SÁBADO, 30 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, ainda na sequência de produzires menos do que consomes, e dada a tua incontinência pelos deficits e por julgares que podes ter comportamentos de “Lorde” sem o ser, avanço que existem 3 impostos que terão que subir:
1. Imposto sobre o tabaco. O fundamento é: quem não tem dinheiro não tem vícios. Quem o quiser ter paga por isso.
2. Imposto sobre bebidas alcoólicas, que não o vinho. O fundamento é: quem não tem dinheiro não tem vícios. Quem o quiser ter paga por isso. Porque é que o vinho não deve ser sujeito a aumento de imposto? Porque a sua produção é muito importante para a economia nacional, porque faz bem à saúde se bebido com frugalidade, porque a sua exploração implica o desenvolvimento e ocupação equilibrada do território nacional, e porque é potencialmente um sector onde podemos subir o volume das nossas exportações.
3. Imposto automóvel. O fundamento é: Temos um deficit da balança de pagamento brutal e um excesso de consumo interno face ao que exportamos. Como os automóveis significam importações, há que estancar ao máximo a compra dos mesmos. Sei que já temos excesso de imposto sobre os automóveis (o terceiro mais elevado, a seguir à Dinamarca e à Holanda), mas sei também que consumimos muito mais do que podemos relativamente a quem nos queremos comparar.
Portugal, decorrente do aumento do imposto automóvel, será necessário estimular o uso frequente do transporte público. Assim, e se possível, as despesas com os passes sociais deverão ser dedutíveis no IRS. A Comissão Europeia pode não gostar deste estímulo, mas o argumento ecológico pode jogar a favor desta medida. E lembro que beneficia decentemente quem tem mais dificuldades económicas. Ainda sobre o estímulo ao uso de transportes públicos reservarei um “post” específico.
Sobre os automóveis, obrigaria ao seguinte. Revisões obrigatórias, pelo menos a cada 20.000kms, ou dependendo do modelo/ano do automóvel. As revisões teriam que ser feitas por estabelecimentos autorizados. No livrinho de revisões, obrigatório possuir, deverá constar o número de contribuinte da garagem onde se fez a revisão e o respectivo número da factura. Assim diminuir-se-ia substancialmente o “preço sem IVA”. Que se arranje um esquema qualquer para acabar com esta situação do vão de escada que não cobra IVA. Métodos indiciários deverão verificar fraudes nos montantes das facturas (isso, provavelmente, nem deve ser muito difícil). Controle apertado relativamente à matrícula e revisões feitas. Nas inspecções, obrigatoriamente o número de Km deve lá ser inscrito. Um ficheiro com a matrícula, km e valor da factura das revisões deve seguir para as autoridades. No caso de suspeitas, então deve seguir a matrícula para a Polícia ou PJ, e só em última análise se deve saber quem é a pessoa em causa. Sei que há as situações de compra e venda do carro que podem baralhar o sistema, mas algures no livro de revisões isso deve constar, e aos quantos Km ocorreu. Estas ideias sobre manutenção automóvel são ainda um pouco avulsas, e seguramente será possível afinar muitos detalhes. Mas é por aqui que se tem que caminhar para acabar com a história do “sem IVA” versus “com IVA”.
Portugal, sei que há muito argumento por do estílo “como controlar a obediência a algumas disposições legais”, e que os mesmos impedem a adopção de muitas medidas válidas. Mas caramba, quem o não consegue fazer neste rectângulo com 10 milhões de habitantes deve ser muito inapto. Desculpas do género aseentam bem ao actual Governador do Banco de Portugal.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Portugal, solução (2)
QUINTA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2010
Decorrente da solução (1), a tua próxima solução é o congelamento imediato dos salários da função pública e acabares, se constitucionalmente possível, com esse absurdo e louco sistema de progressões automáticas. Estas progressões são uma brincadeira tonta que só pode ter sido introduzida por alguém que se devia ter dedicado a outra profissão que não a política. Este congelamento deverá ser válido até teres um superávit acumulado de 20% sobre o PIB no espaço de 5 anos consecutivos. Desta forma, os teus funcionários públicos farão uma aterragem adicional ao planeta Terra e terão algum estímulo para reverem a sua atitude no trabalho (quando aplicável, obviamente). Lembro-te que este grupo populacional vive, na sua maioria, no mundo dos desenhos animados. Por isso, já é altura de começarem a ver filmes, nomeadamente aqueles sobre a realidade.
Mas Portugal é claro que existe a questão dos mais produtivos entre os funcionários públicos. Serão certamente aqueles que estão dispostos a jogar o jogo pelo jogo e dispostos a seguirem as regras da concorrência e dos modelos mais competitivos. Sim, esses têm que ser premiados. Por isso uma componente variável terá que entrar em vigor de forma efectiva. Isto de se combinar com antecedência que corta tudo a meta ao mesmo tempo é uma grande batota.
Portugal é impossível dissociar a falta de produtividade da maioria do sector público com os impostos e dívida que os financiam. Neste mundo já não é mais possível pensar-se que se pode garantir um mesmo rendimento e sujeito a aumentos anuais garantidos quer produzamos 50, 60, 100 ou 200. Isto é inviável, e não vale o discurso do coitadinho, pois isso mais não é do que dar o flanco aos improdutivos, empatas, calões, e também aos que querem viver, descaradamente ou não, à conta dos outros. Por este critério da produtividade será até provável que alguns funcionários públicos possam ser aumentados. Mas sempre com atenção redobrada sobre os níveis de produtividade alcançados.
A todos os funcionários públicos lembrarei o seguinte. Se não gostam desta medida, podem sempre elaborar o seu Curriculum Vitae e começar a procurar outro trabalho. Isto é o que todos os outros trabalhadores fazem se não estão contentes. Ou pelo menos é o que é sensato fazer. Se não o fizerem é porque não estão assim tão mal onde estão, quanto mais não seja porque não se esforçam, ou não querem, ter melhor. Nestes casos responsabilizem-se a si e às suas decisões passadas e não rezinguem por aí. Se um governo vos passar estas mensagens acordarão de vez e podem agradecer ao Estado o facto de vos acabar por trazer a este mundo. Aquele onde vivem parece que existe, mas na realidade não existe. Ao contrário do que se diz para aí, a percepção não é a realidade.
Decorrente da solução (1), a tua próxima solução é o congelamento imediato dos salários da função pública e acabares, se constitucionalmente possível, com esse absurdo e louco sistema de progressões automáticas. Estas progressões são uma brincadeira tonta que só pode ter sido introduzida por alguém que se devia ter dedicado a outra profissão que não a política. Este congelamento deverá ser válido até teres um superávit acumulado de 20% sobre o PIB no espaço de 5 anos consecutivos. Desta forma, os teus funcionários públicos farão uma aterragem adicional ao planeta Terra e terão algum estímulo para reverem a sua atitude no trabalho (quando aplicável, obviamente). Lembro-te que este grupo populacional vive, na sua maioria, no mundo dos desenhos animados. Por isso, já é altura de começarem a ver filmes, nomeadamente aqueles sobre a realidade.
Mas Portugal é claro que existe a questão dos mais produtivos entre os funcionários públicos. Serão certamente aqueles que estão dispostos a jogar o jogo pelo jogo e dispostos a seguirem as regras da concorrência e dos modelos mais competitivos. Sim, esses têm que ser premiados. Por isso uma componente variável terá que entrar em vigor de forma efectiva. Isto de se combinar com antecedência que corta tudo a meta ao mesmo tempo é uma grande batota.
Portugal é impossível dissociar a falta de produtividade da maioria do sector público com os impostos e dívida que os financiam. Neste mundo já não é mais possível pensar-se que se pode garantir um mesmo rendimento e sujeito a aumentos anuais garantidos quer produzamos 50, 60, 100 ou 200. Isto é inviável, e não vale o discurso do coitadinho, pois isso mais não é do que dar o flanco aos improdutivos, empatas, calões, e também aos que querem viver, descaradamente ou não, à conta dos outros. Por este critério da produtividade será até provável que alguns funcionários públicos possam ser aumentados. Mas sempre com atenção redobrada sobre os níveis de produtividade alcançados.
A todos os funcionários públicos lembrarei o seguinte. Se não gostam desta medida, podem sempre elaborar o seu Curriculum Vitae e começar a procurar outro trabalho. Isto é o que todos os outros trabalhadores fazem se não estão contentes. Ou pelo menos é o que é sensato fazer. Se não o fizerem é porque não estão assim tão mal onde estão, quanto mais não seja porque não se esforçam, ou não querem, ter melhor. Nestes casos responsabilizem-se a si e às suas decisões passadas e não rezinguem por aí. Se um governo vos passar estas mensagens acordarão de vez e podem agradecer ao Estado o facto de vos acabar por trazer a este mundo. Aquele onde vivem parece que existe, mas na realidade não existe. Ao contrário do que se diz para aí, a percepção não é a realidade.
Portugal, solução (1)
QUINTA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, entre outras soluções para ti que se seguirão nos próximos tempos, irei começar pela mais antipática e dura de todas. Não quero, aliás, que penses que venho com pezinhos de lã e com discurso malicioso. Os problemas atacam-se com frontalidade e com maioridade, que é como quem diz, sem criancices e birras de menino mimado.
Por questões de calendarização peço-te que não avalies individualmente cada solução individualmente. As mesmas deverão ser vistas como um todo, e por conseguinte, a avaliação deverá ser feita no final quando for exequível ver o pacote total. Mas podes ir esperneando desde já porque esta primeira solução, embora nem seja a mais importante, já merecerá certamente o teu espanto e o teu horror.
Cá vai. Portugal, como te disse e já te apercebeste, consomes mais do que produzes. Isso tem que acabar. Solução: aumento do IVA para 25%. Com isto penso que se dá um passo importante para diminuir bastante o teu deficit. Eu sei que o teu problema é de despesa e não de receita, e que o lógico seria reduzir a massa salarial dos funcionários públicos aí uns 5 ou 10%. Mas como isso não é possível, então vai por onde é possível.
Como nesta fase até já haverá alguma rigidez no consumo, é de esperar que não ocorra muita turbulência no volume de actividade económica, pelo que é de esperar subida acentuada de receita. No entanto sempre se vai refreando os teus ímpetos consumistas que te atacaram desde 1986. Temos antes de dar freio a ímpetos de exportação e de redução de despesa pública. Esse é o caminho dos virtuosos. Inconcebível um País gastar por ano mais 10% do que aquilo que produz.
Portugal, uma lembrança. As exportações não estão sujeitas ao teu IVA, antes ao IVA dos países para onde exportas. Por isso as tuas actividades exportadoras não são afectadas. Claro que temos a excepção do Turismo, essa coisa muito importante para ti. Mas não creio que isso te vá afectar muito. O berrario que pode vir deste lado deverá ser considerado uma reacção corporativa… para variar. Já sabes, refilanço e berrario deve ser considerado um clássico indígena. Carregarás essa sonoridade pouco ecológica e edificante eternamente.
Portugal, mas mais do que a questão de compor o teu deficit, esta medida visa também fazer-te aterrar ao planeta Terra e iniciares um processo simbiótico entre ti e o que tu vales neste exacto momento, e a época histórica em que vives (com tudo o que as circunstâncias obrigam). Sim, a tal Globalização, essa coisa que é má quando temos que produzir e boa quando queremos consumir. Desta forma acordas de vez e perfilas-te em conformidade com as exigências que tens que te impor para te bateres neste jogo de competição económica mundial.
Portugal, e se quiseres baixar de novo o IVA então podes reflectir se não será melhor reduzires a massa salarial dos teus funcionários públicos. Com esta medida de subida da taxa normal de IVA, dura, sem dúvida, os trabalhadores privados talvez acordem o suficiente para encostar os trabalhadores do sector público à parede e exigir deles um nível de produtividade bem superior ao que hoje é fornecido. Não é com falas mansas e com diálogo guterrista que lá se vai.
Nota 1: os bens que são taxados com IVA a 5% e 12% não deverão ser mexidos de modo a evitar-se tocar nos bens essenciais.
Portugal, entre outras soluções para ti que se seguirão nos próximos tempos, irei começar pela mais antipática e dura de todas. Não quero, aliás, que penses que venho com pezinhos de lã e com discurso malicioso. Os problemas atacam-se com frontalidade e com maioridade, que é como quem diz, sem criancices e birras de menino mimado.
Por questões de calendarização peço-te que não avalies individualmente cada solução individualmente. As mesmas deverão ser vistas como um todo, e por conseguinte, a avaliação deverá ser feita no final quando for exequível ver o pacote total. Mas podes ir esperneando desde já porque esta primeira solução, embora nem seja a mais importante, já merecerá certamente o teu espanto e o teu horror.
Cá vai. Portugal, como te disse e já te apercebeste, consomes mais do que produzes. Isso tem que acabar. Solução: aumento do IVA para 25%. Com isto penso que se dá um passo importante para diminuir bastante o teu deficit. Eu sei que o teu problema é de despesa e não de receita, e que o lógico seria reduzir a massa salarial dos funcionários públicos aí uns 5 ou 10%. Mas como isso não é possível, então vai por onde é possível.
Como nesta fase até já haverá alguma rigidez no consumo, é de esperar que não ocorra muita turbulência no volume de actividade económica, pelo que é de esperar subida acentuada de receita. No entanto sempre se vai refreando os teus ímpetos consumistas que te atacaram desde 1986. Temos antes de dar freio a ímpetos de exportação e de redução de despesa pública. Esse é o caminho dos virtuosos. Inconcebível um País gastar por ano mais 10% do que aquilo que produz.
Portugal, uma lembrança. As exportações não estão sujeitas ao teu IVA, antes ao IVA dos países para onde exportas. Por isso as tuas actividades exportadoras não são afectadas. Claro que temos a excepção do Turismo, essa coisa muito importante para ti. Mas não creio que isso te vá afectar muito. O berrario que pode vir deste lado deverá ser considerado uma reacção corporativa… para variar. Já sabes, refilanço e berrario deve ser considerado um clássico indígena. Carregarás essa sonoridade pouco ecológica e edificante eternamente.
Portugal, mas mais do que a questão de compor o teu deficit, esta medida visa também fazer-te aterrar ao planeta Terra e iniciares um processo simbiótico entre ti e o que tu vales neste exacto momento, e a época histórica em que vives (com tudo o que as circunstâncias obrigam). Sim, a tal Globalização, essa coisa que é má quando temos que produzir e boa quando queremos consumir. Desta forma acordas de vez e perfilas-te em conformidade com as exigências que tens que te impor para te bateres neste jogo de competição económica mundial.
Portugal, e se quiseres baixar de novo o IVA então podes reflectir se não será melhor reduzires a massa salarial dos teus funcionários públicos. Com esta medida de subida da taxa normal de IVA, dura, sem dúvida, os trabalhadores privados talvez acordem o suficiente para encostar os trabalhadores do sector público à parede e exigir deles um nível de produtividade bem superior ao que hoje é fornecido. Não é com falas mansas e com diálogo guterrista que lá se vai.
Nota 1: os bens que são taxados com IVA a 5% e 12% não deverão ser mexidos de modo a evitar-se tocar nos bens essenciais.
O que se segue depois dos "Acordas" e "Fotografias"
TERÇA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2010
Para quem tem seguido este blog já provavelmente notou que tenho feito algumas análises sobre Portugal. Tem sido minha intenção reflectir sobre o nosso País dos dias de hoje, como eu o vejo (as “Fotografias”) e como muitos o não vêm (os “Acordas”). Estou ciente que as pessoas tendem exagerar na importância do momento histórico em que vivem, sobrevalorizando invariavelmente os perigos e riscos, e subvalorizando os sucessos e a força do País. Tentei ao máximo extirpar esta tendência das minhas análises para tirar o retrato de Portugal.
Não tem sido minha intenção produzir algo completo que abarque todos os domínios da vivência da nossa querida Nação Portuguesa. Não tenho, nem terei, sequer a ciência e o engenho para sonhar com tamanho empreendimento. Limitei-me a uma visão economicista, esse defeito muito em voga e com origem na minha curta formação académica. Assim, sai uma leitura um pouco enviesada. Enviesada mas com um consolo: sem resolvermos a nossa viabilidade económico-financeira não resolvemos muito do que há para resolver. Vitória pouco nobre de uma ciência menor.
Terminada esta fase, e como não podia deixar de ser, sinto-me forçado interiormente a avançar para as soluções. Seguirei a mesma lógica (Solução 1, 2, 3, etc.). Evitarei ao máximo cair em tecnicismos. Por duas razões: não é aconselhável fazê-lo em matérias de política global de um país, e porque não possuo informação detalhada. Sobre este último ponto direi mesmo que em Portugal abundam pessoas com capacidade técnica e com informação mais do que suficiente para elaborar excelentes estudos. Por este lado estamos bem servidos. A falha está toda do lado do decisor político, decisor que tem sido sistematicamente falho em cumprir com os mínimos que se exigem a quem representa o governo da Nação Portuguesa, ou mesmo de qualquer nação que se digne ser uma referência entre as nações. O que, aliás, neste momento não surpreenderá, nem mesmo ao mais distraído dos cidadãos. Entre a suprema lealdade à agenda própria e do grupo político a que se pertence, e ao atento jogo político ditado pelos calendários eleitorais, muito pouco sobra para dedicação a Portugal.
As soluções para os problemas são, por definição, sempre conflituantes para com os actores em cena. O que se passa ao nível do indivíduo quando este tem que tratar de assuntos que lhe são problemáticos, passa-se também ao nível de qualquer organização e ao nível de um país. As soluções fazem parte do processo de ajustamento contínuo que se faz entre o eu/nós e o meio ambiente. A relação simbiótica entre o eu/nós e o meio ambiente facilita o processo de mudança porque o encara como o estado natural das coisas. Quando não existe simbiose a mudança ocorrerá fatalmente a prazo por coerção externa, e quase sempre de uma forma dolorosa. Uma parte de Portugal está em simbiose com o mundo, mas a maioria está completamente dessincronizada com o mesmo. E esta parte de Portugal é maior do que pensamos.
Tenho noção de que muito do que irei expor nos próximos não colherá imediata simpatia e só com alguma dificuldade merecerá concordância geral. Esse é o preço a pagar pelo afastamento da realidade em que temos vivido. Mas mensagens doces e ao gosto do destinatário são para o diletante e para o governante fraco. As nações fortes não se podem compadecer com estas almas que mais não fazem do que enfraquecer e tolher um povo. Não sei ainda que caminho Portugal e os Portugueses querem seguir, mas sei bem que caminho escolhido quero que os meus descendentes Lusitanos estudem daqui a muitos anos. Arrepia-me pensar que talvez possa pertencer a uma geração fraca governada por gente fraca, onde um consolo pífio e degradante juntou um e outro no caminho para a decadência. Dos fracos não reza a história, e não vejo nada de racional ou de emotivo para não tomar o Português como um forte entre os mais fortes.
Neste particular considero vil e altamente pernicioso ver pessoas em lugares de responsabilidade serem incapazes de cumprir com as responsabilidades que lhes são exigidas. Isto não toca só ao decisor político. Outras forças, como os partidos, sindicatos, confederações empresariais, classes profissionais, etc, são incapazes, no geral, de pensar para além das fronteiras daquilo que julgam estar a defender. Esta incapacidade vai muito para além dos limites tomados como razoável. Não me enganarei se disser que existirá muita insanidade em vigor. E tomo como verdadeiro que um país não pode estar entregue aos dislates de meia dúzia de inconscientes atestados de agendas inviáveis.
