QUINTA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2010
Será 2011 o ano da viragem? Não o creio. Se por um lado os Portugueses irão começar a sentir na pele a nossa crise, por outro lado o modelo em que acreditam continua intacto. As crises valem pelos seus ensinamentos, e mal de quem com elas não aprende. E este é o maior problema que enfrentamos, o da aprendizagem. Ainda não interiorizarmos que uma mudança radical de atitude sobre a vida tem que ser adoptada.
Ao nível político o CDS continuará no intervalo entre os 8% e os 12%. 12% já significaria uma mudança, mas de expressão reduzidíssima. O Bloco Central continua intacto, ou seja, a população continua a acreditar que a via socialista é o modelo que lhes pode trazer alguma coisa. Tudo o que implique meritocracia, liberdade individual, discriminação positiva e diferenciação, continua a não fazer parte da crença da grande maioria da população. Este é o desiderato que falta ultrapassar. Os efeitos nefastos do sistema socialista em que acreditamos e vivemos só agora começam a ser sentidos. Pagar a nossa dívida externa e interna vai demorar muitos anos e vai doer muito. Quando o sentirmos bem na pele e repararmos que a outra parte do mundo que connosco compete, e que se passou a sentar à mesa como resultado do seu sucesso e do modelo capitalista que adoptou, então aí a outra parte dos Portugueses tratará de querer mudar de atitude.
O mal de toda a bebedeira de dívida que abraçámos desde 1995, e de fundos da CEE decorrentes da adesão em 1986, é que cegou essa parte de Portugal que continua a dormir. Foram muitos anos a dormir. A alvorada não se vai dar ainda em 2011. Em 2011 continuaremos a fechar os olhos à realidade. O mesmo faremos em 2012 e provavelmente também em 2013, apesar da intervenção do FMI já em 2011. Somente em 2014, e depois de vermos bem o que se passará em Espanha, com o consequente susto, iremos perceber que algo de muito profundo terá de mudar.
Até lá desejo que os mais destemidos e empreededores não vacilem perante a podridão de uma maioria que ainda vive noutro mundo.
Ao CDS espera-se que cumpra o seu dever. Que não ceda à tentação de ir para um governo com o PSD. A sua missão está guardada para mais tarde. Para o momento em que resolvermos mudar de atitude. Aí será convocado para governar Portugal.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Os detractores do cheque-educação
QUARTA-FEIRA, 29 DE DEZEMBRO DE 2010
Sobre o cheque-educação não faltarão detractores por aí. Quase todos eles estão conotados com alguma esquerda que tem uma extrema dificuldade em ver para além do centralismo que venera. Tudo o que mexe, tudo o que denuncia responsabilização, tudo o que exija resultados, tudo o que coloque os alunos em primeiro lugar, tudo o que não seja corporativo, tudo o que não implique pesados controles burocráticos, e tudo o que implique possibilidade de escolha, é tudo inimigo das criações de engenheiros sociais que vêm nos seus decretos a salvação de todos os males que fatalmente serão emanados pelo vulgar cidadão.
A pseudo-superioridade dos centralistas é trituradora de qualquer veleidade que implique a participação de todos. O feedback, mecanismo intrínseco ao cheque-educação, é um conceito que abala mentes preconceituosas e sedentas de controlos rígidos sobre tudo o que supostamente deveria somente regular.
O mundo é muito dinâmico, e o que deu provas de sucesso no passado pode não servir as necessidades do futuro. A educação tornou-se num monstro que serve a tudo menos aos alunos e respectivos encarregados de educação. Serve acima de tudo um ministério da educação carregado de burocratas bem como uma classe de professores. Há algo de profundamente errado quando se promete emprego para a vida e mecanismos de progressão automática, essa imbecilidade organizacional que mais não faz com que nivelar por baixo os seus constituintes. A tudo isto contemos com um preço estupidamente caro no actual sistema, o que, aliás, não é de estranhar quando as organizações têm como objecto a sua própria existência e não servir aqueles para as quais devem a sua criação.
A ineficiência tem custos, mas o centralizador pensa que o eterno contribuinte existe para pagar os desnortes de uma mentalidade caduca e germinadora do pior que um ser humano pode fornecer quando integrado numa organização ou corporação: a defesa do seu interesse pessoal e do grupo a que pertence. O centralizador olha todos os encarregados de educação como seres sem capacidade de discernimento, surgindo ele como o “iluminado” que tudo vê e tudo corrige. Penso já existir histórico suficiente para ver onde este tipo de visão conduz.
O argumento mais torpe que por aí existe sobre o cheque-educação reside na crença de que “os pobres financiarão a educação dos ricos”. Este argumento, baseado no falso pressuposto de que o que um ganha o outro tem que perder, é mentiroso por duas razões:
1. Pela incorrecta visão de que para que servem os impostos. Segundo estes “visionários” os impostos são para os pobres uma aquisição de direitos de gozo sobre bens e serviços que os seus rendimentos não podem obter, e para os ricos um castigo pelo facto de o serem. Ora, os impostos servem para financiar o gozo de bens e serviços onde o mercado, por natureza, pode ter extremas dificuldades em fornecer atempadamente e em boas condições de qualidade. E servem, claro está, como mecanismo de mitigação das naturais diferenças económicas entre quem mais pode e quem menos pode. Mas cuidado, não se deve cair na tentação de subtrair a quem mais pode o exercício de gozo desses mesmos bens e serviços devido ao seu elevado rendimento. Que a cegueira não discrimine negativamente o mais abastado. A igualdade de tratamento de qualquer cidadão é condição básica de uma sociedade civilizada. A discriminação, a existir, já é feita ao nível da taxa de imposto. Consequentemente ao rico deverá ser entregue um cheque-educação por cada filho. Quem assim não pense que proponha de imediato o fim do abatimento das despesas de educação no cálculo da matéria colectável.
2. Os pobres por norma não pagam impostos devido, ou à ausência total de rendimento, ou ao seu nível de rendimentos tão baixos que escapam ao pagamento de impostos.
A psicose persecutória ao “rico” muito em voga em Portugal mais não é do que o resultado do ódio do esquerdista sobre o rico. Desconfiemos sempre de reacções baseadas no ódio e preconceitos resultantes de uma mentalidade invejosa. Escondem sempre mais do que revelam e retiram discernimento ao debate.
Todos os outros argumentos sobre o cheque-educação lançados tratam mais de proteger interesses instalados do que outra coisa. Daí ser difícil lançar um verdadeiro debate sobre o tema.
Assim é mais complicado.
Sobre o cheque-educação não faltarão detractores por aí. Quase todos eles estão conotados com alguma esquerda que tem uma extrema dificuldade em ver para além do centralismo que venera. Tudo o que mexe, tudo o que denuncia responsabilização, tudo o que exija resultados, tudo o que coloque os alunos em primeiro lugar, tudo o que não seja corporativo, tudo o que não implique pesados controles burocráticos, e tudo o que implique possibilidade de escolha, é tudo inimigo das criações de engenheiros sociais que vêm nos seus decretos a salvação de todos os males que fatalmente serão emanados pelo vulgar cidadão.
A pseudo-superioridade dos centralistas é trituradora de qualquer veleidade que implique a participação de todos. O feedback, mecanismo intrínseco ao cheque-educação, é um conceito que abala mentes preconceituosas e sedentas de controlos rígidos sobre tudo o que supostamente deveria somente regular.
O mundo é muito dinâmico, e o que deu provas de sucesso no passado pode não servir as necessidades do futuro. A educação tornou-se num monstro que serve a tudo menos aos alunos e respectivos encarregados de educação. Serve acima de tudo um ministério da educação carregado de burocratas bem como uma classe de professores. Há algo de profundamente errado quando se promete emprego para a vida e mecanismos de progressão automática, essa imbecilidade organizacional que mais não faz com que nivelar por baixo os seus constituintes. A tudo isto contemos com um preço estupidamente caro no actual sistema, o que, aliás, não é de estranhar quando as organizações têm como objecto a sua própria existência e não servir aqueles para as quais devem a sua criação.
A ineficiência tem custos, mas o centralizador pensa que o eterno contribuinte existe para pagar os desnortes de uma mentalidade caduca e germinadora do pior que um ser humano pode fornecer quando integrado numa organização ou corporação: a defesa do seu interesse pessoal e do grupo a que pertence. O centralizador olha todos os encarregados de educação como seres sem capacidade de discernimento, surgindo ele como o “iluminado” que tudo vê e tudo corrige. Penso já existir histórico suficiente para ver onde este tipo de visão conduz.
O argumento mais torpe que por aí existe sobre o cheque-educação reside na crença de que “os pobres financiarão a educação dos ricos”. Este argumento, baseado no falso pressuposto de que o que um ganha o outro tem que perder, é mentiroso por duas razões:
1. Pela incorrecta visão de que para que servem os impostos. Segundo estes “visionários” os impostos são para os pobres uma aquisição de direitos de gozo sobre bens e serviços que os seus rendimentos não podem obter, e para os ricos um castigo pelo facto de o serem. Ora, os impostos servem para financiar o gozo de bens e serviços onde o mercado, por natureza, pode ter extremas dificuldades em fornecer atempadamente e em boas condições de qualidade. E servem, claro está, como mecanismo de mitigação das naturais diferenças económicas entre quem mais pode e quem menos pode. Mas cuidado, não se deve cair na tentação de subtrair a quem mais pode o exercício de gozo desses mesmos bens e serviços devido ao seu elevado rendimento. Que a cegueira não discrimine negativamente o mais abastado. A igualdade de tratamento de qualquer cidadão é condição básica de uma sociedade civilizada. A discriminação, a existir, já é feita ao nível da taxa de imposto. Consequentemente ao rico deverá ser entregue um cheque-educação por cada filho. Quem assim não pense que proponha de imediato o fim do abatimento das despesas de educação no cálculo da matéria colectável.
2. Os pobres por norma não pagam impostos devido, ou à ausência total de rendimento, ou ao seu nível de rendimentos tão baixos que escapam ao pagamento de impostos.
A psicose persecutória ao “rico” muito em voga em Portugal mais não é do que o resultado do ódio do esquerdista sobre o rico. Desconfiemos sempre de reacções baseadas no ódio e preconceitos resultantes de uma mentalidade invejosa. Escondem sempre mais do que revelam e retiram discernimento ao debate.
Todos os outros argumentos sobre o cheque-educação lançados tratam mais de proteger interesses instalados do que outra coisa. Daí ser difícil lançar um verdadeiro debate sobre o tema.
Assim é mais complicado.
Portugal, solução (13)
TERÇA-FEIRA, 28 DE DEZEMBRO DE 2010
Portugal, o ponto de partida para a tua solução na educação já tem nome. Chama-se: cheque educação. A ideia não é nova. Basicamente consiste em entregares um cheque num determinado valor a cada encarregado de educação por cada filho. Este cheque será nominativo (com o nome do filho) e só poderá ser utilizado para comprar o serviço de educação numa escola aprovada pelo ministério. Os pais por sua vez serão livres de colocar os seus filhos nas escolas que entenderem ser aquelas que melhor podem servir os projectos educativos que têm para os seus filhos.
As escolas terão de ser dotadas de autonomia acrescida, sendo que o director máximo passaria a deter o poder de escolher os professores que bem entender, bem como aceitar os alunos que bem entender. O seu sucesso dependerá da sua capacidade de obtenção de resultados. As suas receitas dependerão da sua capacidade de atrair alunos, e isso dependerá da maneira como souber criar valor com base no modo de combinação de recursos que terá a possibilidade de escolher. Neste modelo os professores terão todo o estímulo na adopção de mecanismos que, continuadamente, lhes permitam melhorar a sua performance de modo a pretenderem sempre seguir no pelotão da frente. Assim se vai eleva a qualidade do ensino em geral.
Os pais, de cheque na mão, sentirão o poder nas suas mãos e gozarão sentimentos de liberdade, e, ao “votar” com as suas escolhas, emanarão os sinais necessários que fazem dos “sistemas abertos” aqueles onde o feedback potencia a melhoria dos bens e serviços prestados.
Portugal, terás alunos inteirados de que a sua inclusão da escola depende do seu comportamento, pelo que passarão com naturalidade a ter comportamentos necessários à sua correcta formação como cidadãos. Bordoada nos professores e atitudes menos próprias passarão a ser parte do passado e objecto de estudo por parte no analista social quando estudar o método de ensino no “antigamente”.
