TERÇA-FEIRA, 16 DE MARÇO DE 2010
Reparemos nas nossas maiores empresas, a maioria das quais cotadas na bolsa de Lisboa. São quase todas prestadoras de serviços e vendedoras de produtos que visam o consumo interno, e que por inércia implicam muita importação. Poucas são as que visam as exportações.
Alguns exemplos das maiores empresas essencialmente portuguesas que satisfazem essencialmente o consumo interno:
Sonae
Jerónimo Martins
Todos os bancos – entre 40% e 50% do negócio visa o crédito à habitação e crédito ao consumo
PT
ZON
Todas as construtoras
EDP
REN
GALP
Cimpor
SAG
As que visam essencialmente a exportação são
Corticeira Amorim
Portucel
Autoeuropa
A Quimonda, que era a segunda ou terceira maior exportadora, faliu.
No entanto há algo em movimento que é positivo. Na expectativa de que o mercado interno já não dá mais, todas as empresas listadas vêem-se forçadas a procurar outros mercados, o que é óptimo, pois isso acaba sempre por significar exportações e o repatriamento de lucros.
Mas acima de tudo fica para a história que os nossos maiores empresários dos últimos anos trataram de investir em produtos / serviços que visavam o consumo interno. Não os censuro. A economia é guiada por forças que nada têm que ver com juízos cor-de-rosa de “como é que os agentes económicos se devem comportar”. Isso serve os dislates de engenheiros sociais quando têm à sua mercê alguns povos. O Dr. Louçã que não tenha ilusões em Portugal. Mas O Estado pode dar muitos sinais aos empresários. Até agora os sinais que vimos foram todos dados em prol da “beleza” do consumo e de como isso dava brinde para as eleições. Havia, acima de tudo, que não assustar o povo com puerilidades de reduções de despesa. Isso era coisa de “retrógados”. O ideal de “modernidade” não é compatível com o conceito de frugalidade. Não é verdade Professor Cavaco? Não é verdade Eng. Guterres? Não é verdade Dr. Barroso? Não é verdade Sr. Sócrates?
Futuramente os sinais vão ser no sentido da exportação, ou não fossem a maioria dos PINs voltados para o turismo.
Futuramente vamos assistir a redução de despesa. Sim, os congelamentos nos vencimentos na Função Pública vêem aí. Finalmente, embora com o móbil errado: a pressão externa.
Futuramente vamos assistir a reduções / eliminações de deduções no IRS. Finalmente (para algumas), embora com o móbil errado: a pressão externa.
Vai ser giro estudar a história de Portugal de 1986 até 2040. Especialmente no seu ponto de viragem, do viver acima das possibilidades até 2012, e o começo do pagamento das dívidas a partir de 2015. 2010 até 2015 será o período em que finalmente assumimos o que sempre vimos ao espelho.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Portugal, solução (7)
SEGUNDA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2010
Portugal, tens que tratar um pouco da questão da tua classe dirigente. Olhando a tua história recente não tens motivos para te gabares te produzires em número apreciável uma classe dirigente exemplar. Esta questão é endémica e anda a fornecer modelos errados às contínuas fornadas de futuros dirigentes que as tuas universidades vêm produzindo. Este facto é confirmado pelas apreciações externas do dirigente médio português por parte dos executivos estrangeiros a trabalhar em Portugal, e pelo facto de o português médio obter níveis de produtividade mais elevados quando se encontra a trabalhar noutros Países.
Desta forma, tens que, onde politicamente for possível, apetrechar as tuas organizações com dirigentes estrangeiros, nomeadamente saxónicos e nórdicos, de modo a dificultar fenómenos de aculturação por parte de quem é convidado a dirigir muitas das nossas organizações. Por não puderes influenciar o que se passa no mundo das empresas privadas, a opção política limitar-se-á às organizações públicas. As posições nas organizações públicas não se deverão resumir somente aos cargos de direcção. Visam, acima de tudo, os cargos de administração.
Portugal, esta solução insólita tem diversas justificações, a saber:
1. Aumentar os níveis de produtividade das tuas organizações públicas.
2. Dotares as tuas organizações públicas de directivas mais humanas no que respeita às cargas de horários de trabalho. Saxónico e nórdico não emite os imbecis comentários do género “já se vai embora” quando chega as 17h ou 18h. São pessoas culturalmente respeitadoras do próximo ao nível organizacional e com pouca apetência para pressões que mais não fazem do que camuflar as deficiências organizacionais de que o dirigente português é, afinal de contas, o maior responsável.
3. Romperes com a lógica de mexerico que grassa no nosso exíguo mercado bem como a cultura de familiaridade que se pensa ser necessário ter quando se anda nas “altas esferas”. É pouco provável com estrangeiros à mistura o estabelecimento de uma cultura do “dar um toque” ou “um jeitinho” no pior sentido que estas ideias contêm. Quanto ao desenrascanço, não te preocupes que nunca o perderás, isso será complementado pelos outros dirigentes Portugueses, pois como imaginas não defendo a remoção total do dirigente Português, quanto mais não seja porque o "desenrasca" será cada vez mais uma virtude. A mescla seguramente promoverá complementaridades e produzirá excelência.
4. Diminuíres em grande escala essa praga do cargo de confiança política o que mais não faz do que criar carreiristas nos partidos políticos.
5. Dotares as tuas organizações públicas de comunicações elaboradas em inglês, e disseminares, sempre que possível, a língua inglesa na tua sociedade.
6. Criares novos modelos de dirigente de sucesso de modo a cortares com o descarrilamento que se verifica no dirigente Português quando este se apercebe “como é que afinal as coisas se fazem”.
Portugal, serve-te da Globalização para proveito dos teus cidadãos. O teu País oferece encantos mais que apelativos para encantar um bom dirigente Holandês, Inglês ou Finlandês. Imagina o desafio que será para essas almas: Estar em lugares de destaque e influência em organizações públicas em Portugal com o intuito de disseminar a cultura organizacional pessoal que lhe corre no sangue. Isto salpicado com o teu clima, amêijoas à Bulhão Pato, um bom queijo Serpa e Golf todo o ano será o suficiente para ter resmas de interessados. E nota que existem nos dias de hoje milhares de dirigentes altamente qualificados que estão no desemprego.
E de modo a te dar algumas orientações, diria que os estrangeiros deverão ocupar, em média, 50% dos cargos mais importantes em questão. Parece exagerado, mas se assim não for comprometes o objectivo da medida. Seriam “comidos” pelas gentes e cultura locais. Literalmente seriam “postos no bolso” pelos que “sabem fazer as coisas”. E já agora digo-te que a CGD e o Banco de Portugal não deverão escapar a esta medida. Talvez até seja onde é mais urgente a irrigação de sangue nórdico e saxónico.
Portugal, não tenhas pena do dirigente Português de topo nem vás em conversas proteccionistas de quem sempre apregoou as últimas dos mercados e suas dinâmicas. Nem em discursos inflamados do “somos tão bons como os melhores”, etc. Isso serão defesas ao status quo que mais não são do que a defesa este estado pantanoso onde quem melhor se governa é quem melhor conhece as duvidosas regras do jogo e “sabe fazer as coisas”. E quando chegar o discurso dos “centros de decisão” lembra-te que os filhos dos imigrantes acabam sempre por ser cidadãos do País acolhedor. Não vais deixar de ser mais Portugal por causa desta medida, pelo contrário, vais ser mais Portugal porque a tua actual e assustadora taxa de fecundidade subirá. Sim, o dirigente estrangeiro perguntará ao trabalhador o que é que ele ainda está a fazer no escritório lá pelas 18h. E não infernizará o pobre trabalhador com ameaças num tom feudalista.
Portugal, como já te disse anteriormente, as soluções para o teu caso terão que ser insólitas. Esta é-o sem dúvida, mas se reparares bem tem muitos fundamentos. Que o receio do insólito não retire de cima da mesa boas opções.
Portugal, tens que tratar um pouco da questão da tua classe dirigente. Olhando a tua história recente não tens motivos para te gabares te produzires em número apreciável uma classe dirigente exemplar. Esta questão é endémica e anda a fornecer modelos errados às contínuas fornadas de futuros dirigentes que as tuas universidades vêm produzindo. Este facto é confirmado pelas apreciações externas do dirigente médio português por parte dos executivos estrangeiros a trabalhar em Portugal, e pelo facto de o português médio obter níveis de produtividade mais elevados quando se encontra a trabalhar noutros Países.
Desta forma, tens que, onde politicamente for possível, apetrechar as tuas organizações com dirigentes estrangeiros, nomeadamente saxónicos e nórdicos, de modo a dificultar fenómenos de aculturação por parte de quem é convidado a dirigir muitas das nossas organizações. Por não puderes influenciar o que se passa no mundo das empresas privadas, a opção política limitar-se-á às organizações públicas. As posições nas organizações públicas não se deverão resumir somente aos cargos de direcção. Visam, acima de tudo, os cargos de administração.
Portugal, esta solução insólita tem diversas justificações, a saber:
1. Aumentar os níveis de produtividade das tuas organizações públicas.
2. Dotares as tuas organizações públicas de directivas mais humanas no que respeita às cargas de horários de trabalho. Saxónico e nórdico não emite os imbecis comentários do género “já se vai embora” quando chega as 17h ou 18h. São pessoas culturalmente respeitadoras do próximo ao nível organizacional e com pouca apetência para pressões que mais não fazem do que camuflar as deficiências organizacionais de que o dirigente português é, afinal de contas, o maior responsável.
3. Romperes com a lógica de mexerico que grassa no nosso exíguo mercado bem como a cultura de familiaridade que se pensa ser necessário ter quando se anda nas “altas esferas”. É pouco provável com estrangeiros à mistura o estabelecimento de uma cultura do “dar um toque” ou “um jeitinho” no pior sentido que estas ideias contêm. Quanto ao desenrascanço, não te preocupes que nunca o perderás, isso será complementado pelos outros dirigentes Portugueses, pois como imaginas não defendo a remoção total do dirigente Português, quanto mais não seja porque o "desenrasca" será cada vez mais uma virtude. A mescla seguramente promoverá complementaridades e produzirá excelência.
4. Diminuíres em grande escala essa praga do cargo de confiança política o que mais não faz do que criar carreiristas nos partidos políticos.
5. Dotares as tuas organizações públicas de comunicações elaboradas em inglês, e disseminares, sempre que possível, a língua inglesa na tua sociedade.
6. Criares novos modelos de dirigente de sucesso de modo a cortares com o descarrilamento que se verifica no dirigente Português quando este se apercebe “como é que afinal as coisas se fazem”.
Portugal, serve-te da Globalização para proveito dos teus cidadãos. O teu País oferece encantos mais que apelativos para encantar um bom dirigente Holandês, Inglês ou Finlandês. Imagina o desafio que será para essas almas: Estar em lugares de destaque e influência em organizações públicas em Portugal com o intuito de disseminar a cultura organizacional pessoal que lhe corre no sangue. Isto salpicado com o teu clima, amêijoas à Bulhão Pato, um bom queijo Serpa e Golf todo o ano será o suficiente para ter resmas de interessados. E nota que existem nos dias de hoje milhares de dirigentes altamente qualificados que estão no desemprego.
E de modo a te dar algumas orientações, diria que os estrangeiros deverão ocupar, em média, 50% dos cargos mais importantes em questão. Parece exagerado, mas se assim não for comprometes o objectivo da medida. Seriam “comidos” pelas gentes e cultura locais. Literalmente seriam “postos no bolso” pelos que “sabem fazer as coisas”. E já agora digo-te que a CGD e o Banco de Portugal não deverão escapar a esta medida. Talvez até seja onde é mais urgente a irrigação de sangue nórdico e saxónico.
Portugal, não tenhas pena do dirigente Português de topo nem vás em conversas proteccionistas de quem sempre apregoou as últimas dos mercados e suas dinâmicas. Nem em discursos inflamados do “somos tão bons como os melhores”, etc. Isso serão defesas ao status quo que mais não são do que a defesa este estado pantanoso onde quem melhor se governa é quem melhor conhece as duvidosas regras do jogo e “sabe fazer as coisas”. E quando chegar o discurso dos “centros de decisão” lembra-te que os filhos dos imigrantes acabam sempre por ser cidadãos do País acolhedor. Não vais deixar de ser mais Portugal por causa desta medida, pelo contrário, vais ser mais Portugal porque a tua actual e assustadora taxa de fecundidade subirá. Sim, o dirigente estrangeiro perguntará ao trabalhador o que é que ele ainda está a fazer no escritório lá pelas 18h. E não infernizará o pobre trabalhador com ameaças num tom feudalista.
Portugal, como já te disse anteriormente, as soluções para o teu caso terão que ser insólitas. Esta é-o sem dúvida, mas se reparares bem tem muitos fundamentos. Que o receio do insólito não retire de cima da mesa boas opções.
Portugal, solução (6)
QUINTA-FEIRA, 11 DE MARÇO DE 2010
Portugal, tens de uma vez por todas de passar a pensar que não é a medida A, B, ou C que te vai salvar. Pensas sempre que existe algo que vai sair da cartola e que, num ápice, vai resolver todos os teus problemas. Essa é uma atitude pouco madura, e penso mesmo ser bastante acriançada. Faz-me lembrar o jogo da “apanhada” onde o último “salva todos”, fazendo com que os outros jogadores nem precisem de se esforçar muito. E os teus cidadãos vivem mais ou menos nesta circunstância, pensando que se podem dar ao luxo de andar a fazer isto e aquilo sem se incomodarem muito com as consequências, e sempre na esperança que no fim venha o Estado e que diga: 1,2,3 Estado salva todos. Os exemplos mais ilustrativos dos dias de hoje são o TGV e o novo aeroporto de Lisboa.
Portugal, esse mundo onde algo na esfera do poder do Estado vai resolver os teus problemas não existe. Esse é um erro onde governantes e governados insistem em cair. Das forças que movem os governados nada se pode fazer no curto prazo. Já no que toca aos governantes há solução. E essa passa por abandonar esses projectos megalómanos e cumulativamente dizer aos Portugueses que a solução para Portugal depende dos Portugueses e da sua capacidade em realizar projectos, bem como dos estrangeiros que quiserem investir em Portugal. E deverão ser os próprios governantes a dizerem aos governados que a sua função como governantes é atrapalhar o mínimo possível nas acções empreendedoras da iniciativa privada (desde que isso não colida com o bem comum; penso, por exemplo, na questão ambiental).
Os governantes devem, na sequência do abandono da quimera das grandes obras, emitir os sinais de que todos os recursos arrecadados pelos impostos deverão estar ao serviço de toda a economia, e não só de uma parcela desta. A economia é de uma natureza tal que funciona tanto melhor tanto quanto tiver todos os seus elementos num nível de funcionamento mínimo, sem o prejuízo da falência de quem tem, e deve, falir. As grandes obras, pela sua natureza, são limitadas no seu alcance no tecido económico por não abrangerem uma grande parte de sectores, e por serem geograficamente discriminatórias. Existe um lóbi da construção que vai veiculando a ideia de que a construção mexe com muita coisa. Portugal, isso é conversa de construtor civil que, por natureza, só vê o elemento “hard” da economia, não vê o elemento “soft”. Aliás, não se conhecem países desenvolvidos cujo principal sector seja o da construção.
Portugal, precisas é de ter muitos projectos de dimensão média. Projectos de 10 milhões a 250 milhões de euros de investimento espalhados pelo País. Um País mede-se pelo grande número de projectos médios, não pelo pequeno número de grandes projectos. Quanto mais não seja pela dispersão do risco, argumento útil para o caso e muito pouco utilizado. Muitos projectos significam também maior oportunidade para os trabalhadores por conta de outrem, pois o maior número de empregadores é o melhor amigo do trabalhador mais produtivo. Este aspecto em muito beneficiaria a meritocracia pois evita que os melhores fiquem entregues a um oligopólio de meia dúzia de empregadores.
Portugal, reitero ainda um argumento de particular importância. Se abandonares os grandes projectos sobra mais dinheiro para emprestar a todos os outros projectos, e a um preço mais baixo. A “torneira” de dinheiro disponível jorra numa quantidade limitada, e é importante garantir que sobra em quantidade suficiente para todos os projectos que não o TGV e NAL, e já agora, a um preço (juro) que não seja leonino. Por isso é conveniente que não existam distúrbios na canalização de dinheiro para onde ele é mais produtivo, e em quantidade que respeite o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Portugal, nada como serem os empresários a dizerem que projectos devem ser financiados. Quando os Governos são metidos ao barulho as opções saiem enviesadas, nomeadamente quando é muito acentuada a tendência para a corrupção e para o mexerico, características que tens mais do que devias. A tua história recente mostra como é podre a relação estreita entre governantes e as chefias das maiores empresas. Isto prova que o caminho das tuas grandes empresas deve ser independente dos arbítrios resultantes das relações entre o poder político e económico. As tuas grandes empresas só deverão, doravante, pensar nos mercados internacionais e servir-se do mercado nacional como mero local onde amadurecem o seu “core business”.
Portugal, espero que percebas que só existem vantagens nos projectos mais pequenos. Se não encontrares empresários lusitanos adeptos de projectos entre os 10 e os 250 milhões de euros, então busca-os lá fora. Eu até talvez começasse mesmo além fronteiras de modo a irrigar este País com outras gentes e com outras mentalidades. Mescla de culturas ao nível dos empreendedores é um excelente tónico para contagiar os outros segmentos da população. Isso não é coisa que se faça com grandes empresas de construção civil polvilhadas de ex-governantes. Faz-se com gente simples, de ideias simples, com um mínimo de visão, sem agendas pessoais, amantes do esforço, e com projectos transparentes debaixo do braço. E estes elementos são indiferentes à cor da pele e à cultura, e até são de uma natureza tal que acharão por certo graça irem empreender para locais aprazíveis desde que os não atrapalhem em demasia.
Portugal, tens de uma vez por todas de passar a pensar que não é a medida A, B, ou C que te vai salvar. Pensas sempre que existe algo que vai sair da cartola e que, num ápice, vai resolver todos os teus problemas. Essa é uma atitude pouco madura, e penso mesmo ser bastante acriançada. Faz-me lembrar o jogo da “apanhada” onde o último “salva todos”, fazendo com que os outros jogadores nem precisem de se esforçar muito. E os teus cidadãos vivem mais ou menos nesta circunstância, pensando que se podem dar ao luxo de andar a fazer isto e aquilo sem se incomodarem muito com as consequências, e sempre na esperança que no fim venha o Estado e que diga: 1,2,3 Estado salva todos. Os exemplos mais ilustrativos dos dias de hoje são o TGV e o novo aeroporto de Lisboa.
Portugal, esse mundo onde algo na esfera do poder do Estado vai resolver os teus problemas não existe. Esse é um erro onde governantes e governados insistem em cair. Das forças que movem os governados nada se pode fazer no curto prazo. Já no que toca aos governantes há solução. E essa passa por abandonar esses projectos megalómanos e cumulativamente dizer aos Portugueses que a solução para Portugal depende dos Portugueses e da sua capacidade em realizar projectos, bem como dos estrangeiros que quiserem investir em Portugal. E deverão ser os próprios governantes a dizerem aos governados que a sua função como governantes é atrapalhar o mínimo possível nas acções empreendedoras da iniciativa privada (desde que isso não colida com o bem comum; penso, por exemplo, na questão ambiental).
Os governantes devem, na sequência do abandono da quimera das grandes obras, emitir os sinais de que todos os recursos arrecadados pelos impostos deverão estar ao serviço de toda a economia, e não só de uma parcela desta. A economia é de uma natureza tal que funciona tanto melhor tanto quanto tiver todos os seus elementos num nível de funcionamento mínimo, sem o prejuízo da falência de quem tem, e deve, falir. As grandes obras, pela sua natureza, são limitadas no seu alcance no tecido económico por não abrangerem uma grande parte de sectores, e por serem geograficamente discriminatórias. Existe um lóbi da construção que vai veiculando a ideia de que a construção mexe com muita coisa. Portugal, isso é conversa de construtor civil que, por natureza, só vê o elemento “hard” da economia, não vê o elemento “soft”. Aliás, não se conhecem países desenvolvidos cujo principal sector seja o da construção.
Portugal, precisas é de ter muitos projectos de dimensão média. Projectos de 10 milhões a 250 milhões de euros de investimento espalhados pelo País. Um País mede-se pelo grande número de projectos médios, não pelo pequeno número de grandes projectos. Quanto mais não seja pela dispersão do risco, argumento útil para o caso e muito pouco utilizado. Muitos projectos significam também maior oportunidade para os trabalhadores por conta de outrem, pois o maior número de empregadores é o melhor amigo do trabalhador mais produtivo. Este aspecto em muito beneficiaria a meritocracia pois evita que os melhores fiquem entregues a um oligopólio de meia dúzia de empregadores.
Portugal, reitero ainda um argumento de particular importância. Se abandonares os grandes projectos sobra mais dinheiro para emprestar a todos os outros projectos, e a um preço mais baixo. A “torneira” de dinheiro disponível jorra numa quantidade limitada, e é importante garantir que sobra em quantidade suficiente para todos os projectos que não o TGV e NAL, e já agora, a um preço (juro) que não seja leonino. Por isso é conveniente que não existam distúrbios na canalização de dinheiro para onde ele é mais produtivo, e em quantidade que respeite o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Portugal, nada como serem os empresários a dizerem que projectos devem ser financiados. Quando os Governos são metidos ao barulho as opções saiem enviesadas, nomeadamente quando é muito acentuada a tendência para a corrupção e para o mexerico, características que tens mais do que devias. A tua história recente mostra como é podre a relação estreita entre governantes e as chefias das maiores empresas. Isto prova que o caminho das tuas grandes empresas deve ser independente dos arbítrios resultantes das relações entre o poder político e económico. As tuas grandes empresas só deverão, doravante, pensar nos mercados internacionais e servir-se do mercado nacional como mero local onde amadurecem o seu “core business”.
Portugal, espero que percebas que só existem vantagens nos projectos mais pequenos. Se não encontrares empresários lusitanos adeptos de projectos entre os 10 e os 250 milhões de euros, então busca-os lá fora. Eu até talvez começasse mesmo além fronteiras de modo a irrigar este País com outras gentes e com outras mentalidades. Mescla de culturas ao nível dos empreendedores é um excelente tónico para contagiar os outros segmentos da população. Isso não é coisa que se faça com grandes empresas de construção civil polvilhadas de ex-governantes. Faz-se com gente simples, de ideias simples, com um mínimo de visão, sem agendas pessoais, amantes do esforço, e com projectos transparentes debaixo do braço. E estes elementos são indiferentes à cor da pele e à cultura, e até são de uma natureza tal que acharão por certo graça irem empreender para locais aprazíveis desde que os não atrapalhem em demasia.
Comentário ao post anterior
QUINTA-FEIRA, 4 DE MARÇO DE 2010
Sempre me questionei porque este tema de neo-esclavagismo nunca tenha sido levantado nestes termos nos debates anteriores às eleições. Se calhar faz parte do pacote de um olhar "moderno" sobre como deve ser uma sociedade.
Existe muita dor escondida em muitas mulheres resultante da luta entre o relógio biológico e a carreira, no sentido de que esta para ser um sucesso obrigará a uma carga de trabalho de 12 horas por dia. No entanto verificaremos que a psicose de ter atingido o pleno sucesso aos 40 anos é um mito face à realidade do trabalho nos dias de hoje e no futuro. A geração actual que tem 40 anos, bem como as gerações seguintes, terão que trabalhar muitos mais anos do que a gerações passadas.
