QUARTA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2011
P: Boa tarde, então diga-me lá porque é que anda a exigir cerca de 7% de juros aos empréstimos que faz a Portugal.
R: Bom, sabe, a situação de Portugal é muito complicada. Tem uma das maiores dívidas totais do mundo se considerarmos a dívida acumulada do sector público, das empresas privadas, e das famílias, quando comparadas com o que a economia produz num ano.
P: E então, alguma vez Portugal deixou de honrar os seus compromissos?
R: Em boa verdade sempre o fez… mas isso não quer dizer que o possa deixar de fazer. Aliás, há uma real dose de probabilidade de isso acontecer.
P: Então é por isso que cobra mais do que cobra à Alemanha?
R: Exactamente
P: Mas não acha que ao cobrar mais faz aumentar a probabilidade de incumprimento?
R: Sim, acho, mas a lógica dos mercados é essa. Chama-se a isso o "prémio de risco". Se Portugal discorda disso, então que pague tudo o que deve, passe a ser credor em vez de devedor, e aplique esse conceito…
P: É só o facto de a dívida ser muito grande que o preocupa? Ou há algo mais?
R: Na realidade não é só a dimensão da dívida. O facto de o país não crescer praticamente desde 2000 revela que algo de estruturalmente errado se passa. E não vejo como o cenário se possa modificar. Repare, a classe política não tem uma visão para o país nem consegue desenhar uma estratégia, por incipiente que seja. Existe muita corrupção, a justiça funciona mal, o nível de instrução é ainda muito incipiente, os empreendedores são muito mal vistos pela sociedade, a carga fiscal é crescente, e o estado já consome cerca de 50% do que se produz. Não há evidências de que as coisas mudem. E mais, a demografia está a começar a ser madrasta. Aliás, este último ponto penso ainda não entrar nos cálculos do mercado. Quando entrar… então a coisa ainda pode piorar.
P: Então o que é que sugere?
R: Bom, eu não sugiro nada. Sou somente um investidor. Essa pergunta terá que ser posta a quem de direito. Cabe à sociedade Portuguesa descobrir as soluções para os vossos problemas.
P: Mas porque é que só ultimamente passaram a cobrar juros muito mais altos? Não acha injusto Portugal ter ficado ao sabor dos caprichos do mercado?
R: Bom, quanto à sua primeira questão direi que o mercado andou durante muito tempo a avaliar mal o risco de Portugal. Colocou Portugal no mesmo saco que a Alemanha. Penso que agora existe uma análise de risco bem mais real. Quanto à sua segunda pergunta direi que o mercado não tem alma. Nem tem que ter. Se Portugal se quer queixar que se queixe de si mesmo. A história diz, bem como a sapiência, que a melhor maneira para se ser independente é não estar dependente dos credores. Portugal descurou muito este aspecto deixando-se entrar numa espiral de endividamento.
P: Mas isso não poderá trazer benefícios para a economia como um todo?
R: (risos) Bom, se for para investir, isso é possível. Mas claro, só se o investimento for bem feito. Se for para financiar consumo que se traduz em importações e no crescimento de um sector público que mais não faz do que travar o crescimento da economia, então direi que não traz benefícios nenhuns. Antes pelo contrário.
P: Então porque é que nos empresta dinheiro?
R: Porque vocês o pedem. E esse é o meu negócio.
P: O que o faria cobrar juros mais baixos a Portugal?
R: Depende de muitos factores. Mas o principal tem que ver com a despesa pública. Se a mesma entrasse numa espiral de descida isso sinalizaria que a economia ficaria mais liberta e o sector privado com mais hipóteses de crescer por via da redução da carga fiscal. Por outro lado gostaríamos de sentir que o custo dos factores de produção fosse mais reduzido. Seria interessante se o IRS e o IRC fossem mais reduzidos, ainda que compensados por um aumento do IVA. Portugal precisa de exportar mais. O aumento do IVA não afecta a competitividade externa.
P: Mas isso não iria prejudicar as famílias Portuguesas?
R: Sim, no curto prazo iria. Mas se a economia melhorar por esse facto aliviam-se as famílias Portuguesas do futuro por via de taxas de juro mais baixas. Está nas mãos desta geração fazê-lo agora.
P: Está a insinuar que a geração actual é egoísta? Há quem ache que existe uma crise familiar…
R: Como credor não emito juízos de valor. Essa não é a minha missão. Mas direi que vejo a prazo alguns problemas no equilíbrio da sociedade e no seu potencial de crescimento se as suas bases forem violentadas no presente. No entanto estes são aspectos sobre os quais os mercados têm muita dificuldade em avaliar. Não existem indicadores precisos que ajudem a sua quantificação. Mas se a longo prazo a economia sofrer com isso, bom então o mercado nessa altura será muito bom a avaliar os estragos. Diria que compete à sociedade tratar hoje desse assunto. Senão ainda vemos os mercados no futuro como o bode expiatório do males gerados pelas opções erradas tomadas no presente.
P: Incomoda-o ser o bode expiatório?
R: (risos) De modo nenhum. Sabe, os credores estão habituados a serem os maus da fita quando as coisas correm mal.
P: Uma última pergunta: acredita numa intervenção do FMI? Isso é bom para Portugal?
R: Direi que penso estar para breve. É bom porque dá garantias de que algo vai ser efectivamente feito. Por outro lado é mau porque é uma prova de que os governos de Portugal não demonstraram ter capacidade de governar financeiramente o País. E isso paga-se mais caro no futuro em prémio de risco.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Como falar aos Portugueses no futuro
SEXTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2011
Para quem está bem consciente da situação que Portugal atravessa sabe que já não mais espaço para dourar a pílula em campanhas legislativas. O mecanismo em vigor até ao momento passava por mentir descaradamente ao povo. Aliciaram-se os Portugueses com promessas viabilizadas por mecanismos ilusórios alavancados pelo crédito fácil, pelo espaço de endividamento disponível existente desde o início da década de 90, pela ilusão dos fundos da CEE, e pela entrada na zona euro. A realidade que pensávamos ser possível viver ruiu. É isso que tem que ser dito muito claramente aos Portugueses. O caminho passa, em termos económico e financeiros, por amortizar dívida existente e passar a ter excedentes orçamentais (ao invés de défices) juntamente com redução de importações e aumento de exportações.
Não há a mínima volta a dar ao assunto, quer queiramos, quer não. Venha quem vier, venham todas as manifestações, berraria, discursos inflamados, enchentes na Avenida da Liberdade, etc, este caminho vai ter que ser feito. E vai ter que ser feito muito mais cedo do que pensamos. Não, não há tempo para “ver se passa”, ou “esperar que os mercados descubram a Espanha”, o que se “esqueçam” de nós quando chegar o Verão, etc.
O próximo Governo de Portugal, aquele que vai chegar depois do próximo (des)governo, tem que falar muito abertamente de todas as medidas que terão que ser tomadas. Terá que explicar tudo, terá que expor o porque de cada medida apresentada pré-eleitoralmente, terá que ter uma sinceridade e uma simplicidade nas explicações ao nível do que hoje é considerado “ingenuidade política”, terá que se apresentar explicitamente, e com humildade, como o próximo Governo para Portugal, aquele que resultará como a alternativa ao modelo socialista (PS e PSD no mesmo saco) que já morreu.
Não será um Governo que vai trazer a “Revelação” tão ao gosto dos engenheiros sociais de esquerda sempre sequiosos do “agora é que é”. A Revelação têm-na Ele. Que O siga quem quer de livre vontade. O novo Governo de Portugal vai ter um desafio muito claro e muito simples que é: GOVERNAR PORTUGAL. Essa vai ser a sua missão. E para o fazer vai ter que, como que mecanicamente, começar por amortizar dívida pública, reduzindo-a, o que implica ter excedentes e não défices públicos, e cortar nas importações e impulsionar as exportações. Só a partir daí estará em condições de governar. Se o não fizer, então desqualificar-se-á e será mais um (des)governo.
O partido a quem os Portugueses devem confiar essa missão é o CDS. Não este que lá está de momento. É o outro que vai ter que aparecer. Essa aparição tem que ser uma fatalidade. Não pode deixar de acontecer.
Estranhar-se-á como é que perante cenários tão pessimistas e nebulosos o discurso da verdade e simplicidade irá funcionar. Mas o segredo é mesmo esse. Um pouco como na guerra. Não se querem generais moles e com discurso fácil. Doravante os Portugueses vão confiar no discurso “dor, suor e lágrimas” e não em “bolas e equipamentos de marca para todos”.
Tão somente
Para quem está bem consciente da situação que Portugal atravessa sabe que já não mais espaço para dourar a pílula em campanhas legislativas. O mecanismo em vigor até ao momento passava por mentir descaradamente ao povo. Aliciaram-se os Portugueses com promessas viabilizadas por mecanismos ilusórios alavancados pelo crédito fácil, pelo espaço de endividamento disponível existente desde o início da década de 90, pela ilusão dos fundos da CEE, e pela entrada na zona euro. A realidade que pensávamos ser possível viver ruiu. É isso que tem que ser dito muito claramente aos Portugueses. O caminho passa, em termos económico e financeiros, por amortizar dívida existente e passar a ter excedentes orçamentais (ao invés de défices) juntamente com redução de importações e aumento de exportações.
Não há a mínima volta a dar ao assunto, quer queiramos, quer não. Venha quem vier, venham todas as manifestações, berraria, discursos inflamados, enchentes na Avenida da Liberdade, etc, este caminho vai ter que ser feito. E vai ter que ser feito muito mais cedo do que pensamos. Não, não há tempo para “ver se passa”, ou “esperar que os mercados descubram a Espanha”, o que se “esqueçam” de nós quando chegar o Verão, etc.
O próximo Governo de Portugal, aquele que vai chegar depois do próximo (des)governo, tem que falar muito abertamente de todas as medidas que terão que ser tomadas. Terá que explicar tudo, terá que expor o porque de cada medida apresentada pré-eleitoralmente, terá que ter uma sinceridade e uma simplicidade nas explicações ao nível do que hoje é considerado “ingenuidade política”, terá que se apresentar explicitamente, e com humildade, como o próximo Governo para Portugal, aquele que resultará como a alternativa ao modelo socialista (PS e PSD no mesmo saco) que já morreu.
Não será um Governo que vai trazer a “Revelação” tão ao gosto dos engenheiros sociais de esquerda sempre sequiosos do “agora é que é”. A Revelação têm-na Ele. Que O siga quem quer de livre vontade. O novo Governo de Portugal vai ter um desafio muito claro e muito simples que é: GOVERNAR PORTUGAL. Essa vai ser a sua missão. E para o fazer vai ter que, como que mecanicamente, começar por amortizar dívida pública, reduzindo-a, o que implica ter excedentes e não défices públicos, e cortar nas importações e impulsionar as exportações. Só a partir daí estará em condições de governar. Se o não fizer, então desqualificar-se-á e será mais um (des)governo.
O partido a quem os Portugueses devem confiar essa missão é o CDS. Não este que lá está de momento. É o outro que vai ter que aparecer. Essa aparição tem que ser uma fatalidade. Não pode deixar de acontecer.
Estranhar-se-á como é que perante cenários tão pessimistas e nebulosos o discurso da verdade e simplicidade irá funcionar. Mas o segredo é mesmo esse. Um pouco como na guerra. Não se querem generais moles e com discurso fácil. Doravante os Portugueses vão confiar no discurso “dor, suor e lágrimas” e não em “bolas e equipamentos de marca para todos”.
Tão somente
Inconsciência ou loucura?
DOMINGO, 16 DE JANEIRO DE 2011
Colocou-se esta semana uma emissão de dívida a 10 anos a uma taxa de juro de 6,7%. O (des)governo de Portugal exultou com o facto e parte da Europa ficou aliviada. Perguntarei: o que há para exultar e o que há para nos sentirmos aliviados? A resposta é simples: nada. Aliás, neste momento a pergunta que se deve colocar é se quem se manifesta dessa forma está inconsciente ou louco.
Um tal de Krugman que ecoa nos EUA, e que é voz a não desprezar, afirmou que a taxa conseguida no leilão “é pouco menos que ruinosa”. Do lado de cá do Atlântico o Sr. Almunia defendeu a “honra” da velha Europa vindo a terreiro dizer que o Sr. Krugman é bom a opinar para os EUA mas que da Europa percebe pouco. A qualidade do argumento defensivo parece-me que só reflecte a veracidade da análise do Sr. Krugman.
É preciso termos bem noção que quem nos governa não está em condições de sanidade mental para nos continuar a governar. Não, não é nenhuma força de expressão nem figura de estilo. É exactamente isso.
Se um chefe de família ganha por ano 100 e anda a gastar 110, tem dívidas acumuladas de 250, vai renovando pedaços da sua dívida a taxas da ordem dos 6 a 7%, vai passar a ganhar 99 para o ano e sem muitas esperanças de vir a ganhar muito mais nos anos seguintes, e anda todo contente por conseguir renovar os pedaços de dívida a essas taxas, então direi que é um chefe de família tonto e perdido. É preciso interiorizarmos que se está a viver um cenário surreal.
Ainda sobre o exemplo do parágrafo acima, sabemos que o número de horas disponíveis para trabalhar desse chefe de família no futuro vai ser cada vez menor (o equivalente ao decréscimo da população), ou seja, para manter o mesmo rendimento tem que aumentar a sua produtividade, o que implica o aumento da sua capacidade de trabalho por unidade de tempo. Como esta está estagnada há muito e não há indícios de que venha a subir no médio prazo, então o chefe de família está completamente limitado quanto ao seu rendimento.
Ao chefe de família restam então duas opções: ou continua na senda do nevoeiro que assentou na sua cabeça e trama à séria o próximo chefe de família (os filhos), ou então assume a realidade e começa de imediato a amortizar dívida com o consequente decréscimo da porção de dinheiro que fica disponível para si.
O chefe de família de serviço só conhece a primeira opção. O que lhe vai substituir talvez perceba que a segunda é a melhor opção mas pertence a uma família política que não está nem aí.
Portugueses, percebam bem, estamos no reino da inconsciência ou da loucura. Garanto-vos, é uma das duas opções.
Por favor estejam atentos e preparem-se para intervir.
Nota: e daqui a uns anos vêm umas facturas especiais de umas PPP (parcerias público privadas). Autênticas bombas relógios já a funcionar...
Colocou-se esta semana uma emissão de dívida a 10 anos a uma taxa de juro de 6,7%. O (des)governo de Portugal exultou com o facto e parte da Europa ficou aliviada. Perguntarei: o que há para exultar e o que há para nos sentirmos aliviados? A resposta é simples: nada. Aliás, neste momento a pergunta que se deve colocar é se quem se manifesta dessa forma está inconsciente ou louco.
Um tal de Krugman que ecoa nos EUA, e que é voz a não desprezar, afirmou que a taxa conseguida no leilão “é pouco menos que ruinosa”. Do lado de cá do Atlântico o Sr. Almunia defendeu a “honra” da velha Europa vindo a terreiro dizer que o Sr. Krugman é bom a opinar para os EUA mas que da Europa percebe pouco. A qualidade do argumento defensivo parece-me que só reflecte a veracidade da análise do Sr. Krugman.
É preciso termos bem noção que quem nos governa não está em condições de sanidade mental para nos continuar a governar. Não, não é nenhuma força de expressão nem figura de estilo. É exactamente isso.
Se um chefe de família ganha por ano 100 e anda a gastar 110, tem dívidas acumuladas de 250, vai renovando pedaços da sua dívida a taxas da ordem dos 6 a 7%, vai passar a ganhar 99 para o ano e sem muitas esperanças de vir a ganhar muito mais nos anos seguintes, e anda todo contente por conseguir renovar os pedaços de dívida a essas taxas, então direi que é um chefe de família tonto e perdido. É preciso interiorizarmos que se está a viver um cenário surreal.
Ainda sobre o exemplo do parágrafo acima, sabemos que o número de horas disponíveis para trabalhar desse chefe de família no futuro vai ser cada vez menor (o equivalente ao decréscimo da população), ou seja, para manter o mesmo rendimento tem que aumentar a sua produtividade, o que implica o aumento da sua capacidade de trabalho por unidade de tempo. Como esta está estagnada há muito e não há indícios de que venha a subir no médio prazo, então o chefe de família está completamente limitado quanto ao seu rendimento.
Ao chefe de família restam então duas opções: ou continua na senda do nevoeiro que assentou na sua cabeça e trama à séria o próximo chefe de família (os filhos), ou então assume a realidade e começa de imediato a amortizar dívida com o consequente decréscimo da porção de dinheiro que fica disponível para si.
O chefe de família de serviço só conhece a primeira opção. O que lhe vai substituir talvez perceba que a segunda é a melhor opção mas pertence a uma família política que não está nem aí.
Portugueses, percebam bem, estamos no reino da inconsciência ou da loucura. Garanto-vos, é uma das duas opções.
Por favor estejam atentos e preparem-se para intervir.
Nota: e daqui a uns anos vêm umas facturas especiais de umas PPP (parcerias público privadas). Autênticas bombas relógios já a funcionar...
Os números por vezes são traiçoeiros
SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2011
Hoje veio a público que ocorreram mais nascimentos em 2010 do que em 2009. Parece que muito boa alma ficou surpreendida pois a dita crise deveria ditar algum cuidado com a procriação. Acontece que a realidade não se compadece com alguns simplismos. Sim, ouve a crise financeira internacional que estalou no Verão de 2007 e que está muito razoavelmente domada, e existe a nossa crise que já vem desde 2000 (eu acho que vem desde 1995) e que a crise internacional tratou de a evidenciar e acelerar.
Acontece que a demografia não terá uma correlação = 1 com os devaneios da economia. Por vezes até pode ter alguns sobressaltos, como este que agora se deu. Especularei que muitos novos casais assustaram-se em 2007 e 2008 retardando a sua decisão de ter filhos. Após a contenção inicial, e porque as inolvidáveis funções dos mais puros sentimentos não puderam ser contidos, eis que se libertaram em 2009 de modo a materializarem os nascimentos de 2010. O belo desejo de ter filhos não é escravo a 100% das perspectivas económicas do casal. Estas podem condicionar decisões de curto prazo, mas cedo ou tarde o desejo fala mais alto e impõem-se. Terá sido o que aconteceu.
Infelizmente, é provável que já em 2011 e anos seguintes os nascimentos caiam de novo. Em 2010 os Portugueses perceberam que há de facto uma grande crise, a nossa crise, e provavelmente optaram por outra contenção. Assim sendo, é provável que o número de nascimentos siga uma linha parecida com o formato de um serrote. Tudo indica que terá uma tendência decrescente. Eu espero que não.
Ainda a este propósito de fenómenos de contenção, vale a pena pensar no exemplo da venda de automóveis, que parece ter sobressaltado o meu ilustre companheiro de blog. O mesmo ter-se-á passado neste caso. Em 2008 e 2009 muitas pessoas contiveram-se na compra de automóveis e “libertaram-se” em 2010. Muito provavelmente em 2011 e seguintes a trajectória descendente é retomada.
A este propósito recordo ainda outra questão, e que tem que ver com percentagens. Nestas alturas de grandes variações, as percentagens podem atraiçoar os mais incautos, especialmente quando acompanhadas por medias de fraca qualidade. Se um determinado indicador num ano descer 50% e no ano seguinte subir 50%, isso quer dizer que do ano de início até ao segundo ano a descida foi de 25%. No entanto os media adoram “estrondos” do género “Crise? Qual crise? As vendas da Porsche e da Jaguar registam um crescimento acima dos 50%”.
Diria que estes movimentos correctivos são solavancos típicos de transformações repentinas.
Hoje veio a público que ocorreram mais nascimentos em 2010 do que em 2009. Parece que muito boa alma ficou surpreendida pois a dita crise deveria ditar algum cuidado com a procriação. Acontece que a realidade não se compadece com alguns simplismos. Sim, ouve a crise financeira internacional que estalou no Verão de 2007 e que está muito razoavelmente domada, e existe a nossa crise que já vem desde 2000 (eu acho que vem desde 1995) e que a crise internacional tratou de a evidenciar e acelerar.
Acontece que a demografia não terá uma correlação = 1 com os devaneios da economia. Por vezes até pode ter alguns sobressaltos, como este que agora se deu. Especularei que muitos novos casais assustaram-se em 2007 e 2008 retardando a sua decisão de ter filhos. Após a contenção inicial, e porque as inolvidáveis funções dos mais puros sentimentos não puderam ser contidos, eis que se libertaram em 2009 de modo a materializarem os nascimentos de 2010. O belo desejo de ter filhos não é escravo a 100% das perspectivas económicas do casal. Estas podem condicionar decisões de curto prazo, mas cedo ou tarde o desejo fala mais alto e impõem-se. Terá sido o que aconteceu.
Infelizmente, é provável que já em 2011 e anos seguintes os nascimentos caiam de novo. Em 2010 os Portugueses perceberam que há de facto uma grande crise, a nossa crise, e provavelmente optaram por outra contenção. Assim sendo, é provável que o número de nascimentos siga uma linha parecida com o formato de um serrote. Tudo indica que terá uma tendência decrescente. Eu espero que não.
Ainda a este propósito de fenómenos de contenção, vale a pena pensar no exemplo da venda de automóveis, que parece ter sobressaltado o meu ilustre companheiro de blog. O mesmo ter-se-á passado neste caso. Em 2008 e 2009 muitas pessoas contiveram-se na compra de automóveis e “libertaram-se” em 2010. Muito provavelmente em 2011 e seguintes a trajectória descendente é retomada.
A este propósito recordo ainda outra questão, e que tem que ver com percentagens. Nestas alturas de grandes variações, as percentagens podem atraiçoar os mais incautos, especialmente quando acompanhadas por medias de fraca qualidade. Se um determinado indicador num ano descer 50% e no ano seguinte subir 50%, isso quer dizer que do ano de início até ao segundo ano a descida foi de 25%. No entanto os media adoram “estrondos” do género “Crise? Qual crise? As vendas da Porsche e da Jaguar registam um crescimento acima dos 50%”.
Diria que estes movimentos correctivos são solavancos típicos de transformações repentinas.
Bem haja à Estónia
DOMINGO, 2 DE JANEIRO DE 2011
In Público
"Com os 1,2 milhões de cidadãos estónios, a população da zona euro passou a contar com 330 milhões de habitantes, tendo as mais recentes adesões à zona euro sido as da Eslováquia (2009), Chipre e Malta (2008) e Eslovénia (2007).
A Estónia está no extremo nordeste da UE, à qual aderiu em 2004 depois da sua separação, em 1991, da então União Soviética.
Para aderir à união monetária, a Estónia teve de cumprir alguns requisitos, como a estabilidade dos preços e finanças públicas saudáveis. Entre Abril de 2009 e Março de 2010, o país teve uma inflação negativa de 0,7 por cento, inferior ao valor de referência europeu de 1,0 por cento calculado para esse período. Por outro lado, o défice orçamental do país foi de 1,7 por cento em 2009 e a dívida pública ficou nos 7,2 por cento"
Um grande bem haja à Estónia. Que aprendam bem com os erros dos outros e que não se embebedem em dívida. De caminho os números acima deveriam servir de exemplo para alguns.
In Público
"Com os 1,2 milhões de cidadãos estónios, a população da zona euro passou a contar com 330 milhões de habitantes, tendo as mais recentes adesões à zona euro sido as da Eslováquia (2009), Chipre e Malta (2008) e Eslovénia (2007).
A Estónia está no extremo nordeste da UE, à qual aderiu em 2004 depois da sua separação, em 1991, da então União Soviética.