Todo este mecanismo, baseado na Responsabilidade, tratará de extrair o melhor que existe dentro de cada participante no processo: alunos, pais, professores, direcção da escola, e ministério da educação. Se cada um cumprir somente a sua função, grandes passos serão dados.
Portugal, é muito provável que este sistema não responda com sucesso aos casos mais complicados. Mas não é expectável a criação de modelos que respondam a 100% a todas as situações geradas pelas naturais complexidades dos sistemas sociais. Se o modelo responder com sucesso a 80% a 90% do nosso tecido educativo isso já seria muito bom… e muito mais barato.
Quanto aos casos mais complicados, escolas especiais teriam de ser criadas. Que não falte apoio aos casos mais complicados ao nível de equipas multidisciplinares. Assim que estas crianças / adolescentes estiverem em boas condições comportamentais então poder-se-á proceder à sua migração para as outras escolas. Trate-se o que é específico sem complexos e com a especificidade requerida. E lembremo-nos, com o que se pouparia com o cheque-educação poder-se-ia financiar este tipo de acompanhamento específico.
Portugal, não podes deixar que o corporativismo e os burocratas te dizimem. A educação de hoje não é mais que a tua fotografia no futuro. Não há professor ou burocrata que possa impedir o que tem de ser feito.
Portugal, o ponto de partida para a tua solução na educação já tem nome. Chama-se: cheque educação. A ideia não é nova. Basicamente consiste em entregares um cheque num determinado valor a cada encarregado de educação por cada filho. Este cheque será nominativo (com o nome do filho) e só poderá ser utilizado para comprar o serviço de educação numa escola aprovada pelo ministério. Os pais por sua vez serão livres de colocar os seus filhos nas escolas que entenderem ser aquelas que melhor podem servir os projectos educativos que têm para os seus filhos.
As escolas terão de ser dotadas de autonomia acrescida, sendo que o director máximo passaria a deter o poder de escolher os professores que bem entender, bem como aceitar os alunos que bem entender. O seu sucesso dependerá da sua capacidade de obtenção de resultados. As suas receitas dependerão da sua capacidade de atrair alunos, e isso dependerá da maneira como souber criar valor com base no modo de combinação de recursos que terá a possibilidade de escolher. Neste modelo os professores terão todo o estímulo na adopção de mecanismos que, continuadamente, lhes permitam melhorar a sua performance de modo a pretenderem sempre seguir no pelotão da frente. Assim se vai eleva a qualidade do ensino em geral.
Os pais, de cheque na mão, sentirão o poder nas suas mãos e gozarão sentimentos de liberdade, e, ao “votar” com as suas escolhas, emanarão os sinais necessários que fazem dos “sistemas abertos” aqueles onde o feedback potencia a melhoria dos bens e serviços prestados.
Portugal, terás alunos inteirados de que a sua inclusão da escola depende do seu comportamento, pelo que passarão com naturalidade a ter comportamentos necessários à sua correcta formação como cidadãos. Bordoada nos professores e atitudes menos próprias passarão a ser parte do passado e objecto de estudo por parte no analista social quando estudar o método de ensino no “antigamente”.
Todo este mecanismo, baseado na Responsabilidade, tratará de extrair o melhor que existe dentro de cada participante no processo: alunos, pais, professores, direcção da escola, e ministério da educação. Se cada um cumprir somente a sua função, grandes passos serão dados.
Portugal, é muito provável que este sistema não responda com sucesso aos casos mais complicados. Mas não é expectável a criação de modelos que respondam a 100% a todas as situações geradas pelas naturais complexidades dos sistemas sociais. Se o modelo responder com sucesso a 80% a 90% do nosso tecido educativo isso já seria muito bom… e muito mais barato.
Quanto aos casos mais complicados, escolas especiais teriam de ser criadas. Que não falte apoio aos casos mais complicados ao nível de equipas multidisciplinares. Assim que estas crianças / adolescentes estiverem em boas condições comportamentais então poder-se-á proceder à sua migração para as outras escolas. Trate-se o que é específico sem complexos e com a especificidade requerida. E lembremo-nos, com o que se pouparia com o cheque-educação poder-se-ia financiar este tipo de acompanhamento específico.
Portugal, não podes deixar que o corporativismo e os burocratas te dizimem. A educação de hoje não é mais que a tua fotografia no futuro. Não há professor ou burocrata que possa impedir o que tem de ser feito.
Valor económico individual
DOMINGO, 26 DE DEZEMBRO DE 2010
Em conversa com um amigo empresário íamos discorrendo sobre as faculdades do Português como trabalhador. Aparte do clássico, e já estafado “os nossos melhores são tão bons ou melhores que os melhores deste mundo”, falávamos sobre uma camada de Portugueses que pouco ou nada produzem. Sobre estes não tenho conhecimentos profundos quanto à dimensão do seu valor económico individual, embora possua algumas suspeitas. Mas este meu amigo afiançava-me, por experiência própria, que existem Portugueses que pura e simplesmente não produzem. Atónito, ia apelando para me dar mais exemplos. E veio mais um, dando-me o exemplo do seu irmão, também ele empresário numa companhia agrícola Alentejana junto à fronteira com Espanha, onde me dizia que todos os trabalhadores que com ele trabalham são Espanhóis pelo facto de serem bem mais produtivos. Diz-me ele que por aquelas bandas não arranja trabalhadores Portugueses responsáveis e produtivos.
Olhando para muitos dos “arrumadores de carros”, pessoas que na grande maioria, e aos meus olhos, não darem sinais de serem altamente eficientes seja lá em que actividade for, pensando nos que fazem do exercício o RSI a sua principal actividade, imaginando os empatas existentes por aí, nomeadamente na Função Pública, arrisco que são todos pessoas que dão pouco ou nada à economia. Quando não subtraem… Especulo se toda essa mole poderá de algum modo chegar aos 20% da população. Será?
O meu feeling diz-me que sim. Aprioristicamente haveria algo de insondável no facto de muitos imigrantes arranjarem trabalho com facilidade. Mas aqueles supermercados e mercearias de Aljezur que empregam muitos trabalhadores vindos de Leste de sorriso na cara e eficiência quanto baste ao invés de empregarem Portugueses com ar vago e respiração lenta, podem denunciar muita coisa. Os dois trabalhadores Romenos que iam à minha casa de férias onde me encontrava para tratar da piscina e do jardim, afáveis e com gosto no trabalho, colidiam em muito com o ar abrutalhado e meio rasca de alguns cidadãos lusos que também por lá vão respirando, só consolidam o que já ia especulando.
Numa quinta perto do Fundão uma amiga que por lá vive diz-me que os Portugueses se consideram muito acima dos trabalhos da apanha da fruta. Alguns Ucranianos são quem se presta a essa função.
Numa pequena empresa de produção alimentar em Cascais sei que (na altura) já não havia trabalhadores Portugueses. Consideravam-se “acima” dos outros. Os “outros” são Brasileiros, maioritariamente, e Argentinos. A minha amiga empresária diz que fica confusa com a atitude lusitana de fidalgo falido. Ela que durante anos fez trabalhos que muitos desses “fidalgos” se recusam a fazer.
Outro amigo empresário na zona de Olhão enaltecia um empresário Ucraniano que por lá anda e ao que segundo parece anda a “fazer” coisas por lá ao invés dos locais que se “queixam” amargamente das agruras desta vida.
Por princípio sigo a regra que se aceitam os trabalhos que existem no caso de não estarem disponíveis aqueles que se querem. E que devemos ter sempre como pano de fundo que as habilitações possuídas em muito podem condicionar o leque de trabalhos disponíveis.
Portugueses, a sobrevivência económica é algo que devemos perseguir nesta vida. Para isso temos que ter valor económico, pelo menos o mínimo para responder a essa mesma sobrevivência. Isso é o mínimo a que temos que conseguir responder. Podemos não ter as habilitações necessárias, mas caramba, o mínimo que temos que ter é atitude. Pelo menos em dose suficiente que nos permita sobreviver economicamente.
Aos 20% direi: cuidado que o mundo mudou e que os outros 80% andam a ficar fartos de vocês. Enxerguem-se.
Em conversa com um amigo empresário íamos discorrendo sobre as faculdades do Português como trabalhador. Aparte do clássico, e já estafado “os nossos melhores são tão bons ou melhores que os melhores deste mundo”, falávamos sobre uma camada de Portugueses que pouco ou nada produzem. Sobre estes não tenho conhecimentos profundos quanto à dimensão do seu valor económico individual, embora possua algumas suspeitas. Mas este meu amigo afiançava-me, por experiência própria, que existem Portugueses que pura e simplesmente não produzem. Atónito, ia apelando para me dar mais exemplos. E veio mais um, dando-me o exemplo do seu irmão, também ele empresário numa companhia agrícola Alentejana junto à fronteira com Espanha, onde me dizia que todos os trabalhadores que com ele trabalham são Espanhóis pelo facto de serem bem mais produtivos. Diz-me ele que por aquelas bandas não arranja trabalhadores Portugueses responsáveis e produtivos.
Olhando para muitos dos “arrumadores de carros”, pessoas que na grande maioria, e aos meus olhos, não darem sinais de serem altamente eficientes seja lá em que actividade for, pensando nos que fazem do exercício o RSI a sua principal actividade, imaginando os empatas existentes por aí, nomeadamente na Função Pública, arrisco que são todos pessoas que dão pouco ou nada à economia. Quando não subtraem… Especulo se toda essa mole poderá de algum modo chegar aos 20% da população. Será?
O meu feeling diz-me que sim. Aprioristicamente haveria algo de insondável no facto de muitos imigrantes arranjarem trabalho com facilidade. Mas aqueles supermercados e mercearias de Aljezur que empregam muitos trabalhadores vindos de Leste de sorriso na cara e eficiência quanto baste ao invés de empregarem Portugueses com ar vago e respiração lenta, podem denunciar muita coisa. Os dois trabalhadores Romenos que iam à minha casa de férias onde me encontrava para tratar da piscina e do jardim, afáveis e com gosto no trabalho, colidiam em muito com o ar abrutalhado e meio rasca de alguns cidadãos lusos que também por lá vão respirando, só consolidam o que já ia especulando.
Numa quinta perto do Fundão uma amiga que por lá vive diz-me que os Portugueses se consideram muito acima dos trabalhos da apanha da fruta. Alguns Ucranianos são quem se presta a essa função.
Numa pequena empresa de produção alimentar em Cascais sei que (na altura) já não havia trabalhadores Portugueses. Consideravam-se “acima” dos outros. Os “outros” são Brasileiros, maioritariamente, e Argentinos. A minha amiga empresária diz que fica confusa com a atitude lusitana de fidalgo falido. Ela que durante anos fez trabalhos que muitos desses “fidalgos” se recusam a fazer.
Outro amigo empresário na zona de Olhão enaltecia um empresário Ucraniano que por lá anda e ao que segundo parece anda a “fazer” coisas por lá ao invés dos locais que se “queixam” amargamente das agruras desta vida.
Por princípio sigo a regra que se aceitam os trabalhos que existem no caso de não estarem disponíveis aqueles que se querem. E que devemos ter sempre como pano de fundo que as habilitações possuídas em muito podem condicionar o leque de trabalhos disponíveis.
Portugueses, a sobrevivência económica é algo que devemos perseguir nesta vida. Para isso temos que ter valor económico, pelo menos o mínimo para responder a essa mesma sobrevivência. Isso é o mínimo a que temos que conseguir responder. Podemos não ter as habilitações necessárias, mas caramba, o mínimo que temos que ter é atitude. Pelo menos em dose suficiente que nos permita sobreviver economicamente.
Aos 20% direi: cuidado que o mundo mudou e que os outros 80% andam a ficar fartos de vocês. Enxerguem-se.
Mar e Agricultura
DOMINGO, 19 DE DEZEMBRO DE 2010
É muito impressionante como abandonámos o Mar e a Agricultura. Dizimámos a nossa frota pesqueira e fugimos do campo. Tudo a troco de uns dinheiros vindos de Bruxelas. Claro está que a mentalidade socialista (PSD incluído), embevecida pelas estatísticas que determinam que a terciarização da economia é sinal de desenvolvimento e de que o sector primário é coisa do clube dos subdesenvolvidos, ia largando foguetes pela aparente afluência que esse dinheiro proporcionava. E o fácil crédito então disponível, e ao preço da chuva, fazia com que nos considerássemos “bestiais” e merecedores do céu na terra sem para isso considerarmos necessário tratar de fazer decentemente o trabalho de casa.
