamento das dívidas a partir de 2015. 2010 até 2015 será o período em que finalmente assumimos o que sempre vimos ao espelho.
Portugal, solução (7)
SEGUNDA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2010
Portugal, tens que tratar um pouco da questão da tua classe dirigente. Olhando a tua história recente não tens motivos para te gabares te produzires em número apreciável uma classe dirigente exemplar. Esta questão é endémica e anda a fornecer modelos errados às contínuas fornadas de futuros dirigentes que as tuas universidades vêm produzindo. Este facto é confirmado pelas apreciações externas do dirigente médio português por parte dos executivos estrangeiros a trabalhar em Portugal, e pelo facto de o português médio obter níveis de produtividade mais elevados quando se encontra a trabalhar noutros Países.
Desta forma, tens que, onde politicamente for possível, apetrechar as tuas organizações com dirigentes estrangeiros, nomeadamente saxónicos e nórdicos, de modo a dificultar fenómenos de aculturação por parte de quem é convidado a dirigir muitas das nossas organizações. Por não puderes influenciar o que se passa no mundo das empresas privadas, a opção política limitar-se-á às organizações públicas. As posições nas organizações públicas não se deverão resumir somente aos cargos de direcção. Visam, acima de tudo, os cargos de administração.
Portugal, esta solução insólita tem diversas justificações, a saber:
1. Aumentar os níveis de produtividade das tuas organizações públicas.
2. Dotares as tuas organizações públicas de directivas mais humanas no que respeita às cargas de horários de trabalho. Saxónico e nórdico não emite os imbecis comentários do género “já se vai embora” quando chega as 17h ou 18h. São pessoas culturalmente respeitadoras do próximo ao nível organizacional e com pouca apetência para pressões que mais não fazem do que camuflar as deficiências organizacionais de que o dirigente português é, afinal de contas, o maior responsável.
3. Romperes com a lógica de mexerico que grassa no nosso exíguo mercado bem como a cultura de familiaridade que se pensa ser necessário ter quando se anda nas “altas esferas”. É pouco provável com estrangeiros à mistura o estabelecimento de uma cultura do “dar um toque” ou “um jeitinho” no pior sentido que estas ideias contêm. Quanto ao desenrascanço, não te preocupes que nunca o perderás, isso será complementado pelos outros dirigentes Portugueses, pois como imaginas não defendo a remoção total do dirigente Português, quanto mais não seja porque o "desenrasca" será cada vez mais uma virtude. A mescla seguramente promoverá complementaridades e produzirá excelência.
4. Diminuíres em grande escala essa praga do cargo de confiança política o que mais não faz do que criar carreiristas nos partidos políticos.
5. Dotares as tuas organizações públicas de comunicações elaboradas em inglês, e disseminares, sempre que possível, a língua inglesa na tua sociedade.
6. Criares novos modelos de dirigente de sucesso de modo a cortares com o descarrilamento que se verifica no dirigente Português quando este se apercebe “como é que afinal as coisas se fazem”.
Portugal, serve-te da Globalização para proveito dos teus cidadãos. O teu País oferece encantos mais que apelativos para encantar um bom dirigente Holandês, Inglês ou Finlandês. Imagina o desafio que será para essas almas: Estar em lugares de destaque e influência em organizações públicas em Portugal com o intuito de disseminar a cultura organizacional pessoal que lhe corre no sangue. Isto salpicado com o teu clima, amêijoas à Bulhão Pato, um bom queijo Serpa e Golf todo o ano será o suficiente para ter resmas de interessados. E nota que existem nos dias de hoje milhares de dirigentes altamente qualificados que estão no desemprego.