Para uma mulher que decidir iniciar uma carreira aos 40 anos ela deverá pensar que tem ainda 30 anos pela frente. E 30 anos é muito. Claro que há o argumento de que o rendimento aos 60 ou 70 não é o mesmo do que aos 30 ou 40. Pois eu não estou nada certo. Depende da actividade. Admito que aos 30 ou 40 anos fazemos as coisas mais rapidamente, mas aos 60 e 70 distinguimos muito melhor o que deve ser feito e o que não deve ser feito.
Vivemos numa transição onde nos regemos ainda pela mentalidade herdade. Temos muita dificuldade em tomar como normal o início de uma carreira aos 40 anos. A mentalidade será dobrada a prazo pelas exigências do mercado e pela realidade demográfica. Ainda me lembro que há 15 ou 20 anos era frequente os anúncios de trabalho nos jornais pedirem pessoas até os 27 anos (sim, 27!!!, nunca vou perceber se havia ou não algum acordo tácito). Há 5 anos atrás já era frequente ver limite de idade até os 35 anos. E garanto-vos que em 2030 o acordo tácito será 45 ou 50 anos.
A demografia tem destas coisas. Nunca me esquecerei que P.Drucker dizia no seu "Inovação e Gestão" que a demografia no futuro é de fácil previsão mas que raramente é tomada em consideração no presente para interpretar como será a realidade futura.
E porque gosto de apresentar soluções práticas a mensagem para todas as mulheres é, quer tirem os seus cursos ou não os tirem. Casem, tenham filhos e trabalhem sem a paranóia da carreira. Mantenham-se em actividade para manter um ritmo mínimo e um pé dentro dos assuntos da vossa área profissional, embora não enquanto tiverem a gozar as licenças de parto. E lá para os 40 ou 45 anos, e se o quiserem, então tenham a paranóia da carreira e então trabalhem muitas horas se o entenderem (até porque o marido já poderá estar mais maçador). Tenham sempre cuidado com aquelas mulheres muito “eficientes” e “modernas” que as olharão com um misto de desdém e inveja por não “abraçarem” a carreira pelo facto de andarem sempre grávidas. Sim, nos eventos sociais elas talvez façam mais furor, mas isso não importa. A vida é longa e vão ver que aos 50 ou 60 anos também poderão apresentar credenciais laborais, se é que isso vos entusiasmará. E com um requinte: o aplauso da prole.
Sempre me questionei porque este tema de neo-esclavagismo nunca tenha sido levantado nestes termos nos debates anteriores às eleições. Se calhar faz parte do pacote de um olhar "moderno" sobre como deve ser uma sociedade.
Existe muita dor escondida em muitas mulheres resultante da luta entre o relógio biológico e a carreira, no sentido de que esta para ser um sucesso obrigará a uma carga de trabalho de 12 horas por dia. No entanto verificaremos que a psicose de ter atingido o pleno sucesso aos 40 anos é um mito face à realidade do trabalho nos dias de hoje e no futuro. A geração actual que tem 40 anos, bem como as gerações seguintes, terão que trabalhar muitos mais anos do que a gerações passadas.
Para uma mulher que decidir iniciar uma carreira aos 40 anos ela deverá pensar que tem ainda 30 anos pela frente. E 30 anos é muito. Claro que há o argumento de que o rendimento aos 60 ou 70 não é o mesmo do que aos 30 ou 40. Pois eu não estou nada certo. Depende da actividade. Admito que aos 30 ou 40 anos fazemos as coisas mais rapidamente, mas aos 60 e 70 distinguimos muito melhor o que deve ser feito e o que não deve ser feito.
Vivemos numa transição onde nos regemos ainda pela mentalidade herdade. Temos muita dificuldade em tomar como normal o início de uma carreira aos 40 anos. A mentalidade será dobrada a prazo pelas exigências do mercado e pela realidade demográfica. Ainda me lembro que há 15 ou 20 anos era frequente os anúncios de trabalho nos jornais pedirem pessoas até os 27 anos (sim, 27!!!, nunca vou perceber se havia ou não algum acordo tácito). Há 5 anos atrás já era frequente ver limite de idade até os 35 anos. E garanto-vos que em 2030 o acordo tácito será 45 ou 50 anos.
A demografia tem destas coisas. Nunca me esquecerei que P.Drucker dizia no seu "Inovação e Gestão" que a demografia no futuro é de fácil previsão mas que raramente é tomada em consideração no presente para interpretar como será a realidade futura.
E porque gosto de apresentar soluções práticas a mensagem para todas as mulheres é, quer tirem os seus cursos ou não os tirem. Casem, tenham filhos e trabalhem sem a paranóia da carreira. Mantenham-se em actividade para manter um ritmo mínimo e um pé dentro dos assuntos da vossa área profissional, embora não enquanto tiverem a gozar as licenças de parto. E lá para os 40 ou 45 anos, e se o quiserem, então tenham a paranóia da carreira e então trabalhem muitas horas se o entenderem (até porque o marido já poderá estar mais maçador). Tenham sempre cuidado com aquelas mulheres muito “eficientes” e “modernas” que as olharão com um misto de desdém e inveja por não “abraçarem” a carreira pelo facto de andarem sempre grávidas. Sim, nos eventos sociais elas talvez façam mais furor, mas isso não importa. A vida é longa e vão ver que aos 50 ou 60 anos também poderão apresentar credenciais laborais, se é que isso vos entusiasmará. E com um requinte: o aplauso da prole.
Portugal, solução (5)
QUARTA-FEIRA, 3 DE MARÇO DE 2010
Portugal, tens que combater sem tréguas essa neurose ilimitada de cargas de trabalho de 12 e mais horas por dia. Esta neurose está na moda e é muito popular nos ambientes de trabalho mais palacianos, tais como, escritórios de advogados, consultoras, bancos, tecnologias de informação, etc. Mas não só. Nos dias de hoje o culto propagou-se como um vírus e parece que quem faz questão de trabalhar somente 8 horas por dia é um calão sem emenda e pessoa profissionalmente pouco recomendável. Obviamente o apoio à família e a apetência para ter mais filhos é prejudicado.
Portugal, isto é um tiro no pé na tua sociedade a prazo pois este é o principal motivo da baixíssima taxa de fecundidade que tens (o assustador 1,3). É impossível pensar em ter muitos filhos nestas circunstâncias, principalmente se forem as mulheres as vítimas da pressão para trabalhar mais do que 8 horas por dia, o que, em rigor, é cada vez mais frequente. As mulheres são nos dias de hoje quem mais sofre nestes ambientes “palacianos” porque simplesmente é quem decidiu nos dias de hoje estudar (os homens andam a dormir), e consequentemente quem mais sofre a pressão em ambientes de trabalho no sector terciário. A questão da carreira, coisa muito em voga, está em constante choque com o relógio biológico da procriação.
Portugal, sei que o Estado não é a entidade mais habilitada para proferir doutrina directa nas matérias de planeamento familiar. Isso é da exclusividade do casal. Mas também sei que o Estado pode emitir sinais positivos através do combate às causas que condicionam os casais no processo de decisão, causas essas altamente influenciadoras nas decisões sobre o número de filhos que uma família deseja ter.
Portugal, para isso proponho um aumento acentuado do número de inspectores de trabalho. Que se inspeccionem todos os locais de trabalho onde se desconfie ocorrerem abusos de empregadores sem escrúpulos. Que se promova a denúncia (e que o nojo ao conceito de “bufo” não escude práticas de pressão pouco recomendáveis). Que se coloque o ónus do incremento do nível da produção sobre as chefias. A história diz que a fórmula para grandes aumentos no volume de produção resulta mais em ganhos de produtividade e menos no aumento de horas de trabalho. E tenho para mim que trabalhar diariamente até à exaustão é o principal obstáculo para obter significativos ganhos de produtividade. Que se apliquem avultadas multas para os empregadores prevaricadores. E que se tome o conceito de “avultado” no sentido exacto do termo.
Portugal, sei que a cultura não se modifica por decreto e que a eficácia das leis não tem a correspondência prática quando comparado com o ideal que lhe serviu de base. Nomeadamente no trabalho que envolve conhecimento a eficácia não pode ser totalmente garantida. É mais fácil controlar tudo o que respeite trabalho manual do que o que respeita ao trabalho intelectual. Mas também sei que muito se poderá obter. E não há quem me tire a ideia de que quando se desconfiar que uma medida pode servir para aumentar a taxa de fecundidade ela não deva ser tomada em boa conta.
Ainda na sequência do ponto anterior sugiro outra medida. Esta sim, radical e exotérica. Proponho a contratação de uma miríade de gestores saxónicos e nórdicos para muitas das nossas empresas públicas, lugares de topo incluídos. Este é um ponto que gostaria de abordar ainda noutra “solução”.
Tenho a firme ideia de que o nosso gestor é na generalidade fraco. Não por deficiências de formação universitária, mas por posteriormente escolher modelos de referência deficientes. Nórdico e saxónicos são menos susceptíveis de embarcarem por caminhos contrários à doutrina aprendida nos bancos da universidade, e consequentemente muito mais respeitosos para com as pessoas quando se vêm em lugares de responsabilidade. O gestor português é muito susceptível a confundir o poder que tem com a capacidade de exigir o que não deve nem pode, ou seja, obrigar por pressão sobre quem dele depende ao trabalho de horas extraordinárias.
Sobre este último ponto aproveito para refutar desde já o argumento corporativista que se adivinharia. A Globalização pode tocar também a quem está nos lugares de topo. A Globalização não é só válida para promover despedimentos e para explicar a deslocalização de fábricas, ou ainda para o mundo do futebol. Seria aliás inadmissível a defesa do proteccionismo por parte de um grupo profissional que emite com frequência, e a bom som, as últimas da gestão.
Portugal, resumindo tens que cuidar bem do que se anda a passar nas relações laborais no que toca a abusos horários. Não deixes que a cultura idiota da pressão barata e reles destrua uma geração de mulheres que decidiu estudar. Muita fiscalização e dirigentes com outra cultura são algumas das soluções mais evidentes. A outra, menos evidente, seria explicar às mulheres que subir na carreira não é coisa que tenha que ser feita até aos 40 anos. Isso pertence ao antigamente quando as pessoas se reformavam aos 60 ou 65 anos. As mulheres que hoje entram no mundo do trabalho irão reformar-se aos 70 ou 75 anos pelo que haverá mais que tempo para a carreira.
Portugal, tens que combater sem tréguas essa neurose ilimitada de cargas de trabalho de 12 e mais horas por dia. Esta neurose está na moda e é muito popular nos ambientes de trabalho mais palacianos, tais como, escritórios de advogados, consultoras, bancos, tecnologias de informação, etc. Mas não só. Nos dias de hoje o culto propagou-se como um vírus e parece que quem faz questão de trabalhar somente 8 horas por dia é um calão sem emenda e pessoa profissionalmente pouco recomendável. Obviamente o apoio à família e a apetência para ter mais filhos é prejudicado.
Portugal, isto é um tiro no pé na tua sociedade a prazo pois este é o principal motivo da baixíssima taxa de fecundidade que tens (o assustador 1,3). É impossível pensar em ter muitos filhos nestas circunstâncias, principalmente se forem as mulheres as vítimas da pressão para trabalhar mais do que 8 horas por dia, o que, em rigor, é cada vez mais frequente. As mulheres são nos dias de hoje quem mais sofre nestes ambientes “palacianos” porque simplesmente é quem decidiu nos dias de hoje estudar (os homens andam a dormir), e consequentemente quem mais sofre a pressão em ambientes de trabalho no sector terciário. A questão da carreira, coisa muito em voga, está em constante choque com o relógio biológico da procriação.
Portugal, sei que o Estado não é a entidade mais habilitada para proferir doutrina directa nas matérias de planeamento familiar. Isso é da exclusividade do casal. Mas também sei que o Estado pode emitir sinais positivos através do combate às causas que condicionam os casais no processo de decisão, causas essas altamente influenciadoras nas decisões sobre o número de filhos que uma família deseja ter.
Portugal, para isso proponho um aumento acentuado do número de inspectores de trabalho. Que se inspeccionem todos os locais de trabalho onde se desconfie ocorrerem abusos de empregadores sem escrúpulos. Que se promova a denúncia (e que o nojo ao conceito de “bufo” não escude práticas de pressão pouco recomendáveis). Que se coloque o ónus do incremento do nível da produção sobre as chefias. A história diz que a fórmula para grandes aumentos no volume de produção resulta mais em ganhos de produtividade e menos no aumento de horas de trabalho. E tenho para mim que trabalhar diariamente até à exaustão é o principal obstáculo para obter significativos ganhos de produtividade. Que se apliquem avultadas multas para os empregadores prevaricadores. E que se tome o conceito de “avultado” no sentido exacto do termo.
Portugal, sei que a cultura não se modifica por decreto e que a eficácia das leis não tem a correspondência prática quando comparado com o ideal que lhe serviu de base. Nomeadamente no trabalho que envolve conhecimento a eficácia não pode ser totalmente garantida. É mais fácil controlar tudo o que respeite trabalho manual do que o que respeita ao trabalho intelectual. Mas também sei que muito se poderá obter. E não há quem me tire a ideia de que quando se desconfiar que uma medida pode servir para aumentar a taxa de fecundidade ela não deva ser tomada em boa conta.
Ainda na sequência do ponto anterior sugiro outra medida. Esta sim, radical e exotérica. Proponho a contratação de uma miríade de gestores saxónicos e nórdicos para muitas das nossas empresas públicas, lugares de topo incluídos. Este é um ponto que gostaria de abordar ainda noutra “solução”.
Tenho a firme ideia de que o nosso gestor é na generalidade fraco. Não por deficiências de formação universitária, mas por posteriormente escolher modelos de referência deficientes. Nórdico e saxónicos são menos susceptíveis de embarcarem por caminhos contrários à doutrina aprendida nos bancos da universidade, e consequentemente muito mais respeitosos para com as pessoas quando se vêm em lugares de responsabilidade. O gestor português é muito susceptível a confundir o poder que tem com a capacidade de exigir o que não deve nem pode, ou seja, obrigar por pressão sobre quem dele depende ao trabalho de horas extraordinárias.
Sobre este último ponto aproveito para refutar desde já o argumento corporativista que se adivinharia. A Globalização pode tocar também a quem está nos lugares de topo. A Globalização não é só válida para promover despedimentos e para explicar a deslocalização de fábricas, ou ainda para o mundo do futebol. Seria aliás inadmissível a defesa do proteccionismo por parte de um grupo profissional que emite com frequência, e a bom som, as últimas da gestão.
Portugal, resumindo tens que cuidar bem do que se anda a passar nas relações laborais no que toca a abusos horários. Não deixes que a cultura idiota da pressão barata e reles destrua uma geração de mulheres que decidiu estudar. Muita fiscalização e dirigentes com outra cultura são algumas das soluções mais evidentes. A outra, menos evidente, seria explicar às mulheres que subir na carreira não é coisa que tenha que ser feita até aos 40 anos. Isso pertence ao antigamente quando as pessoas se reformavam aos 60 ou 65 anos. As mulheres que hoje entram no mundo do trabalho irão reformar-se aos 70 ou 75 anos pelo que haverá mais que tempo para a carreira.
Transportes públicos em Lisboa
DOMINGO, 28 DE FEVEREIRO DE 2010
Ando por Lisboa e questiono-me quase sempre sobre a razão de existirem tantos carros. O automóvel é um elemento muito agressivo numa cidade. Quando andamos numa cidade com poucos automóveis sentimos de imediato o fervilhar, o rumor, a vibração, o respirar próprio dessa mesma cidade. Por não existir a invasão automóvel sobra espaço para sentirmos a pulsação da urbe.
Continuo a pensar que Lisboa tem condições para ser a cidade mais agradável para se viver na Europa. Estou longe de conhecer muitas cidades europeias, mas talvez a combinação do clima, da geografia e da luminosidade de Lisboa sejam algo de único. Gozando de todos os atributos próprios de uma capital, está nas nossas mãos moldarmos Lisboa para um nível de beleza e atractividade ímpar. E para que isso seja conseguido, de entre outras coisas, isso passa por inverter as prioridades no que toca à mobilidade, ou seja, efectuar investimentos muito agressivos ao nível dos transportes públicos (nomeadamente metropolitano, eléctrico e autocarros) acompanhado de penalização forte do transporte privado.
Penso nomeadamente na demarcação clara dos locais onde se pode estacionar, com a respectiva redução de espaço disponível para estacionamento, penso em taxa de utilização automóvel para residentes, e penso em aumento do preço do estacionamento. Se estas medidas forem acompanhadas de maior, mais frequente, e melhor oferta de transporte público, penso que teremos uma cidade bem mais agradável.
Isto não é exotérico nem especialmente ambicioso. Inúmeras cidades europeias o fazem. Sabemos que somos comodistas no feitio e que temos trejeitos de novo riquismo na atitude, sinais que em muito explicam a nossa predilecção pelo carro. Está na altura de friamente pensarmos bem no assunto e modificarmos as prioridades.
O que poderá ser exotérico é pensar que Lisboa poderia angariar uns 100.000 ou 150.000 estrangeiros para lá residirem. Tudo gente que por norma gosta de preservar património e que gosta de esplanadas e restaurantes, dando especial ambiente e animação à vida na rua. Tudo coisas que precisamos, ou porque não somos bons (preservar património), ou porque não temos dinheiro e tempo para tal (frequentar restaurantes).
Ando por Lisboa e questiono-me quase sempre sobre a razão de existirem tantos carros. O automóvel é um elemento muito agressivo numa cidade. Quando andamos numa cidade com poucos automóveis sentimos de imediato o fervilhar, o rumor, a vibração, o respirar próprio dessa mesma cidade. Por não existir a invasão automóvel sobra espaço para sentirmos a pulsação da urbe.
Continuo a pensar que Lisboa tem condições para ser a cidade mais agradável para se viver na Europa. Estou longe de conhecer muitas cidades europeias, mas talvez a combinação do clima, da geografia e da luminosidade de Lisboa sejam algo de único. Gozando de todos os atributos próprios de uma capital, está nas nossas mãos moldarmos Lisboa para um nível de beleza e atractividade ímpar. E para que isso seja conseguido, de entre outras coisas, isso passa por inverter as prioridades no que toca à mobilidade, ou seja, efectuar investimentos muito agressivos ao nível dos transportes públicos (nomeadamente metropolitano, eléctrico e autocarros) acompanhado de penalização forte do transporte privado.
Penso nomeadamente na demarcação clara dos locais onde se pode estacionar, com a respectiva redução de espaço disponível para estacionamento, penso em taxa de utilização automóvel para residentes, e penso em aumento do preço do estacionamento. Se estas medidas forem acompanhadas de maior, mais frequente, e melhor oferta de transporte público, penso que teremos uma cidade bem mais agradável.
Isto não é exotérico nem especialmente ambicioso. Inúmeras cidades europeias o fazem. Sabemos que somos comodistas no feitio e que temos trejeitos de novo riquismo na atitude, sinais que em muito explicam a nossa predilecção pelo carro. Está na altura de friamente pensarmos bem no assunto e modificarmos as prioridades.
O que poderá ser exotérico é pensar que Lisboa poderia angariar uns 100.000 ou 150.000 estrangeiros para lá residirem. Tudo gente que por norma gosta de preservar património e que gosta de esplanadas e restaurantes, dando especial ambiente e animação à vida na rua. Tudo coisas que precisamos, ou porque não somos bons (preservar património), ou porque não temos dinheiro e tempo para tal (frequentar restaurantes).
Uma nova fase da crise vem aí
SEXTA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO DE 2010
Desde os mínimos atingidos em Março de 2009 as bolsas recuperaram bastante. No entanto, neste último mês verificou-se uma pequena correcção. Faço a seguinte leitura dos factos:
1. A descida vertiginosa das bolsas entre 2007 e Março de 2009 deveu-se ao facto de o mercado descontar uma descida significativa dos resultados, perspectiva de falências de muitas empresas, perspectiva de colapso financeiro, e queda abrupta da confiança entre os agentes intervenientes.
2. A paragem da descida vertiginosa deveu-se à feliz e competente intervenção dos agentes públicos (FED, BCE, governos, etc.). A história saberá premiar essa intervenção, coisa que nós, no meio do turbilhão, só com dificuldade o sabemos fazer. Basicamente estancou-se o sentimento de pânico e o consequente mecanismo descontrolado de feedback negativo (George Soros discorre bem sobre o tema da reflexibilidade)-
3. A recuperação das bolsas terá que ver, muito provavelmente, com a perspectiva de melhoria das condições económicas derivadas dos estímulos públicos (com o dinheiro dos contribuintes de hoje… e dos contribuintes de amanhã). Também não será alheio especular sobre uma recuperação técnica após semanas de pânico total.
4. Após o efeito dos estímulos, sobra a economia como ela é. E esse é o ponto em que nos encontramos actualmente. A partir de agora são as empresas que vão jogar o jogo como ele deve ser jogado, ou seja, competindo com naturalidade. Começa agora o verdadeiro campeonato.
Como já referi noutros textos, a velocidade com que ocorrem os ajustamentos é, em regra, o melhor antídoto para ultrapassar uma crise. Esta crise financeira, que vai durar uns 10 a 15 anos (vamos a caminho do terceiro) na Europa, e talvez uns 20 a 25 anos em Portugal, obriga a profundos ajustamentos, e de uma natureza que ninguém quer enfrentar a não ser que a isso seja obrigado. Quem quererá hoje voltar ao campo? Quem quererá hoje fazer os trabalhos executados pelos imigrantes? Sim, trabalho de serviço doméstico, de engomar e coser nas lojas da especialidade e servir à mesa. Quem quererá hoje voltar ao Mar para pescar? Quem quererá voltar à manufactura depois de tomar o gosto pela delícia do cafezinho com os colegas num escritório? Como convencer pessoas que há pouco tempo só perspectivavam ir de férias ao Brasil em proceder a estes ajustamentos no caso ser necessário?
Até ao momento o subsídio de desemprego vai dando, mas ele vai-se esgotar a prazo. O drama do parágrafo anterior vai ocorrer daqui a um ou dois anos. Mas temos ainda outra questão. O do aumento dos juros, coisa que lá para o fim do ano ocorrerá. A tão falada poupança de 300 euros mensais para quem tem empréstimo á habitação a 30 anos para um valor de 150.000 euros vai aos poucos esfumar-se. E isto toca a muitos. Por isso perspectiva-se um aperto geral do cinto. O governo já decidiu que não haverá aumentos na Função Pública. Medida correcta, mas ditada pelo argumento errado, ou seja, a pressão externa. Tudo isto encaminha-nos para o cenário real, ou seja, para o cenário onde para termos o que queremos teremos que produzir e vender mais ao exterior.
Este é o drama de um povo que nos últimos 35 anos se habituou a ser mais do que as habilitações que possui e que tem uma endémica dificuldade em exportar bens e serviços e que ainda por cima é desdenhoso para com o conceito de organização. É a face da crise que teremos que enfrentar em Portugal. Pertence a uma fase que ainda não chegou mas que já está aí ao virar da esquina. E posso garantir que será a fase mais longa.