Para aderir à união monetária, a Estónia teve de cumprir alguns requisitos, como a estabilidade dos preços e finanças públicas saudáveis. Entre Abril de 2009 e Março de 2010, o país teve uma inflação negativa de 0,7 por cento, inferior ao valor de referência europeu de 1,0 por cento calculado para esse período. Por outro lado, o défice orçamental do país foi de 1,7 por cento em 2009 e a dívida pública ficou nos 7,2 por cento"
Um grande bem haja à Estónia. Que aprendam bem com os erros dos outros e que não se embebedem em dívida. De caminho os números acima deveriam servir de exemplo para alguns.
O ano da viragem política?
QUINTA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2010
Será 2011 o ano da viragem? Não o creio. Se por um lado os Portugueses irão começar a sentir na pele a nossa crise, por outro lado o modelo em que acreditam continua intacto. As crises valem pelos seus ensinamentos, e mal de quem com elas não aprende. E este é o maior problema que enfrentamos, o da aprendizagem. Ainda não interiorizarmos que uma mudança radical de atitude sobre a vida tem que ser adoptada.
Ao nível político o CDS continuará no intervalo entre os 8% e os 12%. 12% já significaria uma mudança, mas de expressão reduzidíssima. O Bloco Central continua intacto, ou seja, a população continua a acreditar que a via socialista é o modelo que lhes pode trazer alguma coisa. Tudo o que implique meritocracia, liberdade individual, discriminação positiva e diferenciação, continua a não fazer parte da crença da grande maioria da população. Este é o desiderato que falta ultrapassar. Os efeitos nefastos do sistema socialista em que acreditamos e vivemos só agora começam a ser sentidos. Pagar a nossa dívida externa e interna vai demorar muitos anos e vai doer muito. Quando o sentirmos bem na pele e repararmos que a outra parte do mundo que connosco compete, e que se passou a sentar à mesa como resultado do seu sucesso e do modelo capitalista que adoptou, então aí a outra parte dos Portugueses tratará de querer mudar de atitude.
O mal de toda a bebedeira de dívida que abraçámos desde 1995, e de fundos da CEE decorrentes da adesão em 1986, é que cegou essa parte de Portugal que continua a dormir. Foram muitos anos a dormir. A alvorada não se vai dar ainda em 2011. Em 2011 continuaremos a fechar os olhos à realidade. O mesmo faremos em 2012 e provavelmente também em 2013, apesar da intervenção do FMI já em 2011. Somente em 2014, e depois de vermos bem o que se passará em Espanha, com o consequente susto, iremos perceber que algo de muito profundo terá de mudar.
Até lá desejo que os mais destemidos e empreededores não vacilem perante a podridão de uma maioria que ainda vive noutro mundo.
Ao CDS espera-se que cumpra o seu dever. Que não ceda à tentação de ir para um governo com o PSD. A sua missão está guardada para mais tarde. Para o momento em que resolvermos mudar de atitude. Aí será convocado para governar Portugal.
Será 2011 o ano da viragem? Não o creio. Se por um lado os Portugueses irão começar a sentir na pele a nossa crise, por outro lado o modelo em que acreditam continua intacto. As crises valem pelos seus ensinamentos, e mal de quem com elas não aprende. E este é o maior problema que enfrentamos, o da aprendizagem. Ainda não interiorizarmos que uma mudança radical de atitude sobre a vida tem que ser adoptada.
Ao nível político o CDS continuará no intervalo entre os 8% e os 12%. 12% já significaria uma mudança, mas de expressão reduzidíssima. O Bloco Central continua intacto, ou seja, a população continua a acreditar que a via socialista é o modelo que lhes pode trazer alguma coisa. Tudo o que implique meritocracia, liberdade individual, discriminação positiva e diferenciação, continua a não fazer parte da crença da grande maioria da população. Este é o desiderato que falta ultrapassar. Os efeitos nefastos do sistema socialista em que acreditamos e vivemos só agora começam a ser sentidos. Pagar a nossa dívida externa e interna vai demorar muitos anos e vai doer muito. Quando o sentirmos bem na pele e repararmos que a outra parte do mundo que connosco compete, e que se passou a sentar à mesa como resultado do seu sucesso e do modelo capitalista que adoptou, então aí a outra parte dos Portugueses tratará de querer mudar de atitude.
O mal de toda a bebedeira de dívida que abraçámos desde 1995, e de fundos da CEE decorrentes da adesão em 1986, é que cegou essa parte de Portugal que continua a dormir. Foram muitos anos a dormir. A alvorada não se vai dar ainda em 2011. Em 2011 continuaremos a fechar os olhos à realidade. O mesmo faremos em 2012 e provavelmente também em 2013, apesar da intervenção do FMI já em 2011. Somente em 2014, e depois de vermos bem o que se passará em Espanha, com o consequente susto, iremos perceber que algo de muito profundo terá de mudar.
Até lá desejo que os mais destemidos e empreededores não vacilem perante a podridão de uma maioria que ainda vive noutro mundo.
Ao CDS espera-se que cumpra o seu dever. Que não ceda à tentação de ir para um governo com o PSD. A sua missão está guardada para mais tarde. Para o momento em que resolvermos mudar de atitude. Aí será convocado para governar Portugal.
Os detractores do cheque-educação
QUARTA-FEIRA, 29 DE DEZEMBRO DE 2010
Sobre o cheque-educação não faltarão detractores por aí. Quase todos eles estão conotados com alguma esquerda que tem uma extrema dificuldade em ver para além do centralismo que venera. Tudo o que mexe, tudo o que denuncia responsabilização, tudo o que exija resultados, tudo o que coloque os alunos em primeiro lugar, tudo o que não seja corporativo, tudo o que não implique pesados controles burocráticos, e tudo o que implique possibilidade de escolha, é tudo inimigo das criações de engenheiros sociais que vêm nos seus decretos a salvação de todos os males que fatalmente serão emanados pelo vulgar cidadão.
A pseudo-superioridade dos centralistas é trituradora de qualquer veleidade que implique a participação de todos. O feedback, mecanismo intrínseco ao cheque-educação, é um conceito que abala mentes preconceituosas e sedentas de controlos rígidos sobre tudo o que supostamente deveria somente regular.
O mundo é muito dinâmico, e o que deu provas de sucesso no passado pode não servir as necessidades do futuro. A educação tornou-se num monstro que serve a tudo menos aos alunos e respectivos encarregados de educação. Serve acima de tudo um ministério da educação carregado de burocratas bem como uma classe de professores. Há algo de profundamente errado quando se promete emprego para a vida e mecanismos de progressão automática, essa imbecilidade organizacional que mais não faz com que nivelar por baixo os seus constituintes. A tudo isto contemos com um preço estupidamente caro no actual sistema, o que, aliás, não é de estranhar quando as organizações têm como objecto a sua própria existência e não servir aqueles para as quais devem a sua criação.
A ineficiência tem custos, mas o centralizador pensa que o eterno contribuinte existe para pagar os desnortes de uma mentalidade caduca e germinadora do pior que um ser humano pode fornecer quando integrado numa organização ou corporação: a defesa do seu interesse pessoal e do grupo a que pertence. O centralizador olha todos os encarregados de educação como seres sem capacidade de discernimento, surgindo ele como o “iluminado” que tudo vê e tudo corrige. Penso já existir histórico suficiente para ver onde este tipo de visão conduz.
O argumento mais torpe que por aí existe sobre o cheque-educação reside na crença de que “os pobres financiarão a educação dos ricos”. Este argumento, baseado no falso pressuposto de que o que um ganha o outro tem que perder, é mentiroso por duas razões:
1. Pela incorrecta visão de que para que servem os impostos. Segundo estes “visionários” os impostos são para os pobres uma aquisição de direitos de gozo sobre bens e serviços que os seus rendimentos não podem obter, e para os ricos um castigo pelo facto de o serem. Ora, os impostos servem para financiar o gozo de bens e serviços onde o mercado, por natureza, pode ter extremas dificuldades em fornecer atempadamente e em boas condições de qualidade. E servem, claro está, como mecanismo de mitigação das naturais diferenças económicas entre quem mais pode e quem menos pode. Mas cuidado, não se deve cair na tentação de subtrair a quem mais pode o exercício de gozo desses mesmos bens e serviços devido ao seu elevado rendimento. Que a cegueira não discrimine negativamente o mais abastado. A igualdade de tratamento de qualquer cidadão é condição básica de uma sociedade civilizada. A discriminação, a existir, já é feita ao nível da taxa de imposto. Consequentemente ao rico deverá ser entregue um cheque-educação por cada filho. Quem assim não pense que proponha de imediato o fim do abatimento das despesas de educação no cálculo da matéria colectável.
2. Os pobres por norma não pagam impostos devido, ou à ausência total de rendimento, ou ao seu nível de rendimentos tão baixos que escapam ao pagamento de impostos.
A psicose persecutória ao “rico” muito em voga em Portugal mais não é do que o resultado do ódio do esquerdista sobre o rico. Desconfiemos sempre de reacções baseadas no ódio e preconceitos resultantes de uma mentalidade invejosa. Escondem sempre mais do que revelam e retiram discernimento ao debate.
Todos os outros argumentos sobre o cheque-educação lançados tratam mais de proteger interesses instalados do que outra coisa. Daí ser difícil lançar um verdadeiro debate sobre o tema.
Assim é mais complicado.
Sobre o cheque-educação não faltarão detractores por aí. Quase todos eles estão conotados com alguma esquerda que tem uma extrema dificuldade em ver para além do centralismo que venera. Tudo o que mexe, tudo o que denuncia responsabilização, tudo o que exija resultados, tudo o que coloque os alunos em primeiro lugar, tudo o que não seja corporativo, tudo o que não implique pesados controles burocráticos, e tudo o que implique possibilidade de escolha, é tudo inimigo das criações de engenheiros sociais que vêm nos seus decretos a salvação de todos os males que fatalmente serão emanados pelo vulgar cidadão.
A pseudo-superioridade dos centralistas é trituradora de qualquer veleidade que implique a participação de todos. O feedback, mecanismo intrínseco ao cheque-educação, é um conceito que abala mentes preconceituosas e sedentas de controlos rígidos sobre tudo o que supostamente deveria somente regular.
O mundo é muito dinâmico, e o que deu provas de sucesso no passado pode não servir as necessidades do futuro. A educação tornou-se num monstro que serve a tudo menos aos alunos e respectivos encarregados de educação. Serve acima de tudo um ministério da educação carregado de burocratas bem como uma classe de professores. Há algo de profundamente errado quando se promete emprego para a vida e mecanismos de progressão automática, essa imbecilidade organizacional que mais não faz com que nivelar por baixo os seus constituintes. A tudo isto contemos com um preço estupidamente caro no actual sistema, o que, aliás, não é de estranhar quando as organizações têm como objecto a sua própria existência e não servir aqueles para as quais devem a sua criação.
A ineficiência tem custos, mas o centralizador pensa que o eterno contribuinte existe para pagar os desnortes de uma mentalidade caduca e germinadora do pior que um ser humano pode fornecer quando integrado numa organização ou corporação: a defesa do seu interesse pessoal e do grupo a que pertence. O centralizador olha todos os encarregados de educação como seres sem capacidade de discernimento, surgindo ele como o “iluminado” que tudo vê e tudo corrige. Penso já existir histórico suficiente para ver onde este tipo de visão conduz.
O argumento mais torpe que por aí existe sobre o cheque-educação reside na crença de que “os pobres financiarão a educação dos ricos”. Este argumento, baseado no falso pressuposto de que o que um ganha o outro tem que perder, é mentiroso por duas razões:
1. Pela incorrecta visão de que para que servem os impostos. Segundo estes “visionários” os impostos são para os pobres uma aquisição de direitos de gozo sobre bens e serviços que os seus rendimentos não podem obter, e para os ricos um castigo pelo facto de o serem. Ora, os impostos servem para financiar o gozo de bens e serviços onde o mercado, por natureza, pode ter extremas dificuldades em fornecer atempadamente e em boas condições de qualidade. E servem, claro está, como mecanismo de mitigação das naturais diferenças económicas entre quem mais pode e quem menos pode. Mas cuidado, não se deve cair na tentação de subtrair a quem mais pode o exercício de gozo desses mesmos bens e serviços devido ao seu elevado rendimento. Que a cegueira não discrimine negativamente o mais abastado. A igualdade de tratamento de qualquer cidadão é condição básica de uma sociedade civilizada. A discriminação, a existir, já é feita ao nível da taxa de imposto. Consequentemente ao rico deverá ser entregue um cheque-educação por cada filho. Quem assim não pense que proponha de imediato o fim do abatimento das despesas de educação no cálculo da matéria colectável.
2. Os pobres por norma não pagam impostos devido, ou à ausência total de rendimento, ou ao seu nível de rendimentos tão baixos que escapam ao pagamento de impostos.
A psicose persecutória ao “rico” muito em voga em Portugal mais não é do que o resultado do ódio do esquerdista sobre o rico. Desconfiemos sempre de reacções baseadas no ódio e preconceitos resultantes de uma mentalidade invejosa. Escondem sempre mais do que revelam e retiram discernimento ao debate.
Todos os outros argumentos sobre o cheque-educação lançados tratam mais de proteger interesses instalados do que outra coisa. Daí ser difícil lançar um verdadeiro debate sobre o tema.
Assim é mais complicado.
Portugal, solução (13)
TERÇA-FEIRA, 28 DE DEZEMBRO DE 2010
Portugal, o ponto de partida para a tua solução na educação já tem nome. Chama-se: cheque educação. A ideia não é nova. Basicamente consiste em entregares um cheque num determinado valor a cada encarregado de educação por cada filho. Este cheque será nominativo (com o nome do filho) e só poderá ser utilizado para comprar o serviço de educação numa escola aprovada pelo ministério. Os pais por sua vez serão livres de colocar os seus filhos nas escolas que entenderem ser aquelas que melhor podem servir os projectos educativos que têm para os seus filhos.
As escolas terão de ser dotadas de autonomia acrescida, sendo que o director máximo passaria a deter o poder de escolher os professores que bem entender, bem como aceitar os alunos que bem entender. O seu sucesso dependerá da sua capacidade de obtenção de resultados. As suas receitas dependerão da sua capacidade de atrair alunos, e isso dependerá da maneira como souber criar valor com base no modo de combinação de recursos que terá a possibilidade de escolher. Neste modelo os professores terão todo o estímulo na adopção de mecanismos que, continuadamente, lhes permitam melhorar a sua performance de modo a pretenderem sempre seguir no pelotão da frente. Assim se vai eleva a qualidade do ensino em geral.
Os pais, de cheque na mão, sentirão o poder nas suas mãos e gozarão sentimentos de liberdade, e, ao “votar” com as suas escolhas, emanarão os sinais necessários que fazem dos “sistemas abertos” aqueles onde o feedback potencia a melhoria dos bens e serviços prestados.
Portugal, terás alunos inteirados de que a sua inclusão da escola depende do seu comportamento, pelo que passarão com naturalidade a ter comportamentos necessários à sua correcta formação como cidadãos. Bordoada nos professores e atitudes menos próprias passarão a ser parte do passado e objecto de estudo por parte no analista social quando estudar o método de ensino no “antigamente”.
Todo este mecanismo, baseado na Responsabilidade, tratará de extrair o melhor que existe dentro de cada participante no processo: alunos, pais, professores, direcção da escola, e ministério da educação. Se cada um cumprir somente a sua função, grandes passos serão dados.
Portugal, é muito provável que este sistema não responda com sucesso aos casos mais complicados. Mas não é expectável a criação de modelos que respondam a 100% a todas as situações geradas pelas naturais complexidades dos sistemas sociais. Se o modelo responder com sucesso a 80% a 90% do nosso tecido educativo isso já seria muito bom… e muito mais barato.
Quanto aos casos mais complicados, escolas especiais teriam de ser criadas. Que não falte apoio aos casos mais complicados ao nível de equipas multidisciplinares. Assim que estas crianças / adolescentes estiverem em boas condições comportamentais então poder-se-á proceder à sua migração para as outras escolas. Trate-se o que é específico sem complexos e com a especificidade requerida. E lembremo-nos, com o que se pouparia com o cheque-educação poder-se-ia financiar este tipo de acompanhamento específico.
Portugal, não podes deixar que o corporativismo e os burocratas te dizimem. A educação de hoje não é mais que a tua fotografia no futuro. Não há professor ou burocrata que possa impedir o que tem de ser feito.
Portugal, o ponto de partida para a tua solução na educação já tem nome. Chama-se: cheque educação. A ideia não é nova. Basicamente consiste em entregares um cheque num determinado valor a cada encarregado de educação por cada filho. Este cheque será nominativo (com o nome do filho) e só poderá ser utilizado para comprar o serviço de educação numa escola aprovada pelo ministério. Os pais por sua vez serão livres de colocar os seus filhos nas escolas que entenderem ser aquelas que melhor podem servir os projectos educativos que têm para os seus filhos.
As escolas terão de ser dotadas de autonomia acrescida, sendo que o director máximo passaria a deter o poder de escolher os professores que bem entender, bem como aceitar os alunos que bem entender. O seu sucesso dependerá da sua capacidade de obtenção de resultados. As suas receitas dependerão da sua capacidade de atrair alunos, e isso dependerá da maneira como souber criar valor com base no modo de combinação de recursos que terá a possibilidade de escolher. Neste modelo os professores terão todo o estímulo na adopção de mecanismos que, continuadamente, lhes permitam melhorar a sua performance de modo a pretenderem sempre seguir no pelotão da frente. Assim se vai eleva a qualidade do ensino em geral.
Os pais, de cheque na mão, sentirão o poder nas suas mãos e gozarão sentimentos de liberdade, e, ao “votar” com as suas escolhas, emanarão os sinais necessários que fazem dos “sistemas abertos” aqueles onde o feedback potencia a melhoria dos bens e serviços prestados.
Portugal, terás alunos inteirados de que a sua inclusão da escola depende do seu comportamento, pelo que passarão com naturalidade a ter comportamentos necessários à sua correcta formação como cidadãos. Bordoada nos professores e atitudes menos próprias passarão a ser parte do passado e objecto de estudo por parte no analista social quando estudar o método de ensino no “antigamente”.
Todo este mecanismo, baseado na Responsabilidade, tratará de extrair o melhor que existe dentro de cada participante no processo: alunos, pais, professores, direcção da escola, e ministério da educação. Se cada um cumprir somente a sua função, grandes passos serão dados.
Portugal, é muito provável que este sistema não responda com sucesso aos casos mais complicados. Mas não é expectável a criação de modelos que respondam a 100% a todas as situações geradas pelas naturais complexidades dos sistemas sociais. Se o modelo responder com sucesso a 80% a 90% do nosso tecido educativo isso já seria muito bom… e muito mais barato.
Quanto aos casos mais complicados, escolas especiais teriam de ser criadas. Que não falte apoio aos casos mais complicados ao nível de equipas multidisciplinares. Assim que estas crianças / adolescentes estiverem em boas condições comportamentais então poder-se-á proceder à sua migração para as outras escolas. Trate-se o que é específico sem complexos e com a especificidade requerida. E lembremo-nos, com o que se pouparia com o cheque-educação poder-se-ia financiar este tipo de acompanhamento específico.
Portugal, não podes deixar que o corporativismo e os burocratas te dizimem. A educação de hoje não é mais que a tua fotografia no futuro. Não há professor ou burocrata que possa impedir o que tem de ser feito.
Valor económico individual
DOMINGO, 26 DE DEZEMBRO DE 2010
Em conversa com um amigo empresário íamos discorrendo sobre as faculdades do Português como trabalhador. Aparte do clássico, e já estafado “os nossos melhores são tão bons ou melhores que os melhores deste mundo”, falávamos sobre uma camada de Portugueses que pouco ou nada produzem. Sobre estes não tenho conhecimentos profundos quanto à dimensão do seu valor económico individual, embora possua algumas suspeitas. Mas este meu amigo afiançava-me, por experiência própria, que existem Portugueses que pura e simplesmente não produzem. Atónito, ia apelando para me dar mais exemplos. E veio mais um, dando-me o exemplo do seu irmão, também ele empresário numa companhia agrícola Alentejana junto à fronteira com Espanha, onde me dizia que todos os trabalhadores que com ele trabalham são Espanhóis pelo facto de serem bem mais produtivos. Diz-me ele que por aquelas bandas não arranja trabalhadores Portugueses responsáveis e produtivos.
Olhando para muitos dos “arrumadores de carros”, pessoas que na grande maioria, e aos meus olhos, não darem sinais de serem altamente eficientes seja lá em que actividade for, pensando nos que fazem do exercício o RSI a sua principal actividade, imaginando os empatas existentes por aí, nomeadamente na Função Pública, arrisco que são todos pessoas que dão pouco ou nada à economia. Quando não subtraem… Especulo se toda essa mole poderá de algum modo chegar aos 20% da população. Será?
O meu feeling diz-me que sim. Aprioristicamente haveria algo de insondável no facto de muitos imigrantes arranjarem trabalho com facilidade. Mas aqueles supermercados e mercearias de Aljezur que empregam muitos trabalhadores vindos de Leste de sorriso na cara e eficiência quanto baste ao invés de empregarem Portugueses com ar vago e respiração lenta, podem denunciar muita coisa. Os dois trabalhadores Romenos que iam à minha casa de férias onde me encontrava para tratar da piscina e do jardim, afáveis e com gosto no trabalho, colidiam em muito com o ar abrutalhado e meio rasca de alguns cidadãos lusos que também por lá vão respirando, só consolidam o que já ia especulando.
Numa quinta perto do Fundão uma amiga que por lá vive diz-me que os Portugueses se consideram muito acima dos trabalhos da apanha da fruta. Alguns Ucranianos são quem se presta a essa função.
Numa pequena empresa de produção alimentar em Cascais sei que (na altura) já não havia trabalhadores Portugueses. Consideravam-se “acima” dos outros. Os “outros” são Brasileiros, maioritariamente, e Argentinos. A minha amiga empresária diz que fica confusa com a atitude lusitana de fidalgo falido. Ela que durante anos fez trabalhos que muitos desses “fidalgos” se recusam a fazer.
Outro amigo empresário na zona de Olhão enaltecia um empresário Ucraniano que por lá anda e ao que segundo parece anda a “fazer” coisas por lá ao invés dos locais que se “queixam” amargamente das agruras desta vida.
Por princípio sigo a regra que se aceitam os trabalhos que existem no caso de não estarem disponíveis aqueles que se querem. E que devemos ter sempre como pano de fundo que as habilitações possuídas em muito podem condicionar o leque de trabalhos disponíveis.
Portugueses, a sobrevivência económica é algo que devemos perseguir nesta vida. Para isso temos que ter valor económico, pelo menos o mínimo para responder a essa mesma sobrevivência. Isso é o mínimo a que temos que conseguir responder. Podemos não ter as habilitações necessárias, mas caramba, o mínimo que temos que ter é atitude. Pelo menos em dose suficiente que nos permita sobreviver economicamente.
Aos 20% direi: cuidado que o mundo mudou e que os outros 80% andam a ficar fartos de vocês. Enxerguem-se.
Em conversa com um amigo empresário íamos discorrendo sobre as faculdades do Português como trabalhador. Aparte do clássico, e já estafado “os nossos melhores são tão bons ou melhores que os melhores deste mundo”, falávamos sobre uma camada de Portugueses que pouco ou nada produzem. Sobre estes não tenho conhecimentos profundos quanto à dimensão do seu valor económico individual, embora possua algumas suspeitas. Mas este meu amigo afiançava-me, por experiência própria, que existem Portugueses que pura e simplesmente não produzem. Atónito, ia apelando para me dar mais exemplos. E veio mais um, dando-me o exemplo do seu irmão, também ele empresário numa companhia agrícola Alentejana junto à fronteira com Espanha, onde me dizia que todos os trabalhadores que com ele trabalham são Espanhóis pelo facto de serem bem mais produtivos. Diz-me ele que por aquelas bandas não arranja trabalhadores Portugueses responsáveis e produtivos.