E de modo a te dar algumas orientações, diria que os estrangeiros deverão ocupar, em média, 50% dos cargos mais importantes em questão. Parece exagerado, mas se assim não for comprometes o objectivo da medida. Seriam “comidos” pelas gentes e cultura locais. Literalmente seriam “postos no bolso” pelos que “sabem fazer as coisas”. E já agora digo-te que a CGD e o Banco de Portugal não deverão escapar a esta medida. Talvez até seja onde é mais urgente a irrigação de sangue nórdico e saxónico.
Portugal, não tenhas pena do dirigente Português de topo nem vás em conversas proteccionistas de quem sempre apregoou as últimas dos mercados e suas dinâmicas. Nem em discursos inflamados do “somos tão bons como os melhores”, etc. Isso serão defesas ao status quo que mais não são do que a defesa este estado pantanoso onde quem melhor se governa é quem melhor conhece as duvidosas regras do jogo e “sabe fazer as coisas”. E quando chegar o discurso dos “centros de decisão” lembra-te que os filhos dos imigrantes acabam sempre por ser cidadãos do País acolhedor. Não vais deixar de ser mais Portugal por causa desta medida, pelo contrário, vais ser mais Portugal porque a tua actual e assustadora taxa de fecundidade subirá. Sim, o dirigente estrangeiro perguntará ao trabalhador o que é que ele ainda está a fazer no escritório lá pelas 18h. E não infernizará o pobre trabalhador com ameaças num tom feudalista.
Portugal, como já te disse anteriormente, as soluções para o teu caso terão que ser insólitas. Esta é-o sem dúvida, mas se reparares bem tem muitos fundamentos. Que o receio do insólito não retire de cima da mesa boas opções.
Portugal, tens que tratar um pouco da questão da tua classe dirigente. Olhando a tua história recente não tens motivos para te gabares te produzires em número apreciável uma classe dirigente exemplar. Esta questão é endémica e anda a fornecer modelos errados às contínuas fornadas de futuros dirigentes que as tuas universidades vêm produzindo. Este facto é confirmado pelas apreciações externas do dirigente médio português por parte dos executivos estrangeiros a trabalhar em Portugal, e pelo facto de o português médio obter níveis de produtividade mais elevados quando se encontra a trabalhar noutros Países.
Desta forma, tens que, onde politicamente for possível, apetrechar as tuas organizações com dirigentes estrangeiros, nomeadamente saxónicos e nórdicos, de modo a dificultar fenómenos de aculturação por parte de quem é convidado a dirigir muitas das nossas organizações. Por não puderes influenciar o que se passa no mundo das empresas privadas, a opção política limitar-se-á às organizações públicas. As posições nas organizações públicas não se deverão resumir somente aos cargos de direcção. Visam, acima de tudo, os cargos de administração.
Portugal, esta solução insólita tem diversas justificações, a saber:
1. Aumentar os níveis de produtividade das tuas organizações públicas.
2. Dotares as tuas organizações públicas de directivas mais humanas no que respeita às cargas de horários de trabalho. Saxónico e nórdico não emite os imbecis comentários do género “já se vai embora” quando chega as 17h ou 18h. São pessoas culturalmente respeitadoras do próximo ao nível organizacional e com pouca apetência para pressões que mais não fazem do que camuflar as deficiências organizacionais de que o dirigente português é, afinal de contas, o maior responsável.
3. Romperes com a lógica de mexerico que grassa no nosso exíguo mercado bem como a cultura de familiaridade que se pensa ser necessário ter quando se anda nas “altas esferas”. É pouco provável com estrangeiros à mistura o estabelecimento de uma cultura do “dar um toque” ou “um jeitinho” no pior sentido que estas ideias contêm. Quanto ao desenrascanço, não te preocupes que nunca o perderás, isso será complementado pelos outros dirigentes Portugueses, pois como imaginas não defendo a remoção total do dirigente Português, quanto mais não seja porque o "desenrasca" será cada vez mais uma virtude. A mescla seguramente promoverá complementaridades e produzirá excelência.
4. Diminuíres em grande escala essa praga do cargo de confiança política o que mais não faz do que criar carreiristas nos partidos políticos.
