QUINTA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2011
O vulgar cidadão percepciona que a alta finança é algo de muito complexo. E tem razão. É realmente algo complexo e que requer pessoas com muito boa formação. Mas curiosamente a questão do contínuo aumento dos juros cobrados a Portugal é muito simples de explicar. Não é preciso ser-se muito letrado em finança. Os juros continuam a aumentar porque:
1. Vivemos em défice e acima das possibilidades há 25 anos.
2. Não queremos mudar de vida, acreditando que podemos viver em défice eternamente.
3. Decorrente dos dois pontos anteriores o possuirmos uma economia “torta”, ou seja, toda ela voltada para o consumo e para organização do mesmo.
4. Muitas das nossas exportações terem como principais competidores os países que estão precisamente a começar a dar muitas cartas neste jogo global que é a globalização.
5. Um dos principais compradores de Portugal, a Espanha, estar de “férias prolongadas” em termos de capacidade aquisitiva.
Existirão ainda outros motivos que irão piorar a fotografia, e que neste momento ainda não são totalmente percepcionados pelos credores internacionais (da mesma forma que os acima indicados só recentemente foram por eles percepcionados). Listarei os seguintes:
1. Suicídio demográfico em curso. Para um nível estável de produtividade, que é o que se verifica há muito tempo, isso significa que a dívida por habitante subirá naturalmente, ainda que doravante tenhamos défices nulos.
2. Se, como se espera, ocorrer de novo um grande surto de emigração, acentuando ainda mais o problema do primeiro ponto.
3. A real percepção por parte dos credores que temos “sangue” socialista por toda a sociedade. Ou seja, o Português ver o Estado, por via do seu orçamento, quase como a única entidade que lhe pode trazer todos os proventos. Desengane-se quem pensa que o PSD está de fora desta lógica. Até desconfio que parte do CDS assim pensa.
Há que começar a lutar para que estes três novos pontos não comecem a entrar na equação dos nossos credores. Para isso há que actuar fortemente sobre os primeiros cinco, já que os mesmos mais não são do que os geradores destes últimos.
Nota: o que o actual governo socialista diz a respeito dos motivos dos continuados altos juros devem ser considerados disparates típicos de pessoas não preparadas para a modalidade da Governação.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O tipo de confiança que Portugal precisa
TERÇA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2011
É voz corrente que a confiança é um factor fundamental para o desenvolvimento de uma economia. Sem dúvida que o é. A questão não passa pelo debate onde todos estão de acordo. Passa antes pelo que cada um entende e extrai do conceito. Parece óbvio que o entendimento do mesmo difere bastante quando confrontamos diferentes perfis de pessoas mediante um mesmo cenário.
Portugal precisa de muita confiança. Carece dela em elevadíssimo grau. Não tanto no que a auto-estima diz respeito (tratarei do conceito adiante). Carece de confiança porque esta só aparece quando são apontados caminhos que as pessoas reconhecem como sendo possíveis de levar a algum lado perante as circunstâncias em vigor, ainda que para isso os mesmos apresentem dificuldades em ser alcançados.
Ora é esse o problema de Portugal. A governação não consegue apontar um caminho porque não entende bem o mundo de hoje, não entende bem a realidade em que Portugal se encontra, está muito provavelmente mal aconselhada, e não tem perfil e arrojo para elaborar e executar os necessários planos de ataque. Quem governa está bastante manietado por grupos de interesse, facto que, associado à miopia de análise e inépcia na acção, só potencia o desespero e exasperação dos agentes económicos. Se a isto adicionarmos a estrutura ética da maioria do pessoal governativo não restarão dúvidas que reunimos todo o leque de condições conducentes à falta de confiança em Portugal.
O pontapé de saída para fornecer confiança à economia é enfrentar o problema de frente. E para isso há que:
1. Identificá-lo. Isso é fácil e já foi feito por muitos proeminentes economistas da nossa praça.
2. Veiculá-lo abertamente a todos os Portugueses sem o temor absurdo de quem não pode transmitir uma mensagem desagradável.
3. Apresentar soluções claras onde se identifiquem claramente opções que sustentem uma estratégia (como por exemplo, privilegiar abertamente a produção relativamente ao consumo, nomeadamente no que a actividades exportadoras diz respeito; ou ainda implementar um sistema onde o corpo da administração pública não esteja promiscuamente dependente dos desvarios partidários, e que não seja fornecido de pessoal originário desses mesmos partidos).
4. Libertar a governação dos grupos de interesses e assisti-la com grupos intelectualmente mais evoluídos e com provas de não perseguirem o interesse próprio ou de grupo.
Os agentes económicos não são tolos quando confrontados com determinados estímulos. Por norma o erro está no estímulo, não nas decisões individuais. A apresentação de um plano muito claro de prioridades, quer ao nível sectorial, quer ao nível dos mercados (interno versus externo), facilita a selecção de investimentos e o seu escalonamento temporal. Só isso é factor de germinação de confiança ao nível do empresariado. A indecisão, que não é mais do que o ambiente em que hoje se vive em Portugal, inibe e congela investimento, gerando desconfiança.
A população em geral, por norma mais desinformada que o empresariado, ganhará confiança numa fase posterior, ou seja, quando for evidente que as medidas tomadas provarem ser transformativas. No caso específico de Portugal, perante a realidade actual, isso só ocorrerá quando o sector exportador começar a contratar pessoas em elevado número, absorvendo tanto quanto possível os desempregados de hoje e os que aí ainda vêm (drenados em parte pelo sector público).
No momento em que nos apercebêssemos que nos estaríamos a transformar numa economia maioritariamente voltada para o exterior, então um outro tipo de confiança apareceria. Será aquela a que associamos com o conceito de auto-estima. Ou seja, aquela decorrente de sermos ganhadores por natureza nos recintos em que “combatemos” nos mercados internacionais. Sabemos que presentemente já há vitórias. Mas as mesmas são celebradas por uma reduzida percentagem do mundo de trabalho português. Quanto mais voltada para o exterior for a nossa economia (uma fatalidade ditada pelo nossos desequilíbrios macro económicos), maior será o nosso número de vitórias em ambiente internacional (assim o espero, e acredito), potenciando esta outra “confiança” muito esquecida entre nós.
Este último tipo de confiança conduzirá aquilo a que chamo “nova maioridade” do povo português. É aquela que nos fará reencontrar como povo voltado para o mundo, sabendo que aquilo que deste rectângulo brota é para no mundo singrar positivamente, resultado de ideias e trabalhos excelentes, e não de pequenos jogos de interesse e mesquinhez de paróquia mal estruturada onde a exiguidade do terreno onde decorre a acção nos condena a definhar na ideia e no zelo por contrapartida da intriga e mediocridade.
Este último patamar de confiança está ainda muito longe, mas é perfeitamente alcançável. Para que isso ocorra, temos que lutar em primeiro lugar pela confiança que no início invoquei, a ditada pela verdade e pela indicação do caminho claro a seguir. O correcto escalonamento dos degraus de confiança, e a humildade no seu reconhecimento, é por si outro factor germinador de confiança, aquela que decorre do nosso conhecimento enquanto corpo social capaz de evoluir.
Tudo aquilo que nos têm estado a vender nos últimos 25 anos poder-se-á também chamar de confiança. Mas de outro calibre e com um nome bem conhecido: a confiança “banha da cobra”.
É voz corrente que a confiança é um factor fundamental para o desenvolvimento de uma economia. Sem dúvida que o é. A questão não passa pelo debate onde todos estão de acordo. Passa antes pelo que cada um entende e extrai do conceito. Parece óbvio que o entendimento do mesmo difere bastante quando confrontamos diferentes perfis de pessoas mediante um mesmo cenário.
Portugal precisa de muita confiança. Carece dela em elevadíssimo grau. Não tanto no que a auto-estima diz respeito (tratarei do conceito adiante). Carece de confiança porque esta só aparece quando são apontados caminhos que as pessoas reconhecem como sendo possíveis de levar a algum lado perante as circunstâncias em vigor, ainda que para isso os mesmos apresentem dificuldades em ser alcançados.
Ora é esse o problema de Portugal. A governação não consegue apontar um caminho porque não entende bem o mundo de hoje, não entende bem a realidade em que Portugal se encontra, está muito provavelmente mal aconselhada, e não tem perfil e arrojo para elaborar e executar os necessários planos de ataque. Quem governa está bastante manietado por grupos de interesse, facto que, associado à miopia de análise e inépcia na acção, só potencia o desespero e exasperação dos agentes económicos. Se a isto adicionarmos a estrutura ética da maioria do pessoal governativo não restarão dúvidas que reunimos todo o leque de condições conducentes à falta de confiança em Portugal.
O pontapé de saída para fornecer confiança à economia é enfrentar o problema de frente. E para isso há que:
1. Identificá-lo. Isso é fácil e já foi feito por muitos proeminentes economistas da nossa praça.
2. Veiculá-lo abertamente a todos os Portugueses sem o temor absurdo de quem não pode transmitir uma mensagem desagradável.
3. Apresentar soluções claras onde se identifiquem claramente opções que sustentem uma estratégia (como por exemplo, privilegiar abertamente a produção relativamente ao consumo, nomeadamente no que a actividades exportadoras diz respeito; ou ainda implementar um sistema onde o corpo da administração pública não esteja promiscuamente dependente dos desvarios partidários, e que não seja fornecido de pessoal originário desses mesmos partidos).
4. Libertar a governação dos grupos de interesses e assisti-la com grupos intelectualmente mais evoluídos e com provas de não perseguirem o interesse próprio ou de grupo.
Os agentes económicos não são tolos quando confrontados com determinados estímulos. Por norma o erro está no estímulo, não nas decisões individuais. A apresentação de um plano muito claro de prioridades, quer ao nível sectorial, quer ao nível dos mercados (interno versus externo), facilita a selecção de investimentos e o seu escalonamento temporal. Só isso é factor de germinação de confiança ao nível do empresariado. A indecisão, que não é mais do que o ambiente em que hoje se vive em Portugal, inibe e congela investimento, gerando desconfiança.
A população em geral, por norma mais desinformada que o empresariado, ganhará confiança numa fase posterior, ou seja, quando for evidente que as medidas tomadas provarem ser transformativas. No caso específico de Portugal, perante a realidade actual, isso só ocorrerá quando o sector exportador começar a contratar pessoas em elevado número, absorvendo tanto quanto possível os desempregados de hoje e os que aí ainda vêm (drenados em parte pelo sector público).
No momento em que nos apercebêssemos que nos estaríamos a transformar numa economia maioritariamente voltada para o exterior, então um outro tipo de confiança apareceria. Será aquela a que associamos com o conceito de auto-estima. Ou seja, aquela decorrente de sermos ganhadores por natureza nos recintos em que “combatemos” nos mercados internacionais. Sabemos que presentemente já há vitórias. Mas as mesmas são celebradas por uma reduzida percentagem do mundo de trabalho português. Quanto mais voltada para o exterior for a nossa economia (uma fatalidade ditada pelo nossos desequilíbrios macro económicos), maior será o nosso número de vitórias em ambiente internacional (assim o espero, e acredito), potenciando esta outra “confiança” muito esquecida entre nós.
Este último tipo de confiança conduzirá aquilo a que chamo “nova maioridade” do povo português. É aquela que nos fará reencontrar como povo voltado para o mundo, sabendo que aquilo que deste rectângulo brota é para no mundo singrar positivamente, resultado de ideias e trabalhos excelentes, e não de pequenos jogos de interesse e mesquinhez de paróquia mal estruturada onde a exiguidade do terreno onde decorre a acção nos condena a definhar na ideia e no zelo por contrapartida da intriga e mediocridade.
Este último patamar de confiança está ainda muito longe, mas é perfeitamente alcançável. Para que isso ocorra, temos que lutar em primeiro lugar pela confiança que no início invoquei, a ditada pela verdade e pela indicação do caminho claro a seguir. O correcto escalonamento dos degraus de confiança, e a humildade no seu reconhecimento, é por si outro factor germinador de confiança, aquela que decorre do nosso conhecimento enquanto corpo social capaz de evoluir.
Tudo aquilo que nos têm estado a vender nos últimos 25 anos poder-se-á também chamar de confiança. Mas de outro calibre e com um nome bem conhecido: a confiança “banha da cobra”.
Montar uma nova economia
QUARTA-FEIRA, 9 DE MARÇO DE 2011
Portugal tem hoje evidentes desequilíbrios macro económicos que urgem ser corrigidos. Eles resultaram de deficientes sinais emitidos aos agentes económicos que, por instinto ou razão induzida, seguiram um determinado caminho que embora possa ser considerado racional do ponto de vista da decisão individual, se veio a provar errado quando analisado colectivamente. Considere-se o período em análise aquele que seguiu à última intervenção do FMI (1983/1984), e que antecedeu a nossa entrada na CEE e a subsequente adesão à zona Euro, até ao momento presente. Desde essa altura que nos entusiasmámos na construção uma economia voltada para o consumo em detrimento de uma economia voltada para a produção.
A configuração da nossa economia, quando analisada pelos maiores grupos económicos, não deixa de reflectir esse modelo. Maioritariamente, os nossos maiores grupos económicos trataram de desenvolver as suas actividades numa orientação claramente voltada para o consumo interno em detrimento do mercado externo. Sendo algumas dessas actividades potenciadas pelo aumento da concessão de crédito aos privados por parte dos bancos (crédito à aquisição de automóvel, compra e recheio de habitação), com pouca ou nenhuma concorrência internacional, e tendo a “bênção” governamental de acumulação de dívida como fórmula de sucesso, os nossos agentes económicos tiveram poucas dúvidas onde alocar os seus recursos.
A economia desenvolveu-se então em torno do sector da construção, distribuição, venda de automóveis, organização do consumo (a banca), e utilities (electricidade, comunicações). Tudo quanto respeite a exportações foi claramente preterido. Não é de estranhar. Sujeito a uma pressão concorrencial superior, enfrentando aumentos de salários superiores aos aumentos de produtividade, sem possibilidade de repercutir no preço a correspondente perda concorrencial, com crescentes dificuldades de acesso ao crédito (este maioritariamente destinado ao consumo interno), os nossos maiores grupos económicos tomaram opções racionais, ainda que com efeitos nocivos ao nível macro económico.
Por outro lado os Portugueses ganharam uma enorme atracção por todas as actividades económicas que suportassem o consumo. Não será caso para ficarmos admirados. A agricultura, as pescas, ou o shop-floor de uma fábrica, são locais menos apelativos a quem se encontra embriagado por um novo riquismo recém-adquirido quando comparados por um agora moderno balcão bancário, um stand automóvel, ou ainda um dos infindáveis organismos públicos. Ou seja, as operações intrínsecas que concorrem para consumir demonstraram ser vencedoras para efeitos de decisão de escolha de trabalho quando em competição com aquelas que concorrem para produzir. Muito estigma poderá também estar associado às decisões individuais tomadas. Seja como for, aquilo que poderão ter sido opções correctas ao nível individual demonstrou contribuir para o desequilíbrio macro económico.
A crise financeira internacional veio acelerar a evidência da nossa crise estrutural e obriga-nos a mudar de vida mais cedo do que esperaríamos. Por isso Portugal vai ter de ter uma viragem muito grande da sua economia. De uma economia voltada para o consumo, iremos forçosamente ter de montar uma economia voltada para a produção que se reflicta em exportações ou substituição de importações. Digo forçosamente não por uma questão de simpatia por um ou outro modelo económico, mas antes ditado pelas mais elementares regras de equilíbrio macro-económico e pelo julgamento dos mercados financeiros internacionais, que têm, nos dias de hoje, o poder de constantemente nos lembrar que se queremos ser um País independente e com capacidade de contrair / renovar empréstimos no exterior temos que seguir as tais regras elementares de equilíbrio macro-económico.
Se a economia voltada para as exportações / substituições de importações será baseada maioritariamente em salários baixos ou de alto valor acrescentado, é algo que ainda não sabemos. Depende em muito da capacidade empreendedora dos nossos empresários. Mas também depende bastante do nosso nível real de aquisição de conhecimento e de como o transformar em produto / serviço de elevado valor económico nos mercados mundiais. A combinação destes dois factores sairá potenciada se assistida por organizações eficientes rodeadas por variáveis de contexto favoráveis. Neste ponto realço a Justiça, factor fulcral na ajuda ao florescimento de organizações de excelência.