Faço fé na Democracia como o melhor modelo de governação de um país. Embora não seja politicamente correcto dizê-lo, ou pelo menos expressar a dúvida, temo que isso não seja verdade para todos os povos. Até já houve quem considerasse a Democracia não recomendável para os povos meridionais, nomeadamente Portugal. Não penso que isto seja verdade. Portugal pode e deve ter Democracia. Mas deve muito mais do que a ter. Deve vivê-la e servir-se dela para si. E para isso precisa de viver em verdade e não em ilusão. A verdade anda ao serviço dos fortes e a ilusão ajusta-se bem aos fracos.
Por isso penso ser perfeitamente viável um diálogo de verdade entre o decisor político e todos os cidadãos. Não existe, nem existirá, nenhuma alma que me convença que escritos enleantes e retórica decorada segundo os padrões do momento pode eternamente marcar o ritmo. Isso fez doutrina mas tem estado a acabar aos poucos e de forma muito subtil. Só não percebe este novo virar de página quem está ainda no antigamente julgando-se estar na crista da onda. A verdade vai tomar o seu lugar, não como a redenção esperada de quem andou pelas trevas, mas simplesmente porque as pessoas querem cada vez mais, e de forma genuína, falar numa base verdadeira. Ou não fosse isso o resultado de tanta ilusão acumulada.
Para quem tem seguido este blog já provavelmente notou que tenho feito algumas análises sobre Portugal. Tem sido minha intenção reflectir sobre o nosso País dos dias de hoje, como eu o vejo (as “Fotografias”) e como muitos o não vêm (os “Acordas”). Estou ciente que as pessoas tendem exagerar na importância do momento histórico em que vivem, sobrevalorizando invariavelmente os perigos e riscos, e subvalorizando os sucessos e a força do País. Tentei ao máximo extirpar esta tendência das minhas análises para tirar o retrato de Portugal.
Não tem sido minha intenção produzir algo completo que abarque todos os domínios da vivência da nossa querida Nação Portuguesa. Não tenho, nem terei, sequer a ciência e o engenho para sonhar com tamanho empreendimento. Limitei-me a uma visão economicista, esse defeito muito em voga e com origem na minha curta formação académica. Assim, sai uma leitura um pouco enviesada. Enviesada mas com um consolo: sem resolvermos a nossa viabilidade económico-financeira não resolvemos muito do que há para resolver. Vitória pouco nobre de uma ciência menor.
Terminada esta fase, e como não podia deixar de ser, sinto-me forçado interiormente a avançar para as soluções. Seguirei a mesma lógica (Solução 1, 2, 3, etc.). Evitarei ao máximo cair em tecnicismos. Por duas razões: não é aconselhável fazê-lo em matérias de política global de um país, e porque não possuo informação detalhada. Sobre este último ponto direi mesmo que em Portugal abundam pessoas com capacidade técnica e com informação mais do que suficiente para elaborar excelentes estudos. Por este lado estamos bem servidos. A falha está toda do lado do decisor político, decisor que tem sido sistematicamente falho em cumprir com os mínimos que se exigem a quem representa o governo da Nação Portuguesa, ou mesmo de qualquer nação que se digne ser uma referência entre as nações. O que, aliás, neste momento não surpreenderá, nem mesmo ao mais distraído dos cidadãos. Entre a suprema lealdade à agenda própria e do grupo político a que se pertence, e ao atento jogo político ditado pelos calendários eleitorais, muito pouco sobra para dedicação a Portugal.
As soluções para os problemas são, por definição, sempre conflituantes para com os actores em cena. O que se passa ao nível do indivíduo quando este tem que tratar de assuntos que lhe são problemáticos, passa-se também ao nível de qualquer organização e ao nível de um país. As soluções fazem parte do processo de ajustamento contínuo que se faz entre o eu/nós e o meio ambiente. A relação simbiótica entre o eu/nós e o meio ambiente facilita o processo de mudança porque o encara como o estado natural das coisas. Quando não existe simbiose a mudança ocorrerá fatalmente a prazo por coerção externa, e quase sempre de uma forma dolorosa. Uma parte de Portugal está em simbiose com o mundo, mas a maioria está completamente dessincronizada com o mesmo. E esta parte de Portugal é maior do que pensamos.
Tenho noção de que muito do que irei expor nos próximos não colherá imediata simpatia e só com alguma dificuldade merecerá concordância geral. Esse é o preço a pagar pelo afastamento da realidade em que temos vivido. Mas mensagens doces e ao gosto do destinatário são para o diletante e para o governante fraco. As nações fortes não se podem compadecer com estas almas que mais não fazem do que enfraquecer e tolher um povo. Não sei ainda que caminho Portugal e os Portugueses querem seguir, mas sei bem que caminho escolhido quero que os meus descendentes Lusitanos estudem daqui a muitos anos. Arrepia-me pensar que talvez possa pertencer a uma geração fraca governada por gente fraca, onde um consolo pífio e degradante juntou um e outro no caminho para a decadência. Dos fracos não reza a história, e não vejo nada de racional ou de emotivo para não tomar o Português como um forte entre os mais fortes.
Neste particular considero vil e altamente pernicioso ver pessoas em lugares de responsabilidade serem incapazes de cumprir com as responsabilidades que lhes são exigidas. Isto não toca só ao decisor político. Outras forças, como os partidos, sindicatos, confederações empresariais, classes profissionais, etc, são incapazes, no geral, de pensar para além das fronteiras daquilo que julgam estar a defender. Esta incapacidade vai muito para além dos limites tomados como razoável. Não me enganarei se disser que existirá muita insanidade em vigor. E tomo como verdadeiro que um país não pode estar entregue aos dislates de meia dúzia de inconscientes atestados de agendas inviáveis.
Faço fé na Democracia como o melhor modelo de governação de um país. Embora não seja politicamente correcto dizê-lo, ou pelo menos expressar a dúvida, temo que isso não seja verdade para todos os povos. Até já houve quem considerasse a Democracia não recomendável para os povos meridionais, nomeadamente Portugal. Não penso que isto seja verdade. Portugal pode e deve ter Democracia. Mas deve muito mais do que a ter. Deve vivê-la e servir-se dela para si. E para isso precisa de viver em verdade e não em ilusão. A verdade anda ao serviço dos fortes e a ilusão ajusta-se bem aos fracos.
Por isso penso ser perfeitamente viável um diálogo de verdade entre o decisor político e todos os cidadãos. Não existe, nem existirá, nenhuma alma que me convença que escritos enleantes e retórica decorada segundo os padrões do momento pode eternamente marcar o ritmo. Isso fez doutrina mas tem estado a acabar aos poucos e de forma muito subtil. Só não percebe este novo virar de página quem está ainda no antigamente julgando-se estar na crista da onda. A verdade vai tomar o seu lugar, não como a redenção esperada de quem andou pelas trevas, mas simplesmente porque as pessoas querem cada vez mais, e de forma genuína, falar numa base verdadeira. Ou não fosse isso o resultado de tanta ilusão acumulada.
Esforço versus recompensa
SÁBADO, 23 DE JANEIRO DE 2010
Segundo Manuel Laranjeira
"Em Portugal, só uma parte mínima do esforço empregado redunda em trabalho utilizado. O resto é integralmente esforço desperdiçado. Como querem, pois, que haja amor ao trabalho, se o produto do trabalho representa uma insignificância que não valoriza senão uma parte mínima do esforço feito?"
É confrangedor como isto é verdade nas nossas organizações. Por isso somos mais pobres quando comparados com aqueles cujo nível de vida pretendemos atingir. Enquanto não interiorizarmos que se cuidarmos deste aspecto nas nossas organizações temos uma elevada probabilidade de ter brinde na conta bancária, tenderemos sempre a dizer que temos menos por causa disto e daquilo. A economia vale pelo valor produzido pelas organizações que a compõem. Desde há muito sempre pensámos que "íamos lá" ou pela liquidação dos ricos, ou pela entrada na CEE, ou pela acumulação de dívida, ou porque simplesmente nos prometiam que "íamos lá" por decreto oficial. Nada disto é verdade. Nós só "vamos lá" se nos organizarmos, dosearmos, e orientarmos o nosso esforço para algo que tenha valor. E o que tem valor é aquilo que os outros, livremente, estão dispostos a pagar por aquilo que produzimos. Por isso uns se andam a dar bem com a Globalização e outros não. Isto não é complicado, tem só que ser interiorizado.
Segundo Manuel Laranjeira
"Em Portugal, só uma parte mínima do esforço empregado redunda em trabalho utilizado. O resto é integralmente esforço desperdiçado. Como querem, pois, que haja amor ao trabalho, se o produto do trabalho representa uma insignificância que não valoriza senão uma parte mínima do esforço feito?"
É confrangedor como isto é verdade nas nossas organizações. Por isso somos mais pobres quando comparados com aqueles cujo nível de vida pretendemos atingir. Enquanto não interiorizarmos que se cuidarmos deste aspecto nas nossas organizações temos uma elevada probabilidade de ter brinde na conta bancária, tenderemos sempre a dizer que temos menos por causa disto e daquilo. A economia vale pelo valor produzido pelas organizações que a compõem. Desde há muito sempre pensámos que "íamos lá" ou pela liquidação dos ricos, ou pela entrada na CEE, ou pela acumulação de dívida, ou porque simplesmente nos prometiam que "íamos lá" por decreto oficial. Nada disto é verdade. Nós só "vamos lá" se nos organizarmos, dosearmos, e orientarmos o nosso esforço para algo que tenha valor. E o que tem valor é aquilo que os outros, livremente, estão dispostos a pagar por aquilo que produzimos. Por isso uns se andam a dar bem com a Globalização e outros não. Isto não é complicado, tem só que ser interiorizado.
Pequenas reflexões
SÁBADO, 23 DE JANEIRO DE 2010
Segundo Elbert Hubbard
“Uma máquina pode fazer as tarefas de cinquenta homens, mas máquina nenhuma é capaz de fazer o trabalho de um Homem extraordinário.”
“ Existe algo muito mais escasso, fino e raro que o talento. É o talento para reconhecer os talentosos”
Comentário: Em Portugal tendemos a nivelar por baixo e em cortar as asas aos melhores
“O professor é aquele que faz duas ideias crescerem onde antes só crescia uma”
Comentário: Em Portugal quantos o fazem?
“O maior erro na vida é o de ter sempre medo de errar”.
“Para evitar qualquer crítica, não diga nada, não faça nada e não seja nada.”
“Não crie desculpas – fale menos, faça mais e realize algo na vida”
Comentário: Há os que fazem as coisas acontecer, há os que vêm as coisas acontecer, e os que perguntam o que é que aconteceu. E há ainda os empatas, aqueles que não gostam mesmo nada de ver os outros a fazerem coisas e criam inúmeros obstáculos às realizações.
Segundo Elbert Hubbard
“Uma máquina pode fazer as tarefas de cinquenta homens, mas máquina nenhuma é capaz de fazer o trabalho de um Homem extraordinário.”
“ Existe algo muito mais escasso, fino e raro que o talento. É o talento para reconhecer os talentosos”
Comentário: Em Portugal tendemos a nivelar por baixo e em cortar as asas aos melhores
“O professor é aquele que faz duas ideias crescerem onde antes só crescia uma”
Comentário: Em Portugal quantos o fazem?
“O maior erro na vida é o de ter sempre medo de errar”.
“Para evitar qualquer crítica, não diga nada, não faça nada e não seja nada.”
“Não crie desculpas – fale menos, faça mais e realize algo na vida”
Comentário: Há os que fazem as coisas acontecer, há os que vêm as coisas acontecer, e os que perguntam o que é que aconteceu. E há ainda os empatas, aqueles que não gostam mesmo nada de ver os outros a fazerem coisas e criam inúmeros obstáculos às realizações.
Portugal, fotografia (12)
QUINTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, os teus melhores membros não se sentem atraídos para a política. O resultado numa palavra: desgraça.
Portugal, todos nós conhecemos pessoas que nos habituámos a considerar como elementos proeminentes e com grande valor acrescentado nas áreas em que se movem. Quando questionadas essas pessoas sobre uma veleidade no mundo da política com frequência ouve-se “Deus me livre”, “Nem pensar”, “É tudo uma malta que não interessa”, “O que é que lá vou fazer”, “Nisso não me meto”, etc.
Portugal, lembro-me de ler em 1999 um artigo sobre um proeminente líder empresarial onde o mesmo dizia: “a lógica dos políticos escapa-me totalmente”. Na altura fiquei um pouco aturdido e ainda pensei que se tratasse de um exagero. Hoje penso que não. Muitos outros empresários e outras pessoas proeminentes vêm demonstrando estupefacção sobre a nossa vida política. E no ponto em que estamos penso já não ser necessário ser-se muito iluminado ou informado para se concluir que a nossa lógica política e partidária é um absurdo enorme.
Portugal, a política é importante, quer queiras quer não queiras. Precisas com urgência de pessoas de qualidade na política. Tens que arranjar maneira de eles lá irem parar e de vingarem. Vingar não no sentido pérfido corrente do “safaram-se” ou “abotoaram-se”, fenómeno comprovadamente associado ao caciquismo e ao interesse individual. Digo vingar no sentido de os melhores elementos te darem o melhor que as suas capacidades permitirem através da política. O que se passa é que os teus políticos se servem de ti. E quando pontualmente te servem é com o objectivo primário de se servirem a si e ao grupo a que pertencem. E tratam sempre de manter contactos que sirvam outros interesses à posteriori, sejam estes interesses individuais ou de grupo (nunca os teus). São umas autênticas sanguessugas que te sugam e espremem eternamente. Enquanto os mecanismos partidários não forem alterados e estas prioridades não forem invertidas os melhores não se metem no covil dos traficantes de influências.
Portugal, nota bem, no actual cenário económico e social esta tendência maligna tende a piorar. A exiguidade da tua economia associada ao definhamento da mesma acelera o processo do “salve-se quem puder”. Isto misturado com o conceito de “nobless oblige” indígena acentuará a solidificação dos mecanismos pérfidos dos teus partidos políticos, criando-se desta forma barreiras ainda maiores à entrada na política dos teus melhores membros em virtude da atitude defensiva dos membros já instalados nos partidos. E não será fácil desmontar o esquema depois deste se ter solidificado.
Portugal nota o seguinte, as sociedades têm sempre um determinado volume de interesse, quer de grupo, quer individual. O mercado é um óptimo local onde se liberta o “interesse”. Se o mercado definha esse volume de interesse tratará de escolher outras vias para se saciar. O teu orçamento que o diga. Percebes o que quero dizer? Por isso é importante quebrar o actual retrato partidário e fazer jorrar lá para dentro outras gentes e outras motivações.
Portugal, talvez este retrato até já esteja a ser mudado. Muitos da geração dos quarenta, ou seja, os quarentões de sucesso que acharam mais graça ao chamamento do mercado há 20 anos atrás, sentem que descuraram muito a política. Não propriamente ao nível de se arrependerem de não terem seguido uma carreira política, mas acabam um pouco por olhar uns para os outros a pensar “porra, deixámos isto um bocadinho entregue aos bichos, deveríamos ter feito qualquer coisa”. Portugal, este sentimento existe, é genuíno, é sério, é puro, é humilde, e é emanado por pessoas que te amam. Sim Portugal, não te espantes, existem mesmo pessoas que te amam. E posso-te dizer que são bem diferentes dos políticos que tu andas a premiar.
---------------------------------------------------------------------------
Nota: impossível escrever este pequeno texto sem uma palavra de atenção aos actuais políticos que são sérios e bons. Existirão e merecem um grande bem-haja. É de herói.
Portugal, os teus melhores membros não se sentem atraídos para a política. O resultado numa palavra: desgraça.
Portugal, todos nós conhecemos pessoas que nos habituámos a considerar como elementos proeminentes e com grande valor acrescentado nas áreas em que se movem. Quando questionadas essas pessoas sobre uma veleidade no mundo da política com frequência ouve-se “Deus me livre”, “Nem pensar”, “É tudo uma malta que não interessa”, “O que é que lá vou fazer”, “Nisso não me meto”, etc.
Portugal, lembro-me de ler em 1999 um artigo sobre um proeminente líder empresarial onde o mesmo dizia: “a lógica dos políticos escapa-me totalmente”. Na altura fiquei um pouco aturdido e ainda pensei que se tratasse de um exagero. Hoje penso que não. Muitos outros empresários e outras pessoas proeminentes vêm demonstrando estupefacção sobre a nossa vida política. E no ponto em que estamos penso já não ser necessário ser-se muito iluminado ou informado para se concluir que a nossa lógica política e partidária é um absurdo enorme.
Portugal, a política é importante, quer queiras quer não queiras. Precisas com urgência de pessoas de qualidade na política. Tens que arranjar maneira de eles lá irem parar e de vingarem. Vingar não no sentido pérfido corrente do “safaram-se” ou “abotoaram-se”, fenómeno comprovadamente associado ao caciquismo e ao interesse individual. Digo vingar no sentido de os melhores elementos te darem o melhor que as suas capacidades permitirem através da política. O que se passa é que os teus políticos se servem de ti. E quando pontualmente te servem é com o objectivo primário de se servirem a si e ao grupo a que pertencem. E tratam sempre de manter contactos que sirvam outros interesses à posteriori, sejam estes interesses individuais ou de grupo (nunca os teus). São umas autênticas sanguessugas que te sugam e espremem eternamente. Enquanto os mecanismos partidários não forem alterados e estas prioridades não forem invertidas os melhores não se metem no covil dos traficantes de influências.
Portugal, nota bem, no actual cenário económico e social esta tendência maligna tende a piorar. A exiguidade da tua economia associada ao definhamento da mesma acelera o processo do “salve-se quem puder”. Isto misturado com o conceito de “nobless oblige” indígena acentuará a solidificação dos mecanismos pérfidos dos teus partidos políticos, criando-se desta forma barreiras ainda maiores à entrada na política dos teus melhores membros em virtude da atitude defensiva dos membros já instalados nos partidos. E não será fácil desmontar o esquema depois deste se ter solidificado.
Portugal nota o seguinte, as sociedades têm sempre um determinado volume de interesse, quer de grupo, quer individual. O mercado é um óptimo local onde se liberta o “interesse”. Se o mercado definha esse volume de interesse tratará de escolher outras vias para se saciar. O teu orçamento que o diga. Percebes o que quero dizer? Por isso é importante quebrar o actual retrato partidário e fazer jorrar lá para dentro outras gentes e outras motivações.
Portugal, talvez este retrato até já esteja a ser mudado. Muitos da geração dos quarenta, ou seja, os quarentões de sucesso que acharam mais graça ao chamamento do mercado há 20 anos atrás, sentem que descuraram muito a política. Não propriamente ao nível de se arrependerem de não terem seguido uma carreira política, mas acabam um pouco por olhar uns para os outros a pensar “porra, deixámos isto um bocadinho entregue aos bichos, deveríamos ter feito qualquer coisa”. Portugal, este sentimento existe, é genuíno, é sério, é puro, é humilde, e é emanado por pessoas que te amam. Sim Portugal, não te espantes, existem mesmo pessoas que te amam. E posso-te dizer que são bem diferentes dos políticos que tu andas a premiar.