Desde os mínimos atingidos em Março de 2009 as bolsas recuperaram bastante. No entanto, neste último mês verificou-se uma pequena correcção. Faço a seguinte leitura dos factos:
1. A descida vertiginosa das bolsas entre 2007 e Março de 2009 deveu-se ao facto de o mercado descontar uma descida significativa dos resultados, perspectiva de falências de muitas empresas, perspectiva de colapso financeiro, e queda abrupta da confiança entre os agentes intervenientes.
2. A paragem da descida vertiginosa deveu-se à feliz e competente intervenção dos agentes públicos (FED, BCE, governos, etc.). A história saberá premiar essa intervenção, coisa que nós, no meio do turbilhão, só com dificuldade o sabemos fazer. Basicamente estancou-se o sentimento de pânico e o consequente mecanismo descontrolado de feedback negativo (George Soros discorre bem sobre o tema da reflexibilidade)-
3. A recuperação das bolsas terá que ver, muito provavelmente, com a perspectiva de melhoria das condições económicas derivadas dos estímulos públicos (com o dinheiro dos contribuintes de hoje… e dos contribuintes de amanhã). Também não será alheio especular sobre uma recuperação técnica após semanas de pânico total.
4. Após o efeito dos estímulos, sobra a economia como ela é. E esse é o ponto em que nos encontramos actualmente. A partir de agora são as empresas que vão jogar o jogo como ele deve ser jogado, ou seja, competindo com naturalidade. Começa agora o verdadeiro campeonato.
Como já referi noutros textos, a velocidade com que ocorrem os ajustamentos é, em regra, o melhor antídoto para ultrapassar uma crise. Esta crise financeira, que vai durar uns 10 a 15 anos (vamos a caminho do terceiro) na Europa, e talvez uns 20 a 25 anos em Portugal, obriga a profundos ajustamentos, e de uma natureza que ninguém quer enfrentar a não ser que a isso seja obrigado. Quem quererá hoje voltar ao campo? Quem quererá hoje fazer os trabalhos executados pelos imigrantes? Sim, trabalho de serviço doméstico, de engomar e coser nas lojas da especialidade e servir à mesa. Quem quererá hoje voltar ao Mar para pescar? Quem quererá voltar à manufactura depois de tomar o gosto pela delícia do cafezinho com os colegas num escritório? Como convencer pessoas que há pouco tempo só perspectivavam ir de férias ao Brasil em proceder a estes ajustamentos no caso ser necessário?
Até ao momento o subsídio de desemprego vai dando, mas ele vai-se esgotar a prazo. O drama do parágrafo anterior vai ocorrer daqui a um ou dois anos. Mas temos ainda outra questão. O do aumento dos juros, coisa que lá para o fim do ano ocorrerá. A tão falada poupança de 300 euros mensais para quem tem empréstimo á habitação a 30 anos para um valor de 150.000 euros vai aos poucos esfumar-se. E isto toca a muitos. Por isso perspectiva-se um aperto geral do cinto. O governo já decidiu que não haverá aumentos na Função Pública. Medida correcta, mas ditada pelo argumento errado, ou seja, a pressão externa. Tudo isto encaminha-nos para o cenário real, ou seja, para o cenário onde para termos o que queremos teremos que produzir e vender mais ao exterior.
Este é o drama de um povo que nos últimos 35 anos se habituou a ser mais do que as habilitações que possui e que tem uma endémica dificuldade em exportar bens e serviços e que ainda por cima é desdenhoso para com o conceito de organização. É a face da crise que teremos que enfrentar em Portugal. Pertence a uma fase que ainda não chegou mas que já está aí ao virar da esquina. E posso garantir que será a fase mais longa.
Manifestação pela Família
DOMINGO, 21 DE FEVEREIRO DE 2010
A manifestação pela Família teve poucos aderentes, mas em minha opinião excedeu as expectativas. O activismo da Família num fim de semana andará mais direccionado para comportamentos ausentes. Quere-se placidez, cavaqueira, e o gozo do convívio natural entre os seus membros. Não se quer propriamente ir descer a Avenida da Liberdade.
A Família é algo que se vive na intimidade. A sua maior defesa repousa no comportamento diário dos seus membros. O seu sucesso dependerá como os seus membros se conseguem ajudar entre si. É uma vitória que se constrói com procriação, tempo, perseverança, e muita, muita paciência. Por isso a sua luta é historicamente discreta.
A todos os que tiveram, e não tiveram, na manifestação de hoje, posso garantir: esta instituição sagrada não se discute, vive-se. Um pouco como o calor, a chuva, ou as disposições das placas da crosta terrestre. Não se é contra ou a favor.
A manifestação pela Família teve poucos aderentes, mas em minha opinião excedeu as expectativas. O activismo da Família num fim de semana andará mais direccionado para comportamentos ausentes. Quere-se placidez, cavaqueira, e o gozo do convívio natural entre os seus membros. Não se quer propriamente ir descer a Avenida da Liberdade.
A Família é algo que se vive na intimidade. A sua maior defesa repousa no comportamento diário dos seus membros. O seu sucesso dependerá como os seus membros se conseguem ajudar entre si. É uma vitória que se constrói com procriação, tempo, perseverança, e muita, muita paciência. Por isso a sua luta é historicamente discreta.
A todos os que tiveram, e não tiveram, na manifestação de hoje, posso garantir: esta instituição sagrada não se discute, vive-se. Um pouco como o calor, a chuva, ou as disposições das placas da crosta terrestre. Não se é contra ou a favor.
Já não há mais o plano B
DOMINGO, 21 DE FEVEREIRO DE 2010
Até 1974 Portugal tinha acumulado muitos créditos sobre o exterior. Vivia abaixo das possibilidades. Mas era independente, embora deficientemente e autocraticamente governado.
Depois estoirou as reservas. Em paralelo nacionalizou e estoirou o que nacionalizou. Posteriormente vendeu o que tinha nacionalizado. Em paralelo recebeu mundos e fundos de Bruxelas. Depois descobriu o endividamento e passou de 10% de dívida externa em 1995 para uns extraordinários 70% em 2009 (e prevê-se que em 2013 vá aos 100%).
Foi nesta embriaguez que os Portugueses ainda no activo cresceram. A festa acabou. Dependemos de nós para ganhar no futuro, e já agora também para pagar a dívida actual. A nova geração de Portugueses, os que têm até aos 20 a 23 anos, será aquela que inverterá a desgraça a que os governantes nos levaram nos últimos 35 anos. E injustamente lá terão que pagar os dislates tolos de meia dúzia de irracionais. Isso ocorrerá fatalmente, não porque sejam melhores ou porque um dom extraordinário lhes vai cair em cima. Ocorrerá porque não existem outras alternativas. Portugal valerá no futuro pelas pessoas e pelos seus projectos individuais e conjuntos. Não é um patético Estado ou uns insípidos governantes que nos vão conduzir seja onde for. A esses pede-se que atrapalhem o menos possível (e já agora também mais um pouco de decoro na arte da aldrabice).
O nojo político onde nos vemos mergulhados é o resultado final dos nossos credos e aspirações dos últimos 35 anos: vender anéis e cuidar de ter sempre um potezinho ao lado de onde se sacasse dinheiro. Agora se quisermos dinheiro temos que adoptar o plano A e fazermo-nos à vida. É mais ou menos como aquele diálogo típico dos filmes de acção de segunda categoria:
P: What's the plan B?
R: There is no plan B.
Até 1974 Portugal tinha acumulado muitos créditos sobre o exterior. Vivia abaixo das possibilidades. Mas era independente, embora deficientemente e autocraticamente governado.
Depois estoirou as reservas. Em paralelo nacionalizou e estoirou o que nacionalizou. Posteriormente vendeu o que tinha nacionalizado. Em paralelo recebeu mundos e fundos de Bruxelas. Depois descobriu o endividamento e passou de 10% de dívida externa em 1995 para uns extraordinários 70% em 2009 (e prevê-se que em 2013 vá aos 100%).
Foi nesta embriaguez que os Portugueses ainda no activo cresceram. A festa acabou. Dependemos de nós para ganhar no futuro, e já agora também para pagar a dívida actual. A nova geração de Portugueses, os que têm até aos 20 a 23 anos, será aquela que inverterá a desgraça a que os governantes nos levaram nos últimos 35 anos. E injustamente lá terão que pagar os dislates tolos de meia dúzia de irracionais. Isso ocorrerá fatalmente, não porque sejam melhores ou porque um dom extraordinário lhes vai cair em cima. Ocorrerá porque não existem outras alternativas. Portugal valerá no futuro pelas pessoas e pelos seus projectos individuais e conjuntos. Não é um patético Estado ou uns insípidos governantes que nos vão conduzir seja onde for. A esses pede-se que atrapalhem o menos possível (e já agora também mais um pouco de decoro na arte da aldrabice).
O nojo político onde nos vemos mergulhados é o resultado final dos nossos credos e aspirações dos últimos 35 anos: vender anéis e cuidar de ter sempre um potezinho ao lado de onde se sacasse dinheiro. Agora se quisermos dinheiro temos que adoptar o plano A e fazermo-nos à vida. É mais ou menos como aquele diálogo típico dos filmes de acção de segunda categoria:
P: What's the plan B?
R: There is no plan B.
A Família é um legado incontornável
SÁBADO, 13 DE FEVEREIRO DE 2010
O processo de envelhecimento da população é cada vez menos uma matéria do domínio dos livros e estudos e começa a entrar pelos nossos olhos dentro. Tenho reparado nos últimos tempos que existem poucas crianças na rua, e que se vai vendo cada vez mais pessoas mais velhas. Isto da taxa de fecundidade de 1,3 desde há uns anos começa a ser visível.
Nos dias de hoje quando se vê um casal a passear com 4 filhos fica tudo a olhar e a comentar (ainda no fim de semana passado o fiz). Ter um filho é “normal”, ter dois filhos é um passo em frente, muito provavelmente ditado por muita racionalidade, talvez até o resultado de um processo de consolidação familiar. Ter três filhos significa que algo se passará e que o planeamento familiar pode estar a falhar. Ter quatro ou mais filhos resultará de pessoas que não sabem bem o que fazer neste mundo que se quer “moderno”.
Sinto que a sociedade evoluiu num sentido onde a constituição de família não era uma prioridade. Talvez por ditames de um consumismo desmedido ou demasiados estímulos ao jeito do “vive o momento” ou “relações fortes”. Não que estes estímulos sejam perversos, mas duvido que sejam virtuosos se a sua prática inviabilizar a construção de “relações duradouras” e “viver a eternidade”. A enorme crise que vivemos, que não me cansarei de repetir, vai ainda no adro, reflecte uma certa forma de opção de vida em sociedade. Uma vida fora dos padrões de equilíbrio familiar e dos padrões de vida comunitária.
Sinto que iremos encontrar de novo no seio da Família o conforto e a energia para ultrapassarmos os difíceis momentos que vivemos e viveremos. Não necessariamente dificuldades do foro económico. Antes dificuldades próprias de quem entra numa nova era com todos os receios resultantes de uma realidade nova ainda mal descortinada, tão pouco assimilável. Os ataques de que hoje a Família vai sendo alvo são os últimos cartuchos de uma era que já acabou e emanados pelo pior que essa era produziu. Só não vê quem não quer.
A Família é um legado incontornável e a célula central da vida em sociedade. Quer o queiramos ou não.
O processo de envelhecimento da população é cada vez menos uma matéria do domínio dos livros e estudos e começa a entrar pelos nossos olhos dentro. Tenho reparado nos últimos tempos que existem poucas crianças na rua, e que se vai vendo cada vez mais pessoas mais velhas. Isto da taxa de fecundidade de 1,3 desde há uns anos começa a ser visível.
Nos dias de hoje quando se vê um casal a passear com 4 filhos fica tudo a olhar e a comentar (ainda no fim de semana passado o fiz). Ter um filho é “normal”, ter dois filhos é um passo em frente, muito provavelmente ditado por muita racionalidade, talvez até o resultado de um processo de consolidação familiar. Ter três filhos significa que algo se passará e que o planeamento familiar pode estar a falhar. Ter quatro ou mais filhos resultará de pessoas que não sabem bem o que fazer neste mundo que se quer “moderno”.
Sinto que a sociedade evoluiu num sentido onde a constituição de família não era uma prioridade. Talvez por ditames de um consumismo desmedido ou demasiados estímulos ao jeito do “vive o momento” ou “relações fortes”. Não que estes estímulos sejam perversos, mas duvido que sejam virtuosos se a sua prática inviabilizar a construção de “relações duradouras” e “viver a eternidade”. A enorme crise que vivemos, que não me cansarei de repetir, vai ainda no adro, reflecte uma certa forma de opção de vida em sociedade. Uma vida fora dos padrões de equilíbrio familiar e dos padrões de vida comunitária.
Sinto que iremos encontrar de novo no seio da Família o conforto e a energia para ultrapassarmos os difíceis momentos que vivemos e viveremos. Não necessariamente dificuldades do foro económico. Antes dificuldades próprias de quem entra numa nova era com todos os receios resultantes de uma realidade nova ainda mal descortinada, tão pouco assimilável. Os ataques de que hoje a Família vai sendo alvo são os últimos cartuchos de uma era que já acabou e emanados pelo pior que essa era produziu. Só não vê quem não quer.
A Família é um legado incontornável e a célula central da vida em sociedade. Quer o queiramos ou não.
Portugal, solução (4)
SÁBADO, 13 DE FEVEREIRO DE 2010
Portugal, na sequência da turbulência fiscal que te propus noutras soluções, trago-te outra medida fiscal. Mas desta vez de teor mais doce (aliás, o único paladar que nos dias de hoje exercita a tua audição). Proponho-te que:
1. Sejam congelados os aumentos das taxas de IRS por período indeterminado. Desta forma, e de uma forma suave, vai-se diminuindo a carga fiscal sobre o rendimento. Ou seja, as taxas sobre o rendimento são diminuídas à velocidade da inflação. Como a inflação é muito baixa esta política será exequível.
2. Significativo benefício fiscal para quem tenha filhos. Se consultarmos as tabelas de IRS o fisco brinda, do primeiro para o segundo e do segundo para o terceiro filho, com 1 ponto percentual de taxa (nomeadamente para os rendimentos até aos 1.500 euros mensais). Proponho 3 pontos percentuais de benefício.
Qual é a lógica nestas reduções das taxas de IRS e de aumento do IVA defendido noutros "posts"? A lógica é premiar a poupança em detrimento do consumo de modo a precipitar o retorno ao equilíbrio financeiro de Portugal, equilibrando a nossa balança de pagamentos e viabilizando excedentes públicos. E já agora, fazer também com que os investidores internacionais nos cobrem menos juros pela dívida externa actual, dívida que como sabemos, é renegociada de tempos a tempos.
Portugal, investidor internacional é uma raça de análise muito fria e directa, e muito atenta, doravante, à questão do equilíbrio entre consumo versus produção, por isso perfila-te bem. Eu sei que incomoda estar debaixo dos holofotes de gente que não sabe saborear pezinhos de coentrada ou amêijoas à Bulhão Pato, e que até ficaria horrorizada perante um belo cozido ou uma boa posta mirandesa. Mas é gente que até dá cartas em matérias do domínio do sério. Portugal, espero que saibas distinguir bem as coisas. Todas essas tiradas que assististe recentemente por parte dos nossos governantes é para consumo interno e derivam de uma reacção primária ao péssimo desgoverno em vigor. Aliás, que outra coisa seria de esperar de pessoas incompetentes, cheias de agendas pessoais e muito falhas de patriotismo? Só pode resultar em reacção orgulhosa e débil.
Portugal, mas voltando ao assunto principal. Não sou ingénuo ao ponto de pensar que a baixíssima taxa de fecundidade se resolve pela via fiscal. É óbvio que não. Mas fará parte de um pacote de apoio à constituição de família e à procriação. Isto de taxas de fecundidade de 1,3 é algo de aterrador. Temos de passar a ter taxas de fecundidade ao nível de 2,3 o mais rapidamente possível. Ir dando sinais claros de que a constituição de família é o modelo de vida em sociedade a ser premiado nunca será demais.
Portugal, na sequência da turbulência fiscal que te propus noutras soluções, trago-te outra medida fiscal. Mas desta vez de teor mais doce (aliás, o único paladar que nos dias de hoje exercita a tua audição). Proponho-te que:
1. Sejam congelados os aumentos das taxas de IRS por período indeterminado. Desta forma, e de uma forma suave, vai-se diminuindo a carga fiscal sobre o rendimento. Ou seja, as taxas sobre o rendimento são diminuídas à velocidade da inflação. Como a inflação é muito baixa esta política será exequível.
2. Significativo benefício fiscal para quem tenha filhos. Se consultarmos as tabelas de IRS o fisco brinda, do primeiro para o segundo e do segundo para o terceiro filho, com 1 ponto percentual de taxa (nomeadamente para os rendimentos até aos 1.500 euros mensais). Proponho 3 pontos percentuais de benefício.
Qual é a lógica nestas reduções das taxas de IRS e de aumento do IVA defendido noutros "posts"? A lógica é premiar a poupança em detrimento do consumo de modo a precipitar o retorno ao equilíbrio financeiro de Portugal, equilibrando a nossa balança de pagamentos e viabilizando excedentes públicos. E já agora, fazer também com que os investidores internacionais nos cobrem menos juros pela dívida externa actual, dívida que como sabemos, é renegociada de tempos a tempos.
Portugal, investidor internacional é uma raça de análise muito fria e directa, e muito atenta, doravante, à questão do equilíbrio entre consumo versus produção, por isso perfila-te bem. Eu sei que incomoda estar debaixo dos holofotes de gente que não sabe saborear pezinhos de coentrada ou amêijoas à Bulhão Pato, e que até ficaria horrorizada perante um belo cozido ou uma boa posta mirandesa. Mas é gente que até dá cartas em matérias do domínio do sério. Portugal, espero que saibas distinguir bem as coisas. Todas essas tiradas que assististe recentemente por parte dos nossos governantes é para consumo interno e derivam de uma reacção primária ao péssimo desgoverno em vigor. Aliás, que outra coisa seria de esperar de pessoas incompetentes, cheias de agendas pessoais e muito falhas de patriotismo? Só pode resultar em reacção orgulhosa e débil.
Portugal, mas voltando ao assunto principal. Não sou ingénuo ao ponto de pensar que a baixíssima taxa de fecundidade se resolve pela via fiscal. É óbvio que não. Mas fará parte de um pacote de apoio à constituição de família e à procriação. Isto de taxas de fecundidade de 1,3 é algo de aterrador. Temos de passar a ter taxas de fecundidade ao nível de 2,3 o mais rapidamente possível. Ir dando sinais claros de que a constituição de família é o modelo de vida em sociedade a ser premiado nunca será demais.
Nota sobre desperdício de recursos
DOMINGO, 7 DE FEVEREIRO DE 2010
Em posts anteriores refiro com frequência que Portugal consome mais do que produz. Isso pode parecer chocante para pessoas que trabalham arduamente e que vivem com pouco porque de outra maneira não pode ser. Sobre isto enumero os seguintes tópicos que ajudam à reflexão:
1. Muitas organizações produzem bens / serviços que não são necessários. Isto é particularmente relevante no sector público. Isto é um desperdício brutal de recursos.
2. Muitas organizações produzem bens / serviços que são necessários mas utilizam processos perfeitamente obsoletos e caros na sua elaboração. Outra vez o sector público é o local onde esta realidade ocorre com mais frequência. Temos aqui outra forma de desperdício de recursos.
3. Muitas organizações são disformes na redistribuição da riqueza que geram. Existem empatas e chefes que ganham muito mais do que produzem. E tudo a expensas de outros trabalhadores zelosos. Isto existe com frequência no sector público e também no sector privado. Pena que ainda não se perceba que é pela ausência da acção do “mercado” que estas situações ocorrem com mais frequência. É a exiguidade do mesmo e a fraca apetência para mudar de trabalho que faz com que as pessoas mais capazes se sintam prejudicadas. Neste caso temos desvio de recursos.
Quem mais sofre com este brutal desperdício de recursos públicos é quem menos tem. A prova disso vem aí sob a forma de aumento de impostos, uma fatalidade na impossibilidade de diminuir a massa salarial do sector público. A factura dos défices públicos acumulados dos últimos 15 anos está mesmo aí à porta.
Nesta fase de alguma penúria económica, e que ainda agora começou, é urgente reajustar a afectação dos nossos recursos, nomeadamente os recursos humanos. Isto quer dizer que temos que reequacionar o que é que a nossa sociedade precisa e em que actividades é que os Portugueses devem despender o seu esforço. Ou seja, devem trabalhar em quê. E já agora, e isto tem muito que se lhe diga porque é mal percebido, sob que processos é que essas actividades têm que ser efectuadas. Para que este exercício ocorra o mais suavemente possível há que interiorizar que isto é para ser levado por diante. Se não o for, são os mais desfavorecidos que pagarão pelo facto. Quanto à escapatória do “vamos tirar aos ricos para dar aos pobres” como modo de fugir à mudança, já sabem, nunca resolveu nada em lado nenhum, não resolveu em 1975, e hoje em dia uns clicks no site do banco transferem tudo para além fronteiras. O jogo dos dias de hoje é mesmo para quem tem fibra e quer enfrentar a realidade, o que, se avaliarmos bem, nem é tão mau e injusto quanto isso.
Em posts anteriores refiro com frequência que Portugal consome mais do que produz. Isso pode parecer chocante para pessoas que trabalham arduamente e que vivem com pouco porque de outra maneira não pode ser. Sobre isto enumero os seguintes tópicos que ajudam à reflexão:
1. Muitas organizações produzem bens / serviços que não são necessários. Isto é particularmente relevante no sector público. Isto é um desperdício brutal de recursos.
2. Muitas organizações produzem bens / serviços que são necessários mas utilizam processos perfeitamente obsoletos e caros na sua elaboração. Outra vez o sector público é o local onde esta realidade ocorre com mais frequência. Temos aqui outra forma de desperdício de recursos.
3. Muitas organizações são disformes na redistribuição da riqueza que geram. Existem empatas e chefes que ganham muito mais do que produzem. E tudo a expensas de outros trabalhadores zelosos. Isto existe com frequência no sector público e também no sector privado. Pena que ainda não se perceba que é pela ausência da acção do “mercado” que estas situações ocorrem com mais frequência. É a exiguidade do mesmo e a fraca apetência para mudar de trabalho que faz com que as pessoas mais capazes se sintam prejudicadas. Neste caso temos desvio de recursos.
Quem mais sofre com este brutal desperdício de recursos públicos é quem menos tem. A prova disso vem aí sob a forma de aumento de impostos, uma fatalidade na impossibilidade de diminuir a massa salarial do sector público. A factura dos défices públicos acumulados dos últimos 15 anos está mesmo aí à porta.
Nesta fase de alguma penúria económica, e que ainda agora começou, é urgente reajustar a afectação dos nossos recursos, nomeadamente os recursos humanos. Isto quer dizer que temos que reequacionar o que é que a nossa sociedade precisa e em que actividades é que os Portugueses devem despender o seu esforço. Ou seja, devem trabalhar em quê. E já agora, e isto tem muito que se lhe diga porque é mal percebido, sob que processos é que essas actividades têm que ser efectuadas. Para que este exercício ocorra o mais suavemente possível há que interiorizar que isto é para ser levado por diante. Se não o for, são os mais desfavorecidos que pagarão pelo facto. Quanto à escapatória do “vamos tirar aos ricos para dar aos pobres” como modo de fugir à mudança, já sabem, nunca resolveu nada em lado nenhum, não resolveu em 1975, e hoje em dia uns clicks no site do banco transferem tudo para além fronteiras. O jogo dos dias de hoje é mesmo para quem tem fibra e quer enfrentar a realidade, o que, se avaliarmos bem, nem é tão mau e injusto quanto isso.