Nestes tempos que agora correm, e aos olhos dos “modernos”, anda tudo a correr mal. Aos olhos dos humildes e dos constantes trata-se somente da razão trazida pela mão do tempo. Com défices grandes e com maus hábitos adquiridos iremos ter muita dificuldade em retornar a execução de actividades que passámos a considerar de segunda. Mas é uma fatalidade. Retornaremos ao campo e à agricultura, quer o queiramos, quer não o queiramos. A vontade não é ainda muita, mas não tardaremos a levar um empurrão da extrema necessidade.
Coisas há onde a necessidade chega onde não chega a razão.
É muito impressionante como abandonámos o Mar e a Agricultura. Dizimámos a nossa frota pesqueira e fugimos do campo. Tudo a troco de uns dinheiros vindos de Bruxelas. Claro está que a mentalidade socialista (PSD incluído), embevecida pelas estatísticas que determinam que a terciarização da economia é sinal de desenvolvimento e de que o sector primário é coisa do clube dos subdesenvolvidos, ia largando foguetes pela aparente afluência que esse dinheiro proporcionava. E o fácil crédito então disponível, e ao preço da chuva, fazia com que nos considerássemos “bestiais” e merecedores do céu na terra sem para isso considerarmos necessário tratar de fazer decentemente o trabalho de casa.
Nestes tempos que agora correm, e aos olhos dos “modernos”, anda tudo a correr mal. Aos olhos dos humildes e dos constantes trata-se somente da razão trazida pela mão do tempo. Com défices grandes e com maus hábitos adquiridos iremos ter muita dificuldade em retornar a execução de actividades que passámos a considerar de segunda. Mas é uma fatalidade. Retornaremos ao campo e à agricultura, quer o queiramos, quer não o queiramos. A vontade não é ainda muita, mas não tardaremos a levar um empurrão da extrema necessidade.
Coisas há onde a necessidade chega onde não chega a razão.
Qual será a questão?
SÁBADO, 18 DE DEZEMBRO DE 2010
Portugal tem sido sujeito nos últimos anos a uma sangria muito grande de licenciados. Embora nos dois últimos anos essa sangria tenha sido estancada de certa forma pelo facto de a crise financeira ter estado em todo lado, é fácil de prever que doravante irá haver uma segunda vaga de emigração de cérebros devido à retoma mundial e ao fatal decréscimo das condições de vida em Portugal.
Por vezes questiono-me: quem pertence à melhor cepa? Os que ficam ou os que vão? Curta declaração de interesses: eu sou dos que já fui. Existirão argumentos para os dois lados. Será válido dizer que os que vão são os de segunda linha porque não foram os escolhidos para as poucas vagas existentes. Mas também será válido dizer que os que vão são os inconformados e pouco dados a aceitar o modelo laboral e de recompensa em vigor em Portugal.
Há ainda um argumento semi-oculto. É o argumento cultural. Desenvolvemos um jeito muito peculiar de relacionamento no trabalho, onde parece que a familiaridade é bem mais recompensada que a relação distante mas profissional. Não existe fronteira entre o nosso mundo e a porta da empresa. Actuamos no ambiente de trabalho como fora dele. E pior do que isso tendemos a transportar os nossos conceitos de divisão social determinados pelo volume da conta bancária na relação de trabalho. Neste particular é muito impressionante o evidente pedantismo do “patrão” português.
Decorrente do parágrafo anterior, seria benéfico uma grande dose de inconformismo no nosso reino laboral. Estou muito pouco certo de que os que ficam o tenham em boa quantidade. Mesmo o melhor recém-licenciado sabe que a porta que lhe deu entrada lhe poder servir de saída se depressa não aprender “como é que as coisas são”. Ele sabe isso perfeitamente pois o seu “patrão” cedo lhe “passa a mensagem” de como as coisas são feitas no mundo do trabalho em Portugal, e ele, semi-tolhido, e apercebendo-se da realidade, depressa toma a sua decisão conjuntamente com a ajuda imprescindível da sua noiva Manuela com quem conta povoar um pequeno ninho. E a Manuela, com o seu jeito de musa lusitana, cedo lhe vai passando a mensagem que o mundo fora do mundo de trabalho precisa do mundo do trabalho. E que ele só tem que se preocupar com o rendimento porque ela trata de tudo o resto. Embora possuidor de cérebro capaz de resolver qualquer complicado algoritmo ou complexa questão de Direito, cercado por todos os lados e com bom sol como conselheiro, o nosso aluno de primeira linha cedo tomou a decisão sem sequer se ter apercebido.
Estando já lá, de lá mais não sai, ainda que tenha sido aluno de 18 ou 19. Não será fácil fazer frente a uma pessoa inteligente recheada de defeitos culturais. Mais tarde, e já totalmente rendido, começa a apreciar as delícias de bom vinho e de boas escapadelas que a sua volumosa carteira viabiliza. A partir dos 40 já nada poderá ser feito: Alea jacta est.
Para Portugal, que é o que me interessa, direi que a questão não será “quem são os melhores?”. Antes será “quem possui inconformismo em maior dose de que tanto precisamos?” Para esta última pergunta sei eu bem onde está a resposta. Só não sei quando eles virão.
P.F.Drucker mais do que uma vez escreveu que as melhores organizações são aquelas onde o vulgar cidadão faz coisas extraordinárias.
Para isso não preciso de génios. Preciso antes de inconformados.
Portugal tem sido sujeito nos últimos anos a uma sangria muito grande de licenciados. Embora nos dois últimos anos essa sangria tenha sido estancada de certa forma pelo facto de a crise financeira ter estado em todo lado, é fácil de prever que doravante irá haver uma segunda vaga de emigração de cérebros devido à retoma mundial e ao fatal decréscimo das condições de vida em Portugal.
Por vezes questiono-me: quem pertence à melhor cepa? Os que ficam ou os que vão? Curta declaração de interesses: eu sou dos que já fui. Existirão argumentos para os dois lados. Será válido dizer que os que vão são os de segunda linha porque não foram os escolhidos para as poucas vagas existentes. Mas também será válido dizer que os que vão são os inconformados e pouco dados a aceitar o modelo laboral e de recompensa em vigor em Portugal.
Há ainda um argumento semi-oculto. É o argumento cultural. Desenvolvemos um jeito muito peculiar de relacionamento no trabalho, onde parece que a familiaridade é bem mais recompensada que a relação distante mas profissional. Não existe fronteira entre o nosso mundo e a porta da empresa. Actuamos no ambiente de trabalho como fora dele. E pior do que isso tendemos a transportar os nossos conceitos de divisão social determinados pelo volume da conta bancária na relação de trabalho. Neste particular é muito impressionante o evidente pedantismo do “patrão” português.
Decorrente do parágrafo anterior, seria benéfico uma grande dose de inconformismo no nosso reino laboral. Estou muito pouco certo de que os que ficam o tenham em boa quantidade. Mesmo o melhor recém-licenciado sabe que a porta que lhe deu entrada lhe poder servir de saída se depressa não aprender “como é que as coisas são”. Ele sabe isso perfeitamente pois o seu “patrão” cedo lhe “passa a mensagem” de como as coisas são feitas no mundo do trabalho em Portugal, e ele, semi-tolhido, e apercebendo-se da realidade, depressa toma a sua decisão conjuntamente com a ajuda imprescindível da sua noiva Manuela com quem conta povoar um pequeno ninho. E a Manuela, com o seu jeito de musa lusitana, cedo lhe vai passando a mensagem que o mundo fora do mundo de trabalho precisa do mundo do trabalho. E que ele só tem que se preocupar com o rendimento porque ela trata de tudo o resto. Embora possuidor de cérebro capaz de resolver qualquer complicado algoritmo ou complexa questão de Direito, cercado por todos os lados e com bom sol como conselheiro, o nosso aluno de primeira linha cedo tomou a decisão sem sequer se ter apercebido.
Estando já lá, de lá mais não sai, ainda que tenha sido aluno de 18 ou 19. Não será fácil fazer frente a uma pessoa inteligente recheada de defeitos culturais. Mais tarde, e já totalmente rendido, começa a apreciar as delícias de bom vinho e de boas escapadelas que a sua volumosa carteira viabiliza. A partir dos 40 já nada poderá ser feito: Alea jacta est.
Para Portugal, que é o que me interessa, direi que a questão não será “quem são os melhores?”. Antes será “quem possui inconformismo em maior dose de que tanto precisamos?” Para esta última pergunta sei eu bem onde está a resposta. Só não sei quando eles virão.
P.F.Drucker mais do que uma vez escreveu que as melhores organizações são aquelas onde o vulgar cidadão faz coisas extraordinárias.
Para isso não preciso de génios. Preciso antes de inconformados.
Por vezes questiono-me
TERÇA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2010
Por vezes questiono-me se os Portugueses percebem o que se está a passar em Portugal e no mundo. Quando vou falando com as pessoas vou ficando com a sensação que não querem perceber o que se passa e não querem ouvir atentamente quem percebe o que se está a passar. Suspeito que se trata de um mecanismo defensivo onde o medo de encarar uma realidade fatalmente correctora dos dislates financeiros em que nos enfiamos nos últimos 25 anos impele-nos para uma negação da própria realidade. É um desligar e deixa andar muito típico dos espíritos amolecidos e atordoados pela ilusão inculcada por perfis de meia tigela. É uma recusa no enfrentar da mediocridade por que se optou, no buraco em que se caiu por escolha própria.
Por vezes questiono-me até que ponto o argumento é útil. Será que a entrada da realidade pela casa a dentro é o melhor dos remédios, ainda que isso implique viver sob o pior dos cenários. Será possível o espírito tolher-se a um nível muito superior à grandeza da razão? Será que o espírito e a razão são aspectos inconciliáveis do nosso ser individual e colectivo. Que esquizofrenia é esta de “lutar” pelo status quo na função pública quando isso significa que o que se propõe de sacrifício é muito inferior relativamente às consequências de nada se fazer. Pois não há muitas pessoas a quem se tem que amputar algo de modo a salvar o corpo?
Por vezes questiono-me porque ainda se acredita que o modelo do emprego para a vida é o melhor modelo de sociedade. Será que não se percebe que as sociedades mais dinâmicas são aquelas onde o nervo, a aventura, o querer, o derrubar ideias pré-definidas, a compreensão, a persistência, a inovação, o engenho, a discriminação positiva, a solidariedade, a competição, são os valores que se pretendem estimular. Será que ainda se acredita que se pode querer ter um nível de um Alemão, Sueco, Americano, Japonês, Sul Coreano num ambiente super corporativo onde todos são recompensados da mesma forma independentemente da sua performance?
Por vezes questiono-me porque fomos tão estúpidos em acreditar que poderíamos ser tão desenvolvidos como os países nórdicos e não nos organizarmos como eles, não estudarmos como eles, não ter o mesmo nível de senso sobre o endividamento como eles, não perceber que primeiro produz-se e depois é que se goza o que se ganhou com isso. Popularmente diz-se, e muito bem, “não pôr a carroça à frente dos bois”. Por vezes questiono-me porque é que pensávamos que conseguiríamos convencer os Alemães a desatar a consumir mais de modo a estimular as economias do Sul da Europa. Será que ainda não percebemos que estávamos a convidar um povo a cair precisamente no erro que parte do mundo Ocidental caiu? E será que não percebemos que o Alemão entendeu isso perfeitamente? E que ainda por cima essa atitude vai no sentido contrário do seu perfil.
Por vezes questiono-me se não merecemos bem o que agora nos tocou à porta e que ainda mal começou. É mau e vai doer muito a muita gente. Mas para quem votou constantemente mal, para quem se recusa simplesmente a ir votar, para quem acreditou que poderia viver à mama dos outros, questiono-me se não merece apanhar com o que está a acontecer. Eu sei que nos países nórdicos também há muita abstenção. Mas também sei que os partidos de esquerda não têm 20% dos votos e que a direita está muito bem representada. Votar é uma responsabilidade muito grande e maus governos em muito nos podem afectar.