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Nota: impossível escrever este pequeno texto sem uma palavra de atenção aos actuais políticos que são sérios e bons. Existirão e merecem um grande bem-haja. É de herói.
Portugal, fotografia (11)
SÁBADO, 16 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, só recentemente os teus habitantes perceberam um erro que acumularam durante 20 ou 25 anos: as pessoas têm que escolher actividades que o mercado quer e não aquelas que as pessoas querem. Pode parecer violento este tipo de castração, mas a experiência tem vindo a mostrar que a não observância desta máxima é bem mais violenta.
Portugal, culturalmente herdaste a ideia de que um canudo bastava. Esta ideia, válida na época dos teus ascendentes, formatou quase sempre as decisões das tuas gerações mais recentes. Agora a realidade provou-te que o pressuposto deixou de ser válido há muitos anos. Ainda assim, subsiste a ideia geral de que uma actividade meritória e de reconhecimento social deverá estar associada a profissões historicamente proeminentes, tais como advocacia, medicina ou até económicas (recuperando um termo pomposo). Mas o mundo mudou e hoje existe uma extensa lista de outras actividades que, embora sejam de difícil catalogação social, podem ser compensatórias no actual quadro económico.
Portugal, sabemos que estás mais atento nesta matéria, mas nos últimos 25 anos muitos dos teus habitantes mais esforçados nos estudos experimentaram frustrações perfeitamente desnecessárias. Isto provou-te que a cultura te pode trair se não estiveres atento. Canudo aliado a um bom fato e gravata já não são garantia de nada. As valências possuídas direccionadas para uma(s) actividade(s) concreta(s) são nos dias de hoje a fórmula para o sucesso. Que o digam muito informático com barba por fazer, de barbicha e piercing. E isto é válido para muitas outras áreas, mesmo aquelas que são, absurdamente, socialmente desprestigiantes (canalizadores, carpinteiros, etc). Por isso Portugal, trata de romper com estereótipos perfeitamente desajustados da realidade actual e trata de direccionar os teus residentes para aquilo que o mercado quer.
Mas Portugal, e porque às vezes te baralhas com as modas, não fiques cego. Pensa que por detrás de um trabalhador existe uma pessoa. Disciplinas não práticas são muito importantes na formatação do indivíduo, não numa óptica decorativa, mas no sentido de potenciação das valências centrais e na aquisição de outras valências relevantes no futuro na cada vez mais longa vida profissional. Não arrumes a um canto a matemática, a filosofia ou o português com base no argumento falacioso de que não são necessárias. Empacotar pessoas com standards mínimos com 20/21 anos não é a solução, principalmente quando a esperança de vida já vai para os 80 anos e isto das reformas não ser bem como no passado.
Portugal, como vamos ter que trabalhar cada vez mais anos tens que tratar bem da formatação das pessoas até aos 23/24 anos que é para puderem voar muitos anos sem sobressaltos desnecessários (já não bastam os sobressaltos ditados pela mudança, que é nos dias de hoje o estado natural das coisas).
Portugal, a mensagem é clara e sintética: adapta-te profissionalmente ao que o mundo quer e não aquilo que tu queres.
Portugal, só recentemente os teus habitantes perceberam um erro que acumularam durante 20 ou 25 anos: as pessoas têm que escolher actividades que o mercado quer e não aquelas que as pessoas querem. Pode parecer violento este tipo de castração, mas a experiência tem vindo a mostrar que a não observância desta máxima é bem mais violenta.
Portugal, culturalmente herdaste a ideia de que um canudo bastava. Esta ideia, válida na época dos teus ascendentes, formatou quase sempre as decisões das tuas gerações mais recentes. Agora a realidade provou-te que o pressuposto deixou de ser válido há muitos anos. Ainda assim, subsiste a ideia geral de que uma actividade meritória e de reconhecimento social deverá estar associada a profissões historicamente proeminentes, tais como advocacia, medicina ou até económicas (recuperando um termo pomposo). Mas o mundo mudou e hoje existe uma extensa lista de outras actividades que, embora sejam de difícil catalogação social, podem ser compensatórias no actual quadro económico.
Portugal, sabemos que estás mais atento nesta matéria, mas nos últimos 25 anos muitos dos teus habitantes mais esforçados nos estudos experimentaram frustrações perfeitamente desnecessárias. Isto provou-te que a cultura te pode trair se não estiveres atento. Canudo aliado a um bom fato e gravata já não são garantia de nada. As valências possuídas direccionadas para uma(s) actividade(s) concreta(s) são nos dias de hoje a fórmula para o sucesso. Que o digam muito informático com barba por fazer, de barbicha e piercing. E isto é válido para muitas outras áreas, mesmo aquelas que são, absurdamente, socialmente desprestigiantes (canalizadores, carpinteiros, etc). Por isso Portugal, trata de romper com estereótipos perfeitamente desajustados da realidade actual e trata de direccionar os teus residentes para aquilo que o mercado quer.
Mas Portugal, e porque às vezes te baralhas com as modas, não fiques cego. Pensa que por detrás de um trabalhador existe uma pessoa. Disciplinas não práticas são muito importantes na formatação do indivíduo, não numa óptica decorativa, mas no sentido de potenciação das valências centrais e na aquisição de outras valências relevantes no futuro na cada vez mais longa vida profissional. Não arrumes a um canto a matemática, a filosofia ou o português com base no argumento falacioso de que não são necessárias. Empacotar pessoas com standards mínimos com 20/21 anos não é a solução, principalmente quando a esperança de vida já vai para os 80 anos e isto das reformas não ser bem como no passado.
Portugal, como vamos ter que trabalhar cada vez mais anos tens que tratar bem da formatação das pessoas até aos 23/24 anos que é para puderem voar muitos anos sem sobressaltos desnecessários (já não bastam os sobressaltos ditados pela mudança, que é nos dias de hoje o estado natural das coisas).
Portugal, a mensagem é clara e sintética: adapta-te profissionalmente ao que o mundo quer e não aquilo que tu queres.
Segundo o Jornal de Negócios
SEXTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2010
Segundo o Jornal de Negócios:
O instituto que gere a dívida do Estado emitiu hoje um comunicado com o objectivo de contrariar a recente subida dos juros da dívida pública portuguesa. Numa mensagem que tem os investidores internacionais como destinatário, o IGCP afirma que o Orçamento do Estado vai ser apresentado até ao final deste mês, o Governo pretende reduzir o défice já este ano e está a negociar medidas nesse sentido com os partidos da oposição.
Num acto nada habitual, o IGCP difundiu um comunicado para o mercado, com o objectivo de chegar aos investidores internacionais, onde elenca as medidas adoptadas pelo executivo para controlar as finanças públicas portuguesas.
Este comunicado, assinado pelo presidente do IGCP, Alberto Soares, e difundido pela Bloomberg, surge depois de as “yields” da dívida pública portuguesa terem subido fortemente, devido aos receios dos investidores com a menor capacidade de Portugal em pagar a sua dívida pública.
Uma tendência que tem origem na situação problemática da Grécia – que a generalidade dos economistas considera ser muito mais grave que a portuguesa – mas que a Moody’s colocou “no mesmo saco”, ao afirmar que os dois países enfrentam uma situação de “morte lenta”.
A rendibilidade (yield) das Obrigações do Tesouro a 10 anos disparou nas últimas três sessões, encontrando-se agora nos 4,173%, o nível mais elevado desde Julho de 2009. Isto significa que os investidores estão a exigir um retorno maior para adquirirem dívida da República. Desde finais de Dezembro, a tensão no mercado em relação à dívida portuguesa disparou, um movimento que se intensificou nos últimos três dias, o que poderá explicar os esclarecimentos prestados hoje aos investidores pelo presidente do IGCP.
------------------------------------------------------------------------------------
A questão financeira em Portugal está já a ficar fora de controle. A população não está alertada para o facto, somente uns quantos o estão. O governo oculta a gravidade da situação. O povo anda a ser enganado.
Portugueses, preparai-vos
Segundo o Jornal de Negócios:
O instituto que gere a dívida do Estado emitiu hoje um comunicado com o objectivo de contrariar a recente subida dos juros da dívida pública portuguesa. Numa mensagem que tem os investidores internacionais como destinatário, o IGCP afirma que o Orçamento do Estado vai ser apresentado até ao final deste mês, o Governo pretende reduzir o défice já este ano e está a negociar medidas nesse sentido com os partidos da oposição.
Num acto nada habitual, o IGCP difundiu um comunicado para o mercado, com o objectivo de chegar aos investidores internacionais, onde elenca as medidas adoptadas pelo executivo para controlar as finanças públicas portuguesas.
Este comunicado, assinado pelo presidente do IGCP, Alberto Soares, e difundido pela Bloomberg, surge depois de as “yields” da dívida pública portuguesa terem subido fortemente, devido aos receios dos investidores com a menor capacidade de Portugal em pagar a sua dívida pública.
Uma tendência que tem origem na situação problemática da Grécia – que a generalidade dos economistas considera ser muito mais grave que a portuguesa – mas que a Moody’s colocou “no mesmo saco”, ao afirmar que os dois países enfrentam uma situação de “morte lenta”.
A rendibilidade (yield) das Obrigações do Tesouro a 10 anos disparou nas últimas três sessões, encontrando-se agora nos 4,173%, o nível mais elevado desde Julho de 2009. Isto significa que os investidores estão a exigir um retorno maior para adquirirem dívida da República. Desde finais de Dezembro, a tensão no mercado em relação à dívida portuguesa disparou, um movimento que se intensificou nos últimos três dias, o que poderá explicar os esclarecimentos prestados hoje aos investidores pelo presidente do IGCP.
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A questão financeira em Portugal está já a ficar fora de controle. A população não está alertada para o facto, somente uns quantos o estão. O governo oculta a gravidade da situação. O povo anda a ser enganado.
Portugueses, preparai-vos
Portugal, fotografia (10)
SÁBADO, 9 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, as tuas deficiências organizacionais são desesperantes. Quando se ouve por aí iluminados a dizer que “temos enormes deficiências organizacionais” temos que concordar que há todo o fundamento nisso. É que tu não entendes bem o conceito de Organização. Parece que é algo que é contra-natura com o teu ser. Mas francamente, nem é coisa por aí além. Claro que mete o factor humano, e isso complica sempre tudo, mas também não é o fim do mundo. O diabo com o factor humano é resolver conflitos como os existentes no médio oriente. Isso sim é complexo. Agora, uma Organização!
Por experiência própria tenho tido a oportunidade de lidar com a mudança em muitas organizações em Portugal e em diversas na Europa (sim, para mim isso é ainda coisa que fica acima do Pirinéus; eu encaro Portugal como pertencendo ao mundo). E a experiência que adquiri corrobora a 100% o “temos enormes deficiências organizacionais”.
E porquê? Porque basicamente a qualidade geral dos nossos gestores é fraca. Com uma agravante nada despicienda, que é julgarem-se melhores do que aquilo que são. A gestão é uma disciplina ainda pouco conhecida. Confundimo-la com a actividade do homem de negócios ou com o empresário, o que é errado, não sendo estes inclusivamente necessariamente bons nessa matéria. O faro que têm para o negócio secou-lhes as qualidades organizacionais. São uns nabos, com uma agravante: não gostam dos gestores porque estes lhes podem fazer sombra pelo facto de o vulgo confundir um e outro.
A imensa massa de Portugueses vai ainda fazendo jus daquela saída de Gaius Julius Caesar quando diz “Há nos confins da Ibéria um estranho povo, que não se governa, nem se deixa governar”. É impressionante como isto é verdade. Como se vê o casamento entre gestores e geridos não é bem sucedido. E isso nota-se pelo ódio mudo entre a classe dirigente e a classe dirigida.
Mas as coisas são como são, e a natureza das coisas diz-me que o ónus cabe a quem comanda. São estes a quem recai a obrigatoriedade de mudar a realidade deste casamento. Deverão ser os dirigentes a fundar novas realidades, pelo exemplo, pela abnegação, pela seriedade, pelo esforço, pela perspicácia, pela inteligência, pela forma como comunicam, e acima de tudo pelas qualidades organizacionais. Por isso Portugal, trata de arranjar um meio de mudar esta situação.
Dir-me-ás que não te posso exigir isso porque sou um grande defensor da iniciativa privada. É verdade, mas respondo-te que tens uma miríade de serviços públicos onde poderias praticar com excelência as melhores práticas organizacionais. E mais, até há muito bom gestor por aí à solta saídos recentemente de muitas faculdades de economia e com muita pós-graduação às costas. Aproveita isso. Eu sei que é difícil porque inventaste essa coisa do “cargo de confiança política”, que mais não é do que o “Job for the boys”. Segredo-te: livra-te do “boys” e arranja bons gestores públicos que queiram fazer carreira na gestão pública. Dá um ar da tua graça e manda uns pioneiros às grandes Écoles Publiques. Não é nada que um “shake hands” com o Sarkozy não resolva.
Portugal, não tenhas medo de te organizar. Vais ver que não dói, e até dá brinde no final. E olha, se levares isso como moda, conceito que adoras, aconselho-te a não te livrares do desenrascanço. Isso de mão dada com a disciplina organizacional faz o pleno.
Portugal, as tuas deficiências organizacionais são desesperantes. Quando se ouve por aí iluminados a dizer que “temos enormes deficiências organizacionais” temos que concordar que há todo o fundamento nisso. É que tu não entendes bem o conceito de Organização. Parece que é algo que é contra-natura com o teu ser. Mas francamente, nem é coisa por aí além. Claro que mete o factor humano, e isso complica sempre tudo, mas também não é o fim do mundo. O diabo com o factor humano é resolver conflitos como os existentes no médio oriente. Isso sim é complexo. Agora, uma Organização!
Por experiência própria tenho tido a oportunidade de lidar com a mudança em muitas organizações em Portugal e em diversas na Europa (sim, para mim isso é ainda coisa que fica acima do Pirinéus; eu encaro Portugal como pertencendo ao mundo). E a experiência que adquiri corrobora a 100% o “temos enormes deficiências organizacionais”.
E porquê? Porque basicamente a qualidade geral dos nossos gestores é fraca. Com uma agravante nada despicienda, que é julgarem-se melhores do que aquilo que são. A gestão é uma disciplina ainda pouco conhecida. Confundimo-la com a actividade do homem de negócios ou com o empresário, o que é errado, não sendo estes inclusivamente necessariamente bons nessa matéria. O faro que têm para o negócio secou-lhes as qualidades organizacionais. São uns nabos, com uma agravante: não gostam dos gestores porque estes lhes podem fazer sombra pelo facto de o vulgo confundir um e outro.
A imensa massa de Portugueses vai ainda fazendo jus daquela saída de Gaius Julius Caesar quando diz “Há nos confins da Ibéria um estranho povo, que não se governa, nem se deixa governar”. É impressionante como isto é verdade. Como se vê o casamento entre gestores e geridos não é bem sucedido. E isso nota-se pelo ódio mudo entre a classe dirigente e a classe dirigida.
Mas as coisas são como são, e a natureza das coisas diz-me que o ónus cabe a quem comanda. São estes a quem recai a obrigatoriedade de mudar a realidade deste casamento. Deverão ser os dirigentes a fundar novas realidades, pelo exemplo, pela abnegação, pela seriedade, pelo esforço, pela perspicácia, pela inteligência, pela forma como comunicam, e acima de tudo pelas qualidades organizacionais. Por isso Portugal, trata de arranjar um meio de mudar esta situação.
Dir-me-ás que não te posso exigir isso porque sou um grande defensor da iniciativa privada. É verdade, mas respondo-te que tens uma miríade de serviços públicos onde poderias praticar com excelência as melhores práticas organizacionais. E mais, até há muito bom gestor por aí à solta saídos recentemente de muitas faculdades de economia e com muita pós-graduação às costas. Aproveita isso. Eu sei que é difícil porque inventaste essa coisa do “cargo de confiança política”, que mais não é do que o “Job for the boys”. Segredo-te: livra-te do “boys” e arranja bons gestores públicos que queiram fazer carreira na gestão pública. Dá um ar da tua graça e manda uns pioneiros às grandes Écoles Publiques. Não é nada que um “shake hands” com o Sarkozy não resolva.
Portugal, não tenhas medo de te organizar. Vais ver que não dói, e até dá brinde no final. E olha, se levares isso como moda, conceito que adoras, aconselho-te a não te livrares do desenrascanço. Isso de mão dada com a disciplina organizacional faz o pleno.
Os motivos de Fernando Ulrich
QUINTA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2010
Já por várias vezes invoquei neste espaço o cuidado que temos que ter com a nossa banca nos tempos que se adivinham. Os bancos andam com margens negativas em algumas actividades, nomeadamente no crédito à habitação. Ou seja, perdem dinheiro neste segmento. Ora, este segmento representa cerca de 40% do crédito bancário dos nossos bancos. O grave é que os bancos financiam-se a curto / médio prazo no estrangeiro para financiar financiamentos de muito longo prazo já efectuados a um preço muito baixo (spreads de 0,3% a 1% para os contratos anteriores a 2007 / 2008). Ora as renovações dos contratos dos bancos face a credores estrangeiros estão a sair cada vez mais caro, fazendo com que o prejuízo vá aumentando.
No entanto, e por agora, as operações em Angola e noutros segmentos (empresas, crédito pessoal e automóvel) vão compensando o desastre do crédito à habitação. Perante um cenário menos famoso nestes outros segmentos no futuro próximo, o que não é difícil de imaginar, podemos pensar que alguns limites pouco aceitáveis possam vir a ser atingidos pela nossa banca.
E é aqui que entra o presidente do BPI, Fernando Ulrich, com a sua vinda a público a revelar os dados do estudo elaborado pela sua equipa de economia, que não ponho dúvidas ser de excelente qualidade. E que dizem? Dizem que o défice público é de 80% do PIB, e que se adicionarmos as dívidas das Regiões Autónomas, Autarquias e as responsabilidades das parcerias público privadas (PPP) então a dívida pública total atinge 100%. E a tendência prevista não é nada famosa se não fizermos o que há a fazer.
Onde começa o problema? O problema começa quando os mercados internacionais vão sinalizando que confiam menos na economia Portuguesa e na sua capacidade de resolver o seu problema de dívida, seja através do crescimento económico, da redução da despesa ou no aumento dos impostos, ou ainda no efeito combinado de todos estes elementos. E onde isto nos leva? Leva-nos ao aumento dos spreads que os bancos têm que pagar na renovação dos empréstimos que têm que renovar, o que, combinado com o spread fixo do crédito à habitação que praticaram aos clientes resulta no aumento do prejuízo.
Porquê o BPI a preocupar-se publicamente? Porque, e ao que sei, é o banco com maior peso do crédito à habitação no volume total de crédito, e porque, ao que parece, é o que praticou margens de spreads menores neste segmento. Logo, é o banco que vê esta realidade adversa entrar pela casa dentro com maior voracidade.