Perspectivas para o trabalhador do conhecimento em Portugal
SÁBADO, 6 DE FEVEREIRO DE 2010
Singularmente os Portugueses com maior formação formal vêm-se envoltos num cenário pouco atraente. Desde os meados dos anos 80 uma boa percentagem de Portugueses tem vindo a adquirir muita formação (leia-se cursos superiores / mestrados / doutoramentos). Existem expectativas legítimas que adquirir formação de nível superior (chamemos a estas pessoas “trabalhadores do conhecimento”) resulta em maior rendimento. Produtividade mais alta e execução de tarefas diferenciadas e de maior responsabilidade suportam estas expectativas. Mas a prática diz que em Portugal as expectativas estão a sair furadas.
Porque é que os trabalhadores do conhecimento ganham mal em Portugal?
1. Culturalmente a classe dirigente não percebe bem o que é um trabalhador do conhecimento. A sua base de relação ainda é muito de patrão / empregado, e o conceito de “partenariado”, que o dirigente conhece, está muito circunscrito ao que ele considera “os seus pares”. O resto é isso mesmo, ou seja, o “resto”. E lá cabe tudo, tenha lá a formação que tiver.
2. A produtividade dos trabalhadores do conhecimento é tendencialmente de difícil mensuração. E a aposta em organizções baseadas no conhecimento é ainda uma questão de atitude e onde os aspectos culturais pesam muito.
3. Os benefícios do trabalho do trabalhador do conhecimento são de médio longo prazo enquanto a retribuição é de curto prazo. E em Portugal ainda se avalia muito o retorno imediato.
4. A nossa cultura considera que o facto de se ganhar um pouco acima da média deve-se trabalhar mais horas. “Dar horas” de trabalho é dever do trabalhador do conhecimento. Trabalhador do conhecimento que trabalhe 8 horas por dia é mal visto, mesmo que tenha uma produtividade que seja o dobro da média corrente (dos seus pares). É então considerado um “calão”.
5. As falhas dos dirigentes e sua falta de produtividade têm que ser colmatadas de quem dele depende. Como já vão existindo uma panóplia de trabalhadores do conhecimento nas empresas, são estes que têm que se chegar à frente, pois são estes que estão em condições de substituir o trabalho do dirigente. As falhas deste são colmatadas pelo esforço daquele. A desresponsabilização do dirigente e o maior brio do trabalhador do conhecimento fazem o resto.
6. O trabalhador do conhecimento não tem espírito sindical. Nem tem que ter. Mas isso anda a prejudicá-lo.
7. Não há um número suficientemente grande de grandes organizações em Portugal para criar um mercado de dimensão mínima para disputar o número crescente de trabalhadores do conhecimento. O ritmo de produção de trabalhadores do conhecimento tem sido mais rápido do que o crescimento em quantidade e dimensão das empresas necessárias para os absorver. Visto à posteriori pode-se especular que as nacionalizações de 1975 deram um murro desfazado no tempo aos trabalhadores do conhecimento que começaram a aparecer após a década de 90. Os trabalhadores de conhecimento precisam de grandes empresas para potenciarem a sua mais-valia.
8. Derivado dos pontos anteriores temos que os rendimentos do trabalhador do conhecimento estão em Portugal muito esmagados. A experiência das últimas fugas de cérebros e algum empirismo dizem que, para um mesmo nível de produtividade, os rendimentos em Portugal são bastante inferiores aos obtidos nos países saxónicos (cerca de 1/3).
O cenário de um trabalhador do conhecimento não é famoso:
1. Para um nível de produtividade semelhante obtém um rendimento 1/3 inferior
2. Tem de trabalhar mais do que 8 horas
3. Não é reconhecido
4. Os empregadores passam a mensagem de que é uma sorte e um acto de caridade empregarem-no.
5. A generosidade intríseca e o brio do trabalhador do conhecimento é explorado (no mau sentido) pelo dirigente português, unindo-se assim o pior da nossa classe dirigente (o abuso cultural derivado da sua posição) e o melhor da classe emergente de trabalhadores do conhecimento (o brio e o desejo de mostrar trabalho de valor acrescentado).
6. Decorrente dos pontos anteriores o tempo dedicado à família é inferior. Segmento da população onde seria desejável que a taxa de natalidade fosse superior, e onde a qualidade de vida fosse genericamente superior como prémio pelo conhecimento adquirido, o resultado é contrário ao expectável. Por estar num patamar acima da média ao nível de custos fixos, e com pouco tempo para dedicar à família, o trabalhador do conhecimento tem pouca margem de manobra para apostar numa vida familiar minimamente estável. Assim, as expectativas de nível de vida são desporpocionadas face aos níveis intelectuais possuídos.
Que saídas possíveis para o trabalhador do conhecimento português no curto prazo?
1. Emigrar no caso de ser mais aventureiro
2. Ser mais rigoroso do que o expectável ao nível dos custos de modo a poder gozar de uma estabilidade financeira que não prejudique a sua perfomance.
3. Diferenciar-se ao máximo dos seus pares e tentar oferecer serviços únicos de modo a ganhar poder negocial.
4. Manter-se sempre no activo, mesmo que para isso tenha que seguir carreira internacional.
5. Aprender uma segunda língua.
6. Votar CDS e convencer o máximo número de pessoas em fazê-lo.
Quem são os melhores amigos do trabalhador do conhecimento português no momento?
1. A globalização pois esta requer os seus serviços sem olhar muito a preconceitos.
2. A língua inglesa, essa benção que reduz a um mesmo denominador a comunicação tão necessária à area do conhecimento.
3. As empresas multinacionais e as grandes empresas estrangeiras com dimensão.
4. Os aeroportos nacionais. Notar que a TAP não dá nenhuma ajuda pois limita destinos europeus ao promover destinos na lógica de “hubs”. E sem contar com os preços que pratica. O melhor que podia acontecer ao trabalhador do conhecimento seria a falência da TAP. Isso aumentaria o número de destinos secundários na Europa e reduziria os preços.
5. O desenrascanço. Por culturalmente ser desenrascado, alia essa herança a que não se consegue fugir à disciplina que colheu nos seus estudos. Junta assim os dois mundos, o que vai sendo muito valorizado nas matérias ligadas ao conhecimento pois é um pacote quase único que pode oferecer. Em conjunto, aliás, com os australianos (e segundo me disseram, também com os sul-africanos).
Não sendo catastróficas, as perspectivas do trabalhador do conhecimento em Portugal são frustrantes. O que deveria ser uma classe que marcasse o standard, que fosse referência, que servisse de verdadeiro farol aos outros segmentos da população, é uma classe desmotivada, não referente, meio perdida e revoltada. Tudo devido à desproporção entre as expectativas e a realidade.
Não premiar o estudioso é dar sinais errados aos habitantes de um País. Se isto é axiomático, em Portugal surge mais acentuado pois promove o chico-esperto, o que se safa, o lambe-botas, o corrupto, o sectário, o mal dizente, o venenoso, o curto-prazo. Tudo coisas com boa raiz cá no burgo e que temos de banir o mais rapidamente possível. Se não o fizermos, seguramente marcamos passo.
Singularmente os Portugueses com maior formação formal vêm-se envoltos num cenário pouco atraente. Desde os meados dos anos 80 uma boa percentagem de Portugueses tem vindo a adquirir muita formação (leia-se cursos superiores / mestrados / doutoramentos). Existem expectativas legítimas que adquirir formação de nível superior (chamemos a estas pessoas “trabalhadores do conhecimento”) resulta em maior rendimento. Produtividade mais alta e execução de tarefas diferenciadas e de maior responsabilidade suportam estas expectativas. Mas a prática diz que em Portugal as expectativas estão a sair furadas.
Porque é que os trabalhadores do conhecimento ganham mal em Portugal?
1. Culturalmente a classe dirigente não percebe bem o que é um trabalhador do conhecimento. A sua base de relação ainda é muito de patrão / empregado, e o conceito de “partenariado”, que o dirigente conhece, está muito circunscrito ao que ele considera “os seus pares”. O resto é isso mesmo, ou seja, o “resto”. E lá cabe tudo, tenha lá a formação que tiver.
2. A produtividade dos trabalhadores do conhecimento é tendencialmente de difícil mensuração. E a aposta em organizções baseadas no conhecimento é ainda uma questão de atitude e onde os aspectos culturais pesam muito.
3. Os benefícios do trabalho do trabalhador do conhecimento são de médio longo prazo enquanto a retribuição é de curto prazo. E em Portugal ainda se avalia muito o retorno imediato.
4. A nossa cultura considera que o facto de se ganhar um pouco acima da média deve-se trabalhar mais horas. “Dar horas” de trabalho é dever do trabalhador do conhecimento. Trabalhador do conhecimento que trabalhe 8 horas por dia é mal visto, mesmo que tenha uma produtividade que seja o dobro da média corrente (dos seus pares). É então considerado um “calão”.
5. As falhas dos dirigentes e sua falta de produtividade têm que ser colmatadas de quem dele depende. Como já vão existindo uma panóplia de trabalhadores do conhecimento nas empresas, são estes que têm que se chegar à frente, pois são estes que estão em condições de substituir o trabalho do dirigente. As falhas deste são colmatadas pelo esforço daquele. A desresponsabilização do dirigente e o maior brio do trabalhador do conhecimento fazem o resto.
6. O trabalhador do conhecimento não tem espírito sindical. Nem tem que ter. Mas isso anda a prejudicá-lo.
7. Não há um número suficientemente grande de grandes organizações em Portugal para criar um mercado de dimensão mínima para disputar o número crescente de trabalhadores do conhecimento. O ritmo de produção de trabalhadores do conhecimento tem sido mais rápido do que o crescimento em quantidade e dimensão das empresas necessárias para os absorver. Visto à posteriori pode-se especular que as nacionalizações de 1975 deram um murro desfazado no tempo aos trabalhadores do conhecimento que começaram a aparecer após a década de 90. Os trabalhadores de conhecimento precisam de grandes empresas para potenciarem a sua mais-valia.
8. Derivado dos pontos anteriores temos que os rendimentos do trabalhador do conhecimento estão em Portugal muito esmagados. A experiência das últimas fugas de cérebros e algum empirismo dizem que, para um mesmo nível de produtividade, os rendimentos em Portugal são bastante inferiores aos obtidos nos países saxónicos (cerca de 1/3).
O cenário de um trabalhador do conhecimento não é famoso:
1. Para um nível de produtividade semelhante obtém um rendimento 1/3 inferior
2. Tem de trabalhar mais do que 8 horas
3. Não é reconhecido
4. Os empregadores passam a mensagem de que é uma sorte e um acto de caridade empregarem-no.
5. A generosidade intríseca e o brio do trabalhador do conhecimento é explorado (no mau sentido) pelo dirigente português, unindo-se assim o pior da nossa classe dirigente (o abuso cultural derivado da sua posição) e o melhor da classe emergente de trabalhadores do conhecimento (o brio e o desejo de mostrar trabalho de valor acrescentado).
6. Decorrente dos pontos anteriores o tempo dedicado à família é inferior. Segmento da população onde seria desejável que a taxa de natalidade fosse superior, e onde a qualidade de vida fosse genericamente superior como prémio pelo conhecimento adquirido, o resultado é contrário ao expectável. Por estar num patamar acima da média ao nível de custos fixos, e com pouco tempo para dedicar à família, o trabalhador do conhecimento tem pouca margem de manobra para apostar numa vida familiar minimamente estável. Assim, as expectativas de nível de vida são desporpocionadas face aos níveis intelectuais possuídos.
Que saídas possíveis para o trabalhador do conhecimento português no curto prazo?
1. Emigrar no caso de ser mais aventureiro
2. Ser mais rigoroso do que o expectável ao nível dos custos de modo a poder gozar de uma estabilidade financeira que não prejudique a sua perfomance.
3. Diferenciar-se ao máximo dos seus pares e tentar oferecer serviços únicos de modo a ganhar poder negocial.
4. Manter-se sempre no activo, mesmo que para isso tenha que seguir carreira internacional.
5. Aprender uma segunda língua.
6. Votar CDS e convencer o máximo número de pessoas em fazê-lo.
Quem são os melhores amigos do trabalhador do conhecimento português no momento?
1. A globalização pois esta requer os seus serviços sem olhar muito a preconceitos.
2. A língua inglesa, essa benção que reduz a um mesmo denominador a comunicação tão necessária à area do conhecimento.
3. As empresas multinacionais e as grandes empresas estrangeiras com dimensão.
4. Os aeroportos nacionais. Notar que a TAP não dá nenhuma ajuda pois limita destinos europeus ao promover destinos na lógica de “hubs”. E sem contar com os preços que pratica. O melhor que podia acontecer ao trabalhador do conhecimento seria a falência da TAP. Isso aumentaria o número de destinos secundários na Europa e reduziria os preços.
5. O desenrascanço. Por culturalmente ser desenrascado, alia essa herança a que não se consegue fugir à disciplina que colheu nos seus estudos. Junta assim os dois mundos, o que vai sendo muito valorizado nas matérias ligadas ao conhecimento pois é um pacote quase único que pode oferecer. Em conjunto, aliás, com os australianos (e segundo me disseram, também com os sul-africanos).
Não sendo catastróficas, as perspectivas do trabalhador do conhecimento em Portugal são frustrantes. O que deveria ser uma classe que marcasse o standard, que fosse referência, que servisse de verdadeiro farol aos outros segmentos da população, é uma classe desmotivada, não referente, meio perdida e revoltada. Tudo devido à desproporção entre as expectativas e a realidade.
Não premiar o estudioso é dar sinais errados aos habitantes de um País. Se isto é axiomático, em Portugal surge mais acentuado pois promove o chico-esperto, o que se safa, o lambe-botas, o corrupto, o sectário, o mal dizente, o venenoso, o curto-prazo. Tudo coisas com boa raiz cá no burgo e que temos de banir o mais rapidamente possível. Se não o fizermos, seguramente marcamos passo.
Portugal deve ser ganhador
QUINTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2010
Os últimos dias irão ser conhecidos na nossa história recente como a revelação da face de uma revolução suave que já se tinha iniciado. Chamemos-lhe a revolução das verdadeiras capacidades dos portugueses e do que eles estão dispostos a lutar de forma a concretizar o que querem ser.
Como é do conhecimento público Portugal foi avaliado pelos mercados financeiros internacionais nos últimos dias (e nomeadamente hoje). E a avaliação não foi positiva, o que corrobora o que já aqui neste espaço tem sido enunciado. Não se quer com isto dizer que os mercados sejam o pêndulo pelo qual uma sociedade se deve reger. Todos sabemos que os mercados têm “indigestões” e a avaliação de um País não pode estar refém das disposições dos mercados. No entanto deve-se atender aos sinais subjacentes a essas avaliações. E que sinais são esses? São basicamente dois: 1) não é mais possível pensar-se que se pode viver eternamente em deficit, e 2) estamos a perder competitividade internacional porque descurámos a economia voltada para a exportação.
Doravante, e enquanto isto não for devidamente interiorizado, teremos todos os holofotes em cima de nós e a direcção que decidirmos tomar será escrutinada fria e impiedosamente. Como anteriormente afirmei, a coercção externa é de um poder praticamente ilimitado. É bom tomarmos isso em muito boa conta.
Para nosso mal, a reacção dos nossos representantes políticos foi negativa. Optou-se por uma reacção a quente ao pior estilo do “não gostamos da mensagem batemos no mensageiro”. Típico das almas fracas e torpes, o que, em rigor, vem na sequência do que neste lugar vem sendo veiculado.
O que irá mudar no curto prazo? Pouca coisa. Basicamente mais alguma cosmética irá ser adoptada. Os nossos governantes irão ter que aumentar alguns impostos invocando que isso tem que ser feito por imposição externa. Medida tecnicamente certa, embora politicamente desadequada, pois surge descontextualizada por ser avulsa e imposta externamente. Isto é demonstrativo que somos governados por pessoas não qualificadas para as exigências da governação. Uns medrosos que não ousam enfrentar a realidade.
Em jeito de desabafo, e para todos os que me dão a honra de seguirem este escrito, permitam-me que diga o seguinte. Tomara que Deus nos ilumine a encontrar o caminho e outras pessoas para nos liderarem. Este por onde estamos a ser levados não é bom, e quem nos leva não merece carta de recomendação, muito pelo contrário. Precisamos, e com alguma urgência, de homens e mulheres que possam tomar a condução de Portugal noutros moldes, com outras prioridades, com outros desafios, com sentido de dever aquando do exercício das responsabilidades, amando e respeitando este lugar sagrado, com humildade, vestidos de respeito e integridade, e também de modéstia, mas com muita, muita ambição e vontade de lutar com inteligência e verdade. Não uma luta pífia e viciada, mas uma luta íntegra e respeitadora de boas regras que deverão vigorar. Regras que respeitem o indivíduo, a sociedade e os seus símbolos. Regras que não ousem afrontar os fundamentos básicos, sólidos e virtuosos de uma sociedade, tal como a família e o casamento. Regras que submetam quer o forte e o poderoso, quer o fraco e desprotegido, ao julgamento imparcial. Regras que premeiem a verdade e penalizem a mentira. Regras que permitam aos mais aptos e enérgicos libertarem-se do jugo dos fracos e viciados. Povo que não exulta os seus melhores é povo que se diminui e que se encolhe, e que na capitulação não hesitará até em se resguardar debaixo de quem não lhe traz o bem. Será este o final de um povo que deu o pontapé de saída há 500 anos, e de forma brilhante, diga-se, neste jogo que agora o assusta e atormenta?
Não, Portugal deve ser ganhador. Somos úteis ao mundo, embora não o desconfiemos, tão pouco o saibamos. A génese Portuguesa é global, é multi-cultural, é eclética, é compreensiva e afável com o outro, é respeitadora do que lhe é inato e do que o não é, é curiosa, gosta da mulher e do seu fruto, é crente e é saudosa. Temos tudo para sermos vencedores na vida. Não somente no sentido sintético e desnudado que só parcialmente nos preenche, mas também no sentido lato e imaterial. Nem todos os povos podem clamar por tantas e tamanhas virtudes. Não ousemos livrarmo-nos delas, antes saudemo-las e usemo-las.
Os últimos dias irão ser conhecidos na nossa história recente como a revelação da face de uma revolução suave que já se tinha iniciado. Chamemos-lhe a revolução das verdadeiras capacidades dos portugueses e do que eles estão dispostos a lutar de forma a concretizar o que querem ser.
Como é do conhecimento público Portugal foi avaliado pelos mercados financeiros internacionais nos últimos dias (e nomeadamente hoje). E a avaliação não foi positiva, o que corrobora o que já aqui neste espaço tem sido enunciado. Não se quer com isto dizer que os mercados sejam o pêndulo pelo qual uma sociedade se deve reger. Todos sabemos que os mercados têm “indigestões” e a avaliação de um País não pode estar refém das disposições dos mercados. No entanto deve-se atender aos sinais subjacentes a essas avaliações. E que sinais são esses? São basicamente dois: 1) não é mais possível pensar-se que se pode viver eternamente em deficit, e 2) estamos a perder competitividade internacional porque descurámos a economia voltada para a exportação.
Doravante, e enquanto isto não for devidamente interiorizado, teremos todos os holofotes em cima de nós e a direcção que decidirmos tomar será escrutinada fria e impiedosamente. Como anteriormente afirmei, a coercção externa é de um poder praticamente ilimitado. É bom tomarmos isso em muito boa conta.
Para nosso mal, a reacção dos nossos representantes políticos foi negativa. Optou-se por uma reacção a quente ao pior estilo do “não gostamos da mensagem batemos no mensageiro”. Típico das almas fracas e torpes, o que, em rigor, vem na sequência do que neste lugar vem sendo veiculado.
O que irá mudar no curto prazo? Pouca coisa. Basicamente mais alguma cosmética irá ser adoptada. Os nossos governantes irão ter que aumentar alguns impostos invocando que isso tem que ser feito por imposição externa. Medida tecnicamente certa, embora politicamente desadequada, pois surge descontextualizada por ser avulsa e imposta externamente. Isto é demonstrativo que somos governados por pessoas não qualificadas para as exigências da governação. Uns medrosos que não ousam enfrentar a realidade.
Em jeito de desabafo, e para todos os que me dão a honra de seguirem este escrito, permitam-me que diga o seguinte. Tomara que Deus nos ilumine a encontrar o caminho e outras pessoas para nos liderarem. Este por onde estamos a ser levados não é bom, e quem nos leva não merece carta de recomendação, muito pelo contrário. Precisamos, e com alguma urgência, de homens e mulheres que possam tomar a condução de Portugal noutros moldes, com outras prioridades, com outros desafios, com sentido de dever aquando do exercício das responsabilidades, amando e respeitando este lugar sagrado, com humildade, vestidos de respeito e integridade, e também de modéstia, mas com muita, muita ambição e vontade de lutar com inteligência e verdade. Não uma luta pífia e viciada, mas uma luta íntegra e respeitadora de boas regras que deverão vigorar. Regras que respeitem o indivíduo, a sociedade e os seus símbolos. Regras que não ousem afrontar os fundamentos básicos, sólidos e virtuosos de uma sociedade, tal como a família e o casamento. Regras que submetam quer o forte e o poderoso, quer o fraco e desprotegido, ao julgamento imparcial. Regras que premeiem a verdade e penalizem a mentira. Regras que permitam aos mais aptos e enérgicos libertarem-se do jugo dos fracos e viciados. Povo que não exulta os seus melhores é povo que se diminui e que se encolhe, e que na capitulação não hesitará até em se resguardar debaixo de quem não lhe traz o bem. Será este o final de um povo que deu o pontapé de saída há 500 anos, e de forma brilhante, diga-se, neste jogo que agora o assusta e atormenta?
Não, Portugal deve ser ganhador. Somos úteis ao mundo, embora não o desconfiemos, tão pouco o saibamos. A génese Portuguesa é global, é multi-cultural, é eclética, é compreensiva e afável com o outro, é respeitadora do que lhe é inato e do que o não é, é curiosa, gosta da mulher e do seu fruto, é crente e é saudosa. Temos tudo para sermos vencedores na vida. Não somente no sentido sintético e desnudado que só parcialmente nos preenche, mas também no sentido lato e imaterial. Nem todos os povos podem clamar por tantas e tamanhas virtudes. Não ousemos livrarmo-nos delas, antes saudemo-las e usemo-las.
A banca encostada à parede
TERÇA-FEIRA, 2 DE FEVEREIRO DE 2010
Um distinto banqueiro da nossa praça insurgiu-se contra as recentes posições das agências de rating internacionais, posições essas que têm resultado no aumento do custo do dinheiro com que os bancos se financiam internacionalmente. Relembro que a nossa economia tem que recorrer a muitos fundos externos devido à escassez de poupança interna. Assim, com o custo do dinheiro a subir devido às avaliações que terceiros fazem da nossa economia, com as dificuldades em reflectir esse aumento de custos nos spreads praticados, os bancos são encostados fortemente à parede se quiserem prosseguir no modelo de negócio em vigor nos últimos 20 anos.