Olhando para muitos dos “arrumadores de carros”, pessoas que na grande maioria, e aos meus olhos, não darem sinais de serem altamente eficientes seja lá em que actividade for, pensando nos que fazem do exercício o RSI a sua principal actividade, imaginando os empatas existentes por aí, nomeadamente na Função Pública, arrisco que são todos pessoas que dão pouco ou nada à economia. Quando não subtraem… Especulo se toda essa mole poderá de algum modo chegar aos 20% da população. Será?
O meu feeling diz-me que sim. Aprioristicamente haveria algo de insondável no facto de muitos imigrantes arranjarem trabalho com facilidade. Mas aqueles supermercados e mercearias de Aljezur que empregam muitos trabalhadores vindos de Leste de sorriso na cara e eficiência quanto baste ao invés de empregarem Portugueses com ar vago e respiração lenta, podem denunciar muita coisa. Os dois trabalhadores Romenos que iam à minha casa de férias onde me encontrava para tratar da piscina e do jardim, afáveis e com gosto no trabalho, colidiam em muito com o ar abrutalhado e meio rasca de alguns cidadãos lusos que também por lá vão respirando, só consolidam o que já ia especulando.
Numa quinta perto do Fundão uma amiga que por lá vive diz-me que os Portugueses se consideram muito acima dos trabalhos da apanha da fruta. Alguns Ucranianos são quem se presta a essa função.
Numa pequena empresa de produção alimentar em Cascais sei que (na altura) já não havia trabalhadores Portugueses. Consideravam-se “acima” dos outros. Os “outros” são Brasileiros, maioritariamente, e Argentinos. A minha amiga empresária diz que fica confusa com a atitude lusitana de fidalgo falido. Ela que durante anos fez trabalhos que muitos desses “fidalgos” se recusam a fazer.
Outro amigo empresário na zona de Olhão enaltecia um empresário Ucraniano que por lá anda e ao que segundo parece anda a “fazer” coisas por lá ao invés dos locais que se “queixam” amargamente das agruras desta vida.
Por princípio sigo a regra que se aceitam os trabalhos que existem no caso de não estarem disponíveis aqueles que se querem. E que devemos ter sempre como pano de fundo que as habilitações possuídas em muito podem condicionar o leque de trabalhos disponíveis.
Portugueses, a sobrevivência económica é algo que devemos perseguir nesta vida. Para isso temos que ter valor económico, pelo menos o mínimo para responder a essa mesma sobrevivência. Isso é o mínimo a que temos que conseguir responder. Podemos não ter as habilitações necessárias, mas caramba, o mínimo que temos que ter é atitude. Pelo menos em dose suficiente que nos permita sobreviver economicamente.
Aos 20% direi: cuidado que o mundo mudou e que os outros 80% andam a ficar fartos de vocês. Enxerguem-se.
Mar e Agricultura
DOMINGO, 19 DE DEZEMBRO DE 2010
É muito impressionante como abandonámos o Mar e a Agricultura. Dizimámos a nossa frota pesqueira e fugimos do campo. Tudo a troco de uns dinheiros vindos de Bruxelas. Claro está que a mentalidade socialista (PSD incluído), embevecida pelas estatísticas que determinam que a terciarização da economia é sinal de desenvolvimento e de que o sector primário é coisa do clube dos subdesenvolvidos, ia largando foguetes pela aparente afluência que esse dinheiro proporcionava. E o fácil crédito então disponível, e ao preço da chuva, fazia com que nos considerássemos “bestiais” e merecedores do céu na terra sem para isso considerarmos necessário tratar de fazer decentemente o trabalho de casa.
Nestes tempos que agora correm, e aos olhos dos “modernos”, anda tudo a correr mal. Aos olhos dos humildes e dos constantes trata-se somente da razão trazida pela mão do tempo. Com défices grandes e com maus hábitos adquiridos iremos ter muita dificuldade em retornar a execução de actividades que passámos a considerar de segunda. Mas é uma fatalidade. Retornaremos ao campo e à agricultura, quer o queiramos, quer não o queiramos. A vontade não é ainda muita, mas não tardaremos a levar um empurrão da extrema necessidade.
Coisas há onde a necessidade chega onde não chega a razão.
É muito impressionante como abandonámos o Mar e a Agricultura. Dizimámos a nossa frota pesqueira e fugimos do campo. Tudo a troco de uns dinheiros vindos de Bruxelas. Claro está que a mentalidade socialista (PSD incluído), embevecida pelas estatísticas que determinam que a terciarização da economia é sinal de desenvolvimento e de que o sector primário é coisa do clube dos subdesenvolvidos, ia largando foguetes pela aparente afluência que esse dinheiro proporcionava. E o fácil crédito então disponível, e ao preço da chuva, fazia com que nos considerássemos “bestiais” e merecedores do céu na terra sem para isso considerarmos necessário tratar de fazer decentemente o trabalho de casa.
Nestes tempos que agora correm, e aos olhos dos “modernos”, anda tudo a correr mal. Aos olhos dos humildes e dos constantes trata-se somente da razão trazida pela mão do tempo. Com défices grandes e com maus hábitos adquiridos iremos ter muita dificuldade em retornar a execução de actividades que passámos a considerar de segunda. Mas é uma fatalidade. Retornaremos ao campo e à agricultura, quer o queiramos, quer não o queiramos. A vontade não é ainda muita, mas não tardaremos a levar um empurrão da extrema necessidade.
Coisas há onde a necessidade chega onde não chega a razão.
Qual será a questão?
SÁBADO, 18 DE DEZEMBRO DE 2010
Portugal tem sido sujeito nos últimos anos a uma sangria muito grande de licenciados. Embora nos dois últimos anos essa sangria tenha sido estancada de certa forma pelo facto de a crise financeira ter estado em todo lado, é fácil de prever que doravante irá haver uma segunda vaga de emigração de cérebros devido à retoma mundial e ao fatal decréscimo das condições de vida em Portugal.
Por vezes questiono-me: quem pertence à melhor cepa? Os que ficam ou os que vão? Curta declaração de interesses: eu sou dos que já fui. Existirão argumentos para os dois lados. Será válido dizer que os que vão são os de segunda linha porque não foram os escolhidos para as poucas vagas existentes. Mas também será válido dizer que os que vão são os inconformados e pouco dados a aceitar o modelo laboral e de recompensa em vigor em Portugal.
Há ainda um argumento semi-oculto. É o argumento cultural. Desenvolvemos um jeito muito peculiar de relacionamento no trabalho, onde parece que a familiaridade é bem mais recompensada que a relação distante mas profissional. Não existe fronteira entre o nosso mundo e a porta da empresa. Actuamos no ambiente de trabalho como fora dele. E pior do que isso tendemos a transportar os nossos conceitos de divisão social determinados pelo volume da conta bancária na relação de trabalho. Neste particular é muito impressionante o evidente pedantismo do “patrão” português.
Decorrente do parágrafo anterior, seria benéfico uma grande dose de inconformismo no nosso reino laboral. Estou muito pouco certo de que os que ficam o tenham em boa quantidade. Mesmo o melhor recém-licenciado sabe que a porta que lhe deu entrada lhe poder servir de saída se depressa não aprender “como é que as coisas são”. Ele sabe isso perfeitamente pois o seu “patrão” cedo lhe “passa a mensagem” de como as coisas são feitas no mundo do trabalho em Portugal, e ele, semi-tolhido, e apercebendo-se da realidade, depressa toma a sua decisão conjuntamente com a ajuda imprescindível da sua noiva Manuela com quem conta povoar um pequeno ninho. E a Manuela, com o seu jeito de musa lusitana, cedo lhe vai passando a mensagem que o mundo fora do mundo de trabalho precisa do mundo do trabalho. E que ele só tem que se preocupar com o rendimento porque ela trata de tudo o resto. Embora possuidor de cérebro capaz de resolver qualquer complicado algoritmo ou complexa questão de Direito, cercado por todos os lados e com bom sol como conselheiro, o nosso aluno de primeira linha cedo tomou a decisão sem sequer se ter apercebido.
Estando já lá, de lá mais não sai, ainda que tenha sido aluno de 18 ou 19. Não será fácil fazer frente a uma pessoa inteligente recheada de defeitos culturais. Mais tarde, e já totalmente rendido, começa a apreciar as delícias de bom vinho e de boas escapadelas que a sua volumosa carteira viabiliza. A partir dos 40 já nada poderá ser feito: Alea jacta est.
Para Portugal, que é o que me interessa, direi que a questão não será “quem são os melhores?”. Antes será “quem possui inconformismo em maior dose de que tanto precisamos?” Para esta última pergunta sei eu bem onde está a resposta. Só não sei quando eles virão.
P.F.Drucker mais do que uma vez escreveu que as melhores organizações são aquelas onde o vulgar cidadão faz coisas extraordinárias.
Para isso não preciso de génios. Preciso antes de inconformados.
Portugal tem sido sujeito nos últimos anos a uma sangria muito grande de licenciados. Embora nos dois últimos anos essa sangria tenha sido estancada de certa forma pelo facto de a crise financeira ter estado em todo lado, é fácil de prever que doravante irá haver uma segunda vaga de emigração de cérebros devido à retoma mundial e ao fatal decréscimo das condições de vida em Portugal.
Por vezes questiono-me: quem pertence à melhor cepa? Os que ficam ou os que vão? Curta declaração de interesses: eu sou dos que já fui. Existirão argumentos para os dois lados. Será válido dizer que os que vão são os de segunda linha porque não foram os escolhidos para as poucas vagas existentes. Mas também será válido dizer que os que vão são os inconformados e pouco dados a aceitar o modelo laboral e de recompensa em vigor em Portugal.
Há ainda um argumento semi-oculto. É o argumento cultural. Desenvolvemos um jeito muito peculiar de relacionamento no trabalho, onde parece que a familiaridade é bem mais recompensada que a relação distante mas profissional. Não existe fronteira entre o nosso mundo e a porta da empresa. Actuamos no ambiente de trabalho como fora dele. E pior do que isso tendemos a transportar os nossos conceitos de divisão social determinados pelo volume da conta bancária na relação de trabalho. Neste particular é muito impressionante o evidente pedantismo do “patrão” português.
Decorrente do parágrafo anterior, seria benéfico uma grande dose de inconformismo no nosso reino laboral. Estou muito pouco certo de que os que ficam o tenham em boa quantidade. Mesmo o melhor recém-licenciado sabe que a porta que lhe deu entrada lhe poder servir de saída se depressa não aprender “como é que as coisas são”. Ele sabe isso perfeitamente pois o seu “patrão” cedo lhe “passa a mensagem” de como as coisas são feitas no mundo do trabalho em Portugal, e ele, semi-tolhido, e apercebendo-se da realidade, depressa toma a sua decisão conjuntamente com a ajuda imprescindível da sua noiva Manuela com quem conta povoar um pequeno ninho. E a Manuela, com o seu jeito de musa lusitana, cedo lhe vai passando a mensagem que o mundo fora do mundo de trabalho precisa do mundo do trabalho. E que ele só tem que se preocupar com o rendimento porque ela trata de tudo o resto. Embora possuidor de cérebro capaz de resolver qualquer complicado algoritmo ou complexa questão de Direito, cercado por todos os lados e com bom sol como conselheiro, o nosso aluno de primeira linha cedo tomou a decisão sem sequer se ter apercebido.
Estando já lá, de lá mais não sai, ainda que tenha sido aluno de 18 ou 19. Não será fácil fazer frente a uma pessoa inteligente recheada de defeitos culturais. Mais tarde, e já totalmente rendido, começa a apreciar as delícias de bom vinho e de boas escapadelas que a sua volumosa carteira viabiliza. A partir dos 40 já nada poderá ser feito: Alea jacta est.
Para Portugal, que é o que me interessa, direi que a questão não será “quem são os melhores?”. Antes será “quem possui inconformismo em maior dose de que tanto precisamos?” Para esta última pergunta sei eu bem onde está a resposta. Só não sei quando eles virão.
P.F.Drucker mais do que uma vez escreveu que as melhores organizações são aquelas onde o vulgar cidadão faz coisas extraordinárias.
Para isso não preciso de génios. Preciso antes de inconformados.
Por vezes questiono-me
TERÇA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2010
Por vezes questiono-me se os Portugueses percebem o que se está a passar em Portugal e no mundo. Quando vou falando com as pessoas vou ficando com a sensação que não querem perceber o que se passa e não querem ouvir atentamente quem percebe o que se está a passar. Suspeito que se trata de um mecanismo defensivo onde o medo de encarar uma realidade fatalmente correctora dos dislates financeiros em que nos enfiamos nos últimos 25 anos impele-nos para uma negação da própria realidade. É um desligar e deixa andar muito típico dos espíritos amolecidos e atordoados pela ilusão inculcada por perfis de meia tigela. É uma recusa no enfrentar da mediocridade por que se optou, no buraco em que se caiu por escolha própria.
Por vezes questiono-me até que ponto o argumento é útil. Será que a entrada da realidade pela casa a dentro é o melhor dos remédios, ainda que isso implique viver sob o pior dos cenários. Será possível o espírito tolher-se a um nível muito superior à grandeza da razão? Será que o espírito e a razão são aspectos inconciliáveis do nosso ser individual e colectivo. Que esquizofrenia é esta de “lutar” pelo status quo na função pública quando isso significa que o que se propõe de sacrifício é muito inferior relativamente às consequências de nada se fazer. Pois não há muitas pessoas a quem se tem que amputar algo de modo a salvar o corpo?
Por vezes questiono-me porque ainda se acredita que o modelo do emprego para a vida é o melhor modelo de sociedade. Será que não se percebe que as sociedades mais dinâmicas são aquelas onde o nervo, a aventura, o querer, o derrubar ideias pré-definidas, a compreensão, a persistência, a inovação, o engenho, a discriminação positiva, a solidariedade, a competição, são os valores que se pretendem estimular. Será que ainda se acredita que se pode querer ter um nível de um Alemão, Sueco, Americano, Japonês, Sul Coreano num ambiente super corporativo onde todos são recompensados da mesma forma independentemente da sua performance?
Por vezes questiono-me porque fomos tão estúpidos em acreditar que poderíamos ser tão desenvolvidos como os países nórdicos e não nos organizarmos como eles, não estudarmos como eles, não ter o mesmo nível de senso sobre o endividamento como eles, não perceber que primeiro produz-se e depois é que se goza o que se ganhou com isso. Popularmente diz-se, e muito bem, “não pôr a carroça à frente dos bois”. Por vezes questiono-me porque é que pensávamos que conseguiríamos convencer os Alemães a desatar a consumir mais de modo a estimular as economias do Sul da Europa. Será que ainda não percebemos que estávamos a convidar um povo a cair precisamente no erro que parte do mundo Ocidental caiu? E será que não percebemos que o Alemão entendeu isso perfeitamente? E que ainda por cima essa atitude vai no sentido contrário do seu perfil.
Por vezes questiono-me se não merecemos bem o que agora nos tocou à porta e que ainda mal começou. É mau e vai doer muito a muita gente. Mas para quem votou constantemente mal, para quem se recusa simplesmente a ir votar, para quem acreditou que poderia viver à mama dos outros, questiono-me se não merece apanhar com o que está a acontecer. Eu sei que nos países nórdicos também há muita abstenção. Mas também sei que os partidos de esquerda não têm 20% dos votos e que a direita está muito bem representada. Votar é uma responsabilidade muito grande e maus governos em muito nos podem afectar.
Por vezes ainda me questiono, quando é que mudaremos de atitude?
Por vezes questiono-me se os Portugueses percebem o que se está a passar em Portugal e no mundo. Quando vou falando com as pessoas vou ficando com a sensação que não querem perceber o que se passa e não querem ouvir atentamente quem percebe o que se está a passar. Suspeito que se trata de um mecanismo defensivo onde o medo de encarar uma realidade fatalmente correctora dos dislates financeiros em que nos enfiamos nos últimos 25 anos impele-nos para uma negação da própria realidade. É um desligar e deixa andar muito típico dos espíritos amolecidos e atordoados pela ilusão inculcada por perfis de meia tigela. É uma recusa no enfrentar da mediocridade por que se optou, no buraco em que se caiu por escolha própria.
Por vezes questiono-me até que ponto o argumento é útil. Será que a entrada da realidade pela casa a dentro é o melhor dos remédios, ainda que isso implique viver sob o pior dos cenários. Será possível o espírito tolher-se a um nível muito superior à grandeza da razão? Será que o espírito e a razão são aspectos inconciliáveis do nosso ser individual e colectivo. Que esquizofrenia é esta de “lutar” pelo status quo na função pública quando isso significa que o que se propõe de sacrifício é muito inferior relativamente às consequências de nada se fazer. Pois não há muitas pessoas a quem se tem que amputar algo de modo a salvar o corpo?
Por vezes questiono-me porque ainda se acredita que o modelo do emprego para a vida é o melhor modelo de sociedade. Será que não se percebe que as sociedades mais dinâmicas são aquelas onde o nervo, a aventura, o querer, o derrubar ideias pré-definidas, a compreensão, a persistência, a inovação, o engenho, a discriminação positiva, a solidariedade, a competição, são os valores que se pretendem estimular. Será que ainda se acredita que se pode querer ter um nível de um Alemão, Sueco, Americano, Japonês, Sul Coreano num ambiente super corporativo onde todos são recompensados da mesma forma independentemente da sua performance?
Por vezes questiono-me porque fomos tão estúpidos em acreditar que poderíamos ser tão desenvolvidos como os países nórdicos e não nos organizarmos como eles, não estudarmos como eles, não ter o mesmo nível de senso sobre o endividamento como eles, não perceber que primeiro produz-se e depois é que se goza o que se ganhou com isso. Popularmente diz-se, e muito bem, “não pôr a carroça à frente dos bois”. Por vezes questiono-me porque é que pensávamos que conseguiríamos convencer os Alemães a desatar a consumir mais de modo a estimular as economias do Sul da Europa. Será que ainda não percebemos que estávamos a convidar um povo a cair precisamente no erro que parte do mundo Ocidental caiu? E será que não percebemos que o Alemão entendeu isso perfeitamente? E que ainda por cima essa atitude vai no sentido contrário do seu perfil.
Por vezes questiono-me se não merecemos bem o que agora nos tocou à porta e que ainda mal começou. É mau e vai doer muito a muita gente. Mas para quem votou constantemente mal, para quem se recusa simplesmente a ir votar, para quem acreditou que poderia viver à mama dos outros, questiono-me se não merece apanhar com o que está a acontecer. Eu sei que nos países nórdicos também há muita abstenção. Mas também sei que os partidos de esquerda não têm 20% dos votos e que a direita está muito bem representada. Votar é uma responsabilidade muito grande e maus governos em muito nos podem afectar.
Por vezes ainda me questiono, quando é que mudaremos de atitude?
Está na hora de Portugal utilizar a democracia
SEGUNDA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO DE 2010
A democracia serve para um povo optar qual o caminho que pretende para o futuro. As eleições servem esse propósito. Os partidos têm um poder desmesuradamente grande para as capacidades que consigo carregam. Estão neste momento literalmente atulhados de gente muito pouco recomendável e ao serviço de muitas agendas mais ou menos invisíveis. Por isso a escolha que fazemos é muito importante. Como se tem provado que há muito bandido em todos os partidos, há que pelo menos não errar no voto, ou seja, temos que votar naquele partido que oferecer melhor política e sistema económico e financeiro para o país. A prova disto é que o preço de más escolhas políticas dos últimos 25 anos está agora a saltar à vista.
As duas próximas eleições legislativas são das mais importantes desde que estamos, muito felizmente, em Democracia. Basicamente vamos escolher em que termos se fica na zona euro ou se saímos de lá. Há três hipóteses:
1. Saímos da zona euro se escolhermos uns trastes para nos governarmos. Cabe aqui o PS de Sócrates e os inconscientes de esquerda. Como já muito bom economista da nossa praça explicou esta opção conduz-nos para uma verdadeira catástrofe económica e social nos cinco anos que se seguem à saída do euro. E “catástrofe” não é um conceito exagerado para o que se seguiria, talvez até seja parcimonioso. Neste cenário, uns dez anos depois, talvez até nos “safemos”, mas seremos sempre genericamente pobres.
2. Ficamos na zona euro em modo de cozedora em lume brando. Para isso votemos no PSD ou no actual CDS. Por lume brando quero dizer que ficamos no euro a reboque de políticas ditadas por Berlim e Bruxelas, o que quer dizer que funcionaremos acocorados e segundo ditames que não seguem nenhum rumo específico, ou seja, sujeitos a medidas destituídas de fundamento político e com o único objectivo de manter as contas controladas (com pequenos excedentes, obviamente). Garantimos um nível de pobreza razoável e seguramente tendencialmente crescente. Lá para 2050 talvez as gerações seguintes possam ver a luz ao fundo do túnel.
3. Ficamos na zona euro mas tomamos medidas duras para os próximos cinco ou seis anos que nos permitam sanear financeiramente. Para isso há que votar num outro CDS que ainda não apareceu. Corte nos ordenados da função pública na ordem dos 20%, subida do imposto automóvel, produtos petrolíferos e tabaco (na ordem dos 40 ou 50%), e despedimentos genéricos na função pública de quem está a mais. Parece duro, mas medidas desta natureza são um oásis quando comparadas com a catástrofe que ocorreria se saíssemos do euro. É bom que tenhamos isto em muito boa conta.
Segundo a cartilha dos Sócrates & Cª não é recomendável ir pela terceira hipótese porque nenhum povo vota nessas opções. Eu penso de maneira diferente. Se o povo for claramente confrontado com as opções e se tiver “opinion makers” à altura penso que é possível a Democracia nos prestar um excelente serviço. Pelo que leio penso que temos um leque de excelentes “opinion makers”. As nossas universidades têm um batalhão de excelentes pensadores que conhecem bem o que se passa em Portugal. E lá fora temos também muitos professores universitários também conhecedores do que se passa. Toda esta Academia de gente tem escrito artigos de muito bom juízo e que governante que se prezasse leria e sublinharia mais do que uma vez.
Dado que uma mudança de liderança séria e capaz ser muito improvável de acontecer no PS e PSD, resta ao CDS fazer o trabalho de casa. Para isso tem que arranjar uma equipa e substituir a actual liderança. O povo que faça depois o resto com o seu voto.
A democracia serve para um povo optar qual o caminho que pretende para o futuro. As eleições servem esse propósito. Os partidos têm um poder desmesuradamente grande para as capacidades que consigo carregam. Estão neste momento literalmente atulhados de gente muito pouco recomendável e ao serviço de muitas agendas mais ou menos invisíveis. Por isso a escolha que fazemos é muito importante. Como se tem provado que há muito bandido em todos os partidos, há que pelo menos não errar no voto, ou seja, temos que votar naquele partido que oferecer melhor política e sistema económico e financeiro para o país. A prova disto é que o preço de más escolhas políticas dos últimos 25 anos está agora a saltar à vista.
As duas próximas eleições legislativas são das mais importantes desde que estamos, muito felizmente, em Democracia. Basicamente vamos escolher em que termos se fica na zona euro ou se saímos de lá. Há três hipóteses:
1. Saímos da zona euro se escolhermos uns trastes para nos governarmos. Cabe aqui o PS de Sócrates e os inconscientes de esquerda. Como já muito bom economista da nossa praça explicou esta opção conduz-nos para uma verdadeira catástrofe económica e social nos cinco anos que se seguem à saída do euro. E “catástrofe” não é um conceito exagerado para o que se seguiria, talvez até seja parcimonioso. Neste cenário, uns dez anos depois, talvez até nos “safemos”, mas seremos sempre genericamente pobres.