Qual o objectivo de Fernando Ulrich com esta intervenção? O seu objectivo é condicionar o orçamento de estado nas suas componentes de despesa e de investimentos públicos, que, de facto, são perfeitamente desajustados da nossa realidade. Tudo com a finalidade de não ver os credores internacionais aumentarem o prémio de risco a Portugal e consequentemente o preço a que compra o dinheiro.
É racional a sua intervenção? Sim, é do mais racional que há, não só do ponto de vista da instituição que defende, como da banca em geral, e do interesse de todo o Portugal. Só uma meia dúzia de pessoas se apercebe o que se anda a passar. A grande maioria está toda a dormir.
Vale a pena ir ao site do BPI e ver o estudo (nomeadamente páginas 28 a 32). Diabólico acreditar que, do meu ponto de vista, na cabeça do presidente do BPI o cenário pessimista que lá está é o mais provável de ocorrer. Só um ingénuo não percebe que esse é o sinal que foi dado ao governo. Pede-se ao governo que governe. Se não o fizer então está dado o pontapé de saída oficial dos nossos problemas bancários.
Já por várias vezes invoquei neste espaço o cuidado que temos que ter com a nossa banca nos tempos que se adivinham. Os bancos andam com margens negativas em algumas actividades, nomeadamente no crédito à habitação. Ou seja, perdem dinheiro neste segmento. Ora, este segmento representa cerca de 40% do crédito bancário dos nossos bancos. O grave é que os bancos financiam-se a curto / médio prazo no estrangeiro para financiar financiamentos de muito longo prazo já efectuados a um preço muito baixo (spreads de 0,3% a 1% para os contratos anteriores a 2007 / 2008). Ora as renovações dos contratos dos bancos face a credores estrangeiros estão a sair cada vez mais caro, fazendo com que o prejuízo vá aumentando.
No entanto, e por agora, as operações em Angola e noutros segmentos (empresas, crédito pessoal e automóvel) vão compensando o desastre do crédito à habitação. Perante um cenário menos famoso nestes outros segmentos no futuro próximo, o que não é difícil de imaginar, podemos pensar que alguns limites pouco aceitáveis possam vir a ser atingidos pela nossa banca.
E é aqui que entra o presidente do BPI, Fernando Ulrich, com a sua vinda a público a revelar os dados do estudo elaborado pela sua equipa de economia, que não ponho dúvidas ser de excelente qualidade. E que dizem? Dizem que o défice público é de 80% do PIB, e que se adicionarmos as dívidas das Regiões Autónomas, Autarquias e as responsabilidades das parcerias público privadas (PPP) então a dívida pública total atinge 100%. E a tendência prevista não é nada famosa se não fizermos o que há a fazer.
Onde começa o problema? O problema começa quando os mercados internacionais vão sinalizando que confiam menos na economia Portuguesa e na sua capacidade de resolver o seu problema de dívida, seja através do crescimento económico, da redução da despesa ou no aumento dos impostos, ou ainda no efeito combinado de todos estes elementos. E onde isto nos leva? Leva-nos ao aumento dos spreads que os bancos têm que pagar na renovação dos empréstimos que têm que renovar, o que, combinado com o spread fixo do crédito à habitação que praticaram aos clientes resulta no aumento do prejuízo.
Porquê o BPI a preocupar-se publicamente? Porque, e ao que sei, é o banco com maior peso do crédito à habitação no volume total de crédito, e porque, ao que parece, é o que praticou margens de spreads menores neste segmento. Logo, é o banco que vê esta realidade adversa entrar pela casa dentro com maior voracidade.
Qual o objectivo de Fernando Ulrich com esta intervenção? O seu objectivo é condicionar o orçamento de estado nas suas componentes de despesa e de investimentos públicos, que, de facto, são perfeitamente desajustados da nossa realidade. Tudo com a finalidade de não ver os credores internacionais aumentarem o prémio de risco a Portugal e consequentemente o preço a que compra o dinheiro.
É racional a sua intervenção? Sim, é do mais racional que há, não só do ponto de vista da instituição que defende, como da banca em geral, e do interesse de todo o Portugal. Só uma meia dúzia de pessoas se apercebe o que se anda a passar. A grande maioria está toda a dormir.
Vale a pena ir ao site do BPI e ver o estudo (nomeadamente páginas 28 a 32). Diabólico acreditar que, do meu ponto de vista, na cabeça do presidente do BPI o cenário pessimista que lá está é o mais provável de ocorrer. Só um ingénuo não percebe que esse é o sinal que foi dado ao governo. Pede-se ao governo que governe. Se não o fizer então está dado o pontapé de saída oficial dos nossos problemas bancários.
A espera como substituto do argumento
QUARTA-FEIRA, 6 DE JANEIRO DE 2010
Tenho com frequência produzido posts com os títulos de "Portugal, acorda" e "Portugal, fotografia". Tenho ainda mais umas poucas "fotografias" na agenda. Posteriormente passarei às "soluções". Tem sido minha ideia perceber o que se anda a passar em Portugal e de tentar produzir soluções. Poucas pessoas ligam ao nosso País e quase ningém para ele olha sem ser pelo seu prisma individual. Tenho desgosto no facto, mas tenho muita esperança que isso mude. Por exemplo, é impressionante como pouco ou nada se liga à hecatombe demográfica em curso. Já nos dias de hoje saio e reparo que existem pouquíssimas crianças / bébes. Isto vai ter impactos brutais em Portugal. Terá ainda impactos psicológicos no futuro no nosso sentir a sociedade que nem suspeitamos hoje em dia.
Embora seja um optimista, tenho fundadas razões estar pessimista para Portugal se nada for feito. Não existem evidências nenhumas de mudança de rumo, seja a que nível for. A nível económico e financeiro a situação vai rebentar daqui a 2 ou 3 anos. Hoje Martim Avillez Figueiredo falou em "situação explosiva" na TV2. O discurso recente do Presidente da República também o mencionou. O défice corre à razão de 2 milhões de euros por hora, e penso que este número subirá, pelo que vai haver mesmo turbulência (e já nem invoco o desemprego crescente).
A atitude do tipo "ora, crises sempre existiram" vai ter uma surpresa. Temos um problema como nunca tivemos. Eu sei que quem vive as situações no momento tende sempre a sobrevalorizar o seu momento histórico face a outros já ocorridos. Mas realmente há uma vaga (já discorri sobre isso em diversos posts) forte e profunda de corrosão que vem a caminho. Vai ser como que um terramoto social prolongado no tempo. Terramoto, muito, muito poderoso, e todo ele fabricado por nós. Não vamos gostar dele e vamos sentir amargamente o real absurdo que é conhecermos as suas causas e toda a história da sua formação. Impressionante como quase todos os responsáveis se recusam a reconhecer a realidade e lutar contra ela.
Sei que por defeito de formação dou muita ênfase à área económica e financeira nos posts que tenho produzido. Defendendo a minha dama, direi que sem a economia e as finanças devidamente afinadas não podemos carburar adequadamente nas outras áreas (embora isto não seja válido a 100%). Infelizmente o sector social vai-se ressentir bastante com os nossos desiquilibrios económicos e financeiros.
Paralelamente, e naquilo que é independente da carteira, não vamos marcando pontos. Esta história do casamento homossexual é demasido nauseabunta para ser verdade, não só pelo dislate da matéria, como pela total inoportunidade. O navio afunda-se e está-se a discutir a decoração do convés. Isto é um clássico do comportamento humano. Quem tem medo da adversa realidade em que se encontra inventa outros assuntos menores para manter aquela em boa distância e conservar uma triste e falsa ilusão. Cambada de fracos.
Existe uma característica que não tenho visto nas pessoas: altruismo. Como disse, sinto que têm pouca apetência em se preocupar com Portugal. É impressionante como as pessoas vivem mergulhadas nos seus "eus". Parece que o mundo acaba nas suas fronteiras físicas. Hoje não é permitido tomar medidas para o bem comum pelo simples facto de as mesmas puderem perturbar um qualquer interesse instalado. Nesse momento solta-se a berraria. A fórmula, bem atestada de adeptos, tem provado funcionar, pelo que o argumento tem sido invariavelmente batido pelo nível sonoro. E quando este está de mãos dadas com a "moda" até o melhor argumento é visto com total desdém. Enfim, são os tempos de hoje, "modernos", claro, onde a "modernidade" servida por um sorriso ardiloso e de esguelha é o melhor substituto do argumento.
É impressionante como as pessoas têm certezas sobre tudo e sobre nada e emprestam pouca argumentação ao diálogo. Há muito expediente para tomar posições imediatas sobre tudo e sobre nada, e pouca substância no argumento que suporte ideias sólidas. Os homens sábios funcionam ao contrário. Francis Bacon dizia que a sabedoria simulada é quem dá por adquirido aquilo que não sabe bem explicar, e quem passa muito rapidamente de um tema para o outro sem se deter muito sobre um mesmo tópico. Noto isso em inúmeras conversas em que o outro tem uma tremenda dificuldade no argumento, mas está sempre ciente da sua razão. E já nem falo ao nível da contra argumentação. É uma brutal falência do diálogo.
A busca da verdade pelo diálogo é coisa difícil de alcançar nos dias de hoje. Mas como a verdade é daquelas coisas que insistentemente vem ao de cima, e como quando se fala, por exemplo, em medidas difíceis para reduzir o défice e a dívida total do País vêm logo os "modernos" e seus acólito defensores com risinhos e encolheres de ombros ocos e ignorantes (juntem-se aqui quase todos os funcionários públicos que vivem, e para quem não sabe, no mundo dos desenhos animados), esperemos democraticamente pela realidade que vem aí.
Temos a espera como substituto - efémero - do argumento.
Tenho com frequência produzido posts com os títulos de "Portugal, acorda" e "Portugal, fotografia". Tenho ainda mais umas poucas "fotografias" na agenda. Posteriormente passarei às "soluções". Tem sido minha ideia perceber o que se anda a passar em Portugal e de tentar produzir soluções. Poucas pessoas ligam ao nosso País e quase ningém para ele olha sem ser pelo seu prisma individual. Tenho desgosto no facto, mas tenho muita esperança que isso mude. Por exemplo, é impressionante como pouco ou nada se liga à hecatombe demográfica em curso. Já nos dias de hoje saio e reparo que existem pouquíssimas crianças / bébes. Isto vai ter impactos brutais em Portugal. Terá ainda impactos psicológicos no futuro no nosso sentir a sociedade que nem suspeitamos hoje em dia.
Embora seja um optimista, tenho fundadas razões estar pessimista para Portugal se nada for feito. Não existem evidências nenhumas de mudança de rumo, seja a que nível for. A nível económico e financeiro a situação vai rebentar daqui a 2 ou 3 anos. Hoje Martim Avillez Figueiredo falou em "situação explosiva" na TV2. O discurso recente do Presidente da República também o mencionou. O défice corre à razão de 2 milhões de euros por hora, e penso que este número subirá, pelo que vai haver mesmo turbulência (e já nem invoco o desemprego crescente).
A atitude do tipo "ora, crises sempre existiram" vai ter uma surpresa. Temos um problema como nunca tivemos. Eu sei que quem vive as situações no momento tende sempre a sobrevalorizar o seu momento histórico face a outros já ocorridos. Mas realmente há uma vaga (já discorri sobre isso em diversos posts) forte e profunda de corrosão que vem a caminho. Vai ser como que um terramoto social prolongado no tempo. Terramoto, muito, muito poderoso, e todo ele fabricado por nós. Não vamos gostar dele e vamos sentir amargamente o real absurdo que é conhecermos as suas causas e toda a história da sua formação. Impressionante como quase todos os responsáveis se recusam a reconhecer a realidade e lutar contra ela.
Sei que por defeito de formação dou muita ênfase à área económica e financeira nos posts que tenho produzido. Defendendo a minha dama, direi que sem a economia e as finanças devidamente afinadas não podemos carburar adequadamente nas outras áreas (embora isto não seja válido a 100%). Infelizmente o sector social vai-se ressentir bastante com os nossos desiquilibrios económicos e financeiros.
Paralelamente, e naquilo que é independente da carteira, não vamos marcando pontos. Esta história do casamento homossexual é demasido nauseabunta para ser verdade, não só pelo dislate da matéria, como pela total inoportunidade. O navio afunda-se e está-se a discutir a decoração do convés. Isto é um clássico do comportamento humano. Quem tem medo da adversa realidade em que se encontra inventa outros assuntos menores para manter aquela em boa distância e conservar uma triste e falsa ilusão. Cambada de fracos.
Existe uma característica que não tenho visto nas pessoas: altruismo. Como disse, sinto que têm pouca apetência em se preocupar com Portugal. É impressionante como as pessoas vivem mergulhadas nos seus "eus". Parece que o mundo acaba nas suas fronteiras físicas. Hoje não é permitido tomar medidas para o bem comum pelo simples facto de as mesmas puderem perturbar um qualquer interesse instalado. Nesse momento solta-se a berraria. A fórmula, bem atestada de adeptos, tem provado funcionar, pelo que o argumento tem sido invariavelmente batido pelo nível sonoro. E quando este está de mãos dadas com a "moda" até o melhor argumento é visto com total desdém. Enfim, são os tempos de hoje, "modernos", claro, onde a "modernidade" servida por um sorriso ardiloso e de esguelha é o melhor substituto do argumento.
É impressionante como as pessoas têm certezas sobre tudo e sobre nada e emprestam pouca argumentação ao diálogo. Há muito expediente para tomar posições imediatas sobre tudo e sobre nada, e pouca substância no argumento que suporte ideias sólidas. Os homens sábios funcionam ao contrário. Francis Bacon dizia que a sabedoria simulada é quem dá por adquirido aquilo que não sabe bem explicar, e quem passa muito rapidamente de um tema para o outro sem se deter muito sobre um mesmo tópico. Noto isso em inúmeras conversas em que o outro tem uma tremenda dificuldade no argumento, mas está sempre ciente da sua razão. E já nem falo ao nível da contra argumentação. É uma brutal falência do diálogo.
A busca da verdade pelo diálogo é coisa difícil de alcançar nos dias de hoje. Mas como a verdade é daquelas coisas que insistentemente vem ao de cima, e como quando se fala, por exemplo, em medidas difíceis para reduzir o défice e a dívida total do País vêm logo os "modernos" e seus acólito defensores com risinhos e encolheres de ombros ocos e ignorantes (juntem-se aqui quase todos os funcionários públicos que vivem, e para quem não sabe, no mundo dos desenhos animados), esperemos democraticamente pela realidade que vem aí.
Temos a espera como substituto - efémero - do argumento.
Portugal, fotografia (9)
DOMINGO, 3 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, tens uma quantidade anormalmente grande de corruptos e de pessoas que fogem aos impostos. Isto demonstra o alheamento de muitos do bem comum, e de como se deve viver em comunidade. Isto demonstra a fraca coesão social existente. Demonstra também que não existe confiança suficiente sobre o destino dado aos impostos. Mas pode demonstrar mais. Pode demonstrar que o nível de bens e serviços que dás em troca do que cobras não está em sintonia com o valor percepcionado pelos cidadãos. Sabemos que há erros de percepção, mas sabemos também que, às vezes, não há. Sabemos também que por não conseguires cobrares em condições, taxas a torto e a direito, de modo a cobrares num lado onde não consegues cobrar no outro, subvertendo assim o sentido dos impostos. Queixas-te, e com razão, dos faltosos, mas também faltas muito com os não faltosos.
Portugal, não é possível pensares em aspirar ter um nível de serviços públicos ao nível Europeu se uma parte dos seus beneficiários não pagarem os seus impostos e/ou e forem corruptos. Sem contar que é de uma injustiça tremenda existirem cidadãos que se passeiam (os mais descarados até se pavoneiam) entre os zelosos cumpridores. Isto são facadas autênticas na sociedade. Não sei a melhor forma de apanhar os faltosos, mas gostaria que tu soubesses. Portugal, o teu Estado teve o privilégio de ter um trabalhador a quem pagaste bem e que te fez efectivar muita cobrança. Talvez isso faça pensar que é antes na qualidade dos teus quadros que está a solução, e não quantidade de “funcionários”. Dizem-me os sentidos que tens de ter muito “intelligence” nos teus departamentos de finanças. E para controlar 10 milhões nem deve ser assim tão difícil montar uma equipa com as competências necessárias.
Portugal, para tornar o sistema menos convidativo à fuga, sugeria repensares todos os impostos que cobras. Isto de modo a eliminar o critério em vigor: cobrar onde se chega e se pode. Se existir uma lógica e um sentido nos impostos, e claro, um mínimo de bens e serviços em troca, as pessoas sentir-se-ão menos tentadas a fugir. Por isso pensa bem em aumentar uns e baixar outros (ou até eliminá-los). Tudo com o intuito de dar um sentido a todos eles no momento histórico em que te encontras e nas circunstâncias que te rodeiam. Não te rales se vierem uns a dizer que são prejudicados. Se há coisa que existiu, existe, e existirá sempre, é descontentes dispostos a berrar por tudo e coisa nenhuma e aos quais não faltam chefes de claque atestados de outras agendas e ansiosos por manipularem emoções.
Portugal, cedo ou tarde esta mexida nos impostos vai acontecer. A globalização é uma realidade fortíssima. E com o empurrão que esta crise internacional te vai dar a coisa vai ocorrer mais cedo do que pensas. E se não vai por vontade própria dos nossos políticos, vai com a vontade externa dos credores internacionais, da UE, e do FMI, tudo gente com uma força dos diabos. Como sempre, há quem já viu isto, quem não quer ver, e quem não vai nunca entender. Está nas tuas mãos fazê-lo com cabeça e com um sentido lógico, ou então será feito por mãos alheias e em obediência cega à lógica da maximização da cobrança.
Portugal, uma palavra sobre a corrupção. É um verdadeiro cancro. Não se vê, é silenciosa, corrói que se farta, e tende a espalhar-se. Quem a pratica são os ignóbeis, e os falhados desta vida. E estes andam em todo o lado, desde os corredores do poder até às ruelas mais estreitas. Os primeiros são até de fácil identificação, o que faz supor que só depende da tua vontade para os apanhar (pois é, tens tido muitos governantes de braço dado com eles, não é?). Os segundos não, são muitos e deve ser complicado apanhá-los. Não sei quem te faz mais mossa, se uns quantos leões se uma bando enorme de hienas. Talvez vá pelas hienas, pois têm o efeito do número e estão bem espalhadas por todo o País. Seja como for, é uma catástrofe não ser possível levá-los a todos à justiça e condená-los em conformidade. Barbaridade.
Portugal, tens uma quantidade anormalmente grande de corruptos e de pessoas que fogem aos impostos. Isto demonstra o alheamento de muitos do bem comum, e de como se deve viver em comunidade. Isto demonstra a fraca coesão social existente. Demonstra também que não existe confiança suficiente sobre o destino dado aos impostos. Mas pode demonstrar mais. Pode demonstrar que o nível de bens e serviços que dás em troca do que cobras não está em sintonia com o valor percepcionado pelos cidadãos. Sabemos que há erros de percepção, mas sabemos também que, às vezes, não há. Sabemos também que por não conseguires cobrares em condições, taxas a torto e a direito, de modo a cobrares num lado onde não consegues cobrar no outro, subvertendo assim o sentido dos impostos. Queixas-te, e com razão, dos faltosos, mas também faltas muito com os não faltosos.