À primeira vista isto não é bom para a banca pois, na sua óptica, é o início do fim de uma era de ouro: a era do financiamento externo barato com destino ao financiamento barato do consumo interno. Esta fase da crise internacional, a fase da avaliação de quem pode cumprir bem com as exigências da Globalização e quem melhor enfrenta os deficits correntes e dívida acumulada, obriga a uma inflexão de prioridades para muitas economias (produzir em vez de consumir) o que obriga a entrar-se numa nova era: a era do financiamento interno barato com destino à produção competitiva de bens e serviços a serem exportados.
Os bancos conhecem já a nova realidade que Portugal tem que abraçar. Existe inteligência mais que suficiente na nossa banca. No entanto alguma inércia aliada à energia necessária para a mudança são obstáculos pouco apetecíveis de enfrentar. Esta nova realidade demorará alguns anos a implementar-se, e o seu sucesso está menos dependente das mãos da banca, e muito mais dependente de terceiros, ou seja, dependente do sucesso das empresas exportadoras e da sua capacidade de puxarem pelas empresas ligadas à economia interna. E porquê? Porque fazer crescer um negócio baseado no crédito ao consumo é muito fácil quando se parte de uma base muito reduzida do padrão de consumo, como foi o caso de Portugal no início dos anos 90. Quem se endividava na altura para comprar casa e automóvel? Quase ninguém. Estava tudo por adquirir, e tudo dependia da vontade individual e da capacidade comercial dos bancos. Ou seja, as “ganas” consumistas uniram-se numa simbiose perfeita com a vontade louca de emprestar. E cereja em cima do bolo, os bens financiados serviam de colateral como garantia do empréstimo, e não existia especial necessidade de constante acompanhamento do cliente durante a vigência de todo empréstimo. E o beneplácito do poder político, sempre perfeitamente extasiado com a afluência aparente que se ia abatendo em cima destes improdutivos lusitanos, marcou também sempre presença nesta interminável festa através do seu exemplo. Uma incontinência geral. Viveu-se portanto o clímax total, qualquer que fosse a perspectiva, a do indivíduo, a do banco, ou a do Estado.
Agora fazer crescer um negócio de crédito onde se tem que emprestar dinheiro a empresas / empresários que se lançam em projectos para se baterem com empresas / empresários a um nível supra-nacional, tem claramente níveis apelativos muito inferiores ao modelo do parágrafo anterior. Isto é mais arriscado, depende mais da perfomance dessas empresas / empresários, as garantias reais são muito mais difíceis de serem asseguradas, e exige um acompanhamento e assessoria ao cliente incomparavelmente diferente. E para piorar a equação, este novo modelo exige do poder político um tipo de parceria que este não está particularmente à altura de dar. Mas a adopção deste novo modelo é o desafio que temos que enfrentar, custe o que custar.
Senhores banqueiros, chegou agora a hora de realmente mostrarem o que valem. Como vêem, as exigências agora são outras, mais altas. Acredito que têm a capacidade de as enfrentar. Até porque este novo cenário é mais estimulante e deverá puxar pelo melhor que há dentro de vós. E não estarão tão desacompanhados na viagem. Terão a companhia dos clientes empresariais exportadores, coisa que naturalmente sabem o que é, embora não nos números que terão que ser. É do sucesso dessa caminhada conjunta que esperamos que contagiem o resto da economia, ou não fosse esse o modelo de sucesso das economias mais prósperas. Se tiverem dúvidas perguntem sobre isto aos alemães, ou então se não quiserem ir além fronteiras revisitem a economia nacional dos anos 60 a 74 quando o sector financeiro andava muito bem de braço dado com a economia real. Havia condicionamento industrial que facilitava, é certo, mas o casamento banca / indústria lá seguia solidamente o seu caminho. No fundo, no fundo, é a banca como ela sempre terá sido, um repositório de dinheiro de quem pretere consumo imediato por consumo futuro, dinheiro esse a ser canalizado para quem dele precisa no imediato para a produção de bens e serviços.
Por isso meus senhores, mãos à obra rapidamente que se pode fazer tarde. Isto da Globalização é de pouca ternura com os lentos e com os que fogem à realidade.
Nota final: Senhores banqueiros, já todos repararam nas vossas motivações em financiar grandes projectos. Sim, o NAL e o TGV e outros que tais. Sim, belo risco, não é? Com o Estado a avalizar, que é como quem diz, o contribuinte, temos risco zero. É um festim. Sim, sim, percebemos lindamente quando dizem que esses projectos são imprescindíveis para a economia nacional. Pois não haveriam de ser. Senhores banqueiros, trata-se somente da fuga ao novo modelo de negócio de que acima vos falei. Nada mais. Isto resolve-se quando apanharem com um governo normal, coisa que tarde ou cedo forçosamente aparecerá.
Um distinto banqueiro da nossa praça insurgiu-se contra as recentes posições das agências de rating internacionais, posições essas que têm resultado no aumento do custo do dinheiro com que os bancos se financiam internacionalmente. Relembro que a nossa economia tem que recorrer a muitos fundos externos devido à escassez de poupança interna. Assim, com o custo do dinheiro a subir devido às avaliações que terceiros fazem da nossa economia, com as dificuldades em reflectir esse aumento de custos nos spreads praticados, os bancos são encostados fortemente à parede se quiserem prosseguir no modelo de negócio em vigor nos últimos 20 anos.
À primeira vista isto não é bom para a banca pois, na sua óptica, é o início do fim de uma era de ouro: a era do financiamento externo barato com destino ao financiamento barato do consumo interno. Esta fase da crise internacional, a fase da avaliação de quem pode cumprir bem com as exigências da Globalização e quem melhor enfrenta os deficits correntes e dívida acumulada, obriga a uma inflexão de prioridades para muitas economias (produzir em vez de consumir) o que obriga a entrar-se numa nova era: a era do financiamento interno barato com destino à produção competitiva de bens e serviços a serem exportados.
Os bancos conhecem já a nova realidade que Portugal tem que abraçar. Existe inteligência mais que suficiente na nossa banca. No entanto alguma inércia aliada à energia necessária para a mudança são obstáculos pouco apetecíveis de enfrentar. Esta nova realidade demorará alguns anos a implementar-se, e o seu sucesso está menos dependente das mãos da banca, e muito mais dependente de terceiros, ou seja, dependente do sucesso das empresas exportadoras e da sua capacidade de puxarem pelas empresas ligadas à economia interna. E porquê? Porque fazer crescer um negócio baseado no crédito ao consumo é muito fácil quando se parte de uma base muito reduzida do padrão de consumo, como foi o caso de Portugal no início dos anos 90. Quem se endividava na altura para comprar casa e automóvel? Quase ninguém. Estava tudo por adquirir, e tudo dependia da vontade individual e da capacidade comercial dos bancos. Ou seja, as “ganas” consumistas uniram-se numa simbiose perfeita com a vontade louca de emprestar. E cereja em cima do bolo, os bens financiados serviam de colateral como garantia do empréstimo, e não existia especial necessidade de constante acompanhamento do cliente durante a vigência de todo empréstimo. E o beneplácito do poder político, sempre perfeitamente extasiado com a afluência aparente que se ia abatendo em cima destes improdutivos lusitanos, marcou também sempre presença nesta interminável festa através do seu exemplo. Uma incontinência geral. Viveu-se portanto o clímax total, qualquer que fosse a perspectiva, a do indivíduo, a do banco, ou a do Estado.
Agora fazer crescer um negócio de crédito onde se tem que emprestar dinheiro a empresas / empresários que se lançam em projectos para se baterem com empresas / empresários a um nível supra-nacional, tem claramente níveis apelativos muito inferiores ao modelo do parágrafo anterior. Isto é mais arriscado, depende mais da perfomance dessas empresas / empresários, as garantias reais são muito mais difíceis de serem asseguradas, e exige um acompanhamento e assessoria ao cliente incomparavelmente diferente. E para piorar a equação, este novo modelo exige do poder político um tipo de parceria que este não está particularmente à altura de dar. Mas a adopção deste novo modelo é o desafio que temos que enfrentar, custe o que custar.
Senhores banqueiros, chegou agora a hora de realmente mostrarem o que valem. Como vêem, as exigências agora são outras, mais altas. Acredito que têm a capacidade de as enfrentar. Até porque este novo cenário é mais estimulante e deverá puxar pelo melhor que há dentro de vós. E não estarão tão desacompanhados na viagem. Terão a companhia dos clientes empresariais exportadores, coisa que naturalmente sabem o que é, embora não nos números que terão que ser. É do sucesso dessa caminhada conjunta que esperamos que contagiem o resto da economia, ou não fosse esse o modelo de sucesso das economias mais prósperas. Se tiverem dúvidas perguntem sobre isto aos alemães, ou então se não quiserem ir além fronteiras revisitem a economia nacional dos anos 60 a 74 quando o sector financeiro andava muito bem de braço dado com a economia real. Havia condicionamento industrial que facilitava, é certo, mas o casamento banca / indústria lá seguia solidamente o seu caminho. No fundo, no fundo, é a banca como ela sempre terá sido, um repositório de dinheiro de quem pretere consumo imediato por consumo futuro, dinheiro esse a ser canalizado para quem dele precisa no imediato para a produção de bens e serviços.
Por isso meus senhores, mãos à obra rapidamente que se pode fazer tarde. Isto da Globalização é de pouca ternura com os lentos e com os que fogem à realidade.
Nota final: Senhores banqueiros, já todos repararam nas vossas motivações em financiar grandes projectos. Sim, o NAL e o TGV e outros que tais. Sim, belo risco, não é? Com o Estado a avalizar, que é como quem diz, o contribuinte, temos risco zero. É um festim. Sim, sim, percebemos lindamente quando dizem que esses projectos são imprescindíveis para a economia nacional. Pois não haveriam de ser. Senhores banqueiros, trata-se somente da fuga ao novo modelo de negócio de que acima vos falei. Nada mais. Isto resolve-se quando apanharem com um governo normal, coisa que tarde ou cedo forçosamente aparecerá.
Portugal, solução (3)
SÁBADO, 30 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, ainda na sequência de produzires menos do que consomes, e dada a tua incontinência pelos deficits e por julgares que podes ter comportamentos de “Lorde” sem o ser, avanço que existem 3 impostos que terão que subir:
1. Imposto sobre o tabaco. O fundamento é: quem não tem dinheiro não tem vícios. Quem o quiser ter paga por isso.
2. Imposto sobre bebidas alcoólicas, que não o vinho. O fundamento é: quem não tem dinheiro não tem vícios. Quem o quiser ter paga por isso. Porque é que o vinho não deve ser sujeito a aumento de imposto? Porque a sua produção é muito importante para a economia nacional, porque faz bem à saúde se bebido com frugalidade, porque a sua exploração implica o desenvolvimento e ocupação equilibrada do território nacional, e porque é potencialmente um sector onde podemos subir o volume das nossas exportações.
3. Imposto automóvel. O fundamento é: Temos um deficit da balança de pagamento brutal e um excesso de consumo interno face ao que exportamos. Como os automóveis significam importações, há que estancar ao máximo a compra dos mesmos. Sei que já temos excesso de imposto sobre os automóveis (o terceiro mais elevado, a seguir à Dinamarca e à Holanda), mas sei também que consumimos muito mais do que podemos relativamente a quem nos queremos comparar.
Portugal, decorrente do aumento do imposto automóvel, será necessário estimular o uso frequente do transporte público. Assim, e se possível, as despesas com os passes sociais deverão ser dedutíveis no IRS. A Comissão Europeia pode não gostar deste estímulo, mas o argumento ecológico pode jogar a favor desta medida. E lembro que beneficia decentemente quem tem mais dificuldades económicas. Ainda sobre o estímulo ao uso de transportes públicos reservarei um “post” específico.
Sobre os automóveis, obrigaria ao seguinte. Revisões obrigatórias, pelo menos a cada 20.000kms, ou dependendo do modelo/ano do automóvel. As revisões teriam que ser feitas por estabelecimentos autorizados. No livrinho de revisões, obrigatório possuir, deverá constar o número de contribuinte da garagem onde se fez a revisão e o respectivo número da factura. Assim diminuir-se-ia substancialmente o “preço sem IVA”. Que se arranje um esquema qualquer para acabar com esta situação do vão de escada que não cobra IVA. Métodos indiciários deverão verificar fraudes nos montantes das facturas (isso, provavelmente, nem deve ser muito difícil). Controle apertado relativamente à matrícula e revisões feitas. Nas inspecções, obrigatoriamente o número de Km deve lá ser inscrito. Um ficheiro com a matrícula, km e valor da factura das revisões deve seguir para as autoridades. No caso de suspeitas, então deve seguir a matrícula para a Polícia ou PJ, e só em última análise se deve saber quem é a pessoa em causa. Sei que há as situações de compra e venda do carro que podem baralhar o sistema, mas algures no livro de revisões isso deve constar, e aos quantos Km ocorreu. Estas ideias sobre manutenção automóvel são ainda um pouco avulsas, e seguramente será possível afinar muitos detalhes. Mas é por aqui que se tem que caminhar para acabar com a história do “sem IVA” versus “com IVA”.
Portugal, sei que há muito argumento por do estílo “como controlar a obediência a algumas disposições legais”, e que os mesmos impedem a adopção de muitas medidas válidas. Mas caramba, quem o não consegue fazer neste rectângulo com 10 milhões de habitantes deve ser muito inapto. Desculpas do género aseentam bem ao actual Governador do Banco de Portugal.
Portugal, ainda na sequência de produzires menos do que consomes, e dada a tua incontinência pelos deficits e por julgares que podes ter comportamentos de “Lorde” sem o ser, avanço que existem 3 impostos que terão que subir:
1. Imposto sobre o tabaco. O fundamento é: quem não tem dinheiro não tem vícios. Quem o quiser ter paga por isso.
2. Imposto sobre bebidas alcoólicas, que não o vinho. O fundamento é: quem não tem dinheiro não tem vícios. Quem o quiser ter paga por isso. Porque é que o vinho não deve ser sujeito a aumento de imposto? Porque a sua produção é muito importante para a economia nacional, porque faz bem à saúde se bebido com frugalidade, porque a sua exploração implica o desenvolvimento e ocupação equilibrada do território nacional, e porque é potencialmente um sector onde podemos subir o volume das nossas exportações.
3. Imposto automóvel. O fundamento é: Temos um deficit da balança de pagamento brutal e um excesso de consumo interno face ao que exportamos. Como os automóveis significam importações, há que estancar ao máximo a compra dos mesmos. Sei que já temos excesso de imposto sobre os automóveis (o terceiro mais elevado, a seguir à Dinamarca e à Holanda), mas sei também que consumimos muito mais do que podemos relativamente a quem nos queremos comparar.
Portugal, decorrente do aumento do imposto automóvel, será necessário estimular o uso frequente do transporte público. Assim, e se possível, as despesas com os passes sociais deverão ser dedutíveis no IRS. A Comissão Europeia pode não gostar deste estímulo, mas o argumento ecológico pode jogar a favor desta medida. E lembro que beneficia decentemente quem tem mais dificuldades económicas. Ainda sobre o estímulo ao uso de transportes públicos reservarei um “post” específico.
Sobre os automóveis, obrigaria ao seguinte. Revisões obrigatórias, pelo menos a cada 20.000kms, ou dependendo do modelo/ano do automóvel. As revisões teriam que ser feitas por estabelecimentos autorizados. No livrinho de revisões, obrigatório possuir, deverá constar o número de contribuinte da garagem onde se fez a revisão e o respectivo número da factura. Assim diminuir-se-ia substancialmente o “preço sem IVA”. Que se arranje um esquema qualquer para acabar com esta situação do vão de escada que não cobra IVA. Métodos indiciários deverão verificar fraudes nos montantes das facturas (isso, provavelmente, nem deve ser muito difícil). Controle apertado relativamente à matrícula e revisões feitas. Nas inspecções, obrigatoriamente o número de Km deve lá ser inscrito. Um ficheiro com a matrícula, km e valor da factura das revisões deve seguir para as autoridades. No caso de suspeitas, então deve seguir a matrícula para a Polícia ou PJ, e só em última análise se deve saber quem é a pessoa em causa. Sei que há as situações de compra e venda do carro que podem baralhar o sistema, mas algures no livro de revisões isso deve constar, e aos quantos Km ocorreu. Estas ideias sobre manutenção automóvel são ainda um pouco avulsas, e seguramente será possível afinar muitos detalhes. Mas é por aqui que se tem que caminhar para acabar com a história do “sem IVA” versus “com IVA”.
Portugal, sei que há muito argumento por do estílo “como controlar a obediência a algumas disposições legais”, e que os mesmos impedem a adopção de muitas medidas válidas. Mas caramba, quem o não consegue fazer neste rectângulo com 10 milhões de habitantes deve ser muito inapto. Desculpas do género aseentam bem ao actual Governador do Banco de Portugal.
Portugal, solução (2)
QUINTA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2010
Decorrente da solução (1), a tua próxima solução é o congelamento imediato dos salários da função pública e acabares, se constitucionalmente possível, com esse absurdo e louco sistema de progressões automáticas. Estas progressões são uma brincadeira tonta que só pode ter sido introduzida por alguém que se devia ter dedicado a outra profissão que não a política. Este congelamento deverá ser válido até teres um superávit acumulado de 20% sobre o PIB no espaço de 5 anos consecutivos. Desta forma, os teus funcionários públicos farão uma aterragem adicional ao planeta Terra e terão algum estímulo para reverem a sua atitude no trabalho (quando aplicável, obviamente). Lembro-te que este grupo populacional vive, na sua maioria, no mundo dos desenhos animados. Por isso, já é altura de começarem a ver filmes, nomeadamente aqueles sobre a realidade.
Mas Portugal é claro que existe a questão dos mais produtivos entre os funcionários públicos. Serão certamente aqueles que estão dispostos a jogar o jogo pelo jogo e dispostos a seguirem as regras da concorrência e dos modelos mais competitivos. Sim, esses têm que ser premiados. Por isso uma componente variável terá que entrar em vigor de forma efectiva. Isto de se combinar com antecedência que corta tudo a meta ao mesmo tempo é uma grande batota.
Portugal é impossível dissociar a falta de produtividade da maioria do sector público com os impostos e dívida que os financiam. Neste mundo já não é mais possível pensar-se que se pode garantir um mesmo rendimento e sujeito a aumentos anuais garantidos quer produzamos 50, 60, 100 ou 200. Isto é inviável, e não vale o discurso do coitadinho, pois isso mais não é do que dar o flanco aos improdutivos, empatas, calões, e também aos que querem viver, descaradamente ou não, à conta dos outros. Por este critério da produtividade será até provável que alguns funcionários públicos possam ser aumentados. Mas sempre com atenção redobrada sobre os níveis de produtividade alcançados.
A todos os funcionários públicos lembrarei o seguinte. Se não gostam desta medida, podem sempre elaborar o seu Curriculum Vitae e começar a procurar outro trabalho. Isto é o que todos os outros trabalhadores fazem se não estão contentes. Ou pelo menos é o que é sensato fazer. Se não o fizerem é porque não estão assim tão mal onde estão, quanto mais não seja porque não se esforçam, ou não querem, ter melhor. Nestes casos responsabilizem-se a si e às suas decisões passadas e não rezinguem por aí. Se um governo vos passar estas mensagens acordarão de vez e podem agradecer ao Estado o facto de vos acabar por trazer a este mundo. Aquele onde vivem parece que existe, mas na realidade não existe. Ao contrário do que se diz para aí, a percepção não é a realidade.
Decorrente da solução (1), a tua próxima solução é o congelamento imediato dos salários da função pública e acabares, se constitucionalmente possível, com esse absurdo e louco sistema de progressões automáticas. Estas progressões são uma brincadeira tonta que só pode ter sido introduzida por alguém que se devia ter dedicado a outra profissão que não a política. Este congelamento deverá ser válido até teres um superávit acumulado de 20% sobre o PIB no espaço de 5 anos consecutivos. Desta forma, os teus funcionários públicos farão uma aterragem adicional ao planeta Terra e terão algum estímulo para reverem a sua atitude no trabalho (quando aplicável, obviamente). Lembro-te que este grupo populacional vive, na sua maioria, no mundo dos desenhos animados. Por isso, já é altura de começarem a ver filmes, nomeadamente aqueles sobre a realidade.
Mas Portugal é claro que existe a questão dos mais produtivos entre os funcionários públicos. Serão certamente aqueles que estão dispostos a jogar o jogo pelo jogo e dispostos a seguirem as regras da concorrência e dos modelos mais competitivos. Sim, esses têm que ser premiados. Por isso uma componente variável terá que entrar em vigor de forma efectiva. Isto de se combinar com antecedência que corta tudo a meta ao mesmo tempo é uma grande batota.
Portugal é impossível dissociar a falta de produtividade da maioria do sector público com os impostos e dívida que os financiam. Neste mundo já não é mais possível pensar-se que se pode garantir um mesmo rendimento e sujeito a aumentos anuais garantidos quer produzamos 50, 60, 100 ou 200. Isto é inviável, e não vale o discurso do coitadinho, pois isso mais não é do que dar o flanco aos improdutivos, empatas, calões, e também aos que querem viver, descaradamente ou não, à conta dos outros. Por este critério da produtividade será até provável que alguns funcionários públicos possam ser aumentados. Mas sempre com atenção redobrada sobre os níveis de produtividade alcançados.
A todos os funcionários públicos lembrarei o seguinte. Se não gostam desta medida, podem sempre elaborar o seu Curriculum Vitae e começar a procurar outro trabalho. Isto é o que todos os outros trabalhadores fazem se não estão contentes. Ou pelo menos é o que é sensato fazer. Se não o fizerem é porque não estão assim tão mal onde estão, quanto mais não seja porque não se esforçam, ou não querem, ter melhor. Nestes casos responsabilizem-se a si e às suas decisões passadas e não rezinguem por aí. Se um governo vos passar estas mensagens acordarão de vez e podem agradecer ao Estado o facto de vos acabar por trazer a este mundo. Aquele onde vivem parece que existe, mas na realidade não existe. Ao contrário do que se diz para aí, a percepção não é a realidade.
Portugal, solução (1)
QUINTA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, entre outras soluções para ti que se seguirão nos próximos tempos, irei começar pela mais antipática e dura de todas. Não quero, aliás, que penses que venho com pezinhos de lã e com discurso malicioso. Os problemas atacam-se com frontalidade e com maioridade, que é como quem diz, sem criancices e birras de menino mimado.
Por questões de calendarização peço-te que não avalies individualmente cada solução individualmente. As mesmas deverão ser vistas como um todo, e por conseguinte, a avaliação deverá ser feita no final quando for exequível ver o pacote total. Mas podes ir esperneando desde já porque esta primeira solução, embora nem seja a mais importante, já merecerá certamente o teu espanto e o teu horror.
Cá vai. Portugal, como te disse e já te apercebeste, consomes mais do que produzes. Isso tem que acabar. Solução: aumento do IVA para 25%. Com isto penso que se dá um passo importante para diminuir bastante o teu deficit. Eu sei que o teu problema é de despesa e não de receita, e que o lógico seria reduzir a massa salarial dos funcionários públicos aí uns 5 ou 10%. Mas como isso não é possível, então vai por onde é possível.