Estando assente que a nossa economia deverá ser primeiramente voltada para o exterior, há que actuar psicologicamente sobre os medos que nos têm assolado, e que têm que ver com o nosso receio do insucesso quando em competição aberta. Este medo é infundado. A Globalização tem que ser considerada o nosso palco preferencial de actuação, não só pelos frutos que daí poderão advir, mas acima de tudo porque é o palco onde o Português se pode dar naturalmente bem. Operar globalmente não é nada de novo para o nosso povo. Aliás, fomos, muito provavelmente, o primeiro povo a conduzir operações à escala global, ao que não será alheia a nossa boa capacidade de relacionamento com o “Outro”. A “libertação” do Português da dependência do Estado para tudo é fundamental de modo a que o Português ganhe uma outra maioridade. Para isso temos de ter uma sociedade menos dependente do Estado e um Estado muito mais pequeno.
Penso ser hoje geralmente aceite que não é mais possível continuar a viver em constante défice e acumular mais dívida pública e privada. Esse modus vivendi a que nos acomodámos e tomámos como eternamente adquirido vai ter de acabar. Doravante a palavra de ordem terá de ser “Excedente”, ainda que para isso tenhamos que proceder a muito sacrifícios de curto e médio prazo. Só assim conseguiremos transformar a nossa economia naquilo que ela terá que ser.
A correcta compreensão do exposto e a emissão de estímulos conducentes à aceleração das infindáveis decisões individuais de todos os agentes económicos são o principal desafio que os próximos governos terão pela frente. Não ver isto é avalizar o já contínuo definhamento da nossa economia, o que, e a prazo não muito distante, conduzirá a turbulências económicas e sociais difíceis de quantificar.
Portugal tem hoje evidentes desequilíbrios macro económicos que urgem ser corrigidos. Eles resultaram de deficientes sinais emitidos aos agentes económicos que, por instinto ou razão induzida, seguiram um determinado caminho que embora possa ser considerado racional do ponto de vista da decisão individual, se veio a provar errado quando analisado colectivamente. Considere-se o período em análise aquele que seguiu à última intervenção do FMI (1983/1984), e que antecedeu a nossa entrada na CEE e a subsequente adesão à zona Euro, até ao momento presente. Desde essa altura que nos entusiasmámos na construção uma economia voltada para o consumo em detrimento de uma economia voltada para a produção.
A configuração da nossa economia, quando analisada pelos maiores grupos económicos, não deixa de reflectir esse modelo. Maioritariamente, os nossos maiores grupos económicos trataram de desenvolver as suas actividades numa orientação claramente voltada para o consumo interno em detrimento do mercado externo. Sendo algumas dessas actividades potenciadas pelo aumento da concessão de crédito aos privados por parte dos bancos (crédito à aquisição de automóvel, compra e recheio de habitação), com pouca ou nenhuma concorrência internacional, e tendo a “bênção” governamental de acumulação de dívida como fórmula de sucesso, os nossos agentes económicos tiveram poucas dúvidas onde alocar os seus recursos.
A economia desenvolveu-se então em torno do sector da construção, distribuição, venda de automóveis, organização do consumo (a banca), e utilities (electricidade, comunicações). Tudo quanto respeite a exportações foi claramente preterido. Não é de estranhar. Sujeito a uma pressão concorrencial superior, enfrentando aumentos de salários superiores aos aumentos de produtividade, sem possibilidade de repercutir no preço a correspondente perda concorrencial, com crescentes dificuldades de acesso ao crédito (este maioritariamente destinado ao consumo interno), os nossos maiores grupos económicos tomaram opções racionais, ainda que com efeitos nocivos ao nível macro económico.
Por outro lado os Portugueses ganharam uma enorme atracção por todas as actividades económicas que suportassem o consumo. Não será caso para ficarmos admirados. A agricultura, as pescas, ou o shop-floor de uma fábrica, são locais menos apelativos a quem se encontra embriagado por um novo riquismo recém-adquirido quando comparados por um agora moderno balcão bancário, um stand automóvel, ou ainda um dos infindáveis organismos públicos. Ou seja, as operações intrínsecas que concorrem para consumir demonstraram ser vencedoras para efeitos de decisão de escolha de trabalho quando em competição com aquelas que concorrem para produzir. Muito estigma poderá também estar associado às decisões individuais tomadas. Seja como for, aquilo que poderão ter sido opções correctas ao nível individual demonstrou contribuir para o desequilíbrio macro económico.
A crise financeira internacional veio acelerar a evidência da nossa crise estrutural e obriga-nos a mudar de vida mais cedo do que esperaríamos. Por isso Portugal vai ter de ter uma viragem muito grande da sua economia. De uma economia voltada para o consumo, iremos forçosamente ter de montar uma economia voltada para a produção que se reflicta em exportações ou substituição de importações. Digo forçosamente não por uma questão de simpatia por um ou outro modelo económico, mas antes ditado pelas mais elementares regras de equilíbrio macro-económico e pelo julgamento dos mercados financeiros internacionais, que têm, nos dias de hoje, o poder de constantemente nos lembrar que se queremos ser um País independente e com capacidade de contrair / renovar empréstimos no exterior temos que seguir as tais regras elementares de equilíbrio macro-económico.
Se a economia voltada para as exportações / substituições de importações será baseada maioritariamente em salários baixos ou de alto valor acrescentado, é algo que ainda não sabemos. Depende em muito da capacidade empreendedora dos nossos empresários. Mas também depende bastante do nosso nível real de aquisição de conhecimento e de como o transformar em produto / serviço de elevado valor económico nos mercados mundiais. A combinação destes dois factores sairá potenciada se assistida por organizações eficientes rodeadas por variáveis de contexto favoráveis. Neste ponto realço a Justiça, factor fulcral na ajuda ao florescimento de organizações de excelência.
Estando assente que a nossa economia deverá ser primeiramente voltada para o exterior, há que actuar psicologicamente sobre os medos que nos têm assolado, e que têm que ver com o nosso receio do insucesso quando em competição aberta. Este medo é infundado. A Globalização tem que ser considerada o nosso palco preferencial de actuação, não só pelos frutos que daí poderão advir, mas acima de tudo porque é o palco onde o Português se pode dar naturalmente bem. Operar globalmente não é nada de novo para o nosso povo. Aliás, fomos, muito provavelmente, o primeiro povo a conduzir operações à escala global, ao que não será alheia a nossa boa capacidade de relacionamento com o “Outro”. A “libertação” do Português da dependência do Estado para tudo é fundamental de modo a que o Português ganhe uma outra maioridade. Para isso temos de ter uma sociedade menos dependente do Estado e um Estado muito mais pequeno.
Penso ser hoje geralmente aceite que não é mais possível continuar a viver em constante défice e acumular mais dívida pública e privada. Esse modus vivendi a que nos acomodámos e tomámos como eternamente adquirido vai ter de acabar. Doravante a palavra de ordem terá de ser “Excedente”, ainda que para isso tenhamos que proceder a muito sacrifícios de curto e médio prazo. Só assim conseguiremos transformar a nossa economia naquilo que ela terá que ser.
A correcta compreensão do exposto e a emissão de estímulos conducentes à aceleração das infindáveis decisões individuais de todos os agentes económicos são o principal desafio que os próximos governos terão pela frente. Não ver isto é avalizar o já contínuo definhamento da nossa economia, o que, e a prazo não muito distante, conduzirá a turbulências económicas e sociais difíceis de quantificar.
Quanto tempo demora esta fase de transferência e como a mesma se irá processar?
DOMINGO, 6 DE MARÇO DE 2011
Esta é a pergunta que se coloca sobre Portugal neste momento. Valerá a pena debruçarmo-nos sobre a pergunta e tentar perceber o que ela encerra. Primeiro temos a questão da “transferência”. Transferência de quê? Basicamente trata-se de uma transferência de uma sociedade voltada para o consumo para uma sociedade voltada para a produção, revertendo as proporções em favor da segunda de modo a compensar os excessos da primeira nestes últimos 25 anos.
Este processo será, em princípio, longo e penoso. Direi que durará uns 30 anos. Montar uma economia voltada para a exportação não é coisa fácil. Mesmo que contemos com a vontade dos Portugueses para o efeito, coisa que não está garantida, temos ainda que contar com a concorrência internacional, ou seja, com todos os outros povos com vontade, e capacidade, reforço, capacidade, de jogar o campeonato da produção.
A vontade dos Portugueses é algo que não está a ser devidamente equacionada. Aliás, este é um fenómeno sobre o qual me assaltam dúvidas de como se processará. Como lidar com a questão das expectativas e a sua adequação à realidade de cada um? Como irá reagir alguém que até agora tinha como expectativas ser servido e trabalhar em ambiente palaciano voltado para o consumo (seja assistente de marketing de produtos de consumo, vendedor de automóveis, funcionário/a público, etc), e que irá passar no futuro a ter de servir e ter de trabalhar em serviços que até agora constituíam o suporte do seu estilo de vida (seja trabalhar numa empresa de limpezas, a tratar de pessoas idosas, num shop-floor de uma fábrica, ou ainda na agricultura e pescas)? Esta questão fará as delícias dos sociólogos daqui a 40 anos, da mesma maneira que os actuais se derretem a analisar / comparar o Portugal de 1960 com o de 2010.
Enquanto para o parágrafo anterior podemos contar com o argumento da "Realidade", essa coisa poderosíssima que tratará de dobrar as pessoas, confesso que já me assusta mais a nossa capacidade competitiva. É que teremos mais concorrentes no mercado (agora de todos os continentes), com mais capacidades do que pensamos, e mais dispostos a receberem aquilo que por cá é considerado indigno e ímpio (uma questão de expectativas) se isso os colocar sentados à mesa do campeonato mundial.
Quanto à forma de como a transferência se irá processar isso é algo de difícil previsão. Idealmente será feita dentro da zona euro de modo a evitar catástrofes de curto prazo. Mas nada nos garantirá de que não sejamos empurrados para fora do Euro se a isso convier ao resto dos países da zona euro. Desta possibilidade depende o quanto o povo Português consegue apreender a situação em que se encontra e aceitar as prescrições que se impõem, e que, repito, passam por fiscalmente desincentivar tudo o que respeite o consumo e incentivar tudo o que respeite produção (o seu decorrente acréscimo passa pelo sucesso que os empreendimentos tenham no concorrencial ambiente internacional).
É pouco percebido pela população de que o facto de estarmos na zona euro e atulhados em dívida nos impossibilita de enveredar por soluções como as que adoptámos em 1977/78 e 1983/84 aquando dos acordos com o FMI. Proceder a desvalorizações da moeda e a perdas de poder de compra ao nível dos 10% é coisa que não é possível beneficiar estando na zona euro com o nível de endividamento que temos. Assim sendo a solução é única, penalizando fiscalmente o consumo e estimulando em paralelo a produção, não só por via fiscal, bem como onde o Estado pode concorrer para o decréscimo dos custos de produção / contexto. A dúvida reside somente no grau em que se decide servir a solução.
Curiosamente há um factor que parece assustar a maioria dos nossos opinion makers e que me parece não ser tão importante. Trata-se da necessidade de existir um acordo de regime ou de existir um governo de maioria absoluta de modo a garantir estabilidade (referem eles). Ora, ainda que havendo um governo minoritário, nenhuma oposição será suficientemente louca para tomar posições que coloquem Portugal fora do Euro. BE e PCP incluídos. Sei que a rota em que nos encontramos nos colocará, a prazo, fora da zona Euro. Mas esse espectro ainda não entrou na equação dos sindicatos e partidos de esquerda, coisa que irá acontecer daqui a uns 2 anos. Forças sensíveis a braços de ferro e pouco dadas ao valor do argumento, estes partidos não hesitarão em mudar de opinião se Portugal for confrontado com um ultimato Alemão. Berrarão contra o Prussiano, mas não vacilarão em comportar-se em conformidade. O mesmo se passará com as outras forças políticas. Caberá ao partido que formar governo (e eu espero que seja o CDS) colocar a questão muito abertamente aos Portugueses de modo a condicionar de vez a decisão de todos os outros partidos no que respeita à passagem dos orçamentos de Estado que adoptem as medidas adequadas.
Não nos devemos assustar. As fases de mudanças de regime são coisas normais. O regime ditatorial que tivemos acabou em 1974 porque tinha de acabar. Não era mais possível continuar com ele. Apodreceu e desabou. O mesmo se passou nos países de Leste há cerca de 22 anos. Ruíram que nem um castelinho de cartas. E o mesmo se vai passar em Portugal com o Socialismo que nos governa há 37 anos. Já apodreceu e está para acabar. Mas atenção, ainda não acabou e ainda vai dar mais “tiros”, embora no pé, obviamente. Resta-nos preparar a fase pós-socialista.
Esta é a pergunta que se coloca sobre Portugal neste momento. Valerá a pena debruçarmo-nos sobre a pergunta e tentar perceber o que ela encerra. Primeiro temos a questão da “transferência”. Transferência de quê? Basicamente trata-se de uma transferência de uma sociedade voltada para o consumo para uma sociedade voltada para a produção, revertendo as proporções em favor da segunda de modo a compensar os excessos da primeira nestes últimos 25 anos.
Este processo será, em princípio, longo e penoso. Direi que durará uns 30 anos. Montar uma economia voltada para a exportação não é coisa fácil. Mesmo que contemos com a vontade dos Portugueses para o efeito, coisa que não está garantida, temos ainda que contar com a concorrência internacional, ou seja, com todos os outros povos com vontade, e capacidade, reforço, capacidade, de jogar o campeonato da produção.
A vontade dos Portugueses é algo que não está a ser devidamente equacionada. Aliás, este é um fenómeno sobre o qual me assaltam dúvidas de como se processará. Como lidar com a questão das expectativas e a sua adequação à realidade de cada um? Como irá reagir alguém que até agora tinha como expectativas ser servido e trabalhar em ambiente palaciano voltado para o consumo (seja assistente de marketing de produtos de consumo, vendedor de automóveis, funcionário/a público, etc), e que irá passar no futuro a ter de servir e ter de trabalhar em serviços que até agora constituíam o suporte do seu estilo de vida (seja trabalhar numa empresa de limpezas, a tratar de pessoas idosas, num shop-floor de uma fábrica, ou ainda na agricultura e pescas)? Esta questão fará as delícias dos sociólogos daqui a 40 anos, da mesma maneira que os actuais se derretem a analisar / comparar o Portugal de 1960 com o de 2010.
Enquanto para o parágrafo anterior podemos contar com o argumento da "Realidade", essa coisa poderosíssima que tratará de dobrar as pessoas, confesso que já me assusta mais a nossa capacidade competitiva. É que teremos mais concorrentes no mercado (agora de todos os continentes), com mais capacidades do que pensamos, e mais dispostos a receberem aquilo que por cá é considerado indigno e ímpio (uma questão de expectativas) se isso os colocar sentados à mesa do campeonato mundial.
Quanto à forma de como a transferência se irá processar isso é algo de difícil previsão. Idealmente será feita dentro da zona euro de modo a evitar catástrofes de curto prazo. Mas nada nos garantirá de que não sejamos empurrados para fora do Euro se a isso convier ao resto dos países da zona euro. Desta possibilidade depende o quanto o povo Português consegue apreender a situação em que se encontra e aceitar as prescrições que se impõem, e que, repito, passam por fiscalmente desincentivar tudo o que respeite o consumo e incentivar tudo o que respeite produção (o seu decorrente acréscimo passa pelo sucesso que os empreendimentos tenham no concorrencial ambiente internacional).
É pouco percebido pela população de que o facto de estarmos na zona euro e atulhados em dívida nos impossibilita de enveredar por soluções como as que adoptámos em 1977/78 e 1983/84 aquando dos acordos com o FMI. Proceder a desvalorizações da moeda e a perdas de poder de compra ao nível dos 10% é coisa que não é possível beneficiar estando na zona euro com o nível de endividamento que temos. Assim sendo a solução é única, penalizando fiscalmente o consumo e estimulando em paralelo a produção, não só por via fiscal, bem como onde o Estado pode concorrer para o decréscimo dos custos de produção / contexto. A dúvida reside somente no grau em que se decide servir a solução.