Portugal, não é possível pensares em aspirar ter um nível de serviços públicos ao nível Europeu se uma parte dos seus beneficiários não pagarem os seus impostos e/ou e forem corruptos. Sem contar que é de uma injustiça tremenda existirem cidadãos que se passeiam (os mais descarados até se pavoneiam) entre os zelosos cumpridores. Isto são facadas autênticas na sociedade. Não sei a melhor forma de apanhar os faltosos, mas gostaria que tu soubesses. Portugal, o teu Estado teve o privilégio de ter um trabalhador a quem pagaste bem e que te fez efectivar muita cobrança. Talvez isso faça pensar que é antes na qualidade dos teus quadros que está a solução, e não quantidade de “funcionários”. Dizem-me os sentidos que tens de ter muito “intelligence” nos teus departamentos de finanças. E para controlar 10 milhões nem deve ser assim tão difícil montar uma equipa com as competências necessárias.
Portugal, para tornar o sistema menos convidativo à fuga, sugeria repensares todos os impostos que cobras. Isto de modo a eliminar o critério em vigor: cobrar onde se chega e se pode. Se existir uma lógica e um sentido nos impostos, e claro, um mínimo de bens e serviços em troca, as pessoas sentir-se-ão menos tentadas a fugir. Por isso pensa bem em aumentar uns e baixar outros (ou até eliminá-los). Tudo com o intuito de dar um sentido a todos eles no momento histórico em que te encontras e nas circunstâncias que te rodeiam. Não te rales se vierem uns a dizer que são prejudicados. Se há coisa que existiu, existe, e existirá sempre, é descontentes dispostos a berrar por tudo e coisa nenhuma e aos quais não faltam chefes de claque atestados de outras agendas e ansiosos por manipularem emoções.
Portugal, cedo ou tarde esta mexida nos impostos vai acontecer. A globalização é uma realidade fortíssima. E com o empurrão que esta crise internacional te vai dar a coisa vai ocorrer mais cedo do que pensas. E se não vai por vontade própria dos nossos políticos, vai com a vontade externa dos credores internacionais, da UE, e do FMI, tudo gente com uma força dos diabos. Como sempre, há quem já viu isto, quem não quer ver, e quem não vai nunca entender. Está nas tuas mãos fazê-lo com cabeça e com um sentido lógico, ou então será feito por mãos alheias e em obediência cega à lógica da maximização da cobrança.
Portugal, uma palavra sobre a corrupção. É um verdadeiro cancro. Não se vê, é silenciosa, corrói que se farta, e tende a espalhar-se. Quem a pratica são os ignóbeis, e os falhados desta vida. E estes andam em todo o lado, desde os corredores do poder até às ruelas mais estreitas. Os primeiros são até de fácil identificação, o que faz supor que só depende da tua vontade para os apanhar (pois é, tens tido muitos governantes de braço dado com eles, não é?). Os segundos não, são muitos e deve ser complicado apanhá-los. Não sei quem te faz mais mossa, se uns quantos leões se uma bando enorme de hienas. Talvez vá pelas hienas, pois têm o efeito do número e estão bem espalhadas por todo o País. Seja como for, é uma catástrofe não ser possível levá-los a todos à justiça e condená-los em conformidade. Barbaridade.
Portugal, fotografia (8)
SÁBADO, 2 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, no teu rectângulo é o diabo cobrar dívidas e assumir responsabilidades. Portugal tens uma percentagem demasiado elevada de devedores desavergonhados que não têm um mínimo de pudor em não pagar o que devem. Há uns anos ia-me questionando sobre os motivos pelos quais os bancos queriam sempre segurar-se por todos os meios quando concediam empréstimos. Entendia ser um exagero toda a panóplia de meios de que os bancos se socorriam para se salvaguardar, facto que originava sempre inúmeras experiências e consequentes histórias. E, claro, nessas histórias os maus eram sempre os bancos. Agora, já mais vivido, e com melhor conhecimento da massa de que se fazem alguns lusitanos, dou muito desconto à atitude dos bancos.
Não é fácil compreender este fenómeno. Ele não se verifica necessariamente onde existam pessoas com poucos rendimentos. Claro que quem não tem não pode pagar. No entanto, este argumento tem, muitas vezes, costas largas. Mas quem pode e se recusa a pagar dívidas já talvez pertença ao clube dos doentes (conclusão com base empírica, obviamente). Entre um extremo e outro, caiem talvez a maioria das pessoas. E diria que aqui temos os casos mais graves pois evidenciam defeitos nada abonatórios para quem não cumpre e que talvez caracterizem outros segmentos da população. São eles o desleixo nas contas e respectiva incapacidade de viver dentro de orçamentos, e o viver constantemente acima das possibilidades.
Estes dois defeitos combinados são nefastos ao pagamento de dívidas. Por serem talvez congénitos, por darem boa assistência a quem quer fugir da realidade, por ligarem bem com o sol e o clima temperado, muitos Portugueses de bom coração viverão até em conflito pelo facto de não saberem como lidar com a situação de querer cumprir e não o conseguir por inépcia. E, cereja em cima do bolo, quando a coisa atinge o insuportável sacam de outro conceito da cartola que não vem nada dar boa assistência. Chama-se orgulho, que não sendo propriamente um defeito, pode-o vir a ser se utilizado inoportunamente. E é-o amiúde, pois recusando-se o devedor a ver as causas da situação a que chegou, torna a sua situação insolúvel pelo orgulho de que se cercou. E assim nasce a irresponsabilidade.
Nas empresas ocorre o mesmo fenómeno. É quase de bom tom pagar fora de horas, como se isso fosse consequência de um sentimento de poder de uma parte relativamente à outra, uma demonstração de força de que muitas vezes os nossos gestores sentem vontade de demonstrar. Pagar a horas é coisa para “bimbos” e para “patós”. Como isto deve ser de difícil compreensão a um saxónico ou a um nórdico.
Sabemos hoje que este fenómeno é funesto para a economia. Perturba a gestão financeira das empresas e desvia o esforço de recursos humanos para assuntos sem nenhum valor acrescentado para a actividade "core". O abalo ao normal funcionamento de algumas tesourarias pode ser mesmo motivo de falência. Todo este odor de desconfiança na atmosfera económica pode, no limite, até desincentivar alguns projectos.
Portugal, seria de supor que o teu Estado, espectador de eleição, e também actor da economia, pelos seus bons exemplos viesse corrigir de alguma forma esta chaga. Só que o teu Estado é um dos maiores desleixados nos pagamentos. Isto é, obviamente, inconcebível, não só pelos transtornos causados às empresas / indivíduos credores, como também pelos sinais que emite para todo o tecido social.
Portugal, este tópico começa-te a prejudicar muito, não só enquanto elemento perturbador da vida económica corrente, mas também como factor que prejudica na captação de investimento estrangeiro de que urgentemente precisas. E o pior Portugal, é que para além de seres um mau intérprete nesta cena, ainda por cima não a contornas adequadamente na via judicial. Consta que executar dívidas judicialmente só lá para as calendas.
Portugal, cuida bem deste assunto, que é bem mais importante do que julgas. Se ainda dúvidas, então a crise financeira que te vai chegar ao longo dos próximos 5 anos vai dizer-te porquê.
Portugal, no teu rectângulo é o diabo cobrar dívidas e assumir responsabilidades. Portugal tens uma percentagem demasiado elevada de devedores desavergonhados que não têm um mínimo de pudor em não pagar o que devem. Há uns anos ia-me questionando sobre os motivos pelos quais os bancos queriam sempre segurar-se por todos os meios quando concediam empréstimos. Entendia ser um exagero toda a panóplia de meios de que os bancos se socorriam para se salvaguardar, facto que originava sempre inúmeras experiências e consequentes histórias. E, claro, nessas histórias os maus eram sempre os bancos. Agora, já mais vivido, e com melhor conhecimento da massa de que se fazem alguns lusitanos, dou muito desconto à atitude dos bancos.
Não é fácil compreender este fenómeno. Ele não se verifica necessariamente onde existam pessoas com poucos rendimentos. Claro que quem não tem não pode pagar. No entanto, este argumento tem, muitas vezes, costas largas. Mas quem pode e se recusa a pagar dívidas já talvez pertença ao clube dos doentes (conclusão com base empírica, obviamente). Entre um extremo e outro, caiem talvez a maioria das pessoas. E diria que aqui temos os casos mais graves pois evidenciam defeitos nada abonatórios para quem não cumpre e que talvez caracterizem outros segmentos da população. São eles o desleixo nas contas e respectiva incapacidade de viver dentro de orçamentos, e o viver constantemente acima das possibilidades.
Estes dois defeitos combinados são nefastos ao pagamento de dívidas. Por serem talvez congénitos, por darem boa assistência a quem quer fugir da realidade, por ligarem bem com o sol e o clima temperado, muitos Portugueses de bom coração viverão até em conflito pelo facto de não saberem como lidar com a situação de querer cumprir e não o conseguir por inépcia. E, cereja em cima do bolo, quando a coisa atinge o insuportável sacam de outro conceito da cartola que não vem nada dar boa assistência. Chama-se orgulho, que não sendo propriamente um defeito, pode-o vir a ser se utilizado inoportunamente. E é-o amiúde, pois recusando-se o devedor a ver as causas da situação a que chegou, torna a sua situação insolúvel pelo orgulho de que se cercou. E assim nasce a irresponsabilidade.
Nas empresas ocorre o mesmo fenómeno. É quase de bom tom pagar fora de horas, como se isso fosse consequência de um sentimento de poder de uma parte relativamente à outra, uma demonstração de força de que muitas vezes os nossos gestores sentem vontade de demonstrar. Pagar a horas é coisa para “bimbos” e para “patós”. Como isto deve ser de difícil compreensão a um saxónico ou a um nórdico.
Sabemos hoje que este fenómeno é funesto para a economia. Perturba a gestão financeira das empresas e desvia o esforço de recursos humanos para assuntos sem nenhum valor acrescentado para a actividade "core". O abalo ao normal funcionamento de algumas tesourarias pode ser mesmo motivo de falência. Todo este odor de desconfiança na atmosfera económica pode, no limite, até desincentivar alguns projectos.
Portugal, seria de supor que o teu Estado, espectador de eleição, e também actor da economia, pelos seus bons exemplos viesse corrigir de alguma forma esta chaga. Só que o teu Estado é um dos maiores desleixados nos pagamentos. Isto é, obviamente, inconcebível, não só pelos transtornos causados às empresas / indivíduos credores, como também pelos sinais que emite para todo o tecido social.
Portugal, este tópico começa-te a prejudicar muito, não só enquanto elemento perturbador da vida económica corrente, mas também como factor que prejudica na captação de investimento estrangeiro de que urgentemente precisas. E o pior Portugal, é que para além de seres um mau intérprete nesta cena, ainda por cima não a contornas adequadamente na via judicial. Consta que executar dívidas judicialmente só lá para as calendas.
Portugal, cuida bem deste assunto, que é bem mais importante do que julgas. Se ainda dúvidas, então a crise financeira que te vai chegar ao longo dos próximos 5 anos vai dizer-te porquê.
O meu desejo para 2010
QUINTA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO DE 2009
Desejo que os Portugueses reflictam sobre Portugal
Desejo que comecem a interiorizar a mudança como sendo o status natural em que vivemos
Desejo que abracem desafios
Desejo o maior sucesso aos empreendedores, nomeadamente aos que abracem actividades exportadoras de bens transacionáveis (sei que parece ridículo, mas é mesmo assim)
Desejo que trabalhem todos os dias um bocadinho melhor
Desejo que não tenham receio de emigrar se isso for aconselhável (inclua-se migração dentro de Portugal)
Desejo que sejam mais humildes sobre o aceitar ou não certos trabalhos (a norma neste mundo é: aceita-se o que há e não o que se quer)
Desejo que leiam muito mais e que aprendam. Há tantos livros bons. Já agora aproveito para sugerir o livro de Medina Carreira – Portugal que futuro. Há quem o categorize de pessimista. Eu acho-o bem realista.
Desejo que ouçam quem sabe, e que tenham a humildade de aceitar a verdade
Desejo que coloquem em causa o porquê de certas agendas (NAL, TGVs, os ditos fracturantes, etc.)
Desejo que conduzam melhor
Desejo que se expressem melhor na nossa língua. Há muitos livros do Eça de Queiroz por aí, é só escolher. A Ilustre Casa de Ramirez tem uma belíssima definição sobre Portugal na última página. Só por isso merece ser lido. O Conde de Abranhos na página 99 e seguintes contém a cena mais hilariante que já li (a do prego do Dr. Pimentel, esse moço estimável que segundo expressão moderna, tinha telha).
Desejo que dêem menos importância ao materialismo
E acima de tudo desejo que procriem bem mais do que do que o fizeram em 2009
E já agora, desejo muito um Benfica Campeão Nacional e vencedor da Liga Europa
Desejo que os Portugueses reflictam sobre Portugal
Desejo que comecem a interiorizar a mudança como sendo o status natural em que vivemos
Desejo que abracem desafios
Desejo o maior sucesso aos empreendedores, nomeadamente aos que abracem actividades exportadoras de bens transacionáveis (sei que parece ridículo, mas é mesmo assim)
Desejo que trabalhem todos os dias um bocadinho melhor
Desejo que não tenham receio de emigrar se isso for aconselhável (inclua-se migração dentro de Portugal)
Desejo que sejam mais humildes sobre o aceitar ou não certos trabalhos (a norma neste mundo é: aceita-se o que há e não o que se quer)
Desejo que leiam muito mais e que aprendam. Há tantos livros bons. Já agora aproveito para sugerir o livro de Medina Carreira – Portugal que futuro. Há quem o categorize de pessimista. Eu acho-o bem realista.
Desejo que ouçam quem sabe, e que tenham a humildade de aceitar a verdade
Desejo que coloquem em causa o porquê de certas agendas (NAL, TGVs, os ditos fracturantes, etc.)
Desejo que conduzam melhor
Desejo que se expressem melhor na nossa língua. Há muitos livros do Eça de Queiroz por aí, é só escolher. A Ilustre Casa de Ramirez tem uma belíssima definição sobre Portugal na última página. Só por isso merece ser lido. O Conde de Abranhos na página 99 e seguintes contém a cena mais hilariante que já li (a do prego do Dr. Pimentel, esse moço estimável que segundo expressão moderna, tinha telha).
Desejo que dêem menos importância ao materialismo
E acima de tudo desejo que procriem bem mais do que do que o fizeram em 2009
E já agora, desejo muito um Benfica Campeão Nacional e vencedor da Liga Europa
Que a nossa banca consiga gerir bem esta situação
QUARTA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2009
Segundo o Jornal de negócios
"Crédito à habitação em Portugal é o mais barato da Europa (Económico) Nas vésperas de terminar o ano de 2009, é chegada a altura de as famílias portuguesas com crédito à habitação pegarem na calculadora. E nem tudo é negativo. Por um lado, as descidas sucessivas da taxa de juro directora do Banco Central Europeu (BCE), tal como a rota descendente das Euribor, permitiram-lhes poupar na prestação da casa. Por outro, a verdade é que os bancos confessam que apertaram os critérios de concessão de empréstimos, aumentando os ‘spreads' e encurtando os prazos dos créditos. No entanto, dados do BCE mostram que os juros cobrados pelas instituições bancárias nacionais nos empréstimos à habitação estão muito abaixo da média da Zona Euro. E ainda mais positivo, para as famílias portuguesas, é o facto de em Outubro - últimos dados disponibilizados pela autoridade monetária - as taxas de juro médias praticadas em Portugal serem mesmo as mais baixas da Zona Euro."
Desejo sinceramente que a nossa banca consiga gerir bem esta situação. Financiar-se agora no estrangeiro a spreads de 1,5% (e não duvido que irá crescer o spread a que os bancos se financiam) e ter contratos com clientes de crédito à habitação para 20 e 30 anos ao preço de 0,5% (spread), significa prejuizo. Como já disse não desejo bancos com prejuizos. A todos os bancos desejo que lhes corram bem as operações em Angola, local onde se internacionalizaram. Que os lucros de lá cubram parte dos prejuizos de cá do segmento do crédito à habitação (cerca de 40% do volume de negócios). Quem tem uma empresa e pede dinheiro à banca, então já sabe, pagará cada vez mais de modo a compensar o prejuizo do crédito à habitação. Como muitas vezes tem sido referenciado, quem produz é penalizado e quem consome é beneficiado.
Quem tem spreads para o crédito à habitação de 0,5% a 1% bem pode dizer que fez o negócio da vida.
Segundo o Jornal de negócios
"Crédito à habitação em Portugal é o mais barato da Europa (Económico) Nas vésperas de terminar o ano de 2009, é chegada a altura de as famílias portuguesas com crédito à habitação pegarem na calculadora. E nem tudo é negativo. Por um lado, as descidas sucessivas da taxa de juro directora do Banco Central Europeu (BCE), tal como a rota descendente das Euribor, permitiram-lhes poupar na prestação da casa. Por outro, a verdade é que os bancos confessam que apertaram os critérios de concessão de empréstimos, aumentando os ‘spreads' e encurtando os prazos dos créditos. No entanto, dados do BCE mostram que os juros cobrados pelas instituições bancárias nacionais nos empréstimos à habitação estão muito abaixo da média da Zona Euro. E ainda mais positivo, para as famílias portuguesas, é o facto de em Outubro - últimos dados disponibilizados pela autoridade monetária - as taxas de juro médias praticadas em Portugal serem mesmo as mais baixas da Zona Euro."
Desejo sinceramente que a nossa banca consiga gerir bem esta situação. Financiar-se agora no estrangeiro a spreads de 1,5% (e não duvido que irá crescer o spread a que os bancos se financiam) e ter contratos com clientes de crédito à habitação para 20 e 30 anos ao preço de 0,5% (spread), significa prejuizo. Como já disse não desejo bancos com prejuizos. A todos os bancos desejo que lhes corram bem as operações em Angola, local onde se internacionalizaram. Que os lucros de lá cubram parte dos prejuizos de cá do segmento do crédito à habitação (cerca de 40% do volume de negócios). Quem tem uma empresa e pede dinheiro à banca, então já sabe, pagará cada vez mais de modo a compensar o prejuizo do crédito à habitação. Como muitas vezes tem sido referenciado, quem produz é penalizado e quem consome é beneficiado.
Quem tem spreads para o crédito à habitação de 0,5% a 1% bem pode dizer que fez o negócio da vida.
Não desistamos nunca de O descobrir
SEXTA-FEIRA, 25 DE DEZEMBRO DE 2009
Creio num só Deus! Eis uma expressão bela, admirável. Mas a bem-aventurança sobre a terra consiste propriamente em reconhecer Deus nas coisas e no modo em que se revela.
O verdadeiro é análogo a Deus: não se apresenta no imediato. Somos obrigados a descobri-lo a partir das suas manifestações.
Goethe em "Máximas e Reflexões"
Creio num só Deus! Eis uma expressão bela, admirável. Mas a bem-aventurança sobre a terra consiste propriamente em reconhecer Deus nas coisas e no modo em que se revela.
O verdadeiro é análogo a Deus: não se apresenta no imediato. Somos obrigados a descobri-lo a partir das suas manifestações.