Como nesta fase até já haverá alguma rigidez no consumo, é de esperar que não ocorra muita turbulência no volume de actividade económica, pelo que é de esperar subida acentuada de receita. No entanto sempre se vai refreando os teus ímpetos consumistas que te atacaram desde 1986. Temos antes de dar freio a ímpetos de exportação e de redução de despesa pública. Esse é o caminho dos virtuosos. Inconcebível um País gastar por ano mais 10% do que aquilo que produz.
Portugal, uma lembrança. As exportações não estão sujeitas ao teu IVA, antes ao IVA dos países para onde exportas. Por isso as tuas actividades exportadoras não são afectadas. Claro que temos a excepção do Turismo, essa coisa muito importante para ti. Mas não creio que isso te vá afectar muito. O berrario que pode vir deste lado deverá ser considerado uma reacção corporativa… para variar. Já sabes, refilanço e berrario deve ser considerado um clássico indígena. Carregarás essa sonoridade pouco ecológica e edificante eternamente.
Portugal, mas mais do que a questão de compor o teu deficit, esta medida visa também fazer-te aterrar ao planeta Terra e iniciares um processo simbiótico entre ti e o que tu vales neste exacto momento, e a época histórica em que vives (com tudo o que as circunstâncias obrigam). Sim, a tal Globalização, essa coisa que é má quando temos que produzir e boa quando queremos consumir. Desta forma acordas de vez e perfilas-te em conformidade com as exigências que tens que te impor para te bateres neste jogo de competição económica mundial.
Portugal, e se quiseres baixar de novo o IVA então podes reflectir se não será melhor reduzires a massa salarial dos teus funcionários públicos. Com esta medida de subida da taxa normal de IVA, dura, sem dúvida, os trabalhadores privados talvez acordem o suficiente para encostar os trabalhadores do sector público à parede e exigir deles um nível de produtividade bem superior ao que hoje é fornecido. Não é com falas mansas e com diálogo guterrista que lá se vai.
Nota 1: os bens que são taxados com IVA a 5% e 12% não deverão ser mexidos de modo a evitar-se tocar nos bens essenciais.
Portugal, entre outras soluções para ti que se seguirão nos próximos tempos, irei começar pela mais antipática e dura de todas. Não quero, aliás, que penses que venho com pezinhos de lã e com discurso malicioso. Os problemas atacam-se com frontalidade e com maioridade, que é como quem diz, sem criancices e birras de menino mimado.
Por questões de calendarização peço-te que não avalies individualmente cada solução individualmente. As mesmas deverão ser vistas como um todo, e por conseguinte, a avaliação deverá ser feita no final quando for exequível ver o pacote total. Mas podes ir esperneando desde já porque esta primeira solução, embora nem seja a mais importante, já merecerá certamente o teu espanto e o teu horror.
Cá vai. Portugal, como te disse e já te apercebeste, consomes mais do que produzes. Isso tem que acabar. Solução: aumento do IVA para 25%. Com isto penso que se dá um passo importante para diminuir bastante o teu deficit. Eu sei que o teu problema é de despesa e não de receita, e que o lógico seria reduzir a massa salarial dos funcionários públicos aí uns 5 ou 10%. Mas como isso não é possível, então vai por onde é possível.
Como nesta fase até já haverá alguma rigidez no consumo, é de esperar que não ocorra muita turbulência no volume de actividade económica, pelo que é de esperar subida acentuada de receita. No entanto sempre se vai refreando os teus ímpetos consumistas que te atacaram desde 1986. Temos antes de dar freio a ímpetos de exportação e de redução de despesa pública. Esse é o caminho dos virtuosos. Inconcebível um País gastar por ano mais 10% do que aquilo que produz.
Portugal, uma lembrança. As exportações não estão sujeitas ao teu IVA, antes ao IVA dos países para onde exportas. Por isso as tuas actividades exportadoras não são afectadas. Claro que temos a excepção do Turismo, essa coisa muito importante para ti. Mas não creio que isso te vá afectar muito. O berrario que pode vir deste lado deverá ser considerado uma reacção corporativa… para variar. Já sabes, refilanço e berrario deve ser considerado um clássico indígena. Carregarás essa sonoridade pouco ecológica e edificante eternamente.
Portugal, mas mais do que a questão de compor o teu deficit, esta medida visa também fazer-te aterrar ao planeta Terra e iniciares um processo simbiótico entre ti e o que tu vales neste exacto momento, e a época histórica em que vives (com tudo o que as circunstâncias obrigam). Sim, a tal Globalização, essa coisa que é má quando temos que produzir e boa quando queremos consumir. Desta forma acordas de vez e perfilas-te em conformidade com as exigências que tens que te impor para te bateres neste jogo de competição económica mundial.
Portugal, e se quiseres baixar de novo o IVA então podes reflectir se não será melhor reduzires a massa salarial dos teus funcionários públicos. Com esta medida de subida da taxa normal de IVA, dura, sem dúvida, os trabalhadores privados talvez acordem o suficiente para encostar os trabalhadores do sector público à parede e exigir deles um nível de produtividade bem superior ao que hoje é fornecido. Não é com falas mansas e com diálogo guterrista que lá se vai.
Nota 1: os bens que são taxados com IVA a 5% e 12% não deverão ser mexidos de modo a evitar-se tocar nos bens essenciais.
O que se segue depois dos "Acordas" e "Fotografias"
TERÇA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2010
Para quem tem seguido este blog já provavelmente notou que tenho feito algumas análises sobre Portugal. Tem sido minha intenção reflectir sobre o nosso País dos dias de hoje, como eu o vejo (as “Fotografias”) e como muitos o não vêm (os “Acordas”). Estou ciente que as pessoas tendem exagerar na importância do momento histórico em que vivem, sobrevalorizando invariavelmente os perigos e riscos, e subvalorizando os sucessos e a força do País. Tentei ao máximo extirpar esta tendência das minhas análises para tirar o retrato de Portugal.
Não tem sido minha intenção produzir algo completo que abarque todos os domínios da vivência da nossa querida Nação Portuguesa. Não tenho, nem terei, sequer a ciência e o engenho para sonhar com tamanho empreendimento. Limitei-me a uma visão economicista, esse defeito muito em voga e com origem na minha curta formação académica. Assim, sai uma leitura um pouco enviesada. Enviesada mas com um consolo: sem resolvermos a nossa viabilidade económico-financeira não resolvemos muito do que há para resolver. Vitória pouco nobre de uma ciência menor.
Terminada esta fase, e como não podia deixar de ser, sinto-me forçado interiormente a avançar para as soluções. Seguirei a mesma lógica (Solução 1, 2, 3, etc.). Evitarei ao máximo cair em tecnicismos. Por duas razões: não é aconselhável fazê-lo em matérias de política global de um país, e porque não possuo informação detalhada. Sobre este último ponto direi mesmo que em Portugal abundam pessoas com capacidade técnica e com informação mais do que suficiente para elaborar excelentes estudos. Por este lado estamos bem servidos. A falha está toda do lado do decisor político, decisor que tem sido sistematicamente falho em cumprir com os mínimos que se exigem a quem representa o governo da Nação Portuguesa, ou mesmo de qualquer nação que se digne ser uma referência entre as nações. O que, aliás, neste momento não surpreenderá, nem mesmo ao mais distraído dos cidadãos. Entre a suprema lealdade à agenda própria e do grupo político a que se pertence, e ao atento jogo político ditado pelos calendários eleitorais, muito pouco sobra para dedicação a Portugal.
As soluções para os problemas são, por definição, sempre conflituantes para com os actores em cena. O que se passa ao nível do indivíduo quando este tem que tratar de assuntos que lhe são problemáticos, passa-se também ao nível de qualquer organização e ao nível de um país. As soluções fazem parte do processo de ajustamento contínuo que se faz entre o eu/nós e o meio ambiente. A relação simbiótica entre o eu/nós e o meio ambiente facilita o processo de mudança porque o encara como o estado natural das coisas. Quando não existe simbiose a mudança ocorrerá fatalmente a prazo por coerção externa, e quase sempre de uma forma dolorosa. Uma parte de Portugal está em simbiose com o mundo, mas a maioria está completamente dessincronizada com o mesmo. E esta parte de Portugal é maior do que pensamos.
Tenho noção de que muito do que irei expor nos próximos não colherá imediata simpatia e só com alguma dificuldade merecerá concordância geral. Esse é o preço a pagar pelo afastamento da realidade em que temos vivido. Mas mensagens doces e ao gosto do destinatário são para o diletante e para o governante fraco. As nações fortes não se podem compadecer com estas almas que mais não fazem do que enfraquecer e tolher um povo. Não sei ainda que caminho Portugal e os Portugueses querem seguir, mas sei bem que caminho escolhido quero que os meus descendentes Lusitanos estudem daqui a muitos anos. Arrepia-me pensar que talvez possa pertencer a uma geração fraca governada por gente fraca, onde um consolo pífio e degradante juntou um e outro no caminho para a decadência. Dos fracos não reza a história, e não vejo nada de racional ou de emotivo para não tomar o Português como um forte entre os mais fortes.
Neste particular considero vil e altamente pernicioso ver pessoas em lugares de responsabilidade serem incapazes de cumprir com as responsabilidades que lhes são exigidas. Isto não toca só ao decisor político. Outras forças, como os partidos, sindicatos, confederações empresariais, classes profissionais, etc, são incapazes, no geral, de pensar para além das fronteiras daquilo que julgam estar a defender. Esta incapacidade vai muito para além dos limites tomados como razoável. Não me enganarei se disser que existirá muita insanidade em vigor. E tomo como verdadeiro que um país não pode estar entregue aos dislates de meia dúzia de inconscientes atestados de agendas inviáveis.
Faço fé na Democracia como o melhor modelo de governação de um país. Embora não seja politicamente correcto dizê-lo, ou pelo menos expressar a dúvida, temo que isso não seja verdade para todos os povos. Até já houve quem considerasse a Democracia não recomendável para os povos meridionais, nomeadamente Portugal. Não penso que isto seja verdade. Portugal pode e deve ter Democracia. Mas deve muito mais do que a ter. Deve vivê-la e servir-se dela para si. E para isso precisa de viver em verdade e não em ilusão. A verdade anda ao serviço dos fortes e a ilusão ajusta-se bem aos fracos.
Por isso penso ser perfeitamente viável um diálogo de verdade entre o decisor político e todos os cidadãos. Não existe, nem existirá, nenhuma alma que me convença que escritos enleantes e retórica decorada segundo os padrões do momento pode eternamente marcar o ritmo. Isso fez doutrina mas tem estado a acabar aos poucos e de forma muito subtil. Só não percebe este novo virar de página quem está ainda no antigamente julgando-se estar na crista da onda. A verdade vai tomar o seu lugar, não como a redenção esperada de quem andou pelas trevas, mas simplesmente porque as pessoas querem cada vez mais, e de forma genuína, falar numa base verdadeira. Ou não fosse isso o resultado de tanta ilusão acumulada.
Para quem tem seguido este blog já provavelmente notou que tenho feito algumas análises sobre Portugal. Tem sido minha intenção reflectir sobre o nosso País dos dias de hoje, como eu o vejo (as “Fotografias”) e como muitos o não vêm (os “Acordas”). Estou ciente que as pessoas tendem exagerar na importância do momento histórico em que vivem, sobrevalorizando invariavelmente os perigos e riscos, e subvalorizando os sucessos e a força do País. Tentei ao máximo extirpar esta tendência das minhas análises para tirar o retrato de Portugal.
Não tem sido minha intenção produzir algo completo que abarque todos os domínios da vivência da nossa querida Nação Portuguesa. Não tenho, nem terei, sequer a ciência e o engenho para sonhar com tamanho empreendimento. Limitei-me a uma visão economicista, esse defeito muito em voga e com origem na minha curta formação académica. Assim, sai uma leitura um pouco enviesada. Enviesada mas com um consolo: sem resolvermos a nossa viabilidade económico-financeira não resolvemos muito do que há para resolver. Vitória pouco nobre de uma ciência menor.
Terminada esta fase, e como não podia deixar de ser, sinto-me forçado interiormente a avançar para as soluções. Seguirei a mesma lógica (Solução 1, 2, 3, etc.). Evitarei ao máximo cair em tecnicismos. Por duas razões: não é aconselhável fazê-lo em matérias de política global de um país, e porque não possuo informação detalhada. Sobre este último ponto direi mesmo que em Portugal abundam pessoas com capacidade técnica e com informação mais do que suficiente para elaborar excelentes estudos. Por este lado estamos bem servidos. A falha está toda do lado do decisor político, decisor que tem sido sistematicamente falho em cumprir com os mínimos que se exigem a quem representa o governo da Nação Portuguesa, ou mesmo de qualquer nação que se digne ser uma referência entre as nações. O que, aliás, neste momento não surpreenderá, nem mesmo ao mais distraído dos cidadãos. Entre a suprema lealdade à agenda própria e do grupo político a que se pertence, e ao atento jogo político ditado pelos calendários eleitorais, muito pouco sobra para dedicação a Portugal.
As soluções para os problemas são, por definição, sempre conflituantes para com os actores em cena. O que se passa ao nível do indivíduo quando este tem que tratar de assuntos que lhe são problemáticos, passa-se também ao nível de qualquer organização e ao nível de um país. As soluções fazem parte do processo de ajustamento contínuo que se faz entre o eu/nós e o meio ambiente. A relação simbiótica entre o eu/nós e o meio ambiente facilita o processo de mudança porque o encara como o estado natural das coisas. Quando não existe simbiose a mudança ocorrerá fatalmente a prazo por coerção externa, e quase sempre de uma forma dolorosa. Uma parte de Portugal está em simbiose com o mundo, mas a maioria está completamente dessincronizada com o mesmo. E esta parte de Portugal é maior do que pensamos.
Tenho noção de que muito do que irei expor nos próximos não colherá imediata simpatia e só com alguma dificuldade merecerá concordância geral. Esse é o preço a pagar pelo afastamento da realidade em que temos vivido. Mas mensagens doces e ao gosto do destinatário são para o diletante e para o governante fraco. As nações fortes não se podem compadecer com estas almas que mais não fazem do que enfraquecer e tolher um povo. Não sei ainda que caminho Portugal e os Portugueses querem seguir, mas sei bem que caminho escolhido quero que os meus descendentes Lusitanos estudem daqui a muitos anos. Arrepia-me pensar que talvez possa pertencer a uma geração fraca governada por gente fraca, onde um consolo pífio e degradante juntou um e outro no caminho para a decadência. Dos fracos não reza a história, e não vejo nada de racional ou de emotivo para não tomar o Português como um forte entre os mais fortes.
Neste particular considero vil e altamente pernicioso ver pessoas em lugares de responsabilidade serem incapazes de cumprir com as responsabilidades que lhes são exigidas. Isto não toca só ao decisor político. Outras forças, como os partidos, sindicatos, confederações empresariais, classes profissionais, etc, são incapazes, no geral, de pensar para além das fronteiras daquilo que julgam estar a defender. Esta incapacidade vai muito para além dos limites tomados como razoável. Não me enganarei se disser que existirá muita insanidade em vigor. E tomo como verdadeiro que um país não pode estar entregue aos dislates de meia dúzia de inconscientes atestados de agendas inviáveis.
Faço fé na Democracia como o melhor modelo de governação de um país. Embora não seja politicamente correcto dizê-lo, ou pelo menos expressar a dúvida, temo que isso não seja verdade para todos os povos. Até já houve quem considerasse a Democracia não recomendável para os povos meridionais, nomeadamente Portugal. Não penso que isto seja verdade. Portugal pode e deve ter Democracia. Mas deve muito mais do que a ter. Deve vivê-la e servir-se dela para si. E para isso precisa de viver em verdade e não em ilusão. A verdade anda ao serviço dos fortes e a ilusão ajusta-se bem aos fracos.
Por isso penso ser perfeitamente viável um diálogo de verdade entre o decisor político e todos os cidadãos. Não existe, nem existirá, nenhuma alma que me convença que escritos enleantes e retórica decorada segundo os padrões do momento pode eternamente marcar o ritmo. Isso fez doutrina mas tem estado a acabar aos poucos e de forma muito subtil. Só não percebe este novo virar de página quem está ainda no antigamente julgando-se estar na crista da onda. A verdade vai tomar o seu lugar, não como a redenção esperada de quem andou pelas trevas, mas simplesmente porque as pessoas querem cada vez mais, e de forma genuína, falar numa base verdadeira. Ou não fosse isso o resultado de tanta ilusão acumulada.
Esforço versus recompensa
SÁBADO, 23 DE JANEIRO DE 2010
Segundo Manuel Laranjeira
"Em Portugal, só uma parte mínima do esforço empregado redunda em trabalho utilizado. O resto é integralmente esforço desperdiçado. Como querem, pois, que haja amor ao trabalho, se o produto do trabalho representa uma insignificância que não valoriza senão uma parte mínima do esforço feito?"
É confrangedor como isto é verdade nas nossas organizações. Por isso somos mais pobres quando comparados com aqueles cujo nível de vida pretendemos atingir. Enquanto não interiorizarmos que se cuidarmos deste aspecto nas nossas organizações temos uma elevada probabilidade de ter brinde na conta bancária, tenderemos sempre a dizer que temos menos por causa disto e daquilo. A economia vale pelo valor produzido pelas organizações que a compõem. Desde há muito sempre pensámos que "íamos lá" ou pela liquidação dos ricos, ou pela entrada na CEE, ou pela acumulação de dívida, ou porque simplesmente nos prometiam que "íamos lá" por decreto oficial. Nada disto é verdade. Nós só "vamos lá" se nos organizarmos, dosearmos, e orientarmos o nosso esforço para algo que tenha valor. E o que tem valor é aquilo que os outros, livremente, estão dispostos a pagar por aquilo que produzimos. Por isso uns se andam a dar bem com a Globalização e outros não. Isto não é complicado, tem só que ser interiorizado.
Segundo Manuel Laranjeira
"Em Portugal, só uma parte mínima do esforço empregado redunda em trabalho utilizado. O resto é integralmente esforço desperdiçado. Como querem, pois, que haja amor ao trabalho, se o produto do trabalho representa uma insignificância que não valoriza senão uma parte mínima do esforço feito?"
É confrangedor como isto é verdade nas nossas organizações. Por isso somos mais pobres quando comparados com aqueles cujo nível de vida pretendemos atingir. Enquanto não interiorizarmos que se cuidarmos deste aspecto nas nossas organizações temos uma elevada probabilidade de ter brinde na conta bancária, tenderemos sempre a dizer que temos menos por causa disto e daquilo. A economia vale pelo valor produzido pelas organizações que a compõem. Desde há muito sempre pensámos que "íamos lá" ou pela liquidação dos ricos, ou pela entrada na CEE, ou pela acumulação de dívida, ou porque simplesmente nos prometiam que "íamos lá" por decreto oficial. Nada disto é verdade. Nós só "vamos lá" se nos organizarmos, dosearmos, e orientarmos o nosso esforço para algo que tenha valor. E o que tem valor é aquilo que os outros, livremente, estão dispostos a pagar por aquilo que produzimos. Por isso uns se andam a dar bem com a Globalização e outros não. Isto não é complicado, tem só que ser interiorizado.
Pequenas reflexões
SÁBADO, 23 DE JANEIRO DE 2010
Segundo Elbert Hubbard
“Uma máquina pode fazer as tarefas de cinquenta homens, mas máquina nenhuma é capaz de fazer o trabalho de um Homem extraordinário.”
“ Existe algo muito mais escasso, fino e raro que o talento. É o talento para reconhecer os talentosos”
Comentário: Em Portugal tendemos a nivelar por baixo e em cortar as asas aos melhores
“O professor é aquele que faz duas ideias crescerem onde antes só crescia uma”
Comentário: Em Portugal quantos o fazem?
“O maior erro na vida é o de ter sempre medo de errar”.
“Para evitar qualquer crítica, não diga nada, não faça nada e não seja nada.”
“Não crie desculpas – fale menos, faça mais e realize algo na vida”
Comentário: Há os que fazem as coisas acontecer, há os que vêm as coisas acontecer, e os que perguntam o que é que aconteceu. E há ainda os empatas, aqueles que não gostam mesmo nada de ver os outros a fazerem coisas e criam inúmeros obstáculos às realizações.
Segundo Elbert Hubbard
“Uma máquina pode fazer as tarefas de cinquenta homens, mas máquina nenhuma é capaz de fazer o trabalho de um Homem extraordinário.”
“ Existe algo muito mais escasso, fino e raro que o talento. É o talento para reconhecer os talentosos”
Comentário: Em Portugal tendemos a nivelar por baixo e em cortar as asas aos melhores
“O professor é aquele que faz duas ideias crescerem onde antes só crescia uma”
Comentário: Em Portugal quantos o fazem?
“O maior erro na vida é o de ter sempre medo de errar”.
“Para evitar qualquer crítica, não diga nada, não faça nada e não seja nada.”
“Não crie desculpas – fale menos, faça mais e realize algo na vida”
Comentário: Há os que fazem as coisas acontecer, há os que vêm as coisas acontecer, e os que perguntam o que é que aconteceu. E há ainda os empatas, aqueles que não gostam mesmo nada de ver os outros a fazerem coisas e criam inúmeros obstáculos às realizações.
Portugal, fotografia (12)
QUINTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, os teus melhores membros não se sentem atraídos para a política. O resultado numa palavra: desgraça.
Portugal, todos nós conhecemos pessoas que nos habituámos a considerar como elementos proeminentes e com grande valor acrescentado nas áreas em que se movem. Quando questionadas essas pessoas sobre uma veleidade no mundo da política com frequência ouve-se “Deus me livre”, “Nem pensar”, “É tudo uma malta que não interessa”, “O que é que lá vou fazer”, “Nisso não me meto”, etc.
Portugal, lembro-me de ler em 1999 um artigo sobre um proeminente líder empresarial onde o mesmo dizia: “a lógica dos políticos escapa-me totalmente”. Na altura fiquei um pouco aturdido e ainda pensei que se tratasse de um exagero. Hoje penso que não. Muitos outros empresários e outras pessoas proeminentes vêm demonstrando estupefacção sobre a nossa vida política. E no ponto em que estamos penso já não ser necessário ser-se muito iluminado ou informado para se concluir que a nossa lógica política e partidária é um absurdo enorme.
Portugal, a política é importante, quer queiras quer não queiras. Precisas com urgência de pessoas de qualidade na política. Tens que arranjar maneira de eles lá irem parar e de vingarem. Vingar não no sentido pérfido corrente do “safaram-se” ou “abotoaram-se”, fenómeno comprovadamente associado ao caciquismo e ao interesse individual. Digo vingar no sentido de os melhores elementos te darem o melhor que as suas capacidades permitirem através da política. O que se passa é que os teus políticos se servem de ti. E quando pontualmente te servem é com o objectivo primário de se servirem a si e ao grupo a que pertencem. E tratam sempre de manter contactos que sirvam outros interesses à posteriori, sejam estes interesses individuais ou de grupo (nunca os teus). São umas autênticas sanguessugas que te sugam e espremem eternamente. Enquanto os mecanismos partidários não forem alterados e estas prioridades não forem invertidas os melhores não se metem no covil dos traficantes de influências.