5. Dotares as tuas organizações públicas de comunicações elaboradas em inglês, e disseminares, sempre que possível, a língua inglesa na tua sociedade.
6. Criares novos modelos de dirigente de sucesso de modo a cortares com o descarrilamento que se verifica no dirigente Português quando este se apercebe “como é que afinal as coisas se fazem”.
Portugal, serve-te da Globalização para proveito dos teus cidadãos. O teu País oferece encantos mais que apelativos para encantar um bom dirigente Holandês, Inglês ou Finlandês. Imagina o desafio que será para essas almas: Estar em lugares de destaque e influência em organizações públicas em Portugal com o intuito de disseminar a cultura organizacional pessoal que lhe corre no sangue. Isto salpicado com o teu clima, amêijoas à Bulhão Pato, um bom queijo Serpa e Golf todo o ano será o suficiente para ter resmas de interessados. E nota que existem nos dias de hoje milhares de dirigentes altamente qualificados que estão no desemprego.
E de modo a te dar algumas orientações, diria que os estrangeiros deverão ocupar, em média, 50% dos cargos mais importantes em questão. Parece exagerado, mas se assim não for comprometes o objectivo da medida. Seriam “comidos” pelas gentes e cultura locais. Literalmente seriam “postos no bolso” pelos que “sabem fazer as coisas”. E já agora digo-te que a CGD e o Banco de Portugal não deverão escapar a esta medida. Talvez até seja onde é mais urgente a irrigação de sangue nórdico e saxónico.
Portugal, não tenhas pena do dirigente Português de topo nem vás em conversas proteccionistas de quem sempre apregoou as últimas dos mercados e suas dinâmicas. Nem em discursos inflamados do “somos tão bons como os melhores”, etc. Isso serão defesas ao status quo que mais não são do que a defesa este estado pantanoso onde quem melhor se governa é quem melhor conhece as duvidosas regras do jogo e “sabe fazer as coisas”. E quando chegar o discurso dos “centros de decisão” lembra-te que os filhos dos imigrantes acabam sempre por ser cidadãos do País acolhedor. Não vais deixar de ser mais Portugal por causa desta medida, pelo contrário, vais ser mais Portugal porque a tua actual e assustadora taxa de fecundidade subirá. Sim, o dirigente estrangeiro perguntará ao trabalhador o que é que ele ainda está a fazer no escritório lá pelas 18h. E não infernizará o pobre trabalhador com ameaças num tom feudalista.
Portugal, como já te disse anteriormente, as soluções para o teu caso terão que ser insólitas. Esta é-o sem dúvida, mas se reparares bem tem muitos fundamentos. Que o receio do insólito não retire de cima da mesa boas opções.
Portugal, solução (6)
QUINTA-FEIRA, 11 DE MARÇO DE 2010
Portugal, tens de uma vez por todas de passar a pensar que não é a medida A, B, ou C que te vai salvar. Pensas sempre que existe algo que vai sair da cartola e que, num ápice, vai resolver todos os teus problemas. Essa é uma atitude pouco madura, e penso mesmo ser bastante acriançada. Faz-me lembrar o jogo da “apanhada” onde o último “salva todos”, fazendo com que os outros jogadores nem precisem de se esforçar muito. E os teus cidadãos vivem mais ou menos nesta circunstância, pensando que se podem dar ao luxo de andar a fazer isto e aquilo sem se incomodarem muito com as consequências, e sempre na esperança que no fim venha o Estado e que diga: 1,2,3 Estado salva todos. Os exemplos mais ilustrativos dos dias de hoje são o TGV e o novo aeroporto de Lisboa.
