domingo, 14 de outubro de 2012
Definição de objectivos, prescrições e dosagens
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
"Civilização" deriva de Civitas. "Urbanidade" (expressão menos usual em português falado) deriva de Urbs. De onde se poderia concluir abusivamente que as pessoas mais "educadas" fossem aquelas que vivem na cidade.
A educação deriva, obviamente, do respeito pelos outros. Da noção de que não merecemos mais do que outra pessoa. Esse grau de respeito pelos outros pode manifestar-se, por exemplo, no modo como um cidadão "urbano" cede a passagem a alguém que caminha ao seu lado, quando a passagem não permite que passem a par - porém, esses códigos de etiqueta não são garantia de verdadeira educação.
Se não, vejamos: Cascais (onde moro) goza da fama de ser um local onde mora gente endinheirada - e no entanto o que vejo, quando guio pela A5, são carros de grande cilindrada que aceleram à velocidade da luz e que vão fazendo sinais com os faróis para qualquer infeliz que não tenha um carro tão caro - ou pelo menos que não o guie à mesma velocidade - e que naquele momento esteja a privá-lo do livre acesso da autoestrada.
Outro tique que felizmente está a sair de moda é o de circular de noite, sobretudo com bastante trânsito, com os faróis de nevoeiro acesos. Presumo que o acto, na ausência de nevoeiro, pretenda assumir uma presença "ameaçadora", de tal modo que as pessoas se lhe esquivem. Nesses tempos, também haviam menos carros com faróis de nevoeiro - de onde se podia extrair a mensagem: «cá vou eu com o meu carro com faróis de nevoeiro». A moda pode ter passado por causa de terem passado a haver mais carros equipados dos ditos - ou, mais provavelmente, porque as pessoas passaram a ser multadas por andarem a guiar com os faróis de nevoeiro ligados, sem haver nevoeiro.
Particularmente penoso é o cenário ao fim da tarde daqueles que saem da CRIL para a A5, "queimando" minutos e carros na fila, ao habilmente intrometer o nariz do automóvel entre dois carros que, se calhar, estão na bicha há uns minutos, aguardando ordeiramente a vez de entrar na auto-estrada. Uma tristeza parecida é ver a mesma calamidade no sentido contrário, de manhã ou em dias de jogo do Benfica, quando os carros saem da CRIL para a 2ª circular (nó da Buraca).
O prémio máximo da má educação é porém a triste figura que alguns fazem na famosa "chicane" da estação de serviço do Estádio Nacional, ainda na A5: uns espertos que passam por dentro da área de serviço, para regressar à autoestrada mais à frente, e ganhar um ou dois minutos de fila com esta linda manobra. Não sei se o «blog» tem muitos leitores - mas se os tiver, de certeza que haverão entre eles algum habilidosos desses.
Os Beatles escreveram: Money Can't Buy Me Love. Claramente, também não compra a educação.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Portugal de rabo na boca
O único consenso que existe entre os portugueses é o seguinte: todos estão contra. A maior parte não tem alternativas sérias e os que as têm conseguem apenas reunir alguns amigos em capelinhas. Com efeito, os portugueses estão todos contra os impostos e até aceitam que se deve cortar na despesa, mas quando essa hora chega todos estão mais uma vez contra, porque não querem ver o fim do estado social, que é um grande amigo e protector, que nos oferece excelentes serviços na saúde, nos transportes públicos, na educação, na cultura, etc. Assim, os manifestantes do contra complicam ainda mais o que já era complicado devido a uma constituição estúpida e a ladroagem no poder põe-se a subir os impostos, simplesmente porque é mais fácil e porque o limite do que os portugueses aguentam pode estar, quem sabe, ligeiramente mais longe.
sábado, 6 de outubro de 2012
A crise escondida
domingo, 16 de setembro de 2012
Há que explicar o que se pretende
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Quem falta e umas dicas?
sábado, 16 de junho de 2012
O que cada um representa
Crescimento económico não é algo que se decrete. O crescimento económico sustentado e saudável ocorre quando as bases para o seu aparecimento são edificadas e solidificadas. E para quem ainda não se tenha apercebido, o que se está a tentar construir nos países meridionais é precisamente as bases para que mais tarde se possa crescer. O problema na economia é que estas coisas demoram alguns anos. E o problema das pessoas nos dias de hoje é que querem tudo já, à boa maneira do faça já, compre já, ou ainda do emagreça já.