Portugal, nota bem, no actual cenário económico e social esta tendência maligna tende a piorar. A exiguidade da tua economia associada ao definhamento da mesma acelera o processo do “salve-se quem puder”. Isto misturado com o conceito de “nobless oblige” indígena acentuará a solidificação dos mecanismos pérfidos dos teus partidos políticos, criando-se desta forma barreiras ainda maiores à entrada na política dos teus melhores membros em virtude da atitude defensiva dos membros já instalados nos partidos. E não será fácil desmontar o esquema depois deste se ter solidificado.
Portugal nota o seguinte, as sociedades têm sempre um determinado volume de interesse, quer de grupo, quer individual. O mercado é um óptimo local onde se liberta o “interesse”. Se o mercado definha esse volume de interesse tratará de escolher outras vias para se saciar. O teu orçamento que o diga. Percebes o que quero dizer? Por isso é importante quebrar o actual retrato partidário e fazer jorrar lá para dentro outras gentes e outras motivações.
Portugal, talvez este retrato até já esteja a ser mudado. Muitos da geração dos quarenta, ou seja, os quarentões de sucesso que acharam mais graça ao chamamento do mercado há 20 anos atrás, sentem que descuraram muito a política. Não propriamente ao nível de se arrependerem de não terem seguido uma carreira política, mas acabam um pouco por olhar uns para os outros a pensar “porra, deixámos isto um bocadinho entregue aos bichos, deveríamos ter feito qualquer coisa”. Portugal, este sentimento existe, é genuíno, é sério, é puro, é humilde, e é emanado por pessoas que te amam. Sim Portugal, não te espantes, existem mesmo pessoas que te amam. E posso-te dizer que são bem diferentes dos políticos que tu andas a premiar.
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Nota: impossível escrever este pequeno texto sem uma palavra de atenção aos actuais políticos que são sérios e bons. Existirão e merecem um grande bem-haja. É de herói.
Portugal, os teus melhores membros não se sentem atraídos para a política. O resultado numa palavra: desgraça.
Portugal, todos nós conhecemos pessoas que nos habituámos a considerar como elementos proeminentes e com grande valor acrescentado nas áreas em que se movem. Quando questionadas essas pessoas sobre uma veleidade no mundo da política com frequência ouve-se “Deus me livre”, “Nem pensar”, “É tudo uma malta que não interessa”, “O que é que lá vou fazer”, “Nisso não me meto”, etc.
Portugal, lembro-me de ler em 1999 um artigo sobre um proeminente líder empresarial onde o mesmo dizia: “a lógica dos políticos escapa-me totalmente”. Na altura fiquei um pouco aturdido e ainda pensei que se tratasse de um exagero. Hoje penso que não. Muitos outros empresários e outras pessoas proeminentes vêm demonstrando estupefacção sobre a nossa vida política. E no ponto em que estamos penso já não ser necessário ser-se muito iluminado ou informado para se concluir que a nossa lógica política e partidária é um absurdo enorme.
Portugal, a política é importante, quer queiras quer não queiras. Precisas com urgência de pessoas de qualidade na política. Tens que arranjar maneira de eles lá irem parar e de vingarem. Vingar não no sentido pérfido corrente do “safaram-se” ou “abotoaram-se”, fenómeno comprovadamente associado ao caciquismo e ao interesse individual. Digo vingar no sentido de os melhores elementos te darem o melhor que as suas capacidades permitirem através da política. O que se passa é que os teus políticos se servem de ti. E quando pontualmente te servem é com o objectivo primário de se servirem a si e ao grupo a que pertencem. E tratam sempre de manter contactos que sirvam outros interesses à posteriori, sejam estes interesses individuais ou de grupo (nunca os teus). São umas autênticas sanguessugas que te sugam e espremem eternamente. Enquanto os mecanismos partidários não forem alterados e estas prioridades não forem invertidas os melhores não se metem no covil dos traficantes de influências.
Portugal, nota bem, no actual cenário económico e social esta tendência maligna tende a piorar. A exiguidade da tua economia associada ao definhamento da mesma acelera o processo do “salve-se quem puder”. Isto misturado com o conceito de “nobless oblige” indígena acentuará a solidificação dos mecanismos pérfidos dos teus partidos políticos, criando-se desta forma barreiras ainda maiores à entrada na política dos teus melhores membros em virtude da atitude defensiva dos membros já instalados nos partidos. E não será fácil desmontar o esquema depois deste se ter solidificado.
Portugal nota o seguinte, as sociedades têm sempre um determinado volume de interesse, quer de grupo, quer individual. O mercado é um óptimo local onde se liberta o “interesse”. Se o mercado definha esse volume de interesse tratará de escolher outras vias para se saciar. O teu orçamento que o diga. Percebes o que quero dizer? Por isso é importante quebrar o actual retrato partidário e fazer jorrar lá para dentro outras gentes e outras motivações.
Portugal, talvez este retrato até já esteja a ser mudado. Muitos da geração dos quarenta, ou seja, os quarentões de sucesso que acharam mais graça ao chamamento do mercado há 20 anos atrás, sentem que descuraram muito a política. Não propriamente ao nível de se arrependerem de não terem seguido uma carreira política, mas acabam um pouco por olhar uns para os outros a pensar “porra, deixámos isto um bocadinho entregue aos bichos, deveríamos ter feito qualquer coisa”. Portugal, este sentimento existe, é genuíno, é sério, é puro, é humilde, e é emanado por pessoas que te amam. Sim Portugal, não te espantes, existem mesmo pessoas que te amam. E posso-te dizer que são bem diferentes dos políticos que tu andas a premiar.
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Nota: impossível escrever este pequeno texto sem uma palavra de atenção aos actuais políticos que são sérios e bons. Existirão e merecem um grande bem-haja. É de herói.
Portugal, fotografia (11)
SÁBADO, 16 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, só recentemente os teus habitantes perceberam um erro que acumularam durante 20 ou 25 anos: as pessoas têm que escolher actividades que o mercado quer e não aquelas que as pessoas querem. Pode parecer violento este tipo de castração, mas a experiência tem vindo a mostrar que a não observância desta máxima é bem mais violenta.
Portugal, culturalmente herdaste a ideia de que um canudo bastava. Esta ideia, válida na época dos teus ascendentes, formatou quase sempre as decisões das tuas gerações mais recentes. Agora a realidade provou-te que o pressuposto deixou de ser válido há muitos anos. Ainda assim, subsiste a ideia geral de que uma actividade meritória e de reconhecimento social deverá estar associada a profissões historicamente proeminentes, tais como advocacia, medicina ou até económicas (recuperando um termo pomposo). Mas o mundo mudou e hoje existe uma extensa lista de outras actividades que, embora sejam de difícil catalogação social, podem ser compensatórias no actual quadro económico.
Portugal, sabemos que estás mais atento nesta matéria, mas nos últimos 25 anos muitos dos teus habitantes mais esforçados nos estudos experimentaram frustrações perfeitamente desnecessárias. Isto provou-te que a cultura te pode trair se não estiveres atento. Canudo aliado a um bom fato e gravata já não são garantia de nada. As valências possuídas direccionadas para uma(s) actividade(s) concreta(s) são nos dias de hoje a fórmula para o sucesso. Que o digam muito informático com barba por fazer, de barbicha e piercing. E isto é válido para muitas outras áreas, mesmo aquelas que são, absurdamente, socialmente desprestigiantes (canalizadores, carpinteiros, etc). Por isso Portugal, trata de romper com estereótipos perfeitamente desajustados da realidade actual e trata de direccionar os teus residentes para aquilo que o mercado quer.
Mas Portugal, e porque às vezes te baralhas com as modas, não fiques cego. Pensa que por detrás de um trabalhador existe uma pessoa. Disciplinas não práticas são muito importantes na formatação do indivíduo, não numa óptica decorativa, mas no sentido de potenciação das valências centrais e na aquisição de outras valências relevantes no futuro na cada vez mais longa vida profissional. Não arrumes a um canto a matemática, a filosofia ou o português com base no argumento falacioso de que não são necessárias. Empacotar pessoas com standards mínimos com 20/21 anos não é a solução, principalmente quando a esperança de vida já vai para os 80 anos e isto das reformas não ser bem como no passado.
Portugal, como vamos ter que trabalhar cada vez mais anos tens que tratar bem da formatação das pessoas até aos 23/24 anos que é para puderem voar muitos anos sem sobressaltos desnecessários (já não bastam os sobressaltos ditados pela mudança, que é nos dias de hoje o estado natural das coisas).
Portugal, a mensagem é clara e sintética: adapta-te profissionalmente ao que o mundo quer e não aquilo que tu queres.
Portugal, só recentemente os teus habitantes perceberam um erro que acumularam durante 20 ou 25 anos: as pessoas têm que escolher actividades que o mercado quer e não aquelas que as pessoas querem. Pode parecer violento este tipo de castração, mas a experiência tem vindo a mostrar que a não observância desta máxima é bem mais violenta.
Portugal, culturalmente herdaste a ideia de que um canudo bastava. Esta ideia, válida na época dos teus ascendentes, formatou quase sempre as decisões das tuas gerações mais recentes. Agora a realidade provou-te que o pressuposto deixou de ser válido há muitos anos. Ainda assim, subsiste a ideia geral de que uma actividade meritória e de reconhecimento social deverá estar associada a profissões historicamente proeminentes, tais como advocacia, medicina ou até económicas (recuperando um termo pomposo). Mas o mundo mudou e hoje existe uma extensa lista de outras actividades que, embora sejam de difícil catalogação social, podem ser compensatórias no actual quadro económico.
Portugal, sabemos que estás mais atento nesta matéria, mas nos últimos 25 anos muitos dos teus habitantes mais esforçados nos estudos experimentaram frustrações perfeitamente desnecessárias. Isto provou-te que a cultura te pode trair se não estiveres atento. Canudo aliado a um bom fato e gravata já não são garantia de nada. As valências possuídas direccionadas para uma(s) actividade(s) concreta(s) são nos dias de hoje a fórmula para o sucesso. Que o digam muito informático com barba por fazer, de barbicha e piercing. E isto é válido para muitas outras áreas, mesmo aquelas que são, absurdamente, socialmente desprestigiantes (canalizadores, carpinteiros, etc). Por isso Portugal, trata de romper com estereótipos perfeitamente desajustados da realidade actual e trata de direccionar os teus residentes para aquilo que o mercado quer.
Mas Portugal, e porque às vezes te baralhas com as modas, não fiques cego. Pensa que por detrás de um trabalhador existe uma pessoa. Disciplinas não práticas são muito importantes na formatação do indivíduo, não numa óptica decorativa, mas no sentido de potenciação das valências centrais e na aquisição de outras valências relevantes no futuro na cada vez mais longa vida profissional. Não arrumes a um canto a matemática, a filosofia ou o português com base no argumento falacioso de que não são necessárias. Empacotar pessoas com standards mínimos com 20/21 anos não é a solução, principalmente quando a esperança de vida já vai para os 80 anos e isto das reformas não ser bem como no passado.
Portugal, como vamos ter que trabalhar cada vez mais anos tens que tratar bem da formatação das pessoas até aos 23/24 anos que é para puderem voar muitos anos sem sobressaltos desnecessários (já não bastam os sobressaltos ditados pela mudança, que é nos dias de hoje o estado natural das coisas).
Portugal, a mensagem é clara e sintética: adapta-te profissionalmente ao que o mundo quer e não aquilo que tu queres.
Segundo o Jornal de Negócios
SEXTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2010
Segundo o Jornal de Negócios:
O instituto que gere a dívida do Estado emitiu hoje um comunicado com o objectivo de contrariar a recente subida dos juros da dívida pública portuguesa. Numa mensagem que tem os investidores internacionais como destinatário, o IGCP afirma que o Orçamento do Estado vai ser apresentado até ao final deste mês, o Governo pretende reduzir o défice já este ano e está a negociar medidas nesse sentido com os partidos da oposição.
Num acto nada habitual, o IGCP difundiu um comunicado para o mercado, com o objectivo de chegar aos investidores internacionais, onde elenca as medidas adoptadas pelo executivo para controlar as finanças públicas portuguesas.
Este comunicado, assinado pelo presidente do IGCP, Alberto Soares, e difundido pela Bloomberg, surge depois de as “yields” da dívida pública portuguesa terem subido fortemente, devido aos receios dos investidores com a menor capacidade de Portugal em pagar a sua dívida pública.
Uma tendência que tem origem na situação problemática da Grécia – que a generalidade dos economistas considera ser muito mais grave que a portuguesa – mas que a Moody’s colocou “no mesmo saco”, ao afirmar que os dois países enfrentam uma situação de “morte lenta”.
A rendibilidade (yield) das Obrigações do Tesouro a 10 anos disparou nas últimas três sessões, encontrando-se agora nos 4,173%, o nível mais elevado desde Julho de 2009. Isto significa que os investidores estão a exigir um retorno maior para adquirirem dívida da República. Desde finais de Dezembro, a tensão no mercado em relação à dívida portuguesa disparou, um movimento que se intensificou nos últimos três dias, o que poderá explicar os esclarecimentos prestados hoje aos investidores pelo presidente do IGCP.
------------------------------------------------------------------------------------
A questão financeira em Portugal está já a ficar fora de controle. A população não está alertada para o facto, somente uns quantos o estão. O governo oculta a gravidade da situação. O povo anda a ser enganado.
Portugueses, preparai-vos
Segundo o Jornal de Negócios:
O instituto que gere a dívida do Estado emitiu hoje um comunicado com o objectivo de contrariar a recente subida dos juros da dívida pública portuguesa. Numa mensagem que tem os investidores internacionais como destinatário, o IGCP afirma que o Orçamento do Estado vai ser apresentado até ao final deste mês, o Governo pretende reduzir o défice já este ano e está a negociar medidas nesse sentido com os partidos da oposição.
Num acto nada habitual, o IGCP difundiu um comunicado para o mercado, com o objectivo de chegar aos investidores internacionais, onde elenca as medidas adoptadas pelo executivo para controlar as finanças públicas portuguesas.
Este comunicado, assinado pelo presidente do IGCP, Alberto Soares, e difundido pela Bloomberg, surge depois de as “yields” da dívida pública portuguesa terem subido fortemente, devido aos receios dos investidores com a menor capacidade de Portugal em pagar a sua dívida pública.
Uma tendência que tem origem na situação problemática da Grécia – que a generalidade dos economistas considera ser muito mais grave que a portuguesa – mas que a Moody’s colocou “no mesmo saco”, ao afirmar que os dois países enfrentam uma situação de “morte lenta”.
A rendibilidade (yield) das Obrigações do Tesouro a 10 anos disparou nas últimas três sessões, encontrando-se agora nos 4,173%, o nível mais elevado desde Julho de 2009. Isto significa que os investidores estão a exigir um retorno maior para adquirirem dívida da República. Desde finais de Dezembro, a tensão no mercado em relação à dívida portuguesa disparou, um movimento que se intensificou nos últimos três dias, o que poderá explicar os esclarecimentos prestados hoje aos investidores pelo presidente do IGCP.
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A questão financeira em Portugal está já a ficar fora de controle. A população não está alertada para o facto, somente uns quantos o estão. O governo oculta a gravidade da situação. O povo anda a ser enganado.
Portugueses, preparai-vos
Portugal, fotografia (10)
SÁBADO, 9 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, as tuas deficiências organizacionais são desesperantes. Quando se ouve por aí iluminados a dizer que “temos enormes deficiências organizacionais” temos que concordar que há todo o fundamento nisso. É que tu não entendes bem o conceito de Organização. Parece que é algo que é contra-natura com o teu ser. Mas francamente, nem é coisa por aí além. Claro que mete o factor humano, e isso complica sempre tudo, mas também não é o fim do mundo. O diabo com o factor humano é resolver conflitos como os existentes no médio oriente. Isso sim é complexo. Agora, uma Organização!
Por experiência própria tenho tido a oportunidade de lidar com a mudança em muitas organizações em Portugal e em diversas na Europa (sim, para mim isso é ainda coisa que fica acima do Pirinéus; eu encaro Portugal como pertencendo ao mundo). E a experiência que adquiri corrobora a 100% o “temos enormes deficiências organizacionais”.
E porquê? Porque basicamente a qualidade geral dos nossos gestores é fraca. Com uma agravante nada despicienda, que é julgarem-se melhores do que aquilo que são. A gestão é uma disciplina ainda pouco conhecida. Confundimo-la com a actividade do homem de negócios ou com o empresário, o que é errado, não sendo estes inclusivamente necessariamente bons nessa matéria. O faro que têm para o negócio secou-lhes as qualidades organizacionais. São uns nabos, com uma agravante: não gostam dos gestores porque estes lhes podem fazer sombra pelo facto de o vulgo confundir um e outro.
A imensa massa de Portugueses vai ainda fazendo jus daquela saída de Gaius Julius Caesar quando diz “Há nos confins da Ibéria um estranho povo, que não se governa, nem se deixa governar”. É impressionante como isto é verdade. Como se vê o casamento entre gestores e geridos não é bem sucedido. E isso nota-se pelo ódio mudo entre a classe dirigente e a classe dirigida.
Mas as coisas são como são, e a natureza das coisas diz-me que o ónus cabe a quem comanda. São estes a quem recai a obrigatoriedade de mudar a realidade deste casamento. Deverão ser os dirigentes a fundar novas realidades, pelo exemplo, pela abnegação, pela seriedade, pelo esforço, pela perspicácia, pela inteligência, pela forma como comunicam, e acima de tudo pelas qualidades organizacionais. Por isso Portugal, trata de arranjar um meio de mudar esta situação.
Dir-me-ás que não te posso exigir isso porque sou um grande defensor da iniciativa privada. É verdade, mas respondo-te que tens uma miríade de serviços públicos onde poderias praticar com excelência as melhores práticas organizacionais. E mais, até há muito bom gestor por aí à solta saídos recentemente de muitas faculdades de economia e com muita pós-graduação às costas. Aproveita isso. Eu sei que é difícil porque inventaste essa coisa do “cargo de confiança política”, que mais não é do que o “Job for the boys”. Segredo-te: livra-te do “boys” e arranja bons gestores públicos que queiram fazer carreira na gestão pública. Dá um ar da tua graça e manda uns pioneiros às grandes Écoles Publiques. Não é nada que um “shake hands” com o Sarkozy não resolva.
Portugal, não tenhas medo de te organizar. Vais ver que não dói, e até dá brinde no final. E olha, se levares isso como moda, conceito que adoras, aconselho-te a não te livrares do desenrascanço. Isso de mão dada com a disciplina organizacional faz o pleno.
Portugal, as tuas deficiências organizacionais são desesperantes. Quando se ouve por aí iluminados a dizer que “temos enormes deficiências organizacionais” temos que concordar que há todo o fundamento nisso. É que tu não entendes bem o conceito de Organização. Parece que é algo que é contra-natura com o teu ser. Mas francamente, nem é coisa por aí além. Claro que mete o factor humano, e isso complica sempre tudo, mas também não é o fim do mundo. O diabo com o factor humano é resolver conflitos como os existentes no médio oriente. Isso sim é complexo. Agora, uma Organização!
Por experiência própria tenho tido a oportunidade de lidar com a mudança em muitas organizações em Portugal e em diversas na Europa (sim, para mim isso é ainda coisa que fica acima do Pirinéus; eu encaro Portugal como pertencendo ao mundo). E a experiência que adquiri corrobora a 100% o “temos enormes deficiências organizacionais”.
E porquê? Porque basicamente a qualidade geral dos nossos gestores é fraca. Com uma agravante nada despicienda, que é julgarem-se melhores do que aquilo que são. A gestão é uma disciplina ainda pouco conhecida. Confundimo-la com a actividade do homem de negócios ou com o empresário, o que é errado, não sendo estes inclusivamente necessariamente bons nessa matéria. O faro que têm para o negócio secou-lhes as qualidades organizacionais. São uns nabos, com uma agravante: não gostam dos gestores porque estes lhes podem fazer sombra pelo facto de o vulgo confundir um e outro.
A imensa massa de Portugueses vai ainda fazendo jus daquela saída de Gaius Julius Caesar quando diz “Há nos confins da Ibéria um estranho povo, que não se governa, nem se deixa governar”. É impressionante como isto é verdade. Como se vê o casamento entre gestores e geridos não é bem sucedido. E isso nota-se pelo ódio mudo entre a classe dirigente e a classe dirigida.
Mas as coisas são como são, e a natureza das coisas diz-me que o ónus cabe a quem comanda. São estes a quem recai a obrigatoriedade de mudar a realidade deste casamento. Deverão ser os dirigentes a fundar novas realidades, pelo exemplo, pela abnegação, pela seriedade, pelo esforço, pela perspicácia, pela inteligência, pela forma como comunicam, e acima de tudo pelas qualidades organizacionais. Por isso Portugal, trata de arranjar um meio de mudar esta situação.
Dir-me-ás que não te posso exigir isso porque sou um grande defensor da iniciativa privada. É verdade, mas respondo-te que tens uma miríade de serviços públicos onde poderias praticar com excelência as melhores práticas organizacionais. E mais, até há muito bom gestor por aí à solta saídos recentemente de muitas faculdades de economia e com muita pós-graduação às costas. Aproveita isso. Eu sei que é difícil porque inventaste essa coisa do “cargo de confiança política”, que mais não é do que o “Job for the boys”. Segredo-te: livra-te do “boys” e arranja bons gestores públicos que queiram fazer carreira na gestão pública. Dá um ar da tua graça e manda uns pioneiros às grandes Écoles Publiques. Não é nada que um “shake hands” com o Sarkozy não resolva.
Portugal, não tenhas medo de te organizar. Vais ver que não dói, e até dá brinde no final. E olha, se levares isso como moda, conceito que adoras, aconselho-te a não te livrares do desenrascanço. Isso de mão dada com a disciplina organizacional faz o pleno.
Os motivos de Fernando Ulrich
QUINTA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2010
Já por várias vezes invoquei neste espaço o cuidado que temos que ter com a nossa banca nos tempos que se adivinham. Os bancos andam com margens negativas em algumas actividades, nomeadamente no crédito à habitação. Ou seja, perdem dinheiro neste segmento. Ora, este segmento representa cerca de 40% do crédito bancário dos nossos bancos. O grave é que os bancos financiam-se a curto / médio prazo no estrangeiro para financiar financiamentos de muito longo prazo já efectuados a um preço muito baixo (spreads de 0,3% a 1% para os contratos anteriores a 2007 / 2008). Ora as renovações dos contratos dos bancos face a credores estrangeiros estão a sair cada vez mais caro, fazendo com que o prejuízo vá aumentando.
No entanto, e por agora, as operações em Angola e noutros segmentos (empresas, crédito pessoal e automóvel) vão compensando o desastre do crédito à habitação. Perante um cenário menos famoso nestes outros segmentos no futuro próximo, o que não é difícil de imaginar, podemos pensar que alguns limites pouco aceitáveis possam vir a ser atingidos pela nossa banca.
E é aqui que entra o presidente do BPI, Fernando Ulrich, com a sua vinda a público a revelar os dados do estudo elaborado pela sua equipa de economia, que não ponho dúvidas ser de excelente qualidade. E que dizem? Dizem que o défice público é de 80% do PIB, e que se adicionarmos as dívidas das Regiões Autónomas, Autarquias e as responsabilidades das parcerias público privadas (PPP) então a dívida pública total atinge 100%. E a tendência prevista não é nada famosa se não fizermos o que há a fazer.