Curiosamente há um factor que parece assustar a maioria dos nossos opinion makers e que me parece não ser tão importante. Trata-se da necessidade de existir um acordo de regime ou de existir um governo de maioria absoluta de modo a garantir estabilidade (referem eles). Ora, ainda que havendo um governo minoritário, nenhuma oposição será suficientemente louca para tomar posições que coloquem Portugal fora do Euro. BE e PCP incluídos. Sei que a rota em que nos encontramos nos colocará, a prazo, fora da zona Euro. Mas esse espectro ainda não entrou na equação dos sindicatos e partidos de esquerda, coisa que irá acontecer daqui a uns 2 anos. Forças sensíveis a braços de ferro e pouco dadas ao valor do argumento, estes partidos não hesitarão em mudar de opinião se Portugal for confrontado com um ultimato Alemão. Berrarão contra o Prussiano, mas não vacilarão em comportar-se em conformidade. O mesmo se passará com as outras forças políticas. Caberá ao partido que formar governo (e eu espero que seja o CDS) colocar a questão muito abertamente aos Portugueses de modo a condicionar de vez a decisão de todos os outros partidos no que respeita à passagem dos orçamentos de Estado que adoptem as medidas adequadas.
Não nos devemos assustar. As fases de mudanças de regime são coisas normais. O regime ditatorial que tivemos acabou em 1974 porque tinha de acabar. Não era mais possível continuar com ele. Apodreceu e desabou. O mesmo se passou nos países de Leste há cerca de 22 anos. Ruíram que nem um castelinho de cartas. E o mesmo se vai passar em Portugal com o Socialismo que nos governa há 37 anos. Já apodreceu e está para acabar. Mas atenção, ainda não acabou e ainda vai dar mais “tiros”, embora no pé, obviamente. Resta-nos preparar a fase pós-socialista.
Só para quem tem bagagem
QUINTA-FEIRA, 3 DE MARÇO DE 2011
Claro que vêm aí mais impostos. Como já aqui foi dito, Portugal perdeu a independência porque acumulou uma dívida brutal e porque não consegue ter a coragem de tomar as medidas necessárias por vontade própria. E enquanto não tiver a coragem de estancar o défice e de começar a pagar a dívida através de excedentes (ao invés de défices), iremos assistir a estes tristes episódios que são as idas a Berlim e Bruxelas.
Que fique claro que o aumento de impostos é necessário nas actuais circunstâncias. O problema é que com estas imposições Europeias não conseguimos montar uma estratégia fiscal. Não que a culpa seja da Sra. Merkel. Tomara a senhora não ter que receber um Sócrates. O culpado é José Sócrates que não percebe nada de estratégia nem tão pouco tem arcaboiço. Ser que se limitou a apurar os sentidos para efeitos práticos de subida ao poder, é totalmente inapto para ler o que se passa e muito menos para montar uma estratégia fiscal, que para além dos seus efeitos práticos carregaria em si sinais que são importantes passar ao Portugueses.
Já aqui foi dito que temos um claríssimo excesso de consumo face ao que produzimos. Taxar o consumo por contrapartida de redução dos impostos sobre o rendimento é a solução. Precisamos desesperadamente de mais trabalho. No curto prazo isso só pode ser feito com agressividade fiscal ao nível dos impostos sobre o rendimento de modo a potenciar as exportações. Em paralelo há que reduzir por todos os meios possíveis os factores de produção, entre os quais destaco os produtos petrolíferos por via da redução dos impostos sobre os produtos petrolíferos. Por contrapartida que se aumente bastante (muito mesmo) o imposto automóvel e o imposto de circulação.
Só isto passaria sinais claros aos Portugueses de que se premeia o trabalho ao invés do consumo, bem como a poupança (sim, IRS mais baixo e IVA mais alto convida mais à poupança). Poupança crescente torna-nos menos dependentes de financiamento exterior que agora nos é taxado principescamente por quem, de pleno direito, acha que somos um devedor de risco.
Decorrente dos dois parágrafos anteriores os juros cobrados a Portugal e aos nossos bancos desceria, pelo que os juros cobrados às empresas desceria também, aliviando-as.
Isto não é complicado, mas exige um tipo de fibra para o qual um Sócrates (e diga-se, todos os outros) não foram formatados. É cair no domínio das verdadeiras opções, e essas são para quem tem bagagem.
Claro que vêm aí mais impostos. Como já aqui foi dito, Portugal perdeu a independência porque acumulou uma dívida brutal e porque não consegue ter a coragem de tomar as medidas necessárias por vontade própria. E enquanto não tiver a coragem de estancar o défice e de começar a pagar a dívida através de excedentes (ao invés de défices), iremos assistir a estes tristes episódios que são as idas a Berlim e Bruxelas.
Que fique claro que o aumento de impostos é necessário nas actuais circunstâncias. O problema é que com estas imposições Europeias não conseguimos montar uma estratégia fiscal. Não que a culpa seja da Sra. Merkel. Tomara a senhora não ter que receber um Sócrates. O culpado é José Sócrates que não percebe nada de estratégia nem tão pouco tem arcaboiço. Ser que se limitou a apurar os sentidos para efeitos práticos de subida ao poder, é totalmente inapto para ler o que se passa e muito menos para montar uma estratégia fiscal, que para além dos seus efeitos práticos carregaria em si sinais que são importantes passar ao Portugueses.
Já aqui foi dito que temos um claríssimo excesso de consumo face ao que produzimos. Taxar o consumo por contrapartida de redução dos impostos sobre o rendimento é a solução. Precisamos desesperadamente de mais trabalho. No curto prazo isso só pode ser feito com agressividade fiscal ao nível dos impostos sobre o rendimento de modo a potenciar as exportações. Em paralelo há que reduzir por todos os meios possíveis os factores de produção, entre os quais destaco os produtos petrolíferos por via da redução dos impostos sobre os produtos petrolíferos. Por contrapartida que se aumente bastante (muito mesmo) o imposto automóvel e o imposto de circulação.
Só isto passaria sinais claros aos Portugueses de que se premeia o trabalho ao invés do consumo, bem como a poupança (sim, IRS mais baixo e IVA mais alto convida mais à poupança). Poupança crescente torna-nos menos dependentes de financiamento exterior que agora nos é taxado principescamente por quem, de pleno direito, acha que somos um devedor de risco.
Decorrente dos dois parágrafos anteriores os juros cobrados a Portugal e aos nossos bancos desceria, pelo que os juros cobrados às empresas desceria também, aliviando-as.
Isto não é complicado, mas exige um tipo de fibra para o qual um Sócrates (e diga-se, todos os outros) não foram formatados. É cair no domínio das verdadeiras opções, e essas são para quem tem bagagem.
Muita paciência
DOMINGO, 27 DE FEVEREIRO DE 2011
Quando se diz que consumimos mais do que produzimos isso quer dizer que vivemos em constante défice. Durante um longo período de tempo isso significa dívida acumulada significativamente superior ao que se produz. Isso conduz a um cenário insustentável a prazo.
É mais do que evidente que os últimos 25 anos foram um festival de défice (os primeiros 10 não foram tão explícitos, mas prepararam a função pública para aquilo que ela é hoje). Agora temos que alinhar o consumo por aquilo que produzimos. Mas há mais. Há que pagar a dívida. Que tenhamos isso bem presente.
A política pode servir este propósito equilibrista e até tem meios para o fazer. Como já foi dito neste espaço, há que, fiscalmente, penalizar o consumo e estimular a produção. Uma das formas de penalizar o consumo é subir a taxa do IVA, nomeadamente do IVA mais alto, do imposto automóvel, e do imposto sobre o tabaco. E uma das formas de beneficiar a produção é a redução do imposto sobre o rendimento. Neste ponto há um duplo efeito. Não só se premeia o trabalho como também se permite flexibilidade extra na redução dos custos de trabalho quando comparados com o nível de produtividade dos mesmos. E a verdade é que os custos de trabalho subiram mais nos últimos anos quando comparados com a performance desse mesmo trabalho. Que não restem dúvidas, os custos do trabalho têm que diminuir.
O futuro está em produzir mais e melhor e em vender bem o que produzimos. É discurso corrente, e correcto, falar-se em alto valor acrescentado, inovação de qualidade, possuir circuitos de distribuição eficientes, e em que não podemos mais apostar numa política de vender produtos de baixo valor acrescentado. Está tudo de acordo sobre o facto. Mas tudo isso tem de custar barato. Começa-se pelo princípio e não pelo fim. Roma e Pavia não se fizeram num dia. Ainda temos um longo caminho a percorrer. A nossa mão de obra é ainda de baixa formação quando comparada com os mais elevados standards e consequentemente temos que acautelar os nossos níveis de exigência. Por isso há que ter cuidado e jogar defensivamente. Até porque nos dias de hoje há mais “gente” no mundo a jogar no campeonato onde estamos. Por isso tudo quando sirva o propósito e concorra para baixar os custos de produção deve ser arma a ser utilizada por Portugal.
Até ver o consumo tem que esperar. O consumo só deverá ser reanimado após as exportações terem um bom comportamento durante uns dez a quinze anos consecutivos e depois de ser ter amortizado parte significativa da nossa dívida acumulada (até para trazer os juros da dívida dos incomportáveis e loucamente actuais 7% para 3%; ter em atenção que os mesmos vão ainda subir mais). Parece muito tempo, mas a realidade económica não se muda de um dia para o outro. Estimular consumo é muito fácil, mas estimular produção já demora mais tempo. Conquistar mercados no exterior e substituir importações é bem mais complicado do que vender carros ao vizinho. Montar uma economia voltada para a exportação demora muito tempo. Fatalmente teremos que ter paciência. Muita paciência.
Quando se diz que consumimos mais do que produzimos isso quer dizer que vivemos em constante défice. Durante um longo período de tempo isso significa dívida acumulada significativamente superior ao que se produz. Isso conduz a um cenário insustentável a prazo.
É mais do que evidente que os últimos 25 anos foram um festival de défice (os primeiros 10 não foram tão explícitos, mas prepararam a função pública para aquilo que ela é hoje). Agora temos que alinhar o consumo por aquilo que produzimos. Mas há mais. Há que pagar a dívida. Que tenhamos isso bem presente.
A política pode servir este propósito equilibrista e até tem meios para o fazer. Como já foi dito neste espaço, há que, fiscalmente, penalizar o consumo e estimular a produção. Uma das formas de penalizar o consumo é subir a taxa do IVA, nomeadamente do IVA mais alto, do imposto automóvel, e do imposto sobre o tabaco. E uma das formas de beneficiar a produção é a redução do imposto sobre o rendimento. Neste ponto há um duplo efeito. Não só se premeia o trabalho como também se permite flexibilidade extra na redução dos custos de trabalho quando comparados com o nível de produtividade dos mesmos. E a verdade é que os custos de trabalho subiram mais nos últimos anos quando comparados com a performance desse mesmo trabalho. Que não restem dúvidas, os custos do trabalho têm que diminuir.
O futuro está em produzir mais e melhor e em vender bem o que produzimos. É discurso corrente, e correcto, falar-se em alto valor acrescentado, inovação de qualidade, possuir circuitos de distribuição eficientes, e em que não podemos mais apostar numa política de vender produtos de baixo valor acrescentado. Está tudo de acordo sobre o facto. Mas tudo isso tem de custar barato. Começa-se pelo princípio e não pelo fim. Roma e Pavia não se fizeram num dia. Ainda temos um longo caminho a percorrer. A nossa mão de obra é ainda de baixa formação quando comparada com os mais elevados standards e consequentemente temos que acautelar os nossos níveis de exigência. Por isso há que ter cuidado e jogar defensivamente. Até porque nos dias de hoje há mais “gente” no mundo a jogar no campeonato onde estamos. Por isso tudo quando sirva o propósito e concorra para baixar os custos de produção deve ser arma a ser utilizada por Portugal.
Até ver o consumo tem que esperar. O consumo só deverá ser reanimado após as exportações terem um bom comportamento durante uns dez a quinze anos consecutivos e depois de ser ter amortizado parte significativa da nossa dívida acumulada (até para trazer os juros da dívida dos incomportáveis e loucamente actuais 7% para 3%; ter em atenção que os mesmos vão ainda subir mais). Parece muito tempo, mas a realidade económica não se muda de um dia para o outro. Estimular consumo é muito fácil, mas estimular produção já demora mais tempo. Conquistar mercados no exterior e substituir importações é bem mais complicado do que vender carros ao vizinho. Montar uma economia voltada para a exportação demora muito tempo. Fatalmente teremos que ter paciência. Muita paciência.
Era uma vez os Nunes...
DOMINGO, 27 DE FEVEREIRO DE 2011
Era uma vez um casal que vivia em Portugal em 2014. Ele, António Nunes, empregado bancário, auferindo um rendimento bruto de 1200 euros por mês. Ela, Sónia, empregada numa petrolífera, ganhava 1500 euros por mês. Tinham dois filhos, o pequeno Ruben e a endiabrada Luísa. Sónia e António eram considerados um bom casal. Bons pais com bons princípios, parcimoniosos nos gastos, e até de visão de longo prazo.
O seu rendimento médio mensal líquido rondava os 2350 euros mês (pressuposto de 15% de IRS, 11% de segurança social, 14 meses de vencimento). Este casal vive num T3 que lhes custou cerca de 160.000 euros e para os quais até deram uma entrada de 60.000 euros. Pediram ao banco os restantes 100.000 euros. Andam num carro de baixa gama que já está pago e que lhes custa mensalmente (seguros, gasolina, manutenção, etc) 200 euros por mês.
Para uma prestação de casa de 450 euros mês, os Nunes conseguem poupar todos os meses 350 euros. Tem gastos de uns bravos nestes tempos que correm onde a embriaguez ainda faz doutrina. Grosso modo as suas despesas distribuem-se, em média, da seguinte forma:
Prestação da casa e condomínio 500 euros
Alimentação 450 euros
Electricidade 50 euros
Gás 50 euros
Telefone / Internet / Cabo 100 euros
Carro 200 euros
Saúde e farmácia 200 euros (inclui seguro de saúde de 100 euros)
Passes sociais 50 euros
Outros 150 euros
Os Nunes em 2012 foram convocados a votar. Um dos partidos tina uma receita para o país algo insólita, mas que até lhes fazia sentido. Só que, entre outras coisas, falavam de um aumento do IVA máximo para 30%, coisa que a Sónia achava muito injusto. No entanto, e à semelhança de muitas outras pessoas, este casal não fazia as contas sobre o impacto desse aumento. Na verdade, esse aumento, significava um decréscimo na sua poupança de cerca de 55 euros no pressuposto de que manteria todos os gastos como até agora. Os Nunes tinham dificuldade em compreender o quanto a descida do IRS entretanto proposta os iria beneficiar. Mas tinham a certeza que nunca chegaria aos ditos 55 euros. Aliás, esse partido bem o dizia. A verdade era mesmo uma das suas armas eleitorais.
Os outros partidos continuavam na sua senda de mentira e ilusão. Mas os Nunes, bem como o resto da população, não percebiam bem o que estava a acontecer a Portugal, e por isso resolveram abster-se no dia das eleições.
Um dos outros partidos ganhou as eleições e o desnorte de Portugal continuou. Em 2014 a União Europeia resolveu expulsar Portugal da Zona Euro devido ao montante total da dívida de Portugal e à total impossibilidade de esta ser controlada com Portugal na Zona Euro. A vida dos Nunes sofreu bastante. O rendimento dos Nunes até se manteve, mas agora denominados em Escudos. Passou a ser de 470 contos. O drama foi a prestação da casa. De 100 contos passou para 200 contos (em euros correspondeu a um aumento de 500 euros). Sónia não percebeu porquê, e o pobre António lá lhe explicou que isso se deveu à desvalorização do Escudo face ao Euro em 30% e ao aumento significativo da taxa de juro. Para além disso, a inflação bateu à porta resultante dessa desvalorização, implicando um acréscimo de cerca de 15% em todas as rubricas das suas despesas.
A Sónia nem queria acreditar. Considerava-se uma boa gestora da casa e agora toda uma turbulência financeira entrava-lhe pela casa dentro. Achava também que a sua atitude de consumo parcimoniosa não fora compensada pelos ventos da história. Só o aumento da prestação da casa mais do que “comeu” a sua orgulhosa poupança. Sem contar com os restantes aumentos. De uma penada acabara-se a poupança. E mais, cortou-se em despesas como os Nunes nunca tinham pensado. O novo carro que os Nunes pensavam em comprar passou a ser algo completamente fora de questão. Os preços dos mesmos subiu cerca de 30% em virtude da desvalorização do Escudo e as taxas de juro rondavam agora os 10%. Proibitivo.