Por vezes ainda me questiono, quando é que mudaremos de atitude?
Por vezes questiono-me se os Portugueses percebem o que se está a passar em Portugal e no mundo. Quando vou falando com as pessoas vou ficando com a sensação que não querem perceber o que se passa e não querem ouvir atentamente quem percebe o que se está a passar. Suspeito que se trata de um mecanismo defensivo onde o medo de encarar uma realidade fatalmente correctora dos dislates financeiros em que nos enfiamos nos últimos 25 anos impele-nos para uma negação da própria realidade. É um desligar e deixa andar muito típico dos espíritos amolecidos e atordoados pela ilusão inculcada por perfis de meia tigela. É uma recusa no enfrentar da mediocridade por que se optou, no buraco em que se caiu por escolha própria.
Por vezes questiono-me até que ponto o argumento é útil. Será que a entrada da realidade pela casa a dentro é o melhor dos remédios, ainda que isso implique viver sob o pior dos cenários. Será possível o espírito tolher-se a um nível muito superior à grandeza da razão? Será que o espírito e a razão são aspectos inconciliáveis do nosso ser individual e colectivo. Que esquizofrenia é esta de “lutar” pelo status quo na função pública quando isso significa que o que se propõe de sacrifício é muito inferior relativamente às consequências de nada se fazer. Pois não há muitas pessoas a quem se tem que amputar algo de modo a salvar o corpo?
Por vezes questiono-me porque ainda se acredita que o modelo do emprego para a vida é o melhor modelo de sociedade. Será que não se percebe que as sociedades mais dinâmicas são aquelas onde o nervo, a aventura, o querer, o derrubar ideias pré-definidas, a compreensão, a persistência, a inovação, o engenho, a discriminação positiva, a solidariedade, a competição, são os valores que se pretendem estimular. Será que ainda se acredita que se pode querer ter um nível de um Alemão, Sueco, Americano, Japonês, Sul Coreano num ambiente super corporativo onde todos são recompensados da mesma forma independentemente da sua performance?
Por vezes questiono-me porque fomos tão estúpidos em acreditar que poderíamos ser tão desenvolvidos como os países nórdicos e não nos organizarmos como eles, não estudarmos como eles, não ter o mesmo nível de senso sobre o endividamento como eles, não perceber que primeiro produz-se e depois é que se goza o que se ganhou com isso. Popularmente diz-se, e muito bem, “não pôr a carroça à frente dos bois”. Por vezes questiono-me porque é que pensávamos que conseguiríamos convencer os Alemães a desatar a consumir mais de modo a estimular as economias do Sul da Europa. Será que ainda não percebemos que estávamos a convidar um povo a cair precisamente no erro que parte do mundo Ocidental caiu? E será que não percebemos que o Alemão entendeu isso perfeitamente? E que ainda por cima essa atitude vai no sentido contrário do seu perfil.
Por vezes questiono-me se não merecemos bem o que agora nos tocou à porta e que ainda mal começou. É mau e vai doer muito a muita gente. Mas para quem votou constantemente mal, para quem se recusa simplesmente a ir votar, para quem acreditou que poderia viver à mama dos outros, questiono-me se não merece apanhar com o que está a acontecer. Eu sei que nos países nórdicos também há muita abstenção. Mas também sei que os partidos de esquerda não têm 20% dos votos e que a direita está muito bem representada. Votar é uma responsabilidade muito grande e maus governos em muito nos podem afectar.
Por vezes ainda me questiono, quando é que mudaremos de atitude?
Está na hora de Portugal utilizar a democracia
SEGUNDA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO DE 2010
A democracia serve para um povo optar qual o caminho que pretende para o futuro. As eleições servem esse propósito. Os partidos têm um poder desmesuradamente grande para as capacidades que consigo carregam. Estão neste momento literalmente atulhados de gente muito pouco recomendável e ao serviço de muitas agendas mais ou menos invisíveis. Por isso a escolha que fazemos é muito importante. Como se tem provado que há muito bandido em todos os partidos, há que pelo menos não errar no voto, ou seja, temos que votar naquele partido que oferecer melhor política e sistema económico e financeiro para o país. A prova disto é que o preço de más escolhas políticas dos últimos 25 anos está agora a saltar à vista.
As duas próximas eleições legislativas são das mais importantes desde que estamos, muito felizmente, em Democracia. Basicamente vamos escolher em que termos se fica na zona euro ou se saímos de lá. Há três hipóteses:
1. Saímos da zona euro se escolhermos uns trastes para nos governarmos. Cabe aqui o PS de Sócrates e os inconscientes de esquerda. Como já muito bom economista da nossa praça explicou esta opção conduz-nos para uma verdadeira catástrofe económica e social nos cinco anos que se seguem à saída do euro. E “catástrofe” não é um conceito exagerado para o que se seguiria, talvez até seja parcimonioso. Neste cenário, uns dez anos depois, talvez até nos “safemos”, mas seremos sempre genericamente pobres.
2. Ficamos na zona euro em modo de cozedora em lume brando. Para isso votemos no PSD ou no actual CDS. Por lume brando quero dizer que ficamos no euro a reboque de políticas ditadas por Berlim e Bruxelas, o que quer dizer que funcionaremos acocorados e segundo ditames que não seguem nenhum rumo específico, ou seja, sujeitos a medidas destituídas de fundamento político e com o único objectivo de manter as contas controladas (com pequenos excedentes, obviamente). Garantimos um nível de pobreza razoável e seguramente tendencialmente crescente. Lá para 2050 talvez as gerações seguintes possam ver a luz ao fundo do túnel.
3. Ficamos na zona euro mas tomamos medidas duras para os próximos cinco ou seis anos que nos permitam sanear financeiramente. Para isso há que votar num outro CDS que ainda não apareceu. Corte nos ordenados da função pública na ordem dos 20%, subida do imposto automóvel, produtos petrolíferos e tabaco (na ordem dos 40 ou 50%), e despedimentos genéricos na função pública de quem está a mais. Parece duro, mas medidas desta natureza são um oásis quando comparadas com a catástrofe que ocorreria se saíssemos do euro. É bom que tenhamos isto em muito boa conta.
Segundo a cartilha dos Sócrates & Cª não é recomendável ir pela terceira hipótese porque nenhum povo vota nessas opções. Eu penso de maneira diferente. Se o povo for claramente confrontado com as opções e se tiver “opinion makers” à altura penso que é possível a Democracia nos prestar um excelente serviço. Pelo que leio penso que temos um leque de excelentes “opinion makers”. As nossas universidades têm um batalhão de excelentes pensadores que conhecem bem o que se passa em Portugal. E lá fora temos também muitos professores universitários também conhecedores do que se passa. Toda esta Academia de gente tem escrito artigos de muito bom juízo e que governante que se prezasse leria e sublinharia mais do que uma vez.
Dado que uma mudança de liderança séria e capaz ser muito improvável de acontecer no PS e PSD, resta ao CDS fazer o trabalho de casa. Para isso tem que arranjar uma equipa e substituir a actual liderança. O povo que faça depois o resto com o seu voto.
A democracia serve para um povo optar qual o caminho que pretende para o futuro. As eleições servem esse propósito. Os partidos têm um poder desmesuradamente grande para as capacidades que consigo carregam. Estão neste momento literalmente atulhados de gente muito pouco recomendável e ao serviço de muitas agendas mais ou menos invisíveis. Por isso a escolha que fazemos é muito importante. Como se tem provado que há muito bandido em todos os partidos, há que pelo menos não errar no voto, ou seja, temos que votar naquele partido que oferecer melhor política e sistema económico e financeiro para o país. A prova disto é que o preço de más escolhas políticas dos últimos 25 anos está agora a saltar à vista.
As duas próximas eleições legislativas são das mais importantes desde que estamos, muito felizmente, em Democracia. Basicamente vamos escolher em que termos se fica na zona euro ou se saímos de lá. Há três hipóteses:
1. Saímos da zona euro se escolhermos uns trastes para nos governarmos. Cabe aqui o PS de Sócrates e os inconscientes de esquerda. Como já muito bom economista da nossa praça explicou esta opção conduz-nos para uma verdadeira catástrofe económica e social nos cinco anos que se seguem à saída do euro. E “catástrofe” não é um conceito exagerado para o que se seguiria, talvez até seja parcimonioso. Neste cenário, uns dez anos depois, talvez até nos “safemos”, mas seremos sempre genericamente pobres.
2. Ficamos na zona euro em modo de cozedora em lume brando. Para isso votemos no PSD ou no actual CDS. Por lume brando quero dizer que ficamos no euro a reboque de políticas ditadas por Berlim e Bruxelas, o que quer dizer que funcionaremos acocorados e segundo ditames que não seguem nenhum rumo específico, ou seja, sujeitos a medidas destituídas de fundamento político e com o único objectivo de manter as contas controladas (com pequenos excedentes, obviamente). Garantimos um nível de pobreza razoável e seguramente tendencialmente crescente. Lá para 2050 talvez as gerações seguintes possam ver a luz ao fundo do túnel.
3. Ficamos na zona euro mas tomamos medidas duras para os próximos cinco ou seis anos que nos permitam sanear financeiramente. Para isso há que votar num outro CDS que ainda não apareceu. Corte nos ordenados da função pública na ordem dos 20%, subida do imposto automóvel, produtos petrolíferos e tabaco (na ordem dos 40 ou 50%), e despedimentos genéricos na função pública de quem está a mais. Parece duro, mas medidas desta natureza são um oásis quando comparadas com a catástrofe que ocorreria se saíssemos do euro. É bom que tenhamos isto em muito boa conta.
Segundo a cartilha dos Sócrates & Cª não é recomendável ir pela terceira hipótese porque nenhum povo vota nessas opções. Eu penso de maneira diferente. Se o povo for claramente confrontado com as opções e se tiver “opinion makers” à altura penso que é possível a Democracia nos prestar um excelente serviço. Pelo que leio penso que temos um leque de excelentes “opinion makers”. As nossas universidades têm um batalhão de excelentes pensadores que conhecem bem o que se passa em Portugal. E lá fora temos também muitos professores universitários também conhecedores do que se passa. Toda esta Academia de gente tem escrito artigos de muito bom juízo e que governante que se prezasse leria e sublinharia mais do que uma vez.
Dado que uma mudança de liderança séria e capaz ser muito improvável de acontecer no PS e PSD, resta ao CDS fazer o trabalho de casa. Para isso tem que arranjar uma equipa e substituir a actual liderança. O povo que faça depois o resto com o seu voto.
Portugal, Portugal
QUINTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2010
Portugal, vê bem se abres os teus olhos. Observa bem este mundo onde te encontras e a época histórica onde estás. Isto está cada vez a apertar mais. Acabou-se o tempo das loucuras, da embriaguez dos fundos da CEE e da dívida. Olha bem que já se começa a falar nos corredores do poder que a prazo poderás saltar fora do Euro. E quando falo desses corredores nota bem que eles estão em Bruxelas e maioritariamente em Berlim. Julgas que podes ter défices de 6% ou 7% do PIB eternamente em cima da dívida pública acumulada e sem crescimento do produto? Inocente.
Digo-te, põe-te a pau. Se não passas a ter excedentes daqui a três ou quatro anos acontece uma de duas coisas:
1. Ou sais do Euro
2. Ou tens cá uma comissão qualquer que te impõe aquilo que não queres assumir neste momento
Já sabes, o melhor para ti é ficares no Euro e fazeres já o que tem que ser feito. Já te disse por várias vezes o que é. Se sais do Euro sofres um coice muito maior do que aquele que não queres ter que assumir para lá ficar. Isto é uma questão de racionalidade. Será que a tens? Pensa muito friamente.
Recordo-te que se saíres do Euro o teu escudo entra a desvalorizar uns 25 a 30%. Sabes o que isso significa? Tudo o que é produto importado sobe nessa percentagem. O automóvel que tu tanto adoras e a gasolina que ele precisa de beber estão na primeira fila da grelha. Sobe também quase tudo, pois como importas mais do que exportas és atacado pela inflação. E não penses que os ordenados sobem. Enganas-te. Ficam quase na mesma. Com tanto desempregado por aí há quem esteja disposto a trabalhar por menos.