Portugal, esse mundo onde algo na esfera do poder do Estado vai resolver os teus problemas não existe. Esse é um erro onde governantes e governados insistem em cair. Das forças que movem os governados nada se pode fazer no curto prazo. Já no que toca aos governantes há solução. E essa passa por abandonar esses projectos megalómanos e cumulativamente dizer aos Portugueses que a solução para Portugal depende dos Portugueses e da sua capacidade em realizar projectos, bem como dos estrangeiros que quiserem investir em Portugal. E deverão ser os próprios governantes a dizerem aos governados que a sua função como governantes é atrapalhar o mínimo possível nas acções empreendedoras da iniciativa privada (desde que isso não colida com o bem comum; penso, por exemplo, na questão ambiental).
Os governantes devem, na sequência do abandono da quimera das grandes obras, emitir os sinais de que todos os recursos arrecadados pelos impostos deverão estar ao serviço de toda a economia, e não só de uma parcela desta. A economia é de uma natureza tal que funciona tanto melhor tanto quanto tiver todos os seus elementos num nível de funcionamento mínimo, sem o prejuízo da falência de quem tem, e deve, falir. As grandes obras, pela sua natureza, são limitadas no seu alcance no tecido económico por não abrangerem uma grande parte de sectores, e por serem geograficamente discriminatórias. Existe um lóbi da construção que vai veiculando a ideia de que a construção mexe com muita coisa. Portugal, isso é conversa de construtor civil que, por natureza, só vê o elemento “hard” da economia, não vê o elemento “soft”. Aliás, não se conhecem países desenvolvidos cujo principal sector seja o da construção.
Portugal, precisas é de ter muitos projectos de dimensão média. Projectos de 10 milhões a 250 milhões de euros de investimento espalhados pelo País. Um País mede-se pelo grande número de projectos médios, não pelo pequeno número de grandes projectos. Quanto mais não seja pela dispersão do risco, argumento útil para o caso e muito pouco utilizado. Muitos projectos significam também maior oportunidade para os trabalhadores por conta de outrem, pois o maior número de empregadores é o melhor amigo do trabalhador mais produtivo. Este aspecto em muito beneficiaria a meritocracia pois evita que os melhores fiquem entregues a um oligopólio de meia dúzia de empregadores.
Portugal, reitero ainda um argumento de particular importância. Se abandonares os grandes projectos sobra mais dinheiro para emprestar a todos os outros projectos, e a um preço mais baixo. A “torneira” de dinheiro disponível jorra numa quantidade limitada, e é importante garantir que sobra em quantidade suficiente para todos os projectos que não o TGV e NAL, e já agora, a um preço (juro) que não seja leonino. Por isso é conveniente que não existam distúrbios na canalização de dinheiro para onde ele é mais produtivo, e em quantidade que respeite o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Portugal, nada como serem os empresários a dizerem que projectos devem ser financiados. Quando os Governos são metidos ao barulho as opções saiem enviesadas, nomeadamente quando é muito acentuada a tendência para a corrupção e para o mexerico, características que tens mais do que devias. A tua história recente mostra como é podre a relação estreita entre governantes e as chefias das maiores empresas. Isto prova que o caminho das tuas grandes empresas deve ser independente dos arbítrios resultantes das relações entre o poder político e económico. As tuas grandes empresas só deverão, doravante, pensar nos mercados internacionais e servir-se do mercado nacional como mero local onde amadurecem o seu “core business”.
Portugal, espero que percebas que só existem vantagens nos projectos mais pequenos. Se não encontrares empresários lusitanos adeptos de projectos entre os 10 e os 250 milhões de euros, então busca-os lá fora. Eu até talvez começasse mesmo além fronteiras de modo a irrigar este País com outras gentes e com outras mentalidades. Mescla de culturas ao nível dos empreendedores é um excelente tónico para contagiar os outros segmentos da população. Isso não é coisa que se faça com grandes empresas de construção civil polvilhadas de ex-governantes. Faz-se com gente simples, de ideias simples, com um mínimo de visão, sem agendas pessoais, amantes do esforço, e com projectos transparentes debaixo do braço. E estes elementos são indiferentes à cor da pele e à cultura, e até são de uma natureza tal que acharão por certo graça irem empreender para locais aprazíveis desde que os não atrapalhem em demasia.