Por essa altura os Nunes, bem como a maioria do Portugueses viam muitos programas de televisão onde escutavam destacadas personalidades da vida económica. E aí perceberam o erro que fizeram em se abster nas ditas eleições. E os ditos 55 euros de penalização respeitantes ao aumento do IVA pareceu-lhes então um Oásis. Pareceu-lhes então muito tonto não quererem escutar o partido que na ocasião apresentava um pacote de saída para Portugal. Perceberam que a falta de fibra que assolava os Portugueses em 2012 teve consequências bem funestas. Muito mais do que se poderia pensar.
Nunes deste Portugal, cuidai-vos no futuro e evitai que o céu vos caia em cima da cabeça. Deixai a razão funcionar e afastai a ignorância do caminho.
Era uma vez um casal que vivia em Portugal em 2014. Ele, António Nunes, empregado bancário, auferindo um rendimento bruto de 1200 euros por mês. Ela, Sónia, empregada numa petrolífera, ganhava 1500 euros por mês. Tinham dois filhos, o pequeno Ruben e a endiabrada Luísa. Sónia e António eram considerados um bom casal. Bons pais com bons princípios, parcimoniosos nos gastos, e até de visão de longo prazo.
O seu rendimento médio mensal líquido rondava os 2350 euros mês (pressuposto de 15% de IRS, 11% de segurança social, 14 meses de vencimento). Este casal vive num T3 que lhes custou cerca de 160.000 euros e para os quais até deram uma entrada de 60.000 euros. Pediram ao banco os restantes 100.000 euros. Andam num carro de baixa gama que já está pago e que lhes custa mensalmente (seguros, gasolina, manutenção, etc) 200 euros por mês.
Para uma prestação de casa de 450 euros mês, os Nunes conseguem poupar todos os meses 350 euros. Tem gastos de uns bravos nestes tempos que correm onde a embriaguez ainda faz doutrina. Grosso modo as suas despesas distribuem-se, em média, da seguinte forma:
Prestação da casa e condomínio 500 euros
Alimentação 450 euros
Electricidade 50 euros
Gás 50 euros
Telefone / Internet / Cabo 100 euros
Carro 200 euros
Saúde e farmácia 200 euros (inclui seguro de saúde de 100 euros)
Passes sociais 50 euros
Outros 150 euros
Os Nunes em 2012 foram convocados a votar. Um dos partidos tina uma receita para o país algo insólita, mas que até lhes fazia sentido. Só que, entre outras coisas, falavam de um aumento do IVA máximo para 30%, coisa que a Sónia achava muito injusto. No entanto, e à semelhança de muitas outras pessoas, este casal não fazia as contas sobre o impacto desse aumento. Na verdade, esse aumento, significava um decréscimo na sua poupança de cerca de 55 euros no pressuposto de que manteria todos os gastos como até agora. Os Nunes tinham dificuldade em compreender o quanto a descida do IRS entretanto proposta os iria beneficiar. Mas tinham a certeza que nunca chegaria aos ditos 55 euros. Aliás, esse partido bem o dizia. A verdade era mesmo uma das suas armas eleitorais.
Os outros partidos continuavam na sua senda de mentira e ilusão. Mas os Nunes, bem como o resto da população, não percebiam bem o que estava a acontecer a Portugal, e por isso resolveram abster-se no dia das eleições.
Um dos outros partidos ganhou as eleições e o desnorte de Portugal continuou. Em 2014 a União Europeia resolveu expulsar Portugal da Zona Euro devido ao montante total da dívida de Portugal e à total impossibilidade de esta ser controlada com Portugal na Zona Euro. A vida dos Nunes sofreu bastante. O rendimento dos Nunes até se manteve, mas agora denominados em Escudos. Passou a ser de 470 contos. O drama foi a prestação da casa. De 100 contos passou para 200 contos (em euros correspondeu a um aumento de 500 euros). Sónia não percebeu porquê, e o pobre António lá lhe explicou que isso se deveu à desvalorização do Escudo face ao Euro em 30% e ao aumento significativo da taxa de juro. Para além disso, a inflação bateu à porta resultante dessa desvalorização, implicando um acréscimo de cerca de 15% em todas as rubricas das suas despesas.
A Sónia nem queria acreditar. Considerava-se uma boa gestora da casa e agora toda uma turbulência financeira entrava-lhe pela casa dentro. Achava também que a sua atitude de consumo parcimoniosa não fora compensada pelos ventos da história. Só o aumento da prestação da casa mais do que “comeu” a sua orgulhosa poupança. Sem contar com os restantes aumentos. De uma penada acabara-se a poupança. E mais, cortou-se em despesas como os Nunes nunca tinham pensado. O novo carro que os Nunes pensavam em comprar passou a ser algo completamente fora de questão. Os preços dos mesmos subiu cerca de 30% em virtude da desvalorização do Escudo e as taxas de juro rondavam agora os 10%. Proibitivo.
Por essa altura os Nunes, bem como a maioria do Portugueses viam muitos programas de televisão onde escutavam destacadas personalidades da vida económica. E aí perceberam o erro que fizeram em se abster nas ditas eleições. E os ditos 55 euros de penalização respeitantes ao aumento do IVA pareceu-lhes então um Oásis. Pareceu-lhes então muito tonto não quererem escutar o partido que na ocasião apresentava um pacote de saída para Portugal. Perceberam que a falta de fibra que assolava os Portugueses em 2012 teve consequências bem funestas. Muito mais do que se poderia pensar.
Nunes deste Portugal, cuidai-vos no futuro e evitai que o céu vos caia em cima da cabeça. Deixai a razão funcionar e afastai a ignorância do caminho.
Explicar do que padecemos
TERÇA-FEIRA, 22 DE FEVEREIRO DE 2011
Tenho notado amiúde que a maioria dos Portugueses com quem vou contactando, reagem com muito pouca maturidade ao facto de terem que baixar de nível de vida. Com frequência dizem que não é possível que as coisas fiquem pior do que o que já estão e que não é mais possível apertar o cinto. Como se a realidade fosse função dos julgamentos. A realidade é muito poderosa e está para além das nossas opiniões ou estados de alma sobre a justiça da forma como essa realidade nos é apresentada.
É crucial para a viragem de Portugal para um novo rumo que os Portugueses interiorizem a realidade. Esta não se confina aos seus efeitos. Eles são muito bem conhecidos, porque funestos e porque a todos toca de uma maneira geral. Os Portugueses estão muito bem familiarizados com os sintomas do mal, mas estão incapazes de ver a doença, muito menos de a perceber.
A doença de que padecemos chama-se “viver no mundo da ilusão” (por ironia podemos também chamar “viver no mundo dos desenhos animados”). Esta doença pode-se manifestar de inúmeras formas. Entre nós, e neste período histórico, últimos 25 anos, resolveu manifestar-se pela forma de dívida, seja ela pública ou privada, projectos mirabolantes e desfasados da realidade (TGV e NAL), pela ideia peregrina que o sucesso económico de um país passa por talhar uma maior parte do orçamento por parte dos grupos de pressão, pela defesa de agendas absurdas e mórbidas (aborto, casamento homossexual), e acima de tudo por uma vontade impressionante de recusar ouvir a palavra pela mão do argumento, preferindo, ao invés, o berro e a mentira.
Enquanto não entendermos que este o mundo da ilusão já acabou e que quanto mais rapidamente nos atirarmos para o outro, ou seja, aquele chamado “Realidade”, sentiremos eternamente os sintomas funestos da doença, e não estaremos em condições de resolver o problema. Como para a maioria das doenças, existem diversas terapias que resultam em diferentes prescrições. Sejam elas quais forem, estas demonstram ser particularmente duras quando comparadas com os comportamentos que conduziram à doença. Prescrever a um comilão incontinente por doces que os deixe de comer em resultado de turbulências graves de fígado, não é mudança comportamental fácil de seguir. A compensação do comilão é que o sucesso da prescrição resultará no fim das suas turbulências figadais. Certo é, no entanto, que até lá coabitarão duas penas, a interrupção da ingestão dos doces e as ditas turbulências de fígado, pelo que, e no início, o caminho pode provar ser mais difícil do que aquele que levou o comilão à consulta médica.
Portugal e os Portugueses não querem, pura e simplesmente, ir ao médico. Ao invés de quererem ouvir da doença de que padecem e de aceitar uma prescrição, seja ela qual for, preferem manter-se ligados ao vício e ao erro, ainda que para isso sofram pesadamente, e cada vez mais, com os sintomas do mal (juros altos pela emissão de dívida, fraca competitividade, desconfiança dos mercados, desânimo geral, e falta de confiança no futuro).
Como para algumas doenças, o mais difícil é aceitar a realidade e o facto de que o início da cura pode ser mais penoso do que até aí têm sido os sintomas da doença. Por isso, e antes de apresentar uma prescrição a Portugal, importa bastante dizer aos Portugueses que tipo de doença assola Portugal. Só depois vale a pena começar a indicar prescrições.
Tenho notado amiúde que a maioria dos Portugueses com quem vou contactando, reagem com muito pouca maturidade ao facto de terem que baixar de nível de vida. Com frequência dizem que não é possível que as coisas fiquem pior do que o que já estão e que não é mais possível apertar o cinto. Como se a realidade fosse função dos julgamentos. A realidade é muito poderosa e está para além das nossas opiniões ou estados de alma sobre a justiça da forma como essa realidade nos é apresentada.
É crucial para a viragem de Portugal para um novo rumo que os Portugueses interiorizem a realidade. Esta não se confina aos seus efeitos. Eles são muito bem conhecidos, porque funestos e porque a todos toca de uma maneira geral. Os Portugueses estão muito bem familiarizados com os sintomas do mal, mas estão incapazes de ver a doença, muito menos de a perceber.
A doença de que padecemos chama-se “viver no mundo da ilusão” (por ironia podemos também chamar “viver no mundo dos desenhos animados”). Esta doença pode-se manifestar de inúmeras formas. Entre nós, e neste período histórico, últimos 25 anos, resolveu manifestar-se pela forma de dívida, seja ela pública ou privada, projectos mirabolantes e desfasados da realidade (TGV e NAL), pela ideia peregrina que o sucesso económico de um país passa por talhar uma maior parte do orçamento por parte dos grupos de pressão, pela defesa de agendas absurdas e mórbidas (aborto, casamento homossexual), e acima de tudo por uma vontade impressionante de recusar ouvir a palavra pela mão do argumento, preferindo, ao invés, o berro e a mentira.
Enquanto não entendermos que este o mundo da ilusão já acabou e que quanto mais rapidamente nos atirarmos para o outro, ou seja, aquele chamado “Realidade”, sentiremos eternamente os sintomas funestos da doença, e não estaremos em condições de resolver o problema. Como para a maioria das doenças, existem diversas terapias que resultam em diferentes prescrições. Sejam elas quais forem, estas demonstram ser particularmente duras quando comparadas com os comportamentos que conduziram à doença. Prescrever a um comilão incontinente por doces que os deixe de comer em resultado de turbulências graves de fígado, não é mudança comportamental fácil de seguir. A compensação do comilão é que o sucesso da prescrição resultará no fim das suas turbulências figadais. Certo é, no entanto, que até lá coabitarão duas penas, a interrupção da ingestão dos doces e as ditas turbulências de fígado, pelo que, e no início, o caminho pode provar ser mais difícil do que aquele que levou o comilão à consulta médica.
Portugal e os Portugueses não querem, pura e simplesmente, ir ao médico. Ao invés de quererem ouvir da doença de que padecem e de aceitar uma prescrição, seja ela qual for, preferem manter-se ligados ao vício e ao erro, ainda que para isso sofram pesadamente, e cada vez mais, com os sintomas do mal (juros altos pela emissão de dívida, fraca competitividade, desconfiança dos mercados, desânimo geral, e falta de confiança no futuro).
Como para algumas doenças, o mais difícil é aceitar a realidade e o facto de que o início da cura pode ser mais penoso do que até aí têm sido os sintomas da doença. Por isso, e antes de apresentar uma prescrição a Portugal, importa bastante dizer aos Portugueses que tipo de doença assola Portugal. Só depois vale a pena começar a indicar prescrições.
Resposta ao meu ilustre amigo e colega de blogue Miguel Alvim
QUINTA-FEIRA, 10 DE FEVEREIRO DE 2011
Caro Miguel, irei tentar rebater de forma esquemática os comentários que o meu post mereceu.
Eu direi que hoje as pessoas não são as mesmas do que antigamente, seja há 50 anos, seja há 200 anos, ou 500 anos. E que o mundo é mesmo muito diferente de qualquer uma dessas épocas. Não que sejam as pessoas melhores ou piores, ou o mundo melhor ou pior. Esse nem é tanto o assunto, embora pessoalmente ache que nunca se esteve tão bem no planeta Terra. Agora o Homem é muito diferente. Aliás, o empirismo basta para explicar. Hoje, e maioritariamente no mundo mais desenvolvido, só uma pequena percentagem vive do campo. Será à volta de uns 3%, quando há 50 anos em Portugal seriam uns 30% e há 500 anos uns 90 ou 95%. Daqui já decorre muita diferença. Hoje quase todos são letrados enquanto há 500 anos só uns 2% o eram, com tudo o que isso implica. A esperança de vida há 500 anos rondaria os 30 e poucos anos enquanto hoje ronda os 75 anos (média do homem e mulher). Há 500 anos o mundo teria à volta de 30 a 50 milhões de pessoas. Hoje estaremos na grandeza dos 8 biliões. Nos dias de hoje há muita gente gorda e a pensar a longo prazo, sinal de abastança quando comparamos com os esquálidos habitantes de há 500 anos que só pensavam par o dia seguinte. Antigamente a mulher era cidadã de segunda, hoje já não o é. Detenho-me por aqui porque todos tiram as suas conclusões.
No assunto das remunerações acontece que o mundo globalizou-se de tal forma que a dimensão daquilo que é gerido hoje é muito maior em número e complexidade do que o era há 50 anos atrás. Basta entrar num supermercado hoje e comparar com os supermercados de há 50 anos (que nem os havia por cá). A profissão de gestor (por questões de extrema simplificação colocarei gestor, empresário e líder no mesmo saco sabendo que são todos bem diferentes) tem sido bastante valorizada recentemente devido aos ganhos de eficiência que os mesmos trazem se forem altamente qualificados. Claro que recentemente alguns perderam a noção e auto-remuneraram-se obscenamente. Mas isso é um detalhe que anda a ser afinado aos poucos por esse mundo. Aliás, em Portugal só tivemos um caso desse género. Foi o BCP.
Por uma qualquer razão misteriosa pensa-se que um gestor que ganhe bem, digamos, uns 50000 euros por mês, é um bandido sem escrúpulos, que não ama o país, egoísta, safado, pulha, mau chefe de família, etc. A sangue-frio não olhamos para os benefícios que o mesmo pode trazer pela mão (ou melhor, pela cabeça) das suas competências intelectuais. Quando Paulo Macedo foi escolhido para a dgci foi logo apontado como algo de ímpio devido ao seu elevado vencimento. Penso que seria à volta de 50000 euros por mês. Parece que à posteriori todos ficaram muito contentes com ele, inclusivamente a esquerda!!!!!! Como cidadão não me senti defraudado e nem esperei dele qualquer tipo de missionarismo. Simplesmente esperei competência para cumprir com bons resultados. E cumpriu, prestou bom serviço servindo com isso muito bem a comunidade. Consta que pessoa muito dedicada, séria, credível, com bom espírito de equipa, e muito dedicado à missão. Ou seja, não precisou de missionarismo de qualquer espécie.
O que Portugal precisa é de um bando de competentes a governarem o país. Aliás, nos dias de hoje até estou convencido que missionarismo não funciona. Mas não quero entrar tanto por aqui. Podia-se discutir longamente até à exaustão. E essa não é a ideia.
Agora não caio em maniqueismos. Pelo facto de um grupo de pessoas competentes a ganhar 20000 euros por mês não ser “missionarista” não faz dessas pessoas corruptas, falhos na defesa do interesse nacional, preocupados em se governarem a eles próprios, traficarem interesses, dedicados a outros negócios paralelos, desligados da missão, etc. A virtude para a coisa pública não é exclusiva dos missionários.
Acontece que os competentes andam a ser bem remunerados neste mundo e por isso não estão voltados para a governação que paga mal quando comparado com aquilo que ganham. E fogem. Por isso ficam os batráquios (expressão importada do Professor César das Neves) a chafurdarem na lama. Não há muitos competentes com bons ordenados a resolverem ganhar 10 vezes menos para se meterem na lama.