E não penses que o socialismo te safa. Pelo contrário, ele está a enterrar-te. Ou ainda não percebeste que caminhas passo a passo para uma sociedade socialista. Sim, é isso mesmo. Gloriosamente pobres, atulhados de coesão social, ou melhor de roubo social.
Portugal, pensa bem e segue o homem de juízo. E não tenhas medo destes bandalhos que te governaram nos últimos anos. Sem perderes o respeito pela pessoa, trata-os naquilo onde eles te afectam pelo seu nome. E digo-te que “bandalhos” até é uma forma muito benevolente de o dizer. Corre portanto com eles e percepciona com olhar de lince que há gente séria e capaz de te governar. Acredita que é verdade.
Portugal, vê bem se abres os teus olhos. Observa bem este mundo onde te encontras e a época histórica onde estás. Isto está cada vez a apertar mais. Acabou-se o tempo das loucuras, da embriaguez dos fundos da CEE e da dívida. Olha bem que já se começa a falar nos corredores do poder que a prazo poderás saltar fora do Euro. E quando falo desses corredores nota bem que eles estão em Bruxelas e maioritariamente em Berlim. Julgas que podes ter défices de 6% ou 7% do PIB eternamente em cima da dívida pública acumulada e sem crescimento do produto? Inocente.
Digo-te, põe-te a pau. Se não passas a ter excedentes daqui a três ou quatro anos acontece uma de duas coisas:
1. Ou sais do Euro
2. Ou tens cá uma comissão qualquer que te impõe aquilo que não queres assumir neste momento
Já sabes, o melhor para ti é ficares no Euro e fazeres já o que tem que ser feito. Já te disse por várias vezes o que é. Se sais do Euro sofres um coice muito maior do que aquele que não queres ter que assumir para lá ficar. Isto é uma questão de racionalidade. Será que a tens? Pensa muito friamente.
Recordo-te que se saíres do Euro o teu escudo entra a desvalorizar uns 25 a 30%. Sabes o que isso significa? Tudo o que é produto importado sobe nessa percentagem. O automóvel que tu tanto adoras e a gasolina que ele precisa de beber estão na primeira fila da grelha. Sobe também quase tudo, pois como importas mais do que exportas és atacado pela inflação. E não penses que os ordenados sobem. Enganas-te. Ficam quase na mesma. Com tanto desempregado por aí há quem esteja disposto a trabalhar por menos.
E não penses que o socialismo te safa. Pelo contrário, ele está a enterrar-te. Ou ainda não percebeste que caminhas passo a passo para uma sociedade socialista. Sim, é isso mesmo. Gloriosamente pobres, atulhados de coesão social, ou melhor de roubo social.
Portugal, pensa bem e segue o homem de juízo. E não tenhas medo destes bandalhos que te governaram nos últimos anos. Sem perderes o respeito pela pessoa, trata-os naquilo onde eles te afectam pelo seu nome. E digo-te que “bandalhos” até é uma forma muito benevolente de o dizer. Corre portanto com eles e percepciona com olhar de lince que há gente séria e capaz de te governar. Acredita que é verdade.
País de eventos sim, mas dos pequenos, não dos grandes
QUINTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2010
Penso que Portugal deve ser um país de eventos. Não propriamente para organizar campeonatos do mundo de futebol ou Jogos Olímpicos. Mas sim um país para organizar todo um conjunto de eventos que por aí existem nesse mundo a uma escala muito mais pequena. E se o defendo é pelas seguintes razões fundamentais:
1. Eventos pequenos sobressaltam menos um país pelo facto de o final do mesmo ser compensado pelo começo de um qualquer outro evento.
2. Não existem desculpas para estoirar dinheiro dos contribuintes a torto e a direito. Nos pequenos eventos cada um paga a sua conta.
3. Abrangência de um leque maior de destinatários devido à infinidade de eventos existentes neste mundo.
4. Realização de algo onde somos extraordinários: o afável e fácil relacionamento com o Outro. Reitero o que já tenho escrito, a Globalização é o nosso meio natural.
Cumulativamente existe outra razão de índole mais conjuntural. Nos próximos 30 anos não temos a mínima hipótese de concorrer em muitos mais sectores da economia. E para “Eventos” não é preciso muito. Precisamos de um sorriso na cara, relação afável com o Outro, sol, boa comida, gostar que o estrangeiro diga bem de nós (somos o número 1 do mundo neste capítulo), e espante-se, modéstia. E por vezes bom senso gastronómico. Como escreveu uma vez um conhecido apreciador de vinhos da nossa praça, há que não optar pela linha dura e pôr um Finlandês a comer pezinhos de coentrada.
Se no meio disto aparece um político tonto na fotografia, bom, isso só significa que a expectativa tem reflexo na realidade. Em qualquer fotografia de cerimónia há sempre aquele que aparece meio deslocado, e nada como um político da estirpe dos Sócrates para confirmar este princípio de forma inequívoca e perfeitamente identificável.
Penso que Portugal deve ser um país de eventos. Não propriamente para organizar campeonatos do mundo de futebol ou Jogos Olímpicos. Mas sim um país para organizar todo um conjunto de eventos que por aí existem nesse mundo a uma escala muito mais pequena. E se o defendo é pelas seguintes razões fundamentais:
1. Eventos pequenos sobressaltam menos um país pelo facto de o final do mesmo ser compensado pelo começo de um qualquer outro evento.
2. Não existem desculpas para estoirar dinheiro dos contribuintes a torto e a direito. Nos pequenos eventos cada um paga a sua conta.
3. Abrangência de um leque maior de destinatários devido à infinidade de eventos existentes neste mundo.
4. Realização de algo onde somos extraordinários: o afável e fácil relacionamento com o Outro. Reitero o que já tenho escrito, a Globalização é o nosso meio natural.
Cumulativamente existe outra razão de índole mais conjuntural. Nos próximos 30 anos não temos a mínima hipótese de concorrer em muitos mais sectores da economia. E para “Eventos” não é preciso muito. Precisamos de um sorriso na cara, relação afável com o Outro, sol, boa comida, gostar que o estrangeiro diga bem de nós (somos o número 1 do mundo neste capítulo), e espante-se, modéstia. E por vezes bom senso gastronómico. Como escreveu uma vez um conhecido apreciador de vinhos da nossa praça, há que não optar pela linha dura e pôr um Finlandês a comer pezinhos de coentrada.
Se no meio disto aparece um político tonto na fotografia, bom, isso só significa que a expectativa tem reflexo na realidade. Em qualquer fotografia de cerimónia há sempre aquele que aparece meio deslocado, e nada como um político da estirpe dos Sócrates para confirmar este princípio de forma inequívoca e perfeitamente identificável.
Do Socialismo caseiro ao pobre Socialismo
SEGUNDA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 2010
Portugal anda singularmente a desbravar novos caminhos no Socialismo. Esta história do emprego para a vida que abunda na função pública anda a tramar a geração mais nova e já começou a consolidar um certo tipo de socialismo lusitano. Carregados de direitos adquiridos, de não puderem ser despedidos, e com vencimentos perfeitamente incompatíveis com o nível de produtividade possuído, a geração que anda na casa do 50 aos 60 anos vê neste momento o modelo por que lutou “entrar-lhe pela casa a dentro”. Ou melhor, não é bem “entrar-lhe pela casa a dentro”, é mais “ficar lá por casa”.
Sim, trata-se dos filhos que agora rondam dos 25 aos 30 anos e que não vislumbram a mínima possibilidade de arranjarem trabalho que lhes permitam viver em casa própria de acordo com os novos standards. Nem mesmo se adoptarem uma “modernice” de irem “ver se dá” com a(o) pequena(o) de ocasião. Licenciados a 600 ou 700 euros / mês e a trabalhar demasiadas horas por semana preferem por certo ficar em casa dos pais. Para quê sair e proceder a downgrades radicais se ficar em casa dos pais significa ter acesso a um bem-estar de que não se quer abdicar e que ainda permite curtir minimamente. Com esta opção estes jovens sempre se vão libertando pelo fim de semana da carga de trabalho a que foram sujeitos durante a semana ao invés de terem que cumprir com todas as tarefas caseiras que uma vida a só ou a dois (seja na versão clássica ou na versão “moderna”) sempre implica. Entre ter prazer e diversão ou ter dores de cabeça com contas e limpezas ao fim de semana o jovem licenciado decide com facilidade.
Assim os progenitores destes jovens licenciados vêm o sistema socialista em que acreditaram, e votaram (PSD incluído, obviamente), assumir uma nova versão: o “socialismo caseiro”. Temos pois uma versão bem lusitana de socialismo, todo ele forrado de coesão inter-geracional de fazer corar de inveja o maior teólogo de engenharia social. Nem um Louçã no seu melhor se lembraria de tamanha façanha social. Assim juntos, os pais vão tendo sempre a oportunidade de apreciar por dentro o modelo social por que optaram, enquanto os filhos, também por dentro, vão descobrindo o que efectivamente é um socialismo consolidado e pejado de coesão inter-geracional e de proximidade familiar, que é como quem diz, bem-estar relativo para a geração que se pôde abotoar e pobreza material e falta de perspectiva para a geração à qual já nem sobrou casaco para sequer sonhar abotoar-se.
Perguntar-se-á, o que vira a seguir? Diria que não é difícil de prognosticar. Daqui a poucos anos o jovem já trintão, e já na casa dos 800 euros / mês, cansado de curtir e com alguns impulsos matrimoniais a beliscarem-lhe os genes, começa a equacionar emigrar se para tanto o seu inglês o deixar. Se o não permitir, ou se lhe faltar o ímpeto e a sua promissora cara-metade jogar no campeonato dos 600 euros / mês, trocará então o já traumático “socialismo caseiro” por um “pobre socialismo”. É que agora a evolução dos termos de troca até já compensarão a escolha pois a “noite” já custa mais e um filme no LCD com a cara-metade até iria bem depois de feita a lida da casa e de ter trucidado um bom bife com alho e arroz branco acompanhado por um Monte Velho.
Nesta fase da vida, e conhecendo bem o Socialismo nas suas múltiplas versões evolutivas, o adulto tardio olha agora com um olhar discernido e sabedor sobre o fabuloso sistema social que Abril produziu, e dirá: disto não quero para o meu filho (o único).
E assim Portugal mudará
Portugal anda singularmente a desbravar novos caminhos no Socialismo. Esta história do emprego para a vida que abunda na função pública anda a tramar a geração mais nova e já começou a consolidar um certo tipo de socialismo lusitano. Carregados de direitos adquiridos, de não puderem ser despedidos, e com vencimentos perfeitamente incompatíveis com o nível de produtividade possuído, a geração que anda na casa do 50 aos 60 anos vê neste momento o modelo por que lutou “entrar-lhe pela casa a dentro”. Ou melhor, não é bem “entrar-lhe pela casa a dentro”, é mais “ficar lá por casa”.
Sim, trata-se dos filhos que agora rondam dos 25 aos 30 anos e que não vislumbram a mínima possibilidade de arranjarem trabalho que lhes permitam viver em casa própria de acordo com os novos standards. Nem mesmo se adoptarem uma “modernice” de irem “ver se dá” com a(o) pequena(o) de ocasião. Licenciados a 600 ou 700 euros / mês e a trabalhar demasiadas horas por semana preferem por certo ficar em casa dos pais. Para quê sair e proceder a downgrades radicais se ficar em casa dos pais significa ter acesso a um bem-estar de que não se quer abdicar e que ainda permite curtir minimamente. Com esta opção estes jovens sempre se vão libertando pelo fim de semana da carga de trabalho a que foram sujeitos durante a semana ao invés de terem que cumprir com todas as tarefas caseiras que uma vida a só ou a dois (seja na versão clássica ou na versão “moderna”) sempre implica. Entre ter prazer e diversão ou ter dores de cabeça com contas e limpezas ao fim de semana o jovem licenciado decide com facilidade.