2. Ficamos na zona euro em modo de cozedora em lume brando. Para isso votemos no PSD ou no actual CDS. Por lume brando quero dizer que ficamos no euro a reboque de políticas ditadas por Berlim e Bruxelas, o que quer dizer que funcionaremos acocorados e segundo ditames que não seguem nenhum rumo específico, ou seja, sujeitos a medidas destituídas de fundamento político e com o único objectivo de manter as contas controladas (com pequenos excedentes, obviamente). Garantimos um nível de pobreza razoável e seguramente tendencialmente crescente. Lá para 2050 talvez as gerações seguintes possam ver a luz ao fundo do túnel.
3. Ficamos na zona euro mas tomamos medidas duras para os próximos cinco ou seis anos que nos permitam sanear financeiramente. Para isso há que votar num outro CDS que ainda não apareceu. Corte nos ordenados da função pública na ordem dos 20%, subida do imposto automóvel, produtos petrolíferos e tabaco (na ordem dos 40 ou 50%), e despedimentos genéricos na função pública de quem está a mais. Parece duro, mas medidas desta natureza são um oásis quando comparadas com a catástrofe que ocorreria se saíssemos do euro. É bom que tenhamos isto em muito boa conta.
Segundo a cartilha dos Sócrates & Cª não é recomendável ir pela terceira hipótese porque nenhum povo vota nessas opções. Eu penso de maneira diferente. Se o povo for claramente confrontado com as opções e se tiver “opinion makers” à altura penso que é possível a Democracia nos prestar um excelente serviço. Pelo que leio penso que temos um leque de excelentes “opinion makers”. As nossas universidades têm um batalhão de excelentes pensadores que conhecem bem o que se passa em Portugal. E lá fora temos também muitos professores universitários também conhecedores do que se passa. Toda esta Academia de gente tem escrito artigos de muito bom juízo e que governante que se prezasse leria e sublinharia mais do que uma vez.
Dado que uma mudança de liderança séria e capaz ser muito improvável de acontecer no PS e PSD, resta ao CDS fazer o trabalho de casa. Para isso tem que arranjar uma equipa e substituir a actual liderança. O povo que faça depois o resto com o seu voto.
Portugal, Portugal
QUINTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2010
Portugal, vê bem se abres os teus olhos. Observa bem este mundo onde te encontras e a época histórica onde estás. Isto está cada vez a apertar mais. Acabou-se o tempo das loucuras, da embriaguez dos fundos da CEE e da dívida. Olha bem que já se começa a falar nos corredores do poder que a prazo poderás saltar fora do Euro. E quando falo desses corredores nota bem que eles estão em Bruxelas e maioritariamente em Berlim. Julgas que podes ter défices de 6% ou 7% do PIB eternamente em cima da dívida pública acumulada e sem crescimento do produto? Inocente.
Digo-te, põe-te a pau. Se não passas a ter excedentes daqui a três ou quatro anos acontece uma de duas coisas:
1. Ou sais do Euro
2. Ou tens cá uma comissão qualquer que te impõe aquilo que não queres assumir neste momento
Já sabes, o melhor para ti é ficares no Euro e fazeres já o que tem que ser feito. Já te disse por várias vezes o que é. Se sais do Euro sofres um coice muito maior do que aquele que não queres ter que assumir para lá ficar. Isto é uma questão de racionalidade. Será que a tens? Pensa muito friamente.
Recordo-te que se saíres do Euro o teu escudo entra a desvalorizar uns 25 a 30%. Sabes o que isso significa? Tudo o que é produto importado sobe nessa percentagem. O automóvel que tu tanto adoras e a gasolina que ele precisa de beber estão na primeira fila da grelha. Sobe também quase tudo, pois como importas mais do que exportas és atacado pela inflação. E não penses que os ordenados sobem. Enganas-te. Ficam quase na mesma. Com tanto desempregado por aí há quem esteja disposto a trabalhar por menos.
E não penses que o socialismo te safa. Pelo contrário, ele está a enterrar-te. Ou ainda não percebeste que caminhas passo a passo para uma sociedade socialista. Sim, é isso mesmo. Gloriosamente pobres, atulhados de coesão social, ou melhor de roubo social.
Portugal, pensa bem e segue o homem de juízo. E não tenhas medo destes bandalhos que te governaram nos últimos anos. Sem perderes o respeito pela pessoa, trata-os naquilo onde eles te afectam pelo seu nome. E digo-te que “bandalhos” até é uma forma muito benevolente de o dizer. Corre portanto com eles e percepciona com olhar de lince que há gente séria e capaz de te governar. Acredita que é verdade.
Portugal, vê bem se abres os teus olhos. Observa bem este mundo onde te encontras e a época histórica onde estás. Isto está cada vez a apertar mais. Acabou-se o tempo das loucuras, da embriaguez dos fundos da CEE e da dívida. Olha bem que já se começa a falar nos corredores do poder que a prazo poderás saltar fora do Euro. E quando falo desses corredores nota bem que eles estão em Bruxelas e maioritariamente em Berlim. Julgas que podes ter défices de 6% ou 7% do PIB eternamente em cima da dívida pública acumulada e sem crescimento do produto? Inocente.
Digo-te, põe-te a pau. Se não passas a ter excedentes daqui a três ou quatro anos acontece uma de duas coisas:
1. Ou sais do Euro
2. Ou tens cá uma comissão qualquer que te impõe aquilo que não queres assumir neste momento
Já sabes, o melhor para ti é ficares no Euro e fazeres já o que tem que ser feito. Já te disse por várias vezes o que é. Se sais do Euro sofres um coice muito maior do que aquele que não queres ter que assumir para lá ficar. Isto é uma questão de racionalidade. Será que a tens? Pensa muito friamente.
Recordo-te que se saíres do Euro o teu escudo entra a desvalorizar uns 25 a 30%. Sabes o que isso significa? Tudo o que é produto importado sobe nessa percentagem. O automóvel que tu tanto adoras e a gasolina que ele precisa de beber estão na primeira fila da grelha. Sobe também quase tudo, pois como importas mais do que exportas és atacado pela inflação. E não penses que os ordenados sobem. Enganas-te. Ficam quase na mesma. Com tanto desempregado por aí há quem esteja disposto a trabalhar por menos.
E não penses que o socialismo te safa. Pelo contrário, ele está a enterrar-te. Ou ainda não percebeste que caminhas passo a passo para uma sociedade socialista. Sim, é isso mesmo. Gloriosamente pobres, atulhados de coesão social, ou melhor de roubo social.
Portugal, pensa bem e segue o homem de juízo. E não tenhas medo destes bandalhos que te governaram nos últimos anos. Sem perderes o respeito pela pessoa, trata-os naquilo onde eles te afectam pelo seu nome. E digo-te que “bandalhos” até é uma forma muito benevolente de o dizer. Corre portanto com eles e percepciona com olhar de lince que há gente séria e capaz de te governar. Acredita que é verdade.
País de eventos sim, mas dos pequenos, não dos grandes
QUINTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2010
Penso que Portugal deve ser um país de eventos. Não propriamente para organizar campeonatos do mundo de futebol ou Jogos Olímpicos. Mas sim um país para organizar todo um conjunto de eventos que por aí existem nesse mundo a uma escala muito mais pequena. E se o defendo é pelas seguintes razões fundamentais:
1. Eventos pequenos sobressaltam menos um país pelo facto de o final do mesmo ser compensado pelo começo de um qualquer outro evento.
2. Não existem desculpas para estoirar dinheiro dos contribuintes a torto e a direito. Nos pequenos eventos cada um paga a sua conta.
3. Abrangência de um leque maior de destinatários devido à infinidade de eventos existentes neste mundo.
4. Realização de algo onde somos extraordinários: o afável e fácil relacionamento com o Outro. Reitero o que já tenho escrito, a Globalização é o nosso meio natural.
Cumulativamente existe outra razão de índole mais conjuntural. Nos próximos 30 anos não temos a mínima hipótese de concorrer em muitos mais sectores da economia. E para “Eventos” não é preciso muito. Precisamos de um sorriso na cara, relação afável com o Outro, sol, boa comida, gostar que o estrangeiro diga bem de nós (somos o número 1 do mundo neste capítulo), e espante-se, modéstia. E por vezes bom senso gastronómico. Como escreveu uma vez um conhecido apreciador de vinhos da nossa praça, há que não optar pela linha dura e pôr um Finlandês a comer pezinhos de coentrada.
Se no meio disto aparece um político tonto na fotografia, bom, isso só significa que a expectativa tem reflexo na realidade. Em qualquer fotografia de cerimónia há sempre aquele que aparece meio deslocado, e nada como um político da estirpe dos Sócrates para confirmar este princípio de forma inequívoca e perfeitamente identificável.
Penso que Portugal deve ser um país de eventos. Não propriamente para organizar campeonatos do mundo de futebol ou Jogos Olímpicos. Mas sim um país para organizar todo um conjunto de eventos que por aí existem nesse mundo a uma escala muito mais pequena. E se o defendo é pelas seguintes razões fundamentais:
1. Eventos pequenos sobressaltam menos um país pelo facto de o final do mesmo ser compensado pelo começo de um qualquer outro evento.
2. Não existem desculpas para estoirar dinheiro dos contribuintes a torto e a direito. Nos pequenos eventos cada um paga a sua conta.
3. Abrangência de um leque maior de destinatários devido à infinidade de eventos existentes neste mundo.
4. Realização de algo onde somos extraordinários: o afável e fácil relacionamento com o Outro. Reitero o que já tenho escrito, a Globalização é o nosso meio natural.
Cumulativamente existe outra razão de índole mais conjuntural. Nos próximos 30 anos não temos a mínima hipótese de concorrer em muitos mais sectores da economia. E para “Eventos” não é preciso muito. Precisamos de um sorriso na cara, relação afável com o Outro, sol, boa comida, gostar que o estrangeiro diga bem de nós (somos o número 1 do mundo neste capítulo), e espante-se, modéstia. E por vezes bom senso gastronómico. Como escreveu uma vez um conhecido apreciador de vinhos da nossa praça, há que não optar pela linha dura e pôr um Finlandês a comer pezinhos de coentrada.
Se no meio disto aparece um político tonto na fotografia, bom, isso só significa que a expectativa tem reflexo na realidade. Em qualquer fotografia de cerimónia há sempre aquele que aparece meio deslocado, e nada como um político da estirpe dos Sócrates para confirmar este princípio de forma inequívoca e perfeitamente identificável.
Do Socialismo caseiro ao pobre Socialismo
SEGUNDA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 2010
Portugal anda singularmente a desbravar novos caminhos no Socialismo. Esta história do emprego para a vida que abunda na função pública anda a tramar a geração mais nova e já começou a consolidar um certo tipo de socialismo lusitano. Carregados de direitos adquiridos, de não puderem ser despedidos, e com vencimentos perfeitamente incompatíveis com o nível de produtividade possuído, a geração que anda na casa do 50 aos 60 anos vê neste momento o modelo por que lutou “entrar-lhe pela casa a dentro”. Ou melhor, não é bem “entrar-lhe pela casa a dentro”, é mais “ficar lá por casa”.
Sim, trata-se dos filhos que agora rondam dos 25 aos 30 anos e que não vislumbram a mínima possibilidade de arranjarem trabalho que lhes permitam viver em casa própria de acordo com os novos standards. Nem mesmo se adoptarem uma “modernice” de irem “ver se dá” com a(o) pequena(o) de ocasião. Licenciados a 600 ou 700 euros / mês e a trabalhar demasiadas horas por semana preferem por certo ficar em casa dos pais. Para quê sair e proceder a downgrades radicais se ficar em casa dos pais significa ter acesso a um bem-estar de que não se quer abdicar e que ainda permite curtir minimamente. Com esta opção estes jovens sempre se vão libertando pelo fim de semana da carga de trabalho a que foram sujeitos durante a semana ao invés de terem que cumprir com todas as tarefas caseiras que uma vida a só ou a dois (seja na versão clássica ou na versão “moderna”) sempre implica. Entre ter prazer e diversão ou ter dores de cabeça com contas e limpezas ao fim de semana o jovem licenciado decide com facilidade.
Assim os progenitores destes jovens licenciados vêm o sistema socialista em que acreditaram, e votaram (PSD incluído, obviamente), assumir uma nova versão: o “socialismo caseiro”. Temos pois uma versão bem lusitana de socialismo, todo ele forrado de coesão inter-geracional de fazer corar de inveja o maior teólogo de engenharia social. Nem um Louçã no seu melhor se lembraria de tamanha façanha social. Assim juntos, os pais vão tendo sempre a oportunidade de apreciar por dentro o modelo social por que optaram, enquanto os filhos, também por dentro, vão descobrindo o que efectivamente é um socialismo consolidado e pejado de coesão inter-geracional e de proximidade familiar, que é como quem diz, bem-estar relativo para a geração que se pôde abotoar e pobreza material e falta de perspectiva para a geração à qual já nem sobrou casaco para sequer sonhar abotoar-se.
Perguntar-se-á, o que vira a seguir? Diria que não é difícil de prognosticar. Daqui a poucos anos o jovem já trintão, e já na casa dos 800 euros / mês, cansado de curtir e com alguns impulsos matrimoniais a beliscarem-lhe os genes, começa a equacionar emigrar se para tanto o seu inglês o deixar. Se o não permitir, ou se lhe faltar o ímpeto e a sua promissora cara-metade jogar no campeonato dos 600 euros / mês, trocará então o já traumático “socialismo caseiro” por um “pobre socialismo”. É que agora a evolução dos termos de troca até já compensarão a escolha pois a “noite” já custa mais e um filme no LCD com a cara-metade até iria bem depois de feita a lida da casa e de ter trucidado um bom bife com alho e arroz branco acompanhado por um Monte Velho.
Nesta fase da vida, e conhecendo bem o Socialismo nas suas múltiplas versões evolutivas, o adulto tardio olha agora com um olhar discernido e sabedor sobre o fabuloso sistema social que Abril produziu, e dirá: disto não quero para o meu filho (o único).
E assim Portugal mudará
Portugal anda singularmente a desbravar novos caminhos no Socialismo. Esta história do emprego para a vida que abunda na função pública anda a tramar a geração mais nova e já começou a consolidar um certo tipo de socialismo lusitano. Carregados de direitos adquiridos, de não puderem ser despedidos, e com vencimentos perfeitamente incompatíveis com o nível de produtividade possuído, a geração que anda na casa do 50 aos 60 anos vê neste momento o modelo por que lutou “entrar-lhe pela casa a dentro”. Ou melhor, não é bem “entrar-lhe pela casa a dentro”, é mais “ficar lá por casa”.
Sim, trata-se dos filhos que agora rondam dos 25 aos 30 anos e que não vislumbram a mínima possibilidade de arranjarem trabalho que lhes permitam viver em casa própria de acordo com os novos standards. Nem mesmo se adoptarem uma “modernice” de irem “ver se dá” com a(o) pequena(o) de ocasião. Licenciados a 600 ou 700 euros / mês e a trabalhar demasiadas horas por semana preferem por certo ficar em casa dos pais. Para quê sair e proceder a downgrades radicais se ficar em casa dos pais significa ter acesso a um bem-estar de que não se quer abdicar e que ainda permite curtir minimamente. Com esta opção estes jovens sempre se vão libertando pelo fim de semana da carga de trabalho a que foram sujeitos durante a semana ao invés de terem que cumprir com todas as tarefas caseiras que uma vida a só ou a dois (seja na versão clássica ou na versão “moderna”) sempre implica. Entre ter prazer e diversão ou ter dores de cabeça com contas e limpezas ao fim de semana o jovem licenciado decide com facilidade.
Assim os progenitores destes jovens licenciados vêm o sistema socialista em que acreditaram, e votaram (PSD incluído, obviamente), assumir uma nova versão: o “socialismo caseiro”. Temos pois uma versão bem lusitana de socialismo, todo ele forrado de coesão inter-geracional de fazer corar de inveja o maior teólogo de engenharia social. Nem um Louçã no seu melhor se lembraria de tamanha façanha social. Assim juntos, os pais vão tendo sempre a oportunidade de apreciar por dentro o modelo social por que optaram, enquanto os filhos, também por dentro, vão descobrindo o que efectivamente é um socialismo consolidado e pejado de coesão inter-geracional e de proximidade familiar, que é como quem diz, bem-estar relativo para a geração que se pôde abotoar e pobreza material e falta de perspectiva para a geração à qual já nem sobrou casaco para sequer sonhar abotoar-se.
Perguntar-se-á, o que vira a seguir? Diria que não é difícil de prognosticar. Daqui a poucos anos o jovem já trintão, e já na casa dos 800 euros / mês, cansado de curtir e com alguns impulsos matrimoniais a beliscarem-lhe os genes, começa a equacionar emigrar se para tanto o seu inglês o deixar. Se o não permitir, ou se lhe faltar o ímpeto e a sua promissora cara-metade jogar no campeonato dos 600 euros / mês, trocará então o já traumático “socialismo caseiro” por um “pobre socialismo”. É que agora a evolução dos termos de troca até já compensarão a escolha pois a “noite” já custa mais e um filme no LCD com a cara-metade até iria bem depois de feita a lida da casa e de ter trucidado um bom bife com alho e arroz branco acompanhado por um Monte Velho.
Nesta fase da vida, e conhecendo bem o Socialismo nas suas múltiplas versões evolutivas, o adulto tardio olha agora com um olhar discernido e sabedor sobre o fabuloso sistema social que Abril produziu, e dirá: disto não quero para o meu filho (o único).
E assim Portugal mudará
Modéstia e perseverança
DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010
O meu ilustre e querido amigo Miguel Alvim fala em “desígnio espiritual” como algo que Portugal e os Portugueses necessitam. Não posso estar mais de acordo. Portugal e os Portugueses têm que se encontrar consigo mesmo. Perdoem-me o pleonasmo mas isto merece bastante ênfase. Nestes últimos anos da nossa história perdemo-nos todos na ânsia do ter e do possuir, no ornamento pífio, na lógica do BMW, numa escalada obscena de ostentação parola e de novo rico, na perdição por agendas obscenas que esterilizam uma sociedade, na gabarolice de irmos ser Nórdicos ao virar da esquina sem tomar os passos e as medidas em conformidade. Perdemo-nos em acreditar que a visão socializante e de compadrio misturada com o jeitinho e boa vontade de Bruxelas nos abriria portas às delícias deste mundo. Perdemo-nos em apostar nos arrogantes com promessa debaixo da manga, em políticos de meia-tigela e sem um pingo de amor por Portugal. Sim, sem um pingo de sentimento pela bandeira. Nunca vi um político neste País cantar o hino com alegria ou emoção. Perdemo-nos a vilipendiar a Igreja despudoradamente e gratuitamente. Pessoas de bem ainda que não crentes, e há-as aos pontapés por aí, respeitam a Igreja e o seu significado histórico no nosso Portugal. Perdemo-nos em ouvir os medíocres e em desdenhar o sapiente seguindo o critério da fotogenia e da moda. Perdemo-nos em desdenhar o empreendedor e em aplaudir o espertalhão. Perdemo-nos em querer eternamente ser mais espertos do que o próximo e em tramá-lo em vez de inquirir porque é que o próximo está a executar e pensar bem e daí tirar as devidas ilações. Perdemo-nos na ilusão de julgarmo-nos bestiais por termos imigrantes diplomados a servirem-nos ao invés de nos questionarmos se não haveria algo de errado no facto. Perdemo-nos na obtusidade de olharmos (ainda) arrogantemente o Chinês, O Indiano, o Brasileiro, etc, com inferioridade (ainda, mas já menos), em vez de o considerarmos como um justo ser humano que mais não quer do que sentar à mesa com os outros. Ainda por cima sendo os credores deste mundo.
Portugal o que viveis agora e o que viverás nos próximos anos é o resultado do acumular de tantos e tantos erros. Ireis pagar por isso, não só em trabalhos que os teus constituintes não queriam efectuar anteriormente, como também em dinheiro, pois que as dívidas são coisas para serem honradas. Sim, honra, essa coisa que escondestes a troco de uma opulência efémera mas que te perseguirá até ao momento em que tu ou os teus descendentes a resolverem honrar.
Por isso é bom que te cubras bem de espírito de forma a te curares da perdição em que te enfiaste. E se fores minimamente pragmático verás até que isso vai bem com a modéstia e perseverança que tanta falta te vão fazer.
Sim, tens futuro, mas agarra-o senão ele foge
O meu ilustre e querido amigo Miguel Alvim fala em “desígnio espiritual” como algo que Portugal e os Portugueses necessitam. Não posso estar mais de acordo. Portugal e os Portugueses têm que se encontrar consigo mesmo. Perdoem-me o pleonasmo mas isto merece bastante ênfase. Nestes últimos anos da nossa história perdemo-nos todos na ânsia do ter e do possuir, no ornamento pífio, na lógica do BMW, numa escalada obscena de ostentação parola e de novo rico, na perdição por agendas obscenas que esterilizam uma sociedade, na gabarolice de irmos ser Nórdicos ao virar da esquina sem tomar os passos e as medidas em conformidade. Perdemo-nos em acreditar que a visão socializante e de compadrio misturada com o jeitinho e boa vontade de Bruxelas nos abriria portas às delícias deste mundo. Perdemo-nos em apostar nos arrogantes com promessa debaixo da manga, em políticos de meia-tigela e sem um pingo de amor por Portugal. Sim, sem um pingo de sentimento pela bandeira. Nunca vi um político neste País cantar o hino com alegria ou emoção. Perdemo-nos a vilipendiar a Igreja despudoradamente e gratuitamente. Pessoas de bem ainda que não crentes, e há-as aos pontapés por aí, respeitam a Igreja e o seu significado histórico no nosso Portugal. Perdemo-nos em ouvir os medíocres e em desdenhar o sapiente seguindo o critério da fotogenia e da moda. Perdemo-nos em desdenhar o empreendedor e em aplaudir o espertalhão. Perdemo-nos em querer eternamente ser mais espertos do que o próximo e em tramá-lo em vez de inquirir porque é que o próximo está a executar e pensar bem e daí tirar as devidas ilações. Perdemo-nos na ilusão de julgarmo-nos bestiais por termos imigrantes diplomados a servirem-nos ao invés de nos questionarmos se não haveria algo de errado no facto. Perdemo-nos na obtusidade de olharmos (ainda) arrogantemente o Chinês, O Indiano, o Brasileiro, etc, com inferioridade (ainda, mas já menos), em vez de o considerarmos como um justo ser humano que mais não quer do que sentar à mesa com os outros. Ainda por cima sendo os credores deste mundo.
Portugal o que viveis agora e o que viverás nos próximos anos é o resultado do acumular de tantos e tantos erros. Ireis pagar por isso, não só em trabalhos que os teus constituintes não queriam efectuar anteriormente, como também em dinheiro, pois que as dívidas são coisas para serem honradas. Sim, honra, essa coisa que escondestes a troco de uma opulência efémera mas que te perseguirá até ao momento em que tu ou os teus descendentes a resolverem honrar.
Por isso é bom que te cubras bem de espírito de forma a te curares da perdição em que te enfiaste. E se fores minimamente pragmático verás até que isso vai bem com a modéstia e perseverança que tanta falta te vão fazer.
Sim, tens futuro, mas agarra-o senão ele foge
Zangados, mas há solução
DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2010
Desde há 10 anos que venho notando que os Portugueses estão cada vez mais zangados. Não é difícil de perceber porquê. Pensavam todos que iam ter nível de vida Nórdico e afinal de contas vamos inclusivamente baixar de nível de vida devido ao acumular de dívida que nos cegava e nos ditava objectivos irrealistas face à produtividade e escolhas políticas. Em cima disso vamos ter que aceitar trabalhos que desdenhávamos, socialmente desprestigiantes cá no burgo (tolice muito lusitana e que a realidade tratará de dobrar), e a um preço inferior ao que se pagava noutros tempos.