Mas porque os assuntos por vezes merecem algum pragmatismo, direi até que já não há missionários. Ou pelo menos existem muito poucos. Não que me importe que vão para o governo se forem bons para aquilo que forem desempenhar. Se quiserem ganhar somente 5000 euros por mês, então que seja. Agora não aceito que são esses que carregam em exclusivo a Virtude. Se estiver errado, então temos um grande problema de escassez com a agravante de que esses poucos puderem ser barbaramente incompetentes. É bom mesmo que esteja certo.
Nota final: Sobre a maneira de alcançar a felicidade, bom, direi que não cabe muito por aqui. Mas direi que não preciso do Estado nem dos seus representantes para me ensinarem como o fazer.
Caro Miguel, irei tentar rebater de forma esquemática os comentários que o meu post mereceu.
Eu direi que hoje as pessoas não são as mesmas do que antigamente, seja há 50 anos, seja há 200 anos, ou 500 anos. E que o mundo é mesmo muito diferente de qualquer uma dessas épocas. Não que sejam as pessoas melhores ou piores, ou o mundo melhor ou pior. Esse nem é tanto o assunto, embora pessoalmente ache que nunca se esteve tão bem no planeta Terra. Agora o Homem é muito diferente. Aliás, o empirismo basta para explicar. Hoje, e maioritariamente no mundo mais desenvolvido, só uma pequena percentagem vive do campo. Será à volta de uns 3%, quando há 50 anos em Portugal seriam uns 30% e há 500 anos uns 90 ou 95%. Daqui já decorre muita diferença. Hoje quase todos são letrados enquanto há 500 anos só uns 2% o eram, com tudo o que isso implica. A esperança de vida há 500 anos rondaria os 30 e poucos anos enquanto hoje ronda os 75 anos (média do homem e mulher). Há 500 anos o mundo teria à volta de 30 a 50 milhões de pessoas. Hoje estaremos na grandeza dos 8 biliões. Nos dias de hoje há muita gente gorda e a pensar a longo prazo, sinal de abastança quando comparamos com os esquálidos habitantes de há 500 anos que só pensavam par o dia seguinte. Antigamente a mulher era cidadã de segunda, hoje já não o é. Detenho-me por aqui porque todos tiram as suas conclusões.
No assunto das remunerações acontece que o mundo globalizou-se de tal forma que a dimensão daquilo que é gerido hoje é muito maior em número e complexidade do que o era há 50 anos atrás. Basta entrar num supermercado hoje e comparar com os supermercados de há 50 anos (que nem os havia por cá). A profissão de gestor (por questões de extrema simplificação colocarei gestor, empresário e líder no mesmo saco sabendo que são todos bem diferentes) tem sido bastante valorizada recentemente devido aos ganhos de eficiência que os mesmos trazem se forem altamente qualificados. Claro que recentemente alguns perderam a noção e auto-remuneraram-se obscenamente. Mas isso é um detalhe que anda a ser afinado aos poucos por esse mundo. Aliás, em Portugal só tivemos um caso desse género. Foi o BCP.
Por uma qualquer razão misteriosa pensa-se que um gestor que ganhe bem, digamos, uns 50000 euros por mês, é um bandido sem escrúpulos, que não ama o país, egoísta, safado, pulha, mau chefe de família, etc. A sangue-frio não olhamos para os benefícios que o mesmo pode trazer pela mão (ou melhor, pela cabeça) das suas competências intelectuais. Quando Paulo Macedo foi escolhido para a dgci foi logo apontado como algo de ímpio devido ao seu elevado vencimento. Penso que seria à volta de 50000 euros por mês. Parece que à posteriori todos ficaram muito contentes com ele, inclusivamente a esquerda!!!!!! Como cidadão não me senti defraudado e nem esperei dele qualquer tipo de missionarismo. Simplesmente esperei competência para cumprir com bons resultados. E cumpriu, prestou bom serviço servindo com isso muito bem a comunidade. Consta que pessoa muito dedicada, séria, credível, com bom espírito de equipa, e muito dedicado à missão. Ou seja, não precisou de missionarismo de qualquer espécie.
O que Portugal precisa é de um bando de competentes a governarem o país. Aliás, nos dias de hoje até estou convencido que missionarismo não funciona. Mas não quero entrar tanto por aqui. Podia-se discutir longamente até à exaustão. E essa não é a ideia.
Agora não caio em maniqueismos. Pelo facto de um grupo de pessoas competentes a ganhar 20000 euros por mês não ser “missionarista” não faz dessas pessoas corruptas, falhos na defesa do interesse nacional, preocupados em se governarem a eles próprios, traficarem interesses, dedicados a outros negócios paralelos, desligados da missão, etc. A virtude para a coisa pública não é exclusiva dos missionários.
Acontece que os competentes andam a ser bem remunerados neste mundo e por isso não estão voltados para a governação que paga mal quando comparado com aquilo que ganham. E fogem. Por isso ficam os batráquios (expressão importada do Professor César das Neves) a chafurdarem na lama. Não há muitos competentes com bons ordenados a resolverem ganhar 10 vezes menos para se meterem na lama.
Mas porque os assuntos por vezes merecem algum pragmatismo, direi até que já não há missionários. Ou pelo menos existem muito poucos. Não que me importe que vão para o governo se forem bons para aquilo que forem desempenhar. Se quiserem ganhar somente 5000 euros por mês, então que seja. Agora não aceito que são esses que carregam em exclusivo a Virtude. Se estiver errado, então temos um grande problema de escassez com a agravante de que esses poucos puderem ser barbaramente incompetentes. É bom mesmo que esteja certo.
Nota final: Sobre a maneira de alcançar a felicidade, bom, direi que não cabe muito por aqui. Mas direi que não preciso do Estado nem dos seus representantes para me ensinarem como o fazer.
Portugal, solução (16)
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE FEVEREIRO DE 2011
Portugal, na sequência da tua solução (15), e porque algumas matérias obrigam a alguma integração, dir-te-ei que tens que ter uma atitude diferente no que toca ao rendimento dos senhorios. Acima de tudo há que não os tratar por ricos (que o sejam, quer não o sejam) a quem é necessário taxar a torto e a direito e obrigá-los a financiar habitação aos outros cidadãos. Isso é uma visão retrógrada que não toma em linha de conta uma miríade de outros aspectos que configuram a realidade da habitação em Portugal.
O rendimento obtido pelas rendas deverá ser taxado a uma taxa liberatória. Direi qualquer coisa como 15%. Parece baixo, mas essa é mesmo a ideia. A habitação é um bem de primeira necessidade, embora fiscalmente seja tratada como um bem de luxo. Daí a enorme fuga ao fisco existente. Com uma taxa mais baixa, aquilo que hoje é contratualizado entre um senhorio e um inquilino, passa a ser invariavelmente sempre suportado por um contracto e um recibo. A 15% o senhorio não quererá tantos correr riscos e o inquilino sente-se mais confortável para exigir tudo “por cima da mesa”. Ainda que a colecta total se possa manter, anda tudo a funcionar “por cima da mesa”, o que, convenhamos, é mais civilizado.
Por outro lado, e isto é muito importante, cada apartamento / casa deverá ter um cadastro de obras / melhoramentos, ou seja, tudo o que foi feito ao nível de manutenção. Para isso, e para que o processo seja suave, 5% do valor da renda deverá ser afectado, obrigatoriamente, para um fundo. Esse fundo, gerido por uma empresa / pessoa independente tratará de gerir a manutenção dos edifícios. Este cadastro deverá ser alvo de inspecções de forma aleatória ou ainda de forma indiciária. A denúncia poderá servir também para ajudar a fiscalização.
Nesse cadastro deverão constar os recibos passados por quem prestou os serviços (nome da companhia / pessoa, número fiscal, contacto (se existente), e número de recibo / factura). A libertação dos montantes deverá ser unicamente aplicada na manutenção imobiliária e deverá ser unicamente feita contra apresentação de facturas. O cadastro do apartamento / prédio deverá estar informaticamente associado a uma conta que terá, obrigatoriamente, associada um ficheiro com todos os documentos scaneados. Inclusivamente poder-se-á chegar ao limite de obrigatoriedade de envio do número de contribuinte e número de recibo / factura aos serviços centrais da DGCI para efeitos de cruzamento de informação. Um pouco à semelhança como se faz com a inserção do número de contribuinte do senhorio aquando do preenchimento do IRS por parte do inquilino.
Portugal, mas há mais. Para que o sistema funcione todo por “cima da mesa” terás que reduzir o IVA dos materiais de construção e prestação de serviço (o preço da mão de obra). Proponho 5%. Parece pouco, mas continuo com a crença inabalável de que a habitação é um bem essencial. Tudo quanto é pedreiro e carpinteiro andará “por cima da mesa”. Uma boa campanha na televisão (pelo menos na pública) entusiasmará a população a exigir sempre recibos. Caramba, se o serviço for 100 euros o IVA é 5 Euros. Duvido que haja muito espaço para complacências por parte de quem paga.
Claro que estas despesas deverão abater para o cálculo da matéria colectável onde irão incidir os tais 15%.
Quanto a quem tem casa própria poderá ser exigida também a apresentação de cadastro, embora isso não seja obrigatório. Mas se não o tiver, seguramente sairá prejudicado no futuro com este sistema pois haverá muito termo de comparação. No entanto, e no caso de apartamento esse cadastro deverá ser obrigatório. Aliás, aplicar-se-á o mesmo princípio dos 5%. Só que aqui o cálculo não é efectuado sobre o valor da renda (que não existe), antes sobre o valor de avaliação (poderá ser um valor teórico de renda).
Portugal, não é difícil por tudo a funcionar “por cima da mesa”. Só tens que levar avante este sistema. Mais, nem é preciso muito tempo. E segredo-te, se os Portugueses interiorizarem que arrendar é o melhor sistema e abandonarem a psicose da posse, vais ver, isto é uma mina de receita. No fundo nem é preciso interiorizarem muito. À falta de alternativa pelo facto de os bancos praticarem uma política mais conservadora no crédito (o que é muito bem feito), e com a redução das rendas baixarem devido à solução (12), então isto é dinheiro em caixa. O futuro está no arrendamento.
Portugal, e um dia quando acordares tens de repente parte do teu parque de edifícios antigos recuperados. Nada mau. Talvez os turistas por essa altura comecem a tirar mais fotografias pelos edifícios que tu tanto mal tratas.
Nota: no caso de empresas que actuem neste ramo, ou que nele queiram actuar em virtude de uma normalização e legalização geral, então a taxa de IRC deverá ser também de 15%.
Portugal, na sequência da tua solução (15), e porque algumas matérias obrigam a alguma integração, dir-te-ei que tens que ter uma atitude diferente no que toca ao rendimento dos senhorios. Acima de tudo há que não os tratar por ricos (que o sejam, quer não o sejam) a quem é necessário taxar a torto e a direito e obrigá-los a financiar habitação aos outros cidadãos. Isso é uma visão retrógrada que não toma em linha de conta uma miríade de outros aspectos que configuram a realidade da habitação em Portugal.
O rendimento obtido pelas rendas deverá ser taxado a uma taxa liberatória. Direi qualquer coisa como 15%. Parece baixo, mas essa é mesmo a ideia. A habitação é um bem de primeira necessidade, embora fiscalmente seja tratada como um bem de luxo. Daí a enorme fuga ao fisco existente. Com uma taxa mais baixa, aquilo que hoje é contratualizado entre um senhorio e um inquilino, passa a ser invariavelmente sempre suportado por um contracto e um recibo. A 15% o senhorio não quererá tantos correr riscos e o inquilino sente-se mais confortável para exigir tudo “por cima da mesa”. Ainda que a colecta total se possa manter, anda tudo a funcionar “por cima da mesa”, o que, convenhamos, é mais civilizado.
Por outro lado, e isto é muito importante, cada apartamento / casa deverá ter um cadastro de obras / melhoramentos, ou seja, tudo o que foi feito ao nível de manutenção. Para isso, e para que o processo seja suave, 5% do valor da renda deverá ser afectado, obrigatoriamente, para um fundo. Esse fundo, gerido por uma empresa / pessoa independente tratará de gerir a manutenção dos edifícios. Este cadastro deverá ser alvo de inspecções de forma aleatória ou ainda de forma indiciária. A denúncia poderá servir também para ajudar a fiscalização.
Nesse cadastro deverão constar os recibos passados por quem prestou os serviços (nome da companhia / pessoa, número fiscal, contacto (se existente), e número de recibo / factura). A libertação dos montantes deverá ser unicamente aplicada na manutenção imobiliária e deverá ser unicamente feita contra apresentação de facturas. O cadastro do apartamento / prédio deverá estar informaticamente associado a uma conta que terá, obrigatoriamente, associada um ficheiro com todos os documentos scaneados. Inclusivamente poder-se-á chegar ao limite de obrigatoriedade de envio do número de contribuinte e número de recibo / factura aos serviços centrais da DGCI para efeitos de cruzamento de informação. Um pouco à semelhança como se faz com a inserção do número de contribuinte do senhorio aquando do preenchimento do IRS por parte do inquilino.
Portugal, mas há mais. Para que o sistema funcione todo por “cima da mesa” terás que reduzir o IVA dos materiais de construção e prestação de serviço (o preço da mão de obra). Proponho 5%. Parece pouco, mas continuo com a crença inabalável de que a habitação é um bem essencial. Tudo quanto é pedreiro e carpinteiro andará “por cima da mesa”. Uma boa campanha na televisão (pelo menos na pública) entusiasmará a população a exigir sempre recibos. Caramba, se o serviço for 100 euros o IVA é 5 Euros. Duvido que haja muito espaço para complacências por parte de quem paga.
Claro que estas despesas deverão abater para o cálculo da matéria colectável onde irão incidir os tais 15%.
Quanto a quem tem casa própria poderá ser exigida também a apresentação de cadastro, embora isso não seja obrigatório. Mas se não o tiver, seguramente sairá prejudicado no futuro com este sistema pois haverá muito termo de comparação. No entanto, e no caso de apartamento esse cadastro deverá ser obrigatório. Aliás, aplicar-se-á o mesmo princípio dos 5%. Só que aqui o cálculo não é efectuado sobre o valor da renda (que não existe), antes sobre o valor de avaliação (poderá ser um valor teórico de renda).
Portugal, não é difícil por tudo a funcionar “por cima da mesa”. Só tens que levar avante este sistema. Mais, nem é preciso muito tempo. E segredo-te, se os Portugueses interiorizarem que arrendar é o melhor sistema e abandonarem a psicose da posse, vais ver, isto é uma mina de receita. No fundo nem é preciso interiorizarem muito. À falta de alternativa pelo facto de os bancos praticarem uma política mais conservadora no crédito (o que é muito bem feito), e com a redução das rendas baixarem devido à solução (12), então isto é dinheiro em caixa. O futuro está no arrendamento.
Portugal, e um dia quando acordares tens de repente parte do teu parque de edifícios antigos recuperados. Nada mau. Talvez os turistas por essa altura comecem a tirar mais fotografias pelos edifícios que tu tanto mal tratas.
Nota: no caso de empresas que actuem neste ramo, ou que nele queiram actuar em virtude de uma normalização e legalização geral, então a taxa de IRC deverá ser também de 15%.
Pequena nota ao último "post"
DOMINGO, 6 DE FEVEREIRO DE 2011
Para além dos aldrabões, existem também os desgovernados. Em ambos os casos o inquilino não tem que pagar por isso. Aliás, e no que respeita aos desgovernados, uma atitude mais severa com a devida cobertura legal forneceria o devido estímulo para treinar a arte da boa governação do orçamento familiar.
Para além dos aldrabões, existem também os desgovernados. Em ambos os casos o inquilino não tem que pagar por isso. Aliás, e no que respeita aos desgovernados, uma atitude mais severa com a devida cobertura legal forneceria o devido estímulo para treinar a arte da boa governação do orçamento familiar.
Portugal, solução (15)
DOMINGO, 6 DE FEVEREIRO DE 2011
Portugal, ok, então eu não pago a renda ao senhorio e ele não me pode por fora a tempo e horas. Isso é fixe. Dá para fazer umas poupanças. Sim, até porque parece que é consensual que os Portugueses devem poupar mais…
Portugal, esta situação é de doidos e tem que ser resolvida no curto prazo. A ideia é: quem não paga renda tem que sair no espaço de 15 dias a 1 mês. É assim em todos os países civilizados. Porque razão terás tu que ser o incivilizado dos civilizados? Caramba, é assim tão complicado provar que a renda não foi paga e actuar em conformidade? Não me parece. Há que acabar com esta aldrabice que os inquilinos fazem aos senhorios. Ainda que os senhorios por vezes faltem ao contratado, nomeadamente obras, isso não dá o direito de não se pagar a renda por aldrabice. E o que não falta por aí são aldrabões que têm que ser postos na ordem. Aldrabão em país de primeira tem tratamento próprio.
