DOMINGO, 3 DE JANEIRO DE 2010
Portugal, tens uma quantidade anormalmente grande de corruptos e de pessoas que fogem aos impostos. Isto demonstra o alheamento de muitos do bem comum, e de como se deve viver em comunidade. Isto demonstra a fraca coesão social existente. Demonstra também que não existe confiança suficiente sobre o destino dado aos impostos. Mas pode demonstrar mais. Pode demonstrar que o nível de bens e serviços que dás em troca do que cobras não está em sintonia com o valor percepcionado pelos cidadãos. Sabemos que há erros de percepção, mas sabemos também que, às vezes, não há. Sabemos também que por não conseguires cobrares em condições, taxas a torto e a direito, de modo a cobrares num lado onde não consegues cobrar no outro, subvertendo assim o sentido dos impostos. Queixas-te, e com razão, dos faltosos, mas também faltas muito com os não faltosos.
Portugal, não é possível pensares em aspirar ter um nível de serviços públicos ao nível Europeu se uma parte dos seus beneficiários não pagarem os seus impostos e/ou e forem corruptos. Sem contar que é de uma injustiça tremenda existirem cidadãos que se passeiam (os mais descarados até se pavoneiam) entre os zelosos cumpridores. Isto são facadas autênticas na sociedade. Não sei a melhor forma de apanhar os faltosos, mas gostaria que tu soubesses. Portugal, o teu Estado teve o privilégio de ter um trabalhador a quem pagaste bem e que te fez efectivar muita cobrança. Talvez isso faça pensar que é antes na qualidade dos teus quadros que está a solução, e não quantidade de “funcionários”. Dizem-me os sentidos que tens de ter muito “intelligence” nos teus departamentos de finanças. E para controlar 10 milhões nem deve ser assim tão difícil montar uma equipa com as competências necessárias.
Portugal, para tornar o sistema menos convidativo à fuga, sugeria repensares todos os impostos que cobras. Isto de modo a eliminar o critério em vigor: cobrar onde se chega e se pode. Se existir uma lógica e um sentido nos impostos, e claro, um mínimo de bens e serviços em troca, as pessoas sentir-se-ão menos tentadas a fugir. Por isso pensa bem em aumentar uns e baixar outros (ou até eliminá-los). Tudo com o intuito de dar um sentido a todos eles no momento histórico em que te encontras e nas circunstâncias que te rodeiam. Não te rales se vierem uns a dizer que são prejudicados. Se há coisa que existiu, existe, e existirá sempre, é descontentes dispostos a berrar por tudo e coisa nenhuma e aos quais não faltam chefes de claque atestados de outras agendas e ansiosos por manipularem emoções.
Portugal, cedo ou tarde esta mexida nos impostos vai acontecer. A globalização é uma realidade fortíssima. E com o empurrão que esta crise internacional te vai dar a coisa vai ocorrer mais cedo do que pensas. E se não vai por vontade própria dos nossos políticos, vai com a vontade externa dos credores internacionais, da UE, e do FMI, tudo gente com uma força dos diabos. Como sempre, há quem já viu isto, quem não quer ver, e quem não vai nunca entender. Está nas tuas mãos fazê-lo com cabeça e com um sentido lógico, ou então será feito por mãos alheias e em obediência cega à lógica da maximização da cobrança.
Portugal, uma palavra sobre a corrupção. É um verdadeiro cancro. Não se vê, é silenciosa, corrói que se farta, e tende a espalhar-se. Quem a pratica são os ignóbeis, e os falhados desta vida. E estes andam em todo o lado, desde os corredores do poder até às ruelas mais estreitas. Os primeiros são até de fácil identificação, o que faz supor que só depende da tua vontade para os apanhar (pois é, tens tido muitos governantes de braço dado com eles, não é?). Os segundos não, são muitos e deve ser complicado apanhá-los. Não sei quem te faz mais mossa, se uns quantos leões se uma bando enorme de hienas. Talvez vá pelas hienas, pois têm o efeito do número e estão bem espalhadas por todo o País. Seja como for, é uma catástrofe não ser possível levá-los a todos à justiça e condená-los em conformidade. Barbaridade.
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