A solução é muito simples, trata-se somente de redimensionar as expectativas e viver em conformidade com elas. Exercício que até pode ser difícil e carregado de desilusão, mas totalmente impossível de tornear. Se existem dúvidas tome-se nota do seguinte testemunho de um velho ditado Italiano que expressava muita da desilusão dos recém-chegados aos Estados Unidos no século XIX.
"I came to America because I heard the streets were paved with gold. When I got here, found out three things: First, the streets weren't paved with gold; second, they weren't paved at all: and third, I was expected to pave them."
Portugueses, a realidade é poderosíssima.
Desde há 10 anos que venho notando que os Portugueses estão cada vez mais zangados. Não é difícil de perceber porquê. Pensavam todos que iam ter nível de vida Nórdico e afinal de contas vamos inclusivamente baixar de nível de vida devido ao acumular de dívida que nos cegava e nos ditava objectivos irrealistas face à produtividade e escolhas políticas. Em cima disso vamos ter que aceitar trabalhos que desdenhávamos, socialmente desprestigiantes cá no burgo (tolice muito lusitana e que a realidade tratará de dobrar), e a um preço inferior ao que se pagava noutros tempos.
A solução é muito simples, trata-se somente de redimensionar as expectativas e viver em conformidade com elas. Exercício que até pode ser difícil e carregado de desilusão, mas totalmente impossível de tornear. Se existem dúvidas tome-se nota do seguinte testemunho de um velho ditado Italiano que expressava muita da desilusão dos recém-chegados aos Estados Unidos no século XIX.
"I came to America because I heard the streets were paved with gold. When I got here, found out three things: First, the streets weren't paved with gold; second, they weren't paved at all: and third, I was expected to pave them."
Portugueses, a realidade é poderosíssima.
Uma questão mal colocada
SÁBADO, 27 DE NOVEMBRO DE 2010
Muito se fala sobre a inconsciência do homem em danificar o planeta em nome de um certo modo de vida que nasceu no Ocidente mas que o resto do mundo persegue a toda a velocidade. Desde há uns anos que muitos ambientalistas vêem chamando a atenção para a irreversibilidade dos danos que causamos. E muitos vão mais longe e vaticinam mesmo o colapso da vida na Terra tal e qual como a conhecemos. Sem dúvida aterrorizante se tiverem razão. Custará a imaginar o que seria o desaparecimento do Homem como ser vivo deste planeta, mas em boa consciência não deveremos descartar essa eventualidade se isso for relevante para comportamentos menos danosos ao equilíbrio do ambiente.
Pessoalmente não faço ideia de quem tem razão nesta questão. Sei que do lado dos ambientalistas emerge, evidentemente, muito alarmismo. E que do outro lado há confiança a mais sobre o modo como lidamos com o ambiente, o que em si tenderá somente a gerar desmazelo.
No ano de 2010, e com o que sabemos (ou julgamos saber), não me importa muito quem tem razão. Isso pouco resolve. No limite é cair num exoterismo que não elucida sequer o especialista e só confunde o vulgar Homo Sapiens. Neste ponto o que falta é colocar bem a questão. E nestes casos nada como dotarmo-nos de toda a simplicidade na formulação da questão mais básica. Para isso socorramo-nos do instinto de sobrevivência e formulemos a seguinte questão:
“Será que o actual modo de vida e a consequente forma de exploração dos recursos naturais nos pode conduzir à extinção com uma elevada dose de probabilidade?”
Esta é a questão. Se a probabilidade for de 10% eu acho o facto perfeitamente aterrorizante. O meu instinto diz-me que a probabilidade pode até ser maior. Ainda que a Verdade possa não estar com os ambientalistas (desiderato pavoroso se for possível provar que a extinção está para breve) tratemos de acabar com o debate exotérico, ouçamo-los com modéstia, e tratemos de mudar radicalmente de modo de vida e a forma de exploração dos recursos naturais.
Muito se fala sobre a inconsciência do homem em danificar o planeta em nome de um certo modo de vida que nasceu no Ocidente mas que o resto do mundo persegue a toda a velocidade. Desde há uns anos que muitos ambientalistas vêem chamando a atenção para a irreversibilidade dos danos que causamos. E muitos vão mais longe e vaticinam mesmo o colapso da vida na Terra tal e qual como a conhecemos. Sem dúvida aterrorizante se tiverem razão. Custará a imaginar o que seria o desaparecimento do Homem como ser vivo deste planeta, mas em boa consciência não deveremos descartar essa eventualidade se isso for relevante para comportamentos menos danosos ao equilíbrio do ambiente.
Pessoalmente não faço ideia de quem tem razão nesta questão. Sei que do lado dos ambientalistas emerge, evidentemente, muito alarmismo. E que do outro lado há confiança a mais sobre o modo como lidamos com o ambiente, o que em si tenderá somente a gerar desmazelo.
No ano de 2010, e com o que sabemos (ou julgamos saber), não me importa muito quem tem razão. Isso pouco resolve. No limite é cair num exoterismo que não elucida sequer o especialista e só confunde o vulgar Homo Sapiens. Neste ponto o que falta é colocar bem a questão. E nestes casos nada como dotarmo-nos de toda a simplicidade na formulação da questão mais básica. Para isso socorramo-nos do instinto de sobrevivência e formulemos a seguinte questão:
“Será que o actual modo de vida e a consequente forma de exploração dos recursos naturais nos pode conduzir à extinção com uma elevada dose de probabilidade?”
Esta é a questão. Se a probabilidade for de 10% eu acho o facto perfeitamente aterrorizante. O meu instinto diz-me que a probabilidade pode até ser maior. Ainda que a Verdade possa não estar com os ambientalistas (desiderato pavoroso se for possível provar que a extinção está para breve) tratemos de acabar com o debate exotérico, ouçamo-los com modéstia, e tratemos de mudar radicalmente de modo de vida e a forma de exploração dos recursos naturais.
Atitudes
QUARTA-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO DE 2010
Chegado hoje à Irlanda não resisti em abordar alguns Irlandeses sobre a entrada do FMI para ajudar a resolver a sua situação. E com os que falei colhi impressões muito positivas. São a favor de fazer os sacrifícios que forem necessários para controlarem o seu défice. Não se importam muito que os impostos sobre o trabalho aumentem. Argumentavam não se importarem de ser taxados pois isso significa que ganham dinheiro. Que o pior é não ter trabalho e não puder ser taxado. E singular, a grande preocupação deles é que os “Europeus” querem pressioná-los a aumentar o “corporate taxe”, que é de 12,5% (em Portugal é 25%). Dizem que com isso correm sérios riscos de ter muito desemprego pois as multinacionais vão-se quase todas embora. Para quem vive do trabalho é curioso observar a voz da experiência de quem provou o sabor de ter muitas multinacionais no país devido também à atractiva “corporate taxe”.
Por cá queremos antes bater nas multinacionais, nos capitalistas, e nos mercados.
Atitudes…
Chegado hoje à Irlanda não resisti em abordar alguns Irlandeses sobre a entrada do FMI para ajudar a resolver a sua situação. E com os que falei colhi impressões muito positivas. São a favor de fazer os sacrifícios que forem necessários para controlarem o seu défice. Não se importam muito que os impostos sobre o trabalho aumentem. Argumentavam não se importarem de ser taxados pois isso significa que ganham dinheiro. Que o pior é não ter trabalho e não puder ser taxado. E singular, a grande preocupação deles é que os “Europeus” querem pressioná-los a aumentar o “corporate taxe”, que é de 12,5% (em Portugal é 25%). Dizem que com isso correm sérios riscos de ter muito desemprego pois as multinacionais vão-se quase todas embora. Para quem vive do trabalho é curioso observar a voz da experiência de quem provou o sabor de ter muitas multinacionais no país devido também à atractiva “corporate taxe”.
Por cá queremos antes bater nas multinacionais, nos capitalistas, e nos mercados.
Atitudes…
Já faltou mais
SEGUNDA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2010
Aquando da crise grega Portugal julgava-se fora do radar dos mercados. Agora que a coisa chegou à Irlanda, Portugal já se inquieta pois os mercados já o elegeram como o próximo da fila. Claro que as muitas crianças com voz no nosso Portugal bradam contra os mercados. Pena que o não tenham feito quando os mercados eram generosos no passado e nos emprestavam dinheiro a rodos a preço Alemão. Agora que os mercados resolveram distinguir a qualidade dos devedores os justiceiros de rua andam muito zangados com o "mercado". Claro que este exercício persecutório é completamente estéril e inútil. Pior ainda, passa a mensagem de que há ainda muita força política que ainda não percebe a nossa fotografia... quanto mais o filme, o que em si só complica mais o afastamento da falta de discernimento que tão má companhia nos tem feito.
Os mercados neste momento só provam que os devedores têm que ser pessoas responsáveis e não um conjunto de batráquios irresponsáveis. Isto é nomeadamente verdade quando se está a tratar de países. Um cidadão se se tornar um irresponsável financeiro pouca mossa fará a um descendente seu se este já for neto ou bisneto. Agora com um país as coisas já não são bem assim. Os países não vão à falência. Por isso as gerações vindouras são sempre "gentilmente" convidadas a honrar os disparates dos irresponsáveis. É neste ponto em que as coisas estão em Portugal no ano da graça de 2010. Todos nós seremos uns autênticos irresponsáveis se continuarmos a acumular dívida pública em cima da já existente. Os eufóricos que perseguem, em vão, 3% de défice sobre uns 100% de dívida acumulada do que produzimos num ano aí estão para provar que existem de facto irresponsáveis ao leme do Portugal.
Não, não há manifestações dos que "gentilmente" vão ser convocados a limpar a porcaria que estes irresponsáveis andam a fazer. A natureza não o permite. A maioria deles ainda não foram sequer concepcionados. E dos que vão sendo, cerca de 20% são liminarmente liquidados poucas semanas após o terem sido. Mas tenho um feeling que se todos eles pudessem já ter consciência e liberdade de opção fariam duas coisas, a saber:
1. 20% (os liquidados) fugiam a sete pés dos carrascos
2. 100% (todos eles) convocavam uma mega manifestação neste País de modo a que nos próximos 20 anos só ocorressem excedentes nas contas públicas
Nesta fase já se denota alguma preocupação sobre a taxa de fecundidade em Portugal e de como isso pode votar as próximas gerações (próximos 50 ou 60 anos) a uma descida contínua do nível de vida económico médio. Tudo devido ao não crescimento da produtividade, ou seja, o produto irá declinar na mesma percentagem que o decréscimo populacional.
Quanto aos 20% de liquidados parece que a sociedade ainda não percebeu que isso, para além de um crime hediondo, é uma burrice económica e financeira difícil de quantificar. Seja como for, penso que daqui a uns 7 a 10 anos se vai olhar para este assunto sobre uma perspectiva financeira e com isso mudar um pouco o sentimento para com o fenómeno do aborto. Diria que o móbil não é o correcto. Preferiria o móbil ético. Mas se os assuntos financeiros derem uma ajuda positiva para inverter o que se anda a passar, pois venha de lá essa ajuda.
A vulgata que nos governa não entende nada do mal que salta à vista, tão pouco percebe como combater as suas causas. No entanto já percepciona que algo de muito grave se anda a passar. Mas em rigor isso é irrelevante. Relevante é que a população o percepcione, coisa que já vai acontecendo, mas ainda não em dose suficientemente grande que permita uma revolução eleitoral.
Assim, seremos ainda governados por batráquios irresponsáveis por mais uma meia dúzia de anos. Depois, quando a luz começar a chegar, outros serão empossados no poder. Ainda falta muito para lá chegar. Mas não desesperemos. Já faltou mais.
Aquando da crise grega Portugal julgava-se fora do radar dos mercados. Agora que a coisa chegou à Irlanda, Portugal já se inquieta pois os mercados já o elegeram como o próximo da fila. Claro que as muitas crianças com voz no nosso Portugal bradam contra os mercados. Pena que o não tenham feito quando os mercados eram generosos no passado e nos emprestavam dinheiro a rodos a preço Alemão. Agora que os mercados resolveram distinguir a qualidade dos devedores os justiceiros de rua andam muito zangados com o "mercado". Claro que este exercício persecutório é completamente estéril e inútil. Pior ainda, passa a mensagem de que há ainda muita força política que ainda não percebe a nossa fotografia... quanto mais o filme, o que em si só complica mais o afastamento da falta de discernimento que tão má companhia nos tem feito.
Os mercados neste momento só provam que os devedores têm que ser pessoas responsáveis e não um conjunto de batráquios irresponsáveis. Isto é nomeadamente verdade quando se está a tratar de países. Um cidadão se se tornar um irresponsável financeiro pouca mossa fará a um descendente seu se este já for neto ou bisneto. Agora com um país as coisas já não são bem assim. Os países não vão à falência. Por isso as gerações vindouras são sempre "gentilmente" convidadas a honrar os disparates dos irresponsáveis. É neste ponto em que as coisas estão em Portugal no ano da graça de 2010. Todos nós seremos uns autênticos irresponsáveis se continuarmos a acumular dívida pública em cima da já existente. Os eufóricos que perseguem, em vão, 3% de défice sobre uns 100% de dívida acumulada do que produzimos num ano aí estão para provar que existem de facto irresponsáveis ao leme do Portugal.
Não, não há manifestações dos que "gentilmente" vão ser convocados a limpar a porcaria que estes irresponsáveis andam a fazer. A natureza não o permite. A maioria deles ainda não foram sequer concepcionados. E dos que vão sendo, cerca de 20% são liminarmente liquidados poucas semanas após o terem sido. Mas tenho um feeling que se todos eles pudessem já ter consciência e liberdade de opção fariam duas coisas, a saber:
1. 20% (os liquidados) fugiam a sete pés dos carrascos
2. 100% (todos eles) convocavam uma mega manifestação neste País de modo a que nos próximos 20 anos só ocorressem excedentes nas contas públicas
Nesta fase já se denota alguma preocupação sobre a taxa de fecundidade em Portugal e de como isso pode votar as próximas gerações (próximos 50 ou 60 anos) a uma descida contínua do nível de vida económico médio. Tudo devido ao não crescimento da produtividade, ou seja, o produto irá declinar na mesma percentagem que o decréscimo populacional.
Quanto aos 20% de liquidados parece que a sociedade ainda não percebeu que isso, para além de um crime hediondo, é uma burrice económica e financeira difícil de quantificar. Seja como for, penso que daqui a uns 7 a 10 anos se vai olhar para este assunto sobre uma perspectiva financeira e com isso mudar um pouco o sentimento para com o fenómeno do aborto. Diria que o móbil não é o correcto. Preferiria o móbil ético. Mas se os assuntos financeiros derem uma ajuda positiva para inverter o que se anda a passar, pois venha de lá essa ajuda.
A vulgata que nos governa não entende nada do mal que salta à vista, tão pouco percebe como combater as suas causas. No entanto já percepciona que algo de muito grave se anda a passar. Mas em rigor isso é irrelevante. Relevante é que a população o percepcione, coisa que já vai acontecendo, mas ainda não em dose suficientemente grande que permita uma revolução eleitoral.
Assim, seremos ainda governados por batráquios irresponsáveis por mais uma meia dúzia de anos. Depois, quando a luz começar a chegar, outros serão empossados no poder. Ainda falta muito para lá chegar. Mas não desesperemos. Já faltou mais.
O que deve a Igreja fazer?
SEGUNDA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2010
Todos sabemos que a Igreja tem como missão o tratamento das almas dos homens. E vai fazendo-o. Mas sabemos que a história a tem empurrado para tratar daquilo que a organização social não tem conseguido fazer na sua plenitude: cuidar dos pobres e de quem precisa de ajuda. As organizações que gravitam à volta da Igreja têm dado um grande suporte à nossa sociedade. É um trabalho imenso e de pouca visibilidade mediática. Claramente à melhor maneira de quem procede desinteressadamente, sem agenda pessoal, ou ao serviço de interesses obscuros. Nada de estranhar. Corporiza aliás, e em muito, a mensagem boa, humilde, e virtuosa que a própria Igreja possui.
Agora que os problemas sociais se agravam resultantes de erros e desvios dos homens, a questão coloca-se. O que deve a Igreja fazer? Acudir ao problema do número crescente de pobres e de quem precisa de ajuda, ou tratar do mal que esteve na génese do problema? Esta é uma questão de difícil resolução.
Não duvidemos que o erro dos Portugueses foi grande nestes últimos 25 anos. Desligámo-nos da terra e embarcámos numa ilusão de vida fácil à conta de dívida e mais dívida. Fomos poucos maduros nas opções pessoais. Fomos arrogantes ao não querer ouvir as vozes mais avisadas e ao abrir ouvido ao eloquente de promessa fácil debaixo do braço. Agora que a verdade se começa a redescobrir será bom que corrijamos a rota e as diatribes do nosso aparelho auditivo.
Da posição fácil em que me encontro penso que a Igreja se deveria concentrar mais em cuidar nas almas e na sua preparação para o discernimento num ambiente muito ruidoso. Mas talvez quem esteja no terreno tenha outra visão. Sem dúvida que os tempos que aí estão não estão a ser nada fáceis.
Todos sabemos que a Igreja tem como missão o tratamento das almas dos homens. E vai fazendo-o. Mas sabemos que a história a tem empurrado para tratar daquilo que a organização social não tem conseguido fazer na sua plenitude: cuidar dos pobres e de quem precisa de ajuda. As organizações que gravitam à volta da Igreja têm dado um grande suporte à nossa sociedade. É um trabalho imenso e de pouca visibilidade mediática. Claramente à melhor maneira de quem procede desinteressadamente, sem agenda pessoal, ou ao serviço de interesses obscuros. Nada de estranhar. Corporiza aliás, e em muito, a mensagem boa, humilde, e virtuosa que a própria Igreja possui.
Agora que os problemas sociais se agravam resultantes de erros e desvios dos homens, a questão coloca-se. O que deve a Igreja fazer? Acudir ao problema do número crescente de pobres e de quem precisa de ajuda, ou tratar do mal que esteve na génese do problema? Esta é uma questão de difícil resolução.
Não duvidemos que o erro dos Portugueses foi grande nestes últimos 25 anos. Desligámo-nos da terra e embarcámos numa ilusão de vida fácil à conta de dívida e mais dívida. Fomos poucos maduros nas opções pessoais. Fomos arrogantes ao não querer ouvir as vozes mais avisadas e ao abrir ouvido ao eloquente de promessa fácil debaixo do braço. Agora que a verdade se começa a redescobrir será bom que corrijamos a rota e as diatribes do nosso aparelho auditivo.
Da posição fácil em que me encontro penso que a Igreja se deveria concentrar mais em cuidar nas almas e na sua preparação para o discernimento num ambiente muito ruidoso. Mas talvez quem esteja no terreno tenha outra visão. Sem dúvida que os tempos que aí estão não estão a ser nada fáceis.
Portugal não é a Irlanda
DOMINGO, 21 DE NOVEMBRO DE 2010
Portugal não é a Irlanda. Este é o mote que tem acompanhado os nossos políticos. E é verdade. Não temos uma crise nos nossos bancos e não tivemos uma bolha especulativa no imobiliário. Mas nossa crise é pior porque é económica. Ou seja, não produzimos o suficiente para cobrir o que consumimos. O resultado é dívida acumulada, uma das maiores do mundo.
A Irlanda tem economia para ultrapassar o seu problema financeiro e de excesso de dívida resultante de uma bebedeira de especulação imobiliária. Eles (Irlandeses) sabem disso e estão dispostos a fazer o que tem que ser feito. Sabem também que ultrapassar o fenómeno vai durar uns 20 anos. Mas sabem que o vão ultrapassar.
Nós não temos economia para ultrapassar o nosso problema de dívida e de défice a todos os níveis. Não sabemos ainda bem sobre isso e não estamos nada dispostos a fazer o que eventualmente terá que ser feito. Temos medo de pensar sobre os próximos 20 anos e por isso não temos a mínima ideia do que nos vai acontecer.
Estão a ver? Portugal não é a Irlanda. Os políticos têm toda a razão. Só não percebem é porquê.
Portugal não é a Irlanda. Este é o mote que tem acompanhado os nossos políticos. E é verdade. Não temos uma crise nos nossos bancos e não tivemos uma bolha especulativa no imobiliário. Mas nossa crise é pior porque é económica. Ou seja, não produzimos o suficiente para cobrir o que consumimos. O resultado é dívida acumulada, uma das maiores do mundo.
A Irlanda tem economia para ultrapassar o seu problema financeiro e de excesso de dívida resultante de uma bebedeira de especulação imobiliária. Eles (Irlandeses) sabem disso e estão dispostos a fazer o que tem que ser feito. Sabem também que ultrapassar o fenómeno vai durar uns 20 anos. Mas sabem que o vão ultrapassar.
Nós não temos economia para ultrapassar o nosso problema de dívida e de défice a todos os níveis. Não sabemos ainda bem sobre isso e não estamos nada dispostos a fazer o que eventualmente terá que ser feito. Temos medo de pensar sobre os próximos 20 anos e por isso não temos a mínima ideia do que nos vai acontecer.
Estão a ver? Portugal não é a Irlanda. Os políticos têm toda a razão. Só não percebem é porquê.
Excedente
QUARTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2011
Excedente. Esta é a palavra que doravante terá que ser substituída pela outrora muito popular “défice”. O mundo Ocidental, e os Portugueses em particular, tomaram uma adulação pelo défice. Sentimo-nos bem com eles, talvez devido ao efeito duplo de com ele obtermos um nível de vida aparente superior bem como sentirmos que a cedência de crédito nos coloca no patamar de actores de primeira.
Este fenómeno louco acabou. Doravante vamos ter que passar aos excedentes de modo a acabar com o alcoolismo de dívida em que nos metemos. Sim, tal e qual uma desintoxicação. Temos que passar a conviver com níveis normais de dívida acumulada muito inferiores aos actuais.
Ora como o produto teima em não crescer, e como o realismo nos diz que isso não irá ocorrer no curto e médio prazo, resta-nos ter excedentes. Ora para quem apregoa que 3% de défice é extraordinário, que é quase toda a gente, temos uma situação muito complicada no nosso Portugal.
Aliás, a miopia é de tal ordem que os 7% que já andamos a pagar de juros pela renovação de dívida significam a prazo que 7% do que produziremos num ano é para pagar juros (ainda há dívida emitida a taxas mais baixas). Mas se a sangria não parar iremos parar a taxas de 10%. Não se duvide disso. Note-se que a Irlanda já vai nos 9%.
Ora isto é profundamente idiota. Se cortarmos nos custos dos Estado, nomeadamente em salários e institutos sem a mínima utilidade, e já agora na estupidez de muitos projectos sem pinga de racionalidade, e com isso obtivermos excedentes de 3% durante dois anos seguidos, então sinalizaremos os mercados e estes diminuíram a sua taxa de juro para uns 3%. Claro que só nos cobraram 3% de juros se mantivermos todos os sinais em vigor que nos fizeram chegar a dois excedentes consecutivos de 3%. Os mercados não são estúpidos (embora cometam erros) e percebem como ninguém os sinais emitidos pelas entidades.
Doravante “excedente” é a palavra de ordem. O tempo dos Sócrates e Barrosos já acabou. Estão aí outros tempos. Quer queiramos, quer não.
Excedente. Esta é a palavra que doravante terá que ser substituída pela outrora muito popular “défice”. O mundo Ocidental, e os Portugueses em particular, tomaram uma adulação pelo défice. Sentimo-nos bem com eles, talvez devido ao efeito duplo de com ele obtermos um nível de vida aparente superior bem como sentirmos que a cedência de crédito nos coloca no patamar de actores de primeira.