Assim os progenitores destes jovens licenciados vêm o sistema socialista em que acreditaram, e votaram (PSD incluído, obviamente), assumir uma nova versão: o “socialismo caseiro”. Temos pois uma versão bem lusitana de socialismo, todo ele forrado de coesão inter-geracional de fazer corar de inveja o maior teólogo de engenharia social. Nem um Louçã no seu melhor se lembraria de tamanha façanha social. Assim juntos, os pais vão tendo sempre a oportunidade de apreciar por dentro o modelo social por que optaram, enquanto os filhos, também por dentro, vão descobrindo o que efectivamente é um socialismo consolidado e pejado de coesão inter-geracional e de proximidade familiar, que é como quem diz, bem-estar relativo para a geração que se pôde abotoar e pobreza material e falta de perspectiva para a geração à qual já nem sobrou casaco para sequer sonhar abotoar-se.
Perguntar-se-á, o que vira a seguir? Diria que não é difícil de prognosticar. Daqui a poucos anos o jovem já trintão, e já na casa dos 800 euros / mês, cansado de curtir e com alguns impulsos matrimoniais a beliscarem-lhe os genes, começa a equacionar emigrar se para tanto o seu inglês o deixar. Se o não permitir, ou se lhe faltar o ímpeto e a sua promissora cara-metade jogar no campeonato dos 600 euros / mês, trocará então o já traumático “socialismo caseiro” por um “pobre socialismo”. É que agora a evolução dos termos de troca até já compensarão a escolha pois a “noite” já custa mais e um filme no LCD com a cara-metade até iria bem depois de feita a lida da casa e de ter trucidado um bom bife com alho e arroz branco acompanhado por um Monte Velho.
Nesta fase da vida, e conhecendo bem o Socialismo nas suas múltiplas versões evolutivas, o adulto tardio olha agora com um olhar discernido e sabedor sobre o fabuloso sistema social que Abril produziu, e dirá: disto não quero para o meu filho (o único).
E assim Portugal mudará
Modéstia e perseverança
DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010
O meu ilustre e querido amigo Miguel Alvim fala em “desígnio espiritual” como algo que Portugal e os Portugueses necessitam. Não posso estar mais de acordo. Portugal e os Portugueses têm que se encontrar consigo mesmo. Perdoem-me o pleonasmo mas isto merece bastante ênfase. Nestes últimos anos da nossa história perdemo-nos todos na ânsia do ter e do possuir, no ornamento pífio, na lógica do BMW, numa escalada obscena de ostentação parola e de novo rico, na perdição por agendas obscenas que esterilizam uma sociedade, na gabarolice de irmos ser Nórdicos ao virar da esquina sem tomar os passos e as medidas em conformidade. Perdemo-nos em acreditar que a visão socializante e de compadrio misturada com o jeitinho e boa vontade de Bruxelas nos abriria portas às delícias deste mundo. Perdemo-nos em apostar nos arrogantes com promessa debaixo da manga, em políticos de meia-tigela e sem um pingo de amor por Portugal. Sim, sem um pingo de sentimento pela bandeira. Nunca vi um político neste País cantar o hino com alegria ou emoção. Perdemo-nos a vilipendiar a Igreja despudoradamente e gratuitamente. Pessoas de bem ainda que não crentes, e há-as aos pontapés por aí, respeitam a Igreja e o seu significado histórico no nosso Portugal. Perdemo-nos em ouvir os medíocres e em desdenhar o sapiente seguindo o critério da fotogenia e da moda. Perdemo-nos em desdenhar o empreendedor e em aplaudir o espertalhão. Perdemo-nos em querer eternamente ser mais espertos do que o próximo e em tramá-lo em vez de inquirir porque é que o próximo está a executar e pensar bem e daí tirar as devidas ilações. Perdemo-nos na ilusão de julgarmo-nos bestiais por termos imigrantes diplomados a servirem-nos ao invés de nos questionarmos se não haveria algo de errado no facto. Perdemo-nos na obtusidade de olharmos (ainda) arrogantemente o Chinês, O Indiano, o Brasileiro, etc, com inferioridade (ainda, mas já menos), em vez de o considerarmos como um justo ser humano que mais não quer do que sentar à mesa com os outros. Ainda por cima sendo os credores deste mundo.
Portugal o que viveis agora e o que viverás nos próximos anos é o resultado do acumular de tantos e tantos erros. Ireis pagar por isso, não só em trabalhos que os teus constituintes não queriam efectuar anteriormente, como também em dinheiro, pois que as dívidas são coisas para serem honradas. Sim, honra, essa coisa que escondestes a troco de uma opulência efémera mas que te perseguirá até ao momento em que tu ou os teus descendentes a resolverem honrar.
Por isso é bom que te cubras bem de espírito de forma a te curares da perdição em que te enfiaste. E se fores minimamente pragmático verás até que isso vai bem com a modéstia e perseverança que tanta falta te vão fazer.
Sim, tens futuro, mas agarra-o senão ele foge
O meu ilustre e querido amigo Miguel Alvim fala em “desígnio espiritual” como algo que Portugal e os Portugueses necessitam. Não posso estar mais de acordo. Portugal e os Portugueses têm que se encontrar consigo mesmo. Perdoem-me o pleonasmo mas isto merece bastante ênfase. Nestes últimos anos da nossa história perdemo-nos todos na ânsia do ter e do possuir, no ornamento pífio, na lógica do BMW, numa escalada obscena de ostentação parola e de novo rico, na perdição por agendas obscenas que esterilizam uma sociedade, na gabarolice de irmos ser Nórdicos ao virar da esquina sem tomar os passos e as medidas em conformidade. Perdemo-nos em acreditar que a visão socializante e de compadrio misturada com o jeitinho e boa vontade de Bruxelas nos abriria portas às delícias deste mundo. Perdemo-nos em apostar nos arrogantes com promessa debaixo da manga, em políticos de meia-tigela e sem um pingo de amor por Portugal. Sim, sem um pingo de sentimento pela bandeira. Nunca vi um político neste País cantar o hino com alegria ou emoção. Perdemo-nos a vilipendiar a Igreja despudoradamente e gratuitamente. Pessoas de bem ainda que não crentes, e há-as aos pontapés por aí, respeitam a Igreja e o seu significado histórico no nosso Portugal. Perdemo-nos em ouvir os medíocres e em desdenhar o sapiente seguindo o critério da fotogenia e da moda. Perdemo-nos em desdenhar o empreendedor e em aplaudir o espertalhão. Perdemo-nos em querer eternamente ser mais espertos do que o próximo e em tramá-lo em vez de inquirir porque é que o próximo está a executar e pensar bem e daí tirar as devidas ilações. Perdemo-nos na ilusão de julgarmo-nos bestiais por termos imigrantes diplomados a servirem-nos ao invés de nos questionarmos se não haveria algo de errado no facto. Perdemo-nos na obtusidade de olharmos (ainda) arrogantemente o Chinês, O Indiano, o Brasileiro, etc, com inferioridade (ainda, mas já menos), em vez de o considerarmos como um justo ser humano que mais não quer do que sentar à mesa com os outros. Ainda por cima sendo os credores deste mundo.
Portugal o que viveis agora e o que viverás nos próximos anos é o resultado do acumular de tantos e tantos erros. Ireis pagar por isso, não só em trabalhos que os teus constituintes não queriam efectuar anteriormente, como também em dinheiro, pois que as dívidas são coisas para serem honradas. Sim, honra, essa coisa que escondestes a troco de uma opulência efémera mas que te perseguirá até ao momento em que tu ou os teus descendentes a resolverem honrar.
Por isso é bom que te cubras bem de espírito de forma a te curares da perdição em que te enfiaste. E se fores minimamente pragmático verás até que isso vai bem com a modéstia e perseverança que tanta falta te vão fazer.
Sim, tens futuro, mas agarra-o senão ele foge
Zangados, mas há solução
DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010
Desde há 10 anos que venho notando que os Portugueses estão cada vez mais zangados. Não é difícil de perceber porquê. Pensavam todos que iam ter nível de vida Nórdico e afinal de contas vamos inclusivamente baixar de nível de vida devido ao acumular de dívida que nos cegava e nos ditava objectivos irrealistas face à produtividade e escolhas políticas. Em cima disso vamos ter que aceitar trabalhos que desdenhávamos, socialmente desprestigiantes cá no burgo (tolice muito lusitana e que a realidade tratará de dobrar), e a um preço inferior ao que se pagava noutros tempos.
A solução é muito simples, trata-se somente de redimensionar as expectativas e viver em conformidade com elas. Exercício que até pode ser difícil e carregado de desilusão, mas totalmente impossível de tornear. Se existem dúvidas tome-se nota do seguinte testemunho de um velho ditado Italiano que expressava muita da desilusão dos recém-chegados aos Estados Unidos no século XIX.
"I came to America because I heard the streets were paved with gold. When I got here, found out three things: First, the streets weren't paved with gold; second, they weren't paved at all: and third, I was expected to pave them."
Portugueses, a realidade é poderosíssima.
Desde há 10 anos que venho notando que os Portugueses estão cada vez mais zangados. Não é difícil de perceber porquê. Pensavam todos que iam ter nível de vida Nórdico e afinal de contas vamos inclusivamente baixar de nível de vida devido ao acumular de dívida que nos cegava e nos ditava objectivos irrealistas face à produtividade e escolhas políticas. Em cima disso vamos ter que aceitar trabalhos que desdenhávamos, socialmente desprestigiantes cá no burgo (tolice muito lusitana e que a realidade tratará de dobrar), e a um preço inferior ao que se pagava noutros tempos.
A solução é muito simples, trata-se somente de redimensionar as expectativas e viver em conformidade com elas. Exercício que até pode ser difícil e carregado de desilusão, mas totalmente impossível de tornear. Se existem dúvidas tome-se nota do seguinte testemunho de um velho ditado Italiano que expressava muita da desilusão dos recém-chegados aos Estados Unidos no século XIX.
"I came to America because I heard the streets were paved with gold. When I got here, found out three things: First, the streets weren't paved with gold; second, they weren't paved at all: and third, I was expected to pave them."
Portugueses, a realidade é poderosíssima.
Uma questão mal colocada
SÁBADO, 27 DE NOVEMBRO DE 2010
Muito se fala sobre a inconsciência do homem em danificar o planeta em nome de um certo modo de vida que nasceu no Ocidente mas que o resto do mundo persegue a toda a velocidade. Desde há uns anos que muitos ambientalistas vêem chamando a atenção para a irreversibilidade dos danos que causamos. E muitos vão mais longe e vaticinam mesmo o colapso da vida na Terra tal e qual como a conhecemos. Sem dúvida aterrorizante se tiverem razão. Custará a imaginar o que seria o desaparecimento do Homem como ser vivo deste planeta, mas em boa consciência não deveremos descartar essa eventualidade se isso for relevante para comportamentos menos danosos ao equilíbrio do ambiente.
Pessoalmente não faço ideia de quem tem razão nesta questão. Sei que do lado dos ambientalistas emerge, evidentemente, muito alarmismo. E que do outro lado há confiança a mais sobre o modo como lidamos com o ambiente, o que em si tenderá somente a gerar desmazelo.
No ano de 2010, e com o que sabemos (ou julgamos saber), não me importa muito quem tem razão. Isso pouco resolve. No limite é cair num exoterismo que não elucida sequer o especialista e só confunde o vulgar Homo Sapiens. Neste ponto o que falta é colocar bem a questão. E nestes casos nada como dotarmo-nos de toda a simplicidade na formulação da questão mais básica. Para isso socorramo-nos do instinto de sobrevivência e formulemos a seguinte questão:
“Será que o actual modo de vida e a consequente forma de exploração dos recursos naturais nos pode conduzir à extinção com uma elevada dose de probabilidade?”
Esta é a questão. Se a probabilidade for de 10% eu acho o facto perfeitamente aterrorizante. O meu instinto diz-me que a probabilidade pode até ser maior. Ainda que a Verdade possa não estar com os ambientalistas (desiderato pavoroso se for possível provar que a extinção está para breve) tratemos de acabar com o debate exotérico, ouçamo-los com modéstia, e tratemos de mudar radicalmente de modo de vida e a forma de exploração dos recursos naturais.
Muito se fala sobre a inconsciência do homem em danificar o planeta em nome de um certo modo de vida que nasceu no Ocidente mas que o resto do mundo persegue a toda a velocidade. Desde há uns anos que muitos ambientalistas vêem chamando a atenção para a irreversibilidade dos danos que causamos. E muitos vão mais longe e vaticinam mesmo o colapso da vida na Terra tal e qual como a conhecemos. Sem dúvida aterrorizante se tiverem razão. Custará a imaginar o que seria o desaparecimento do Homem como ser vivo deste planeta, mas em boa consciência não deveremos descartar essa eventualidade se isso for relevante para comportamentos menos danosos ao equilíbrio do ambiente.