Como a cabeça do vulgo tem sido massajada há décadas na infantilidade, a superficialidade e a ilusão tomaram conta das percepções. Assim, a distância destas para a realidade assumiu dimensões gigantescas. A chegada desta última traduziu-se inicialmente pela negação, e mais recentemente transformou-se em frustração quando a sua inevitabilidade foi finalmente percepcionada. E é neste ponto emocional em que nos encontramos, que mais não é do que um terreno fértil para a astúcia e o ludíbrio.
O Sr. Hollande querer agora capitalizar a posição menor da França face à Alemanha à custa da insatisfação emocional de parte da massa ignara e infantil. Evidentemente que o seu aparente sucesso inicial mais não é que o resultado de um desabafo momentâneo das massas, como um gordo que vai na sua terceira semana de forte dieta e que se deleita à sucapa com dois pastéis de nata: sossega-lhe o corpo e a gula mas perturba-lhe o processo. A vontade e a acção conflituam, e a doçura da última torna-se mais forte que a razão da primeira. E é isto que o Sr. Hollande representa face à Sra. Merkel. Vontade. Uma vontade danada que tudo passe depressa, que a realidade não seja, e que o erro não tivesse acontecido.
domingo, 3 de junho de 2012
Uma dica ao Sporting Clube de Portugal
O problema do Sporting consiste na apresentação sistemática de prejuízos e a consequente acumulação de uma dívida gigantesca quando comparada com a receita potencial. Isto é o cenário da Grécia nos dias que correm. No entanto, e ao contrário da Grécia, o Sporting tem uma solução. E é este ponto que me faz escrever estas linhas.
Ao que parece o actual presidente do Sporting fez umas deslocações pela China e Índia com o objectivo de encontrar investidores que queiram investir no Sporting. A esta ideia voluntarista falta aquela dose de realismo que se impõe nesta altura. Haja consciência que a probabilidade de sucesso desta investida pelas bandas asiáticas é nula, senão contraproducente, pois falar em football português por aquelas bandas poderá trazer interessados… mas para o Benfica. Basta para isso olhar para os relatórios da Deloitte de 2011 e 2012 sobre o football. O potencial de aumento de receitas do Benfica no curto prazo é tremendo (renegociação dos contractos televisivos e muito boas perspectivas de participação continuada na liga dos campeões), pelo que se algum milionário quiser brincar ao football em Portugal atirar-se-á muito mais depressa ao Benfica.
O que o Sporting deve fazer é tentar arranjar investidores depois de limpar uns 200 milhões de euros no seu passivo. Um investidor meio maluco, e há muitos deles com imenso milhões disponíveis pelas arábias, índias e chinas, talvez arrisque investir no Sporting se entrar com dinheiro para investir, não para limpar passivos. Esses investidores olham para o football como uma criança olha para um brinquedo. A sua relação é maioritariamente ditada pela componente lúdica. Ora neste momento não há nada de lúdico que o Sporting tenha para oferecer, a não ser uma tremenda novela grega que aí vem. Ao invés do Manchester City, que não ganhava um campeonato Inglês desde 1968, mas que sempre tem como atractivo o jogar na liga inglesa, o que não é despiciendo, e ser o clube da “terra” já que possui uma massa de adeptos em Manchester superior à do Manchester United (penso que relação de 60/40).
Assim, a direcção do Sporting se quiser realmente salvar o Sporting tem que dizer aos seus sócios e simpatizantes o seguinte. “Olhem, nenhum dos milionários nos quer como brinquedo para brincar aos campeonatos e taças. Para que isso possa eventualmente vir a acontecer, mas acima de tudo para que sobrevivamos como clube, é preciso que limpemos o nosso passivo nuns 200 milhões de euros. A proposta é a seguinte. Efectuar um aumento de capital nesse montante para amortizar dívida em igual montante. O propósito não é ganharem dinheiro com o investimento. O propósito é não perderem um clube. E, quiçá, um dia, talvez algum árabe meio embriagado venha a gostar de nós e se permita torrar por aqui uns milhões para comprar a sua equipa de football. Ha, esse aumento de capital até poderá ser feito ao longo de 4 anos à razão de 50 milhões de euros por ano, o que para um universo de 100.000 sportinguistas subscritores daria 500 euros por ano. O que é que acham? Vamos a isso?”
Eu sei que pode parecer uma proposta meia tola, mas quando as coisas apertarem à séria (e está quase…) e se colocar em cima da mesa a falência do clube e a sua respectiva liquidação, então todas as soluções, como a que acima indiquei, passarão a ser consideradas muito plausíveis. E esta até pode bem ser das melhores que se arranjam, especialmente se alguém vier com uma alternativa do estilo “Imploda-se o estádio de Alvalade, vendam-se os terrenos, e aluguemos um dos estádios de Lisboa para lá se fazerem os jogos”.