Este fenómeno louco acabou. Doravante vamos ter que passar aos excedentes de modo a acabar com o alcoolismo de dívida em que nos metemos. Sim, tal e qual uma desintoxicação. Temos que passar a conviver com níveis normais de dívida acumulada muito inferiores aos actuais.
Ora como o produto teima em não crescer, e como o realismo nos diz que isso não irá ocorrer no curto e médio prazo, resta-nos ter excedentes. Ora para quem apregoa que 3% de défice é extraordinário, que é quase toda a gente, temos uma situação muito complicada no nosso Portugal.
Aliás, a miopia é de tal ordem que os 7% que já andamos a pagar de juros pela renovação de dívida significam a prazo que 7% do que produziremos num ano é para pagar juros (ainda há dívida emitida a taxas mais baixas). Mas se a sangria não parar iremos parar a taxas de 10%. Não se duvide disso. Note-se que a Irlanda já vai nos 9%.
Ora isto é profundamente idiota. Se cortarmos nos custos dos Estado, nomeadamente em salários e institutos sem a mínima utilidade, e já agora na estupidez de muitos projectos sem pinga de racionalidade, e com isso obtivermos excedentes de 3% durante dois anos seguidos, então sinalizaremos os mercados e estes diminuíram a sua taxa de juro para uns 3%. Claro que só nos cobraram 3% de juros se mantivermos todos os sinais em vigor que nos fizeram chegar a dois excedentes consecutivos de 3%. Os mercados não são estúpidos (embora cometam erros) e percebem como ninguém os sinais emitidos pelas entidades.
Doravante “excedente” é a palavra de ordem. O tempo dos Sócrates e Barrosos já acabou. Estão aí outros tempos. Quer queiramos, quer não.
Chineses a Angolanos
SEGUNDA-FEIRA, 8 DE NOVEMBRO DE 2010
Consta que os Chineses pretendem entrar no capital do BCP e que os Angolanos pretendem elevar a sua participação de 10% para 20% do capital. Não posso deixar de manifestar o meu contentamento pelo facto, a saber:
1. Entrada de accionistas com poder económico e financeiro o que servirá para dar ainda maior solidez à nossa banca. Isso traduzir-se-á em maior facilidade na obtenção de crédito nos mercados internacionais, não no sentido de o expandir, mas no intuito de o renovar em condições mais favoráveis enquanto procedemos à lenta e longa, mas necessária, operação de pagamento da nossa dívida externa.
2. Participação directa de Portugal em operações globais em pleno estado de crescimento acentuado. Isto mais não é do que consolidar a nossa posição nesta Globalização em que o mundo se vê cada vez mais envolvido. Reforço a ideia de que a Globalização é o ambiente que melhor potencia a génese do Lusitano. Desafio desde já que me indiquem um povo melhor do que nós para ser accionista de longo prazo de Chineses e Angolanos ao mesmo tempo.
3. Ser um parceiro privilegiado da China pode ser excelente para potenciar as nossas exportações. Para quem ainda não percebeu o nosso bem-estar futuro vai depender da performance do nosso sector exportador.
Claro que para além destes três pontos temos o interesse em ver Sines como a porta de entrada privilegiada dos produtos Chineses na Europa. Isso pode, e em muito, desenvolver toda uma cadeia de operações logísticas.
Espero que os Portugueses não tomem estas operações como ameaças, antes as tomem como oportunidades. Não voltemos as costas à nossa vocação global, antes potenciemo-la.
Consta que os Chineses pretendem entrar no capital do BCP e que os Angolanos pretendem elevar a sua participação de 10% para 20% do capital. Não posso deixar de manifestar o meu contentamento pelo facto, a saber:
1. Entrada de accionistas com poder económico e financeiro o que servirá para dar ainda maior solidez à nossa banca. Isso traduzir-se-á em maior facilidade na obtenção de crédito nos mercados internacionais, não no sentido de o expandir, mas no intuito de o renovar em condições mais favoráveis enquanto procedemos à lenta e longa, mas necessária, operação de pagamento da nossa dívida externa.
2. Participação directa de Portugal em operações globais em pleno estado de crescimento acentuado. Isto mais não é do que consolidar a nossa posição nesta Globalização em que o mundo se vê cada vez mais envolvido. Reforço a ideia de que a Globalização é o ambiente que melhor potencia a génese do Lusitano. Desafio desde já que me indiquem um povo melhor do que nós para ser accionista de longo prazo de Chineses e Angolanos ao mesmo tempo.
3. Ser um parceiro privilegiado da China pode ser excelente para potenciar as nossas exportações. Para quem ainda não percebeu o nosso bem-estar futuro vai depender da performance do nosso sector exportador.
Claro que para além destes três pontos temos o interesse em ver Sines como a porta de entrada privilegiada dos produtos Chineses na Europa. Isso pode, e em muito, desenvolver toda uma cadeia de operações logísticas.
Espero que os Portugueses não tomem estas operações como ameaças, antes as tomem como oportunidades. Não voltemos as costas à nossa vocação global, antes potenciemo-la.
Dualidade de critérios
DOMINGO, 7 DE NOVEMBRO DE 2010
Parece que um director de uma escola agrediu um aluno. Seguramente não o deveria ter feito. Espero que seja punido em conformidade. A violência física não é “boa medicina” nas questões da educação.
Agora também espero punições quando os alunos resolvem agredir professores. Isto de uns agredirem sem consequências severas e outros serem punidos exemplarmente quando o fazem parece-me de muito má prática. A escola é um local de preparação da pessoa para o mundo. Aí adquire-se, para além de conhecimentos gerais e valências técnicas, noções de como viver em sociedade. Ora a vivência em sociedade com sucesso passa por modelos pacíficos e não agressivos de relação com os outros.
Bordoada é coisa que tem que ser punida exemplarmente, seja em que direcção for. Mas atenção, há uma coisa que vai só numa direcção e que anda a ser muito esquecida: a autoridade. E essa deverá ser a do director da escola. Mas jamais deverá ser servida por violência.
Parece que um director de uma escola agrediu um aluno. Seguramente não o deveria ter feito. Espero que seja punido em conformidade. A violência física não é “boa medicina” nas questões da educação.
Agora também espero punições quando os alunos resolvem agredir professores. Isto de uns agredirem sem consequências severas e outros serem punidos exemplarmente quando o fazem parece-me de muito má prática. A escola é um local de preparação da pessoa para o mundo. Aí adquire-se, para além de conhecimentos gerais e valências técnicas, noções de como viver em sociedade. Ora a vivência em sociedade com sucesso passa por modelos pacíficos e não agressivos de relação com os outros.
Bordoada é coisa que tem que ser punida exemplarmente, seja em que direcção for. Mas atenção, há uma coisa que vai só numa direcção e que anda a ser muito esquecida: a autoridade. E essa deverá ser a do director da escola. Mas jamais deverá ser servida por violência.
Um desafio para o futuro
DOMINGO, 7 DE NOVEMBRO DE 2010
Um dos desafios que Portugal vai enfrentar é de como se organizar para retirar tantas pessoas da situação de pobreza. Nos tempos que correm, e nos próximos tempos, iremos assistir, infelizmente, ao crescimento do número de pobres em Portugal. Urge organizarmo-nos de modo a mitigar este novo cenário bem como pensar em formas de manter portas abertas para voltar a não ser pobre.
Dou enfoque naqueles que desceram à escala da pobreza por pensar que são aqueles onde mais facilmente se conseguirá com sucesso endereçar ajuda para retirada da pobreza. Não sou especialista na matéria, longe disso, mas a minha frieza e intuição sugere-me que alguém com formação e que já tenha trabalhado e que tenha caído em situação de pobreza terá mais possibilidades dela sair se for devidamente apoiado. Digo isto porque amiúde leio artigos de especialistas que invocam incessantemente o conceito de “inempregável”, conceito que penso ser aplicável a quem não tenha valor económico. Ora este não será, genericamente, o caso de quem tenha caido em situação de pobreza.
Neste ponto o trabalho de pessoas com formação na área social é fundamental. E neste ponto o Estado tem obrigação de responder em conformidade. Espero que a miopia que tem sido excelente companhia dos últimos governos estacione por momentos e dê lugar à razão, pelo menos neste ponto. Sei, e desejo, que se dêem muitos cortes nas despesas. Mas também sei que há algumas que têm que aumentar, e esta é uma delas.
Um dos desafios que Portugal vai enfrentar é de como se organizar para retirar tantas pessoas da situação de pobreza. Nos tempos que correm, e nos próximos tempos, iremos assistir, infelizmente, ao crescimento do número de pobres em Portugal. Urge organizarmo-nos de modo a mitigar este novo cenário bem como pensar em formas de manter portas abertas para voltar a não ser pobre.
Dou enfoque naqueles que desceram à escala da pobreza por pensar que são aqueles onde mais facilmente se conseguirá com sucesso endereçar ajuda para retirada da pobreza. Não sou especialista na matéria, longe disso, mas a minha frieza e intuição sugere-me que alguém com formação e que já tenha trabalhado e que tenha caído em situação de pobreza terá mais possibilidades dela sair se for devidamente apoiado. Digo isto porque amiúde leio artigos de especialistas que invocam incessantemente o conceito de “inempregável”, conceito que penso ser aplicável a quem não tenha valor económico. Ora este não será, genericamente, o caso de quem tenha caido em situação de pobreza.
Neste ponto o trabalho de pessoas com formação na área social é fundamental. E neste ponto o Estado tem obrigação de responder em conformidade. Espero que a miopia que tem sido excelente companhia dos últimos governos estacione por momentos e dê lugar à razão, pelo menos neste ponto. Sei, e desejo, que se dêem muitos cortes nas despesas. Mas também sei que há algumas que têm que aumentar, e esta é uma delas.
Para quando um bom Governo para Portugal
QUARTA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO DE 2010
Esta é a pergunta escondida que os Portugueses começam a desembrulhar. Consequência de demasiados maus governos (desde 1985) os Portugueses começam agora a conviver com os efeitos nefastos de tanta má governação. As premissas sobre as quais soberbamente nos sentámos estão a dar de si e vão mesmo rebentar.
Não, não é por falta de confiança. Pelo contrário, foi por excesso da mesma sem fundamentos palpáveis, qual reformado que opina desenfreadamente com os expontâneos de ocasião numa qualquer obra em curso na cidade.
Não, não foi por azar. Foi por azelhice e falta de preparação, qual estudante cábula que não tira boa nota e culpa o professor.
Não, não foi pela conjuntura. Estas existem para nos catapultarem se soubermos navegar na tormenta. Há quem lhe chame “capacidade estratégia”. Perguntem aos Alemães sobre o tema.
Foi antes pela arrogância de colocarmos a carroça à frente dos bois, de pretendermos ter à borla o nível de vida nórdico sem para isso ter que trabalhar em conformidade (leia-se, entre outras coisas, elevada produtividade).
Foi por termos tido políticos incompetentes e corruptos. E já agora por termos, como povo, escolhido constantemente mal.
Foi por termos escoado todas as nossas energias como povo para o consumo (grandes superfícies) e os serviços que os potenciam (bancos) ao invés de nos atirarmos de cabeça para tudo o que envolva exportação.
Foi por pensarmos que o dinheiro resolveria as nossas deficiências organizativas. Não, as organizações transformam-se com ideias e com afoiteza. O dinheiro só perturba e solidifica o mal que se quer combater.
Foi por pensarmos mais no ter do que no ser e termos embarcado em modas de ocasião.
Foi por parolice ao embarcar em ditames de uma modernidade que mais não é que uma manifestação torpe de espíritos mal construídos.
O resultado ainda não está bem à vista e só agora se começa a vislumbrar os contornos do mesmo. Uma minoria tem bem noção do que aí vem mas ainda não é ouvida. Alguns visualizam-no mas ainda tem dificuldade em graduar a intensidade do choque e como ele vai ocorrer. Muitos não o visualizam mas já perceberam que os coices vão ser cada vez mais fortes. Todos já perceberam que algo na base e na estrutura tem deficiências brutais.
A turbulência que aí vem vai gerar mudanças na nossa sociedade, já visíveis, mas ainda difíceis de engolir. A mudança, por norma, é operada no dia-a-dia pela miríade de decisões pessoais dos constituintes da sociedade. No entanto, e embora sejam movimentos fortíssimos, tratam-se em rigor de adaptações às circunstâncias. Quem pode operar alguma mudança é o Estado, não no sentido de entidade todo-poderosa, mas no sentido de facilitador das tendências irreversíveis. E é neste ponto que sentimos que precisamos de um bom governo. Um governo que seja um facilitador das mudanças irreversíveis.
Este Governo ainda vem longe. Mas virá. Os “alguns” e os “muitos” irão precisar ainda de muitos coices para acordar. E nesse momento um cataclismo eleitoral ocorrerá. Até já sabemos o partido que ganhará embora nada saibamos sobre a equipa a escalonar. E até já sabemos em que molde terá que ser construída e que características deverá possuir. Só espero que encontremos os elementos que a vão constituir. Eles já existem, mas ainda não se conhecem. Estejamos confiantes, está para breve.
Esta é a pergunta escondida que os Portugueses começam a desembrulhar. Consequência de demasiados maus governos (desde 1985) os Portugueses começam agora a conviver com os efeitos nefastos de tanta má governação. As premissas sobre as quais soberbamente nos sentámos estão a dar de si e vão mesmo rebentar.
Não, não é por falta de confiança. Pelo contrário, foi por excesso da mesma sem fundamentos palpáveis, qual reformado que opina desenfreadamente com os expontâneos de ocasião numa qualquer obra em curso na cidade.
Não, não foi por azar. Foi por azelhice e falta de preparação, qual estudante cábula que não tira boa nota e culpa o professor.
Não, não foi pela conjuntura. Estas existem para nos catapultarem se soubermos navegar na tormenta. Há quem lhe chame “capacidade estratégia”. Perguntem aos Alemães sobre o tema.
Foi antes pela arrogância de colocarmos a carroça à frente dos bois, de pretendermos ter à borla o nível de vida nórdico sem para isso ter que trabalhar em conformidade (leia-se, entre outras coisas, elevada produtividade).
Foi por termos tido políticos incompetentes e corruptos. E já agora por termos, como povo, escolhido constantemente mal.
Foi por termos escoado todas as nossas energias como povo para o consumo (grandes superfícies) e os serviços que os potenciam (bancos) ao invés de nos atirarmos de cabeça para tudo o que envolva exportação.
Foi por pensarmos que o dinheiro resolveria as nossas deficiências organizativas. Não, as organizações transformam-se com ideias e com afoiteza. O dinheiro só perturba e solidifica o mal que se quer combater.
Foi por pensarmos mais no ter do que no ser e termos embarcado em modas de ocasião.
Foi por parolice ao embarcar em ditames de uma modernidade que mais não é que uma manifestação torpe de espíritos mal construídos.
O resultado ainda não está bem à vista e só agora se começa a vislumbrar os contornos do mesmo. Uma minoria tem bem noção do que aí vem mas ainda não é ouvida. Alguns visualizam-no mas ainda tem dificuldade em graduar a intensidade do choque e como ele vai ocorrer. Muitos não o visualizam mas já perceberam que os coices vão ser cada vez mais fortes. Todos já perceberam que algo na base e na estrutura tem deficiências brutais.
A turbulência que aí vem vai gerar mudanças na nossa sociedade, já visíveis, mas ainda difíceis de engolir. A mudança, por norma, é operada no dia-a-dia pela miríade de decisões pessoais dos constituintes da sociedade. No entanto, e embora sejam movimentos fortíssimos, tratam-se em rigor de adaptações às circunstâncias. Quem pode operar alguma mudança é o Estado, não no sentido de entidade todo-poderosa, mas no sentido de facilitador das tendências irreversíveis. E é neste ponto que sentimos que precisamos de um bom governo. Um governo que seja um facilitador das mudanças irreversíveis.
Este Governo ainda vem longe. Mas virá. Os “alguns” e os “muitos” irão precisar ainda de muitos coices para acordar. E nesse momento um cataclismo eleitoral ocorrerá. Até já sabemos o partido que ganhará embora nada saibamos sobre a equipa a escalonar. E até já sabemos em que molde terá que ser construída e que características deverá possuir. Só espero que encontremos os elementos que a vão constituir. Eles já existem, mas ainda não se conhecem. Estejamos confiantes, está para breve.
A família vem aí outra vez
SÁBADO, 30 DE OUTUBRO DE 2010
Como já foi interiorizado por todos nós, iremos viver nos próximos 10 a 15 anos um contínuo e longo declínio de nível de vida económico e financeiro. Económico porque a tendência geral é de declínio dos salários reais e porque mais impostos virão a caminho (o corte na massa salarial da função pública está longe de ser suficiente). Financeiro porque daqui a uns 2 ou 3 anos os juros começarão a subir de novo, pelo que, quem tem empréstimos à habitação vai assistir a uma subida da prestação da casa.
A febre de materialismo e dívida que nos assaltou a partir de 1995 fez-nos perder um pouco a noção de como a sobrevivência económica é um bem fundamental da vida conjunta. A imagem de sucesso nesta vida que nos quiseram vender passava por um individualismo desmesurado e com uma envolvência de afluência típica de solteirões e solteironas bem abonados. Este estrelato do marketing criou modelos de sucesso baseados no individualismo.
Em conversa com um amigo que trabalha em marketing, ele veiculava-me que as empresas vendem “sonhos” e as pessoas compram “esperança”. Quem compra esperança tem em mente a possibilidade de escalar na cadeia de consumo e com isso satisfazer certos desejos de bem estar material e bem estar social (neste último ponto cabe praticamente o que quisermos).
Em ambiente de “overdose” de dívida a atitude é de constante pontapé para a frente. Credor e devedor são grandes amigos e parceiros de uma corrida para o abismo.
Ora se analisarmos a história de vida do Homem não será difícil perceber que a sobrevivência económica é o estado em que se encontra a maioria da população em qualquer momento histórico. E que a vida em conjunto é a forma mais sensata de ultrapassar as dificuldades económicas naturais. Falo em vida conjunta e não em família porque a vida conjunta ultrapassa o conceito de família.
O retorno a uma certa sensatez quanto às possibilidades vai fazer com que valorizemos bem aquilo que sempre foi, é, e irá ser, o principal objectivo de qualquer ser humano nesta passagem terrena: a sua sobrevivência económica enquanto ser com coração palpitante. E consequentemente a vida conjunta fará de novo sentido como um meio natural de ultrapassar essa restrição que nos quiseram vender como fracassada.
Neste sentido penso que o conceito de família irá de novo ressurgir. Que não se duvide que a família é a principal e a mais sólida célula de qualquer sociedade. Quer concordemos ou não com isso, e por mais profundidade que queiramos emprestar à razão. É que na família, para além da união espiritual, a principal, temos também uma união económica, secundária, mas de uma importância imensa e que o pragmatismo da realidade vai fazer com que volte a fazer parte de toda a equação de como devemos encarar a sociedade e a família.
Assim, e pela vertente económica, o conceito de família voltará de novo a ser apreciado e valorizado. Digo “também” porque temos ainda a vertente espiritual como outra variável da equação, e que tem sido muito esquecida. Mas para esta variável há quem saiba discorrer melhor.
Nota: este texto aplica-se a cerca de 70% da nossa população. Os outros 30% nunca tiveram fôlego sequer para levitar, mesmo no auge da bebedeira consumista.
Como já foi interiorizado por todos nós, iremos viver nos próximos 10 a 15 anos um contínuo e longo declínio de nível de vida económico e financeiro. Económico porque a tendência geral é de declínio dos salários reais e porque mais impostos virão a caminho (o corte na massa salarial da função pública está longe de ser suficiente). Financeiro porque daqui a uns 2 ou 3 anos os juros começarão a subir de novo, pelo que, quem tem empréstimos à habitação vai assistir a uma subida da prestação da casa.
A febre de materialismo e dívida que nos assaltou a partir de 1995 fez-nos perder um pouco a noção de como a sobrevivência económica é um bem fundamental da vida conjunta. A imagem de sucesso nesta vida que nos quiseram vender passava por um individualismo desmesurado e com uma envolvência de afluência típica de solteirões e solteironas bem abonados. Este estrelato do marketing criou modelos de sucesso baseados no individualismo.
Em conversa com um amigo que trabalha em marketing, ele veiculava-me que as empresas vendem “sonhos” e as pessoas compram “esperança”. Quem compra esperança tem em mente a possibilidade de escalar na cadeia de consumo e com isso satisfazer certos desejos de bem estar material e bem estar social (neste último ponto cabe praticamente o que quisermos).
Em ambiente de “overdose” de dívida a atitude é de constante pontapé para a frente. Credor e devedor são grandes amigos e parceiros de uma corrida para o abismo.
Ora se analisarmos a história de vida do Homem não será difícil perceber que a sobrevivência económica é o estado em que se encontra a maioria da população em qualquer momento histórico. E que a vida em conjunto é a forma mais sensata de ultrapassar as dificuldades económicas naturais. Falo em vida conjunta e não em família porque a vida conjunta ultrapassa o conceito de família.
O retorno a uma certa sensatez quanto às possibilidades vai fazer com que valorizemos bem aquilo que sempre foi, é, e irá ser, o principal objectivo de qualquer ser humano nesta passagem terrena: a sua sobrevivência económica enquanto ser com coração palpitante. E consequentemente a vida conjunta fará de novo sentido como um meio natural de ultrapassar essa restrição que nos quiseram vender como fracassada.
Neste sentido penso que o conceito de família irá de novo ressurgir. Que não se duvide que a família é a principal e a mais sólida célula de qualquer sociedade. Quer concordemos ou não com isso, e por mais profundidade que queiramos emprestar à razão. É que na família, para além da união espiritual, a principal, temos também uma união económica, secundária, mas de uma importância imensa e que o pragmatismo da realidade vai fazer com que volte a fazer parte de toda a equação de como devemos encarar a sociedade e a família.
Assim, e pela vertente económica, o conceito de família voltará de novo a ser apreciado e valorizado. Digo “também” porque temos ainda a vertente espiritual como outra variável da equação, e que tem sido muito esquecida. Mas para esta variável há quem saiba discorrer melhor.
Nota: este texto aplica-se a cerca de 70% da nossa população. Os outros 30% nunca tiveram fôlego sequer para levitar, mesmo no auge da bebedeira consumista.
O socialismo em Portugal acabou
QUINTA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO DE 2010
Portugal neste momento anda a dar os últimos tiros de socialismo. O socialismo em Portugal começou, e bem, no pós 25 de Abril. A grande maioria da população vivia numa pobreza material difícil de imaginar pelos padrões de hoje. Grandes saltos nos serviços de saúde e protecção social foram dados a partir desse momento. Só não o vê quem se recusa a ver.
Ainda nos primórdios, e após as crianças terem andado pelo poder entre 74 e 76, um governo socialista, o primeiro governo de Mário Soares, tratou de pôr a casa na ordem com a ajuda do FMI. O mesmo Mário Soares na companhia do FMI aplicou receita semelhante nos anos de 84 a 85 depois do desastroso governo da AD de Pinto Balsemão. Até 1985 o socialismo cumpriu, e bem, o seu dever. Lutou pela democracia, teve cuidado com as contas públicas, e aumentou os serviços de saúde e protecção social.
O descalabro veio a partir de 1986. O PSD, que entendo ser um partido socialista vestido de cor-de-laranja, tratou de inchar o sector público para além daquilo que a economia o permitia. O pequeno abalo da crise de 92/93 mais não foi do que uma pequena interrupção da tendência socializante que tomava conta de Portugal. A dívida pública em 1995 estava no entanto ainda a níveis aceitáveis, mas os ingredientes para a sua explosão nos anos subsequentes foram bem semeados pela mão do Pai do Monstro: Cavaco Silva.