Onde começa o problema? O problema começa quando os mercados internacionais vão sinalizando que confiam menos na economia Portuguesa e na sua capacidade de resolver o seu problema de dívida, seja através do crescimento económico, da redução da despesa ou no aumento dos impostos, ou ainda no efeito combinado de todos estes elementos. E onde isto nos leva? Leva-nos ao aumento dos spreads que os bancos têm que pagar na renovação dos empréstimos que têm que renovar, o que, combinado com o spread fixo do crédito à habitação que praticaram aos clientes resulta no aumento do prejuízo.
Porquê o BPI a preocupar-se publicamente? Porque, e ao que sei, é o banco com maior peso do crédito à habitação no volume total de crédito, e porque, ao que parece, é o que praticou margens de spreads menores neste segmento. Logo, é o banco que vê esta realidade adversa entrar pela casa dentro com maior voracidade.
Qual o objectivo de Fernando Ulrich com esta intervenção? O seu objectivo é condicionar o orçamento de estado nas suas componentes de despesa e de investimentos públicos, que, de facto, são perfeitamente desajustados da nossa realidade. Tudo com a finalidade de não ver os credores internacionais aumentarem o prémio de risco a Portugal e consequentemente o preço a que compra o dinheiro.
É racional a sua intervenção? Sim, é do mais racional que há, não só do ponto de vista da instituição que defende, como da banca em geral, e do interesse de todo o Portugal. Só uma meia dúzia de pessoas se apercebe o que se anda a passar. A grande maioria está toda a dormir.
Vale a pena ir ao site do BPI e ver o estudo (nomeadamente páginas 28 a 32). Diabólico acreditar que, do meu ponto de vista, na cabeça do presidente do BPI o cenário pessimista que lá está é o mais provável de ocorrer. Só um ingénuo não percebe que esse é o sinal que foi dado ao governo. Pede-se ao governo que governe. Se não o fizer então está dado o pontapé de saída oficial dos nossos problemas bancários.
Já por várias vezes invoquei neste espaço o cuidado que temos que ter com a nossa banca nos tempos que se adivinham. Os bancos andam com margens negativas em algumas actividades, nomeadamente no crédito à habitação. Ou seja, perdem dinheiro neste segmento. Ora, este segmento representa cerca de 40% do crédito bancário dos nossos bancos. O grave é que os bancos financiam-se a curto / médio prazo no estrangeiro para financiar financiamentos de muito longo prazo já efectuados a um preço muito baixo (spreads de 0,3% a 1% para os contratos anteriores a 2007 / 2008). Ora as renovações dos contratos dos bancos face a credores estrangeiros estão a sair cada vez mais caro, fazendo com que o prejuízo vá aumentando.
No entanto, e por agora, as operações em Angola e noutros segmentos (empresas, crédito pessoal e automóvel) vão compensando o desastre do crédito à habitação. Perante um cenário menos famoso nestes outros segmentos no futuro próximo, o que não é difícil de imaginar, podemos pensar que alguns limites pouco aceitáveis possam vir a ser atingidos pela nossa banca.
E é aqui que entra o presidente do BPI, Fernando Ulrich, com a sua vinda a público a revelar os dados do estudo elaborado pela sua equipa de economia, que não ponho dúvidas ser de excelente qualidade. E que dizem? Dizem que o défice público é de 80% do PIB, e que se adicionarmos as dívidas das Regiões Autónomas, Autarquias e as responsabilidades das parcerias público privadas (PPP) então a dívida pública total atinge 100%. E a tendência prevista não é nada famosa se não fizermos o que há a fazer.
Onde começa o problema? O problema começa quando os mercados internacionais vão sinalizando que confiam menos na economia Portuguesa e na sua capacidade de resolver o seu problema de dívida, seja através do crescimento económico, da redução da despesa ou no aumento dos impostos, ou ainda no efeito combinado de todos estes elementos. E onde isto nos leva? Leva-nos ao aumento dos spreads que os bancos têm que pagar na renovação dos empréstimos que têm que renovar, o que, combinado com o spread fixo do crédito à habitação que praticaram aos clientes resulta no aumento do prejuízo.
Porquê o BPI a preocupar-se publicamente? Porque, e ao que sei, é o banco com maior peso do crédito à habitação no volume total de crédito, e porque, ao que parece, é o que praticou margens de spreads menores neste segmento. Logo, é o banco que vê esta realidade adversa entrar pela casa dentro com maior voracidade.
Qual o objectivo de Fernando Ulrich com esta intervenção? O seu objectivo é condicionar o orçamento de estado nas suas componentes de despesa e de investimentos públicos, que, de facto, são perfeitamente desajustados da nossa realidade. Tudo com a finalidade de não ver os credores internacionais aumentarem o prémio de risco a Portugal e consequentemente o preço a que compra o dinheiro.
É racional a sua intervenção? Sim, é do mais racional que há, não só do ponto de vista da instituição que defende, como da banca em geral, e do interesse de todo o Portugal. Só uma meia dúzia de pessoas se apercebe o que se anda a passar. A grande maioria está toda a dormir.
Vale a pena ir ao site do BPI e ver o estudo (nomeadamente páginas 28 a 32). Diabólico acreditar que, do meu ponto de vista, na cabeça do presidente do BPI o cenário pessimista que lá está é o mais provável de ocorrer. Só um ingénuo não percebe que esse é o sinal que foi dado ao governo. Pede-se ao governo que governe. Se não o fizer então está dado o pontapé de saída oficial dos nossos problemas bancários.
A espera como substituto do argumento
QUARTA-FEIRA, 6 DE JANEIRO DE 2010
Tenho com frequência produzido posts com os títulos de "Portugal, acorda" e "Portugal, fotografia". Tenho ainda mais umas poucas "fotografias" na agenda. Posteriormente passarei às "soluções". Tem sido minha ideia perceber o que se anda a passar em Portugal e de tentar produzir soluções. Poucas pessoas ligam ao nosso País e quase ningém para ele olha sem ser pelo seu prisma individual. Tenho desgosto no facto, mas tenho muita esperança que isso mude. Por exemplo, é impressionante como pouco ou nada se liga à hecatombe demográfica em curso. Já nos dias de hoje saio e reparo que existem pouquíssimas crianças / bébes. Isto vai ter impactos brutais em Portugal. Terá ainda impactos psicológicos no futuro no nosso sentir a sociedade que nem suspeitamos hoje em dia.
Embora seja um optimista, tenho fundadas razões estar pessimista para Portugal se nada for feito. Não existem evidências nenhumas de mudança de rumo, seja a que nível for. A nível económico e financeiro a situação vai rebentar daqui a 2 ou 3 anos. Hoje Martim Avillez Figueiredo falou em "situação explosiva" na TV2. O discurso recente do Presidente da República também o mencionou. O défice corre à razão de 2 milhões de euros por hora, e penso que este número subirá, pelo que vai haver mesmo turbulência (e já nem invoco o desemprego crescente).
A atitude do tipo "ora, crises sempre existiram" vai ter uma surpresa. Temos um problema como nunca tivemos. Eu sei que quem vive as situações no momento tende sempre a sobrevalorizar o seu momento histórico face a outros já ocorridos. Mas realmente há uma vaga (já discorri sobre isso em diversos posts) forte e profunda de corrosão que vem a caminho. Vai ser como que um terramoto social prolongado no tempo. Terramoto, muito, muito poderoso, e todo ele fabricado por nós. Não vamos gostar dele e vamos sentir amargamente o real absurdo que é conhecermos as suas causas e toda a história da sua formação. Impressionante como quase todos os responsáveis se recusam a reconhecer a realidade e lutar contra ela.
Sei que por defeito de formação dou muita ênfase à área económica e financeira nos posts que tenho produzido. Defendendo a minha dama, direi que sem a economia e as finanças devidamente afinadas não podemos carburar adequadamente nas outras áreas (embora isto não seja válido a 100%). Infelizmente o sector social vai-se ressentir bastante com os nossos desiquilibrios económicos e financeiros.
Paralelamente, e naquilo que é independente da carteira, não vamos marcando pontos. Esta história do casamento homossexual é demasido nauseabunta para ser verdade, não só pelo dislate da matéria, como pela total inoportunidade. O navio afunda-se e está-se a discutir a decoração do convés. Isto é um clássico do comportamento humano. Quem tem medo da adversa realidade em que se encontra inventa outros assuntos menores para manter aquela em boa distância e conservar uma triste e falsa ilusão. Cambada de fracos.
Existe uma característica que não tenho visto nas pessoas: altruismo. Como disse, sinto que têm pouca apetência em se preocupar com Portugal. É impressionante como as pessoas vivem mergulhadas nos seus "eus". Parece que o mundo acaba nas suas fronteiras físicas. Hoje não é permitido tomar medidas para o bem comum pelo simples facto de as mesmas puderem perturbar um qualquer interesse instalado. Nesse momento solta-se a berraria. A fórmula, bem atestada de adeptos, tem provado funcionar, pelo que o argumento tem sido invariavelmente batido pelo nível sonoro. E quando este está de mãos dadas com a "moda" até o melhor argumento é visto com total desdém. Enfim, são os tempos de hoje, "modernos", claro, onde a "modernidade" servida por um sorriso ardiloso e de esguelha é o melhor substituto do argumento.
É impressionante como as pessoas têm certezas sobre tudo e sobre nada e emprestam pouca argumentação ao diálogo. Há muito expediente para tomar posições imediatas sobre tudo e sobre nada, e pouca substância no argumento que suporte ideias sólidas. Os homens sábios funcionam ao contrário. Francis Bacon dizia que a sabedoria simulada é quem dá por adquirido aquilo que não sabe bem explicar, e quem passa muito rapidamente de um tema para o outro sem se deter muito sobre um mesmo tópico. Noto isso em inúmeras conversas em que o outro tem uma tremenda dificuldade no argumento, mas está sempre ciente da sua razão. E já nem falo ao nível da contra argumentação. É uma brutal falência do diálogo.
A busca da verdade pelo diálogo é coisa difícil de alcançar nos dias de hoje. Mas como a verdade é daquelas coisas que insistentemente vem ao de cima, e como quando se fala, por exemplo, em medidas difíceis para reduzir o défice e a dívida total do País vêm logo os "modernos" e seus acólito defensores com risinhos e encolheres de ombros ocos e ignorantes (juntem-se aqui quase todos os funcionários públicos que vivem, e para quem não sabe, no mundo dos desenhos animados), esperemos democraticamente pela realidade que vem aí.
Temos a espera como substituto - efémero - do argumento.
Tenho com frequência produzido posts com os títulos de "Portugal, acorda" e "Portugal, fotografia". Tenho ainda mais umas poucas "fotografias" na agenda. Posteriormente passarei às "soluções". Tem sido minha ideia perceber o que se anda a passar em Portugal e de tentar produzir soluções. Poucas pessoas ligam ao nosso País e quase ningém para ele olha sem ser pelo seu prisma individual. Tenho desgosto no facto, mas tenho muita esperança que isso mude. Por exemplo, é impressionante como pouco ou nada se liga à hecatombe demográfica em curso. Já nos dias de hoje saio e reparo que existem pouquíssimas crianças / bébes. Isto vai ter impactos brutais em Portugal. Terá ainda impactos psicológicos no futuro no nosso sentir a sociedade que nem suspeitamos hoje em dia.
Embora seja um optimista, tenho fundadas razões estar pessimista para Portugal se nada for feito. Não existem evidências nenhumas de mudança de rumo, seja a que nível for. A nível económico e financeiro a situação vai rebentar daqui a 2 ou 3 anos. Hoje Martim Avillez Figueiredo falou em "situação explosiva" na TV2. O discurso recente do Presidente da República também o mencionou. O défice corre à razão de 2 milhões de euros por hora, e penso que este número subirá, pelo que vai haver mesmo turbulência (e já nem invoco o desemprego crescente).
A atitude do tipo "ora, crises sempre existiram" vai ter uma surpresa. Temos um problema como nunca tivemos. Eu sei que quem vive as situações no momento tende sempre a sobrevalorizar o seu momento histórico face a outros já ocorridos. Mas realmente há uma vaga (já discorri sobre isso em diversos posts) forte e profunda de corrosão que vem a caminho. Vai ser como que um terramoto social prolongado no tempo. Terramoto, muito, muito poderoso, e todo ele fabricado por nós. Não vamos gostar dele e vamos sentir amargamente o real absurdo que é conhecermos as suas causas e toda a história da sua formação. Impressionante como quase todos os responsáveis se recusam a reconhecer a realidade e lutar contra ela.
Sei que por defeito de formação dou muita ênfase à área económica e financeira nos posts que tenho produzido. Defendendo a minha dama, direi que sem a economia e as finanças devidamente afinadas não podemos carburar adequadamente nas outras áreas (embora isto não seja válido a 100%). Infelizmente o sector social vai-se ressentir bastante com os nossos desiquilibrios económicos e financeiros.
Paralelamente, e naquilo que é independente da carteira, não vamos marcando pontos. Esta história do casamento homossexual é demasido nauseabunta para ser verdade, não só pelo dislate da matéria, como pela total inoportunidade. O navio afunda-se e está-se a discutir a decoração do convés. Isto é um clássico do comportamento humano. Quem tem medo da adversa realidade em que se encontra inventa outros assuntos menores para manter aquela em boa distância e conservar uma triste e falsa ilusão. Cambada de fracos.
Existe uma característica que não tenho visto nas pessoas: altruismo. Como disse, sinto que têm pouca apetência em se preocupar com Portugal. É impressionante como as pessoas vivem mergulhadas nos seus "eus". Parece que o mundo acaba nas suas fronteiras físicas. Hoje não é permitido tomar medidas para o bem comum pelo simples facto de as mesmas puderem perturbar um qualquer interesse instalado. Nesse momento solta-se a berraria. A fórmula, bem atestada de adeptos, tem provado funcionar, pelo que o argumento tem sido invariavelmente batido pelo nível sonoro. E quando este está de mãos dadas com a "moda" até o melhor argumento é visto com total desdém. Enfim, são os tempos de hoje, "modernos", claro, onde a "modernidade" servida por um sorriso ardiloso e de esguelha é o melhor substituto do argumento.
É impressionante como as pessoas têm certezas sobre tudo e sobre nada e emprestam pouca argumentação ao diálogo. Há muito expediente para tomar posições imediatas sobre tudo e sobre nada, e pouca substância no argumento que suporte ideias sólidas. Os homens sábios funcionam ao contrário. Francis Bacon dizia que a sabedoria simulada é quem dá por adquirido aquilo que não sabe bem explicar, e quem passa muito rapidamente de um tema para o outro sem se deter muito sobre um mesmo tópico. Noto isso em inúmeras conversas em que o outro tem uma tremenda dificuldade no argumento, mas está sempre ciente da sua razão. E já nem falo ao nível da contra argumentação. É uma brutal falência do diálogo.
A busca da verdade pelo diálogo é coisa difícil de alcançar nos dias de hoje. Mas como a verdade é daquelas coisas que insistentemente vem ao de cima, e como quando se fala, por exemplo, em medidas difíceis para reduzir o défice e a dívida total do País vêm logo os "modernos" e seus acólito defensores com risinhos e encolheres de ombros ocos e ignorantes (juntem-se aqui quase todos os funcionários públicos que vivem, e para quem não sabe, no mundo dos desenhos animados), esperemos democraticamente pela realidade que vem aí.
Temos a espera como substituto - efémero - do argumento.
Portugal, fotografia (9)
DOMINGO, 3 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, tens uma quantidade anormalmente grande de corruptos e de pessoas que fogem aos impostos. Isto demonstra o alheamento de muitos do bem comum, e de como se deve viver em comunidade. Isto demonstra a fraca coesão social existente. Demonstra também que não existe confiança suficiente sobre o destino dado aos impostos. Mas pode demonstrar mais. Pode demonstrar que o nível de bens e serviços que dás em troca do que cobras não está em sintonia com o valor percepcionado pelos cidadãos. Sabemos que há erros de percepção, mas sabemos também que, às vezes, não há. Sabemos também que por não conseguires cobrares em condições, taxas a torto e a direito, de modo a cobrares num lado onde não consegues cobrar no outro, subvertendo assim o sentido dos impostos. Queixas-te, e com razão, dos faltosos, mas também faltas muito com os não faltosos.
Portugal, não é possível pensares em aspirar ter um nível de serviços públicos ao nível Europeu se uma parte dos seus beneficiários não pagarem os seus impostos e/ou e forem corruptos. Sem contar que é de uma injustiça tremenda existirem cidadãos que se passeiam (os mais descarados até se pavoneiam) entre os zelosos cumpridores. Isto são facadas autênticas na sociedade. Não sei a melhor forma de apanhar os faltosos, mas gostaria que tu soubesses. Portugal, o teu Estado teve o privilégio de ter um trabalhador a quem pagaste bem e que te fez efectivar muita cobrança. Talvez isso faça pensar que é antes na qualidade dos teus quadros que está a solução, e não quantidade de “funcionários”. Dizem-me os sentidos que tens de ter muito “intelligence” nos teus departamentos de finanças. E para controlar 10 milhões nem deve ser assim tão difícil montar uma equipa com as competências necessárias.
Portugal, para tornar o sistema menos convidativo à fuga, sugeria repensares todos os impostos que cobras. Isto de modo a eliminar o critério em vigor: cobrar onde se chega e se pode. Se existir uma lógica e um sentido nos impostos, e claro, um mínimo de bens e serviços em troca, as pessoas sentir-se-ão menos tentadas a fugir. Por isso pensa bem em aumentar uns e baixar outros (ou até eliminá-los). Tudo com o intuito de dar um sentido a todos eles no momento histórico em que te encontras e nas circunstâncias que te rodeiam. Não te rales se vierem uns a dizer que são prejudicados. Se há coisa que existiu, existe, e existirá sempre, é descontentes dispostos a berrar por tudo e coisa nenhuma e aos quais não faltam chefes de claque atestados de outras agendas e ansiosos por manipularem emoções.
Portugal, cedo ou tarde esta mexida nos impostos vai acontecer. A globalização é uma realidade fortíssima. E com o empurrão que esta crise internacional te vai dar a coisa vai ocorrer mais cedo do que pensas. E se não vai por vontade própria dos nossos políticos, vai com a vontade externa dos credores internacionais, da UE, e do FMI, tudo gente com uma força dos diabos. Como sempre, há quem já viu isto, quem não quer ver, e quem não vai nunca entender. Está nas tuas mãos fazê-lo com cabeça e com um sentido lógico, ou então será feito por mãos alheias e em obediência cega à lógica da maximização da cobrança.
Portugal, uma palavra sobre a corrupção. É um verdadeiro cancro. Não se vê, é silenciosa, corrói que se farta, e tende a espalhar-se. Quem a pratica são os ignóbeis, e os falhados desta vida. E estes andam em todo o lado, desde os corredores do poder até às ruelas mais estreitas. Os primeiros são até de fácil identificação, o que faz supor que só depende da tua vontade para os apanhar (pois é, tens tido muitos governantes de braço dado com eles, não é?). Os segundos não, são muitos e deve ser complicado apanhá-los. Não sei quem te faz mais mossa, se uns quantos leões se uma bando enorme de hienas. Talvez vá pelas hienas, pois têm o efeito do número e estão bem espalhadas por todo o País. Seja como for, é uma catástrofe não ser possível levá-los a todos à justiça e condená-los em conformidade. Barbaridade.
Portugal, tens uma quantidade anormalmente grande de corruptos e de pessoas que fogem aos impostos. Isto demonstra o alheamento de muitos do bem comum, e de como se deve viver em comunidade. Isto demonstra a fraca coesão social existente. Demonstra também que não existe confiança suficiente sobre o destino dado aos impostos. Mas pode demonstrar mais. Pode demonstrar que o nível de bens e serviços que dás em troca do que cobras não está em sintonia com o valor percepcionado pelos cidadãos. Sabemos que há erros de percepção, mas sabemos também que, às vezes, não há. Sabemos também que por não conseguires cobrares em condições, taxas a torto e a direito, de modo a cobrares num lado onde não consegues cobrar no outro, subvertendo assim o sentido dos impostos. Queixas-te, e com razão, dos faltosos, mas também faltas muito com os não faltosos.
Portugal, não é possível pensares em aspirar ter um nível de serviços públicos ao nível Europeu se uma parte dos seus beneficiários não pagarem os seus impostos e/ou e forem corruptos. Sem contar que é de uma injustiça tremenda existirem cidadãos que se passeiam (os mais descarados até se pavoneiam) entre os zelosos cumpridores. Isto são facadas autênticas na sociedade. Não sei a melhor forma de apanhar os faltosos, mas gostaria que tu soubesses. Portugal, o teu Estado teve o privilégio de ter um trabalhador a quem pagaste bem e que te fez efectivar muita cobrança. Talvez isso faça pensar que é antes na qualidade dos teus quadros que está a solução, e não quantidade de “funcionários”. Dizem-me os sentidos que tens de ter muito “intelligence” nos teus departamentos de finanças. E para controlar 10 milhões nem deve ser assim tão difícil montar uma equipa com as competências necessárias.
Portugal, para tornar o sistema menos convidativo à fuga, sugeria repensares todos os impostos que cobras. Isto de modo a eliminar o critério em vigor: cobrar onde se chega e se pode. Se existir uma lógica e um sentido nos impostos, e claro, um mínimo de bens e serviços em troca, as pessoas sentir-se-ão menos tentadas a fugir. Por isso pensa bem em aumentar uns e baixar outros (ou até eliminá-los). Tudo com o intuito de dar um sentido a todos eles no momento histórico em que te encontras e nas circunstâncias que te rodeiam. Não te rales se vierem uns a dizer que são prejudicados. Se há coisa que existiu, existe, e existirá sempre, é descontentes dispostos a berrar por tudo e coisa nenhuma e aos quais não faltam chefes de claque atestados de outras agendas e ansiosos por manipularem emoções.
Portugal, cedo ou tarde esta mexida nos impostos vai acontecer. A globalização é uma realidade fortíssima. E com o empurrão que esta crise internacional te vai dar a coisa vai ocorrer mais cedo do que pensas. E se não vai por vontade própria dos nossos políticos, vai com a vontade externa dos credores internacionais, da UE, e do FMI, tudo gente com uma força dos diabos. Como sempre, há quem já viu isto, quem não quer ver, e quem não vai nunca entender. Está nas tuas mãos fazê-lo com cabeça e com um sentido lógico, ou então será feito por mãos alheias e em obediência cega à lógica da maximização da cobrança.
Portugal, uma palavra sobre a corrupção. É um verdadeiro cancro. Não se vê, é silenciosa, corrói que se farta, e tende a espalhar-se. Quem a pratica são os ignóbeis, e os falhados desta vida. E estes andam em todo o lado, desde os corredores do poder até às ruelas mais estreitas. Os primeiros são até de fácil identificação, o que faz supor que só depende da tua vontade para os apanhar (pois é, tens tido muitos governantes de braço dado com eles, não é?). Os segundos não, são muitos e deve ser complicado apanhá-los. Não sei quem te faz mais mossa, se uns quantos leões se uma bando enorme de hienas. Talvez vá pelas hienas, pois têm o efeito do número e estão bem espalhadas por todo o País. Seja como for, é uma catástrofe não ser possível levá-los a todos à justiça e condená-los em conformidade. Barbaridade.