sábado, 6 de outubro de 2012
A crise escondida
domingo, 16 de setembro de 2012
Há que explicar o que se pretende
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Quem falta e umas dicas?
sábado, 16 de junho de 2012
O que cada um representa
Crescimento económico não é algo que se decrete. O crescimento económico sustentado e saudável ocorre quando as bases para o seu aparecimento são edificadas e solidificadas. E para quem ainda não se tenha apercebido, o que se está a tentar construir nos países meridionais é precisamente as bases para que mais tarde se possa crescer. O problema na economia é que estas coisas demoram alguns anos. E o problema das pessoas nos dias de hoje é que querem tudo já, à boa maneira do faça já, compre já, ou ainda do emagreça já.
Como a cabeça do vulgo tem sido massajada há décadas na infantilidade, a superficialidade e a ilusão tomaram conta das percepções. Assim, a distância destas para a realidade assumiu dimensões gigantescas. A chegada desta última traduziu-se inicialmente pela negação, e mais recentemente transformou-se em frustração quando a sua inevitabilidade foi finalmente percepcionada. E é neste ponto emocional em que nos encontramos, que mais não é do que um terreno fértil para a astúcia e o ludíbrio.
O Sr. Hollande querer agora capitalizar a posição menor da França face à Alemanha à custa da insatisfação emocional de parte da massa ignara e infantil. Evidentemente que o seu aparente sucesso inicial mais não é que o resultado de um desabafo momentâneo das massas, como um gordo que vai na sua terceira semana de forte dieta e que se deleita à sucapa com dois pastéis de nata: sossega-lhe o corpo e a gula mas perturba-lhe o processo. A vontade e a acção conflituam, e a doçura da última torna-se mais forte que a razão da primeira. E é isto que o Sr. Hollande representa face à Sra. Merkel. Vontade. Uma vontade danada que tudo passe depressa, que a realidade não seja, e que o erro não tivesse acontecido.
domingo, 3 de junho de 2012
Uma dica ao Sporting Clube de Portugal
O problema do Sporting consiste na apresentação sistemática de prejuízos e a consequente acumulação de uma dívida gigantesca quando comparada com a receita potencial. Isto é o cenário da Grécia nos dias que correm. No entanto, e ao contrário da Grécia, o Sporting tem uma solução. E é este ponto que me faz escrever estas linhas.
Ao que parece o actual presidente do Sporting fez umas deslocações pela China e Índia com o objectivo de encontrar investidores que queiram investir no Sporting. A esta ideia voluntarista falta aquela dose de realismo que se impõe nesta altura. Haja consciência que a probabilidade de sucesso desta investida pelas bandas asiáticas é nula, senão contraproducente, pois falar em football português por aquelas bandas poderá trazer interessados… mas para o Benfica. Basta para isso olhar para os relatórios da Deloitte de 2011 e 2012 sobre o football. O potencial de aumento de receitas do Benfica no curto prazo é tremendo (renegociação dos contractos televisivos e muito boas perspectivas de participação continuada na liga dos campeões), pelo que se algum milionário quiser brincar ao football em Portugal atirar-se-á muito mais depressa ao Benfica.
O que o Sporting deve fazer é tentar arranjar investidores depois de limpar uns 200 milhões de euros no seu passivo. Um investidor meio maluco, e há muitos deles com imenso milhões disponíveis pelas arábias, índias e chinas, talvez arrisque investir no Sporting se entrar com dinheiro para investir, não para limpar passivos. Esses investidores olham para o football como uma criança olha para um brinquedo. A sua relação é maioritariamente ditada pela componente lúdica. Ora neste momento não há nada de lúdico que o Sporting tenha para oferecer, a não ser uma tremenda novela grega que aí vem. Ao invés do Manchester City, que não ganhava um campeonato Inglês desde 1968, mas que sempre tem como atractivo o jogar na liga inglesa, o que não é despiciendo, e ser o clube da “terra” já que possui uma massa de adeptos em Manchester superior à do Manchester United (penso que relação de 60/40).
Assim, a direcção do Sporting se quiser realmente salvar o Sporting tem que dizer aos seus sócios e simpatizantes o seguinte. “Olhem, nenhum dos milionários nos quer como brinquedo para brincar aos campeonatos e taças. Para que isso possa eventualmente vir a acontecer, mas acima de tudo para que sobrevivamos como clube, é preciso que limpemos o nosso passivo nuns 200 milhões de euros. A proposta é a seguinte. Efectuar um aumento de capital nesse montante para amortizar dívida em igual montante. O propósito não é ganharem dinheiro com o investimento. O propósito é não perderem um clube. E, quiçá, um dia, talvez algum árabe meio embriagado venha a gostar de nós e se permita torrar por aqui uns milhões para comprar a sua equipa de football. Ha, esse aumento de capital até poderá ser feito ao longo de 4 anos à razão de 50 milhões de euros por ano, o que para um universo de 100.000 sportinguistas subscritores daria 500 euros por ano. O que é que acham? Vamos a isso?”