Portugal, tens de uma vez por todas de passar a pensar que não é a medida A, B, ou C que te vai salvar. Pensas sempre que existe algo que vai sair da cartola e que, num ápice, vai resolver todos os teus problemas. Essa é uma atitude pouco madura, e penso mesmo ser bastante acriançada. Faz-me lembrar o jogo da “apanhada” onde o último “salva todos”, fazendo com que os outros jogadores nem precisem de se esforçar muito. E os teus cidadãos vivem mais ou menos nesta circunstância, pensando que se podem dar ao luxo de andar a fazer isto e aquilo sem se incomodarem muito com as consequências, e sempre na esperança que no fim venha o Estado e que diga: 1,2,3 Estado salva todos. Os exemplos mais ilustrativos dos dias de hoje são o TGV e o novo aeroporto de Lisboa.
Portugal, esse mundo onde algo na esfera do poder do Estado vai resolver os teus problemas não existe. Esse é um erro onde governantes e governados insistem em cair. Das forças que movem os governados nada se pode fazer no curto prazo. Já no que toca aos governantes há solução. E essa passa por abandonar esses projectos megalómanos e cumulativamente dizer aos Portugueses que a solução para Portugal depende dos Portugueses e da sua capacidade em realizar projectos, bem como dos estrangeiros que quiserem investir em Portugal. E deverão ser os próprios governantes a dizerem aos governados que a sua função como governantes é atrapalhar o mínimo possível nas acções empreendedoras da iniciativa privada (desde que isso não colida com o bem comum; penso, por exemplo, na questão ambiental).
Os governantes devem, na sequência do abandono da quimera das grandes obras, emitir os sinais de que todos os recursos arrecadados pelos impostos deverão estar ao serviço de toda a economia, e não só de uma parcela desta. A economia é de uma natureza tal que funciona tanto melhor tanto quanto tiver todos os seus elementos num nível de funcionamento mínimo, sem o prejuízo da falência de quem tem, e deve, falir. As grandes obras, pela sua natureza, são limitadas no seu alcance no tecido económico por não abrangerem uma grande parte de sectores, e por serem geograficamente discriminatórias. Existe um lóbi da construção que vai veiculando a ideia de que a construção mexe com muita coisa. Portugal, isso é conversa de construtor civil que, por natureza, só vê o elemento “hard” da economia, não vê o elemento “soft”. Aliás, não se conhecem países desenvolvidos cujo principal sector seja o da construção.
Portugal, precisas é de ter muitos projectos de dimensão média. Projectos de 10 milhões a 250 milhões de euros de investimento espalhados pelo País. Um País mede-se pelo grande número de projectos médios, não pelo pequeno número de grandes projectos. Quanto mais não seja pela dispersão do risco, argumento útil para o caso e muito pouco utilizado. Muitos projectos significam também maior oportunidade para os trabalhadores por conta de outrem, pois o maior número de empregadores é o melhor amigo do trabalhador mais produtivo. Este aspecto em muito beneficiaria a meritocracia pois evita que os melhores fiquem entregues a um oligopólio de meia dúzia de empregadores.
Portugal, reitero ainda um argumento de particular importância. Se abandonares os grandes projectos sobra mais dinheiro para emprestar a todos os outros projectos, e a um preço mais baixo. A “torneira” de dinheiro disponível jorra numa quantidade limitada, e é importante garantir que sobra em quantidade suficiente para todos os projectos que não o TGV e NAL, e já agora, a um preço (juro) que não seja leonino. Por isso é conveniente que não existam distúrbios na canalização de dinheiro para onde ele é mais produtivo, e em quantidade que respeite o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Portugal, nada como serem os empresários a dizerem que projectos devem ser financiados. Quando os Governos são metidos ao barulho as opções saiem enviesadas, nomeadamente quando é muito acentuada a tendência para a corrupção e para o mexerico, características que tens mais do que devias. A tua história recente mostra como é podre a relação estreita entre governantes e as chefias das maiores empresas. Isto prova que o caminho das tuas grandes empresas deve ser independente dos arbítrios resultantes das relações entre o poder político e económico. As tuas grandes empresas só deverão, doravante, pensar nos mercados internacionais e servir-se do mercado nacional como mero local onde amadurecem o seu “core business”.