Pessoalmente não faço ideia de quem tem razão nesta questão. Sei que do lado dos ambientalistas emerge, evidentemente, muito alarmismo. E que do outro lado há confiança a mais sobre o modo como lidamos com o ambiente, o que em si tenderá somente a gerar desmazelo.
No ano de 2010, e com o que sabemos (ou julgamos saber), não me importa muito quem tem razão. Isso pouco resolve. No limite é cair num exoterismo que não elucida sequer o especialista e só confunde o vulgar Homo Sapiens. Neste ponto o que falta é colocar bem a questão. E nestes casos nada como dotarmo-nos de toda a simplicidade na formulação da questão mais básica. Para isso socorramo-nos do instinto de sobrevivência e formulemos a seguinte questão:
“Será que o actual modo de vida e a consequente forma de exploração dos recursos naturais nos pode conduzir à extinção com uma elevada dose de probabilidade?”
Esta é a questão. Se a probabilidade for de 10% eu acho o facto perfeitamente aterrorizante. O meu instinto diz-me que a probabilidade pode até ser maior. Ainda que a Verdade possa não estar com os ambientalistas (desiderato pavoroso se for possível provar que a extinção está para breve) tratemos de acabar com o debate exotérico, ouçamo-los com modéstia, e tratemos de mudar radicalmente de modo de vida e a forma de exploração dos recursos naturais.
Atitudes
QUARTA-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO DE 2010
Chegado hoje à Irlanda não resisti em abordar alguns Irlandeses sobre a entrada do FMI para ajudar a resolver a sua situação. E com os que falei colhi impressões muito positivas. São a favor de fazer os sacrifícios que forem necessários para controlarem o seu défice. Não se importam muito que os impostos sobre o trabalho aumentem. Argumentavam não se importarem de ser taxados pois isso significa que ganham dinheiro. Que o pior é não ter trabalho e não puder ser taxado. E singular, a grande preocupação deles é que os “Europeus” querem pressioná-los a aumentar o “corporate taxe”, que é de 12,5% (em Portugal é 25%). Dizem que com isso correm sérios riscos de ter muito desemprego pois as multinacionais vão-se quase todas embora. Para quem vive do trabalho é curioso observar a voz da experiência de quem provou o sabor de ter muitas multinacionais no país devido também à atractiva “corporate taxe”.
Por cá queremos antes bater nas multinacionais, nos capitalistas, e nos mercados.
Atitudes…
Chegado hoje à Irlanda não resisti em abordar alguns Irlandeses sobre a entrada do FMI para ajudar a resolver a sua situação. E com os que falei colhi impressões muito positivas. São a favor de fazer os sacrifícios que forem necessários para controlarem o seu défice. Não se importam muito que os impostos sobre o trabalho aumentem. Argumentavam não se importarem de ser taxados pois isso significa que ganham dinheiro. Que o pior é não ter trabalho e não puder ser taxado. E singular, a grande preocupação deles é que os “Europeus” querem pressioná-los a aumentar o “corporate taxe”, que é de 12,5% (em Portugal é 25%). Dizem que com isso correm sérios riscos de ter muito desemprego pois as multinacionais vão-se quase todas embora. Para quem vive do trabalho é curioso observar a voz da experiência de quem provou o sabor de ter muitas multinacionais no país devido também à atractiva “corporate taxe”.
Por cá queremos antes bater nas multinacionais, nos capitalistas, e nos mercados.
Atitudes…
Já faltou mais
SEGUNDA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2010
Aquando da crise grega Portugal julgava-se fora do radar dos mercados. Agora que a coisa chegou à Irlanda, Portugal já se inquieta pois os mercados já o elegeram como o próximo da fila. Claro que as muitas crianças com voz no nosso Portugal bradam contra os mercados. Pena que o não tenham feito quando os mercados eram generosos no passado e nos emprestavam dinheiro a rodos a preço Alemão. Agora que os mercados resolveram distinguir a qualidade dos devedores os justiceiros de rua andam muito zangados com o "mercado". Claro que este exercício persecutório é completamente estéril e inútil. Pior ainda, passa a mensagem de que há ainda muita força política que ainda não percebe a nossa fotografia... quanto mais o filme, o que em si só complica mais o afastamento da falta de discernimento que tão má companhia nos tem feito.
Os mercados neste momento só provam que os devedores têm que ser pessoas responsáveis e não um conjunto de batráquios irresponsáveis. Isto é nomeadamente verdade quando se está a tratar de países. Um cidadão se se tornar um irresponsável financeiro pouca mossa fará a um descendente seu se este já for neto ou bisneto. Agora com um país as coisas já não são bem assim. Os países não vão à falência. Por isso as gerações vindouras são sempre "gentilmente" convidadas a honrar os disparates dos irresponsáveis. É neste ponto em que as coisas estão em Portugal no ano da graça de 2010. Todos nós seremos uns autênticos irresponsáveis se continuarmos a acumular dívida pública em cima da já existente. Os eufóricos que perseguem, em vão, 3% de défice sobre uns 100% de dívida acumulada do que produzimos num ano aí estão para provar que existem de facto irresponsáveis ao leme do Portugal.
Não, não há manifestações dos que "gentilmente" vão ser convocados a limpar a porcaria que estes irresponsáveis andam a fazer. A natureza não o permite. A maioria deles ainda não foram sequer concepcionados. E dos que vão sendo, cerca de 20% são liminarmente liquidados poucas semanas após o terem sido. Mas tenho um feeling que se todos eles pudessem já ter consciência e liberdade de opção fariam duas coisas, a saber:
1. 20% (os liquidados) fugiam a sete pés dos carrascos
2. 100% (todos eles) convocavam uma mega manifestação neste País de modo a que nos próximos 20 anos só ocorressem excedentes nas contas públicas
Nesta fase já se denota alguma preocupação sobre a taxa de fecundidade em Portugal e de como isso pode votar as próximas gerações (próximos 50 ou 60 anos) a uma descida contínua do nível de vida económico médio. Tudo devido ao não crescimento da produtividade, ou seja, o produto irá declinar na mesma percentagem que o decréscimo populacional.
Quanto aos 20% de liquidados parece que a sociedade ainda não percebeu que isso, para além de um crime hediondo, é uma burrice económica e financeira difícil de quantificar. Seja como for, penso que daqui a uns 7 a 10 anos se vai olhar para este assunto sobre uma perspectiva financeira e com isso mudar um pouco o sentimento para com o fenómeno do aborto. Diria que o móbil não é o correcto. Preferiria o móbil ético. Mas se os assuntos financeiros derem uma ajuda positiva para inverter o que se anda a passar, pois venha de lá essa ajuda.
A vulgata que nos governa não entende nada do mal que salta à vista, tão pouco percebe como combater as suas causas. No entanto já percepciona que algo de muito grave se anda a passar. Mas em rigor isso é irrelevante. Relevante é que a população o percepcione, coisa que já vai acontecendo, mas ainda não em dose suficientemente grande que permita uma revolução eleitoral.
Assim, seremos ainda governados por batráquios irresponsáveis por mais uma meia dúzia de anos. Depois, quando a luz começar a chegar, outros serão empossados no poder. Ainda falta muito para lá chegar. Mas não desesperemos. Já faltou mais.
Aquando da crise grega Portugal julgava-se fora do radar dos mercados. Agora que a coisa chegou à Irlanda, Portugal já se inquieta pois os mercados já o elegeram como o próximo da fila. Claro que as muitas crianças com voz no nosso Portugal bradam contra os mercados. Pena que o não tenham feito quando os mercados eram generosos no passado e nos emprestavam dinheiro a rodos a preço Alemão. Agora que os mercados resolveram distinguir a qualidade dos devedores os justiceiros de rua andam muito zangados com o "mercado". Claro que este exercício persecutório é completamente estéril e inútil. Pior ainda, passa a mensagem de que há ainda muita força política que ainda não percebe a nossa fotografia... quanto mais o filme, o que em si só complica mais o afastamento da falta de discernimento que tão má companhia nos tem feito.
Os mercados neste momento só provam que os devedores têm que ser pessoas responsáveis e não um conjunto de batráquios irresponsáveis. Isto é nomeadamente verdade quando se está a tratar de países. Um cidadão se se tornar um irresponsável financeiro pouca mossa fará a um descendente seu se este já for neto ou bisneto. Agora com um país as coisas já não são bem assim. Os países não vão à falência. Por isso as gerações vindouras são sempre "gentilmente" convidadas a honrar os disparates dos irresponsáveis. É neste ponto em que as coisas estão em Portugal no ano da graça de 2010. Todos nós seremos uns autênticos irresponsáveis se continuarmos a acumular dívida pública em cima da já existente. Os eufóricos que perseguem, em vão, 3% de défice sobre uns 100% de dívida acumulada do que produzimos num ano aí estão para provar que existem de facto irresponsáveis ao leme do Portugal.
Não, não há manifestações dos que "gentilmente" vão ser convocados a limpar a porcaria que estes irresponsáveis andam a fazer. A natureza não o permite. A maioria deles ainda não foram sequer concepcionados. E dos que vão sendo, cerca de 20% são liminarmente liquidados poucas semanas após o terem sido. Mas tenho um feeling que se todos eles pudessem já ter consciência e liberdade de opção fariam duas coisas, a saber:
1. 20% (os liquidados) fugiam a sete pés dos carrascos
2. 100% (todos eles) convocavam uma mega manifestação neste País de modo a que nos próximos 20 anos só ocorressem excedentes nas contas públicas
Nesta fase já se denota alguma preocupação sobre a taxa de fecundidade em Portugal e de como isso pode votar as próximas gerações (próximos 50 ou 60 anos) a uma descida contínua do nível de vida económico médio. Tudo devido ao não crescimento da produtividade, ou seja, o produto irá declinar na mesma percentagem que o decréscimo populacional.
Quanto aos 20% de liquidados parece que a sociedade ainda não percebeu que isso, para além de um crime hediondo, é uma burrice económica e financeira difícil de quantificar. Seja como for, penso que daqui a uns 7 a 10 anos se vai olhar para este assunto sobre uma perspectiva financeira e com isso mudar um pouco o sentimento para com o fenómeno do aborto. Diria que o móbil não é o correcto. Preferiria o móbil ético. Mas se os assuntos financeiros derem uma ajuda positiva para inverter o que se anda a passar, pois venha de lá essa ajuda.
A vulgata que nos governa não entende nada do mal que salta à vista, tão pouco percebe como combater as suas causas. No entanto já percepciona que algo de muito grave se anda a passar. Mas em rigor isso é irrelevante. Relevante é que a população o percepcione, coisa que já vai acontecendo, mas ainda não em dose suficientemente grande que permita uma revolução eleitoral.
Assim, seremos ainda governados por batráquios irresponsáveis por mais uma meia dúzia de anos. Depois, quando a luz começar a chegar, outros serão empossados no poder. Ainda falta muito para lá chegar. Mas não desesperemos. Já faltou mais.
O que deve a Igreja fazer?
SEGUNDA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2010
Todos sabemos que a Igreja tem como missão o tratamento das almas dos homens. E vai fazendo-o. Mas sabemos que a história a tem empurrado para tratar daquilo que a organização social não tem conseguido fazer na sua plenitude: cuidar dos pobres e de quem precisa de ajuda. As organizações que gravitam à volta da Igreja têm dado um grande suporte à nossa sociedade. É um trabalho imenso e de pouca visibilidade mediática. Claramente à melhor maneira de quem procede desinteressadamente, sem agenda pessoal, ou ao serviço de interesses obscuros. Nada de estranhar. Corporiza aliás, e em muito, a mensagem boa, humilde, e virtuosa que a própria Igreja possui.
Agora que os problemas sociais se agravam resultantes de erros e desvios dos homens, a questão coloca-se. O que deve a Igreja fazer? Acudir ao problema do número crescente de pobres e de quem precisa de ajuda, ou tratar do mal que esteve na génese do problema? Esta é uma questão de difícil resolução.