Goethe em "Máximas e Reflexões"
Curta nota sobre lucros da banca portuguesa
QUINTA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO DE 2009
Até há poucos anos habituámo-nos a conviver com uma banca com grandes lucros. Estes lucros cresceram em paralelo com uma excelente oferta de serviços e produtos bancários a preços muito reduzidos.
A banca portuguesa a partir dos fins da década de 80 modernizou-se. Despediu pessoas com menos formação, contratou pessoas com mais formação, investiu em tecnologia, melhorou processos, implementou sistemas de avaliação de qualidade de serviço, profissionalizou-se, inovou constantemente, dispersou capital em bolsa a todos os que queriam investir (a maioria das vezes em melhores circunstâncias para as pessoas de menores rendimentos, de modo a viabilizar elevada dispersão), e repercutiu sempre no preço os ganhos de eficiência que ia conquistando. Fez tudo o que teria sido óptimo que muitos outros sectores tivessem feito.
No geral não há percepção do baixo preço dos serviços bancários. Há pouco, um amigo bancário dizia-me, já um pouco desesperado por não saber como veicular que as margens são reduzidas, nulas, ou mesmo negativas. Dizia-me ele que a Coca-Cola, empresa de muito baixo risco, se financiava à taxa Euribor + 4%, quando muitas pessoas têm para o empréstimo à habitação um preço de Euribor + entre 0,5% até 2%. Ora, quantos de nós não acha spreads de 1,5% ou 3% uma heresia? Em rigor, não é. O nosso problema é que habituámo-nos muito mal a bons serviços a baixos preços. Os nossos ímpetos consumistas nesta incontinência geral gastadora cegaram-nos.
Muito se criticaram os bancos pelos enormes lucros que iam obtendo. Pessoalmente, prefiro bancos com bons lucros do que com prejuízos. Bancos com problemas são minas na sociedade, como aliás a recente experiência internacional agora demonstrou e já o tinha demonstrado em 1929.
Os bancos Portugueses estiveram, no geral, muito bem nesta crise. Demonstraram não estar tão alavancados (pouco capitalizados) e não estar expostos a activos tóxicos (demonstraram uma boa medida de conservadorismo, essencial na banca). Os casos BPP (embriaguez especulativa), BPN (caso de polícia) e BCP (egocentrismo e aldrabice de uma elite) são pontuais e não decorrem tanto da crise internacional (exceptue-se um pouco o BPP).
Fico feliz quando noticiam que os bancos portugueses têm lucros. Ainda os têm, menores, mas temo por 2012 e 2013.
Até há poucos anos habituámo-nos a conviver com uma banca com grandes lucros. Estes lucros cresceram em paralelo com uma excelente oferta de serviços e produtos bancários a preços muito reduzidos.
A banca portuguesa a partir dos fins da década de 80 modernizou-se. Despediu pessoas com menos formação, contratou pessoas com mais formação, investiu em tecnologia, melhorou processos, implementou sistemas de avaliação de qualidade de serviço, profissionalizou-se, inovou constantemente, dispersou capital em bolsa a todos os que queriam investir (a maioria das vezes em melhores circunstâncias para as pessoas de menores rendimentos, de modo a viabilizar elevada dispersão), e repercutiu sempre no preço os ganhos de eficiência que ia conquistando. Fez tudo o que teria sido óptimo que muitos outros sectores tivessem feito.
No geral não há percepção do baixo preço dos serviços bancários. Há pouco, um amigo bancário dizia-me, já um pouco desesperado por não saber como veicular que as margens são reduzidas, nulas, ou mesmo negativas. Dizia-me ele que a Coca-Cola, empresa de muito baixo risco, se financiava à taxa Euribor + 4%, quando muitas pessoas têm para o empréstimo à habitação um preço de Euribor + entre 0,5% até 2%. Ora, quantos de nós não acha spreads de 1,5% ou 3% uma heresia? Em rigor, não é. O nosso problema é que habituámo-nos muito mal a bons serviços a baixos preços. Os nossos ímpetos consumistas nesta incontinência geral gastadora cegaram-nos.
Muito se criticaram os bancos pelos enormes lucros que iam obtendo. Pessoalmente, prefiro bancos com bons lucros do que com prejuízos. Bancos com problemas são minas na sociedade, como aliás a recente experiência internacional agora demonstrou e já o tinha demonstrado em 1929.
Os bancos Portugueses estiveram, no geral, muito bem nesta crise. Demonstraram não estar tão alavancados (pouco capitalizados) e não estar expostos a activos tóxicos (demonstraram uma boa medida de conservadorismo, essencial na banca). Os casos BPP (embriaguez especulativa), BPN (caso de polícia) e BCP (egocentrismo e aldrabice de uma elite) são pontuais e não decorrem tanto da crise internacional (exceptue-se um pouco o BPP).
Fico feliz quando noticiam que os bancos portugueses têm lucros. Ainda os têm, menores, mas temo por 2012 e 2013.
A nossa crise bancária vem aí
TERÇA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO DE 2009
Segundo Nuno Amado, presidente do Santander Portugal
"No que toca ao futuro próximo da banca, Nuno Amado explicou que a questão da subida dos 'spreads' prende-se com três efeitos: maior custo de capital, maior custo de liquidez e maior nível de incumprimento.
"Nós crescemos, em média, moderadamente os 'spreads' nas operações novas ou nas renovações de operações. É óbvio que as margens vão ter que aumentar. Porquê? Porque vai haver mais capital necessário para a mesma actividade. Há um custo de capital que temos que repercutir nos 'spreads'. Há um custo de liquidez. Nós antes financiávamo-nos nos mercados internacionais quase a Euribor, mais muito pouco, e agora, em termos equivalentes, a Euribor mais um por cento, 1,2 por cento, na 'senior debt', sem garantias", sublinhou.
"Se as empresas e os particulares aumentam o incumprimento, há uma base de custo de crédito que tem que ser repercutida nos 'spreads'", acrescentou, dizendo que "vai ser um processo normal e gradual", mas que é inevitável que as margens subam para cima "do que estavam há dois anos".
Ainda assim, Nuno Amado antecipou que "o grande problema no futuro não vai ser o crescimento dos 'spreads', vai ser também o crescimento da Euribor", sublinhando que se Portugal não estiver ainda num ciclo de crescimento económico com alguma força, vai ser complicado compaginar a situação económica frágil com essa subida das taxas de juro que o BCE exigirá."
Há um tema que tem que se começar a colocar sobre a mesa. A crise que a nossa banca pode viver daqui a 4/5 anos, e cujos sinais vamos começar a receber em 2010 e 2011. O preço a que nos financiamos externamente (cerca de 80% de todas as necessidades de financiamento) vai ser cada vez maior, não só porque as taxas Euribor vão naturalmente subir, mas também porque o nosso rating vai descer. Isso faz subir o preço do dinheiro, nomeadamente quando pedimos emprestado no exterior. Este fenómeno advém muito menos da crise internacional e muito mais do nosso marasmo económico.
Em paralelo, e ainda na óptica da banca, os contratos de crédito à habitação até há 2 anos, com spreads mínimos, demonstraram ser ruinosos, e em muito afectaram os balanços dos bancos. E se incluirmos o crescimento dos incuprimentos dos clientes face às responsabilidades, se incluiromos a contínua descida dos valores do imobiliário (embora seja uma descida suave, embora contínua), então teremos a nossa, a muito nossa crise bancária. Restará aos bancos compensar estas perdas no crédito concedido ao sector produtivo e nas comissões bancárias e com isso penalizar as nossas já débeis empresas. Fará tudo parte do pacote agoniante que vai bater à porta de Portugal. Previa-se esta crise mais tarde, mas simplesmente a crise internacional tratou de precipitar esta situação que já vinha a caminho. Este assunto é muito delicado.
Pensar-se sobre este assunto da banca, pensar-se que muito provavelmente perderemos 3.000.000 de habitantes de população residente até 2050, pensar-se que poderá ser benéfico um novo surto emigratório, pensar-se que as reformas daqui a 20 ou 30 anos poderão ser 40 a 50% inferiores ao que são hoje em dia, e perder tempo a discutir a questão dos homossexuais!!!, é querer desviar atenções do essencial.
Valerá a pena reter estas duas máximas de Goethe:
"Os homens que não atingem o necessário, preocupam-se com o desnecessário"
"A coisa mais terrível que nos pode ser dado ver é uma actividade imparável desprovida de fundamento"
Portugueses, temos que actuar.
Segundo Nuno Amado, presidente do Santander Portugal
"No que toca ao futuro próximo da banca, Nuno Amado explicou que a questão da subida dos 'spreads' prende-se com três efeitos: maior custo de capital, maior custo de liquidez e maior nível de incumprimento.
"Nós crescemos, em média, moderadamente os 'spreads' nas operações novas ou nas renovações de operações. É óbvio que as margens vão ter que aumentar. Porquê? Porque vai haver mais capital necessário para a mesma actividade. Há um custo de capital que temos que repercutir nos 'spreads'. Há um custo de liquidez. Nós antes financiávamo-nos nos mercados internacionais quase a Euribor, mais muito pouco, e agora, em termos equivalentes, a Euribor mais um por cento, 1,2 por cento, na 'senior debt', sem garantias", sublinhou.
"Se as empresas e os particulares aumentam o incumprimento, há uma base de custo de crédito que tem que ser repercutida nos 'spreads'", acrescentou, dizendo que "vai ser um processo normal e gradual", mas que é inevitável que as margens subam para cima "do que estavam há dois anos".
Ainda assim, Nuno Amado antecipou que "o grande problema no futuro não vai ser o crescimento dos 'spreads', vai ser também o crescimento da Euribor", sublinhando que se Portugal não estiver ainda num ciclo de crescimento económico com alguma força, vai ser complicado compaginar a situação económica frágil com essa subida das taxas de juro que o BCE exigirá."
Há um tema que tem que se começar a colocar sobre a mesa. A crise que a nossa banca pode viver daqui a 4/5 anos, e cujos sinais vamos começar a receber em 2010 e 2011. O preço a que nos financiamos externamente (cerca de 80% de todas as necessidades de financiamento) vai ser cada vez maior, não só porque as taxas Euribor vão naturalmente subir, mas também porque o nosso rating vai descer. Isso faz subir o preço do dinheiro, nomeadamente quando pedimos emprestado no exterior. Este fenómeno advém muito menos da crise internacional e muito mais do nosso marasmo económico.
Em paralelo, e ainda na óptica da banca, os contratos de crédito à habitação até há 2 anos, com spreads mínimos, demonstraram ser ruinosos, e em muito afectaram os balanços dos bancos. E se incluirmos o crescimento dos incuprimentos dos clientes face às responsabilidades, se incluiromos a contínua descida dos valores do imobiliário (embora seja uma descida suave, embora contínua), então teremos a nossa, a muito nossa crise bancária. Restará aos bancos compensar estas perdas no crédito concedido ao sector produtivo e nas comissões bancárias e com isso penalizar as nossas já débeis empresas. Fará tudo parte do pacote agoniante que vai bater à porta de Portugal. Previa-se esta crise mais tarde, mas simplesmente a crise internacional tratou de precipitar esta situação que já vinha a caminho. Este assunto é muito delicado.
Pensar-se sobre este assunto da banca, pensar-se que muito provavelmente perderemos 3.000.000 de habitantes de população residente até 2050, pensar-se que poderá ser benéfico um novo surto emigratório, pensar-se que as reformas daqui a 20 ou 30 anos poderão ser 40 a 50% inferiores ao que são hoje em dia, e perder tempo a discutir a questão dos homossexuais!!!, é querer desviar atenções do essencial.
Valerá a pena reter estas duas máximas de Goethe:
"Os homens que não atingem o necessário, preocupam-se com o desnecessário"
"A coisa mais terrível que nos pode ser dado ver é uma actividade imparável desprovida de fundamento"
Portugueses, temos que actuar.
Quem não sentiu a crise que se prepare agora
SEGUNDA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2009
Esta crise, ímpar, ainda não chegou a todos os Portugueses. A maioria, aqueles que não perderam trabalho, foram até brindados pelas circunstâncias. De entre outras coisas, viram os preços da gasolina / gasóleo cair, e viram o preço da prestação da casa descer bastante devido à baixa das taxas de juro. E ainda por cima viram a inflação descer abaixo de zero. Cumulativamente, e porque a procura total se reduziu, têm vindo a beneficiar de enormes descontos, desde grandes descontos nas grandes superfícies até a ofertas fantásticas de pacotes de férias e fim de semana. Tudo isto tem sido um autêntico brinde para quem trabalha.
As estatísticas vêm confirmando que a taxa de poupança tem subido bastante. Isto sugere que as pessoas que não perderam o seu trabalho afectam grande parte, ou a totalidade, destes ganhos em produtos de poupança. Decisão genericamente, e a meu ver, correcta. E até macroeconomicamente saudável porque não pressiona as nossas necessidades bancárias de financiamento externas.
No entanto, e a prazo, os juros irão subir. Também irá subir o preço dos combustíveis (este mais cedo). A inflação irá ser positiva e os salários irão manter o nível actual. Ou seja, os orçamentos familiares serão de novo mais reduzidos para quem tem trabalho.
Quem não sentiu a crise irá senti-la agora. Não tanto quanto os que a vão sentido agora, os que desafortunadamente caíram numa situação de desemprego. Sentirão muito menos, mas no entanto são muitos mais. E são estes que comandam o consumo privado interno. Tomara que decidam bem, ou seja, que continuem a poupar tanto quanto possível. Por eles e pela economia.
Esta crise, ímpar, ainda não chegou a todos os Portugueses. A maioria, aqueles que não perderam trabalho, foram até brindados pelas circunstâncias. De entre outras coisas, viram os preços da gasolina / gasóleo cair, e viram o preço da prestação da casa descer bastante devido à baixa das taxas de juro. E ainda por cima viram a inflação descer abaixo de zero. Cumulativamente, e porque a procura total se reduziu, têm vindo a beneficiar de enormes descontos, desde grandes descontos nas grandes superfícies até a ofertas fantásticas de pacotes de férias e fim de semana. Tudo isto tem sido um autêntico brinde para quem trabalha.
As estatísticas vêm confirmando que a taxa de poupança tem subido bastante. Isto sugere que as pessoas que não perderam o seu trabalho afectam grande parte, ou a totalidade, destes ganhos em produtos de poupança. Decisão genericamente, e a meu ver, correcta. E até macroeconomicamente saudável porque não pressiona as nossas necessidades bancárias de financiamento externas.
No entanto, e a prazo, os juros irão subir. Também irá subir o preço dos combustíveis (este mais cedo). A inflação irá ser positiva e os salários irão manter o nível actual. Ou seja, os orçamentos familiares serão de novo mais reduzidos para quem tem trabalho.
Quem não sentiu a crise irá senti-la agora. Não tanto quanto os que a vão sentido agora, os que desafortunadamente caíram numa situação de desemprego. Sentirão muito menos, mas no entanto são muitos mais. E são estes que comandam o consumo privado interno. Tomara que decidam bem, ou seja, que continuem a poupar tanto quanto possível. Por eles e pela economia.
Gregos e Irlandeses, salvai-nos
SÁBADO, 12 DE DEZEMBRO DE 2009
Ó gregos, salvem-nos. Vós que há milhares de anos nos destes luzes estais em condições de novo de nos alumiar. O motivo agora não é, certamente, recomendável. Fala-se da vossa bancarrota. Sim, de incumprirem com os pagamentos decorrentes da dívida e dos juros da vossa pujante dívida externa, 110% do PIB. E os expressivos 13% de défice terão um belo efeito no incremento nesses 110%. Junte-se-lhe cerca de 18% de desempregados e temos festa na rua garantida.
Incumprir com pagamentos por se fechar a torneira de novos empréstimos que renovem os existentes é coisa que não quero nem pensar no que seja. Mas não andamos muito longe disso.
Portugueses, já que andamos com uma tremenda dificuldade em nos vermos ao espelho, tenhamos pelo menos a sapiência de observar clinicamente o que se passa por terras aristotélicas. E se no decorrer desse exercício clínico nos questionarmos “quem sou eu, que faço aqui?” já sabemos, deveremos estar em pleno esforço de captação e interiorização do que vai ser o nosso futuro daqui a 3 ou 4 anos. É hediondo? Sim, é, mas pelo menos não nos podemos esquivar dizendo que não sabiamos, que isso dos avisos que nos iam fazendo eram tretas, que é coisa para os outros, etc.
Assim, sobreavisados por quem entende estes fenómenos financeiros, que até são muito mais simples do que se imagina, e com a realidade futura a ocorrer visivelmente a uns milhares de quilómetros de distância, temos tudo para mudar de rumo e evitar o desastre. Sim, é duro mudar de direcção, principalmente quando se anda a gastar mais 10% do que se tem e não se dá por isso. Mas a vida é de quem de si toma conta, por isso toca a mexer e a mudar.
Entretanto, e alguns milhares de quilómetros mais a norte, num local bem verdinho e cheio de irlandeses, gente teoricamente mais avisada, mais humilde, e que sabe que tem que contar consigo para resolver os seus problemas, há uma coisa bem interessante em movimento: descida de 10% dos vencimentos dos funcionários públicos.
Pois é, estes sinais incómodos ditados pela força da realidade vêm de muitos quadrantes. Temos a atitude grega e irlandesa para escolher. Está nas nossas mãos.
Ó gregos, salvem-nos. Vós que há milhares de anos nos destes luzes estais em condições de novo de nos alumiar. O motivo agora não é, certamente, recomendável. Fala-se da vossa bancarrota. Sim, de incumprirem com os pagamentos decorrentes da dívida e dos juros da vossa pujante dívida externa, 110% do PIB. E os expressivos 13% de défice terão um belo efeito no incremento nesses 110%. Junte-se-lhe cerca de 18% de desempregados e temos festa na rua garantida.
Incumprir com pagamentos por se fechar a torneira de novos empréstimos que renovem os existentes é coisa que não quero nem pensar no que seja. Mas não andamos muito longe disso.
Portugueses, já que andamos com uma tremenda dificuldade em nos vermos ao espelho, tenhamos pelo menos a sapiência de observar clinicamente o que se passa por terras aristotélicas. E se no decorrer desse exercício clínico nos questionarmos “quem sou eu, que faço aqui?” já sabemos, deveremos estar em pleno esforço de captação e interiorização do que vai ser o nosso futuro daqui a 3 ou 4 anos. É hediondo? Sim, é, mas pelo menos não nos podemos esquivar dizendo que não sabiamos, que isso dos avisos que nos iam fazendo eram tretas, que é coisa para os outros, etc.
Assim, sobreavisados por quem entende estes fenómenos financeiros, que até são muito mais simples do que se imagina, e com a realidade futura a ocorrer visivelmente a uns milhares de quilómetros de distância, temos tudo para mudar de rumo e evitar o desastre. Sim, é duro mudar de direcção, principalmente quando se anda a gastar mais 10% do que se tem e não se dá por isso. Mas a vida é de quem de si toma conta, por isso toca a mexer e a mudar.
Entretanto, e alguns milhares de quilómetros mais a norte, num local bem verdinho e cheio de irlandeses, gente teoricamente mais avisada, mais humilde, e que sabe que tem que contar consigo para resolver os seus problemas, há uma coisa bem interessante em movimento: descida de 10% dos vencimentos dos funcionários públicos.