Portugal, espero que percebas que só existem vantagens nos projectos mais pequenos. Se não encontrares empresários lusitanos adeptos de projectos entre os 10 e os 250 milhões de euros, então busca-os lá fora. Eu até talvez começasse mesmo além fronteiras de modo a irrigar este País com outras gentes e com outras mentalidades. Mescla de culturas ao nível dos empreendedores é um excelente tónico para contagiar os outros segmentos da população. Isso não é coisa que se faça com grandes empresas de construção civil polvilhadas de ex-governantes. Faz-se com gente simples, de ideias simples, com um mínimo de visão, sem agendas pessoais, amantes do esforço, e com projectos transparentes debaixo do braço. E estes elementos são indiferentes à cor da pele e à cultura, e até são de uma natureza tal que acharão por certo graça irem empreender para locais aprazíveis desde que os não atrapalhem em demasia.
Comentário ao post anterior
QUINTA-FEIRA, 4 DE MARÇO DE 2010
Sempre me questionei porque este tema de neo-esclavagismo nunca tenha sido levantado nestes termos nos debates anteriores às eleições. Se calhar faz parte do pacote de um olhar "moderno" sobre como deve ser uma sociedade.
Existe muita dor escondida em muitas mulheres resultante da luta entre o relógio biológico e a carreira, no sentido de que esta para ser um sucesso obrigará a uma carga de trabalho de 12 horas por dia. No entanto verificaremos que a psicose de ter atingido o pleno sucesso aos 40 anos é um mito face à realidade do trabalho nos dias de hoje e no futuro. A geração actual que tem 40 anos, bem como as gerações seguintes, terão que trabalhar muitos mais anos do que a gerações passadas.
Para uma mulher que decidir iniciar uma carreira aos 40 anos ela deverá pensar que tem ainda 30 anos pela frente. E 30 anos é muito. Claro que há o argumento de que o rendimento aos 60 ou 70 não é o mesmo do que aos 30 ou 40. Pois eu não estou nada certo. Depende da actividade. Admito que aos 30 ou 40 anos fazemos as coisas mais rapidamente, mas aos 60 e 70 distinguimos muito melhor o que deve ser feito e o que não deve ser feito.
Vivemos numa transição onde nos regemos ainda pela mentalidade herdade. Temos muita dificuldade em tomar como normal o início de uma carreira aos 40 anos. A mentalidade será dobrada a prazo pelas exigências do mercado e pela realidade demográfica. Ainda me lembro que há 15 ou 20 anos era frequente os anúncios de trabalho nos jornais pedirem pessoas até os 27 anos (sim, 27!!!, nunca vou perceber se havia ou não algum acordo tácito). Há 5 anos atrás já era frequente ver limite de idade até os 35 anos. E garanto-vos que em 2030 o acordo tácito será 45 ou 50 anos.
A demografia tem destas coisas. Nunca me esquecerei que P.Drucker dizia no seu "Inovação e Gestão" que a demografia no futuro é de fácil previsão mas que raramente é tomada em consideração no presente para interpretar como será a realidade futura.