Com a saída do socialista Cavaco e a entrada do socialista Guterres, o monstrozinho construído por Cavaco Silva teve o melhor tutor que alguma vez poderia imaginar. De forma clara outro socialismo tinha chegado e vencido em Portugal, o socialismo corporativo que não vê mais do que o seu próprio umbigo. Longe iam os dias do socialismo responsável de Mário Soares no que respeita a contas públicas*. O que agora campeava era o ditado pelas corporações atulhadas de interesses corporativos e nada dados ao interesse nacional. Foram 15 anos de produção de um modelo que começou a dar sinais de implosão a partir de 2000.
A partir de 2000 até ao momento vive-se o culminar da inviabilidade do modelo socialista irresponsável. Paradoxalmente, ao invés de o Socialismo acabar com velhos decrépitos sentados no poder, o Socialismo resolveu acabar com crianças no poder, como que a revisitar os tempos idos do PREC. Mas desta vez com um aspecto mais polido e vestidos de capitalismo, coisa que em rigor até se trata de algo que nunca entenderam bem o que é. No que respeita a vestimenta, em lugar do vulgar Kispo que compunha uma barba revolucionária, resolveram adoptar fatos de marca que, segundo eles, acompanhavam bem os tempos de afluência aparente resultantes da globalização. Discurso escorreito e desfaçatez de fazer corar o maior aldrabão de bairro destoava do pacote visual, mas segundo a cartilha do momento isso era coisa aceitável. Assim foi o culminar de uma era, que aceitando tudo e todos até se dignou de atropelar os mais básicos valores da vida e valores da vida em sociedade, tais como a legalização do aborto até às 12 semanas (salvo erro, não sei ao certo) e o patético casamento de pessoas do mesmo sexo. A todo este pacote visual a tresandar de vacuidade chamaram-lhe “modernidade”. Sim, onde já vai o socialismo…
Agora que a realidade se anda a tornar mais visível e a água e o azeite tomam os seus lugares, o ambiente turvo e meio esquisito em que vivíamos apresenta-se-nos agora tenebroso. A tomada de consciência de que o caminho trilhado foi o errado durante demasiado tempo faz-nos sofrer só de pensar que serão necessárias talvez mais do que uma geração para fazer de Portugal outra vez um País normal e responsável, e não um País dividido entre os que trabalham em coisas que o mercado quer e os que vivem à conta do outros, quer não trabalhando, quer fazendo coisas que o mercado não quer, ou quer ainda fazendo coisas que não são de todo necessárias. Tudo isto no meio de uma justiça que não funciona, de uma segurança que foi substituída pela falta dela, e de valores sociais algo trucidados. Assim, há como que um sentimento de que a sociedade está desconjuntada.
Não duvidemos que o socialismo acabou em Portugal. Já não há mais uma democracia para implementar ou socialistas com o calibre de Mário Soares para enfrentar um desastre de contas públicas. O que há para tratar é de construir um modelo onde os responsáveis marquem o ritmo, onde quem trabalha e é trabalhador é premiado, onde o empata e o que vive à conta dos outros é colocado no seu devido lugar, onde a justiça funciona, onde falta dela volta a ser segurança, onde o empreendedor se liberte e seja estimado, onde o inovador, o afoito, e o intuitivo sejam empurrados para a frente, onde a imaginação não seja travada pela burocracia, e onde as corporações levem um valente pontapé no rabo. Para tudo isto não precisamos de socialismo para nada. Deste travestido de sei lá o quê, ou do antigo, ainda que fosse liderado por um Mário Soares.
* Não incluo aqui o infeliz episódio da descolonização para não desviar o foco do post.
Portugal neste momento anda a dar os últimos tiros de socialismo. O socialismo em Portugal começou, e bem, no pós 25 de Abril. A grande maioria da população vivia numa pobreza material difícil de imaginar pelos padrões de hoje. Grandes saltos nos serviços de saúde e protecção social foram dados a partir desse momento. Só não o vê quem se recusa a ver.
Ainda nos primórdios, e após as crianças terem andado pelo poder entre 74 e 76, um governo socialista, o primeiro governo de Mário Soares, tratou de pôr a casa na ordem com a ajuda do FMI. O mesmo Mário Soares na companhia do FMI aplicou receita semelhante nos anos de 84 a 85 depois do desastroso governo da AD de Pinto Balsemão. Até 1985 o socialismo cumpriu, e bem, o seu dever. Lutou pela democracia, teve cuidado com as contas públicas, e aumentou os serviços de saúde e protecção social.
O descalabro veio a partir de 1986. O PSD, que entendo ser um partido socialista vestido de cor-de-laranja, tratou de inchar o sector público para além daquilo que a economia o permitia. O pequeno abalo da crise de 92/93 mais não foi do que uma pequena interrupção da tendência socializante que tomava conta de Portugal. A dívida pública em 1995 estava no entanto ainda a níveis aceitáveis, mas os ingredientes para a sua explosão nos anos subsequentes foram bem semeados pela mão do Pai do Monstro: Cavaco Silva.
Com a saída do socialista Cavaco e a entrada do socialista Guterres, o monstrozinho construído por Cavaco Silva teve o melhor tutor que alguma vez poderia imaginar. De forma clara outro socialismo tinha chegado e vencido em Portugal, o socialismo corporativo que não vê mais do que o seu próprio umbigo. Longe iam os dias do socialismo responsável de Mário Soares no que respeita a contas públicas*. O que agora campeava era o ditado pelas corporações atulhadas de interesses corporativos e nada dados ao interesse nacional. Foram 15 anos de produção de um modelo que começou a dar sinais de implosão a partir de 2000.
A partir de 2000 até ao momento vive-se o culminar da inviabilidade do modelo socialista irresponsável. Paradoxalmente, ao invés de o Socialismo acabar com velhos decrépitos sentados no poder, o Socialismo resolveu acabar com crianças no poder, como que a revisitar os tempos idos do PREC. Mas desta vez com um aspecto mais polido e vestidos de capitalismo, coisa que em rigor até se trata de algo que nunca entenderam bem o que é. No que respeita a vestimenta, em lugar do vulgar Kispo que compunha uma barba revolucionária, resolveram adoptar fatos de marca que, segundo eles, acompanhavam bem os tempos de afluência aparente resultantes da globalização. Discurso escorreito e desfaçatez de fazer corar o maior aldrabão de bairro destoava do pacote visual, mas segundo a cartilha do momento isso era coisa aceitável. Assim foi o culminar de uma era, que aceitando tudo e todos até se dignou de atropelar os mais básicos valores da vida e valores da vida em sociedade, tais como a legalização do aborto até às 12 semanas (salvo erro, não sei ao certo) e o patético casamento de pessoas do mesmo sexo. A todo este pacote visual a tresandar de vacuidade chamaram-lhe “modernidade”. Sim, onde já vai o socialismo…
Agora que a realidade se anda a tornar mais visível e a água e o azeite tomam os seus lugares, o ambiente turvo e meio esquisito em que vivíamos apresenta-se-nos agora tenebroso. A tomada de consciência de que o caminho trilhado foi o errado durante demasiado tempo faz-nos sofrer só de pensar que serão necessárias talvez mais do que uma geração para fazer de Portugal outra vez um País normal e responsável, e não um País dividido entre os que trabalham em coisas que o mercado quer e os que vivem à conta do outros, quer não trabalhando, quer fazendo coisas que o mercado não quer, ou quer ainda fazendo coisas que não são de todo necessárias. Tudo isto no meio de uma justiça que não funciona, de uma segurança que foi substituída pela falta dela, e de valores sociais algo trucidados. Assim, há como que um sentimento de que a sociedade está desconjuntada.
Não duvidemos que o socialismo acabou em Portugal. Já não há mais uma democracia para implementar ou socialistas com o calibre de Mário Soares para enfrentar um desastre de contas públicas. O que há para tratar é de construir um modelo onde os responsáveis marquem o ritmo, onde quem trabalha e é trabalhador é premiado, onde o empata e o que vive à conta dos outros é colocado no seu devido lugar, onde a justiça funciona, onde falta dela volta a ser segurança, onde o empreendedor se liberte e seja estimado, onde o inovador, o afoito, e o intuitivo sejam empurrados para a frente, onde a imaginação não seja travada pela burocracia, e onde as corporações levem um valente pontapé no rabo. Para tudo isto não precisamos de socialismo para nada. Deste travestido de sei lá o quê, ou do antigo, ainda que fosse liderado por um Mário Soares.
* Não incluo aqui o infeliz episódio da descolonização para não desviar o foco do post.
Efeitos nefastos da economia e dos (des)governos
QUARTA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO DE 2010
O meu ilustre amigo e companheiro bloguista Miguel Alvim sugere como sendo injusto que o vinho seja sujeito a uma taxa de IVA reduzida e que os achocolatados sejam sujeitos à taxa de IVA máxima. Do ponto de vista moral, e com base num julgamento imediato, associo-me ao sentimento de revolta. É confuso que seja mais taxado algo que com frequência se pode dar a uma criança para efeitos de alimentação do que algo que os adultos podem consumir para efeitos de prazer, ainda que a espaços.
Mas o inconveniente e “injusto” mundo da economia por vezes trata de desvirtuar certos princípios aceites por todos aconselhando um tratamento contrário aos princípios gerais, e quiçá, desafiando até a própria moral. Nomeadamente quando governantes incompetentes têm oportunidade de entrar em cena. Nestes casos os fenómenos desta natureza tendem então a proliferar como cogumelos. Ou seja, os governantes em vez de mitigarem os efeitos nefastos da economia, tratam antes de os acentuar.
Passo a explicar. Resumidamente, e como já é do conhecimento de todos, precisamos desesperadamente, reitero com ênfase, DESESPERADAMENTE, de exportar mais e de reduzir DESESPERADAMENTE o nosso défice público (pessoalmente já aqui defendi que doravante temos de ter excedentes).
Um dos sectores que exporta, e que tem potencial de exportar ainda mais, é o sector vitivinícola. As empresas que produzem vinho têm recentemente também apostado no turismo, o que também significa “exportações”. Cumulativamente estão quase todas localizadas no interior, pelo que significa natural fixação de populações nesses espaços cada vez mais desertos. E por fim temos ainda o facto de muitas dessas empresas estarem associadas a património arquitectónico e cultural de evidente interesse nacional. Temos então quatro factores poderosíssimos em jogo: Exportação de vinho, turismo (também significa exportação), fixação natural de populações no interior, e protecção de património.
Sei, e aqui já o defendi, que o IVA não afecta as exportações, pelo que faria sentido, e à primeira vista, aumentar o IVA do vinho para a taxa máxima. Mas acontece que neste sector existem muitas empresas (talvez a maioria) onde a exportação significa não mais que uns meros 25% do total das suas vendas, pelo que um rombo no mercado interno, por via do aumento do IVA e consequente redução de consumo, pode por certo prejudicar fatalmente a sua sobrevivência, especialmente quando o sector sofre actualmente de sobre produção e se verifica uma queda generalizada de preços. Ou seja, a ideia é proteger ao máximo um sector que para exportar mais precisa de um significativo mercado interno. Isto é tanto mais válido quando ponderado com o facto de sermos 10 milhões, o que não potencia com facilidade economias de escala.
Por outro lado temos os ditos achocolatados. Ora a produção de achocolatados encontra-se num sector que se caracteriza por ser constituído por meia dúzia de empresas, quase todas elas bem geridas, modernas, respirando saúde financeira, e para as quais os achocolatados representam uma pequena parte do seu negócio. Ou seja, têm mecanismos e “almofadas” mais do que suficientes para acomodar aumentos de IVA em alguns dos seus produtos sem prejudicar a sua sobrevivência e capacidade de gerar lucros.
Pela curta perspectiva descrita encontro uma explicação para o aumento do IVA dos achocolatados e manutenção do IVA para o vinho. Explicação que até merece a minha simpatia quando me visto exclusivamente de economia. No entanto, e porque tenho gosto em diferenciar “explicação” de “justificação” direi que o exposto só justifica ainda mais o que tenho defendido: o aumento da taxa máxima de IVA para valores ainda superiores aos actuais (tipo 26 ou 27%, ou mais). Assim evito situações em que o IVA dos achocolatados é superior ao do vinho “com justa causa económica”. Não digo que com a taxa máxima de IVA a 27% a economia não mais desafie a moral, mas pelo menos mitigo ao máximo essa possibilidade. E já agora, até talvez desse para baixar a taxa reduzida do IVA… e, imagine-se, até colocar lá os ditos achocolatados.
O meu ilustre amigo e companheiro bloguista Miguel Alvim sugere como sendo injusto que o vinho seja sujeito a uma taxa de IVA reduzida e que os achocolatados sejam sujeitos à taxa de IVA máxima. Do ponto de vista moral, e com base num julgamento imediato, associo-me ao sentimento de revolta. É confuso que seja mais taxado algo que com frequência se pode dar a uma criança para efeitos de alimentação do que algo que os adultos podem consumir para efeitos de prazer, ainda que a espaços.
Mas o inconveniente e “injusto” mundo da economia por vezes trata de desvirtuar certos princípios aceites por todos aconselhando um tratamento contrário aos princípios gerais, e quiçá, desafiando até a própria moral. Nomeadamente quando governantes incompetentes têm oportunidade de entrar em cena. Nestes casos os fenómenos desta natureza tendem então a proliferar como cogumelos. Ou seja, os governantes em vez de mitigarem os efeitos nefastos da economia, tratam antes de os acentuar.
Passo a explicar. Resumidamente, e como já é do conhecimento de todos, precisamos desesperadamente, reitero com ênfase, DESESPERADAMENTE, de exportar mais e de reduzir DESESPERADAMENTE o nosso défice público (pessoalmente já aqui defendi que doravante temos de ter excedentes).
Um dos sectores que exporta, e que tem potencial de exportar ainda mais, é o sector vitivinícola. As empresas que produzem vinho têm recentemente também apostado no turismo, o que também significa “exportações”. Cumulativamente estão quase todas localizadas no interior, pelo que significa natural fixação de populações nesses espaços cada vez mais desertos. E por fim temos ainda o facto de muitas dessas empresas estarem associadas a património arquitectónico e cultural de evidente interesse nacional. Temos então quatro factores poderosíssimos em jogo: Exportação de vinho, turismo (também significa exportação), fixação natural de populações no interior, e protecção de património.
Sei, e aqui já o defendi, que o IVA não afecta as exportações, pelo que faria sentido, e à primeira vista, aumentar o IVA do vinho para a taxa máxima. Mas acontece que neste sector existem muitas empresas (talvez a maioria) onde a exportação significa não mais que uns meros 25% do total das suas vendas, pelo que um rombo no mercado interno, por via do aumento do IVA e consequente redução de consumo, pode por certo prejudicar fatalmente a sua sobrevivência, especialmente quando o sector sofre actualmente de sobre produção e se verifica uma queda generalizada de preços. Ou seja, a ideia é proteger ao máximo um sector que para exportar mais precisa de um significativo mercado interno. Isto é tanto mais válido quando ponderado com o facto de sermos 10 milhões, o que não potencia com facilidade economias de escala.
Por outro lado temos os ditos achocolatados. Ora a produção de achocolatados encontra-se num sector que se caracteriza por ser constituído por meia dúzia de empresas, quase todas elas bem geridas, modernas, respirando saúde financeira, e para as quais os achocolatados representam uma pequena parte do seu negócio. Ou seja, têm mecanismos e “almofadas” mais do que suficientes para acomodar aumentos de IVA em alguns dos seus produtos sem prejudicar a sua sobrevivência e capacidade de gerar lucros.
Pela curta perspectiva descrita encontro uma explicação para o aumento do IVA dos achocolatados e manutenção do IVA para o vinho. Explicação que até merece a minha simpatia quando me visto exclusivamente de economia. No entanto, e porque tenho gosto em diferenciar “explicação” de “justificação” direi que o exposto só justifica ainda mais o que tenho defendido: o aumento da taxa máxima de IVA para valores ainda superiores aos actuais (tipo 26 ou 27%, ou mais). Assim evito situações em que o IVA dos achocolatados é superior ao do vinho “com justa causa económica”. Não digo que com a taxa máxima de IVA a 27% a economia não mais desafie a moral, mas pelo menos mitigo ao máximo essa possibilidade. E já agora, até talvez desse para baixar a taxa reduzida do IVA… e, imagine-se, até colocar lá os ditos achocolatados.
Nada como a realidade para dobrar a ignorância
QUARTA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO DE 2010
Aqui há uns oito anos atrás ia defendendo que os preços da habitação um dia acabariam por começar a descer gradualmente. Sempre que defendia essa tese quase todas as vozes se erguiam em uníssono contra tamanha heresia. Diziam que terrenos e casas são bens “sempre a valorizar”, que a terra “não foge”, etc. E sempre com ares de entendidos. Timidamente, e sem ser um conhecedor profundo dos valores e séries históricas do imobiliário, ainda contra argumentava com o caso da Suécia (penso que ocorrido nos anos 60) e do Japão (desde 1990). De pouco servia. A arrogância seguia imparável.
Hoje a rádio Irlandesa noticiava que os preços das casas na Irlanda estão ao nível dos preços de 2002. E que nos primeiros nove meses do ano os preços desceram, em média, 12,5% relativamente ao ano anterior. Noticiavam também que o preço médio das casas é actualmente de 200.000 euros quando no pico máximo foi de 310.000 euros.
Comentando a notícia com alguns Irlandeses estes diziam-me que os preços ainda vão descer mais. Não sei se o vão ou não, mas pelo menos a realidade tem demonstrado ser mais forte do que frases soltas com bases pouco sólidas. Enfim, mais uma situação em que verifico que em Portugal a ignorância tende a falar demasiado alto, especialmente quando encontra interlocutores com alguma dose de modéstia nas opiniões que formulam.
Não há nada como a realidade para dobrar a ignorância e colocá-la no seu devido lugar.
Aqui há uns oito anos atrás ia defendendo que os preços da habitação um dia acabariam por começar a descer gradualmente. Sempre que defendia essa tese quase todas as vozes se erguiam em uníssono contra tamanha heresia. Diziam que terrenos e casas são bens “sempre a valorizar”, que a terra “não foge”, etc. E sempre com ares de entendidos. Timidamente, e sem ser um conhecedor profundo dos valores e séries históricas do imobiliário, ainda contra argumentava com o caso da Suécia (penso que ocorrido nos anos 60) e do Japão (desde 1990). De pouco servia. A arrogância seguia imparável.
Hoje a rádio Irlandesa noticiava que os preços das casas na Irlanda estão ao nível dos preços de 2002. E que nos primeiros nove meses do ano os preços desceram, em média, 12,5% relativamente ao ano anterior. Noticiavam também que o preço médio das casas é actualmente de 200.000 euros quando no pico máximo foi de 310.000 euros.
Comentando a notícia com alguns Irlandeses estes diziam-me que os preços ainda vão descer mais. Não sei se o vão ou não, mas pelo menos a realidade tem demonstrado ser mais forte do que frases soltas com bases pouco sólidas. Enfim, mais uma situação em que verifico que em Portugal a ignorância tende a falar demasiado alto, especialmente quando encontra interlocutores com alguma dose de modéstia nas opiniões que formulam.
Não há nada como a realidade para dobrar a ignorância e colocá-la no seu devido lugar.
Quando os resultados dos bancos correm mal…
SEGUNDA-FEIRA, 18 DE OUTUBRO DE 2010
Quando os resultados dos bancos correm mal as coisas podem ficar muito feias. Muito mais do que podemos imaginar, mesmo para quem está habituado a lidar com números de uma certa grandeza. Tomemos como exemplo o principal banco da Irlanda. Iam os nossos companheiros europeus Irlandeses com um défice de 8%, o equivalente ao nosso défice actual, quando os contribuintes tiveram a triste notícia que afinal o défice saltou para 32% em resultado de um contributo muito especial de uns investimentos que “correram mal” efectuados pela banca.
25% do que se produz anualmente num país correspondente a investimentos que “correram mal” e que devem ser cobertos pelos contribuintes é um sarilho dos diabos. Equivale “somente” a ¼ do que o que um país produziu num ano. Por isso rezo e regozijo-me quando vejo os bancos de Portugal com lucros. Se são taxados a 25%, 20% ou 10% é coisa que me incomoda pouco. A história recente até convidará a reflectir que baixas taxas sobre os lucros potenciarão maiores lucros no futuro o que resulta em mais colecta (prefiro taxar 15% sobre 1000 do que 30% sobre 300). O que me incomoda mais é pensar que ¼ do que Portugal produziu num ano tem que ser pago nos próximos anos com os impostos dos Portugueses porque alguns investimentos “correram mal”.
O ataque aos bancos é geralmente feito por demagogos e invejosos. Espécies desta natureza não faltam em Portugal, pelo que não é de estranhar que esse discurso tenha sucesso. Especialmente se tiverem a ajuda preciosa de banqueiros que se embriagam (BPP) ou que aldrabam (BPN), e bancários egocentristas e megalómanos (BCP). Mas isto são casos pontuais, que aliás existirão noutros sectores também. Imperfeições. No fundo no fundo são homens e mulheres.
Muito pragmaticamente, e independentemente da opinião que possamos ter de banqueiros e bancários, há uma coisa que eu sei: não quero a banca com prejuízos. Venha a supervisão que vier ou que seja necessária, queixem-se os banqueiros e bancários com isso se o entenderem. Com isso podemos bem. Podemos mal é com rombos de 25% do que se produz num ano a ser pago nos anos futuros porque “correu mal”.
Quando os resultados dos bancos correm mal as coisas podem ficar muito feias. Muito mais do que podemos imaginar, mesmo para quem está habituado a lidar com números de uma certa grandeza. Tomemos como exemplo o principal banco da Irlanda. Iam os nossos companheiros europeus Irlandeses com um défice de 8%, o equivalente ao nosso défice actual, quando os contribuintes tiveram a triste notícia que afinal o défice saltou para 32% em resultado de um contributo muito especial de uns investimentos que “correram mal” efectuados pela banca.
25% do que se produz anualmente num país correspondente a investimentos que “correram mal” e que devem ser cobertos pelos contribuintes é um sarilho dos diabos. Equivale “somente” a ¼ do que o que um país produziu num ano. Por isso rezo e regozijo-me quando vejo os bancos de Portugal com lucros. Se são taxados a 25%, 20% ou 10% é coisa que me incomoda pouco. A história recente até convidará a reflectir que baixas taxas sobre os lucros potenciarão maiores lucros no futuro o que resulta em mais colecta (prefiro taxar 15% sobre 1000 do que 30% sobre 300). O que me incomoda mais é pensar que ¼ do que Portugal produziu num ano tem que ser pago nos próximos anos com os impostos dos Portugueses porque alguns investimentos “correram mal”.
O ataque aos bancos é geralmente feito por demagogos e invejosos. Espécies desta natureza não faltam em Portugal, pelo que não é de estranhar que esse discurso tenha sucesso. Especialmente se tiverem a ajuda preciosa de banqueiros que se embriagam (BPP) ou que aldrabam (BPN), e bancários egocentristas e megalómanos (BCP). Mas isto são casos pontuais, que aliás existirão noutros sectores também. Imperfeições. No fundo no fundo são homens e mulheres.
Muito pragmaticamente, e independentemente da opinião que possamos ter de banqueiros e bancários, há uma coisa que eu sei: não quero a banca com prejuízos. Venha a supervisão que vier ou que seja necessária, queixem-se os banqueiros e bancários com isso se o entenderem. Com isso podemos bem. Podemos mal é com rombos de 25% do que se produz num ano a ser pago nos anos futuros porque “correu mal”.