Pois é, estes sinais incómodos ditados pela força da realidade vêm de muitos quadrantes. Temos a atitude grega e irlandesa para escolher. Está nas nossas mãos.
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Jornal Público de hojeFMI exige medidas drásticas para evitar dívida pública de 100 por cento do PIB
03.12.2009 - 07h19
Por Sérgio Aníbal
Enric Vives-Rubio (arquivo)
Apenas esperar pela retoma da economia mundial não chega. Ou o Governo reduz a massa salarial da função pública, a despesa com transferências sociais e os benefícios fiscais, aumentando os impostos, ou Portugal chega a 2013 ainda com um défice público situado entre cinco e seis por cento e uma dívida pública próxima de 100 por cento do PIB, defendeu ontem o Fundo Monetário Internacional na análise anual que faz à economia portuguesa.
No relatório ontem publicado, as recomendações feitas às autoridades nacionais fazem lembrar as regras draconianas que foram impostas no início dos anos 80, quando Portugal atravessava uma crise profunda na sua balança de pagamentos.
Como pano de fundo, o FMI começa por traçar um cenário desolador para a economia portuguesa durante os próximos anos. Apesar de dizer que a resposta do Governo à crise "foi rápida e apoiou a economia", o Fundo assinala que "o crescimento potencial da economia, que já era baixo, sairá, como acontece noutros países, ainda mais prejudicado", o que resultará na continuação durante os próximo anos de um "crescimento abaixo da média da zona euro e elevados níveis de desemprego". A taxa de crescimento prevista para 2010 é de cerca de 0,5 por cento, com o "cenário a não ser mais brilhante no longo prazo".
Com a economia quase parada, as projecções para o orçamento ficam ainda mais negras. Depois de um défice de oito por cento este ano, o FMI aposta que, sem novas medidas por parte do Governo, o défice subirá mais em 2010 e não descerá de um valor "entre cinco e seis por cento até 2013, com a dívida pública a aproximar-se de 100 por cento do PIB". Para evitar este cenário, que colocaria Portugal perante "diferenciais de taxas de juro mais altos e problemas de financimento", a entidade com sede em Washington diz que o Governo tem de tomar medidas, logo a partir do próximo ano.
Todo o reportório de medidas de contenção orçamental e reformas estruturais habituais no FMI é recuperado. O Estado tem de "reduzir a despesa corrente primária, especialmente a massa salarial da função pública e as transferências sociais". O Fundo diz mesmo que a actualização salarial da função pública para o próximo ano "vai ser particularmente importante para a credibilidade e para a ajuda à consolidação orçamental".
Para além disso, do lado da receita, é recomendado que "se alargue a base fiscal, reduzindo os benefícios concedidos e simplificando a sua gestão". Para resolver o problema orçamental e colocar o défice abaixo de três por cento até 2013, apenas estas medidas podem não chegar, pelo que o FMI diz, em linha com recentes afirmações do governador do Banco de Portugal, que "aumentar a taxa de IVA, embora geralmente indesejável, deve ser uma opção se as outras medidas não resolverem o problema".
Para estimular o crescimento da economia, o Fundo diz que, no curto prazo, se deve continuar a apostar na simplificação administrativa, implementar o novo código laboral, reaxaminar os benefícios do subsídio de desemprego e reconsiderar os aumentos do salário mínimo planeados".
Portugal, fotografia (7)
Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Portugal, estás a ter muitos membros desempregados. E lamento dizer-te, mas desta vez é à séria, ou seja, já há mesmo pessoas que querem trabalhar e que não encontram trabalho. Isto antes era a excepção, e o desemprego que havia coincidia mais em número com a soma daquelas pessoas com pouca vontade de trabalhar ou com pouca vontade de aceitar os trabalhos disponíveis e de que não gostavam.Portugal, mas o problema grande virá a seguir. Virá quando não conseguires criar postos de trabalho, coisa onde até foste bom de 1998 a 2008. Só que agora esta crise financeira vai evidenciando o teu problema de empregos. E vai evidenciá-lo ainda mais. Vai evidenciar à exaustão que não vais conseguir competir em salários baixos com chineses e indianos (há mais países e outros se juntaram). Pergunto-te: o que vais fazer com as pessoas sem qualificação, pessoas essas que não já não conseguem competir onde antes ainda iam competindo? Já informaste essas pessoas do facto? Achas que essas pessoas estão preparadas para baixarem ainda mais o seu já baixíssimo nível de vida? Achas que é gente para voltar ao campo? Sim, olha que já ouvi uns zuns-zuns que isso já está a acontecer, embora ainda em reduzidíssimo grau. Portugal, se a taxa de desemprego chegar aos 15% ou 18% e por lá ficar prepara-te para dares uma saída a essas pessoas. Falo-te de saídas à séria e não à socialista, ou seja, despejando dinheiro em cima do problema e empregá-los no sector público. Espero que saibas que isso já não é mais possível.
Portugal, e todos aqueles trabalhadores com elevada formação que produzes para o desemprego? Bom, esses vão-se indo embora porque a globalização lhes dá saídas e é generosa quando comparada com os teus padrões. E se calhar até é bom que assim seja porque tens gente bem formada a fazer boa propaganda do País, a enviar remessas que desesperadamente precisas, e a impedir maiores subidas da taxa de desemprego. E se as coisas por cá melhorarem até é gente que voltará, tal a sua génese de pular de um lugar para o outro. E aos que cá ficarem, já sabem, 700 euros de início a recibo verde e a trabalhar 12 horas por dia.
Portugal, e todas aquelas pessoas semi-qualificadas, nomeadamente as com mais apetência para trabalhar nos serviços, o que fazer com elas? Bom, aqui é mais fácil e até já descobriste. Sim, chama-se Turismo. Mas só porque o descobriste não julgues que isso é suficiente. Há muito trabalho a fazer. E não sendo especialista na matéria até te digo que a primeira coisa a ensinar é que servir os outros não implica ser-se inferior e consequentemente ter que se estabelecer uma relação de servilismo do prestador de serviço para o servido. Isso é uma mentalidade feudal e semi-rural que te está ainda no sangue e que ainda apoquenta muitos dos teus membros. Essa mentalidade é absurda e tem que ser enterrada de vez. Servir os outros implica antes um misto de profissionalismo e simpatia. Nunca te esqueças disto.
Portugal, alguém escreveu em 1991: “A tarefa política primordial de cada nação será o controlo das forças centrífugas da economia global que dilaceram os laços que ligam os cidadãos, conferindo cada vez mais riqueza aos mais qualificados e perspicazes, entregando os menos qualificados a níveis de vida cada vez mais baixos. À medida que as fronteiras se tornam cada vez mais irrelevantes em termos económicos, os cidadãos em melhor posição para poderem prosperar no mercado mundial são tentados a escapar aos laços de fidelidade à nação, desvinculando-se, assim, dos seus companheiros menos favorecidos”
Portugal, apreende bem esse escrito e trata de arranjar uma solução rápida para os não qualificados. Terá que ser uma solução insólita na justa medida, aliás, da situação dessas pessoas (estarem no século XXI na Europa e não terem valor acrescentado em qualquer dos países Europeus). Uma dica insólita: acorda com Angola o envio de 500.000 portugueses para lá trabalharem. O nível dos teus trabalhadores não qualificados ainda chega para a grande massa dos Angolanos. Eles precisam de gente com formação acima da que a grande maioria da sua população tem. A língua e as afinidades existentes até facilitam. Mais, convida os Angolanos a pensarem que Angola não é só Luanda, e que esta cidade não pode albergar uma população prevista de 45 milhões de pessoas em 2050 para toda a Angola (actualmente são 18 milhões). Obrigatoriamente têm que existir mais centros urbanos. Portugal, e de caminho, junto a todos estes não qualificados, manda também uns professores pois aqui há cada vez menos alunos. Paralelamente acorda também com os Moçambicanos qualquer coisa (vão passar de 22 milhões agora para 39 milhões em 2050).
Portugal, isto é insólito, não é? É, mas prepara-te, porque todas as tuas soluções futuras o serão.
Incongruências
Diz Paulo Mendes Pinto no jornal Público sobre o resultado do referendo na Suiça sobre os minaretes
"Como podemos olhar para a Democracia quando a vemos ser usada pela extrema-direita como forma de a subverter? Sim, esta proibição, que corta direitos fundamentais de cidadania, foi aprovada democraticamente! E o Governo apela através da imagem para o exterior..."
Sem querer entrar por este assunto, sobre o qual não tenho opinião formada, quero só lembrar como as retóricas mudam ao vento dos interesses próprios. Se no pequeno texto acima substituissemos "extrema-direita" por "extrema-esquerda", se substituíssemos "esta proibição" por "o aborto", o que diria a esquerda sobre um texto deste tipo assinado por um defensor da Vida? A berraria seria certamente grande.
Note-se o seguinte, a esquerda acha que pode agir e falar com total impunidade, que pode submeter-se a todo o tipo de incongruências ao não cuidar minimamente sobre a forma como se exterioriza, o que aliás mais não é do que o sintoma da arrogância e da crença de que os fins justificam os meios. Sobra a questão: o que leva a que haja este embevecimento por parte dos meios de comunicação e de muita opinião pública.
Nota: não pressuponho que todas as pessoas de esquerda são favoráveis à interrupção voluntária da gravidez e dos minaretes e todas as pessoas de direita são o seu contrário. Tão pouco acredito muito na dicotomia esquerda/direita.
"Como podemos olhar para a Democracia quando a vemos ser usada pela extrema-direita como forma de a subverter? Sim, esta proibição, que corta direitos fundamentais de cidadania, foi aprovada democraticamente! E o Governo apela através da imagem para o exterior..."
Sem querer entrar por este assunto, sobre o qual não tenho opinião formada, quero só lembrar como as retóricas mudam ao vento dos interesses próprios. Se no pequeno texto acima substituissemos "extrema-direita" por "extrema-esquerda", se substituíssemos "esta proibição" por "o aborto", o que diria a esquerda sobre um texto deste tipo assinado por um defensor da Vida? A berraria seria certamente grande.
Note-se o seguinte, a esquerda acha que pode agir e falar com total impunidade, que pode submeter-se a todo o tipo de incongruências ao não cuidar minimamente sobre a forma como se exterioriza, o que aliás mais não é do que o sintoma da arrogância e da crença de que os fins justificam os meios. Sobra a questão: o que leva a que haja este embevecimento por parte dos meios de comunicação e de muita opinião pública.
Nota: não pressuponho que todas as pessoas de esquerda são favoráveis à interrupção voluntária da gravidez e dos minaretes e todas as pessoas de direita são o seu contrário. Tão pouco acredito muito na dicotomia esquerda/direita.
Portugal, fotografia (6)
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Portugal, uma característica que ganhaste (ou talvez acentuaste) é que os teus membros têm uma tremenda dificuldade em olhar para ti sem ser pelo prisma do seu interesse pessoal ou corporações onde se inserem, ou seja, perderam em altruísmo patriótico o que ganharam em egoísmo pessoal e corporativo. Não que esta mudança te seja exclusiva. Parece que este fenómeno bate à porta por onde o consumismo tem mais sucesso.Portugal, de uma forma mais geral, os teus membros, à semelhança da maioria dos membros de todos os países capitalistas, andam furiosamente atrás do ter e esqueceram-se quase todos do ser. Não pretendendo efectuar juízos de valor, digo-te somente que este status nunca dá a melhor assistência a quem precisa de mudar radicalmente de perspectivas e de vida. Quando fores convidado, perdão, obrigado, a ganhar menos ordenados / salários, a consumir menos, a poupar mais, a pagar mais impostos (não tenhas a mínima dúvida que vão subir, e bem, nos próximos 4 anos), a endividares-te menos, a descontares mais ou o mesmo para a reforma que vai ser mais pequena, a pagares de novo mais pela prestação da casa (ou ainda acreditas que os juros ficam sempre assim?), a veres-te realmente aflito para arranjares trabalho, etc, precisas do ser e não do ter para engolir toda essa avalanche adversa.
Portugal, é a tua crise específica que vais ter que resolver e não tanto aquela que anda e vai andar por aí durante mais uns anos. E é para essa que vais ter que passar do status mental ter para o ser. É assim porque o buraco onde te estás a meter (e que te já descrevi nas anteriores “fotografias” e “acordas”) te vai denunciar abertamente todas as tuas insuficiências estruturais que te impossibilitam de estar no comboio onde queres andar. Nesse momento terás uma crise existencial. Desabafarás, farás até alguns tumultos por aí, embora não muito grandes. Nessa altura, a sociedade, muito quebrada, diferenciada nos seus estilos, descrente de soluções baseadas em engenharias sociais e colectivistas, e surpreendentemente mais aberta a soluções com base em responsabilidade individual, tratará de descobrir e viabilizar saídas. Sempre existiram, e existirão, Portugueses de bem dispostos a te servir. Não duvido que darás então a mão a quem te ama e te quer servir.
Portugal, prepara-te para esses Portugueses. Vão ser diferentes daqueles a que te acostumaste (não poderá ser de outra maneira). Quando chegar o momento não seguirás o eloquente de conversa fácil e com solução cor-de-rosa. Irás seguir quem falar de ti, quem identificar o que tu és, quem queira genuinamente pensar sobre ti, quem perceba o que o mundo é, e quem souber e te disser o que tens que descobrir em ti para nele venceres. O resto é trabalho para todos os teus membros.
Portugal, a vida é assim. Tal e qual um rio, que dependendo daquilo que o envolve, corre umas vezes com suavidade e outras vezes com turbulência. Para nele bem navegares tens somente que estar preparado para as disposições que ele te impuser. Depois precisas só de te lembrar que ninguém navega por ti e de escolher bons comandantes. Boa sorte Portugal.
Descubramos a nossa Alma e sejamos felizes
In "Tratado da Política" de Aristóteles
“Ninguém contestará a divisão habitualmente feita pelos filósofos dos bens em três classes: os da alma, os do corpo e os exteriores. Todos esses bens devem encontrar-se nas pessoas felizes.
Nunca se contará entre as pessoas felizes um homem que não tem nem coragem, nem temperança, nem justiça, nem prudência; receia até o voo das moscas; que se entrega a todos os excessos no comer e no beber; que, pelo mais vil interesse, mataria os seus melhores amigos; que se mostra tão provido de razões como as crianças e os furiosos.
Mas, embora se esteja de acordo nestes princípios, há sempre opiniões divergentes em maior ou menor número de pontos. A maioria, pensando que lhes basta ter um pouco de virtude, desejam imenso ultrapassar os outros em riqueza, em poder, em glória e noutras vantagens semelhantes. A esse respeito é fácil saber em que ponto se deve ficar; basta para isso consultar a experiência. Todos vemos que não é pelos bem exteriores que se adquirem e conservam as virtudes, mas que é, antes, pelos talentos e pelas virtudes que se adquirem e conservam os bens exteriores; e que, quer se faça consistir a felicidade no prazer ou na virtude, ou em ambas as coisas, os que têm melhor inteligência e melhores costumes atingem-na mais cedo com uma fortuna medíocre do que aqueles que têm mais do que o necessário e que não possuem outros bens.
Por pouco que queiramos dar atenção a isto, a razão é suficiente para nos convencer. Os bens exteriores não são mais do que úteis instrumentos, se são proporcionados ao seu fim, mas semelhantes a qualquer outro instrumento cujo excesso prejudica necessariamente ou é, pelo menos, inútil àquele que o emprega. Pelo contrário, os bens da alma, não são somente honestos, são também úteis, e quanto mais ultrapassam a medida comum mais utilidade têm.
… a alma, pela sua natureza e relativamente a nós, é dum valor muito diferente do do corpo e do dos bens, os seus bom hábitos ultrapassarão os das outras substâncias. Tais bens só são desejáveis para ela e todos os homens os desejam para a alma e não a alma para eles. Tenhamos, pois, como pacífico que não há felicidade para qualquer senão na medida em que tem virtude e prudência e em que age em conformidade com elas. Temos disto o exemplo e a prova em Deus, que é feliz, não por qualquer bem exterior, mas por si próprio e pelos seus atributos essenciais. A felicidade é muito diferente da fortuna. É da fortuna que nos vêm os bens exteriores; mas ninguém é justo ou prudente em razão da fortuna nem por seu intermédio.
Dos mesmos princípios depende a felicidade do Estado. É impossível que um Estado seja feliz se dele for banida a honestidade. Sem a virtude e sem a prudência nada de bom se pode esperar dele…”
“Ninguém contestará a divisão habitualmente feita pelos filósofos dos bens em três classes: os da alma, os do corpo e os exteriores. Todos esses bens devem encontrar-se nas pessoas felizes.
Nunca se contará entre as pessoas felizes um homem que não tem nem coragem, nem temperança, nem justiça, nem prudência; receia até o voo das moscas; que se entrega a todos os excessos no comer e no beber; que, pelo mais vil interesse, mataria os seus melhores amigos; que se mostra tão provido de razões como as crianças e os furiosos.
Mas, embora se esteja de acordo nestes princípios, há sempre opiniões divergentes em maior ou menor número de pontos. A maioria, pensando que lhes basta ter um pouco de virtude, desejam imenso ultrapassar os outros em riqueza, em poder, em glória e noutras vantagens semelhantes. A esse respeito é fácil saber em que ponto se deve ficar; basta para isso consultar a experiência. Todos vemos que não é pelos bem exteriores que se adquirem e conservam as virtudes, mas que é, antes, pelos talentos e pelas virtudes que se adquirem e conservam os bens exteriores; e que, quer se faça consistir a felicidade no prazer ou na virtude, ou em ambas as coisas, os que têm melhor inteligência e melhores costumes atingem-na mais cedo com uma fortuna medíocre do que aqueles que têm mais do que o necessário e que não possuem outros bens.
Por pouco que queiramos dar atenção a isto, a razão é suficiente para nos convencer. Os bens exteriores não são mais do que úteis instrumentos, se são proporcionados ao seu fim, mas semelhantes a qualquer outro instrumento cujo excesso prejudica necessariamente ou é, pelo menos, inútil àquele que o emprega. Pelo contrário, os bens da alma, não são somente honestos, são também úteis, e quanto mais ultrapassam a medida comum mais utilidade têm.
… a alma, pela sua natureza e relativamente a nós, é dum valor muito diferente do do corpo e do dos bens, os seus bom hábitos ultrapassarão os das outras substâncias. Tais bens só são desejáveis para ela e todos os homens os desejam para a alma e não a alma para eles. Tenhamos, pois, como pacífico que não há felicidade para qualquer senão na medida em que tem virtude e prudência e em que age em conformidade com elas. Temos disto o exemplo e a prova em Deus, que é feliz, não por qualquer bem exterior, mas por si próprio e pelos seus atributos essenciais. A felicidade é muito diferente da fortuna. É da fortuna que nos vêm os bens exteriores; mas ninguém é justo ou prudente em razão da fortuna nem por seu intermédio.