Não duvidemos que o erro dos Portugueses foi grande nestes últimos 25 anos. Desligámo-nos da terra e embarcámos numa ilusão de vida fácil à conta de dívida e mais dívida. Fomos poucos maduros nas opções pessoais. Fomos arrogantes ao não querer ouvir as vozes mais avisadas e ao abrir ouvido ao eloquente de promessa fácil debaixo do braço. Agora que a verdade se começa a redescobrir será bom que corrijamos a rota e as diatribes do nosso aparelho auditivo.
Da posição fácil em que me encontro penso que a Igreja se deveria concentrar mais em cuidar nas almas e na sua preparação para o discernimento num ambiente muito ruidoso. Mas talvez quem esteja no terreno tenha outra visão. Sem dúvida que os tempos que aí estão não estão a ser nada fáceis.
Todos sabemos que a Igreja tem como missão o tratamento das almas dos homens. E vai fazendo-o. Mas sabemos que a história a tem empurrado para tratar daquilo que a organização social não tem conseguido fazer na sua plenitude: cuidar dos pobres e de quem precisa de ajuda. As organizações que gravitam à volta da Igreja têm dado um grande suporte à nossa sociedade. É um trabalho imenso e de pouca visibilidade mediática. Claramente à melhor maneira de quem procede desinteressadamente, sem agenda pessoal, ou ao serviço de interesses obscuros. Nada de estranhar. Corporiza aliás, e em muito, a mensagem boa, humilde, e virtuosa que a própria Igreja possui.
Agora que os problemas sociais se agravam resultantes de erros e desvios dos homens, a questão coloca-se. O que deve a Igreja fazer? Acudir ao problema do número crescente de pobres e de quem precisa de ajuda, ou tratar do mal que esteve na génese do problema? Esta é uma questão de difícil resolução.
Não duvidemos que o erro dos Portugueses foi grande nestes últimos 25 anos. Desligámo-nos da terra e embarcámos numa ilusão de vida fácil à conta de dívida e mais dívida. Fomos poucos maduros nas opções pessoais. Fomos arrogantes ao não querer ouvir as vozes mais avisadas e ao abrir ouvido ao eloquente de promessa fácil debaixo do braço. Agora que a verdade se começa a redescobrir será bom que corrijamos a rota e as diatribes do nosso aparelho auditivo.
Da posição fácil em que me encontro penso que a Igreja se deveria concentrar mais em cuidar nas almas e na sua preparação para o discernimento num ambiente muito ruidoso. Mas talvez quem esteja no terreno tenha outra visão. Sem dúvida que os tempos que aí estão não estão a ser nada fáceis.
Portugal não é a Irlanda
DOMINGO, 21 DE NOVEMBRO DE 2010
Portugal não é a Irlanda. Este é o mote que tem acompanhado os nossos políticos. E é verdade. Não temos uma crise nos nossos bancos e não tivemos uma bolha especulativa no imobiliário. Mas nossa crise é pior porque é económica. Ou seja, não produzimos o suficiente para cobrir o que consumimos. O resultado é dívida acumulada, uma das maiores do mundo.
A Irlanda tem economia para ultrapassar o seu problema financeiro e de excesso de dívida resultante de uma bebedeira de especulação imobiliária. Eles (Irlandeses) sabem disso e estão dispostos a fazer o que tem que ser feito. Sabem também que ultrapassar o fenómeno vai durar uns 20 anos. Mas sabem que o vão ultrapassar.
Nós não temos economia para ultrapassar o nosso problema de dívida e de défice a todos os níveis. Não sabemos ainda bem sobre isso e não estamos nada dispostos a fazer o que eventualmente terá que ser feito. Temos medo de pensar sobre os próximos 20 anos e por isso não temos a mínima ideia do que nos vai acontecer.
Estão a ver? Portugal não é a Irlanda. Os políticos têm toda a razão. Só não percebem é porquê.
Portugal não é a Irlanda. Este é o mote que tem acompanhado os nossos políticos. E é verdade. Não temos uma crise nos nossos bancos e não tivemos uma bolha especulativa no imobiliário. Mas nossa crise é pior porque é económica. Ou seja, não produzimos o suficiente para cobrir o que consumimos. O resultado é dívida acumulada, uma das maiores do mundo.
A Irlanda tem economia para ultrapassar o seu problema financeiro e de excesso de dívida resultante de uma bebedeira de especulação imobiliária. Eles (Irlandeses) sabem disso e estão dispostos a fazer o que tem que ser feito. Sabem também que ultrapassar o fenómeno vai durar uns 20 anos. Mas sabem que o vão ultrapassar.
Nós não temos economia para ultrapassar o nosso problema de dívida e de défice a todos os níveis. Não sabemos ainda bem sobre isso e não estamos nada dispostos a fazer o que eventualmente terá que ser feito. Temos medo de pensar sobre os próximos 20 anos e por isso não temos a mínima ideia do que nos vai acontecer.
Estão a ver? Portugal não é a Irlanda. Os políticos têm toda a razão. Só não percebem é porquê.
Excedente
QUARTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2011
Excedente. Esta é a palavra que doravante terá que ser substituída pela outrora muito popular “défice”. O mundo Ocidental, e os Portugueses em particular, tomaram uma adulação pelo défice. Sentimo-nos bem com eles, talvez devido ao efeito duplo de com ele obtermos um nível de vida aparente superior bem como sentirmos que a cedência de crédito nos coloca no patamar de actores de primeira.
Este fenómeno louco acabou. Doravante vamos ter que passar aos excedentes de modo a acabar com o alcoolismo de dívida em que nos metemos. Sim, tal e qual uma desintoxicação. Temos que passar a conviver com níveis normais de dívida acumulada muito inferiores aos actuais.
Ora como o produto teima em não crescer, e como o realismo nos diz que isso não irá ocorrer no curto e médio prazo, resta-nos ter excedentes. Ora para quem apregoa que 3% de défice é extraordinário, que é quase toda a gente, temos uma situação muito complicada no nosso Portugal.
Aliás, a miopia é de tal ordem que os 7% que já andamos a pagar de juros pela renovação de dívida significam a prazo que 7% do que produziremos num ano é para pagar juros (ainda há dívida emitida a taxas mais baixas). Mas se a sangria não parar iremos parar a taxas de 10%. Não se duvide disso. Note-se que a Irlanda já vai nos 9%.
Ora isto é profundamente idiota. Se cortarmos nos custos dos Estado, nomeadamente em salários e institutos sem a mínima utilidade, e já agora na estupidez de muitos projectos sem pinga de racionalidade, e com isso obtivermos excedentes de 3% durante dois anos seguidos, então sinalizaremos os mercados e estes diminuíram a sua taxa de juro para uns 3%. Claro que só nos cobraram 3% de juros se mantivermos todos os sinais em vigor que nos fizeram chegar a dois excedentes consecutivos de 3%. Os mercados não são estúpidos (embora cometam erros) e percebem como ninguém os sinais emitidos pelas entidades.
Doravante “excedente” é a palavra de ordem. O tempo dos Sócrates e Barrosos já acabou. Estão aí outros tempos. Quer queiramos, quer não.
Excedente. Esta é a palavra que doravante terá que ser substituída pela outrora muito popular “défice”. O mundo Ocidental, e os Portugueses em particular, tomaram uma adulação pelo défice. Sentimo-nos bem com eles, talvez devido ao efeito duplo de com ele obtermos um nível de vida aparente superior bem como sentirmos que a cedência de crédito nos coloca no patamar de actores de primeira.
Este fenómeno louco acabou. Doravante vamos ter que passar aos excedentes de modo a acabar com o alcoolismo de dívida em que nos metemos. Sim, tal e qual uma desintoxicação. Temos que passar a conviver com níveis normais de dívida acumulada muito inferiores aos actuais.
Ora como o produto teima em não crescer, e como o realismo nos diz que isso não irá ocorrer no curto e médio prazo, resta-nos ter excedentes. Ora para quem apregoa que 3% de défice é extraordinário, que é quase toda a gente, temos uma situação muito complicada no nosso Portugal.
Aliás, a miopia é de tal ordem que os 7% que já andamos a pagar de juros pela renovação de dívida significam a prazo que 7% do que produziremos num ano é para pagar juros (ainda há dívida emitida a taxas mais baixas). Mas se a sangria não parar iremos parar a taxas de 10%. Não se duvide disso. Note-se que a Irlanda já vai nos 9%.
Ora isto é profundamente idiota. Se cortarmos nos custos dos Estado, nomeadamente em salários e institutos sem a mínima utilidade, e já agora na estupidez de muitos projectos sem pinga de racionalidade, e com isso obtivermos excedentes de 3% durante dois anos seguidos, então sinalizaremos os mercados e estes diminuíram a sua taxa de juro para uns 3%. Claro que só nos cobraram 3% de juros se mantivermos todos os sinais em vigor que nos fizeram chegar a dois excedentes consecutivos de 3%. Os mercados não são estúpidos (embora cometam erros) e percebem como ninguém os sinais emitidos pelas entidades.
Doravante “excedente” é a palavra de ordem. O tempo dos Sócrates e Barrosos já acabou. Estão aí outros tempos. Quer queiramos, quer não.
Chineses a Angolanos
SEGUNDA-FEIRA, 8 DE NOVEMBRO DE 2010
Consta que os Chineses pretendem entrar no capital do BCP e que os Angolanos pretendem elevar a sua participação de 10% para 20% do capital. Não posso deixar de manifestar o meu contentamento pelo facto, a saber:
1. Entrada de accionistas com poder económico e financeiro o que servirá para dar ainda maior solidez à nossa banca. Isso traduzir-se-á em maior facilidade na obtenção de crédito nos mercados internacionais, não no sentido de o expandir, mas no intuito de o renovar em condições mais favoráveis enquanto procedemos à lenta e longa, mas necessária, operação de pagamento da nossa dívida externa.
2. Participação directa de Portugal em operações globais em pleno estado de crescimento acentuado. Isto mais não é do que consolidar a nossa posição nesta Globalização em que o mundo se vê cada vez mais envolvido. Reforço a ideia de que a Globalização é o ambiente que melhor potencia a génese do Lusitano. Desafio desde já que me indiquem um povo melhor do que nós para ser accionista de longo prazo de Chineses e Angolanos ao mesmo tempo.
3. Ser um parceiro privilegiado da China pode ser excelente para potenciar as nossas exportações. Para quem ainda não percebeu o nosso bem-estar futuro vai depender da performance do nosso sector exportador.
Claro que para além destes três pontos temos o interesse em ver Sines como a porta de entrada privilegiada dos produtos Chineses na Europa. Isso pode, e em muito, desenvolver toda uma cadeia de operações logísticas.
Espero que os Portugueses não tomem estas operações como ameaças, antes as tomem como oportunidades. Não voltemos as costas à nossa vocação global, antes potenciemo-la.
Consta que os Chineses pretendem entrar no capital do BCP e que os Angolanos pretendem elevar a sua participação de 10% para 20% do capital. Não posso deixar de manifestar o meu contentamento pelo facto, a saber:
1. Entrada de accionistas com poder económico e financeiro o que servirá para dar ainda maior solidez à nossa banca. Isso traduzir-se-á em maior facilidade na obtenção de crédito nos mercados internacionais, não no sentido de o expandir, mas no intuito de o renovar em condições mais favoráveis enquanto procedemos à lenta e longa, mas necessária, operação de pagamento da nossa dívida externa.
2. Participação directa de Portugal em operações globais em pleno estado de crescimento acentuado. Isto mais não é do que consolidar a nossa posição nesta Globalização em que o mundo se vê cada vez mais envolvido. Reforço a ideia de que a Globalização é o ambiente que melhor potencia a génese do Lusitano. Desafio desde já que me indiquem um povo melhor do que nós para ser accionista de longo prazo de Chineses e Angolanos ao mesmo tempo.
3. Ser um parceiro privilegiado da China pode ser excelente para potenciar as nossas exportações. Para quem ainda não percebeu o nosso bem-estar futuro vai depender da performance do nosso sector exportador.
Claro que para além destes três pontos temos o interesse em ver Sines como a porta de entrada privilegiada dos produtos Chineses na Europa. Isso pode, e em muito, desenvolver toda uma cadeia de operações logísticas.
Espero que os Portugueses não tomem estas operações como ameaças, antes as tomem como oportunidades. Não voltemos as costas à nossa vocação global, antes potenciemo-la.