E porque gosto de apresentar soluções práticas a mensagem para todas as mulheres é, quer tirem os seus cursos ou não os tirem. Casem, tenham filhos e trabalhem sem a paranóia da carreira. Mantenham-se em actividade para manter um ritmo mínimo e um pé dentro dos assuntos da vossa área profissional, embora não enquanto tiverem a gozar as licenças de parto. E lá para os 40 ou 45 anos, e se o quiserem, então tenham a paranóia da carreira e então trabalhem muitas horas se o entenderem (até porque o marido já poderá estar mais maçador). Tenham sempre cuidado com aquelas mulheres muito “eficientes” e “modernas” que as olharão com um misto de desdém e inveja por não “abraçarem” a carreira pelo facto de andarem sempre grávidas. Sim, nos eventos sociais elas talvez façam mais furor, mas isso não importa. A vida é longa e vão ver que aos 50 ou 60 anos também poderão apresentar credenciais laborais, se é que isso vos entusiasmará. E com um requinte: o aplauso da prole.
Sempre me questionei porque este tema de neo-esclavagismo nunca tenha sido levantado nestes termos nos debates anteriores às eleições. Se calhar faz parte do pacote de um olhar "moderno" sobre como deve ser uma sociedade.
Existe muita dor escondida em muitas mulheres resultante da luta entre o relógio biológico e a carreira, no sentido de que esta para ser um sucesso obrigará a uma carga de trabalho de 12 horas por dia. No entanto verificaremos que a psicose de ter atingido o pleno sucesso aos 40 anos é um mito face à realidade do trabalho nos dias de hoje e no futuro. A geração actual que tem 40 anos, bem como as gerações seguintes, terão que trabalhar muitos mais anos do que a gerações passadas.
Para uma mulher que decidir iniciar uma carreira aos 40 anos ela deverá pensar que tem ainda 30 anos pela frente. E 30 anos é muito. Claro que há o argumento de que o rendimento aos 60 ou 70 não é o mesmo do que aos 30 ou 40. Pois eu não estou nada certo. Depende da actividade. Admito que aos 30 ou 40 anos fazemos as coisas mais rapidamente, mas aos 60 e 70 distinguimos muito melhor o que deve ser feito e o que não deve ser feito.
Vivemos numa transição onde nos regemos ainda pela mentalidade herdade. Temos muita dificuldade em tomar como normal o início de uma carreira aos 40 anos. A mentalidade será dobrada a prazo pelas exigências do mercado e pela realidade demográfica. Ainda me lembro que há 15 ou 20 anos era frequente os anúncios de trabalho nos jornais pedirem pessoas até os 27 anos (sim, 27!!!, nunca vou perceber se havia ou não algum acordo tácito). Há 5 anos atrás já era frequente ver limite de idade até os 35 anos. E garanto-vos que em 2030 o acordo tácito será 45 ou 50 anos.
A demografia tem destas coisas. Nunca me esquecerei que P.Drucker dizia no seu "Inovação e Gestão" que a demografia no futuro é de fácil previsão mas que raramente é tomada em consideração no presente para interpretar como será a realidade futura.
E porque gosto de apresentar soluções práticas a mensagem para todas as mulheres é, quer tirem os seus cursos ou não os tirem. Casem, tenham filhos e trabalhem sem a paranóia da carreira. Mantenham-se em actividade para manter um ritmo mínimo e um pé dentro dos assuntos da vossa área profissional, embora não enquanto tiverem a gozar as licenças de parto. E lá para os 40 ou 45 anos, e se o quiserem, então tenham a paranóia da carreira e então trabalhem muitas horas se o entenderem (até porque o marido já poderá estar mais maçador). Tenham sempre cuidado com aquelas mulheres muito “eficientes” e “modernas” que as olharão com um misto de desdém e inveja por não “abraçarem” a carreira pelo facto de andarem sempre grávidas. Sim, nos eventos sociais elas talvez façam mais furor, mas isso não importa. A vida é longa e vão ver que aos 50 ou 60 anos também poderão apresentar credenciais laborais, se é que isso vos entusiasmará. E com um requinte: o aplauso da prole.