Eu sei que pode parecer uma proposta meia tola, mas quando as coisas apertarem à séria (e está quase…) e se colocar em cima da mesa a falência do clube e a sua respectiva liquidação, então todas as soluções, como a que acima indiquei, passarão a ser consideradas muito plausíveis. E esta até pode bem ser das melhores que se arranjam, especialmente se alguém vier com uma alternativa do estilo “Imploda-se o estádio de Alvalade, vendam-se os terrenos, e aluguemos um dos estádios de Lisboa para lá se fazerem os jogos”.
Isto não é do domínio do surreal. Surreal é a situação actual.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Dobrar-nos-emos?
domingo, 27 de maio de 2012
Os melhores de nós
Tem que haver uma aposta séria na coisa. E nós, jovens licenciados, na flor da idade, com bom corpo e força nas pernas, até falamos nisto, imaginamos empresas novas, mil e um projectos possíveis, mas depois acabamos por adormecer, na antemanhã ainda, ou falhamos na execução, exaustos, quase sempre, como se nada pudéssemos contra a carapaça burocrática de uma sociedade com poucas estruturas de apoio e uma educação redutora. Pois sim. Agora a sério: é preciso juntar nisto os melhores de nós e pôr esta porra a andar.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Importam-se de deixar os outros fazer o seu trabalho?
sábado, 19 de maio de 2012
Como fixar e trazer pessoas para Portugal
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O legado da nossa miséria
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Para quando esta série televisiva
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Ridículo e miséria da servidão voluntária
Não é só o medo. Como La Boétie explica no Discurso da Servidão Voluntária, as populações assumem a coerção e tirania dos mais poderosos também por consentimento próprio. É de forma voluntária que a multidão dirige os seus esforços absurdos à prisão imposta pelo consumismo desenfreado, desfilando desvairadamente pelos corredores de supermercados e atropelando-se em busca do aproveitamento mercantilista de promoções engendradas por departamentos de marketing absolutamente mirabolantes. A malta tem que pôr comida na mesa, percebe-se, mas pelos vistos também precisa de carrinhos cheios de cosméticos, refrigerantes e iogurtes maricas com pedacinhos de fruta cortada. De facto, com o progresso do sistema capitalista, das necessidades primárias passou-se também à produção e ao consumo de um catálogo sem fim de superficialidades. Desse modo, a campanha do Pingo Doce apoia-se no desespero do país para levar a população a consumir a preço de saldo produtos supérfluos que de outro modo não consumiria tão facilmente, tirando ao mesmo tempo partido da situação de forma a criar uma onda de euforia e publicidade à sua volta. E sabe bem pagar tão pouco.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Os sinais continuam
sábado, 28 de abril de 2012
E Agora Vai Começar a Doer a Sério
quarta-feira, 18 de abril de 2012
A rir se exportam os produtos
Somos particularmente versados na nobre arte da maledicência. A raiz deste nosso apurado engenho português está nas cantigas de escárnio e maldizer e vive sobretudo da feliz aliança entre o riso e a crítica. O lema é rir muito e sempre e tanto e sobretudo de nós mesmos. A propósito disto, Miguel Esteves Cardoso fala em «Portugalite», uma espécie de inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. O humor permanece inabalável, mas agora, por influência da crise, começam a aparecer alguns dissidentes que fazem o contrário e exaltam o país por tudo e por nada. Existem dois tipos de correntes de exaltação nacional: ou se incentiva a exportação dos nossos magníficos produtos ou se incentiva o seu consumo em detrimento dos produtos dos outros.
Agora que a malta percebeu que o mercado dos dez milhões não tem mais espaço para crescer, as exportações surgem no vocabulário dos políticos revestidas de uma certa áurea que lhes confere o título de solução mágica para o problema do défice. Eu gosto de lhe chamar o desafio do pastel de nata, mas a coisa não se esgota aí e é preciso exportar tudo, desde a cortiça até à imagem do galo de Barcelos. Depois, no outro polo, está o incentivo ao consumo do que é português, mas só do que é verdadeiramente português porque os que têm praças noutros países são traidores e merecem arder no último e mais impiedoso círculo do inferno.
Num cenário ideal, os dez milhões estariam a produzir para si e para o resto do mundo apenas produtos de origem portuguesa com a percentagem máxima de incorporação do valor nacional. Eu tento ser optimista e acredito que o país tem pernas para andar, mas sou português, gosto de rir e diverte-me a azáfama dos meus compatriotas. É vê-los correr atrás da inovação e do empreendedorismo, doidos com a retórica do pensar fora da caixa, cada um envolvido no seu projecto de exportação e na aposta no produto nacional. É um encanto. Nunca soube tão bem rir dos portugueses. E quem se lixa são os outros: vão ter que importar os nossos produtos quer queiram quer não.