Apreciar o momento histórico que vivemos
DOMINGO, 10 DE OUTUBRO DE 2010
O momento histórico que atravessamos é extraordinário. Vivemos numa época de extrema liberdade individual, com um acesso muito facilitado à informação e educação, com facilidade de partilha e gozo do que o mundo tem para nos oferecer, seja em termos materiais ou culturais. Vivemos numa fase em que centenas de milhões de pessoas foram retiradas do estado de extrema pobreza, nomeadamente na China e Índia (vão lá os esquerdistas botar discurso anti-globalização e vão ver o pontapé que levam), e a perspectiva é que muitas outras centenas de milhões possam ver as suas condições de vida serem melhoradas, nomeadamente na América do Sul e África.
A Globalização tem dado a oportunidade de muitos outros povos se sentarem à mesa do bem-estar, coisa que pensávamos estar só ao alcance dos EUA, Europa do Norte, e alguns outros países (como a Austrália ou a Nova Zelândia). Para isso muito contribuíram as empresas multinacionais, verdadeiros predadores de cérebros por esse mundo fora, independentemente da raça, cor, ou qualquer outro atributo passível de discriminação negativa.
O Conhecimento vê assim, finalmente, e pela mão das multinacionais, ver-lhe reconhecido o papel fundamental que tem como recurso económico, para além da Terra, do Capital, e do Trabalho manual. A sua característica intrinsecamente democrática, porque baseada na meritocracia, potencia a mobilidade social, e consequentemente alimenta justamente a esperança de melhoria das condições de vida dos menos afortunados economicamente.
A mobilidade geográfica nunca foi tão fácil, permitindo que a classe média usufruísse daquilo que anteriormente estava somente ao alcance dos ricos. Inúmeros aeroportos, viagens baratas, e proliferação de hotéis acessíveis, permitem o gozo e a beleza de conhecer de perto outros povos e outras culturas. É uma maravilha ter a possibilidade de fazer escapadas de fim-de-semana por essas cidades europeias. Nem os Reis sonhariam em gozar estas facilidades há 100 anos atrás.
Claro que todas estas facilidades nos impõem novos desafios, nomeadamente na gestão do nosso tempo, tão arduamente disputado por tanta oferta disponível, e na gestão da nossa vida espiritual, que nos querem vender ser de impossível conciliação com o bem-estar material. Mas até nisso o desafio pode ser maravilhoso no caso de considerarmos que ter um desafio é algo positivo. Por mim não duvido de que necessitamos bastante de equilíbrio espiritual para melhor discernir sobre a abundância material. Aliás, os últimos 25 anos em Portugal são uma excelente prova em como o abandono da vida espiritual foi pernicioso face às novas abundâncias materiais proporcionadas pelos juros baixos e pela facilidade na contracção de dívida.
Mas talvez o maior desafio resida no discernimento em decidir sobre quem devemos ouvir. Há demasiado ruído nos media (televisão, jornal, blogosfera, etc.). A ignorância e o soundbyte falam muito alto deixando pouco espaço para o pensamento maduro e responsável. É extraordinariamente difícil nos dias de hoje passar a mensagem ponderada, fruto da reflexão e da seriedade, como que estas características sejam de combinação impossível com os meios em vigor e com os responsáveis dos mesmos. Talvez em épocas de crise muito profunda haja mais espaço para a razão pois os espíritos nas épocas de crise necessitam de ser conduzidos.
Para tornar este momento histórico mais aprazível tratemos de ouvir a razão dos que reflectem seriamente e tratemos de afastar os inconscientes e marotos dos microfones.
O momento histórico que atravessamos é extraordinário. Vivemos numa época de extrema liberdade individual, com um acesso muito facilitado à informação e educação, com facilidade de partilha e gozo do que o mundo tem para nos oferecer, seja em termos materiais ou culturais. Vivemos numa fase em que centenas de milhões de pessoas foram retiradas do estado de extrema pobreza, nomeadamente na China e Índia (vão lá os esquerdistas botar discurso anti-globalização e vão ver o pontapé que levam), e a perspectiva é que muitas outras centenas de milhões possam ver as suas condições de vida serem melhoradas, nomeadamente na América do Sul e África.
A Globalização tem dado a oportunidade de muitos outros povos se sentarem à mesa do bem-estar, coisa que pensávamos estar só ao alcance dos EUA, Europa do Norte, e alguns outros países (como a Austrália ou a Nova Zelândia). Para isso muito contribuíram as empresas multinacionais, verdadeiros predadores de cérebros por esse mundo fora, independentemente da raça, cor, ou qualquer outro atributo passível de discriminação negativa.
O Conhecimento vê assim, finalmente, e pela mão das multinacionais, ver-lhe reconhecido o papel fundamental que tem como recurso económico, para além da Terra, do Capital, e do Trabalho manual. A sua característica intrinsecamente democrática, porque baseada na meritocracia, potencia a mobilidade social, e consequentemente alimenta justamente a esperança de melhoria das condições de vida dos menos afortunados economicamente.
A mobilidade geográfica nunca foi tão fácil, permitindo que a classe média usufruísse daquilo que anteriormente estava somente ao alcance dos ricos. Inúmeros aeroportos, viagens baratas, e proliferação de hotéis acessíveis, permitem o gozo e a beleza de conhecer de perto outros povos e outras culturas. É uma maravilha ter a possibilidade de fazer escapadas de fim-de-semana por essas cidades europeias. Nem os Reis sonhariam em gozar estas facilidades há 100 anos atrás.
Claro que todas estas facilidades nos impõem novos desafios, nomeadamente na gestão do nosso tempo, tão arduamente disputado por tanta oferta disponível, e na gestão da nossa vida espiritual, que nos querem vender ser de impossível conciliação com o bem-estar material. Mas até nisso o desafio pode ser maravilhoso no caso de considerarmos que ter um desafio é algo positivo. Por mim não duvido de que necessitamos bastante de equilíbrio espiritual para melhor discernir sobre a abundância material. Aliás, os últimos 25 anos em Portugal são uma excelente prova em como o abandono da vida espiritual foi pernicioso face às novas abundâncias materiais proporcionadas pelos juros baixos e pela facilidade na contracção de dívida.
Mas talvez o maior desafio resida no discernimento em decidir sobre quem devemos ouvir. Há demasiado ruído nos media (televisão, jornal, blogosfera, etc.). A ignorância e o soundbyte falam muito alto deixando pouco espaço para o pensamento maduro e responsável. É extraordinariamente difícil nos dias de hoje passar a mensagem ponderada, fruto da reflexão e da seriedade, como que estas características sejam de combinação impossível com os meios em vigor e com os responsáveis dos mesmos. Talvez em épocas de crise muito profunda haja mais espaço para a razão pois os espíritos nas épocas de crise necessitam de ser conduzidos.
Para tornar este momento histórico mais aprazível tratemos de ouvir a razão dos que reflectem seriamente e tratemos de afastar os inconscientes e marotos dos microfones.
Os garotos não se entendem
SÁBADO, 9 DE OUTUBRO DE 2010
O PS e o PSD parecem que não se entendem na questão do orçamento. É natural, a factura do desnorteio dos últimos 25 anos chegou mais cedo do que o previsto devido a uma inconveniente crise financeira internacional. E agora a rapaziada fruto dos aparelhos partidários vê-se com a batata quente nas mãos, que é como quem diz, vê-se envolta num cenário para o qual não foram formatados como pessoas. É que em alturas de crise não há espaço para dislates, deslizes, incompetências, jogos partidários, mexericos, tráfico de influências, etc.
Há muita mudança em curso na sociedade de uma dimensão anda difícil de abarcar, mesmo para o mais atento e astuto dos cidadãos. São mudanças muito profundas, das quais destaco a decadência demográfica agora iniciada, o novo surto emigratório, a inversão de expectativas de vida e de percursos profissionais resultado da redução do volume de consumo e a extrema necessidade de produzir mais e de pagar a dívida externa, o acentuar da competição a nível mundial com a entrada no “campeonato” de novos povos tidos até agora como de segunda e como nossos servidores (muitos deles são os nossos credores), e por fim a manutenção da nossa produtividade a um nível incompatível com as nossas expectativas de cuidados de saúde e de reforma (que mais não são do que os níveis que actualmente possuímos). E tudo isto terá impacto para os próximos 40 anos.
Esta avalanche irreversivelmente adversa de elementos de grande dimensão não encontra boa resposta nos actuais actores políticos. Estes vivem numa realidade onde a manipulação é o factor chave para alcançar aquilo que eles pensam ser o sucesso e para regular a relação entre eles e o povo. Ora nesta fase da vida da nossa Nação o que é fundamental é explicar com naturalidade aos Portugueses todos os elementos que os afectam neste momento. Não temos que pedir que os Portugueses gostem ou desgostem da realidade, ou que ainda concordem ou discordem da mesma. Somente temos que os guiar de acordo com a nova realidade, que, como já nos apercebemos, não é nada fácil. E isto não é tarefa para garotos, é antes tarefa para homens.
Garotos com poder em situações de aperto são o pano de fundo de um enredo para um filme de terror.
O PS e o PSD parecem que não se entendem na questão do orçamento. É natural, a factura do desnorteio dos últimos 25 anos chegou mais cedo do que o previsto devido a uma inconveniente crise financeira internacional. E agora a rapaziada fruto dos aparelhos partidários vê-se com a batata quente nas mãos, que é como quem diz, vê-se envolta num cenário para o qual não foram formatados como pessoas. É que em alturas de crise não há espaço para dislates, deslizes, incompetências, jogos partidários, mexericos, tráfico de influências, etc.
Há muita mudança em curso na sociedade de uma dimensão anda difícil de abarcar, mesmo para o mais atento e astuto dos cidadãos. São mudanças muito profundas, das quais destaco a decadência demográfica agora iniciada, o novo surto emigratório, a inversão de expectativas de vida e de percursos profissionais resultado da redução do volume de consumo e a extrema necessidade de produzir mais e de pagar a dívida externa, o acentuar da competição a nível mundial com a entrada no “campeonato” de novos povos tidos até agora como de segunda e como nossos servidores (muitos deles são os nossos credores), e por fim a manutenção da nossa produtividade a um nível incompatível com as nossas expectativas de cuidados de saúde e de reforma (que mais não são do que os níveis que actualmente possuímos). E tudo isto terá impacto para os próximos 40 anos.
Esta avalanche irreversivelmente adversa de elementos de grande dimensão não encontra boa resposta nos actuais actores políticos. Estes vivem numa realidade onde a manipulação é o factor chave para alcançar aquilo que eles pensam ser o sucesso e para regular a relação entre eles e o povo. Ora nesta fase da vida da nossa Nação o que é fundamental é explicar com naturalidade aos Portugueses todos os elementos que os afectam neste momento. Não temos que pedir que os Portugueses gostem ou desgostem da realidade, ou que ainda concordem ou discordem da mesma. Somente temos que os guiar de acordo com a nova realidade, que, como já nos apercebemos, não é nada fácil. E isto não é tarefa para garotos, é antes tarefa para homens.
Garotos com poder em situações de aperto são o pano de fundo de um enredo para um filme de terror.
Curto resumo do que faria um governo sensato nas actuais circunstâncias
QUARTA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO DE 2010
As circunstâncias económico financeiras actuais condicionam em muito as possibilidades de governação. No entanto, a governação não é algo que dependa das circunstâncias. O acto de governar é o resultado de se estar em posição de comando, e essa posição é, e sempre será, única no tempo. Um governante que se preze não se queixa pois ele sabe que a sua função é governar perante as circunstâncias do momento e não sobre as circunstâncias que ele toma como sendo as ideais. Tão pouco deve ignorar as circunstâncias e seguir em frente com as medidas que ele toma como as que melhor se adaptam à sua filosofia.
Um exemplo do que acima descrevo está relacionado com a fiscalidade. Entendo que um baixo nível de fiscalidade é o que melhor serve uma sociedade pois é aquele onde a iniciativa privada mais se liberta e aquele onde os tributáveis menos sentem o despotismo dos que tributam e dos que vivem do tributo. No entanto, podem as circunstâncias toldar as possibilidades e aconselhar o caminho inverso, ainda que provisoriamente.
Neste sentido passo a enumerar o que um governo sensato deverá decretar nas actuais circunstâncias e o porquê de cada medida. Nota: o que abaixo enumero resume-se à realidade económica e financeira. A governação, como é óbvio, excede estas realidades, embora a não observância da boa gestão económica e financeira tolha as possibilidades nas outras áreas. Aliás, isso hoje começa a parecer muito evidente.
Realidade financeira: dívida externa em 2013 deverá ser de 100% do PIB ou mais. E a tendência é para continuar a crescer se nada for feito. Juros cobrados no refinanciamento da dívida a um nível já desmesuradamente elevado.
As realidades:
Realidade económica: perca de quota de mercado no mercado mundial de bens e serviços; consumo é superior à produção desde há largos anos.
Realidade produtiva: produtividade com crescimento muito baixo e num patamar facilmente alcançável por muitos países ainda atrás de nós.
Realidade social: população em decréscimo até 2050. Pode atingir 30%, ou mais. Mentalidade em vigor é "socializante".
Objectivo das medidas:
1. Acabar com os défices e passar a ter excedentes de 5% do PIB
2. Passar a mensagem à população que um País não pode consumir mais do que aquilo que produz
3. Passar o sinal de que produzir é compensador
4. Passar o sinal de que exportar é a solução para os próximos 40 anos
5. Passar o sinal de que o mercado é a medida de sucesso económico de um povo, de uma empresa e de uma pessoa, e de que a meritocracia é o mecanismo pelo qual se maximiza o sucesso global
6. Passar o sinal de que a frugalidade é virtuosa, principalmente quando 40% da população vive em situação de pobreza ou quase pobreza; cumulativamente gerar solidariedade via comportamento face ao consumo (IVA) e não face ao que se produz (IRS)
Medidas:
1. Subir o IVA do escalão mais elevado para 26% ou 27%. Descer o IVA do escalão mais baixo para 5%. IVA especial para o turismo de 15%
2. Descer as taxas de IRS em 3 ou 4 pontos percentuais
3. Subir o imposto automóvel em 20%. Terá que ser o mais alto da União Europeia
4. Subir o imposto sobre os produtos petrolíferos em 30%
5. Subir o imposto sobre o tabaco em 20%
6. Acabar com o mecanismo de promoções automáticas na Função Pública
7. Reduzir os salários da Função Pública em 10%
8. Congelar os rendimentos da Função Pública até 2020
9. Eliminar uma série de Institutos e "outras gorduras". A maioria dos cortes deverá ser radical.
10. Redução gradual do número de funcionários públicos.
11. Cancelar por completo os dislates de NAL e TGVs
12. Pensar a logística do País com os agentes económicos; dotar de eficiência as estruturas aeroportuárias existentes combinando-as com inteligência
13. Pensar no preçário do aeroporto de Lisboa e de como isso pode estar a prejudicar o tráfego aéreo, nomeadamente de turistas
14. Combater com mais eficácia o neo-esclavagismo existente em muitas empresas no que respeita às cargas horárias, nomeadamente em muitas profissões liberais.
15. Incrementar o benefício fiscal para famílias com 2 filhos
Notas:
1. O aumento do IVA não perturba em nada as exportações; reforça a solidariedade via consumo
2. O decréscimo do IVA do escalão mais baixo facilita os escalões de menores rendimentos
3. Descer o IRS premeia o trabalho
4. Promover o transporte público em detrimento do transporte privado. Nota: o valor dos passes sociais deverá abater no IRS
5. O Estado não deve ser visto como o "salvador" do Lusitano. O salvador do Lusitano é o mundo e os seus mercados. A Globalização é o nosso meio natural. A repartição não o é.
6. Fumar é um vício e isso deve ser penalizado no actual quadro financeiro do País
7. O turismo é a actividade crucial neste País para os próximos 40 anos.
8. A medida 14 visa combater a baixa taxa de natalidade
9. A medida 15 visa tornar mais atractivo a opção por um segundo filho. É aqui que se joga a maior parte da opção por mais filhos
Poder-se-á discordar destas medidas individualmente ou no grau de cada uma. Mas pelo menos teriam a virtude de passar sinais muito claros ao Portugueses, que, e para quem ainda não se apercebeu, se encontram muito confusos perante o que se está a passar.
Governar nem é assim tão difícil. É só preciso ter cabeça, ouvir, ser humilde, conhecer a massa de que são feitos os governados, e perceber o mundo e o que nos pode daí afectar positiva e negativamente. E acima de tudo ter frieza e distanciamento do calor dos acontecimentos.
As circunstâncias económico financeiras actuais condicionam em muito as possibilidades de governação. No entanto, a governação não é algo que dependa das circunstâncias. O acto de governar é o resultado de se estar em posição de comando, e essa posição é, e sempre será, única no tempo. Um governante que se preze não se queixa pois ele sabe que a sua função é governar perante as circunstâncias do momento e não sobre as circunstâncias que ele toma como sendo as ideais. Tão pouco deve ignorar as circunstâncias e seguir em frente com as medidas que ele toma como as que melhor se adaptam à sua filosofia.
Um exemplo do que acima descrevo está relacionado com a fiscalidade. Entendo que um baixo nível de fiscalidade é o que melhor serve uma sociedade pois é aquele onde a iniciativa privada mais se liberta e aquele onde os tributáveis menos sentem o despotismo dos que tributam e dos que vivem do tributo. No entanto, podem as circunstâncias toldar as possibilidades e aconselhar o caminho inverso, ainda que provisoriamente.
Neste sentido passo a enumerar o que um governo sensato deverá decretar nas actuais circunstâncias e o porquê de cada medida. Nota: o que abaixo enumero resume-se à realidade económica e financeira. A governação, como é óbvio, excede estas realidades, embora a não observância da boa gestão económica e financeira tolha as possibilidades nas outras áreas. Aliás, isso hoje começa a parecer muito evidente.
Realidade financeira: dívida externa em 2013 deverá ser de 100% do PIB ou mais. E a tendência é para continuar a crescer se nada for feito. Juros cobrados no refinanciamento da dívida a um nível já desmesuradamente elevado.
As realidades:
Realidade económica: perca de quota de mercado no mercado mundial de bens e serviços; consumo é superior à produção desde há largos anos.
Realidade produtiva: produtividade com crescimento muito baixo e num patamar facilmente alcançável por muitos países ainda atrás de nós.
Realidade social: população em decréscimo até 2050. Pode atingir 30%, ou mais. Mentalidade em vigor é "socializante".
Objectivo das medidas:
1. Acabar com os défices e passar a ter excedentes de 5% do PIB
2. Passar a mensagem à população que um País não pode consumir mais do que aquilo que produz
3. Passar o sinal de que produzir é compensador
4. Passar o sinal de que exportar é a solução para os próximos 40 anos
5. Passar o sinal de que o mercado é a medida de sucesso económico de um povo, de uma empresa e de uma pessoa, e de que a meritocracia é o mecanismo pelo qual se maximiza o sucesso global
6. Passar o sinal de que a frugalidade é virtuosa, principalmente quando 40% da população vive em situação de pobreza ou quase pobreza; cumulativamente gerar solidariedade via comportamento face ao consumo (IVA) e não face ao que se produz (IRS)
Medidas:
1. Subir o IVA do escalão mais elevado para 26% ou 27%. Descer o IVA do escalão mais baixo para 5%. IVA especial para o turismo de 15%
2. Descer as taxas de IRS em 3 ou 4 pontos percentuais
3. Subir o imposto automóvel em 20%. Terá que ser o mais alto da União Europeia
4. Subir o imposto sobre os produtos petrolíferos em 30%
5. Subir o imposto sobre o tabaco em 20%
6. Acabar com o mecanismo de promoções automáticas na Função Pública
7. Reduzir os salários da Função Pública em 10%
8. Congelar os rendimentos da Função Pública até 2020
9. Eliminar uma série de Institutos e "outras gorduras". A maioria dos cortes deverá ser radical.
10. Redução gradual do número de funcionários públicos.
11. Cancelar por completo os dislates de NAL e TGVs
12. Pensar a logística do País com os agentes económicos; dotar de eficiência as estruturas aeroportuárias existentes combinando-as com inteligência
13. Pensar no preçário do aeroporto de Lisboa e de como isso pode estar a prejudicar o tráfego aéreo, nomeadamente de turistas
14. Combater com mais eficácia o neo-esclavagismo existente em muitas empresas no que respeita às cargas horárias, nomeadamente em muitas profissões liberais.
15. Incrementar o benefício fiscal para famílias com 2 filhos
Notas:
1. O aumento do IVA não perturba em nada as exportações; reforça a solidariedade via consumo
2. O decréscimo do IVA do escalão mais baixo facilita os escalões de menores rendimentos
3. Descer o IRS premeia o trabalho
4. Promover o transporte público em detrimento do transporte privado. Nota: o valor dos passes sociais deverá abater no IRS
5. O Estado não deve ser visto como o "salvador" do Lusitano. O salvador do Lusitano é o mundo e os seus mercados. A Globalização é o nosso meio natural. A repartição não o é.
6. Fumar é um vício e isso deve ser penalizado no actual quadro financeiro do País
7. O turismo é a actividade crucial neste País para os próximos 40 anos.
8. A medida 14 visa combater a baixa taxa de natalidade
9. A medida 15 visa tornar mais atractivo a opção por um segundo filho. É aqui que se joga a maior parte da opção por mais filhos
Poder-se-á discordar destas medidas individualmente ou no grau de cada uma. Mas pelo menos teriam a virtude de passar sinais muito claros ao Portugueses, que, e para quem ainda não se apercebeu, se encontram muito confusos perante o que se está a passar.
Governar nem é assim tão difícil. É só preciso ter cabeça, ouvir, ser humilde, conhecer a massa de que são feitos os governados, e perceber o mundo e o que nos pode daí afectar positiva e negativamente. E acima de tudo ter frieza e distanciamento do calor dos acontecimentos.
Vozes sensatas no PS que não se ouvem
SEGUNDA-FEIRA, 4 DE OUTUBRO DE 2010
O socialista Henrique Neto, para além de empresário de sucesso, é daqueles Portugueses que sabe o que diz. A entrevista que deu no Público deve ser lida e relida. Destaco quando diz:
" Infelizmente, os nossos governantes não sabem da importância de ouvir os críticos, que é uma qualidade que está apenas ao alcance dos estadistas"
"...a dívida pública que os últimos governos deixaram acumular deveria constituir crime público. Porque nos tornou dependentes dos credores internacionais e coloca em causa o bem mais precioso de qualquer país, que é a independência nacional"
"Infelizmente, Portugal está na senda de escolher jovens primeiros-ministros que não sabem do que falam"
http://economia.publico.pt/Noticia/austeridade-nao-toca-na-gordura-do-estado-e-nos-interesses-da-oligarquia_1459311
http://economia.publico.pt/Noticia/divida-deveria-ser-considerada-crime-publico_1459312
O socialista Henrique Neto, para além de empresário de sucesso, é daqueles Portugueses que sabe o que diz. A entrevista que deu no Público deve ser lida e relida. Destaco quando diz:
" Infelizmente, os nossos governantes não sabem da importância de ouvir os críticos, que é uma qualidade que está apenas ao alcance dos estadistas"
"...a dívida pública que os últimos governos deixaram acumular deveria constituir crime público. Porque nos tornou dependentes dos credores internacionais e coloca em causa o bem mais precioso de qualquer país, que é a independência nacional"
"Infelizmente, Portugal está na senda de escolher jovens primeiros-ministros que não sabem do que falam"
http://economia.publico.pt/Noticia/austeridade-nao-toca-na-gordura-do-estado-e-nos-interesses-da-oligarquia_1459311
http://economia.publico.pt/Noticia/divida-deveria-ser-considerada-crime-publico_1459312