Portugal, mas porque tu tens aquela ideia errada de que o senhorio é sempre o patife e o inquilino um pobre coitado, e por conseguinte não reconheces argumento que dificulte a vida ao aldrabão, então trago-te um argumento que talvez te convença a teres uma posição mais severa. Pensa assim: se os senhorios souberem que 1 mês depois os prevaricadores forem postos na rua, então nesse caso muitas mais casas serão postas a arrendar. Sim, casas que não são colocadas no mercado devido ao efeito de risco associado ao arrendamento. E se muitas casas forem colocadas a arrendar isso implica descida dos preços, o que, obviamente, só beneficia os “pobres” dos inquilinos. Mas há mais. Os senhorios estarão dispostos a colocar preços mais baixos devido à remoção do prémio de risco de incumprimento.
Estás a ver Portugal? Não é belo ter rendas mais baixas no mercado? Claro que é. Perdoa-me o facto de te recomendar pela mão de um argumento pobre. Mas o outro tu não o compreendes. Sim, aquele que tem associado o conceito de justiça e de correcção de quem anda a prevaricar. É uma pena. Fechar o cerco aos aldrabões em todos os domínios passa a mensagem correcta para a sociedade. O aldrabão tem que ser perdedor na sociedade. Não vencedor.
Esta medida em muito iria moralizar o mercado de habitação em Portugal. Não só dinamizaria o mercado de arrendamento, promovendo a flexibilidade geográfica dos teus constituintes, como pressionaria os preços para baixo, o que, são sempre boas notícias, principalmente no longo período de vacas magras que ai vem. Um autêntico dois em um.
Mas há mais, isso estimulará a restauração de edifícios antigos para arrendamento, nomeadamente em Lisboa e Porto. A questão da compra vai andar fora de questão no futuro. Por isso esses milhares de prédios antigos terão de ser arrendados. Os bancos aprenderão muito bem a lição com o sub-prime. Empréstimos para habitação? Só com uma entrada “generosa”. Por isso doravante o arrendamento será o modo natural de habitação. Sobre o facto indaga sobre o sistema Alemão. Pode fazer jeito. Digo-te que cerca de 70% deles vive em casa alugada. E consta que não lhes cai o Carmo e a Trindade pelo facto. Anda é tudo com renda paga a tempo e horas, senão… E são rendas baratas, mais baratas do que em Portugal…
Portugal, ok, então eu não pago a renda ao senhorio e ele não me pode por fora a tempo e horas. Isso é fixe. Dá para fazer umas poupanças. Sim, até porque parece que é consensual que os Portugueses devem poupar mais…
Portugal, esta situação é de doidos e tem que ser resolvida no curto prazo. A ideia é: quem não paga renda tem que sair no espaço de 15 dias a 1 mês. É assim em todos os países civilizados. Porque razão terás tu que ser o incivilizado dos civilizados? Caramba, é assim tão complicado provar que a renda não foi paga e actuar em conformidade? Não me parece. Há que acabar com esta aldrabice que os inquilinos fazem aos senhorios. Ainda que os senhorios por vezes faltem ao contratado, nomeadamente obras, isso não dá o direito de não se pagar a renda por aldrabice. E o que não falta por aí são aldrabões que têm que ser postos na ordem. Aldrabão em país de primeira tem tratamento próprio.
Portugal, mas porque tu tens aquela ideia errada de que o senhorio é sempre o patife e o inquilino um pobre coitado, e por conseguinte não reconheces argumento que dificulte a vida ao aldrabão, então trago-te um argumento que talvez te convença a teres uma posição mais severa. Pensa assim: se os senhorios souberem que 1 mês depois os prevaricadores forem postos na rua, então nesse caso muitas mais casas serão postas a arrendar. Sim, casas que não são colocadas no mercado devido ao efeito de risco associado ao arrendamento. E se muitas casas forem colocadas a arrendar isso implica descida dos preços, o que, obviamente, só beneficia os “pobres” dos inquilinos. Mas há mais. Os senhorios estarão dispostos a colocar preços mais baixos devido à remoção do prémio de risco de incumprimento.
Estás a ver Portugal? Não é belo ter rendas mais baixas no mercado? Claro que é. Perdoa-me o facto de te recomendar pela mão de um argumento pobre. Mas o outro tu não o compreendes. Sim, aquele que tem associado o conceito de justiça e de correcção de quem anda a prevaricar. É uma pena. Fechar o cerco aos aldrabões em todos os domínios passa a mensagem correcta para a sociedade. O aldrabão tem que ser perdedor na sociedade. Não vencedor.
Esta medida em muito iria moralizar o mercado de habitação em Portugal. Não só dinamizaria o mercado de arrendamento, promovendo a flexibilidade geográfica dos teus constituintes, como pressionaria os preços para baixo, o que, são sempre boas notícias, principalmente no longo período de vacas magras que ai vem. Um autêntico dois em um.
Mas há mais, isso estimulará a restauração de edifícios antigos para arrendamento, nomeadamente em Lisboa e Porto. A questão da compra vai andar fora de questão no futuro. Por isso esses milhares de prédios antigos terão de ser arrendados. Os bancos aprenderão muito bem a lição com o sub-prime. Empréstimos para habitação? Só com uma entrada “generosa”. Por isso doravante o arrendamento será o modo natural de habitação. Sobre o facto indaga sobre o sistema Alemão. Pode fazer jeito. Digo-te que cerca de 70% deles vive em casa alugada. E consta que não lhes cai o Carmo e a Trindade pelo facto. Anda é tudo com renda paga a tempo e horas, senão… E são rendas baratas, mais baratas do que em Portugal…
Portugal solução (14)
DOMINGO, 6 DE FEVEREIRO DE 2011
Portugal, porque é que pagas uma miséria de ordenados aos teus principais representantes? Explica bem como é que o teu principal executivo, o Primeiro-ministro, ganha uns 5000 ou 7000 euros por mês. Portugal, isso não é normal. O Primeiro-ministro tem que ganhar, no mínimo, uns 20000 euros por mês. Achas que consegues convencer o melhor que Portugal tem a pagar esses montantes? Depois não te queixes de te aparecerem as amostras que tanto te apoquentam. Essa gente descobriu a “fórmula” do seu sucesso que mais não é do que “andar” pelo partido, ganhar uns tostões enquanto ministro ou secretário de estado, e depois fazer o salto à Vara. O deserto nos cargos governativos é como que o passe para o El Dourado.
Portugal, leva isto a sério. Os melhores são bem pagos neste mundo globalizado. A probabilidade de conseguires um conjunto de cavaleiros brancos que te vão salvar ao preço da uva é demasiado reduzida. Por isso trata de pagares em conformidade. E digo-te que o valor que avancei até é parcimonioso. Eu sei que a berraria de rua dirá que é de cima que tem que vir o exemplo. Não posso estar mais de acordo. Por isso proponho pagares bem aos governantes para que as coisas saiam barato aos governados. Refiro-me à produtividade, obviamente. Os erros dos incompetentes que te governam andam a sair caríssimos ao povo. 20000 Euros por mês pagos a cada político competente são uma autêntica bagatela. Aliás, tu até tens um ditado que define a situação: “o barato sai caro”. Toma cuidado com quem diz o contrário, ou é do clube dos do salto à Vara, ou então é do clube que sabe que nunca há-se ser poder e toma o uso da palavra para desbobinar sobre estados de alma primários servindo-se da voz que o voto lhe conferiu para livremente dizer disparates.
Portugal, o jogo doravante é a doer. Disto já te apercebeste. Eu sei que sentes que o que te digo é verdade, mas ainda estás muito atordoado pela dimensão do engano e pela falácia enganadora do discurso mole e encoberto pela frase verdadeira “o exemplo vem de cima”. Por isso estás periclitante. Não vaciles e trata de decidir com discernimento. Arranja meia dúzia de pessoas que te governem e paga-lhes bem de maneira a que o exemplo passe a vir de cima. Se no século XXI não tiveres disposto a pagar-lhes bem ficas entregue à bicharada. O resultado está à vista.
Portugal, porque é que pagas uma miséria de ordenados aos teus principais representantes? Explica bem como é que o teu principal executivo, o Primeiro-ministro, ganha uns 5000 ou 7000 euros por mês. Portugal, isso não é normal. O Primeiro-ministro tem que ganhar, no mínimo, uns 20000 euros por mês. Achas que consegues convencer o melhor que Portugal tem a pagar esses montantes? Depois não te queixes de te aparecerem as amostras que tanto te apoquentam. Essa gente descobriu a “fórmula” do seu sucesso que mais não é do que “andar” pelo partido, ganhar uns tostões enquanto ministro ou secretário de estado, e depois fazer o salto à Vara. O deserto nos cargos governativos é como que o passe para o El Dourado.
Portugal, leva isto a sério. Os melhores são bem pagos neste mundo globalizado. A probabilidade de conseguires um conjunto de cavaleiros brancos que te vão salvar ao preço da uva é demasiado reduzida. Por isso trata de pagares em conformidade. E digo-te que o valor que avancei até é parcimonioso. Eu sei que a berraria de rua dirá que é de cima que tem que vir o exemplo. Não posso estar mais de acordo. Por isso proponho pagares bem aos governantes para que as coisas saiam barato aos governados. Refiro-me à produtividade, obviamente. Os erros dos incompetentes que te governam andam a sair caríssimos ao povo. 20000 Euros por mês pagos a cada político competente são uma autêntica bagatela. Aliás, tu até tens um ditado que define a situação: “o barato sai caro”. Toma cuidado com quem diz o contrário, ou é do clube dos do salto à Vara, ou então é do clube que sabe que nunca há-se ser poder e toma o uso da palavra para desbobinar sobre estados de alma primários servindo-se da voz que o voto lhe conferiu para livremente dizer disparates.
Portugal, o jogo doravante é a doer. Disto já te apercebeste. Eu sei que sentes que o que te digo é verdade, mas ainda estás muito atordoado pela dimensão do engano e pela falácia enganadora do discurso mole e encoberto pela frase verdadeira “o exemplo vem de cima”. Por isso estás periclitante. Não vaciles e trata de decidir com discernimento. Arranja meia dúzia de pessoas que te governem e paga-lhes bem de maneira a que o exemplo passe a vir de cima. Se no século XXI não tiveres disposto a pagar-lhes bem ficas entregue à bicharada. O resultado está à vista.
É preciso emitir sinais
SEGUNDA-FEIRA, 31 DE JANEIRO DE 2011
Sejam quais forem as medidas a tomar por qualquer governo para enfrentar esta crise, essas medidas têm que obrigatoriamente carregar consigo um conjunto de sinais que façam com que o sucesso das mesmas vá para além da sua incidência técnica (no caso presente económico / financeira).
Os Portugueses precisam de sinais para entenderem o que se passa e que algo está em andamento para resolver o seu problema. Sem isso sentir-se-ão desnorteados e sem rumo. Se lhes for explicada a situação do País, se lhes for dito o porquê de cada medida, ainda que quase todas elas negativas para o seu dia-a-dia no curto prazo, então os Portugueses tentar-se-ão por seguir esses de quem a sinceridade acompanha.
Segundo a cartilha em vigor o segredo do sucesso reside na arte de ludibriar o povo e de dourar a pílula. De facto a verdade e a sinceridade são sempre preteridas em favor da ilusão e da mentira, nomeadamente quando se vivem períodos de falsas facilidades como foram os últimos 25 anos. Os tempos mudaram bastante, não porque a realidade mudou. Ela sempre esteve lá. O que mudou foi a forma como a vemos e a consequente diferente interpretação da mesma. Por estes dias atravessamos uma espécie de limbo entre a maneira como víamos o passado e a forma como vamos ter que ver o futuro. Por isso os Portugueses estão não só confusos, mas acima de tudo renitentes em aceitar a nova forma de ver a sua realidade.
Aos políticos só lhes falta perceber isso e actuar em conformidade. A tarefa do futuro político de sucesso nem se apresenta tão difícil se ele for o primeiro a aperceber-se disso e a actuar em conformidade. Portugal precisa disso.
Sejam quais forem as medidas a tomar por qualquer governo para enfrentar esta crise, essas medidas têm que obrigatoriamente carregar consigo um conjunto de sinais que façam com que o sucesso das mesmas vá para além da sua incidência técnica (no caso presente económico / financeira).
Os Portugueses precisam de sinais para entenderem o que se passa e que algo está em andamento para resolver o seu problema. Sem isso sentir-se-ão desnorteados e sem rumo. Se lhes for explicada a situação do País, se lhes for dito o porquê de cada medida, ainda que quase todas elas negativas para o seu dia-a-dia no curto prazo, então os Portugueses tentar-se-ão por seguir esses de quem a sinceridade acompanha.
Segundo a cartilha em vigor o segredo do sucesso reside na arte de ludibriar o povo e de dourar a pílula. De facto a verdade e a sinceridade são sempre preteridas em favor da ilusão e da mentira, nomeadamente quando se vivem períodos de falsas facilidades como foram os últimos 25 anos. Os tempos mudaram bastante, não porque a realidade mudou. Ela sempre esteve lá. O que mudou foi a forma como a vemos e a consequente diferente interpretação da mesma. Por estes dias atravessamos uma espécie de limbo entre a maneira como víamos o passado e a forma como vamos ter que ver o futuro. Por isso os Portugueses estão não só confusos, mas acima de tudo renitentes em aceitar a nova forma de ver a sua realidade.
Aos políticos só lhes falta perceber isso e actuar em conformidade. A tarefa do futuro político de sucesso nem se apresenta tão difícil se ele for o primeiro a aperceber-se disso e a actuar em conformidade. Portugal precisa disso.
Acordos com o PSD!!!!!!! Não obrigado. Outro CDS é preciso
DOMINGO, 30 DE JANEIRO DE 2011
Paulo Portas piscou o olho ao PSD. O PSD gostou do sinal. Fica na ideia que o PSD e o CDS se poderão entender, o que, em abstracto, configura que o próximo governo poderá surgir da coligação desses dois partidos.
As coligações em política, e não só, são algo de natural, e até desejável. Só que há momentos da história de um país em que as coligações não são desejáveis. Ou pelo menos algumas.
Penso que no caso presente o CDS não tem que se tentar aliar ao PSD. Portugal encontra-se em fase de balanço de sistema. E nestas alturas o que um país precisa é de rumos claros que cada partido apresenta. Dentro de 4 anos Portugal faz 40 anos de socialismo, e da mesma forma que se fez o balanço de quase 50 de ditadura, preparamo-nos para fazer o mesmo relativamente ao socialismo.
A missão do CDS é perfilar-se como partido autónomo e que em muito pouco teve que ver com estes 40 anos (agora ainda 36) e com os 50 anos anteriores. O CDS tem que surgir como o natural partido de poder de uma época em que o indivíduo e a sua expressão responsável dentro de organizações surgem como a forma natural de vida e de crescimento enquanto pessoa. O sucesso no futuro depende da perfomance individual e colectiva e de uma gestão clara dos recursos escassos. O socialismo não responde a este desafio pois trata-se de um sistema que pouco mais produziu senão dívida e uma teia de interesses corporativos à volta do orçamento difíceis de imaginar nos primórdios da democracia.
O CDS precisa de definir muito claramente a sua missão. Ou não acredita que poderá ser no futuro uma força natural de governo em situação de maioria, e aí opta por estratégias de “piscar de olhos” ao PSD. Este é o CDS de Paulo Portas. Isso já aconteceu e está de novo na calha. Paulo Portas até se comportou bem na aliança com o PSD no passado, ao invés do PSD que teve um comportamento político deplorável ao fornecer um Primeiro Ministro que fugiu e ao escolher um substituto com um perfil inacreditável.
Ou então o CDS acredita que o balanço ao socialismo vai ser feito, e então terá que tratar de se propor ao eleitorado como força que disputa eleições de igual para igual (sim, falo em votações na ordem dos 30 a 35% e não em vitórias suadas a 12 ou 15%).
Não é esta liderança a melhor para enfrentar os novos tempos que aí vêm. Esses tempos exigem uma resposta totalmente não-socialista. Tem que ser outra liderança que acredite nessa visão. Para isso há que pensar como no futuro se deverão construir governos, como construir um núcleo duro no partido pensante numa lógica diferente da actual, produzir uma liderança, e elaborar programa de governo independente e baseado em soluções concretas para Portugal assentes num modelo liberal de responsabilidade individual e colectiva.