Dos mesmos princípios depende a felicidade do Estado. É impossível que um Estado seja feliz se dele for banida a honestidade. Sem a virtude e sem a prudência nada de bom se pode esperar dele…”
Portugal, fotografia (5)
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Portugal, impuseste-te a ti próprio um paternalismo infantil. Quando fizeste a tua revolução, viste, e bem, que os teus membros, os Portugueses, tinham um défice de direitos face aos deveres impostos. Não contente com o facto resolveste tratar do assunto. Só que te faltou o sentido das proporções, e assim, algo inebriado pelas circunstâncias e muito influenciado por muita conversa fácil inverteste completamente a distribuição dos pesos na balança. Onde antes fabricavas Portugueses modestos, comedidos, trabalhadores, com fibra, desafiantes, e apreciadores de relações suaves e duradouras; agora fabricas Portugueses arrogantes, impertinentes, ociosos, moles, corporativos, e apreciadores de relações fortes e efémerasAssim, transformaste completamente os teus membros. E modificaste-os castrando-os naquilo que é natural em qualquer animal: o crescimento. Com a tua nova fórmula os Portugueses de idade adulta são nos dias de hoje ainda crianças. E como qualquer criança desproporcionalmente apaparicada vamos encontrando nos dias de hoje muita tendência para o queixume e para a impertinência. Os Portugueses agora estão sempre à espera de receber e nunca de dar, estão com pouca apetência para tomar o seu destino nas próprias mãos, perfeitamente avessos ao “no pain, no gain”. Nesta nova condição, e pela natureza das coisas, passam a ser constantemente ultrapassados pelos acontecimentos. Por estes estarem sempre em constante mutação, tal a velocidade da mudança actualmente, os Portugueses sentem-se hoje atordoados e perdidos, atulhados de dúvidas sobre o que fazer, sem tino e paralisados. Estão literalmente órfãos dos acontecimentos.
Aos Portugueses tudo agora lhes faz confusão, tudo os apoquenta, tudo o que surge é visto como um potencial perigo. Na ânsia de se protegerem até do voo de uma mosca tratam agora de legislar sobre tudo e sobre nada, tomando sempre o acessório como essencial e o essencial como o acessório. Vão multiplicando a existência de direitos ao mesmo tempo que vão subtraindo a prática de deveres. Tendencialmente vão medindo muito deficientemente as consequências dos seus actos tal a impreparação que os caracteriza. Procuram sempre ocultar os seus resultados se estes forem fracos, e mantêm a esperança na sua socialização se estes forem negativos. Tudo sintomas típicos das crianças e de espíritos mais débeis.
Os Portugueses adultos, digamos os que vão dos 30 aos 65 anos, com muita moleza da vida fácil que julgavam ser possível existir andam agora muito incomodados com a realidade. Ela é mais dura do que se pensava e há poucas almas com maturidade e fibra para tratar de tanto espírito que pouco amadureceu. Isso cria um sentimento de insegurança muito grande, o que misturado com a abundância de perfis pouco recomendáveis de muitas pessoas em lugares de destaque gera algum desnorte. Na política e no sector público faltam agora homens fortes de espírito em lugares de responsabilidade. Isso faz-nos fracos. Se à fraqueza de espírito adicionarmos a falta de integridade isso faz-nos desesperar.
A geração de Abril inicia agora uma suave e doce reforma. Partem para essa nova fase com um claro sentimento de que “safaram-se” e de que deixaram uma herança que não desejariam ter herdado. Aos poucos os seus filhos vão reparando que a fórmula dos seus progenitores já não é exequível, tão pouco recomendável. Mas foram ainda formatados nesse modelo, pelo que, ao viverem já com o triplo das dificuldades previstas mas ainda agarrados a uma esperança que não se vai realizar, talvez tenhamos os ingredientes para um tumulto inter-geracional no futuro próximo (talvez daqui a 5/7 anos). A crise internacional actual poderá precipitar esse conflito.
Portugal, tens que proceder a novas avaliações sobre direitos e deveres. Tens que compreender que não é viável construíres uma sociedade sem uma equilibrada proporção entre estes dois elementos. Tens que compreender que a posse de um é o resultado da prática do outro. Uma vida sã e justa em sociedade é regida por princípios básicos que o homem sapiente tratará de respeitar e praticar. A proporção entre direitos e deveres é um deles. Respeita este princípio e sentirás a harmonia. Viola-o e sentirás a turbulência.
Tudo indica que não vai haver dinheiro para andar de TGV
Vem hoje a público um estudo que diz o seguinte
"A diminuição do valor da reforma pago pelo Estado resulta da introdução, na legislatura passada, do chamado 'factor de sustentabilidade das pensões', que procura garantir a solidez financeira da Segurança Social, confrontada com o aumento da esperança média de vida e com o abrandamento do crescimento da taxa de natalidade."
"Segundo as contas da Optimize, um indivíduo actualmente com 30 anos e a auferir um salário ilíquido de 2.000, após 40 anos de contribuições e quando se reformar aos 65 anos, receberá apenas 41,2 por cento do último salário se tiver um aumento salarial anual 3 por cento acima da inflação."
"De acordo com o estudo realizado, os portugueses vão perder entre 25 e 50% do seu salário com a passagem à reforma. "O valor médio das pensões de reforma pago pela Segurança Social vai continuar a descer durante as próximas décadas, passando de perto de 75 por cento do valor do último salário ilíquido, em média, para apenas cerca de 53 por cento", conclui o estudo."
2009/11/25 - 11:39
Fonte: Jornal de Negócios
Relembro que os reformados a partir de 2030 não vão ter dinheiro para andar de TGV. Por também não terem nessa altura dinheiro para ter automóvel esses reformados irão precisar de transportes públicos em condições.
Invocar necessidade de TGV em Portugal começa a ser demasiado absurdo para ser verdade.
"A diminuição do valor da reforma pago pelo Estado resulta da introdução, na legislatura passada, do chamado 'factor de sustentabilidade das pensões', que procura garantir a solidez financeira da Segurança Social, confrontada com o aumento da esperança média de vida e com o abrandamento do crescimento da taxa de natalidade."
"Segundo as contas da Optimize, um indivíduo actualmente com 30 anos e a auferir um salário ilíquido de 2.000, após 40 anos de contribuições e quando se reformar aos 65 anos, receberá apenas 41,2 por cento do último salário se tiver um aumento salarial anual 3 por cento acima da inflação."
"De acordo com o estudo realizado, os portugueses vão perder entre 25 e 50% do seu salário com a passagem à reforma. "O valor médio das pensões de reforma pago pela Segurança Social vai continuar a descer durante as próximas décadas, passando de perto de 75 por cento do valor do último salário ilíquido, em média, para apenas cerca de 53 por cento", conclui o estudo."
2009/11/25 - 11:39
Fonte: Jornal de Negócios
Relembro que os reformados a partir de 2030 não vão ter dinheiro para andar de TGV. Por também não terem nessa altura dinheiro para ter automóvel esses reformados irão precisar de transportes públicos em condições.
Invocar necessidade de TGV em Portugal começa a ser demasiado absurdo para ser verdade.
A má supervisão sai caríssima
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
"Desvio no BPN elevou-se a dez vezes o custo da Ponte Vasco da Gama(25-11-2009 9:39:00)
Oliveira e Costa e os ex-administradores do BPN Luís Caprichoso e Francisco Sanches são acusados pelo Ministério Público de terem criado um buraco de 9,7 mil milhões de euros em operações fora da contabilidade do Banco Insular (BI).
O valor, que representa quase dez vezes o custo inicial da Ponte Vasco da Gama, é avançado pelo “Correio da Manhã” com base no despacho de acusação divulgado entregue ao antigo presidente do BPN, Oliveira e Costa, que está agora em prisão domiciliária.
O Ministério Público abriu, pelo menos, quatro novos inquéritos relacionados com as irregularidades cometidas no Banco Português de Negócios."
Fonte: Bigonline
Num país com 10,6 milhões de pessoas e com meia dúzia de bancos tem que ser fácil detectar fraudes desta dimensão. Mais difícil será em países com muitos mais bancos e com 300 milhões (EUA) ou 1.300 milhões (China e Índia). Aí pode-se afigurar mais difícil supervisionar. Agora nesta “quintarola” onde todos se conhecem, onde tudo está à mão, onde se alguém espirra todos o sabem, é difícil de aceitar que não era possível detectar uma fraude desta dimensão, ou que era difícil, ou que o esquema estava muito bem feitinho, etc.
A supervisão financeira pela sua natureza não se deve regular por critérios de amizade e convivência agradável entre supervisor e supervisado. O custo de uma falha pode ser de tal forma grande que mais vale pecar na supervisão por excesso de zelo e desconfiança do que o seu contrário. Mas como somos um país de “gaijos” porreiros onde ninguém é responsabilizado por nada...
No entretanto aconselha-se a que o supervisor vá tomando mais cuidado com o que diz publicamente sobre impostos. O que se passou nos últimos dias só reforça a sua debilidade.
Uma atenção quando se reduz o nível de consumo privado
Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
In “Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens” de Jean-Jacques Rousseau“Neste novo estado, com uma vida simples e solitária, necessidades muito limitadas e com instrumentos já inventados para prover a essas necessidades, os homens, gozando de muito tempo livre, empregaram-no a descobrir diversas comodidades desconhecidas pelos seus pais; e foi desse modo que, sem o pensarem, se impuseram o primeiro jugo e prepararam a primeira fonte de males para os seus descendentes; porque para além do facto de continuarem assim a amolecer o corpo e o espírito, essas comodidades foram com o hábito, perdendo todo o seu atractivo e ao mesmo tempo foram-se transformando em verdadeiras necessidades, cuja privação se tornou muito mais cruel do que doce tinha sido a sua posse, e ficava-se infeliz por as perder, sem se ter sido feliz por as possuir.”
Nota ao artigo anterior
Domingo, 22 de Novembro de 2009
A aposta em transportes públicos em Lisboa e Porto em muito pode beneficiar o turismo nestas duas cidades pelo facto de retirar a afluência de automóveis. Cidades com menos automóveis são muito mais aprazíveis. E Porto e Lisboa podem ganhar muitos mais turistas se tiverem muito menos automóveis. E tendencialmente turismo fora dos meses de Junho, Julho e Agosto, o que será bastante benéfico pois aumenta a capacidade dos respectivos aeroportos nas alturas de menor movimento, não colocando assim em risco a sua saturação, rentabilizando antes a capacidade já instalada.
Reflexão sobre onde fazer investimento público
Domingo, 22 de Novembro de 2009
É no meio de uma ressaca de uma crise financeira que o investimento público é mais necessário. A redução do consumo privado pelas famílias / indivíduos deverá ser compensada pelo aumento do investimento público. O objectivo é evitar um decréscimo elevado do nível de actividade económica e com isso gerar-se um mecanismo de bola de neve que leve a uma Depressão. Enquanto as famílias / indivíduos procedem ao ajustamento do seu consumo face à nova realidade o investimento público trata de compensar essa redução. Posteriormente, e após efectuado esse ajustamento, há que reduzir o investimento público de modo a evitar uma crise orçamental.A questão que se levanta é sobre para onde direccionar o investimento público. Em Portugal fala-se no TGV e num novo aeroporto para Lisboa. Já neste espaço referi que estas opções são absurdas pelo facto de não existir nas décadas que se seguem população suficiente que sustente a exploração corrente e o pagamento do investimento para essas actividades. Com a agravante de que as estruturas agora existentes já responderem satisfatoriamente às necessidades presentes e futuras, pelo que novas estruturas significam luxos. Este é o absurdo político de momento com que somos confrontados.
É no entanto óbvio que existem outros investimentos públicos que são necessários e que em muito podem satisfazer a população, nomeadamente aquela franja de menores rendimentos. Penso de imediato em bons transportes públicos urbanos, na expansão da rede de metro e eléctrico em Lisboa e no Porto. Não só se trata de satisfazer as necessidades de transporte diárias de novas populações, as que ainda não estão servidas, mas também trata-se de incrementar o nível de serviço das que já estão servidas, oferecendo-lhes portanto outros destinos.
O investimento em transportes públicos é positivo porque, para além de melhor servir as necessidades de transporte, pode aliviar o orçamento familiar / individual dos cidadãos por estes passarem a utilizar com menor frequência o transporte privado, por definição mais caro. Ou seja, existem efeitos positivos imediatos nas populações ao nível de serviço e de custo, sendo que as populações de mais baixos rendimentos sentirão positivamente e de forma muito mais acentuada esses efeitos.
Outro aspecto positivo é a aposta na cultura de bens públicos que podem ser utilizados por todos. TGVs e novos aeroportos são, no actual e futuro cenário demográfico do país, luxos que irão beneficiar só uma parte da população, e logo a de maiores rendimentos. A extensão das redes de metropolitano e eléctrico, pelo contrário, irão beneficiar muito mais pessoas, e com uma regularidade quase diária. E logo aquelas com menos rendimentos, o que em si é bem mais meritório.
Também, e este ponto é pouco abordado, uma rede de metro muito mais alargada beneficia as necessidades de transporte dos idosos do futuro em Portugal. Porquê? Porque esses, com as suas reduzidas reformas não vão ter dinheiro para ter automóvel e para andar de avião e de TVG (a partir de Lisboa não vão ao Porto e a Madrid porque não vão ter dinheiro para o transporte e porque não vão ter dinheiro para os hotéis). Precisam acima de tudo de bons transportes públicos para se movimentarem na sua área alargada de residência. Os idosos do futuro, em número muito superior ao de hoje, irão precisar de ir aos médicos sozinhos (o filho/a viverá por certo longe e não haverá dinheiro para pagar um acompanhante), frequentar parques e jardins públicos, visitar museus, etc. A maior parte deles residirá nos grandes centros urbanos, e nada como uma boa rede de metropolitano e de eléctrico para satisfazer as suas necessidades de transporte.
Também uma boa rede de transporte público urbano tem o mérito de aliviar o actual elevado nível de tráfego automóvel. Ou seja, é substituto do actual meio de transporte, pelo que tende a satisfazer todos, independentemente do rendimento. E mais, por reduzir tempos de transporte, por servir mais população, é mais amigo da família, e com isso pode ser facilitador do desejado aumento da taxa de fecundidade.
Existem também outros destinos para investimento público. Eu apostaria em jardins e parques. De preferência os de proximidade, ou seja, suficientemente perto do local onde as pessoas vivem. Não têm que ser parques gigantes. Apostaria mais em muitos e mais pequenos, e já agora com poucas elevações pois parece que isto da idade tem que se lhe diga. É que os idosos precisam de passear e um jardim ou parque na proximidade pode vir a calhar.
Pensemos que este grupo etário (mais de 65 anos), grupo um pouco mal amado cá no burgo, vai corresponder a cerca de 2,7 milhões da nossa população em 2050 (cerca 36% da população para o cenário mais pessimista, ou seja, para uma taxa de fecundidade igual a 1,3 e que mais não é do que a taxa actual; em 2008 a população com idade superior a 65 anos corresponde a 1,875 milhões). E como as árvores demoram algum tempo a crescer talvez o trabalho devesse ser iniciado agora. Mas isto de falar em parques para os idosos gozarem em 2050 soa a politicamente errado segundo os valores do momento. Mas se este argumento não serve, caramba, diga-se que é ecológico, argumento um pouco “mais a calhar”, mais “moderno” e com aprovação certa do spin doctor de serviço.
Proponho que se reflicta seriamente sobre onde queremos efectuar investimento público. Qualquer que ele seja, ele vai ser custeado pelas gerações futuras pois ter-se-á que recorrer a empréstimos (no pressuposto que eles nos são concedidos). Pelo critério da seriedade talvez seja pertinente identificarmos como vai ser a população portuguesa nos próximos 30 a 50 anos e de quais serão as suas necessidades.
Há muito trabalho de reflexão a fazer.
Vai demorar muito e um bem haja às autoridades
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
A saída da actual crise vai demorar muito, muito tempo. Esta é a característica das crises financeiras com origem em alavancagens financeiras (recurso a forte endividamento). O ajustamento é muito demorado pelo que o consumo fica muito reprimido por um periodo de tempo anormalmente longo.Demos graças às autoridades que andam a actuar muito bem, baixando os juros, aumentando a despesa pública e não se escusando a injectar liquidez à economia. Após o colapso bolsista de 1929, quando existia um elevado nível de alavancagem na economia, as autoridades aumentaram os juros, contiveram a despesa pública e deixaram os bancos ir à falência ao retirar liquidez no sistema bancário. O resultado é conhecido: Uma Grande Depressão.
Individualmente tratemos de cumprir com o nosso ajustamento de modo a acelarar o ajustamento global.
Vai demorar muito, muito tempo
Recuperação do imobiliário nos EUA terá de esperar pelo próximo ano
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Segundo o Jornal de negócios:Recuperação do imobiliário nos EUA terá de esperar pelo próximo ano
A recuperação do mercado imobiliário nos EUA é esperada para o próximo ano, depois de terem sido divulgados dados pouco animadores relativos ao sector. O número de pedidos de empréstimo à habitação caiu e os incumprimentos de crédito desceram atingiram um nível recorde.
“Acho que a crise do imobiliário ainda não terminou”, disse o economista chefe da Moody’s Economy.com, Mark Zandi à Bloomberg. “Creio que ainda vamos ver mais uma queda no mercado”, acrescentou.
As vendas de novas habitações devem recuperar no início da denominada “época de vendas da Primavera”, segundo disse a maior construtora de habitações de luxo, Toll Brothers, segundo a Bloomberg. Já as vendas de habitações existentes podem demorar mais algum tempo, avança a agência noticiosa.
Os pedidos de financiamento para compra de casa desceram para mínimos de 12 anos, na semana passada, com os níveis de incumprimento de crédito à habitação a subirem para máximos recorde, no terceiro trimestre, segundo a Bloomberg que cita dados da Associação de Banqueiros para o crédito à Habitação.
Um índice de confiança dos construtores de habitações, em Novembro, ficou abaixo das estimativas dos economistas consultados pela Bloomberg. O indicados de confiança dos construtores do Departamento do Comércio caiu 11% em Outubro, o valor mais baixo desde Abril, quando se registou o valor mais baixo do índice, de sempre.
Portugal está a perder competitividade e precisa de acelerar reformas
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Segundo notícia no BigonlinePortugal está a perder competitividade e precisa de acelerar reformas
(20-11-2009 15:30:00)
A economia portuguesa, tal como a espanhola, italiana e grega, está a perder competitividade em favor da Ásia, especialmente da China. A opinião é do economista e guru dos mercados financeiros, Nouriel Roubini, que hoje esteve em Lisboa.
Na conferência dada no âmbito do 11º almoço conferência do Diário Digital, Roubini declarou que a competitividade se perdeu em Portugal e que, uma vez que se trata de um país que faz parte da União Europeia e que, por isso, não tem independência a nível fiscal e cambial, a solução é que proceda às nossas próprias reformas.
“Portugal precisa de acelerar as reformas para aumentar o crescimento da produtividade”, afirmou o economista, salientando aspectos como a despesa pública, impostos ou educação. “É preciso que Portugal torne a sua economia mais flexível”, acrescentou o economista.
Nouriel Roubini, cujos textos de opinião que escreve para o Project Syndicate são publicados pelo Negócios, é professor de economia na Universidade de Nova Iorque e “chairman” da empresa de consultoria RGE Monitor. O economista ficou célebre por prever a actual crise, sendo por isso alcunhado de “profeta da desgraça”.