Isto não é do domínio do surreal. Surreal é a situação actual.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Dobrar-nos-emos?
domingo, 27 de maio de 2012
Os melhores de nós
Tem que haver uma aposta séria na coisa. E nós, jovens licenciados, na flor da idade, com bom corpo e força nas pernas, até falamos nisto, imaginamos empresas novas, mil e um projectos possíveis, mas depois acabamos por adormecer, na antemanhã ainda, ou falhamos na execução, exaustos, quase sempre, como se nada pudéssemos contra a carapaça burocrática de uma sociedade com poucas estruturas de apoio e uma educação redutora. Pois sim. Agora a sério: é preciso juntar nisto os melhores de nós e pôr esta porra a andar.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Importam-se de deixar os outros fazer o seu trabalho?
sábado, 19 de maio de 2012
Como fixar e trazer pessoas para Portugal
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O legado da nossa miséria
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Para quando esta série televisiva
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Ridículo e miséria da servidão voluntária
Não é só o medo. Como La Boétie explica no Discurso da Servidão Voluntária, as populações assumem a coerção e tirania dos mais poderosos também por consentimento próprio. É de forma voluntária que a multidão dirige os seus esforços absurdos à prisão imposta pelo consumismo desenfreado, desfilando desvairadamente pelos corredores de supermercados e atropelando-se em busca do aproveitamento mercantilista de promoções engendradas por departamentos de marketing absolutamente mirabolantes. A malta tem que pôr comida na mesa, percebe-se, mas pelos vistos também precisa de carrinhos cheios de cosméticos, refrigerantes e iogurtes maricas com pedacinhos de fruta cortada. De facto, com o progresso do sistema capitalista, das necessidades primárias passou-se também à produção e ao consumo de um catálogo sem fim de superficialidades. Desse modo, a campanha do Pingo Doce apoia-se no desespero do país para levar a população a consumir a preço de saldo produtos supérfluos que de outro modo não consumiria tão facilmente, tirando ao mesmo tempo partido da situação de forma a criar uma onda de euforia e publicidade à sua volta. E sabe bem pagar tão pouco.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Os sinais continuam
sábado, 28 de abril de 2012
E Agora Vai Começar a Doer a Sério
quarta-feira, 18 de abril de 2012
A rir se exportam os produtos
Somos particularmente versados na nobre arte da maledicência. A raiz deste nosso apurado engenho português está nas cantigas de escárnio e maldizer e vive sobretudo da feliz aliança entre o riso e a crítica. O lema é rir muito e sempre e tanto e sobretudo de nós mesmos. A propósito disto, Miguel Esteves Cardoso fala em «Portugalite», uma espécie de inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. O humor permanece inabalável, mas agora, por influência da crise, começam a aparecer alguns dissidentes que fazem o contrário e exaltam o país por tudo e por nada. Existem dois tipos de correntes de exaltação nacional: ou se incentiva a exportação dos nossos magníficos produtos ou se incentiva o seu consumo em detrimento dos produtos dos outros.
Agora que a malta percebeu que o mercado dos dez milhões não tem mais espaço para crescer, as exportações surgem no vocabulário dos políticos revestidas de uma certa áurea que lhes confere o título de solução mágica para o problema do défice. Eu gosto de lhe chamar o desafio do pastel de nata, mas a coisa não se esgota aí e é preciso exportar tudo, desde a cortiça até à imagem do galo de Barcelos. Depois, no outro polo, está o incentivo ao consumo do que é português, mas só do que é verdadeiramente português porque os que têm praças noutros países são traidores e merecem arder no último e mais impiedoso círculo do inferno.
Num cenário ideal, os dez milhões estariam a produzir para si e para o resto do mundo apenas produtos de origem portuguesa com a percentagem máxima de incorporação do valor nacional. Eu tento ser optimista e acredito que o país tem pernas para andar, mas sou português, gosto de rir e diverte-me a azáfama dos meus compatriotas. É vê-los correr atrás da inovação e do empreendedorismo, doidos com a retórica do pensar fora da caixa, cada um envolvido no seu projecto de exportação e na aposta no produto nacional. É um encanto. Nunca soube tão bem rir dos portugueses. E quem se lixa são os outros: vão ter que importar os nossos produtos quer queiram quer não.