Para isto é preciso iniciativa, e, muito importante, desafiar o partido a optar por outra liderança. Ela tem que aparecer, seja no futuro próximo, seja a médio prazo. Tudo para que o CDS governe Portugal.
Paulo Portas piscou o olho ao PSD. O PSD gostou do sinal. Fica na ideia que o PSD e o CDS se poderão entender, o que, em abstracto, configura que o próximo governo poderá surgir da coligação desses dois partidos.
As coligações em política, e não só, são algo de natural, e até desejável. Só que há momentos da história de um país em que as coligações não são desejáveis. Ou pelo menos algumas.
Penso que no caso presente o CDS não tem que se tentar aliar ao PSD. Portugal encontra-se em fase de balanço de sistema. E nestas alturas o que um país precisa é de rumos claros que cada partido apresenta. Dentro de 4 anos Portugal faz 40 anos de socialismo, e da mesma forma que se fez o balanço de quase 50 de ditadura, preparamo-nos para fazer o mesmo relativamente ao socialismo.
A missão do CDS é perfilar-se como partido autónomo e que em muito pouco teve que ver com estes 40 anos (agora ainda 36) e com os 50 anos anteriores. O CDS tem que surgir como o natural partido de poder de uma época em que o indivíduo e a sua expressão responsável dentro de organizações surgem como a forma natural de vida e de crescimento enquanto pessoa. O sucesso no futuro depende da perfomance individual e colectiva e de uma gestão clara dos recursos escassos. O socialismo não responde a este desafio pois trata-se de um sistema que pouco mais produziu senão dívida e uma teia de interesses corporativos à volta do orçamento difíceis de imaginar nos primórdios da democracia.
O CDS precisa de definir muito claramente a sua missão. Ou não acredita que poderá ser no futuro uma força natural de governo em situação de maioria, e aí opta por estratégias de “piscar de olhos” ao PSD. Este é o CDS de Paulo Portas. Isso já aconteceu e está de novo na calha. Paulo Portas até se comportou bem na aliança com o PSD no passado, ao invés do PSD que teve um comportamento político deplorável ao fornecer um Primeiro Ministro que fugiu e ao escolher um substituto com um perfil inacreditável.
Ou então o CDS acredita que o balanço ao socialismo vai ser feito, e então terá que tratar de se propor ao eleitorado como força que disputa eleições de igual para igual (sim, falo em votações na ordem dos 30 a 35% e não em vitórias suadas a 12 ou 15%).
Não é esta liderança a melhor para enfrentar os novos tempos que aí vêm. Esses tempos exigem uma resposta totalmente não-socialista. Tem que ser outra liderança que acredite nessa visão. Para isso há que pensar como no futuro se deverão construir governos, como construir um núcleo duro no partido pensante numa lógica diferente da actual, produzir uma liderança, e elaborar programa de governo independente e baseado em soluções concretas para Portugal assentes num modelo liberal de responsabilidade individual e colectiva.
Para isto é preciso iniciativa, e, muito importante, desafiar o partido a optar por outra liderança. Ela tem que aparecer, seja no futuro próximo, seja a médio prazo. Tudo para que o CDS governe Portugal.
Curta entrevista a um credor de Portugal
QUARTA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2011
P: Boa tarde, então diga-me lá porque é que anda a exigir cerca de 7% de juros aos empréstimos que faz a Portugal.
R: Bom, sabe, a situação de Portugal é muito complicada. Tem uma das maiores dívidas totais do mundo se considerarmos a dívida acumulada do sector público, das empresas privadas, e das famílias, quando comparadas com o que a economia produz num ano.
P: E então, alguma vez Portugal deixou de honrar os seus compromissos?
R: Em boa verdade sempre o fez… mas isso não quer dizer que o possa deixar de fazer. Aliás, há uma real dose de probabilidade de isso acontecer.
P: Então é por isso que cobra mais do que cobra à Alemanha?
R: Exactamente
P: Mas não acha que ao cobrar mais faz aumentar a probabilidade de incumprimento?
R: Sim, acho, mas a lógica dos mercados é essa. Chama-se a isso o "prémio de risco". Se Portugal discorda disso, então que pague tudo o que deve, passe a ser credor em vez de devedor, e aplique esse conceito…
P: É só o facto de a dívida ser muito grande que o preocupa? Ou há algo mais?
R: Na realidade não é só a dimensão da dívida. O facto de o país não crescer praticamente desde 2000 revela que algo de estruturalmente errado se passa. E não vejo como o cenário se possa modificar. Repare, a classe política não tem uma visão para o país nem consegue desenhar uma estratégia, por incipiente que seja. Existe muita corrupção, a justiça funciona mal, o nível de instrução é ainda muito incipiente, os empreendedores são muito mal vistos pela sociedade, a carga fiscal é crescente, e o estado já consome cerca de 50% do que se produz. Não há evidências de que as coisas mudem. E mais, a demografia está a começar a ser madrasta. Aliás, este último ponto penso ainda não entrar nos cálculos do mercado. Quando entrar… então a coisa ainda pode piorar.
P: Então o que é que sugere?
R: Bom, eu não sugiro nada. Sou somente um investidor. Essa pergunta terá que ser posta a quem de direito. Cabe à sociedade Portuguesa descobrir as soluções para os vossos problemas.
P: Mas porque é que só ultimamente passaram a cobrar juros muito mais altos? Não acha injusto Portugal ter ficado ao sabor dos caprichos do mercado?
R: Bom, quanto à sua primeira questão direi que o mercado andou durante muito tempo a avaliar mal o risco de Portugal. Colocou Portugal no mesmo saco que a Alemanha. Penso que agora existe uma análise de risco bem mais real. Quanto à sua segunda pergunta direi que o mercado não tem alma. Nem tem que ter. Se Portugal se quer queixar que se queixe de si mesmo. A história diz, bem como a sapiência, que a melhor maneira para se ser independente é não estar dependente dos credores. Portugal descurou muito este aspecto deixando-se entrar numa espiral de endividamento.
P: Mas isso não poderá trazer benefícios para a economia como um todo?
R: (risos) Bom, se for para investir, isso é possível. Mas claro, só se o investimento for bem feito. Se for para financiar consumo que se traduz em importações e no crescimento de um sector público que mais não faz do que travar o crescimento da economia, então direi que não traz benefícios nenhuns. Antes pelo contrário.
P: Então porque é que nos empresta dinheiro?
R: Porque vocês o pedem. E esse é o meu negócio.
P: O que o faria cobrar juros mais baixos a Portugal?
R: Depende de muitos factores. Mas o principal tem que ver com a despesa pública. Se a mesma entrasse numa espiral de descida isso sinalizaria que a economia ficaria mais liberta e o sector privado com mais hipóteses de crescer por via da redução da carga fiscal. Por outro lado gostaríamos de sentir que o custo dos factores de produção fosse mais reduzido. Seria interessante se o IRS e o IRC fossem mais reduzidos, ainda que compensados por um aumento do IVA. Portugal precisa de exportar mais. O aumento do IVA não afecta a competitividade externa.
P: Mas isso não iria prejudicar as famílias Portuguesas?
R: Sim, no curto prazo iria. Mas se a economia melhorar por esse facto aliviam-se as famílias Portuguesas do futuro por via de taxas de juro mais baixas. Está nas mãos desta geração fazê-lo agora.
P: Está a insinuar que a geração actual é egoísta? Há quem ache que existe uma crise familiar…
R: Como credor não emito juízos de valor. Essa não é a minha missão. Mas direi que vejo a prazo alguns problemas no equilíbrio da sociedade e no seu potencial de crescimento se as suas bases forem violentadas no presente. No entanto estes são aspectos sobre os quais os mercados têm muita dificuldade em avaliar. Não existem indicadores precisos que ajudem a sua quantificação. Mas se a longo prazo a economia sofrer com isso, bom então o mercado nessa altura será muito bom a avaliar os estragos. Diria que compete à sociedade tratar hoje desse assunto. Senão ainda vemos os mercados no futuro como o bode expiatório do males gerados pelas opções erradas tomadas no presente.
P: Incomoda-o ser o bode expiatório?
R: (risos) De modo nenhum. Sabe, os credores estão habituados a serem os maus da fita quando as coisas correm mal.
P: Uma última pergunta: acredita numa intervenção do FMI? Isso é bom para Portugal?
R: Direi que penso estar para breve. É bom porque dá garantias de que algo vai ser efectivamente feito. Por outro lado é mau porque é uma prova de que os governos de Portugal não demonstraram ter capacidade de governar financeiramente o País. E isso paga-se mais caro no futuro em prémio de risco.
P: Boa tarde, então diga-me lá porque é que anda a exigir cerca de 7% de juros aos empréstimos que faz a Portugal.
R: Bom, sabe, a situação de Portugal é muito complicada. Tem uma das maiores dívidas totais do mundo se considerarmos a dívida acumulada do sector público, das empresas privadas, e das famílias, quando comparadas com o que a economia produz num ano.
P: E então, alguma vez Portugal deixou de honrar os seus compromissos?
R: Em boa verdade sempre o fez… mas isso não quer dizer que o possa deixar de fazer. Aliás, há uma real dose de probabilidade de isso acontecer.
P: Então é por isso que cobra mais do que cobra à Alemanha?
R: Exactamente
P: Mas não acha que ao cobrar mais faz aumentar a probabilidade de incumprimento?
R: Sim, acho, mas a lógica dos mercados é essa. Chama-se a isso o "prémio de risco". Se Portugal discorda disso, então que pague tudo o que deve, passe a ser credor em vez de devedor, e aplique esse conceito…
P: É só o facto de a dívida ser muito grande que o preocupa? Ou há algo mais?
R: Na realidade não é só a dimensão da dívida. O facto de o país não crescer praticamente desde 2000 revela que algo de estruturalmente errado se passa. E não vejo como o cenário se possa modificar. Repare, a classe política não tem uma visão para o país nem consegue desenhar uma estratégia, por incipiente que seja. Existe muita corrupção, a justiça funciona mal, o nível de instrução é ainda muito incipiente, os empreendedores são muito mal vistos pela sociedade, a carga fiscal é crescente, e o estado já consome cerca de 50% do que se produz. Não há evidências de que as coisas mudem. E mais, a demografia está a começar a ser madrasta. Aliás, este último ponto penso ainda não entrar nos cálculos do mercado. Quando entrar… então a coisa ainda pode piorar.
P: Então o que é que sugere?
R: Bom, eu não sugiro nada. Sou somente um investidor. Essa pergunta terá que ser posta a quem de direito. Cabe à sociedade Portuguesa descobrir as soluções para os vossos problemas.
P: Mas porque é que só ultimamente passaram a cobrar juros muito mais altos? Não acha injusto Portugal ter ficado ao sabor dos caprichos do mercado?
R: Bom, quanto à sua primeira questão direi que o mercado andou durante muito tempo a avaliar mal o risco de Portugal. Colocou Portugal no mesmo saco que a Alemanha. Penso que agora existe uma análise de risco bem mais real. Quanto à sua segunda pergunta direi que o mercado não tem alma. Nem tem que ter. Se Portugal se quer queixar que se queixe de si mesmo. A história diz, bem como a sapiência, que a melhor maneira para se ser independente é não estar dependente dos credores. Portugal descurou muito este aspecto deixando-se entrar numa espiral de endividamento.
P: Mas isso não poderá trazer benefícios para a economia como um todo?
R: (risos) Bom, se for para investir, isso é possível. Mas claro, só se o investimento for bem feito. Se for para financiar consumo que se traduz em importações e no crescimento de um sector público que mais não faz do que travar o crescimento da economia, então direi que não traz benefícios nenhuns. Antes pelo contrário.
P: Então porque é que nos empresta dinheiro?
R: Porque vocês o pedem. E esse é o meu negócio.
P: O que o faria cobrar juros mais baixos a Portugal?
R: Depende de muitos factores. Mas o principal tem que ver com a despesa pública. Se a mesma entrasse numa espiral de descida isso sinalizaria que a economia ficaria mais liberta e o sector privado com mais hipóteses de crescer por via da redução da carga fiscal. Por outro lado gostaríamos de sentir que o custo dos factores de produção fosse mais reduzido. Seria interessante se o IRS e o IRC fossem mais reduzidos, ainda que compensados por um aumento do IVA. Portugal precisa de exportar mais. O aumento do IVA não afecta a competitividade externa.
P: Mas isso não iria prejudicar as famílias Portuguesas?
R: Sim, no curto prazo iria. Mas se a economia melhorar por esse facto aliviam-se as famílias Portuguesas do futuro por via de taxas de juro mais baixas. Está nas mãos desta geração fazê-lo agora.
P: Está a insinuar que a geração actual é egoísta? Há quem ache que existe uma crise familiar…
R: Como credor não emito juízos de valor. Essa não é a minha missão. Mas direi que vejo a prazo alguns problemas no equilíbrio da sociedade e no seu potencial de crescimento se as suas bases forem violentadas no presente. No entanto estes são aspectos sobre os quais os mercados têm muita dificuldade em avaliar. Não existem indicadores precisos que ajudem a sua quantificação. Mas se a longo prazo a economia sofrer com isso, bom então o mercado nessa altura será muito bom a avaliar os estragos. Diria que compete à sociedade tratar hoje desse assunto. Senão ainda vemos os mercados no futuro como o bode expiatório do males gerados pelas opções erradas tomadas no presente.
P: Incomoda-o ser o bode expiatório?
R: (risos) De modo nenhum. Sabe, os credores estão habituados a serem os maus da fita quando as coisas correm mal.
P: Uma última pergunta: acredita numa intervenção do FMI? Isso é bom para Portugal?
R: Direi que penso estar para breve. É bom porque dá garantias de que algo vai ser efectivamente feito. Por outro lado é mau porque é uma prova de que os governos de Portugal não demonstraram ter capacidade de governar financeiramente o País. E isso paga-se mais caro no futuro em prémio de risco.
Como falar aos Portugueses no futuro
SEXTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2011
Para quem está bem consciente da situação que Portugal atravessa sabe que já não mais espaço para dourar a pílula em campanhas legislativas. O mecanismo em vigor até ao momento passava por mentir descaradamente ao povo. Aliciaram-se os Portugueses com promessas viabilizadas por mecanismos ilusórios alavancados pelo crédito fácil, pelo espaço de endividamento disponível existente desde o início da década de 90, pela ilusão dos fundos da CEE, e pela entrada na zona euro. A realidade que pensávamos ser possível viver ruiu. É isso que tem que ser dito muito claramente aos Portugueses. O caminho passa, em termos económico e financeiros, por amortizar dívida existente e passar a ter excedentes orçamentais (ao invés de défices) juntamente com redução de importações e aumento de exportações.
Não há a mínima volta a dar ao assunto, quer queiramos, quer não. Venha quem vier, venham todas as manifestações, berraria, discursos inflamados, enchentes na Avenida da Liberdade, etc, este caminho vai ter que ser feito. E vai ter que ser feito muito mais cedo do que pensamos. Não, não há tempo para “ver se passa”, ou “esperar que os mercados descubram a Espanha”, o que se “esqueçam” de nós quando chegar o Verão, etc.
O próximo Governo de Portugal, aquele que vai chegar depois do próximo (des)governo, tem que falar muito abertamente de todas as medidas que terão que ser tomadas. Terá que explicar tudo, terá que expor o porque de cada medida apresentada pré-eleitoralmente, terá que ter uma sinceridade e uma simplicidade nas explicações ao nível do que hoje é considerado “ingenuidade política”, terá que se apresentar explicitamente, e com humildade, como o próximo Governo para Portugal, aquele que resultará como a alternativa ao modelo socialista (PS e PSD no mesmo saco) que já morreu.
Não será um Governo que vai trazer a “Revelação” tão ao gosto dos engenheiros sociais de esquerda sempre sequiosos do “agora é que é”. A Revelação têm-na Ele. Que O siga quem quer de livre vontade. O novo Governo de Portugal vai ter um desafio muito claro e muito simples que é: GOVERNAR PORTUGAL. Essa vai ser a sua missão. E para o fazer vai ter que, como que mecanicamente, começar por amortizar dívida pública, reduzindo-a, o que implica ter excedentes e não défices públicos, e cortar nas importações e impulsionar as exportações. Só a partir daí estará em condições de governar. Se o não fizer, então desqualificar-se-á e será mais um (des)governo.
O partido a quem os Portugueses devem confiar essa missão é o CDS. Não este que lá está de momento. É o outro que vai ter que aparecer. Essa aparição tem que ser uma fatalidade. Não pode deixar de acontecer.
Estranhar-se-á como é que perante cenários tão pessimistas e nebulosos o discurso da verdade e simplicidade irá funcionar. Mas o segredo é mesmo esse. Um pouco como na guerra. Não se querem generais moles e com discurso fácil. Doravante os Portugueses vão confiar no discurso “dor, suor e lágrimas” e não em “bolas e equipamentos de marca para todos”.
Tão somente
Para quem está bem consciente da situação que Portugal atravessa sabe que já não mais espaço para dourar a pílula em campanhas legislativas. O mecanismo em vigor até ao momento passava por mentir descaradamente ao povo. Aliciaram-se os Portugueses com promessas viabilizadas por mecanismos ilusórios alavancados pelo crédito fácil, pelo espaço de endividamento disponível existente desde o início da década de 90, pela ilusão dos fundos da CEE, e pela entrada na zona euro. A realidade que pensávamos ser possível viver ruiu. É isso que tem que ser dito muito claramente aos Portugueses. O caminho passa, em termos económico e financeiros, por amortizar dívida existente e passar a ter excedentes orçamentais (ao invés de défices) juntamente com redução de importações e aumento de exportações.
Não há a mínima volta a dar ao assunto, quer queiramos, quer não. Venha quem vier, venham todas as manifestações, berraria, discursos inflamados, enchentes na Avenida da Liberdade, etc, este caminho vai ter que ser feito. E vai ter que ser feito muito mais cedo do que pensamos. Não, não há tempo para “ver se passa”, ou “esperar que os mercados descubram a Espanha”, o que se “esqueçam” de nós quando chegar o Verão, etc.
O próximo Governo de Portugal, aquele que vai chegar depois do próximo (des)governo, tem que falar muito abertamente de todas as medidas que terão que ser tomadas. Terá que explicar tudo, terá que expor o porque de cada medida apresentada pré-eleitoralmente, terá que ter uma sinceridade e uma simplicidade nas explicações ao nível do que hoje é considerado “ingenuidade política”, terá que se apresentar explicitamente, e com humildade, como o próximo Governo para Portugal, aquele que resultará como a alternativa ao modelo socialista (PS e PSD no mesmo saco) que já morreu.
Não será um Governo que vai trazer a “Revelação” tão ao gosto dos engenheiros sociais de esquerda sempre sequiosos do “agora é que é”. A Revelação têm-na Ele. Que O siga quem quer de livre vontade. O novo Governo de Portugal vai ter um desafio muito claro e muito simples que é: GOVERNAR PORTUGAL. Essa vai ser a sua missão. E para o fazer vai ter que, como que mecanicamente, começar por amortizar dívida pública, reduzindo-a, o que implica ter excedentes e não défices públicos, e cortar nas importações e impulsionar as exportações. Só a partir daí estará em condições de governar. Se o não fizer, então desqualificar-se-á e será mais um (des)governo.
O partido a quem os Portugueses devem confiar essa missão é o CDS. Não este que lá está de momento. É o outro que vai ter que aparecer. Essa aparição tem que ser uma fatalidade. Não pode deixar de acontecer.
Estranhar-se-á como é que perante cenários tão pessimistas e nebulosos o discurso da verdade e simplicidade irá funcionar. Mas o segredo é mesmo esse. Um pouco como na guerra. Não se querem generais moles e com discurso fácil. Doravante os Portugueses vão confiar no discurso “dor, suor e lágrimas” e não em “bolas e equipamentos de marca para todos”.
Tão somente
Inconsciência ou loucura?
DOMINGO, 16 DE JANEIRO DE 2011
Colocou-se esta semana uma emissão de dívida a 10 anos a uma taxa de juro de 6,7%. O (des)governo de Portugal exultou com o facto e parte da Europa ficou aliviada. Perguntarei: o que há para exultar e o que há para nos sentirmos aliviados? A resposta é simples: nada. Aliás, neste momento a pergunta que se deve colocar é se quem se manifesta dessa forma está inconsciente ou louco.
Um tal de Krugman que ecoa nos EUA, e que é voz a não desprezar, afirmou que a taxa conseguida no leilão “é pouco menos que ruinosa”. Do lado de cá do Atlântico o Sr. Almunia defendeu a “honra” da velha Europa vindo a terreiro dizer que o Sr. Krugman é bom a opinar para os EUA mas que da Europa percebe pouco. A qualidade do argumento defensivo parece-me que só reflecte a veracidade da análise do Sr. Krugman.
É preciso termos bem noção que quem nos governa não está em condições de sanidade mental para nos continuar a governar. Não, não é nenhuma força de expressão nem figura de estilo. É exactamente isso.
Se um chefe de família ganha por ano 100 e anda a gastar 110, tem dívidas acumuladas de 250, vai renovando pedaços da sua dívida a taxas da ordem dos 6 a 7%, vai passar a ganhar 99 para o ano e sem muitas esperanças de vir a ganhar muito mais nos anos seguintes, e anda todo contente por conseguir renovar os pedaços de dívida a essas taxas, então direi que é um chefe de família tonto e perdido. É preciso interiorizarmos que se está a viver um cenário surreal.
Ainda sobre o exemplo do parágrafo acima, sabemos que o número de horas disponíveis para trabalhar desse chefe de família no futuro vai ser cada vez menor (o equivalente ao decréscimo da população), ou seja, para manter o mesmo rendimento tem que aumentar a sua produtividade, o que implica o aumento da sua capacidade de trabalho por unidade de tempo. Como esta está estagnada há muito e não há indícios de que venha a subir no médio prazo, então o chefe de família está completamente limitado quanto ao seu rendimento.
Ao chefe de família restam então duas opções: ou continua na senda do nevoeiro que assentou na sua cabeça e trama à séria o próximo chefe de família (os filhos), ou então assume a realidade e começa de imediato a amortizar dívida com o consequente decréscimo da porção de dinheiro que fica disponível para si.
O chefe de família de serviço só conhece a primeira opção. O que lhe vai substituir talvez perceba que a segunda é a melhor opção mas pertence a uma família política que não está nem aí.
Portugueses, percebam bem, estamos no reino da inconsciência ou da loucura. Garanto-vos, é uma das duas opções.
Por favor estejam atentos e preparem-se para intervir.
Nota: e daqui a uns anos vêm umas facturas especiais de umas PPP (parcerias público privadas). Autênticas bombas relógios já a funcionar...
Colocou-se esta semana uma emissão de dívida a 10 anos a uma taxa de juro de 6,7%. O (des)governo de Portugal exultou com o facto e parte da Europa ficou aliviada. Perguntarei: o que há para exultar e o que há para nos sentirmos aliviados? A resposta é simples: nada. Aliás, neste momento a pergunta que se deve colocar é se quem se manifesta dessa forma está inconsciente ou louco.
Um tal de Krugman que ecoa nos EUA, e que é voz a não desprezar, afirmou que a taxa conseguida no leilão “é pouco menos que ruinosa”. Do lado de cá do Atlântico o Sr. Almunia defendeu a “honra” da velha Europa vindo a terreiro dizer que o Sr. Krugman é bom a opinar para os EUA mas que da Europa percebe pouco. A qualidade do argumento defensivo parece-me que só reflecte a veracidade da análise do Sr. Krugman.
É preciso termos bem noção que quem nos governa não está em condições de sanidade mental para nos continuar a governar. Não, não é nenhuma força de expressão nem figura de estilo. É exactamente isso.
Se um chefe de família ganha por ano 100 e anda a gastar 110, tem dívidas acumuladas de 250, vai renovando pedaços da sua dívida a taxas da ordem dos 6 a 7%, vai passar a ganhar 99 para o ano e sem muitas esperanças de vir a ganhar muito mais nos anos seguintes, e anda todo contente por conseguir renovar os pedaços de dívida a essas taxas, então direi que é um chefe de família tonto e perdido. É preciso interiorizarmos que se está a viver um cenário surreal.
Ainda sobre o exemplo do parágrafo acima, sabemos que o número de horas disponíveis para trabalhar desse chefe de família no futuro vai ser cada vez menor (o equivalente ao decréscimo da população), ou seja, para manter o mesmo rendimento tem que aumentar a sua produtividade, o que implica o aumento da sua capacidade de trabalho por unidade de tempo. Como esta está estagnada há muito e não há indícios de que venha a subir no médio prazo, então o chefe de família está completamente limitado quanto ao seu rendimento.
Ao chefe de família restam então duas opções: ou continua na senda do nevoeiro que assentou na sua cabeça e trama à séria o próximo chefe de família (os filhos), ou então assume a realidade e começa de imediato a amortizar dívida com o consequente decréscimo da porção de dinheiro que fica disponível para si.
O chefe de família de serviço só conhece a primeira opção. O que lhe vai substituir talvez perceba que a segunda é a melhor opção mas pertence a uma família política que não está nem aí.
Portugueses, percebam bem, estamos no reino da inconsciência ou da loucura. Garanto-vos, é uma das duas opções.
Por favor estejam atentos e preparem-se para intervir.
Nota: e daqui a uns anos vêm umas facturas especiais de umas PPP (parcerias público privadas). Autênticas bombas relógios já a funcionar...
Os números por vezes são traiçoeiros
SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2011
Hoje veio a público que ocorreram mais nascimentos em 2010 do que em 2009. Parece que muito boa alma ficou surpreendida pois a dita crise deveria ditar algum cuidado com a procriação. Acontece que a realidade não se compadece com alguns simplismos. Sim, ouve a crise financeira internacional que estalou no Verão de 2007 e que está muito razoavelmente domada, e existe a nossa crise que já vem desde 2000 (eu acho que vem desde 1995) e que a crise internacional tratou de a evidenciar e acelerar.
Acontece que a demografia não terá uma correlação = 1 com os devaneios da economia. Por vezes até pode ter alguns sobressaltos, como este que agora se deu. Especularei que muitos novos casais assustaram-se em 2007 e 2008 retardando a sua decisão de ter filhos. Após a contenção inicial, e porque as inolvidáveis funções dos mais puros sentimentos não puderam ser contidos, eis que se libertaram em 2009 de modo a materializarem os nascimentos de 2010. O belo desejo de ter filhos não é escravo a 100% das perspectivas económicas do casal. Estas podem condicionar decisões de curto prazo, mas cedo ou tarde o desejo fala mais alto e impõem-se. Terá sido o que aconteceu.
Infelizmente, é provável que já em 2011 e anos seguintes os nascimentos caiam de novo. Em 2010 os Portugueses perceberam que há de facto uma grande crise, a nossa crise, e provavelmente optaram por outra contenção. Assim sendo, é provável que o número de nascimentos siga uma linha parecida com o formato de um serrote. Tudo indica que terá uma tendência decrescente. Eu espero que não.
Ainda a este propósito de fenómenos de contenção, vale a pena pensar no exemplo da venda de automóveis, que parece ter sobressaltado o meu ilustre companheiro de blog. O mesmo ter-se-á passado neste caso. Em 2008 e 2009 muitas pessoas contiveram-se na compra de automóveis e “libertaram-se” em 2010. Muito provavelmente em 2011 e seguintes a trajectória descendente é retomada.
A este propósito recordo ainda outra questão, e que tem que ver com percentagens. Nestas alturas de grandes variações, as percentagens podem atraiçoar os mais incautos, especialmente quando acompanhadas por medias de fraca qualidade. Se um determinado indicador num ano descer 50% e no ano seguinte subir 50%, isso quer dizer que do ano de início até ao segundo ano a descida foi de 25%. No entanto os media adoram “estrondos” do género “Crise? Qual crise? As vendas da Porsche e da Jaguar registam um crescimento acima dos 50%”.
Diria que estes movimentos correctivos são solavancos típicos de transformações repentinas.
Hoje veio a público que ocorreram mais nascimentos em 2010 do que em 2009. Parece que muito boa alma ficou surpreendida pois a dita crise deveria ditar algum cuidado com a procriação. Acontece que a realidade não se compadece com alguns simplismos. Sim, ouve a crise financeira internacional que estalou no Verão de 2007 e que está muito razoavelmente domada, e existe a nossa crise que já vem desde 2000 (eu acho que vem desde 1995) e que a crise internacional tratou de a evidenciar e acelerar.
Acontece que a demografia não terá uma correlação = 1 com os devaneios da economia. Por vezes até pode ter alguns sobressaltos, como este que agora se deu. Especularei que muitos novos casais assustaram-se em 2007 e 2008 retardando a sua decisão de ter filhos. Após a contenção inicial, e porque as inolvidáveis funções dos mais puros sentimentos não puderam ser contidos, eis que se libertaram em 2009 de modo a materializarem os nascimentos de 2010. O belo desejo de ter filhos não é escravo a 100% das perspectivas económicas do casal. Estas podem condicionar decisões de curto prazo, mas cedo ou tarde o desejo fala mais alto e impõem-se. Terá sido o que aconteceu.
Infelizmente, é provável que já em 2011 e anos seguintes os nascimentos caiam de novo. Em 2010 os Portugueses perceberam que há de facto uma grande crise, a nossa crise, e provavelmente optaram por outra contenção. Assim sendo, é provável que o número de nascimentos siga uma linha parecida com o formato de um serrote. Tudo indica que terá uma tendência decrescente. Eu espero que não.
Ainda a este propósito de fenómenos de contenção, vale a pena pensar no exemplo da venda de automóveis, que parece ter sobressaltado o meu ilustre companheiro de blog. O mesmo ter-se-á passado neste caso. Em 2008 e 2009 muitas pessoas contiveram-se na compra de automóveis e “libertaram-se” em 2010. Muito provavelmente em 2011 e seguintes a trajectória descendente é retomada.
A este propósito recordo ainda outra questão, e que tem que ver com percentagens. Nestas alturas de grandes variações, as percentagens podem atraiçoar os mais incautos, especialmente quando acompanhadas por medias de fraca qualidade. Se um determinado indicador num ano descer 50% e no ano seguinte subir 50%, isso quer dizer que do ano de início até ao segundo ano a descida foi de 25%. No entanto os media adoram “estrondos” do género “Crise? Qual crise? As vendas da Porsche e da Jaguar registam um crescimento acima dos 50%”.
Diria que estes movimentos correctivos são solavancos típicos de transformações repentinas.
Bem haja à Estónia
DOMINGO, 2 DE JANEIRO DE 2011
In Público
"Com os 1,2 milhões de cidadãos estónios, a população da zona euro passou a contar com 330 milhões de habitantes, tendo as mais recentes adesões à zona euro sido as da Eslováquia (2009), Chipre e Malta (2008) e Eslovénia (2007).
A Estónia está no extremo nordeste da UE, à qual aderiu em 2004 depois da sua separação, em 1991, da então União Soviética.
Para aderir à união monetária, a Estónia teve de cumprir alguns requisitos, como a estabilidade dos preços e finanças públicas saudáveis. Entre Abril de 2009 e Março de 2010, o país teve uma inflação negativa de 0,7 por cento, inferior ao valor de referência europeu de 1,0 por cento calculado para esse período. Por outro lado, o défice orçamental do país foi de 1,7 por cento em 2009 e a dívida pública ficou nos 7,2 por cento"
Um grande bem haja à Estónia. Que aprendam bem com os erros dos outros e que não se embebedem em dívida. De caminho os números acima deveriam servir de exemplo para alguns.
In Público
"Com os 1,2 milhões de cidadãos estónios, a população da zona euro passou a contar com 330 milhões de habitantes, tendo as mais recentes adesões à zona euro sido as da Eslováquia (2009), Chipre e Malta (2008) e Eslovénia (2007).
A Estónia está no extremo nordeste da UE, à qual aderiu em 2004 depois da sua separação, em 1991, da então União Soviética.
Para aderir à união monetária, a Estónia teve de cumprir alguns requisitos, como a estabilidade dos preços e finanças públicas saudáveis. Entre Abril de 2009 e Março de 2010, o país teve uma inflação negativa de 0,7 por cento, inferior ao valor de referência europeu de 1,0 por cento calculado para esse período. Por outro lado, o défice orçamental do país foi de 1,7 por cento em 2009 e a dívida pública ficou nos 7,2 por cento"
Um grande bem haja à Estónia. Que aprendam bem com os erros dos outros e que não se embebedem em dívida. De caminho os números acima deveriam servir de exemplo para alguns.